No dia seguinte todas as meninas saíram para almoçar juntas. Queriam aproveitar o sábado e assim fofocar pelo dia anterior. Escolheram um restaurante simples que sempre iam e que ficava próximo da praia e sentaram na varanda.
– Meninas, ontem a Lú não queria ir com o bonitão, mas no fim se esbaldou naquele corpão, vocês viram!? – Hina falou.
– Até parece que tu não se esbaldou também, né? – retorquiu a escorpiana. – Eu bem vi que tu gostou e muito, até estava passando demais as mãos no peitoral do cara.
– Mas é lógico amiga, você acha que eu ia perder a oportunidade? Só se eu fosse doida!
– Hina do céu, o que eram aqueles cabelos do carinha que te chamou para dançar? Parecia tão maciooooooo. Queria ter tocado para ver. – Calisto falou para a amiga e começou a rir.
– Mas menina, era macio demais. Eu toquei e, cara, eram mais macios que os meus.
– Não acredito, que inveja de você! – a canceriana fez um bico, o que arrancou mais risos.
– Cali você deveria ser cabeleireira porque sua obsessão por cabelo é surreal. – Koga entrou na conversa e sua fala fez as amigas rirem mais ainda e o bico da canceriana aumentar. – Mas enfim, você não pode reclamar porque se deu bem também. Os cabelos brancos daquele cara era um charme só.
– Ai amiga, nem me fala! – Calisto começou a abanar o rosto. – Ele era muito gostoso. Se pudesse, tinha agarrado ele e levado para um cantinho.
– Safada! – Érika deu um gritinho – No fim, todas nós demos sorte porque era um mais gostoso que o outro.
– Uhum – Koga murmurou – Mas, diga pra nós Lú, você gostou de ter ido?
– Confesso que gostei sim. Estão satisfeitas!?
– Aeeeeeee!!! – Calisto gritou e depois abraçou a amiga. As demais fizeram o mesmo.
As amigas pararam a conversa porque o pedido delas chegou. Elas almoçaram e conversaram amenidades. Depois, foram até a praia, onde passaram o restante do dia. Ao retornarem, cada uma foi para seu apartamento.
No dia seguinte, Luísa ainda dormia quando o celular começou a tocar de forma insistente. Ainda sonolenta, tateou até encontrar o objeto e atender. Após a pessoa do outro lado da linha falar algo, a escorpiana abriu os olhos e sentou na cama mais que ligeiro.
– O QUÊ? Está brincando comigo, não é? – perguntou num misto de euforia e incredulidade. – Tá bom, então! É que é meio surreal essa convocação. Fico feliz que vocês tenham me convocado. Tá, tá. Tchau.
Luísa após encerrar a ligação levantou mais do que ligeiro e mesmo de pijama saiu de seu apartamento e foi até o de Érika.
Chegando lá, tocou a campainha várias vezes, ouvindo um "Já vou!" vindo do lado de dentro do apartamento, até que viu a sombra dos pés da amiga pela fresta da porta e o barulho da chave girando, onde se deparou com a canceriana ainda de pijama, cabelos arrepiados e a cara amassada de sono.
– O que aconteceu? Vai tirar o pai da forca, é?
– Amiga tu nem vai acreditar em quem me ligou agora. O técnico da seleção brasileira de karatê e adivinha? Fui convocada!!! – os olhos azuis da escorpiana brilhavam.
– Não acredito! Parabéns amiga, você merece!!!
– Ainda estou arrepiada, olha! – mostrou os pelos do braço – Achei que fosse brincadeira.
– Entra que vou fazer o café para nós e enquanto isso me conta essa história direito.
As duas foram até a cozinha e Luísa contou para a amiga que o técnico havia dito que estava a acompanhando fazia um tempo e que a convocação seria para o próximo mundial.
– E quando vai ser? – a canceriana perguntou enquanto colocava as xícaras na mesa.
– Daqui um mês. – respondeu sorridente, mas logo arregalou os olhos. – Meu Deus tá muito perto.
– Calma Lú, você vai conseguir. É uma grande atleta e te ajudaremos no que for necessário. Sabe que pode contar com a gente.
– Obrigada amiga – a abraçou efusivamente. – Acho que agora que caiu a ficha. – falou já deixando cair algumas lágrimas por causa da emoção.
– Você merece. Você se esforça tanto. – Érika abraçou a amiga e ficaram assim até que a escorpiana se acalmasse. – Vou ligar para as meninas.
E assim, mesmo sonolentas, uma a uma foi chegando no apartamento da canceriana e quando todas estavam lá, Luísa contou o que tinha acontecido e no fim, todas a abraçaram. Estavam felizes pela amiga. Depois da comemoração, tomaram café e passaram o resto do domingo juntas conversando e, mais tarde, foram assistir algumas séries. Estavam felizes porque finalmente Luísa parecia ter saído da depressão.
Segunda pela manhã todas foram juntas para a universidade. Luísa estava animada, pois o seu treinador da universidade, após saber da convocação, disse que iria designar alguém para ajudá-la nos treinos e intensificá-los, já que ela não poderia ir ao Brasil para se juntar com o restante da delegação brasileira. Só conseguiria fazer isso uma semana antes do torneio, onde os encontraria na Itália, que seria o país sede do torneio.
As aulas transcorriam normalmente para Érika. Quando precisou trocar de sala para assistir outra aula, esbarrou em alguém fazendo com que seus pertences, que carregava nas mãos, caíssem no chão.
– Oh, me desculpe! Deixa que eu te ajudo.
A voz masculina fez com que a canceriana desviasse sua atenção para o dono dela e, ao ver de quem se tratava, arregalou os olhos.
– Você!? – perguntou, surpresa.
Foi a vez de Aiolos olhar para ela, pois havia ficado surpreso com a fala dela, um tanto exaltada. Quando percebeu que era a jovem com quem ele havia dançado no clube, ficou desconcertado. "Droga", pensou enquanto dava um sorrisinho amarelo. – Desculpe moça, mas acho que você deve estar me confundindo com alguém. – respondeu tentando disfarçar.
– Não, eu tenho certeza que é você. O moço da… – prontamente o sagitariano cobriu sua boca.
– Xiu... – ele olhou para os lados. Vendo que não teria saída, retirou a mão dos lábios da canceriana. – Tá, sou eu, mas por favor, mantenha isso em segredo. – entregou os cadernos para Érika e saiu deixando-a boquiaberta. Por que tinha que manter segredo?
Depois de se recuperar do pequeno susto, a canceriana foi para dentro da sala e viu Aiolos conversando com alguns colegas. Ela pensou em ir conversar com ele, mas pensou que não tinha o direito de se intrometer na vida dele. Se ele havia pedido segredo é porque tinha razão. No fim da aula, Érika saiu da sala e foi de encontro com as amigas. Quando estavam todas no saguão, Calisto olhou para todas e disse:
– Vocês nem sabem o que me aconteceu hoje. Eu encontrei com aquele carinha que dancei na boate.
– Isso aconteceu comigo também. – responderam Hina, Koga e Érika.
– Nossa, que loucura! – a aquariana levou os dedos ao queixo, pensativa.
– Verdade! Como nunca tínhamos visto eles aqui? – Koga murmurou também, pensativa.
– Vai ver que a nossa correria do dia a dia não deixou que observássemos ao nosso redor, oras. Eu mesma, quando estou trocando de sala ou passando pelos corredores, não olho nem para os lados. - disse Érika, tentando justificar - Eu não sei o que os carinhas de vocês disseram, mas o meu pediu encarecidamente para guardar segredo.
– Para nós também! - responderam as amigas em uníssono.
– Será que a Luísa também encontrou o bonitão com quem dançou? - perguntou Calisto batendo o dedo no queixo.
– Só vamos descobrir quando a encontrarmos. Agora vamos, porque estou morrendo de fome e estamos em semana de provas. - disse Koga.
E assim as amigas partiram para o ginásio da universidade para comerem, pois sabiam que a amiga iria para o treino, ou seja, só falariam com ela mais tarde.
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No ginásio...
Luísa se dirigia para o local que sempre treinava. Ao chegar lá, foi diretamente para o vestiário onde colocou seu kimono. Quando terminou, começou a caminhar em direção ao tatame, estava ansiosa para conhecer a pessoa que iria ajudá-la. Ao chegar em frente a academia que ficava ao lado do tatame, cessou seus passos instantaneamente, pois com a cena que via, era impossível não admirar.
Dentro da academia havia um homem fazendo barra. Estava sem camisa e de costas para a porta, possibilitando que a escorpiana visse todos os músculos bem trabalhados se retesando por causa do esforço com o exercício. Conforme ia esquadrinhando o belo rapaz, sua boca ia se abrindo... abrindo... abrindo...
"Minha Nossa Senhora, de onde saiu essa beldade?", pensou enquanto olhava fixamente para aquele pedaço de mau caminho.
– Aham… – o pigarrear do seu treinador fez com que desviasse seus olhos para ele e, quando percebeu que fora pega no flagra, corou intensamente. – Vejo que está muito melhor, né? – falou maliciosamente.
Por causa da vergonha, Luísa não conseguiu responder nada, apenas meneou a cabeça em concordância e foi até onde estava o tatame e, lá, começou a fazer seu aquecimento. Mas, para seu desespero, viu seu treinador entrar acompanhado do homem que treinava na academia. Foi nesse instante que olhou no rosto do rapaz e constatou que era o da boate. Luísa apenas arregalou seus olhos e começou a abrir e fechar a boca. Milo fez o mesmo ao vê-la.
– Luísa, esse é Milo Kallas e será ele quem irá te auxiliar no treinamento.
"Ai meu Jesus amado", pensou enquanto continuava a abrir e fechar a boca e a ficar mais vermelha do que estava.
Continua...
