Como o capítulo anterior foi curtinho, estou me antecipando em postar um novo capítulo já. Espero que gostem e que comentem.
Capítulo 6 – Toma teu filho!
Três dias depois uma mulher muito magra que com um lenço envolvendo a cabeça bateu à porta do escritório de House.
"A oncologia não fica aqui". Ele respondeu de maneira rude.
"Gregory House, estou tão mal assim que não me reconhece mais". A voz que ele ouviu o fez olhar rapidamente para cima, era uma voz carregada de sotaque. Era...
"Lydia?".
"O susto foi por me ver aqui ou por me ver aqui... assim?".
"Você está bem?". Ele perguntou atordoado.
"Obviamente não".
"O que houve?".
"Mama. Mas descobri tarde, já está com metástase em toda parte".
"Eu... sinto muito". Ele não sabia o que dizer.
"Eu já estou me desapegando de tudo. Encerramos há duas semanas as quimioterapias, eu quero partir em paz".
"Você desistiu?".
Ela respirou fundo. "Você sabe que não há muito a fazer".
"Wilson, meu amigo, é oncologista nesse hospital. Ele pode dar uma olhada...".
"Não! Chega de exames e de médicos. Eu quero resolver as pendências e terminar minha vida sem agulhas enfiadas pelo meu corpo".
House entendia e respeitava a opção dela, mas ainda estava difícil imagina Lydia morrendo. E mais difícil ainda imaginar o que ela fazia lá se não estava em busca de um médico.
"Eu não tenho muito tempo, então preciso falar com você sobre algo sério".
"Você me transmitiu AIDS?". Ele tentou descontrair, mas ela permaneceu séria.
"Você me transmitiu um espermatozoide que fecundou um óvulo meu".
"O quê?". Ele perguntou confuso.
"Exatamente o que você ouviu". Ela se sentou na cadeira em frente à ele.
House ainda estava zonzo com tudo aquilo.
"Quando fizemos sexo eu engravidei". Ela tentou explicar mais claramente tendo em vista a confusão no rosto do homem.
"O quê?".
"Eu descobri no mês seguinte, mas estava com meu marido e achei melhor deixar as coisas como estavam...".
"O quê?". Era só isso o que ele repetia.
"Nós nos afastamos. Foi lindo o que compartilhamos. Mas foi uma única vez. Eu tinha uma vida. Uma família. Outros filhos".
"Lydia, você quer me dizer que tem um filho meu?".
"Karl".
"É um menino? Karl Marx?".
"Não... só Karl".
Ele ficou mudo.
"Eu sei que é insano eu chegar aqui com esse lenço na cabeça te dizendo que você tem um filho de dois anos de idade".
"Não, isso me acontece todos os dias...". Ele estava branco.
"Antes que me pergunte como sei que o filho é seu... Eu não fiz sexo com mais ninguém naquele período, nem com meu marido, as coisas não estavam boas entre nós naquela época, você deve se lembrar... E até mesmo ele percebeu isso enquanto Karl crescia. Ele é diferente dos irmãos. Ele tem cabelos loiros, lindos olhos azuis e... ele já estava desconfiado pelas datas... não pude evitar que ele percebesse a verdade. Faz seis meses que nos divorciamos oficialmente".
House imaginou que ela passava pela luta contra o câncer juntamente enquanto enfrentava as torturas de um divórcio, mas nesse momento a última coisa que ele sentia por ela era compaixão. Ele estava indignado. Perturbado.
"Você escondeu isso de mim e agora vem me entregar o menino porque está morrendo?". Ele não mediu as palavras.
Ela respirou fundo. "De forma objetiva e pratica: Sim. É isso mesmo!".
"Apesar de Karl ter olhos azuis e cabelos loiros brilhantes, eu não posso ter certeza". Ele a atacou. "Poderia ser de Chase...".
"Quem é Chase?". Ela perguntou confusa.
"Esquece... mas eu não posso assumir algo que...".
"Claro que não, eu entendo. E estou disposta a provar pra você com um teste de DNA. Mas quando o vir, saberá que ele é seu. É inegável".
"Só a genética me provará".
"Tudo bem. Podemos agendar o teste onde você quiser".
"Consegue trazê-lo aqui essa semana?".
"Aqui?".
"É um hospital. Eu sou um médico. Temos agulhas e laboratórios".
"Tudo bem".
"Ok".
"Trago ele amanhã, tudo bem?".
"Chego aqui depois das dez horas".
"Tudo bem".
"E... não é porque você está morrendo que não vou dizer isso. Não está tudo bem com o que você fez".
"Eu sei. Eu tenho me culpado todas as noites desde que Karl nasceu. Eu preciso reparar esse erro com vocês dois antes de partir".
"E se o seu marido ainda estivesse com você? Você faria o mesmo?".
"Eu terminei o relacionamento. Então sim. Eu faria o mesmo provavelmente".
Ele nada respondeu.
"Eu sinto muito. Deveria ter feito as coisas diferente".
"Que bom que reconhece isso antes de partir e queimar no fogo do inferno". Ele foi rude.
"Ok... eu mereço essa".
House respirou fundo.
"Eu sinto muito, novamente...". E ela se foi deixando House extremamente perturbado para trás.
As próximas horas foram um apagão. Ele não se lembra de seu time entrando na sala, saindo da sala... Ele respondeu tudo por osmose e pensou que o melhor a fazer era sumir. Se afastar. Caso contrário o paciente poderia colher as consequências pelo seu estado mental alterado. Qual seria a alternativa? O conforto do telhado, velho conhecido.
House estava lá por uma hora? Duas? Quatro? Difícil saber. Quando Cuddy abriu a porta.
"Você está aí. Claro que sim!".
Ele não respondeu.
"Seu time está te procurando por toda parte. Os seguranças estão te procurando por toda parte".
"Eu preciso de um tempo".
"O hospital te paga para que você trabalhe, não para que fique analisando a arquitetura do telhado de Princeton".
"Eu estou com problemas".
"Sério? Você vai fazer isso ser sobre mim e você outra vez?".
"Não Cuddy!", ele gritou. "Nem tudo é sobre o seu traseiro enorme ou como você deu um pontapé no meu".
Ela se assustou. "Você está drogado?".
Ele bufou. "Me deixe em paz".
"Eu preciso saber, afinal, você é um médico desse hospital".
"Por mais que você esteja só preocupada com o seu hospital, eu preciso de um tempo".
Já havia virado uma discussão.
"Olhe pra mim! Deixe-me ver suas pupilas".
De repente ele usou os dedos para arregalar os olhos e mostrar pra ela bem de perto. Tanto que Cuddy sentiu seu hálito enquanto ele falava.
"Veja! Eu não estou drogado. Posso ficar sozinho agora?".
Algo sério realmente estava acontecendo. House podia ser sarcástico, frio e calculista em muitos momentos, mas não isso.
"Ok. Vou te dar mais alguns minutos para que se controle e volte a sua razão".
"Obrigada chefa!".
Saindo de lá Cuddy foi correndo procurar por Wilson.
"Algo sério aconteceu". E ela relatou o ocorrido.
"Isso pode ser House com dor e sem querer falar com você". Wilson tentou minimizar.
"Não é isso. Eu o conheço".
"Você quer que eu suba até o telhado pra falar com ele em um dia que estou cheio de consultas?".
"Por favor!".
Wilson ia reclamar, mas não fez porque ele também estava curioso. Quinze minutos depois ele abria a porta que dava acesso ao telhado.
"Pelo amor de Deus!". House reclamou quando ouviu o barulho.
"Se você ao menos acreditasse Nele…".
"O quê?". House perguntou irritado.
"Acreditasse em Deus. Nele...". Wilson explicou.
"Diga pra Cuddy que eu estou bem. Não estou drogado ou suicida e não vou matar nenhum paciente".
"O que houve?".
"Eu estou em busca de privacidade".
"Isso não é como você…".
"Eu sou a pessoa que mais gosta de estar só e isolado".
"Você só vem até aqui quando está com problemas".
Na verdade House não sabia nem o que sentir sobre o suposto filho. Ele sempre foi cuidadoso, ok… houve uma ou outra ocasião, principalmente no namoro com Cuddy, mas isso nunca havia gerado "consequências", no mais ele tinha certeza de que Lydia usava algum método anticoncepcional já que ela era casada. Então ele estava trabalhando com a possibilidade de Lydia estar um pouco fora de si por conta da situação. Era uma esperança. Afinal, um filho era tudo o que ele não precisava agora. Um filho sem mãe, já que Lydia estava com os dias contados. De repente seu estômago doeu. Lydia morrendo e um garotinho com dois anos de idade sob sua inteira responsabilidade?
"House… House… você está aí?"
A voz era de Wilson.
"O que está acontecendo? Você está bem?".
"Não Wilson. Eu não estou bem".
"Cuddy?".
Ele bufou. "Nem tudo se resume a Cuddy".
"O que houve então?".
"Você se lembra de Lydia?".
"A mulher com quem você alega ter transado enquanto estava se desintoxicando?". Wilson perguntou com desdém. Ele nunca acreditou nessa história.
"Tanto é real que ela veio aqui hoje".
"Aqui no hospital?".
"Ela está morrendo".
"O quê? Por quê?".
"Câncer".
Wilson balançou a cabeça em descrença. "Você usou alguma coisa?".
"É verdade". House quase gritou irritado.
"House, você usou alguma coisa?". Wilson repetiu a pergunta.
"Eu não estou drogado e não inventei Lydia. Tanto que ela diz que eu sou pai do seu filho".
Wilson riu alto. "Ok, você precisa falar a verdade. Ninguém vai te julgar. Recaídas acontecem".
"Karl o nome do menino. Ele tem dois anos e virá amanhã para fazer um teste de DNA".
Wilson franziu a testa. "Você está me dizendo que teve um filho com ela?".
"Foi ela quem disse, não eu". E ele contou toda história.
"Se isso for real…".
"Lydia é real".
"Você será um pai solteiro".
"Eu nem quero ser um pai casado, ou namorando, ou com qualquer que seja o status".
"Mas terá que deixar os irmãos conviverem com seu filho, ela tem outros filhos, não?".
"Ok, eu não tenho um filho e você está indo longe demais".
"Até o teste de DNA não, mas depois… quem sabe?".
"Você nem acreditava que Lydia existia, agora acredita até no filho que ela diz ser meu".
"Uma mulher no leito de morte não mente".
"Oh, disso você entende". House atacou se referindo aos inúmeros pacientes oncológicos que falecem diariamente.
...
Enquanto isso Cuddy havia ido almoçar em um restaurante próximo ao hospital. Ela encontraria sua amiga e médica do Hospital Nova Jersey, Helena.
"Você realmente terminou com House?".
Ela sorriu triste. "Sim. Estamos separados".
"Poxa… você estava feliz. Quero dizer… na cama e fora dela".
A mulher era sempre direta, mas Cuddy divertia-se com ela. "Na cama não tenho reclamações… mas infelizmente isso não é tudo".
"Um pênis grande não pode ser tudo…". Helena complementou divertida.
"E um grande e grosso?". Cuddy entrou na brincadeira.
"Aí você me passa o telefone dele. Agora!".
"Helena!".
Elas riram. "Mas vocês não terminaram? Estou na fila".
Aquilo incomodou Cuddy, não deveria, mas mexeu com ela. Ela ainda tinha ciúme de House, e sentia muita falta física dele. Muita.
"Então você não sente a falta dele só na cama?".
"Claro que não. Ele sempre foi carinhoso, apesar de parecer improvável". Cuddy deu uma risada triste.
"Não acho que pareça improvável".
Cuddy se deixou levar pelas lembranças dos bons momento juntos. Quando ela estava com House sentia-se completa. Tinha atração física em um nível adolescente, fazia sexo satisfatório sempre, sentia-se viva, desejada, mais mulher do que com nenhum parceiro. Além disso, era muito bom só estar ao lado dele assistindo a um filme, ou conversando, ele a fazia rir e a pensar fora da caixa como ninguém jamais fez. Mas aí o garçom se aproximou e interrompeu as memórias.
Quando retornou do almoço ela procurou Wilson imediatamente. "E aí?".
"Eu não deveria te contar".
"Ele se drogou?".
"Não".
"Então?".
"Promete que não conta pra ele?".
"Wilson você está me assustando".
E Wilson contou toda a história.
Cuddy ficou rosa, vermelha, furiosa.
"Lisa, por favor. Não diga nada".
Mas ela não registrou nadinha, quinze minutos depois estava na sala de House.
"Vocês podem dar uma volta, eu preciso conversar com ele". Ela dispensou o time de House.
"Temos um paciente". Taub contestou.
"Tenho certeza de que não está morrendo já que House ficou horas no telhado".
O time saiu rapidamente, exceto Taub que precisou ser arrastado pra fora.
"Você me traiu!".
"O quê?". Ele perguntou confuso.
"Você teve um filho com outra mulher?".
House girou os olhos irritado. "Eu mato Wilson!".
"Eu o coagi pra me dizer".
"Tenho certeza de que não precisou de muito esforço".
Era verdade.
"Não fuja do assunto".
"Eu não sei se é meu filho ainda. E eu não te traí. O menino tem dois anos. Faça as contas".
"Você dormiu com alguém enquanto estava internado?". Cuddy fez cara de nojo.
"Não sabia que era proibido".
"Uma parente de paciente. Casada".
"Vejo que Wilson passou a ficha toda".
"Como você fez isso? Nunca me contou".
"Oh sim, porque você me falou sobre todos os seus casos".
"É diferente".
"Ok". House não queria discutir com Cuddy, não nesse momento. Não mais.
"Você não usou preservativos... fez sexo comigo depois".
"Eu faço exames regulares e não tenho nenhuma doença venérea".
"Como você criará um filho sozinho?".
"Em primeiro lugar eu nem sei se é meu filho mesmo".
"Ela não viria aqui se não tivesse certeza".
"Oh diga isso aos milhões de testes de DNA negativos".
"Você é… irresponsável!". Cuddy estava muito mais brava do que pensou que estivesse. Ela tremia. Ela estava corada. Ela começou a chorar.
"Você está chorando?".
"Pela sua irresponsabilidade e porque você não consegue deixar seu pênis dentro das calças.". E ela saiu correndo de lá em direção ao banheiro.
House ficou perturbado. O que isso queria dizer?
Continua...
Aguentem firmes porque pedras no caminho virão, mas elas são necessárias para as construções... Confiem. ;)
