Capítulo curtinho, mas postei logo graças aos comentários de vocês. Agradeço quem comentou o capítulo anterior e quem mandou mensagem privada também. Isso é sempre um estimulo importante.
Quem sabe poste outro capítulo logo...
Capítulo 5 – Distância
"Você teve notícias?".
"Nada". Wilson respondeu desanimado.
"Não sei mais o que dizer para o time dele, já dei todas as desculpas que poderia imaginar, eles estão suspeitando que House voltou para alguma clínica de reabilitação".
"Foreman deve estar feliz na liderança de qualquer maneira".
"Na verdade deixei Chase na liderança".
Wilson estranhou.
"House me disse uma vez que Chase era mais criativo, é só o que precisamos agora".
"Foreman ainda não pediu para sair?". Wilson se surpreendeu. Na verdade, ele evitou pisar na sala de House desde de que ele sumiu, Wilson não queria responder a nenhuma pergunta.
Mas o fato era que o hospital borbulha em fofoca desde o desaparecimento de House. Havia aposta rolando sobre o que acontecera. Alguns apostaram que Cuddy o matou, outros apostaram que House surtou outra vez. As apostas eram maldosas, pra dizer o mínimo.
"Eu me sinto tão culpada". Cuddy desabafou deixando seu semblante duro dar lugar a fragilidade que assolava seu coração.
"Eu também". Wilson concordou preocupado.
"Ele me deixa muito nervosa, acabei dizendo o que não queria dizer".
"Você estava discutindo, pior eu que falei pra você e nem nervoso estava".
Eles não suspeitavam, mas House havia ido para Seattle ver Bella. Foi o único lugar que ele pensou, a única pessoa no mundo que queria vê-lo, que o queria por perto. Era bom sentir-se assim por alguém. É claro que ele fez sexo, e sexo com raiva. Bella achou o máximo ter um homem másculo e rude, mal sabia que ela não tinha nada a ver com isso.
...
Na semana seguinte House retornou para o hospital. Cuddy o viu entrando e quase teve um colapso nervoso. Ela queria falar com ele, ir saber se ele estava bem, mas conteve-se e planejou falar com ele mais tarde, ela estava receosa sobre todos os potenciais problemas daquela conversa, então pediu para Wilson ir sentir o clima.
"Onde você se meteu?". Era Taub.
"Não devo satisfações pra você, hobbit".
Chase riu.
"Nem pra você, canguru fofoqueiro".
Agora ninguém se atreveu a rir.
"Vocês mataram muita gente na minha ausência?".
"Tivemos um paciente, Lúpus".
"Chato...".
"Temos outra paciente".
"Me dê a ficha".
Foreman arregalou os olhos. "Você quer ver o prontuário de um paciente que não seja para seu deleite pessoal?".
"Vou me deleitar não tendo que falar com vocês enquanto eu leio".
Não passou meia hora e Wilson entrou na sala.
"Finalmente de volta!".
House o ignorou.
"Você não vai falar nada?".
House parou e olhou pra ele. "Qualquer coisa que eu fale será um insulto".
"Olha House... me desculpe, eu não queria dizer, mas acabou escapando".
"É melhor você escapar daqui senão vai ouvir coisas que não quer. E depois todos pensam que você é o bonzinho da história... mas é o malígno!".
"Vamos conversar como adultos".
Mas House o ignorou completamente e ele resolveu esperar outro momento.
...
"Não acho uma boa você falar com ele agora". Wilson orientou Cuddy.
"Ele foi rude?".
"Ele foi seco e insensível".
"Você traiu a confiança dele, o que você esperava?".
"Ei, isso dói!".
"Mas é real, você contou uma intimidade sobre seu amigo. Ele confiou em você".
Wilson sentiu-se muito mal. "E você traiu minha confiança!".
"É completamente diferente".
"Não, não é!".
"Eu não te prometi nada".
"Você disse que não falaria sobre isso...".
"Eu nem queria ter sabido sobre isso, se você não tivesse me dito eu jamais saberia e isso tudo não teria acontecido".
"A culpa é minha agora?".
"Basicamente".
"Porra! Isso não é justo!".
"O mundo não é justo!".
"Você aprendeu muito com House enquanto namoravam".
Cuddy levou as mãos ao rosto ignorando Wilson, mas pensando sobre os próximo passos. "Eu tenho que falar com ele".
"Ele não vai querer falar com você".
"Eu sou a chefa dele, ele tem que falar comigo goste ou não".
E ela levantou-se, ajustou a saia e caminhou até a porta ignorando que acabara de deixar Wilson lá sozinho. Seu foco era outro, e ela estava insegura.
Cuddy praticamente marchou para a sala dele, a cabeça estava firme no propósito, mas o coração fraquejava. Lisa Cuddy engoliu qualquer sentimento e seguiu em sua postura autoritária, aquela que House sempre achou tão sexy.
"House".
Ele a olhou por inteiro. Ele não queria vê-la, não hoje... mas ela estava muito linda.
O time saiu correndo, exceto Chase que continuou parado observando a cena.
"Dr. Chase pode nos dar privacidade, por favor?".
"Oh, sim. Claro". Ele respondeu encabulado levantando-se.
"Ele deve se masturbar pensando em nós". House comentou assim que Chase saiu.
Cuddy ignorou o comentário. "Onde você esteve?".
Ele riu. "Sério isso?".
"Você trabalha para esse hospital, você desapareceu. Isso é digno de demissão".
"Oh sim, chefa. Então me demita!". Ele a provocou.
"Talvez fosse mais fácil pra nossa situação".
"Claro que sim, mande embora a fonte de seus desejos. Resolvido. Reprimido".
"House, nós temos que aprender a lidar com tudo".
"Se você for me demitir faça isso logo. Vamos!".
Ela o encarou, ela queria ter coragem, ela devia ter coragem.
"Senão for fazer isso... você pode evitar esse andar?". Ele disse a deixando surpresa e confusa.
"O quê?".
"Ou pelo menos alguns metros próximo a essa sala... você pode evitar?".
"Você está me colocando uma ordem de restrição?".
"Eu estou pedindo".
E ele pareceu tão sensível de repente. Era impressionante como as coisas que ela sentia por esse homem mudavam a cada segundo. Ódio, amor, desejo, paixão, raiva, indignação, preocupação, ciúme…
"Eu não posso evitar, é meu hospital". Ela respondeu sem pensar.
"Então teremos que evitar contato visual e conversas sem propósito, como essa".
"Não é sem propósito. Você desapareceu e deixou o hospital sem notícias".
"Desconte de minha folha de pagamento".
"Isso não resolve".
"Então me demita, sei lá. O que te faça sentir-se melhor. Eu cansei disso". Ele levantou-se mais rápido do que ela poderia imagina e saiu da sala a deixando pra trás. Sozinha.
Cuddy ficou chocada, estagnada ali por alguns minutos. Ela tinha ensaiado no caminho para a sala dele todas as possíveis direções que aquilo poderia tomar, mas ela não esperava por isso.
No dia seguinte Wilson soube sobre parte da conversa entre Cuddy e House e tentou se aproximar novamente.
"Hei, eu trouxe hambúrguer".
"Eu não quero".
"House, temos que superar o que houve".
"Sua boca grande, você quer dizer?".
"Me desculpe por isso, eu realmente fui um idiota".
"Ah com certeza".
"Eu falei sem pensar".
House não respondeu.
"Eu fico indignado com vocês dois. Você e Cuddy são insanos, me deixam insano também".
"Quer que eu te peça desculpas por você fofocar sobre minha intimidade com ninguém menos do que com minha ex-namorada?".
"Não… eu… desculpe".
House olhou para o lanche de hambúrguer na mão do amigo. "Tem picles?".
"Sem picles".
"Sabe que você terá que me comprar muitos desses para compensar".
"Ok". Ele estendeu a mão e entregou o lanche para o amigo.
"Um ano de almoço pago por você".
"Um ano?".
"É justo!".
"Ok". Wilson pensou… ele já pagava pelo almoço do amigo quase todos os dias mesmo. "Agora… onde você esteve todos esses dias?".
"Pra saber sobre isso você teria que pagar a janta também".
"Ah… vá se foder!".
E eles riram.
"Rachel está na sala". Cuddy reclamou.
"Assistindo desenho na televisão". A voz masculina argumentou.
"Controle-se!". Ela sorria enquanto ele beijava seu pescoço.
"Eu disse que te amo?".
"Hoje você bateu o recorde em dizer isso".
Ele a ignorou e continuou beijando sua boca, pescoço e apalpando seu seio.
"House!".
"Ela está concentrada na televisão e eu senti sua falta o dia inteiro".
"Eu também".
Naquela manhã eles tinham tido um sexo alucinante e ficaram saudosos e excitados o resto do dia.
"Eu te amo muito! Mas precisamos esperar Rachel dormir".
Ela se desvencilhou e tentou se recompor.
...
"Dra. Cuddy?".
Ela deu um pulo na cadeira.
"Dr. Jason, você me assustou". Cuddy tentou se recompor. Ela estava lembrando desse dia com saudades quando o médico adentrou sua sala.
Cuddy começou a fazer terapia na semana anterior e a primeira sessão foi praticamente toda sobre House, ela estava pensativa, tudo estava muito vivo e dolorido nos últimos dias. Ela estava tocando em uma ferida ainda muito aberta, e, por mais que tentasse mostrar normalidade, no fundo de sua alma ela estava sofrendo muito. E Rachel também. A menina perguntava sobre House todos os dias. O desenhava, o imitava. Cuddy até havia cogitado levá-la para vê-lo quando ainda trocavam palavras, mas não agora... não tinha sentido nenhum já que ela e House não tinham nenhum tipo de comunicação. Era dolorido ver sua filha tão jovem com o coração quebrado. Então Cuddy prometeu para si mesma que não levaria outro homem para dentro de sua casa tão cedo, não até Rachel ter discernimento.
...
Ainda naquela semana House contou para Wilson que havia estado com Bella.
"Você não pode brincar com ela assim?".
"Oh, acredite em mim... Ela gosta que eu brinque com ela".
"Você entendeu o que eu disse".
"Eu não estou brincando, eu fui lá e ficamos juntos e somos dois adultos".
"Tenha responsabilidade emocional com outra pessoa".
"Oh, falou o senhor responsável emocionalmente".
"Eu não transo com ninguém por transar".
"Eu tenho que te lembrar de alguns pacientes que você confundiu com uma foda grátis e fácil?".
"Não foi bem assim...".
"Claro que não".
"Eu nunca fiquei com um paciente pra ter facilidades...".
"Você nunca deveria ter ficado com pacientes e ponto".
Os dois ficaram calados. Wilson irritado e House contrariado.
"Você disse pra ela que não quer um relacionamento?". Wilson quebrou o gelo.
"Ela não me perguntou".
"Eu não faço isso".
"Porque você sempre quer um relacionamento. E se casar pra depois divorciar. Você tem uma patologia, Wilson".
A conversa não foi produtiva.
Cuddy e House praticamente não tinham mais nenhum tipo de contato. Mas três dias depois o destino os surpreendeu grandemente.
Continua...
O que será?
