O centro histórico de Atenas era um cenário que parecia saído de uma pintura, com suas ruas de paralelepípedos, edifícios antigos de arquitetura clássica e cafés acolhedores espalhados pelas esquinas. O aroma de café fresco e especiarias flutuava no ar, enquanto o som de conversas animadas e música suave preenchia o ambiente. Shion e Hina caminhavam lado a lado, admirando o charme da cidade.

Os olhos verdes da aquariana brilhavam com entusiasmo a cada detalhe que observava, enquanto Shion, em sua postura tranquila e elegante, a acompanhava com um sorriso discreto.

— É tão lindo aqui, Shion — disse ela, parando em frente a uma pequena fonte com esculturas antigas. — É como se cada canto contasse uma história.

Ele parou ao lado dela, observando-a mais do que a fonte. — Você tem razão. Mas acho que nenhuma dessas histórias é tão bonita quanto você admirando tudo isso.

Hina riu, sentindo as bochechas corarem. — Você tem um jeito de transformar tudo em poesia, não é?

— Talvez seja apenas a companhia certa que inspire isso em mim — respondeu ele, inclinando levemente a cabeça para olhá-la nos olhos.

Eles continuaram andando, parando em uma loja de souvenirs onde Hina ficou fascinada por pequenos vasos de cerâmica pintados à mão. O ariano, vendo o brilho em seus olhos, pegou um dos vasos mais delicados, decorado com desenhos de oliveiras.

— Este combina com você — disse ele, entregando-lhe o objeto. — Simples, mas cheio de beleza e significado.

Hina sorriu, tocando o vaso com cuidado. — Obrigada, mas não precisa comprar para mim.

Shion fez um gesto de desdém com a mão. — Não é um presente, é um símbolo. Algo para você lembrar deste dia... e de mim.

Ela aceitou, emocionada, e os dois seguiram até um pequeno café com mesas ao ar livre. Pediram sorvetes para se refrescarem e sentaram-se sob a sombra de uma grande oliveira.

Enquanto saboreavam o doce, Shion estendeu a mão e pegou a de Hina, os dedos dela tremendo levemente com o toque.

— Sabe, Hina, tenho observado você há algum tempo — começou ele, a voz calma, mas carregada de emoção. — Sua determinação, sua gentileza, sua força... tudo isso me fascina.

Hina o encarou, surpresa, sentindo o coração bater acelerado. — Shion...

— Não precisa dizer nada agora. Só queria que soubesse o quanto admiro você.

Hina baixou o olhar, um sorriso tímido surgindo em seus lábios. — Você também me fascina, Shion. Sua calma, sua sabedoria... é como se você trouxesse equilíbrio a tudo ao seu redor.

Ele sorriu, apertando levemente a mão dela. — Talvez sejamos o equilíbrio um do outro.

O olhar que trocaram dizia mais do que qualquer palavra. Hina sentiu que aquele momento era especial, algo que ela guardaria para sempre.

Enquanto o sol começava a se pôr, tingindo o céu de tons dourados e rosados, os dois caminharam juntos até um mirante próximo, de onde podiam ver as ruínas da Acrópole iluminadas. Shion passou o braço ao redor dos ombros de Hina, trazendo-a para mais perto.

— É uma vista incrível — comentou ela, encostando a cabeça no ombro dele.

— É, mas ainda prefiro olhar para você — respondeu ele, com um sorriso que ela pôde sentir em sua voz.

E ali ficaram, sob o céu dourado de Atenas, compartilhando a sensação de que algo novo e precioso estava começando entre eles.

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Luisa e Milo caminhavam lado a lado pelas ruas iluminadas de Atenas, o céu tingido de tons dourados e lilases com o pôr do sol. Os paralelepípedos antigos refletiam o brilho das lanternas penduradas, e o aroma de flores e especiarias pairava no ar, criando um clima mágico ao redor deles.

— É lindo aqui, Milo — comentou ela, admirando as fachadas históricas e os pequenos cafés aconchegantes ao longo do caminho.

Milo sorriu, virando-se para ela. — Sim, mas não tão lindo quanto você.

Ela riu, balançando a cabeça. — Você sempre tem uma resposta pronta, não é?

— Não é minha culpa se é verdade — disse ele, pegando delicadamente sua mão e entrelaçando seus dedos nos dela.

Caminharam assim até uma escadaria que levava a um mirante escondido, longe do burburinho das ruas principais. Subiram juntos, e, ao chegarem ao topo, foram recompensados com uma vista deslumbrante da cidade, com a Acrópole iluminada ao fundo, brilhando como uma joia na noite.

— Uau... — Luisa suspirou, sem conseguir desviar os olhos. — É simplesmente incrível.

Milo a observou de lado, um sorriso suave surgindo em seus lábios. — Sim, mas, mais uma vez, você supera.

Ela virou-se para ele, rindo suavemente. — Está exagerando hoje, não acha?

— Não quando estou com você, Luisa. — Ele deu um passo à frente, aproximando-se mais. — Você tem ideia do quanto me faz feliz?

Ela sentiu o coração acelerar, mas manteve o olhar firme no dele. — Talvez tanto quanto você me faz feliz.

Milo não respondeu. Ele apenas levantou uma das mãos, tocando delicadamente o rosto dela, o polegar acariciando sua bochecha. Luisa fechou os olhos por um momento, sentindo o toque dele, antes de abrir novamente e se perder na intensidade do olhar azul de Milo.

— Você é a coisa mais preciosa que tenho, Luisa. Eu faria qualquer coisa para proteger esse sorriso — sussurrou ele.

Sem dizer nada, ela se inclinou, e os dois se encontraram em um beijo suave, mas cheio de significado. Era como se o tempo tivesse parado ali, naquele instante, apenas para eles. A brisa noturna os envolvia, trazendo o aroma do mar ao longe, enquanto as luzes da cidade piscavam como estrelas ao redor deles.

Quando se separaram, ainda com os rostos próximos, Luisa sorriu. — Você tem esse poder de me deixar sem palavras.

— E você tem o poder de me fazer sentir que posso conquistar o mundo, contanto que você esteja ao meu lado — respondeu ele, pegando sua mão novamente.

Eles permaneceram ali por mais um tempo, conversando sobre sonhos, planos e pequenos momentos que tornavam tudo mais especial. Ao voltarem, caminhando pelas ruas iluminadas, Luisa percebeu que, ao lado de Milo, mesmo as coisas mais simples ganhavam um toque de magia.

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Depois de horas revisando o trabalho, Érika e Aiolos finalmente chegaram a um ponto satisfatório, e agora ambos se permitiam um momento de pausa. Érika havia preparado um lanche simples, mas feito com carinho: sanduíches de queijo, presunto e alface, acompanhados de suco natural de laranja.

Enquanto se sentavam para comer, Érika observava Aiolos. Ele parecia relaxado, algo que ela achava encantador, mas raro, dada a seriedade que ele sempre demonstrava.

— Você e os meninos não vão trabalhar hoje? — ela perguntou, curiosa, enquanto mordia seu sanduíche.

Aiolos sorriu de lado, pegando um copo de suco. — Vamos, mas hoje a casa noturna vai abrir mais tarde. Temos um tempo extra para descansar.

— Isso é bom. Vocês trabalham tanto, merecem um tempo assim de vez em quando — disse ela, tentando manter o tom leve, mas com uma preocupação genuína.

Ele ergueu uma sobrancelha, um pequeno sorriso brincando em seus lábios. — Está se preocupando comigo, Érika?

Ela sentiu as bochechas corarem, mas tentou disfarçar. — Só estou sendo educada. Não quero que vocês desmaiem de cansaço na sala de aula.

Aiolos riu baixo, um som que a fez sentir um calor reconfortante no peito. — Eu aprecio a preocupação, mesmo que seja disfarçada.

Por um momento, houve um silêncio confortável entre eles, quebrado apenas pelo som da mastigação e da leve brisa que entrava pela janela aberta. Érika queria dizer mais alguma coisa, mas sentia-se nervosa, com medo de que suas palavras a traíssem.

— Obrigado pelo lanche — disse Aiolos, tirando-a de seus pensamentos. — Está muito bom. Acho que você tem talento para culinária também.

— Ah, não exagera — respondeu ela, rindo nervosamente. — Só é um sanduíche.

— Às vezes, é nos pequenos gestos que está o maior carinho — ele comentou, olhando-a com aqueles olhos que sempre pareciam ler além das palavras.

Ela sentiu seu coração disparar, mas não sabia como responder. Por fim, mudou de assunto, falando sobre as aulas e os próximos compromissos acadêmicos. Porém, enquanto conversavam, Érika notava como era fácil estar com ele, mesmo com seu nervosismo. A naturalidade de Aiolos a fazia sentir-se à vontade, e, aos poucos, ela permitia que um sorriso sincero surgisse em seus lábios.

Quando ele se levantou para ir embora, agradeceu mais uma vez pela companhia e pelo lanche.

Ela assentiu, tentando não parecer ansiosa demais. — Claro, sempre que precisar.

Assim que ele saiu, Érika fechou a porta e encostou-se nela, soltando um longo suspiro. Estar perto de Aiolos era como estar em um campo magnético: impossível não ser atraída. Mesmo com toda a tensão e nervosismo que sentia, ela sabia que esses momentos compartilhados estavam tornando seu sentimento por ele ainda mais forte.

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No domingo, como de costume, as meninas se reuniram para o almoço em um dos apartamentos. A mesa estava cheia de pratos simples e saborosos, e o clima era de descontração e união. Entre risadas e histórias do final de semana, elas aproveitaram o momento para conversar sobre os últimos detalhes da confeitaria. Resolveram algumas pendências menores e confirmaram o cronograma para os próximos dias, deixando tudo alinhado para a inauguração.

Após o almoço, cada uma seguiu para seus compromissos. No silêncio do seu apartamento, Érika sentou-se na escrivaninha com os papéis do trabalho espalhados diante dela. Apesar de já ter revisado sua parte várias vezes, não conseguia relaxar.

Ela sabia que o professor era extremamente exigente, conhecido por avaliar cada detalhe com um rigor quase cruel. Um erro mínimo, como uma referência mal formatada ou um dado fora do lugar, poderia significar a perda de pontos preciosos.

Com uma respiração profunda, Érika voltou a ler seu texto, marcando trechos com uma caneta para verificar novamente depois. Enquanto fazia isso, a memória da tarde anterior com Aiolos invadia sua mente. A leveza que sentira ao lado dele parecia tão distante naquele momento de tensão.

— Concentre-se, Érika — murmurou para si mesma, balançando a cabeça para afastar os pensamentos.

Determinada a garantir que tudo estivesse impecável, passou o resto da tarde revisando cada detalhe, linha por linha, até sentir-se minimamente satisfeita. Mesmo assim, um canto de sua mente permanecia inquieto, pensando não apenas no trabalho, mas na sensação que Aiolos despertava nela, algo que se tornava cada vez mais difícil de esconder.