Capítulo 18 - A Invasão

Lançada pela catapulta que apareceu no meio da praça dos feiticeiros, uma esfera de energia avançava rapidamente em direção à Ministra Wilma Dean, iluminando tudo ao seu redor com um brilho intenso e ameaçador.

O ar parecia vibrar com a força do ataque, mas Wilma não hesitou. Com um movimento rápido, enfiou a mão no bolso e retirou uma pequena pedra de toque vermelha, brilhante como brasa. Com seus olhos fixos no projétil que se aproximava, ela lançou a pedra para o alto. Num gesto preciso, ergueu sua varinha e, com uma voz firme e determinada, bradou:

— Protego Maxima!

No mesmo instante, a pedra vermelha se quebrou, ampliando o poder do feitiço lançado pela ministra. Em um espetáculo deslumbrante de cores, uma cúpula de energia se ergueu instantaneamente ao redor do Ministério.

A esfera de energia colidiu com o domo de proteção com uma força devastadora, e o impacto foi tão violento que uma mancha escura instantaneamente se formou no escudo, exatamente no ponto onde deveria ter atingido a Ministra Wilma Dean. O som da colisão foi ensurdecedor, fazendo o chão tremer e o ar ao redor vibrar como se o próprio espaço estivesse se despedaçando.

No momento da colisão, a barreira mágica ondulou violentamente, emitindo um espetáculo de faíscas multicoloridas que explodiram pelo perímetro, enquanto uma onda de choque colossal varria a praça. A pressão foi tão intensa que os manifestantes mais próximos ao escudo foram arremessados para longe, seus corpos lançados pelo ar, colidindo com o chão e as estruturas ao redor.

A mancha escura no escudo pulsava, como se estivesse prestes a ceder, enquanto toda a superfície do domo vibrava com a energia acumulada. O brilho mágico da barreira se intensificou, e por um breve instante, pareceu que o escudo poderia não aguentar. No entanto, o domo estabilizou-se, dissipando a energia restante da esfera em uma onda luminosa que ofuscou a multidão.

Vendo a catapulta ser carregada, Rita Skeeter, em sua forma animaga de mosca, voou o mais rápido que pode na direção do Ministério, para buscar abrigo contra o caos que ela sabia que estava prestes a se formar. Mas no exato momento em que Wilma Dean ergueu a barreira de proteção, Rita não conseguiu reagir a tempo. Voando rápido demais, ela colidiu de frente com o escudo mágico recém-formado. O impacto foi forte, jogando-a para longe, atordoada e desorientada.

Antes que pudesse se recuperar, a esfera de energia atingiu o domo com uma força colossal, criando uma onda de choque que varreu a praça. Rita, com suas frágeis asas de mosca, foi arremessada para o outro lado da praça. Ela bateu contra uma parede de pedra com um baque seco, e sua forma animaga se desfez instantaneamente, devolvendo-a à sua forma humana.

Ao cair no chão, Rita sentiu uma dor aguda nas costas e nas costelas. A respiração tornou-se difícil. Cada inspiração parecia pesada e dolorosa, e ela precisou de alguns segundos para se recompor.

Mesmo assim, a jornalista dentro dela não se deixou abater. "Isso vai dar uma ótima matéria," pensou, lutando para se levantar.

Enquanto o caos se desenrolava no centro do protesto, em Londres, os trouxas seguiam com seus dias comuns. As ruas estavam cheias de pessoas indo e vindo, o trânsito fluía normalmente, e o céu estava encoberto por nuvens pesadas. Mas de repente, algo inesperado aconteceu. Um leve tremor percorreu o chão, e as pessoas sentiram um estranho formigamento nos pés, como se algo estivesse vibrando nas profundezas da cidade.

Perto do Palácio de Westminster, turistas pararam de tirar fotos, olhando ao redor com confusão. O formigamento parecia subir pelas pernas, gerando uma sensação incômoda e inexplicável.

Em Piccadilly Circus, as luzes de neon piscavam brevemente, enquanto os postes de luz tremiam de maneira sutil. Pessoas começaram a se entreolhar, perguntando-se o que estava acontecendo.

No Hyde Park, os pássaros, de repente, levantaram voo, como se tivessem sentido a mesma estranha energia no ar. Nos cafés e nas ruas movimentadas, alguns pararam de andar, inquietos, tentando entender o que havia causado aquele formigamento incomum, seguido por um tremor leve que percorria o asfalto sob seus pés.

Fleur sorriu enquanto guardava o mapa com cuidado na gaveta, fechando-a com a chave que ainda estava na fechadura. Mas, naquele exato instante, um tremor violento sacudiu o Ministério. O chão sob seus pés estremeceu como se um terremoto tivesse chegado, e as luzes acima piscaram várias vezes. Objetos sobre as mesas deslizaram e caíram, e os cartazes nas paredes se soltaram, flutuando pelo ar.

Fleur agarrou a beirada da mesa para se equilibrar, o coração disparando no peito. "O que foi isso?", pensou, alarmada.

Fleur sabia que não havia tempo a perder. Precisava encontrar Lucius imediatamente. Porém, conforme combinado, ele viria ao seu encontro na sala dos aurores. Decidiu esperar, mas a ansiedade crescia a cada segundo. Tentou se acalmar, respirando fundo e organizando seus pensamentos. Mas o tempo estava passando, aquele terremoto não fazia parte do plano, e ela começava a temer que Lucius pudesse estar em perigo.

Dentro do Ministério, um estrondo ensurdecedor reverberou pelos corredores, fazendo as paredes de pedra tremerem como se fossem feitas de papel. Na sala de interrogatório, o chão balançou sob os pés dos bruxos, sacudindo mesas e cadeiras. Lucius, Ron e Bruna se entreolharam, o alarme evidente em seus olhares.

Em um movimento sincronizado, Ron e Nichols se levantaram, varinhas em punho, seus rostos endurecendo com a urgência da situação. O ar ao redor parecia vibrar com uma tensão quase palpável, carregado de medo. Por um breve momento, todos na sala ficaram imóveis, seus sentidos aguçados, tentando processar o que havia acabado de acontecer.

O silêncio que se seguiu ao estrondo era sufocante, cada segundo esticando como uma corda prestes a arrebentar.

Ron não perdeu tempo. Com um movimento rápido, ele tirou um quadro da estante, revelando um botão oculto atrás dele. Apertando-o, ele se voltou para Lucius e, com um tom firme, disse:

— Malfoy, acabei de ativar o sistema de defesa da sala. A partir de agora, esta sala só pode ser aberta por dentro. Você estará totalmente seguro aqui — disse Ron — Nós vamos ajudar lá embaixo. Vamos, Bruna!

Ron e Bruna saíram rapidamente pela única porta da sala, varinhas em punho, prontos para enfrentar a confusão que se desenrolava no Ministério. A porta se fechou com um estalo firme, selando Lucius dentro da sala protegida.

Lucius permaneceu em silêncio por alguns instantes, ouvindo os passos se afastarem no corredor. Quando o som finalmente desapareceu, um sorriso astuto curvou seus lábios. Ele sabia que os aurores acreditavam tê-lo mantido seguro e confinado, mas Lucius tinha outros planos.

Ele finalmente se encontraria com Fleur e, usando seu extenso conhecimento do prédio do Ministério, acumulado ao longo de décadas como conselheiro, ele garantiria uma passagem segura para longe da confusão. Cada corredor, cada passagem oculta, cada saída alternativa estava gravada em sua memória, e agora, essas informações se tornariam a chave para escapar do caos iminente.

Na praça dos feiticeiros, o caos tomou conta. A multidão, que havia sido violentamente arremessada para trás pela força do impacto, gritava e corria em todas as direções. Pessoas, por toda a praça, caídas e machucadas, indicavam o impacto devastador do ataque.

Wilma Dean, com a postura ereta e a varinha ainda erguida, mantinha-se firme no centro da confusão. Seus olhos não deixavam a enorme catapulta, que permanecia como uma ameaça latente no horizonte, uma lembrança de que parte dos atacantes ainda estava ali. Sabendo que o perigo estava longe de acabar, Wilma escaneava a praça com vigilância aguçada, pronta para neutralizar qualquer novo ataque.

Apesar do Protego que brilhava intensamente ao redor do Ministério, protegendo-o da destruição iminente, o pânico entre os manifestantes era evidente. Muitos sucumbiram ao pânico, gritos de medo e confusão ecoando pela praça enquanto corriam desordenadamente, tentando se afastar do epicentro da explosão. Alguns tropeçavam e caíam, sendo levantados por companheiros ou, pior, pisoteados na pressa.

Entretanto, em meio à confusão, um grupo de pessoas mascaradas manteve-se firme, ocultando parte de seus rostos com cachecóis azuis. Com movimentos precisos e coordenados, começaram a se deslocar em direção às entradas do Ministério. Empunhando suas varinhas com determinação, iniciaram uma chuva de feitiços poderosos contra a barreira mágica. Os feitiços colidiam com a superfície do escudo, criando ondulações e rachaduras à medida que raios de luz multicoloridos cortavam o ar.

Após Zaino desaparecer nos dutos de correspondência, os aurores ficaram momentaneamente perplexos. Um silêncio pesado pairou no átrio, quebrado apenas pelos ecos distantes do tumulto que se desenrolava lá fora. Alguns aurores ainda olhavam fixamente para o ponto onde o basilisco havia sumido, tentando processar o que acabara de acontecer.

De repente, o chão sob seus pés tremeu violentamente, e um estrondo ensurdecedor reverberou pelas paredes do Ministério. As lâmpadas mágicas balançaram, e poeira caiu do teto abobadado. Os aurores se entreolharam alarmados, cientes de que algo muito grave estava acontecendo.

Antes que pudessem reagir, a voz poderosa de um dos aurores veteranos, Alvin Arcor, ecoou pelo átrio:

— Esqueçam esse basilisco! A Ministra da Magia precisa de ajuda! Todos para a rua!

Sem hesitar, os aurores redirecionaram sua atenção. A prioridade agora era outra: proteger a Ministra e restaurar a ordem. Em uma movimentação coordenada, eles correram em direção às saídas, deixando para trás o átrio vazio e os resquícios da perseguição a Zaino.

Conforme se dirigiam às portas, o som da batalha lá fora ficava cada vez mais intenso. Gritos, explosões e o zumbido de feitiços atravessavam o ar. Os aurores sabiam que o tempo era crucial.

Ao emergirem para a praça em frente ao Ministério, depararam-se com uma cena caótica: manifestantes exaltados, atacantes lançando feitiços incessantes contra a barreira, aurores empenhados em controlar a multidão, e, ao fundo, a figura imponente de Wilma Dean, segurando firme sua varinha enquanto sustentava a proteção que separava todos do caos.

O impacto da esfera de energia contra o escudo mágico ainda reverberava no ar, e os aurores compreenderam a gravidade da situação. Sem perder mais tempo, se juntaram aos colegas na linha de frente, determinados a defender o Ministério e sua líder máxima.

Alastor Moody, com seu olho mágico girando incessantemente, observava tudo com atenção minuciosa. Ele notou rapidamente que esses não eram manifestantes comuns, mas um grupo treinado, com um plano bem traçado para invadir o Ministério.

— Ministra, eles estão atacando nos pontos mais vulneráveis da barreira. São muitos. Eventualmente, eles vão conseguir entrar — alertou Moody, sua voz grave e urgente. Aproximou-se de Wilma Dean, os olhos fixos nela, e completou: — Peço que a senhora saia daqui imediatamente.

Wilma Dean, no entanto, permaneceu imóvel, seu olhar firme varrendo a multidão em tumulto. Havia um brilho de determinação em seus olhos, e ela compreendia os sinais de algo muito maior em curso, uma conspiração minuciosamente planejada. Não era o momento de recuar.

— E quanto à proteção magnética? Vamos acionar o Feitiço Ímã para derrubar os invasores? — perguntou ela, mantendo-se imperturbável diante da tensão crescente.

Moody assentiu, os lábios se curvando em um sorriso seco, quase irônico.

— Fico satisfeito em saber que perceba que tapinhas nas costas não resolvem em momentos críticos, Ministra.

Ele se virou para os aurores ao redor, sua voz firme e cheia de comando:

— Tirem a Ministra daqui e refaçam a formação! — ordenou com firmeza. — Alguém encontre Alvin e peça para ele me encontrar para acionarmos o Feitiço Ímã!

Os aurores acenaram em concordância, prontos para seguir as instruções. No entanto, antes que pudessem agir, Wilma Dean, ainda mantendo parte de sua concentração no escudo, falou:

— Não precisamos de Alvin, Alastor — declarou ela, com determinação na voz. — Posso ativar o Feitiço Ímã com você.

Rita Skeeter estava sentada no chão frio e áspero da praça, ofegante e desorientada. O impacto brutal contra a parede de pedra a havia forçado a sair de sua forma animaga, e agora cada respiração vinha acompanhada de uma pontada aguda nas costelas. Com uma careta de dor, ela apalpou o lado do corpo, sentindo a sensibilidade e suspeitando de uma possível fratura. "Ótimo", pensou sarcasticamente. "Como se este dia pudesse ficar melhor."

Ao seu redor, o caos reinava. Gritos, feitiços ricocheteando e o som de escombros caindo compunham a trilha sonora caótica daquele cenário. Mas algo capturou sua atenção em meio à confusão. Através da fumaça e das pessoas correndo em pânico, Rita avistou o grupo de bruxos mascarados que ela vinha seguindo. Eles carregavam uma nova esfera de energia, preparando a enorme catapulta para mais um ataque.

"Então, eles não desistiram", murmurou para si mesma, enquanto uma mistura de medo e excitação percorria seu corpo. Ignorando a dor latejante nas costelas, Rita se levantou com dificuldade, apoiando-se na parede. Seus olhos afiados não perdiam nenhum detalhe: os rostos semicobertos pelos cachecóis azuis, a determinação em seus movimentos, a precisão com que recarregavam a catapulta com uma esfera de energia ainda maior que a anterior.

O instinto jornalístico de Rita entrou em ação. Ela sabia que estava diante de algo monumental. Sua mente fervilhava com possibilidades. Esta poderia ser a matéria que redefiniria sua carreira, talvez até lhe rendesse um prêmio por jornalismo investigativo, um verdadeiro tapa na cara de todos que disseram que sua trajetória havia acabado. Ela era a única jornalista presente naquele caos, e faria o que fosse necessário para tirar proveito disso.

Moody lançou um olhar de relance para Wilma, mantendo o foco nos pontos vulneráveis do escudo.

— Eu e Alvin faremos o Feitiço Imã, Ministra. Eu preferia que aguardasse em segurança — respondeu Moody.

A ministra esboçou um meio sorriso.

— Ainda bem que você não é meu superior, Moody.

Moody soltou um grunhido curto, sem retrucar. Discutir com a ministra naquele momento era perda de tempo. Ele a encarou sério.

— Wilma, você adora ação, eu sei. E não vou lhe impedir, se estas forem suas ordens. Mas se você cair, todo o mundo bruxo padece. Seu opositor é um louco e seu vice, um molenga. Você é valiosa demais para se expor assim — disse Moody, sua voz grave e carregada de preocupação.

Wilma estreitou os olhos por um momento, ponderando as palavras. Após uma breve pausa, respirou fundo e olhou para Moody com firmeza.

— Agradeço sua consideração, Alastor, de verdade. Mas se eu me acovardar agora, não existe a menor chance de ser reeleita. Eu preciso mostrar força.

Ela apertou o punho da varinha, os olhos fixos no campo de batalha e no escudo que os protegia. Rachaduras se espalhavam rapidamente pelo escudo energético. O zumbido irregular da barreira enfraquecida vibrava ao redor deles, quando então notaram que uma nova esfera de energia, maior e mais densa, voava da catapulta, cortando o ar. O impacto foi devastador. O escudo, já fragilizado, explodiu em uma onda de energia ensurdecedora, ecoando pelo campo como um trovão. A força foi tão brutal que arremessou os atacantes mascarados para longe, como bonecos de pano, seus gritos abafados pelo estrondo.

Desta vez, o escudo praticamente se desfez. Restaram apenas fragmentos distorcidos, tremeluzindo no ar, incapazes de manter a barreira de pé. As rachaduras se expandiram em todas as direções, e o que sobrava da barreira logo colapsou. Pequenas seções ainda permaneciam de pé, mas estavam tão danificadas que já não faziam diferença.

Com o escudo quase todo destruído, os atacantes, que antes recuavam atordoados, avistaram as brechas e, como um enxame descontrolado, correram para elas, olhos selvagens, gritando freneticamente.

A adrenalina os impulsionava, e logo, muitos já atravessavam os últimos resquícios da defesa. O caos dominava, e Moody sabia que a situação estava à beira do colapso total.

— Vá para o átrio agora Ministra e faça o feitiço com Alvin Arcor. Eu vou dar cobertura.

— Sozinho? Está maluco? — A ministra o encarou, surpresa.

Moody respondeu com sua habitual determinação:

— Vou sozinho sim. O resto deve proteger o que realmente importa.

Sem mais palavras, ele se virou, deixando claro que não havia espaço para discussões e então rugiu com uma autoridade que cortava o caos ao redor:

— Quem ainda está aqui fora, corra para o átrio, agora! Protejam a Ministra e Arcor! Eles precisam de tempo para conjurar o Feitiço Ímã! Eu vou destruir essa maldita catapulta! — bradou Moody, a voz cortando o caos ao seu redor.

Ele começou a se mover em direção à catapulta, sem hesitar, e lançou um último aviso por sobre o ombro:

— E ouçam bem: se deixarem sequer um arranhão na roupa da Ministra, todos vocês vão passar pelo treinamento de recrutas de novo. Podem acreditar na minha palavra!

Moody rapidamente se posicionou, entre o grupo de aurores que escoltava a Ministra em direção ao átrio e os atacantes que passavam pelos buracos da barreira. Seu olho mágico girava incessantemente, atento a cada movimento no campo de batalha.

O caos reinava, feitiços cruzavam o ar em todas as direções, mas sua mente permanecia afiada e focada. Com um movimento firme, ele ergueu a varinha, pronto para oferecer a cobertura necessária.

Os aurores rapidamente cercaram a Ministra, movendo-se com precisão militar. Ao lado deles, os dois seguranças pessoais da Ministra, varinhas em punho, mantinham-se alertas a cada movimento suspeito. A assistente da Ministra, com o semblante tenso, seguia logo atrás, os olhos inquietos, enquanto o grupo avançava em direção ao átrio.

— Vamos, mantenham-se juntos! — um dos aurores gritou, sem tirar os olhos do caminho à frente.

Moody, observava tudo com atenção. Sabia que qualquer deslize poderia ser fatal.

Mais atacantes se aproximavam, avançando pelas brechas na defesa. Moody girou rapidamente, lançando feitiços de contenção, criando barreiras e bloqueando o avanço dos inimigos. Um feitiço explosivo estourou diretamente no rosto de Moody, atingindo em cheio seu ouvido esquerdo.

Um zumbido tomou conta dele, mas Moody, com um sorriso, manteve-se firme. Todas as terças-feiras ele conjurava um feitiço de desorientação sonora nele mesmo para se acostumar a trabalhar assim em caso de necessidade, e o que os atacantes acharam que iria derrubá-lo, era só mais uma terça comum: dia de trabalhar com zumbido no ouvido e de comer peixe frito.

— Continuem se movendo! — Moody gritou, lançando um Expelliarmus certeiro que desarmou dois inimigos que surgiam da lateral.

Os feitiços inimigos vinham de todas as direções, enquanto o grupo corria para o átrio. A tensão no ar era palpável, mas os aurores permaneciam firmes, protegendo a Ministra com cada feitiço que lançavam. Moody movia-se com maestria, lançando feitiços de cobertura, bloqueando ataques que vinham das sombras e criando barreiras mágicas para impedir que os inimigos se aproximassem.

Quando o grupo finalmente alcançou a entrada do átrio, Moody lançou um último Protego Totalum. A barreira mágica se ergueu, não tão potente quanto o grande domo que a Ministra havia conjurado, mas o suficiente para lhes dar alguns segundos preciosos. Aquela proteção extra permitiria que eles entrassem em segurança e se posicionassem no átrio.

— Sigam para dentro, agora! — ordenou Moody, a voz firme cortando o caos ao redor.

A Ministra e seus seguranças desapareceram dentro do átrio, seguidos pela assistente e os últimos aurores que mantinham a retaguarda.

Com um olhar rápido para garantir que estavam seguros, Moody se virou bruscamente, sem perder tempo. Seu próximo alvo era visível: a maldita catapulta que causava destruição. Seu semblante endurecido, ele avançou em direção à estrutura, preparado para enfrentá-la sozinho.

A catapulta se preparava para lançar um novo ataque, e dessa vez não havia escudo para proteger a entrada do Ministério, onde a Ministra e todos os seus aurores estavam posicionados. Moody sabia que não havia a menor chance de permitir que isso acontecesse.

Seus olhos fixos na arma de destruição, ele começou correr, decidido a interceptar o golpe a qualquer custo.

— Agora é minha vez — resmungou ele, tirando mais uma varinha de dentro do casaco. A determinação evidente em sua voz, enquanto se lançava ao ataque.

Dezenas de atacantes mascarados entraram correndo no átrio, varinhas em mãos, lançando feitiços na direção dos aurores. Explosões sacudiam os corredores e o som de feitiços colidindo reverberava pelas paredes de mármore.

No coração do caos, a Ministra Wilma Dean e Alvin Arcor, um auror experiente, corriam contra o tempo para acionar o Feitiço Ímã, a última linha de defesa do Ministério.

Arcor, com mais de 30 anos de experiência, sabia manter a calma em situações de crise, mas o peso da responsabilidade pesava mais do que de costume. Posicionando-se ao lado de um dos pilares, Arcor observou a Ministra do outro lado do átrio. Wilma Dean traçava as runas no ar com uma precisão impressionante, seu foco inabalável.

Alvin, por sua vez, conhecia os movimentos de cor, mas a pressão de estar ali ao lado da líder do mundo bruxo lhe causava um leve desconforto. Ele não era um novato, mas nunca havia trabalhado tão de perto com a Ministra em uma situação tão crítica.

— Arcor, vamos começar! — a voz da Ministra soou firme e controlada, ecoando no caos ao redor.

Alvin assentiu, ajustando sua varinha com cuidado. A tensão pairava no ar, mas ele estava focado no que precisava ser feito. Enquanto a Ministra trabalhava com uma confiança silenciosa, seus movimentos precisos, Alvin concentrava-se em replicar as runas, desenhando cada uma com meticulosa precisão.

Enquanto Ron e Bruna deixavam a sala de interrogatório, um estrondo abalou o Ministério, fazendo a poeira cair do teto abobadado. Os dois se entreolharam, preocupados.

— O que foi isso? — perguntou Bruna, já segurando firme sua varinha.

— Não sei, mas não parece nada bom — respondeu Ron, acelerando o passo pelos corredores.

Ao chegarem ao átrio, a cena era de caos absoluto. A multidão de atacantes havia rompido parte das barreiras de segurança e avançava dentro do átrio. Feitiços coloridos cortavam o ar, e o som de gritos e explosões ecoava pelas paredes.

No centro do tumulto, Alvin Arcor e a Ministra Wilma Dean estavam posicionados diante de dois imponentes pilares. Separados pela vastidão do átrio, ambos empunhavam suas varinhas, ativando o Feitiço Ímã que conectava os pilares.

Ao redor deles, um círculo de aurores formava uma barreira defensiva, repelindo os atacantes que tentavam se aproximar.

Ron parou por um instante, analisando rapidamente a situação. Ele percebeu que, enquanto Arcor e Wilma mantinham o foco nos pilares, muitos aurores estavam desorganizados. Alguns pareciam paralisados pela confusão, enquanto outros estavam sobrecarregados, tentando desesperadamente conter os atacantes que avançavam pelas portas do átrio.

A linha de frente estava perigosamente enfraquecida, e a desordem aumentava à medida que mais atacantes se infiltravam no prédio.

— Bruna, precisamos reorganizar os aurores — disse ele, a voz firme.

Ela assentiu, aguardando suas instruções.

— Nem todos são necessários para proteger a Ministra e Arcor. Vamos redistribuir aqueles que estão sobrando.

Ron avançou em direção ao círculo defensivo, chamando a atenção de alguns aurores que estavam mais afastados.

— Vocês três! — apontou para um grupo próximo. — Deixem a barreira e venham comigo. Precisamos reforçar a entrada principal para impedir que mais pessoas entrem.

Os aurores hesitaram por um momento, mas ao reconhecerem Ron, obedeceram prontamente.

— Bruna, leve esses dois e cubra a porta lateral. Não podemos deixar que eles nos flanqueiem.

— Certo! — respondeu ela, já conduzindo os aurores para a posição indicada.

Ron continuou dando ordens, direcionando os aurores dispensáveis para pontos estratégicos nas entradas do Ministério. Sua voz carregava autoridade, e a confiança que emanava inspirava os demais a seguirem suas instruções sem questionamentos.

Enquanto organizava a defesa, algo chamou sua atenção no canto do olho. Dois indivíduos, com cachecóis azuis cobrindo parcialmente o rosto, se esgueiravam pelas sombras, dirigindo-se discretamente para a escadaria que levava aos outros andares.

Ron franziu a testa e gritou:

— Nichols! Lourd!

Bruna Nichols, que estava próxima coordenando sua equipe, virou-se imediatamente. Gabriel Lourd, outro jovem auror, também voltou sua atenção para Ron.

— O que houve, Ron? — perguntou Bruna, alerta.

— Dois suspeitos estão subindo pelas escadas, ali! — apontou ele, indicando os indivíduos que já iniciavam a subida. — Precisamos detê-los antes que alcancem os escritórios superiores.

Bruna assentiu firmemente.

— Deixe conosco!

Gabriel Lourd já estava ao lado dela, e juntos partiram em perseguição, movendo-se rapidamente entre os destroços e desviando dos feitiços que ainda cruzavam o átrio.

Ron voltou sua atenção para o restante dos aurores.

— Mantenham as posições! Não deixem que avancem mais um passo!

Ele se posicionou próximo à entrada principal, ao lado de outros dois aurores veteranos. Os atacantes pareciam intensificar seus esforços, mas agora, com as defesas reorganizadas, os aurores estavam conseguindo conter o avanço.

Na sala de interrogatório, assim que os aurores desapareceram no corredor, Lucius Malfoy agiu rapidamente. Ele se levantou, movendo-se com a precisão de quem sabe exatamente o que precisa fazer.

A sala dos aurores ficava no mesmo andar, bastava seguir pelos corredores certos para chegar até Fleur. Lucius avançou com passos firmes, atento a cada detalhe ao seu redor. As salas ao longo do caminho estavam todas vazias, reflexo da confusão na praça dos feiticeiros que exigia a presença de todos os aurores.

Seu corpo se movia com a mesma elegância habitual, mas sua mente estava alerta, analisando cada esquina e porta que cruzava. O silêncio no corredor era pesado, mas ele sabia que essa calmaria seria breve.

Finalmente, ao contornar o último corredor, Lucius avistou Fleur através da parede de vidro que separava a sala dos aurores do corredor. Assim que seus olhares se encontraram, Fleur sorriu de forma sutil e balançou a cabeça em um gesto afirmativo, indicando que havia concluído sua parte da missão.

Lucius manteve sua expressão composta, mas o leve arquear de suas sobrancelhas transmitia sua aprovação – um reconhecimento do sucesso de Fleur e da eficiência com que ela havia agido.

Enquanto isso, Bruna Nichols e Gabriel Lourd corriam pelos corredores superiores, perseguindo os dois suspeitos.

— Estão indo em direção à sala dos aurores! — exclamou Gabriel, o alarme evidente em sua voz.

Bruna sentiu uma onda de urgência percorrer seu corpo. O acesso não autorizado à sala dos aurores ou, pior ainda, à sala de evidências, poderia ter consequências desastrosas.

— Precisamos agir rápido — disse ela, a mente trabalhando a todo vapor. — Vamos nos dividir. Você segue pelas escadas principais, eu vou pela escada de incêndio. Assim, bloqueamos as duas rotas possíveis. Eles podem estar indo para a sala dos aurores ou para a sala de evidências.

Gabriel assentiu prontamente, o olhar determinado.

— Entendido. Encontramo-nos lá em cima.

Sem perder mais tempo, os dois se separaram, cada um correndo em direções opostas. Gabriel disparou pelas escadarias principais, seus passos ecoando pelos degraus de mármore.

Bruna, por sua vez, deslizou pela escada de incêndio, uma passagem menos conhecida e raramente usada, mas que ela conhecia como a palma da mão. A iluminação era escassa, mas ela avançava com segurança, os sentidos aguçados. O ar ali era mais frio, e o silêncio só era quebrado pelo som ritmado de sua respiração e pelos batimentos acelerados de seu coração.

Os aurores lutavam desesperadamente para conter a situação, tentando manter a integridade do Ministério. A pressão era esmagadora, e eles sabiam que, se não recuperassem o controle rapidamente, todo o prédio estaria à mercê dos atacantes mascarados.

No meio do caos, Ron Weasley percebeu algo estranho. O auror Nicolas Havana, que até então lutava ao seu lado, de repente parou de se defender. Ele se virou lentamente na direção da Ministra da Magia, com a varinha estendida, pronto para atacá-la pelas costas.

Fleur estava ali, esperando por Lucius. Lucius, por um breve momento, sentiu um calor familiar e reconfortante em seu peito quando o avistou. No entanto, esse instante de alívio durou pouco. De repente, o sorriso de Lucius se desfez, substituído por uma expressão de alerta e preocupação. Seus músculos enrijeceram, e ele parou abruptamente.

Diante dele, dois bruxos surgiram do nada, os rostos ocultos por cachecóis azuis amarrados firmemente, deixando apenas os olhos à mostra. Havia algo inquietante em suas presenças, uma aura de perigo iminente. As varinhas estavam apontadas diretamente para Lucius, e os olhos dos bruxos brilhavam com um desprezo gélido, misturado a um triunfo silencioso. Eles não precisavam dizer uma palavra; o confronto estava prestes a começar, e Lucius sabia que o caminho até Fleur seria mais difícil do que imaginara.

— Hoje é nosso dia de sorte — murmurou o primeiro, sua voz carregada de malícia, com um tom levemente metalizado que parecia reverberar no ar. — O traidor em pessoa.

O segundo bruxo deu um passo à frente, os olhos brilhando com malícia.

— Saiba, Malfoy, que depois de matá-lo, vou arrancar seu couro cabeludo e enviar esse seu cabelo ridículo como lembrança para o seu filho.

As palavras venenosas ecoaram pela sala, cada sílaba carregada com a promessa de violência iminente. Lucius olhou rapidamente por cima do ombro, percebendo que não havia como escapar dali a tempo de evitar um feitiço traiçoeiro nas costas.

O homem prosseguiu, com desdém na voz:

— Pelo que ouvi, seu filho provavelmente nem vai se abalar. Ele vai apenas jogar seus restos fora, como o lixo que você é.

Lucius, embora mantendo a compostura, sentiu a realidade esmagadora da situação: estava encurralado, sem sua varinha, sem qualquer defesa, diante de inimigos ávidos por vingança.

Os dois homens, com as varinhas firmemente apontadas, começaram então a pronunciar:

— Avada…