– Mas eu não vou nesse lugar nem morta! – falou Luísa, incrédula. – Não acredito que vocês me trouxeram num lugar assim.

– Dona Luísa Maria – Érika avançou um passo em direção da escorpiana – Você vai entrar, viva ou morta, nem que para isso eu tenha que te arrastar pelos cabelos. E pode parar com esses pitis, viu?

– Ui, essa doeu até em mim! – Koga sussurrou para Calisto e Hina – Nunca vi Érika tão brava assim.

– Nem eu! – concordaram, também num sussurro.

– Então como vai ser!? – Érika continuou, os braços estavam cruzados e batia o pé incessantemente.

– Humpf… e tenho outra escolha? – murmurou, também cruzando os braços.

– Realmente você não tem, agora vamos logo senão vamos perder o espetáculo.

Resignada, Luísa se encaminhou até a casa de festas. Depois acertaria as contas com as amigas. Apesar de contrariada, a escorpiana teve que admitir que o local era convidativo. A fachada parecia os templos gregos antigos, cheios de colunas e algumas estátuas adornando o lugar. A placa luminosa na frente dela anunciava o nome Το ιερό (1). Quando entraram, se surpreendeu mais ainda, porque as paredes do local eram todas brancas. Em um canto, havia um palco enorme com cortinas marrons e, em frente deste, várias fileiras de mesas com tampo de vidro e cadeiras estofadas na mesma cor da cortina e no outro canto ficava o bar.

– Parece que você gostou! – Hina deu um soquinho no ombro de Luísa.

– Vai gostar mais ainda quando ver o show! – Calisto soltou um riso divertido.

– Vocês me trazendo aqui, parece que tô desesperada por homem! – Luísa bufou enquanto cruzava os braços.

– Não é nada disso, apenas queremos que você se distraia, se divirta e saia desse estado de letargia logo de uma vez. Oras! - disse Koga.

As amigas se sentaram em uma das mesas, que ficavam bem perto do palco, até que chamaram um dos garçons para pedirem as bebidas, onde optaram por uma cerveja bem gelada para começar.

– O que tem de tão especial nesse lugar?

– Calma Lú, você já vai ver... – foi a vez de Hina soltar uma risadinha.

Minutos depois, as luzes do local se apagaram, onde somente o palco ficou iluminado e as grandes cortinas marrons se abriram. Sobre o palco tinha catorze cadeiras espalhadas e, sentados nelas, viam-se a silhueta dos rapazes que começaram a dançar ao som da música que tocava. Eles se levantaram e começaram a dançar, eles faziam tudo em sincronia, o que deixou as amigas surpresas. Conforme executavam a coreografia, os rapazes começaram a tirar as roupas que vestiam, quando ficaram apenas de sunga, todas as mulheres presentes foram à loucura. Algumas soltavam gritinhos eufóricos e outras assobiavam.

Até que alguns deles começaram a puxar as mulheres para subirem ao palco e dançarem junto com eles, onde elas se deleitavam deslizando suas mãos pelos corpos perfeitos deles.

Em um momento da exibição, um dos rapazes se aproximou da mesa onde as amigas estavam e esticou sua mão chamando Luísa para dançar. Ele era alto, moreno, cabelos longos azulados e olhos da mesma cor. Tinha um semblante confiante e esbanjava sensualidade. O rapaz sorria para Luísa aguardando uma resposta, onde a escorpiana recusou a oferta educadamente. Porém, uma certa virginiana estava acompanhando toda a cena e, quando viu que o moço estava indo embora conformado com a recusa, tratou de dar um chega para lá na amiga.

– Não acredito que você dispensou uma dança com aquele pedaço de mau caminho! Pode subir naquele palco agora! – ordenou Koga

– Não estou a fim de dançar. Vim apenas observar e porque vocês insistiram em me enfiar nessa empreitada de vocês! – respondeu Luísa, bicuda.

– Desmancha esse bico e sobe naquele palco agora… Vou chamar o moço. – disse a virginiana – Ei, moço do cabelo azul, volta aqui! Ela vai dançar com você sim, viu!

O belo rapaz ouviu Koga chamá-lo e voltou, onde achou graça da situação entre as amigas. Então, com um sorriso galante, estendeu novamente a mão para a escorpiana, que aceitou o convite após um empurrão discreto dado por Calisto que fez com que ela quase caísse em cima do moço.

Luísa foi conduzida pelo belo dançarino ao palco iluminado, onde ele a sentou em uma das cadeiras que lá estavam, onde começou a dançar sensualmente para ela. A escorpiana observava cada movimento dele, até que foi tirada de seus devaneios quando ele a puxou pela mão de encontro a seu corpo enlaçando a cintura dela e fazendo a mesma dança sensual que fazia anteriormente. Enquanto dançavam, ficaram olhando nos olhos um do outro, onde Luísa sentia toda a eletricidade e sensualidade que emanava do corpo masculino, mordendo sem querer o lábio inferior e arrancando um sorriso satisfeito do moço. Eles ficaram mais um tempo assim, até que o moço a soltou e a levou de volta para a mesa das amigas, aproveitando para perguntar o nome dela e se apresentando como Milo, dando um beijo no dorso de sua mão.

O mesmo aconteceu com as amigas de Luísa, que aproveitaram bastante aquela dança, tanto que Érika, estabanada como era, quase caiu do palco ao descer, sendo amparada pelo belo moreno de olhos esmeraldinos que a amparou antes que pagasse o mico do século.

– Gente – Falou Calisto que abanava a mão em frente ao rosto, que estava vermelho. – O que foi isso!? Que homens gostosos são esses? Onde será que eles se escondem?

– Concordo! – Hina interrompeu a canceriana, também se abanando. Vocês viram aquele que me puxou para dançar? Temos que vir mais vezes aqui.

– Pronto, agora vamos virar clientes assíduas de uma boate com go go boys.

– Ah, deixa de ser chata, Lu. Até parece que você não gostou de vir aqui. – Koga deu um tapinha na amiga – Eu bem vi que você quase babou na hora que dançou com o moço.

– Foi sim! Até mordidinha no lábio deu. – Érika entrou na conversa.

Luisa a essa altura já estava roxa de vergonha. – Tá bom gurias, eu admito! – ergueu as mãos em sinal de rendição. – Foi muito bom ter vindo aqui.

– Aeeeee, sabíamos que ia gostar. – todas falaram dando um abraço em grupo.

Logo as luzes voltaram a acender, o grupo de amigas tomaram mais algumas cervejas e foram para casa. Koga, Calisto, Hina e Érika estavam felizes por finalmente terem visto Luisa voltar a se divertir e a sorrir, como era antes.

Continua...