Capítulo 16 - O Plano
Acompanhado de Gabriel Lourd, Lucius aguardava calmamente em frente à sala de interrogatório. Ele estava ali quando os aurores chegaram, com Alastor Moody à frente, seguido por Ron Weasley e a aurora Bruna Nichols. O restante dos funcionários no corredor fingia estar ocupado, mas era evidente que todos estavam atentos à cena que se desenrolava.
Moody, com seu olhar penetrante e sua expressão sempre alerta, foi o primeiro a falar. — Malfoy, veio confessar? — perguntou ele, sua voz carregada de desconfiança.
— Moody. — cumprimentou Lucius, inclinando levemente a cabeça para cada um, sua voz carregada de uma polidez calculada. — Estou aqui para cooperar plenamente com a investigação.
Moody, com o rosto marcado pela irritação, respondeu com um tom mordaz:
— Espero que seja verdade, Malfoy. Seus advogados causaram um alvoroço, como se tivéssemos algum prazer em ouvir você reclamar por 17 horas sobre como a cadeira era desconfortável e o quanto preferia estar em casa, tomando um banho de espuma.
Lucius manteve sua postura firme e respondeu com serenidade:
— Pretendo ser mais útil desta vez.
Nos corredores, sussurros discretos reverberavam enquanto funcionários espiavam disfarçadamente por trás de documentos e pilhas de pergaminhos, a curiosidade claramente estampada em seus rostos. Todos aguardavam ansiosos pelo desfecho daquele encontro.
— Vamos entrar. — disse Moody, gesticulando para a porta da sala de interrogatório. — Se você realmente veio para falar, saiba que estamos ansiosos para ouvir.
…
Do lado de fora do Ministério, enquanto fingia anotar algo em seu familiar bloquinho de notas, Rita Skeeter percebeu um movimento que fugia do ritmo usual da multidão. Seus olhos treinados capturaram o momento exato em que um bruxo, vestindo um terno impecavelmente alinhado, emergiu da sede dos Aurores e, sem perder tempo, se dirigiu diretamente a Kimmy Courteney, a presidente do BTL.
Kimmy era uma figura que irradiava confiança e poder. Seus cabelos negros, caindo em cachos soltos sobre os ombros, balançavam levemente com a brisa, e seus óculos de armação fina lhe conferiam um ar de intelectualidade feroz. Mas o que realmente chamava atenção era seu olhar penetrante, como se estivesse pronta para desafiar qualquer um que ousasse se opor a ela. Rita estreitou os olhos, focando toda sua atenção no bruxo de aparência mais velha e sofisticada.
Ele não era como os jovens manifestantes, com suas roupas mais casuais e despojadas. Ao contrário, sua postura e o terno bem cortado o faziam parecer alguém de alta classe, destoando completamente do ambiente ao redor. Algo sobre ele não se encaixava ali. O homem inclinou a cabeça, seus lábios mal se movendo enquanto cochichava algo ao ouvido de Kimmy.
Rita sentiu o coração acelerar levemente, seu instinto jornalístico a alertando de que aquilo era importante. Kimmy ouviu atentamente e, no segundo seguinte, sua expressão mudou. Era sutil, mas Rita notou o brilho repentino nos olhos da líder do BTL. — Interessante... — murmurou Rita, ajustando-se disfarçadamente para tentar ouvir melhor. Mas era tarde demais.
O homem já havia se afastado, desaparecendo na mesma direção de onde veio, e Kimmy, visivelmente agitada, começou a se mover com rapidez pela multidão, sussurrando algo aos manifestantes. O efeito foi imediato. Uma nova energia pareceu tomar conta do grupo, como se uma faísca invisível tivesse sido acesa.
Nesse instante, algo ainda mais intrigante chamou a atenção de Rita. Entre os jovens agitadores do BTL, algumas figuras se destacavam, claramente fora de lugar. Suas vestes refinadas e olhares atentos destoavam dos ativistas. Rita estava monitorando a cabine telefônica de entrada do ministério, pois sabia que Wilma Dean chegaria por ali, como de costume, e por isso podia ter praticamente certeza, que não viu aquelas pessoas entrarem por ali. O fato de não terem chegado pela cabine telefônica reforçava suas suspeitas. Com as lareiras do Ministério bloqueadas devido ao protesto, a única explicação plausível era que alguém, de alguma das lojas no subsolo, teria permitido que eles passassem discretamente por ali.
A agitação começou a crescer, e Rita soube que havia algo grande acontecendo. Determinada a descobrir, ela começou a se aproximar sorrateiramente. Não podia perder essa oportunidade.
…
Com toda a agitação dos manifestantes do lado de fora e a chegada de Lucius para interrogatório, todos os aurores tinham algo importante para fazer. Fleur estava sozinha na sala dos aurores.
O ambiente, normalmente movimentado e cheio de bruxos trabalhando, estava agora silencioso, com apenas a luz suave das tochas mágicas lançando sombras pelas paredes de pedra. Ela sabia que tinha pouco tempo antes que alguém aparecesse.
Com passos rápidos e silenciosos, ela se aproximou da mesa de Ron e, com mãos firmes, abriu a gaveta trancada com a chave que ele havia deixado para trás. Dentro, encontrou o mapa de Azkaban, detalhado e coberto de anotações, muito mais do que ela, Lucius e Rita haviam imaginado.
Fleur respirou fundo, sentindo a adrenalina correr em suas veias. Sua memória fotográfica permitia que ela absorvesse cada detalhe rapidamente, mas precisava de tempo para avaliar cada quadrante do mapa. Ela precisava ser rápida, absorvendo cada detalhe e decifrando as anotações adicionais que revelavam mais segredos do que ela esperava. O tempo parecia correr mais depressa enquanto ela trabalhava meticulosamente, cada segundo era crucial.
…
A sala de interrogatório era austera e funcional, suas paredes cinzentas emanavam uma frieza quase opressiva, enquanto uma mesa de madeira escura dominava o centro do espaço. Cadeiras de ferro, pesadas e desconfortáveis, estavam dispostas ao redor da mesa. Uma parede enfeitiçada, permitia que os bruxos do lado de fora observassem tudo o que se passava no interior, sem que fossem percebidos. Ao entrar, Lucius percebeu a agitação dos funcionários que se amontoavam para assistir ao interrogatório, seus olhares fixos e atentos, como abutres espreitando uma presa, através da parede mágica.
Bruna Nichols se posicionou em um canto da sala, preparando-se para assumir o papel de escrivã, com pena e pergaminho encantados prontos para registrar cada palavra. Moody e Ron tomaram seus lugares de frente para Lucius, seus olhares duros e intransigentes, prontos para iniciar a série de perguntas que poderiam selar o destino do homem diante deles. Antes de começar, Ron acionou um feitiço na parede, tornando impossível ver o que acontecia do lado de fora da sala. O interior da sala se fechava ainda mais, criando um ambiente claustrofóbico.
— Nichols, registre tudo. — ordenou Moody, sua voz seca e autoritária, ao que Bruna assentiu silenciosamente, já concentrada na tarefa.
Lucius acomodou-se na cadeira com uma confiança inabalável, cada movimento meticulosamente calculado para exalar uma aura de superioridade que enchia a sala. Seus dedos deslizaram suavemente sobre o braço da cadeira, enquanto ele cruzava as pernas com elegância, como se estivesse em um jantar formal, e não prestes a ser interrogado.
O olho mágico de Moody girava freneticamente, captando cada nuance do comportamento de Lucius, enquanto suas mãos se apertavam involuntariamente sobre a pasta contendo as anotações sobre o último interrogatório de Lucius. A calma provocativa de Malfoy, fazia o sangue de Moody ferver. Cada sorriso sutil, cada olhar condescendente, irritava profundamente o auror veterano.
…
Fleur estava debruçada sobre a mesa de Wesley, memorizando cada detalhe do mapa. As marcações e rotas de Azkaban estavam todas ali, e ela sabia que cada segundo era precioso.
De repente, vozes ecoaram pelo corredor, cada vez mais próximas. Ela ouviu claramente os passos apressados e risadas se aproximando.
"Vamos logo, pessoal! Malfoy já deve ter entregado tudo!", disse uma voz masculina, claramente divertida.
"Você chamou o Raph?" outra perguntou entre risadas.
"Chamei o Ralph... e todo o Ministério!", respondeu o primeiro, rindo.
Foi então que uma terceira voz interrompeu bruscamente. "Espera aí! Eu deixei meu ampliador sonoro na minha mesa. Deixa eu pegar antes de irmos."
O coração de Fleur disparou. Eles estavam vindo diretamente para onde ela estava. Se eles a encontrassem ali, não haveria escapatória. Com um movimento rápido, ela tirou a atenção do mapa e pulou para trás da mesa de Ron, fechou os olhos e concentrou sua magia, sentindo a energia percorrer seu corpo como faíscas. "Zaino, é agora", sussurrou, sabendo que precisava de uma distração imediata.
…
No átrio do Ministério, o imenso salão de mármore do primeiro andar, a mochila de Fleur abandonada sob o banco se abriu suavemente, como se obedecesse a uma ordem invisível. Dela, deslizou Zaino. A criatura serpenteou pelo chão de mármore, sua pele escura contrastando com o brilho frio da superfície polida.
O guarda, que estava de sentinela junto à porta, com os olhos atentos à manifestação contra a Ministra da Magia Wilma Dean, lançou um olhar distraído pelo saguão. Ao avistar a sinuosidade mortal que se movia pelo átrio, ele paralisou, seu coração quase parando. Levou preciosos segundos para compreender o perigo diante de si, e então, em um grito sufocado de pavor, ele berrou: "Basilisco!".
…
Moody, com expressão rígida, folheava a pasta contendo as transcrições das 17 horas de interrogatório anteriores de Lucius Malfoy. Ele levantou os olhos, fixando Lucius com um olhar afiado, e disse em um tom controlado:
— Aqui estão as transcrições do seu interrogatório. O senhor tem algo a adicionar?
Ele manteve o silêncio, permitindo que a tensão na sala se intensificasse. A raiva que Moody sentia por Malfoy, após horas desperdiçadas com respostas evasivas e arrogância, era evidente, mas ele não deixaria isso transparecer. Em vez disso, ele daria espaço para que Lucius falasse à vontade, esperando que o bruxo cometesse algum erro ou se contradissesse.
Lucius, porém, manteve a compostura, respondendo com tranquilidade:
— Mantenho minha posição do primeiro interrogatório — declarou com firmeza controlada. — Não tenho nenhum conhecimento sobre os eventos em questão.
Moody ergueu uma sobrancelha, claramente insatisfeito com a resposta, mas continuou observando Lucius em silêncio, deixando a impaciência apenas vislumbrar em seu semblante. Finalmente, falou com frieza:
— Então, por que está aqui, Malfoy? Só para nos fazer perder mais tempo?
Lucius respirou profundamente antes de responder:
— Antes de mais nada, permitam-me expressar minhas sinceras desculpas pelo comportamento no último interrogatório — disse Lucius, cuidadosamente calibrando seu tom para transmitir um arrependimento que ele desejava parecer genuíno.
Moody cruzou os braços, mantendo a postura dura, e sem alterar o tom, respondeu:
— Se está tão arrependido, vá direto ao que interessa. Não temos tempo para seus jogos.
Lucius suspirou, sentindo o peso do momento, antes de admitir:
— Você tem razão em questionar minha sinceridade, Moody. Fui consumido por uma raiva profunda contra o sistema prisional. Fui tratado de forma deplorável por um sistema em ruínas, e minha frustração me levou a dificultar deliberadamente o trabalho dos aurores, como uma forma mesquinha de vingança. Fui indelicado com você, com o Sr. Weasley e até mesmo com a senhorita Nichols, que mal tem idade para empunhar uma varinha fora da escola.
Moody não respondeu, deixando que a tensão se acumulasse. Lucius continuou:
— Sem mais delongas, permitam-me ir direto ao ponto. Trago informações de grande relevância sobre o caso, que considero apropriado compartilhar com vocês.
…
No átrio, o guarda, tomado pelo pavor, se abaixou atrás da guarita e golpeou o alarme com um movimento trêmulo, desesperado para se proteger do olhar letal do basilisco. Com os olhos fechados e as mãos trêmulas, ele apontou sua varinha para a garganta e, em um gesto de desespero, amplificou sua voz:
— Basilisco no átrio! Preciso de ajuda aurores! Preciso de ajuda!
O grito reverberou pelo vasto espaço, ecoando nas paredes de mármore e pelos corredores adjacentes, sacudindo os bruxos que estavam por perto. A reação foi imediata, passos apressados e vozes alarmadas começaram a preencher o ambiente, enquanto os aurores que estavam por ali, alertados, se mobilizavam para enfrentar a ameaça iminente.
Zaino, porém, não demonstrava pressa alguma. Deslizando com uma calma inquietante, ele serpenteava pelo átrio, explorando o espaço com uma indiferença quase arrogante. Seus movimentos eram lentos e preguiçosos, como se achasse que aquele território lhe pertencia. Enquanto o basilisco continuava sua jornada imperturbável pelo átrio, o caos parecia à beira de explodir.
…
Os bruxos se amontoavam ansiosos em frente à parede enfeitiçada que os permitia ver Lucius Malfoy sentado na sala de interrogatório. A barreira mágica era completamente transparente para eles, uma janela para o que acreditavam ser a iminente confissão de Lucius. Do outro lado, porém, Lucius não podia vê-los, apenas sentia a pressão invisível das dezenas de olhos fixos em cada um de seus movimentos.
A tensão entre os que assistiam era visível, com os sussurros e especulações enchendo o ar. "Ele vai confessar, eu sei que vai," murmurou um bruxo, apertando o braço de seu colega com expectativa. "Está escrito em seu rosto, não vai aguentar por muito mais tempo," acrescentou outro. Mas nem todos estavam tão convencidos. "Lucius Malfoy ceder? Nem em um milhão de anos," resmungou um espectador cético, cruzando os braços com um olhar desconfiado. "Ele vai manter essa postura arrogante até o fim, pode apostar," afirmou outro, balançando a cabeça como se já tivesse visto essa cena antes.
De repente, um grito desesperado cortou o silêncio: "Basilisco no átrio! Preciso de ajuda aurores! Preciso de ajuda!" O aviso ecoou pelos corredores como um trovão, e a atmosfera de expectativa se transformou instantaneamente em pânico. O medo da criatura mortal se espalhou entre os bruxos.
Os que estavam amontoados ali se entreolharam, o pavor substituindo a curiosidade. Sem pensar duas vezes, começaram a se dispersar, correndo em direção ao átrio, deixando para trás a visão de Lucius através da parede enfeitiçada. O som de seus passos apressados e desordenados ecoou pelo corredor.
…
Enquanto isso, os bruxos que se dirigiam à sala dos Aurores, com a tarefa de buscar o amplificador de som para que pudessem escutar com clareza o depoimento de Lucius Malfoy, foram subitamente interrompidos por um som inesperado. O alarme ecoou pelos corredores, cortando o ar com urgência, logo seguido por um angustiante pedido de socorro vindo do átrio.
…
Fleur, escutando o grito do guarda sobre a presença de Zaino, sentiu o coração disparar. Enquanto o caos tomava forma do lado de fora, ela lutava para manter o controle, o nervosismo e o medo de ser pega naquele lugar, e de que algo pudesse acontecer com Zaino, a consumiam. Cada segundo parecia mais pesado que o anterior, enquanto ela forçava a respiração a permanecer calma, mesmo sabendo que o perigo era real e crescente.
…
Do lado de fora, os bruxos que estavam a caminho do amplificador sentiram a tensão aumentar quando um grupo de colegas, que antes se amontoava em frente à sala de interrogatório, apareceu correndo em sua direção. O semblante deles refletia a gravidade da situação, todos mobilizados para responder à emergência que irrompia no átrio.
Sem pensar duas vezes, os bruxos deram meia volta, suas capas esvoaçando enquanto corriam na direção do átrio.
…
Fleur ouviu o som dos passos rápidos dos aurores ressoando no corredor, um eco ameaçador que se aproximava rapidamente, vindo do grupo que se amontoada na frente da sala de interrogatório. Sem hesitar, ela se abaixou mais atrás da mesa de Ron, mantendo o corpo rente ao chão.
Seu coração batia tão rápido que ela podia ouvi-lo pulsar em seus ouvidos. A adrenalina corria em suas veias, mas ela se forçou a manter a respiração controlada, silenciosa, escondendo até o menor indício de sua presença. A tensão no ar era palpável, e cada segundo que passava parecia se arrastar como uma eternidade. O som dos passos se tornou ensurdecedor por um momento, como se os aurores pudessem ouvir o som do medo em seu peito.
Ela manteve os olhos fixos em uma pequena rachadura no chão, usando isso para se concentrar e afastar os pensamentos de pânico. Ouvir o som dos passos era um teste para seus nervos; eles estavam tão próximos que Fleur podia imaginar os aurores se movendo a poucos metros de onde estava. Qualquer movimento em falso, qualquer respiração ofegante poderia denunciá-la.
Com o tempo, os passos começaram a se afastar, primeiro lentamente, depois cada vez mais rápido, até que finalmente, o corredor caiu em silêncio novamente. Mas Fleur não se moveu de imediato. Conhecia bem os truques e as armadilhas da segurança. Os aurores podiam estar rondando, esperando capturar qualquer um que tivesse se escondido à espera de uma falsa sensação de segurança.
Ela permaneceu imóvel, com os músculos tensos, esperando pelo que pareceram longos minutos. Somente quando teve certeza absoluta de que o perigo havia passado, ela se arriscou a espiar por cima da mesa. O corredor estava vazio, as sombras estendendo-se ao longo das paredes sem nenhum movimento. Com cautela, ela se ergueu, ainda meio agachada.
A sala estava mergulhada em um silêncio pesado, quebrado apenas pela respiração calma que ela obrigava a manter. Sabia que o tempo estava correndo contra ela e que precisava agir rápido. Mas a espera havia valido a pena. A calmaria no corredor indicava que os aurores estavam longe, e isso dava a ela uma pequena janela de oportunidade.
…
O silêncio na sala de interrogatório era pesado. O caos que iniciava, naquele exato momento, do lado de fora, não conseguia penetrar na sala, por motivo dos encantamentos que isolavam interferências externas.
Bruna Nichols mantinha a pena mágica a postos, pronta para registrar cada palavra que Malfoy dissesse a seguir, mas, em seu caderninho, ela discretamente rabiscava anotações pessoais. Era seu primeiro interrogatório de grande importância, e ela queria capturar cada detalhe, desde as reações sutis de Moody até a postura imponente e a linguagem corporal que ele exibia com tanta naturalidade.
Os olhos de Bruna corriam pelo ambiente, absorvendo cada nuance, cada mudança de expressão. De repente, sua pena mágica começou a se mover novamente, deslizando pelo pergaminho com fluidez, indicando que Lucius havia retomado seu depoimento. Com um leve sobressalto, Bruna voltou sua atenção totalmente para as palavras que começavam a se formar no pergaminho, ciente de que, naquele momento, cada frase poderia ser crucial.
— Minhas fontes pessoais me informaram que uma joia da minha família foi encontrada no comício da atual ministra da magia— disse Lucius, com a voz baixa e controlada, como se estivesse compartilhando um segredo cuidadosamente guardado. — Isso me deixou extremamente preocupado.
Moody arqueou uma sobrancelha, um sorriso debochado curvando seus lábios. — Ah, é mesmo? — murmurou, sua voz carregada de cinismo. — E como foi exatamente que o senhor descobriu isso?
Lucius esboçou um sorriso frio, seus olhos brilhando com uma astúcia calculada. — Sou um Malfoy, Moody. Ainda tenho meus contatos.
Moody soltou uma risada seca, quase desdenhosa. — Engraçado, Malfoy. Porque, pelo que ouvi, desde que saiu de Azkaban, ninguém quer ser associado a você, incluindo sua própria família.
Lucius sentiu os dentes se apertarem, o desconforto se manifestando em um sorriso forçado. Seus dedos se contraíram levemente dentro do bolso do casaco, mas ele manteve o tom educado, sem deixar transparecer sua irritação.
— Novamente devo dizer que entendo sua desconfiança, Moody — replicou, a voz suavemente controlada. — Mas estou realmente aqui para contribuir com a investigação. Quando soube que a joia da minha família estava ligada ao comício, imediatamente revi o inventário das minhas joias. Curiosamente, ela constava como estando no cofre, mas, ao verificar pessoalmente, percebi que não estava onde deveria. O que estou tentando dizer, é que várias das joias mágicas da minha família estão na mesma situação. — Lucius fez uma pausa, deixando o peso de suas palavras afundar. — Ao fazer o inventário completo, percebi que muitos itens estão desaparecidos. Vinte e sete, para ser exato.
Moody e Ron trocaram um olhar rápido, uma compreensão tácita passando entre eles. Lucius, percebendo que finalmente capturou a atenção dos aurores, continuou com a mesma calma deliberada:
— Como prova de minha boa vontade, trouxe uma lista detalhada de todas as joias mágicas que sumiram, junto com a descrição de seus poderes específicos.
Moody pegou a lista, seus olhos varrendo as páginas com uma atenção crítica, enquanto o silêncio pesado retomava seu lugar na sala.
…
Fleur voltou ao seu lugar junto à escrivaninha de Ron. O mapa à sua frente era o foco. Era uma representação detalhada de Azkaban, com todas as entradas, saídas e rotas de patrulha dos guardas.
Seus dedos traçavam as rotas com uma precisão absoluta, movendo-se acima do pergaminho como se uma linha invisível os guiasse. Ela não tocava o mapa, evitando deixar qualquer marca ou mancha, mas sua mente estava absorvendo cada detalhe como uma esponja. Seus olhos, atentos e perspicazes, notavam cada sobreposição de patrulhas, cada pequeno intervalo entre os turnos dos guardas. Cada ponto vulnerável era gravado em sua memória, pronto para ser transcrito no momento certo.
O tempo estava contra ela. Cada segundo que passava a colocava mais perto do momento crítico, mas Fleur manteve sua compostura. Ela fechou os olhos por um instante, respirando profundamente para estabilizar o ritmo e manter o foco. Não podia se permitir errar. Qualquer distração, qualquer hesitação, poderia arruinar tudo.
…
Rita Skeeter observava atentamente, mantendo-se nas sombras, enquanto o caos se desenrolava diante dela. A multidão, antes barulhenta, mas desorganizada, havia se transformado, gritos ecoavam com uma raiva quase palpável. Ela ainda não sabia o que o bruxo havia dito a Kimmy, mas sabia que era algo explosivo. A líder do BTL havia reagido com uma fúria controlada, transmitindo a informação aos manifestantes com uma rapidez que transformou a atmosfera.
Agora, a tensão estava no ar como um trovão prestes a romper o céu. De repente, entre o som crescente, uma palavra se destacou, cortando o murmúrio da multidão como uma lâmina afiada: "Malfoy!"
Rita sentiu o impacto da palavra antes mesmo de processá-la completamente. Sua mente acelerou, encaixando as peças do quebra-cabeça em um instante. O nome que fora sussurrado com tanto cuidado havia sido finalmente revelado. Lucius Malfoy.
Como uma faísca que encontra um barril de pólvora, o nome reverberou pela multidão, e a agitação atingiu um novo patamar. Rita observava tudo com olhos afiados, o brilho astuto em seu olhar revelando que ela sabia exatamente o que aquilo significava. O homem havia dito a Kimmy que Lucius Malfoy estava na sede dos Aurores. E aquela simples informação fora suficiente para incendiar uma multidão que já estava à beira da revolta. Rita sorriu, satisfeitíssima.
Rita Skeeter sabia muito bem que muitos daqueles jovens manifestantes tinham familiares que estavam presos em Azkaban, antigos Comensais da Morte que haviam sido capturados graças às delações de Lucius Malfoy após a guerra. Esse detalhe alimentava a raiva crescente entre os manifestantes. O nome "Malfoy" era um símbolo de traição para eles. Essa combinação de ressentimento e desejo de vingança transformava a manifestação em um campo minado de emoções voláteis, pronto para explodir a qualquer momento.
…
Enquanto Fleur estudava o mapa de Azkaban, cada detalhe se fixava em sua mente com precisão. Em algumas celas, que provavelmente abrigavam prisioneiros de destaque, ela notou nomes escritos, todos codinomes. Ela os memorizava com atenção, organizando cada informação cuidadosamente. No entanto, algo curioso chamou sua atenção: a palavra "Veela" inscrita em um dos pontos. Não foi perturbador, mas despertou sua curiosidade, fazendo-a lembrar que precisaria perguntar a Lucius sobre aquele detalhe intrigante.
…
Na sala de interrogatório, Moody observava atentamente a lista de joias desaparecidas que Lucius havia lhe entregue.
Ron trocou um olhar significativo com Bruna; ambos já tinham conhecimento dessa informação e haviam discutido com Moody antes.
De repente, a porta foi aberta com um estrondo. Gabriel Lourd, o jovem auror, entrou na sala com um passo urgente, o rosto ligeiramente pálido.
Moody, com reflexos afiados, já tinha a varinha em mãos, o olhar cortante como lâmina. — Que diabos, Lourd! — rugiu Moody, a voz carregada de reprimenda. — Quantas vezes preciso dizer que não se interrompe um interrogatório?
Gabriel hesitou por um instante, sentindo o peso do erro, mas não vacilou. Ainda ofegante, ele se apressou em explicar: — Perdão, senhor, mas acho que o senhor deveria saber... há um basilisco no átrio.
Moody franziu a testa, a incredulidade marcando suas feições. — O quê? — murmurou ele, a palavra se esgueirando entre a surpresa e a descrença.
Ao ouvir a palavra "basilisco", Ron sentiu um calafrio percorrer sua espinha, as memórias sombrias de Hogwarts retornando instantaneamente. Seus olhos arregalaram-se brevemente, mas ele logo firmou o queixo, trocando um olhar sério com Nichols. Já Bruna Nichols, ainda jovem e menos calejada, não conseguiu esconder o choque que lhe fez o coração disparar, as mãos tremendo ligeiramente enquanto lutava para manter a compostura.
Lourd engoliu em seco antes de continuar: — Achamos que foram os manifestantes, senhor!
Moody, já se erguendo da cadeira e entregando a lista para Ron, disse — Weasley, Nichols, fiquem aqui com Malfoy — ordenou com autoridade. — Deixem-no esticar as pernas e tomar um café, se ele quiser. Não precisamos que os advogados dele nos acusem de maus tratos mais tarde.
Ele se dirigiu rapidamente à porta, o olhar firme e determinado. Antes de sair, virou-se uma última vez para Ron, a fúria contida em cada palavra: — Vou resolver isso num instante. Mas desta vez, os pais desses delinquentes vão ter que responder! Isso não vai ficar barato!
…
De repente, Fleur ouviu passos no corredor. Mas além disso, reconheceu o som da perna de pau de Alastor Moody. Seu coração disparou. Sem ter para onde fugir, ela se escondeu novamente atrás da escrivaninha de Ron, tentando controlar a respiração.
…
Moody saiu da sala em passos largos e rápidos, seguido por Gabriel Lourd. Quando eles passaram pela sala dos aurores, Moody parou abruptamente. Seu olho mágico girou, captando algo.
— Espere um momento — disse Moody, franzindo a testa. — Há algo errado aqui.
Fleur prendeu a respiração, seu corpo tenso. Ela tapou a boca com as mãos para tentar controlar a respiração descompassada. Ela sabia que o olho mágico de Moody não era apenas uma ferramenta comum de observação. Ele tinha a capacidade de ver através de superfícies sólidas, e se Moody direcionasse o olhar para a mesa de Ron, ele facilmente a veria escondida ali. Fleur tinha esperança de que a grande quantidade de itens mágicos espalhados pela sala interferisse de alguma forma, dificultando seu trabalho. E, com um pouco de sorte, ela esperava que, entre tantas mesas no local, Moody não escolhesse justamente aquela onde ela estava para verificar.
Moody estreitou os olhos, seu semblante se tornando ainda mais sombrio enquanto seu olho mágico girava freneticamente. Com um movimento rápido, ele sacou a varinha e deu um passo em direção à porta. Então, justo quando seus dedos tocaram a maçaneta, Gabriel Lourd, conhecendo a famosa paranoia de Moody por segurança e pensando que aquilo era só mais um de seus exageros, tocou seu ombro com cautela.
— Não temos tempo para isso, senhor! Há um basilisco no átrio!
Moody hesitou por um segundo, ainda dividido entre seguir seu instinto ou atender à crise que se desenrolava. Finalmente, ele assentiu, reconhecendo a urgência.
— Certo Lourd. Vamos.
Com uma última olhada para a sala, Moody seguiu caminho para o elevador.
…
No átrio, o caos se espalhava rapidamente. Bruxos e bruxas corriam em todas as direções, enquanto tentavam desesperadamente evitar o olhar mortal de Zaino. A cada vez que o basilisco inclinava a cabeça para um lado, os gritos ecoavam pelo espaço: "Escada!" quando ele olhava à direita, e "Subsolo!" quando virava à esquerda. Era uma tentativa desesperada de escapar da presença aterrorizante da criatura.
Feitiços de contenção e barreiras mágicas surgiam no ar, num esforço frenético para conter a ameaça. No meio da confusão, surgiu Alice Roy, uma bruxa cega, conhecida por sua extraordinária habilidade em lançar feitiços guiando-se apenas pela audição.
Alice se posicionou com firmeza à frente de Zaino, seus sentidos aguçados captando cada mínimo movimento ao seu redor. O basilisco ergueu a cabeça imponente, mas, com seus olhos fechados obedientemente, como Fleur havia instruído. Alice, sem perceber o gesto pacífico de Zaino, manteve-se pronta para agir. Com determinação, ela ergueu a varinha, apontando diretamente para o basilisco, e, com uma voz firme, gritou:
"Petrificus Totalus!"
…
No meio da manifestação, Rita ajustou sua posição, buscando captar cada detalhe da cena. A multidão, alimentada pelo rumor de que Lucius Malfoy estava dentro do Ministério, crescia em fúria e tamanho.
Entre os manifestantes, Rita continuava achando algumas figuras mais velhas, que contrastavam com os jovens ruidosos do BTL. Notou que eles não estavam demonstrando qualquer interesse em participar da manifestação, estavam somente parados no meio da multidão, observando tudo que estava acontecendo, quase como se estivessem esperando algo acontecer. Isso aguçou a curiosidade de Rita, mas ao mesmo tempo despertou uma pequena pontada de preocupação, de que algo ruim pudesse acontecer.
Então, um dos manifestantes soltou um grito de alarme: — Há um basilisco no átrio!
A revelação se espalhou pela multidão como fogo em pólvora, incendiando os ânimos de maneira inesperada. Em vez de recuarem, os manifestantes ficaram ainda mais inflamados de determinação. A multidão começou a aplaudir, como se a presença da criatura lendária fosse uma vitória iminente. Outros, em um gesto de reverência, caíram de joelhos no chão, chorando e gritando palavras em honra a Salazar Sonserina, proclamando a aparição do basilisco como um sinal divino.
Rita observava a cena incrédula, seus olhos se estreitando enquanto assistia à reação quase fanática da multidão. Não conseguindo conter seus pensamentos, murmurou para si mesma:
— Ele pode matar vocês com um olhar, vocês lembram disso?
A irracionalidade da situação deixava Rita perplexa, com a multidão agora, não apenas motivada pela insatisfação com a Ministra Wilma Dean ou pelo ódio a Lucius Malfoy, mas também pela convicção fervorosa de que estavam presenciando algo extraordinário e divino.
…
Moody, acompanhado de Gabriel Lourd, estava no elevador a caminho do átrio onde o basilisco aguardava. Decidindo evitar uma possível emboscada, ele parou no andar superior e, com Lourd ao seu lado, desceu pelas escadas laterais.
Do topo da escada, Moody observava o átrio com seus olhos sempre atentos e a expressão firme. E então viu Alice Roy apontar sua varinha para o basilisco e gritar:
"Petrificus Totalus!"
O feitiço partiu como uma flecha, atingindo Zaino em cheio.
O átrio inteiro pareceu prender a respiração, cada bruxo e bruxa paralisado, acompanhando o desfecho da tensa situação. Zaino, como se percebesse a expectativa no ar, ficou imóvel por alguns instantes, seu corpo rígido como pedra. Então, de repente, ele soltou um silvo agudo e ameaçador, que reverberou pelas paredes de mármore, fazendo Alice Roy recuar instintivamente, um passo atrás.
Os aurores que observavam a cena gritaram em uníssono, a urgência evidente em suas vozes:
"Roy! Saia daí!"
O som das vozes ecoou pelo átrio, rompendo o silêncio tenso, enquanto todos aguardavam o próximo movimento da criatura.
Alice recuava lentamente, até sentir a superfície fria da porta metálica atrás de si. Com firmeza, ela buscou o mecanismo, e a porta do elevador se abriu. Rapidamente, Alice entrou e apertou o botão interno. Enquanto as portas se fechavam, Alice mais uma vez apontou a varinha na direção de Zaino e vociferou: "Speculum sphaera!" Criando uma esfera de energia reflexiva ao redor do basilisco.
As portas do elevador se fecharam, isolando-a da ameaça, enquanto o elevador a afastava daquela situação caótica.
Ao lado de Lourd, Moody avaliava a cena com precisão, notando a determinação de Alice no meio da tensão, e então gritou:
— Ele está tentando sair pela porta! Não deixem que ele ataque os manifestantes. Parem-no agora! — sua voz cortando o ar como uma lâmina.
Os aurores se voltaram para sua presença, hesitando por alguns segundos. Moody, impaciente ao perceber a inércia e confusão de sua equipe, vociferou com fúria:
— Inferno! — E, sem que a perna de pau o atrasasse em nada, desceu os degraus com firmeza, cada passo ecoando pelo átrio. Com um movimento decidido da varinha, lançou um feitiço que fechou a porta com um estrondo, trancando o basilisco no átrio.
…
Na sala dos aurores, o peso da preocupação com Zaino deixou Fleur estática por alguns segundos. Ela sabia que um filhote de basilisco jamais seria páreo para o implacável Alastor Moody. E, embora os oficiais da justiça estivessem proibidos de lançar feitiços fatais contra tais criaturas, a captura de Zaino significaria a perda irreparável de sua tutela legal e a exposição inevitável de sua conexão com toda a trama. O desfecho seria muito mais desastroso do que ela jamais ousara prever.
O temor pela segurança de Zaino, e também pela sua própria, começava a sufocá-la. Determinada, ela se afastou da mesa onde o mapa repousava, sem ter memorizado completamente os horários anotados, mas isso pouco importava agora. Zaino era sua prioridade. Fechando os olhos, Fleur concentrou-se, sentindo o fluxo intenso da magia percorrer seu corpo. Com um sussurro firme, ordenou: "Agora chega, Zaino. Vá, como combinamos."
Mas ela não sentiu a vibração familiar que sempre a tranquilizava quando Zaino recebia seus comandos. Nesse instante, a certeza se firmou em seu coração: o basilisco não havia recebido sua mensagem. A angústia de que ele pudesse ter sido capturado, ou pior, ferido, tomou conta dela com uma intensidade esmagadora. Murmurando para si mesma, com a voz trêmula de desespero, ela sussurrou: "Esteja bem, Zaino, por favor... esteja bem."
Seu olhar refletia o pavor crescente, e a incerteza se enredava ao seu redor como uma teia sufocante. Naquele momento, Fleur começou sentir o que mais temia: seu plano, cuidadosamente traçado, estava prestes a ruir.
