"Me diga todas as coisas terríveis que já fez e me deixei te amar mesmo assim."
– Edgar Allan Poe –
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Meu nome era pronunciado em alto som, mas meus ouvidos só conseguiam escutar o meu coração batendo em meu peito, clamando para que meus pulmões tivessem um pouco de ar.
Isso que deveria acontecer quando um ser humano necessitava de ar, mas já passava tanto tempo que nem mesmo pensei que poderia sentir isso.
A escuridão embaixo d'água era suficiente para me afogar em pensamentos, tentando inutilmente morrer nas profundezas dessas águas.
Entretanto, as bolhas de oxigênio apenas subiam, mas não perdia o ar por inteiro, era como se nenhuma dor fosse tão forte quanto a necessidade de permanecer nesse lugar.
Nem mesmo a voz da Lucy entrando em desespero completo.
Dei impulso e volto para a superfície, vendo a garota ajoelhada na passarela de madeira, aflita com a toalha em mãos.
O canto dos pássaros me fez olhar para o céu azul, distante do nublado e opaco do nosso distrito, apenas aproveitando a floresta como um mundo diferente.
_Juni! - Sua voz foi mais alta que os meus pensamentos.
_ Você poderia ter pulado! - Gritei.
_ A última vez que fiz isso, você estava tão fundo que quase morri sem ar. - Franziu o cenho.
Tive que sorrir e nadar até ela, mas não saio imediatamente da água, a garota me fazia esquecer de todos os problemas que poderia enfrentar e era a coisa mais charmosa desse distrito.
Ainda mais com suas roupas coloridas e com seus cabelos castanhos esvoaçantes.
_ Cante para mim, Lucy. - Apoiei meus braços na passarela. _ Me faça esquecer que existo com sua voz. - Revirou os olhos.
_ Você poderia ter morrido. -Ri. _ Não ria, isso não é engraçado.
_ Desculpe, é que você sempre fica assim, mesmo sabendo que nada vai me acontecer. - Mexo meus pés e o lago ondulava. _ Os outros não vieram como sempre.
Olhou para a cabana e suspirou, ela sabia que o Bando era como todos os outros do distrito.
_ Eles não são assim e você...
_ Minha rosa, o Bando é sua família e nunca falaria nada para te magoar. - Saio da água e o vento passa por mim, me fazendo tremer em felicidade.
Era uma das melhores sensações no momento e mesmo tendo um sol maravilhoso nos queimando, era como se tudo fosse pacífico e nada poderia nos deter.
Mesmo que todos do distrito estivessem ansiosos para os Jogos – não que eu não estivesse.
Colocou a toalha em meus ombros e agradeci com um aceno, ainda não queria sair da floresta para me encontrar com pessoas sem vida e com histórias tristes.
Mas apenas agarrei a toalha e mexi os dedos dos pés, sentindo as tábuas com musgo.
_ Você vai cantar no bar? - Tirou uma linha de sua roupa colorida.
_ Ainda estou com raiva daquele traste, então não, não vou. - Fez beicinho enquanto eu ia até a minha bota.
_ Ele a traiu, se eu fosse você, já o teria castrado. - A puxei pelo pulso para que fossemos, embora desse lugar. _ Posso matar a Mayfair?
Pisei na terra e não me importei com ela grudando nos meus pés, já estava acostumada com essa desordem em meu corpo.
_ Juni, por favor, por que sempre pensa em matar as pessoas? Elas são humanas e humanos erram. - Ela não era tão boazinha quanto aparentava.
_ Para que essas pessoas não sejam uma pedra em meu caminho, e um dia, Lucy, todos os meus inimigos irão cair. - Pisquei, deixando seu pulso.
Sabia que ela estava com raiva, mas não podia fazer nada com a Mayfair, já que ela era filha do prefeito. Entretanto, não me importo de sujar minhas mãos pela Lucy.
Parei na metade do caminho e olhei para trás, ela me olhava de um jeito estranho e não entendi o motivo.
_ O quê? Está assustada com os meus pensamentos? - Apertei minha bota. _ Faria tudo pela sua felicidade, Lucy. Você é minha amiga e a única que conversa comigo.
Mordeu os lábios e se aproximou, tirando alguns galhos de árvore do seu caminho.
_ Às vezes me pergunto se você realmente faria isso. - Respirou fundo. _ E você está ficando muito tempo no lago, está tentando morrer antes da colheita?
_ Não curto suicídio, mas os moradores iriam gostar. - Voltamos a nossa caminhada. _ Sabe quantas vezes eles colocaram meu nome naquela coisa? - Discordou. _ Não posso contar nos dedos.
_ Deveria ser proibido. - Deveria, assim eles não roubariam a minha comida.
_ Não posso falar muito. - O sol nos queimou e o vale apareceu, nos fazendo sorrir.
Era sempre assim, depois de sair da padaria e tentar ganhar alguns trocados, corria para a floresta e me perdia em pensamentos, até que o lago se apresentava a minha frente e apenas pulava nele.
Lucy sempre vinha atrás de mim quando o Bando não precisava dela, mas sempre vinha sozinha...
_ Juni. - A observei. _ Sempre vejo você ansiosa para a colheita, você quer ir tanto assim para os Jogos? - Franziu o cenho.
Acho que ela não entenderia que meu lugar não é aqui, onde as pessoas eram tão magras quanto um palito de dente gasto.
Ou que esse calor que ela sentia por todos aqui, não existia em meu peito. Sei que ela ama seu povo, mesmo não sendo realmente do Distrito 12, mas ela é pura e seus conceitos só enxergavam a bondade.
_ Esse é meu último ano. - Apertei os sapatos. _ Se os distritos não fossem fechados, sem comunicação e essas coisas, não precisaria recorrer a isso.
_ Você pode...
_ Não quero ser uma ninguém e ser morta por traição antes mesmo de... - engoli minhas palavras, a garota não precisava saber.
_ Por que você quer ir tanto para os Jogos? - Parei de andar. _ Você poderia ter levantado sua mão para se oferecer como tributo.
_ Pensei que poderia ser escolhida. - Dei de ombros e não avancei. _ Se você for escolhida, posso ficar no seu lugar? - Mordeu os lábios rosados.
Lucy era linda e a maioria das pessoas tinha inveja dela, mas felizmente ou infelizmente, para alguns, não me importava com a beleza.
Todos iriam ficar velhos no final de tudo e ter rugas horríveis no rosto, então o que adianta ser bonito por pelo menos uns trinta anos?
Ainda mais que essa vida era tão miserável que não adiantava ser bonito se não tinha comida na mesa.
_ Não deixaria você levantar a mão. - Sorriu. _ Você é minha família também, Juni, e gosto de proteger quem eu amo. - Franzi o cenho. _ Mesmo não gostando da ideia, sei que posso vencer aquela merda.
Deu alguns passos e seus pés pisaram nas pedras do chão, me fazendo perceber que tínhamos uma linha nos limitando.
Ela tinha pensamentos bondosos em sua cabeça, mas sou apenas uma pessoa egoísta que está tentando de todo modo ir para a Capital.
_ Sei que você seria a vencedora no final. - Entreguei a toalha a ela e fiquei ao seu lado. _ Torceria por você.
_ Seria uma honra ter você como fã. - Fez uma mesura. _ Mas o que você quer fazer na Capital? - Voltamos a nossa caminhada.
_ Viver lá. - Sorri. _ Não gosto daqui e eles não gostam de mim. - Os olhares nos perseguiam enquanto caminhávamos para o centro do distrito.
Suas vozes ainda estavam guardadas em seus peitos, esperando até que a Lucy fosse embora para que tudo voltasse ao normal.
_ As pessoas têm medo daquilo que elas não entendem, Juni. - Bufei. _ Estou falando a verdade.
_ Você tem medo de mim? - Negou. _ Então por que eles têm tanto medo? Posso ser diferente, mas nunca fiz nada para eles.
Suas palavras foram comidas por seu cérebro, não me deixando escolha além de parar e observar em volta, todos continuavam nos seguindo com os olhos e com as pernas.
Suspirei e a vejo dar alguns passos em direção a sua residência de apenas dois andares, algo maravilhoso para nós, meros idiotas.
Ela não entrou imediatamente, mas mordeu os lábios novamente, como se não quisesse me deixar aqui e sofrer as consequências da minha bizarrice.
_ Poderia me emprestar aquela cesta? Hoje espero comer ovos com tomates. - Pisquei.
_ Juni, isso não é certo.
_ E o que isso importa para eles? - Suspirou. _ Viu, nem você sabe.
_ Continuo dizendo que não é certo, mas... - Abriu a porta e pegou a cesta que sempre ficava perto da porta. _ Me chame se precisar. - Nunca chamei.
_ Mesmo sabendo de tudo, você nunca me ajudou nesse quesito. - Suspirei.
_ Você nunca pediu. - Também nunca pedi ajuda naquela época e mesmo assim, você me ajudou.
_ Acho que sou egoísta demais. - Abriu e fechou a boca, mas não falei mais.
Mesmo sabendo de sua índole, sei que nem sempre ela poderia ser a salvadora da pátria se eu não pedisse por ajuda.
Mas não queria ajuda e nem mesmo preciso de ajuda, apenas queria sair daqui o mais rápido possível e sei que vou conseguir, algum dia.
Respirei fundo e fui até ela, pegando a cesta de sua mão e apenas acenei, me afastando daquela garota que poderia ter o que desejasse, até a minha compaixão.
Virei a esquina e todos já estavam me esperando com tomates, carne, ovos e lavagem de alta qualidade.
Não poderia negar o que eles me davam, era o meu sustento e as poucas moedas em meus bolsos encharcados eram para bugigangas e meus experimentos.
Suspirei e olhei para trás, aquelas pessoas que me seguia estavam bloqueando minha possível fuga.
_ Aberração! - E lá vamos nós de novo. _ Morra! - O tomate voou para o meu rosto, me fazendo vira-lo pelo impacto.
O cheiro estava bom, algo que me fez tirá-lo do meu rosto e colocá-lo na cesta.
Dei alguns passos e aquelas coisas foram jogadas em mim, e não demorou muito para que a cesta tivesse coisas gostosas para comer no jantar.
Homens, mulheres, crianças e idosos, todos tiravam um tempo a tarde para me presentear com comida, o que me fazia passar algum tempo no banho para tirar o cheiro.
Claro, não me importava se os ovos caiam em meu cabelo, me sentindo completamente suja e com o cheiro horrível.
Ou se a lavagem fedia e impregnava em minhas roupas já puídas com o tempo, nada disso importava para mim.
Entretanto, ainda observava cada rosto raivoso e eloquente, tentando não pensar nas coisas que faria com eles quando eu fosse para a Capital.
Oito anos, durante oito anos... Eles iriam pagar e...
_ Desgraçada, por que você não morre? Vá embora! - Também queria.
Queria sumir desse lugar e não continuar andando como se nada pudesse me afetar.
Então, por quê? Por que eles me odiavam tanto? Apenas por que sou diferente deles?
Não, talvez seja pelo pedido da senhora que faleceu a minha frente, talvez se ela não tivesse pedido aquilo, nada disso estaria acontecendo.
Porém, continuei caminhando, tentando tirar esses pensamentos enquanto as vozes altas me xingavam.
A multidão estava me acompanhando até a minha residência, mas quando faltava apenas dez passos para que eu pudesse vê-la, eles pararam de me seguir, mas suas vozes continuavam altas.
Minha casa era como uma fortaleza, impenetrável e inabitável.
_ Bruxa! - Eles eram uns amores quando queriam.
Virei a esquina e tudo ficou pacífico novamente, eles só me acompanhavam por duas quadras e voltavam para seus afazeres.
Ninguém se aproximava dessa casinha em ruínas, com telhados faltando e com cheiro de mofo em algumas extremidades, afinal, era a casa da bruxa.
Toquei a maçaneta desgastada e a girei, empurrando a porta empenada.
_ Cheguei. - Falei para o nada, não existia ninguém aqui, nem mesmo ratos.
Entrei na casa e fechei a porta, colocando a cesta e a bota em cima da mesa que fazia divisão com a cozinha e a sala.
Tirei algumas folhas de alface dos meus cabelos e os prendi em um pedaço de pano com elástico, tirando cada fio negro ondulado do meu rosto.
Tentando não pensar no cheiro horrível que eles estavam exalando, já que não tomaria banho agora, estava com fome.
Peguei a cesta e fui até a cozinha, pensando no que deveria fazer com aquelas coisas.
Infelizmente não tinha grãos como ontem, porém, não sou muito exigente para comida.
Coloquei a cesta em cima da bancada da pia, vendo as minhas compras de hoje.
_ O que vocês querem comer? - Olhei para a mesa que não havia ninguém. _ Temos carne sem larvas, apenas com um pequeno mofo, também temos tomates, batatas e...
Uma sombra se fez na porta do meu quarto, me fazendo perceber que tinha uma pessoa ali, algo que não deveria ter.
Peguei a única faca na cozinha e mirei na sombra, fazendo a lâmina cravar na madeira já deteriorada pelo cupim.
_ Quem é você? - Uma mão enluvada tirou a faca da porta e logo um uniforme militar me foi apresentado.
O homem imponente foi até a mesa e colocou a faca ali, me observando.
_ Tem costume de falar sozinha? - Brincou com um dadinho que ficava na cabeceira da minha cama.
Engoli em seco ao vê-lo, o tremor em minhas pernas não era medo, era nervosismo.
Dou alguns passos em sua direção e faço uma mesura, tentando controlar minha língua.
_ Presidente Ravinstill, em que devo a honra de tê-lo em minha humilde residência? - Continuei olhando para o chão.
Suas botas soaram nas ripas de madeira, fazendo um som estranho a cada passo que dava.
Sua mão levantou meu queixo, me permitindo sair dessa posição desconfortável. Mas o arrepio que se fez em minha pele foi crucial para o seu sorriso.
_ Você me teme? - Neguei, não era uma mentira. _ Certo. - Zombou. _ Descobri algo interessante no ano passado. - Sua voz era potente e canalizava autoridade.
_ Deve realmente ter sido interessante para o senhor sair da Capital para vir aqui. - Tirou sua mão do meu queixo, mas continuou me observando com suas feições duras.
Ele exalava repreensões e punições, como se qualquer falha em minhas expressões fossem motivo o suficiente para me colocar em um rio cheio de jacarés.
Contudo, apenas respirei fundo e um perfume de pinho ficou impregnado em meu nariz, era a melhor coisa que já senti depois de oito anos.
_ Um passarinho de asas quebradas me contou que nesse distrito tinha uma bruxa, uma mulher que tentava de todos os modos ir para os Jogos.
_ E? - Cruzei os braços.
_ Mas eu tinha uma dúvida, o porquê a bruxa não levantava a mão para se voluntariar? - Seu sorriso era predador. _ Mas percebi pelos gritos de minutos atrás o motivo.
_ E qual seria? - Não dei nenhum passo para trás.
_ Quando percebe que não foi você quem foi chamada, você olha para a pessoa e fica feliz, pedindo em seus pensamentos que aquela menina morra. - Meus lábios se curvaram.
_ O senhor realmente é algo inacreditável. - Nunca contei isso a ninguém.
Na verdade, não era apenas as meninas que eu torcia para ser mais um dos membros assassinados brutalmente por outro jogador.
Também eram os garotos, ainda mais quando os pais saiam desesperados de suas casas e gritavam pelos seus filhos já falecidos.
Aquilo era muito melhor do que ver os Jogos em televisões ou telões pelo distrito.
_ Isso deveria ser errado, não é? - Cruzei os braços.
_ Você apenas está colocando sua raiva para fora, mas se fosse eu, esse distrito não existiria. - Piscou. _ Quero sua ajuda, bruxa. - Discordei.
_ Tenho um nome, senhor. - Ficou surpreso. _ Me chamo Juníper Ever, e quero saber o que ganharei com isso?
_ Sua vida? - Ri e discordei.
_ Pode tentar me matar, mas quem ficará sem ajuda não será eu. - Não falou, mas sua expressão continuava a mesma.
Pensei que iria me jogar longe ou iria gritar, para que eu parasse de ser teimosa e o respeitasse como bem queria.
Mas não fez nada disso, apenas ficou pensativo, porém, seu corpo continuava na mesma posição, o que era impressionante.
_ Não posso fazer muito, ainda não vi suas habilidades, apenas sei que faz experimentos e bugigangas. - Mostrou o dadinho.
O apertou e a coisinha pequena se transformou em uma minicâmera que poderia voar sem fazer barulho.
_ Você é mais inteligente do que aparenta. - Não sabia se era um elogio. _ E sei que você não seria chamada de bruxa apenas devido a isso.
Tirou do bolso algo que faria o mundo todo entrar em guerra novamente, era algo que descobri depois de anos... A cura para tudo, até mesmo poderia tornar alguém imortal.
Engoli em seco e tentei não aparentar desespero, mas meus lábios sendo mordidos já eram um sinal bem amplo disso.
_ Apenas uma gotinha dessa coisa já fez meu machucado. - Mostrou o braço. _ Ser curado, mas ainda me pergunto, como descobriu isso e o que é isso?
_ Mexer nas coisas alheias não deveria ser o feitio de um presidente. - Bufou e tentou se aproximar. _ Fique longe! - Dei a volta na mesa.
_ Acha que isso vai me parar? - Sabia que não, mas não tinha nada que pudesse jogar para feri-lo.
Bom, tinha a faca, mas ela era a única coisa que estava perto demais do presidente do que de mim.
Então, puxei minhas botas e estava pronta para jogá-las, mas suas mãos se levantaram pedindo rendição.
Ficamos em silêncio e não sabia se ele iria empurrar essa mesa para me restringir, ou partiria em duas.
_ O que você deseja? - Não fez nenhuma das opções em minha cabeça. _ Dinheiro? Fama? Poder?
_ Dinheiro? Panem ainda está em crise e apenas alguns estão conseguindo se reerguer. - Franziu o cenho. _ Mesmo fechando as barreiras, as fofocas podem voar.
_ Então é fama? Posso colocá-la nos Jogos como queria. - Continuei na mesma posição. _ Quer poder? Posso casá-la com um dos mais prestigiados e nobres da Capital.
Revirei os olhos, o fazendo parar de falar.
_ Não preciso mais entrar nos Jogos se o senhor está aqui. - Sorriu. _ E não gosto de casamento político, entretanto, presidente Ravinstill. - Esperou. _ Quero morar na Capital para sempre.
_ Isso nunca foi um problema. - Riu e sua risada era energética e meticulosa. _ Posso fazer tudo que você desejar, claro, tudo que estiver ao meu alcance.
_ Porém? Sempre tem um porém. - Deixei os meus sapatos no lugar.
_ Quero que trabalhe com a Volumnia Gaul para trazer mais tecnologia e dinâmica para os Jogos.
Apertei a barra do meu vestido e pensei a respeito, trabalhar com aquela mulher não seria de todo mal, mas e se ela descobrir que... Tudo bem, ninguém vai descobrir.
_ Isso não é difícil, mais alguma coisa?
_ Você ainda não me disse o que seria essa po...
_ E nem vou, se ela cura ou mata, isso não precisa ser dito. - Piscou algumas vezes, mas concordou.
_ A poção, quero que faça ela para mim. - Levantei a sobrancelha. _ E...
_ Porém, isso é um caso à parte, ela não poderá ser estudada ou ser catalogada em livros, e eu tenho total poder de dizer se quero ou não curar a pessoa, entendido?
_ E se for para mim? - Aproximou-se e espalmou as mãos na mesa. _ Posso realmente dar dinheiro para que possa se sustentar na Capital.
_ Não estou negando isso, apenas que quero ter esse poder em mãos. - Concordou. _ Então isso é tudo? - Virou a cabeça e seu olhar ficou opaco.
_ Sim, isso é tudo. - Arrumou as roupas. _ Então, quando a colheita acabar, ao anoitecer do mesmo dia, o carro que irá trazê-la para a Capital chegará.
Vou até ele e estendo minha mão, algo que o pegou de surpresa, mas não reclamou e apertou.
_ Sei que suas palavras são mais valiosas que o próprio papel, mas quando eu chegar na Capital, espero ter o acordo em duas vias.
_ Farei o possível. - Soltou minha mão e se distanciou. _ Já pensou que seu nome pode ser sorteado?
_ Sei que não vai, já esperei seis anos e não será agora que meu nome será chamado. - Deu alguns passos em direção a porta e mostrou as duas coisas que continuavam com ele.
_ Ficarei com isso. - Não me importei. _ Vejo você na Capital. - Abriu a porta que rangeu com a brutalidade e saiu por ela, me deixando a sós com os meus pensamentos.
Acho que ninguém poderá reparar, nem mesmo ele...
