Após o cumprimento inicial o árbitro indicou o início da luta, embora Luísa estivesse mais determinada com a presença das amigas, ainda sim, estava muito nervosa, afinal, era a primeira vez que estava participando de uma competição internacional e ainda carregava o peso de ser um mundial. Com isso, no primeiro minuto da luta, a escorpiana acabou sendo dominada por sua adversária. Sua oponente era uma canadense e apesar de não estar bem rankeada, ela era alguns centímetros mais alta e bastante ágil. Luísa até se esforçou, contudo, devido ao seu nervosismo, ela sentia que suas pernas e braços pesavam uma tonelada, por isso acabou não conseguindo colocar em prática sua luta, culminando em sua derrota parcial.

Assim, faltando alguns segundos para terminar o primeiro minuto, a luta foi paralisada pela arbitragem para avaliação de uma técnica aplicada pela canadense que poderia resultar ou não em pontuação, porém, para a sorte da brasileira o ponto não foi computado. Luísa perdia por 5 a 0 e durante a pausa que foram poucos minutos, aproveitou para ouvir atentamente as orientações do técnico, mas assim que o árbitro estava para começar novamente a luta, ela conseguiu ouvir suas amigas dizendo: "Lu, você consegue! Pode ser sua primeira luta internacional, mas você sabe o que fazer".

Sim, elas estavam certas. Apesar de ser "novata", ela era faixa preta, portanto, conhecia muito bem cada ataque e defesa, então sabia muito bem o que deveria ser feito. Luísa até tinha um retrospecto em sua vida, onde desistia das coisas ao menor empecilho que surgia, mas desde que surgiu a oportunidade de ir estudar na Grécia, decidiu que não queria mais ser a covarde que era e ali, naquele momento, era a hora de mostrar isso. Com o comando de hajime, a escorpiana respirou fundo, colocou sua cabeça no lugar e mudou sua postura, pois só restava mais um minuto para virar a luta, afinal, cinco pontos de diferença no caratê não significam nada.

Sua adversária veio pra cima tentando acertar um soco, mas Luísa conseguiu defender e no contra-ataque acertou um soco no abdômen da canadense, contabilizando seu primeiro ponto, onde isso pareceu tirar todo peso que a escorpiana carregava. A seguir, ela acertou um chute no peito de sua adversária contabilizando mais dois pontos. Aquilo lhe deu mais ânimo, mas não podia se descuidar, pois ainda estava atrás do placar e a luta estava indo para seu encerramento. Faltando poucos segundos para o fim, Luísa, no tudo ou nada para vencer, arriscou sua especialidade: um chute alto, acertando sua adversária no pescoço dando a ela três pontos e vitória por 6 a 5.

Com o resultado, Luísa mal conseguiu controlar a emoção, pois para ela, aquela vitória era surreal demais. Depois de ser cumprimentada pelo técnico, ela olhou para suas amigas gesticulando um "obrigada". As três lutas seguintes foram igualmente árduas, mas a brasileira conseguiu sair vitoriosa e com isso ela estava na semifinal.

— Eu nem acredito que cheguei tão longe!!! — disse ela para o técnico durante a pausa do torneio entre as lutas preliminares e finas que só ocorreriam à noite.

— Pois eu nunca duvidei que isso poderia acontecer. Na verdade você que está descrente em suas capacidades — ele respondeu, mas não prolongou muito o assunto, pois o fisioterapeuta já chegava para fazer a recuperação de Luísa.

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Após o desembarque, o grupo chegado da Grécia se dirigiu imediatamente para o ginásio onde iria ocorrer a competição. Quando chegaram, procuraram um bom lugar para conseguir acompanhar toda a competição e, quando encontraram, começaram a colocar a faixa que trouxeram.

— Tá torto! Levanta mais um pouco o seu lado, Kanon — Koga instruía o namorado e Máscara da Morte, porém como boa virginiana queria a perfeição, fazendo os demais rirem por causa das reviradas de olhos do geminiano — agora subiu muito, baixa só um pouquinho.

— Tá bom assim!!! — Hina que conhecia e muito bem a amiga, resolveu interferir ou senão a competição iria terminar e a faixa não seria posta

— Mas… — Koga ainda tentou reclamar, mas foi impedida por Calisto e Érika.

— Mas nada. Agora vamos sentar para esperarmos a luta da Lu, já que ela é uma das primeiras.

Mesmo com aquela vozinha dizendo que a faixa estava torta, ela se juntou às amigas e à Kanon. Contudo, após o início do torneio ela nem conseguiu pensar, pois quando o nome de Luísa foi anunciado para a primeira luta, o nervosismo tomou conta dela e das amigas.

— Droga! Ela tá perdendo — Calisto resmungou enquanto roía a unha.

— Calma meninas, eu sei que ela vai virar essa luta — Milo tenta tranquilizá-las, mas ele mesmo estava incerto, pois era nítido que Luísa estava nervosa e por isso suas técnicas não encaixavam.

— Sim, é isso mesmo — Hina concordou com o escorpiano e depois se virou para as amigas — vamos dar gritos de apoio, aproveitar que a luta está parada.

Todas levantaram imediatamente e começaram a gritar. Mas quando a luta recomeçou, elas se limitaram apenas a torcer ora mais aliviadas, ora mais apreensivas.

— Ela venceu!!!!!! — as quatro se abraçaram e começaram a pular, logo puxaram os meninos para a pequena comemoração.

Durante o intervalo das lutas preliminares e finais, o grupo procurou algum lugar próximo dali para que pudessem comer. Enquanto esperavam os pedidos, Milo observou Shion, Máscara da Morte e Kanon com suas respectivas namoradas e em como eles estavam felizes, fazendo com que instantaneamente as palavras de Shion lhe viessem à mente, assim como os momentos que passou ao lado de Luísa. Talvez o mais velho tivesse certeza, e ele estava ansiando ter algo a mais com a brasileira. Quando terminaram, voltaram ao estádio.

— Gente, alguém conseguiu falar com a Lu? — Hina perguntou.

— Não podemos falar com ela. Lembra que ela nos avisou que, para manter a concentração, o técnico pede que os atletas evitem ter contato? — Érika respondeu.

— Ah, é mesmo. Olha lá, já vai começar.

A luta de Luísa foi a segunda da semifinal e quando ela foi chamada, as amigas fizeram o maior auê com as buzinas que trouxeram, mas no momento que o árbitro deu início elas se limitaram a assistir. Ficavam nervosas quando a amiga sofria ponto e torciam quando ela marcava, mas foi com alegria que viram a amiga vencer, após a adversária sofrer uma lesão ao tentar aplicar um chute, o que foi muito comemorado por todos eles. Em breve seria a grande final, onde a amiga iria enfrentar a atleta prata da casa e número dois do ranking. Não seria tarefa fácil, mas elas tinham convicção que a amiga iria vencer.