Longe dali, Aiolos estava sentado em uma das mesas da cafeteria que ficava perto da faculdade aguardando a chegada de Erika.

Enquanto esperava, aproveitou para abrir seu notebook e revisar a sua parte do trabalho.

O local era bem simples, mas ao mesmo tempo aconchegante, com mesas de madeira em estilo rústico. O sagitariano escolheu uma das mesas que ficavam perto da janela para poder conversar com sua colega com mais privacidade.

A algumas quadras dali, Erika estava na escola de música onde estudava, guardando seu violino e arrumando seu material para se encontrar com seu colega de faculdade. Olhou o relógio do celular e viu que estava dentro do horário. Despediu-se de seus colegas e partiu para sua reunião.

Estava ansiosa para terminar esse trabalho, pois a apresentação era na semana seguinte e valia nota para encerrar o semestre.

Mas o que a deixava realmente ansiosa era estar na presença de Aiolos. Ela se sentia intimidada pela presença dele, mas não de uma forma ruim, pois achava o sagitariano tão lindo e atraente que não sabia como agir. Tinha receio de fazer algo constrangedor por conta de sua timidez e por ser meio estabanada mesmo.

A canceriana começava a desconfiar que sentia algo por seu colega de classe, mas teimava em priorizar a razão, pois achava que um homem como ele jamais olharia para ela.

Na noite anterior, suas amigas se reuniram em seu apartamento para escolher o que chamaram de "a roupa ideal" para sua reunião. Elas não iriam permitir que a amiga fosse de calça jeans, camiseta e tênis se encontrar com ele.

— Amiga, eu acho que você deveria ir com esse aqui! — disse Calisto, tirando um cropped branco de manga curta, com uma saia florida e um par de tênis branco. — O que vocês acham, meninas?

As garotas olharam para o modelito criado pela estudante de moda, pensaram um pouco e, por fim, aprovaram. A canceriana revirou os olhos, fingindo indignação, mas sorriu. Não tinha como ir contra suas amigas.

— Só para deixar claro, é apenas uma reunião de trabalho, viu! — frisou a canceriana.

— E podemos saber onde é a cafeteria que vocês irão se encontrar? — perguntou Hina.

— É aquela bonitinha perto da faculdade, em estilo rústico, que parece uma casa de campo. — respondeu Erika.

— Ah, sim! Lá é muito fofo mesmo! O pessoal da minha turma vai lá às vezes — comentou Luísa.

Voltando à realidade, Erika se deu conta de que já estava perto da cafeteria. Olhou novamente o relógio do celular e viu que faltavam cinco minutos para o horário combinado com Aiolos.

Quando estava próxima da cafeteria, avistou Aiolos sentado em uma das mesas perto da janela. Ele estava lindo como sempre. Usava uma camiseta básica preta, calça jeans escura e tênis preto. Erika precisou respirar fundo para não corar e se distrair com a beleza dele.

Assim que a avistou, o sagitariano acenou com um sorriso simpático, convidando a moça para se juntar a ele.

— Oi, espero que não tenha me atrasado! — disse Erika, se desculpando.

— Não se preocupe! Você chegou na hora certa! Quer pedir algo antes de começarmos? — perguntou Aiolos.

— Um chá gelado, por favor. — respondeu a moça.

Aiolos foi até o balcão e pediu ao barista um café para ele e um chá gelado para Erika. Pagou as bebidas e voltou para a mesa.

Enquanto aguardavam a chegada do pedido, Aiolos virou seu notebook para Erika, mostrando a sua parte do trabalho. Tratava-se de um projeto sobre modais de transporte. O tema sorteado para a dupla foi sobre um navio chamado Berge Stahl.

Enquanto Erika lia o conteúdo feito pelo sagitariano, ela entregou seu tablet para que ele pudesse revisar a parte dela do trabalho sobre o tema.

— Para mim, está ótimo! — sentenciou Aiolos ao terminar de ler. — O que achou? Está bom?

— Está ótimo, Aiolos! Vamos juntar as partes e montar os slides para a apresentação. Vai ficar perfeito! — respondeu Erika com entusiasmo.

Eles ficaram por quase duas horas montando a apresentação, incluindo imagens e textos. Quando terminaram, deram uma última revisada e, após aprovarem o resultado, o salvaram tanto no tablet quanto no notebook para garantir.

Depois, juntaram suas coisas e saíram da cafeteria, caminhando pela avenida até chegarem à grande praça que ficava em frente ao campus.

Chegando lá, sentaram-se em um dos bancos. Foi então que Aiolos notou o case retangular preto que Erika colocou no chão ao seu lado.

— Não sabia que era musicista. Posso perguntar que instrumento é esse?

— É um violino. Dou aulas de música na escola aqui perto da faculdade. — respondeu Erika.

— Será que você poderia tocar uma música para mim? — perguntou Aiolos. — Claro, se não for incômodo para você.

— Não é incômodo nenhum! Seria uma honra! — disse Erika com as bochechas rosadas.

Então, ela retirou o violino que descansava dentro do case, o apoiou no queixo, fechou os olhos e começou a tocar. Escolheu "Primavera", de Vivaldi.

A música contrastava com o lindo jardim florido da praça, deixando Aiolos encantado com a delicadeza do som que saía do violino. Ele prestava atenção em cada movimento de Erika e, de repente, um misto de sentimentos tomou conta de si.

O sagitariano começava a perceber que realmente não via mais a canceriana como uma simples colega de classe. Eles já haviam conversado antes, durante as pausas das aulas, em que Erika contou um pouco de sua vida: falou de sua mãe e sua avó, que viviam no Brasil, do relacionamento de irmãs que tinha com suas amigas, e agora ele descobria a paixão dela pela música e seu lindo talento.

Naquele momento, ele admitiu para si mesmo o quanto ela era linda e especial e o quanto gostava de estar com ela.

Quando a canceriana terminou de tocar e abriu os olhos, viu Aiolos a olhando com admiração. Ela se deu conta de que seu coração batia forte por ele. Ou melhor, percebeu que já pertencia a ele.

— Você é muito talentosa e fica linda tocando violino. — elogiou Aiolos.

— Obrigada! — agradeceu Erika, com um sorriso tímido, guardando o violino no case.

Depois de pegarem suas coisas, Aiolos a acompanhou até seu apartamento e, depois, seguiu para casa.

No caminho, ele foi pensando naquele novo sentimento que surgiu em seu coração. Decidiu que, depois da apresentação, convidaria Erika para sair. Estava determinado a conquistar o coração da brasileira.

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Naquela noite, as meninas se reuniram no apartamento de Calisto para o jantar. A pequena sala estava cheia de risadas e conversas animadas enquanto aproveitavam o momento juntas. A anfitriã havia preparado um delicioso espaguete ao molho pesto, que foi elogiado por todas.

Depois de comerem, se acomodaram na sala, cada uma pegando uma bebida ou uma almofada para se encostar, e começaram a compartilhar como havia sido o dia.

— Então, meninas, hoje eu fui com o Máscara da Morte a uma praça maravilhosa aqui em Atenas, a Praça Monastiraki. Ele queria me mostrar o lugar — começou Calisto com um sorriso. — Conversamos bastante... Ele até me explicou por que o chamam de Máscara da Morte.

— É mesmo? — perguntou Hina, curiosa. — E qual foi o motivo?

— Ele disse que, quando era criança, batia nos outros meninos do orfanato e preferia se manter distante. Não confiava em ninguém. — Calisto suspirou. — Foi um momento tão sincero... Acho que nunca o vi tão vulnerável.

— Que fofo ele confiar em você assim — comentou Luisa, sorrindo.

— E você, Hina? Como foi com o Shion? — perguntou Calisto, mudando de assunto.

— Ah, foi maravilhoso! — disse Hina, animada. — Ele me levou a uma ONG de uma amiga dele. Passamos o dia examinando cães e gatos. Foi tão gratificante! Tinha uns bichinhos tão amorosos que vieram pedir carinho, enquanto outros ficavam de longe, só observando. Foi emocionante.

— Parece incrível! Aposto que você ficou encantada com tudo — disse Erika.

— E estava mesmo! Eu acho lindo como o Shion se preocupa com os animais. Ele até participa de mutirões de castração e leva os mais doentes para o hospital da universidade. É inspirador.

— E você, Koga? Como foi o seu dia? — perguntou Calisto.

Koga deu uma risada antes de responder.

— Bom, passei parte do dia tentando convencer o Kanon de que meu sanduíche era melhor que o que ele compra nas lanchonetes. Fiz uma competição comigo mesma na cozinha e preparei vários pra ele.

— E aí? Ele aprovou? — perguntou Luisa.

— Ele não só aprovou, como comeu tudo e ainda pediu mais. No fim, acho que ele finalmente admitiu que eu estava certa.

— Humm... Aposto que ele queria sobremesa depois, hein? — provocou Calisto, piscando de forma sugestiva.

— O quê?! Claro que não! — exclamou Koga, indignada, mas logo rindo junto com as outras.

— Ah, Koga, não adianta negar. Tá na cara que ele é apaixonado por você! — brincou Erika.

Quando as risadas diminuíram, Erika aproveitou para contar sobre sua reunião com Aiolos.

— E eu, bem... Passei boa parte do dia com o Aiolos. Fomos à cafeteria rústica perto da faculdade pra terminar o trabalho da apresentação. Foi muito produtivo, mas ele também descobriu que eu estudo violino.

— Ele ficou surpreso? — perguntou Hina.

— Ficou, sim. Pediu pra eu tocar pra ele. Acabei tocando "Primavera", do Vivaldi, na praça. Foi bem legal... Mas confesso que fiquei nervosa.

As meninas trocaram olhares cúmplices, percebendo o brilho nos olhos de Erika ao falar de Aiolos, mas decidiram não provocá-la dessa vez.

— E você, Luisa? Não falou nada ainda. — Calisto se virou para a amiga.

— Eu? Passei o dia em casa pesquisando decorações para a confeitaria — respondeu ela, dando de ombros.

— Então, mostra pra gente! — pediu Hina, curiosa.

Luisa pegou o celular e abriu a galeria, onde havia salvo algumas inspirações. A primeira que mostrou era de um ambiente com mesas de madeira clara, cadeiras brancas de encostos delicados, e prateleiras com plantas suculentas.

— Olha que aconchegante! — comentou Calisto.

— É muito fofo! Dá uma sensação de casa de campo. — Erika sorriu.

— Essa aqui tem uma vibe diferente. — Luisa mostrou outra imagem: um espaço com estantes cheias de livros e vasos de flores. O centro tinha mesas redondas e um lustre com detalhes em cobre.

— Achei sofisticado, mas ao mesmo tempo acolhedor. — opinou Hina.

Luisa continuou mostrando outras ideias, como um espaço com um mural que simulava um jardim vertical, mesas de mármore branco e cadeiras douradas.

— Nossa, essa está perfeita! — disse Érika. — Parece um lugar onde você sente vontade de passar horas!

Depois de conversarem mais um pouco sobre as decorações, Koga fez uma pausa e olhou com atenção para as imagens novamente.

— Para o que eu idealizei, Luisa, acho que a primeira decoração é a melhor. É simples, aconchegante e tem aquela vibe de "sinta-se em casa" que combina com uma confeitaria. — disse Koga, ponderando.

As outras meninas concordaram prontamente.

— Verdade! É acolhedor e tem uma personalidade que se conecta com o público. Acho que as pessoas vão adorar. — comentou Calisto, animada.

— Concordo. E, além disso, parece mais fácil de manter. — acrescentou Erika.

— Acho que vocês têm razão. — respondeu a escorpiana.

Com isso resolvido, as amigas desligaram as luzes principais e se acomodaram no sofá para assistir ao filme que haviam escolhido juntas, uma comédia romântica leve e divertida. As risadas começaram logo nos primeiros minutos, mas, enquanto as outras estavam concentradas na trama, Luisa se pegou distraída, com o olhar perdido na tela.

Ela pensava em Milo. Sabia que ele estava na boate naquela noite. Um leve ciúme começou a surgir, incomodando-a. Ela sabia como funcionava o trabalho dele, já que, antes de se conhecerem mais profundamente, ela mesma havia experimentado o charme irresistível do escorpiano naquela mesma boate.

"Será que as mulheres estão se perdendo no corpo dele como eu me perdi?" — pensava Luisa, o coração apertado com uma pontada de insegurança.

Mas logo balançou a cabeça, tentando afastar esses pensamentos. Milo havia demonstrado ser sincero em relação a ela, e Luisa sabia que era diferente das outras. Mesmo assim, a ideia de outras mulheres ao redor dele, talvez rindo ou tocando seu braço, mexia com seus sentimentos.

Ela respirou fundo, olhando para a tela novamente, mas sua mente ainda estava em outro lugar. Sentia saudade dele e, ao mesmo tempo, desejava que a noite passasse logo para que pudessem se ver outra vez.

Quando o filme terminou, todas estavam rindo e comentando as cenas mais engraçadas. Luisa se juntou à conversa, tentando se distrair e aproveitar o momento com suas amigas.

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No domingo, as meninas se reuniram novamente para continuar o planejamento da confeitaria. Sentadas na sala de Koga, espalharam cadernos, livros de receitas e celulares sobre a mesa, cheias de ideias para definir o cardápio.

— Certo, meninas, vamos começar listando os doces que não podem faltar. — disse Hina, com um caderno e uma caneta na mão, pronta para anotar tudo.

— Brigadeiro, claro! — afirmou Koga sem hesitar. — É o doce mais brasileiro que existe, tem que estar em destaque.

— Concordo! — disse Erika. — Mas só o brigadeiro ou tudo com brigadeiro?

— Tudo! — exclamou Luisa, sorrindo. — Brigadeiro sozinho, como recheio de bolo, em tortas, nos cupcakes... Dá pra criar um monte de coisa com ele.

— Isso é verdade. — disse Calisto, pensativa. — Dá até pra fazer versões gourmet. E eu já vi brigadeiro de colher servido em potinhos, com sabores diferentes. Podia ser uma ideia.

— Cupcakes recheados com brigadeiro também seriam um sucesso. — completou Hina. — E tem que ter bolo de cenoura com cobertura de chocolate, é um clássico.

As meninas concordaram animadas, listando outras ideias de doces. Cocadas, quindins, tortas de frutas, cheesecakes e até pão de mel entraram na lista. Koga fez questão de incluir o pão de mel:

— Não pode faltar. É meu doce favorito, e todo mundo adora.

Depois de anotarem muitas sugestões, Erika trouxe uma nova ideia:

— E salgados? Acho que seria ótimo ter opções salgadas também.

— Sim, boa ideia! — respondeu Hina. — Não precisamos ter um monte, mas uns salgados clássicos seriam legais.

— Tipo coxinha. — disse Koga prontamente. — É bem brasileira também?

— Pode ser esfiha também. — sugeriu Calisto. — Eu sei fazer uma receita de massa integral que fica deliciosa.

— E quiches? — perguntou Luisa. — Eles combinam com o ambiente de uma confeitaria e podem ser bem variados.

As meninas riram e começaram a listar opções salgadas que poderiam oferecer, como empadinhas, pães de queijo recheados e mini sanduíches. O cardápio começava a tomar forma, equilibrando doces e salgados.

— Ok, acho que estamos com uma boa base agora. — disse Erika, satisfeita. — Já podemos começar a testar algumas receitas.

— Sim, mas ainda precisamos decidir como vamos apresentar tudo. — lembrou Calisto. — Isso também faz diferença.

O entusiasmo era evidente, e cada uma tinha sua tarefa: Luisa, Hina e Erika por buscar fornecedores, enquanto Koga e Calisto trabalhariam na apresentação visual dos produtos.

Mesmo com as responsabilidades, o clima era leve e cheio de risadas. A amizade entre elas tornava o projeto ainda mais especial, e a ideia de tornar a confeitaria realidade deixava todas animadas.

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À noite, em seu apartamento, Luisa estava no sofá com o celular em mãos, aproveitando um momento de descanso. Decidiu mandar uma mensagem para Milo.

Luisa: Oi, como foi o seu dia?

A resposta não demorou, como sempre.

Milo: Oi! Passei a tarde estudando pra uma prova que tenho amanhã. E o seu?

Luisa: Foi produtivo! Passei o dia com as meninas decidindo o cardápio da confeitaria.

Milo: Confeitaria?

Luisa sorriu, percebendo que não tinha contado a ele sobre o projeto.

Luisa: Sim, estamos montando uma confeitaria. É algo que queríamos há um tempo. Hoje decidimos o que vamos servir.

Milo: Sério? Que legal! E o que vocês decidiram?

Luisa: Algumas coisas típicas do Brasil, como brigadeiro e coxinha, além de doces e salgados variados.

Milo: Brigadeiro? Coxinha?

Luisa riu baixinho ao imaginar a expressão confusa dele.

Luisa: São comidas típicas do Brasil. O brigadeiro é um docinho de chocolate que derrete na boca. A coxinha é salgada, uma massa recheada com frango desfiado e moldada em forma de gota. Depois é frita.

Milo: Interessante... Então o brigadeiro é doce e a coxinha salgada?

Luisa: Exato! São praticamente unanimidade no Brasil.

Milo: Você está me deixando curioso. Vou querer experimentar tudo quando a confeitaria abrir.

Luisa: Vai ser meu cliente VIP. Depois quero críticas sinceras.

Milo: Prometo, mas pelo que você descreveu, acho difícil não gostar.

A conversa fluiu com naturalidade. Luisa se sentia confortável, mesmo quando pensava na saudade que sentia dele.

Milo: Boa sorte com o planejamento. E boa sorte pra mim com a prova de amanhã.

Luisa: Vou torcer por você. Tenho certeza de que vai se sair bem.

Houve uma pausa antes de Milo enviar outra mensagem.

Milo: Posso te ver antes das aulas começarem? Sinto sua falta.

O coração de Luisa disparou, e ela teve que respirar fundo para responder.

Luisa: Também sinto sua falta. Claro que podemos nos ver sim.

Milo: Combinado. Agora vou voltar aos estudos. Boa noite.

Luisa: Boa noite, Milo.

Encerrando a conversa, Luisa deixou o celular de lado e encostou a cabeça no encosto do sofá. Sentia uma mistura de ansiedade e alegria.