Senti que os últimos capítulos chocaram vocês. Não se preocupem, lembrem-se de que avisei antes de iniciar que teríamos muitos acontecimentos? Pois é... Afinal Huddy não vem fácil.
Aproveitem o passeio! (nem sempre por águas tranquilas).
Capítulo 7 – Pela classe operária!
Cuddy estava se sentindo enjoada e irritada consigo mesma. Por que ela não conseguia se controlar quando o assunto era House? Ela não queria ter se descontrolado. Não queria ter gritado com ele. Não queria ter chorado. Esses pensamentos não a estavam ajudando, ela continuava tremendo e chorando. Por que ela estava tão irritada? Obviamente se ela fizesse às contas a gravidez dessa mulher não aconteceu quando estavam juntos, ela não tinha nenhuma razão para duvidar de House quando estavam juntos, eles estavam apaixonados, ele era um cara fiel. Mas a concepção ocorreu quando ele estava internado em uma clínica psiquiátrica depois de alucinar sobre sexo com ela, e isso parecia uma traição de alguma forma. Como ele foi tão louco e fez sexo com alguém desconhecido sem preservativos? Depois disso... algum tempo depois, eles fizeram sexo sem proteção. Ok, eles eram testados o tempo todo, mas isso era uma falta de respeito não era? Ela tentava entender o que sentia enquanto convulsionava em prantos incontroláveis.
Em seguida veio à sua mente que, durante esse período de internação de House e da possível concepção desse bebê, ela começara a sair com Lucas. Ela sentiu-se enjoar ainda mais. Ela pensava na traição de House, mas e ela?
Outro pensamento que surgiu aleatório: E se eles estivessem ainda juntos quando chegou essa mulher falando de um filho de House? O relacionamento deles era forte o bastante para resistir a isso? Por um momento ela tentou se convencer de que era melhor terem realmente terminado. De que a males que vem para o bem.
Mas por alguma razão ela continuava chorando...
...
House ficou atordoado em sua sala sem reação. Wilson apareceu logo em seguida.
"Cuddy esteve aqui?".
"Vocês não têm uma vida própria para focar e parar de cuidar da minha?". House perguntou irritado.
"Desculpe, eu não queria dizer nada a ela".
"Você é um idiota!".
"Você não me pediu segredo".
"E precisa?".
"Tecnicamente…".
"Quando um amigo fala algo assim para o outro amigo, ele não imagina que o amigo em questão vai falar tudo para sua ex-namorada. Está anotado no código de ética dos amigos".
"Acontece que sua ex-namorada é a nossa chefe".
"Ainda pior! Aí que você não deve falar nada!".
"Desculpe por isso…".
"Eu nem sei se ele é meu filho e já tenho que aguentar Cuddy louca gritando que nem uma hiena".
"Ela ficou brava com você?".
"Disse que eu deveria manter meu pau nas calças".
"Ela disse isso?".
"E começou a tremer e a chorar dizendo que eu a traí".
"Oh Deus!".
"'Oh Deus' digo eu!".
"Não deve ter sido fácil pra ela".
"E pra mim? E isso não é sobre ela. É sobre minha vida. Meus genes".
"Você jogou isso na cara dela?".
"Ei… nem tudo é sobre Cuddy! Quantas vezes terei que dizer?".
"Pensa… ela não pode engravidar. Tentou por anos… e você chega com um filho de dois anos".
"Suposto filho. E isso não é sobre ela, mais uma vez".
"Mas é inevitável!".
"E eu não a traí".
"Ela sente assim, afinal, quando você estava em Mayfield ela ficou destruída".
"Tanto que começou a namorar Lucas".
"Por isso mesmo…".
"Você está dizendo que Lucas foi uma ação de desespero?".
"Mais ou menos isso…".
"Faz sentido". Ele respondeu polindo sua própria vaidade.
Wilson balançou a cabeça. "Vocês dois são dois fodidos!".
"Quer mesmo que eu fale sobre você?".
"Não… quer almoçar?".
"São quatro horas".
"Eu ainda não almocei".
"Eu comi alguma coisa… mas se você vai pagar eu posso comer alguma coisa outra vez".
"Você seria uma vagabunda por comida".
"Pelo menos seria honesta!".
Wilson riu e eles foram.
Aquela noite nem House e nem Cuddy conseguiram dormir. Ele pela ansiedade, afinal, no dia seguinte ele veria o possível filho e faria o teste que mudaria sua vida. No mais, ele evitou pensar em Cuddy já que não estavam mais juntos, essa situação seria um transtorno caso ainda fossem um casal, mas não era o caso. Pelo menos disso ele se livrara, pensou aliviado.
Já Cuddy conversou com sua psicóloga e chegou à conclusão de que sentia muitas coisas com aquele acontecimento, entre eles: inveja, ciúmes. Mas era natural, eles romperam há pouco tempo e tanta coisa aconteceu. Ela passou pela tentativa frustrada de engravidar e ver House conseguir isso era doloroso. Ela precisava se afastar. Ela precisava de um tempo. Ela precisava lidar com seus sentimentos. Mas não era isso o que aconteceu, e às dez e meia da manhã. Ela e Wilson estavam escondidos atrás de um pilar quando Lydia chegou e se dirigiu até a sala de House.
A mulher entrou de mãos dadas com uma criança loira, bem loira.
"Ela é loira também?" Cuddy perguntou para Wilson, pois Lydia estava com um lenço em sua cabeça sem cabelos, resultado das sessões de quimioterapia que fizera.
"Não sei... não a conheço".
"House não te falou sobre ela?".
"Bem pouco".
Wilson disfarçou, pois eles conversaram mais profundamente sobre ela na época em que Cuddy estava com Lucas. House falou como foi importante que Lydia o valorizasse naquele momento, não exatamente com essas palavras, claro.
House estava distraído quando ele percebeu Lydia e um garotinho entrando em seu consultório. Por sorte o time dele estava ausente.
"Oi".
"Oi. Esse é Karl". A mulher apresentou o jovem menininho.
"Oi Karl". House se levantou com dificuldades, desde o dia anterior sua perna estava muito dolorida.
House olhou pra ele e sim, havia traços seus lá, mas não seria o suficiente para atestar a paternidade. O olho, o formato do rosto, mais ainda não suficiente para sua mente cientifica.
"Oi". O menino respondeu.
"Esse é Greg House, de quem te falei, filho".
"Médico?". O menino perguntou curioso.
"Sim, eu sou médico".
O menino ficou assustado. "Ele tem medo porque quando era bebê precisou de um tratamento de alergia e tomou algumas injeções".
"Ok, ótimo!". House pensou, já que teria que tirar sangue do garotinho para o teste.
"Mas agora ele está bem maior e mais forte, não é filho?". Lydia tentava acalmar.
Era uma situação toda estranha para House, por sorte uma criança de dois anos causa menos complexidade do que se tivesse doze anos, ele estava grato por não ser um suposto filho adolescente.
"Ok, eu vou te dar esse pirulito se você me deixar tirar só um pouquinho de sangue seu". Ele ofereceu e o menino ficou agitado.
"Que tal... dois pirulitos?".
O menino olhou com atenção para a bola sobre a mesa de House.
"Acho que ele prefere a bola". Lydia falou.
"Essa bola é minha e de estimação. Ela salva vidas!".
"Só empreste pra ele por alguns minutos". Lydia o repreendeu.
"Você quer a bola?".
"SIM!". O menino quase gritou.
"Ele ama bolas e esportes com bolas". Lydia informou.
"Até ele conhecer os carros...". House disse enquanto pegava a bola pra entregar para Karl.
O menino ficou entretido e nem percebeu quando House tirou seu sangue.
"Agora o nosso...".
"Eu também tenho que tirar sangue?". Lydia estranhou.
"A menos que ele seja filho da empregada doméstica...".
House tirou sangue de ambos. "Pronto! Vou levar para o laboratório e pedir agilidade".
"Pirulito!". O menino pediu.
"Você disse que não queria!".
Lydia riu.
"Ok". House deu o pirulito para o rapazinho.
"Dois!".
"Dois? Esse menino é perigoso!".
"Você ofereceu dois a ele". Lydia disse rindo.
"Antes dele pegar meus objetos pessoais".
"Ele não esquece!".
House balançou a cabeça e deu o outro pirulito para o menino.
"Minha bola!". House pediu.
O menino relutou, mas entregou.
"Obrigado". House agradeceu.
"Ok... me avise quando o exame sair? Embora eu já saiba o resultado". Lydia pediu. "Aqui meu telefone".
"Tudo bem".
Ela sorriu e chamou o filho pra irem.
"Ei... você está bem?". House perguntou antes dela sair.
"Sim! Feliz de tê-lo apresentado a você".
House respirou fundo quando eles saíram, pegou as amostras e saiu para deixar no laboratório.
Wilson e Cuddy, que estava ainda atrás do pilar, trataram de se esconder para que ele não os visse.
"Estamos meio ridículos aqui". Wilson falou.
"Shhhhhhhh... ele vai te ouvir!". Cuddy o repreendeu.
"Eu nem consegui olhar direito o rosto do menino".
"Nem eu... vou ver se as câmeras de segurança conseguiram capturar".
"Você vai pedir as câmeras de segurança para ver um possível filho de House?".
"E isso não é razão suficiente?".
"Pensando assim...".
"Eu tenho acesso às câmeras no meu laptop, não preciso pedir pra ninguém".
"Você tem acesso?", Wilson corou.
"O que você andou fazendo?". Cuddy perguntou desconfiada.
"Eu? Nada! Mais como você e House no banheiro... ele me disse...".
Cuddy corou. "Isso não foi bem assim".
"Quando vocês namoravam vocês fizeram isso aqui no hospital que eu sei".
"Isso não lhe diz respeito".
"Você apagou as imagens? Já que House não conseguia manter o pau dentro das calças".
Ela olhou chocada pra Wilson.
"Não foi o que você disse pra ele quando descobriu sobre esse menino?".
"Eu não falei isso".
"Não mesmo?".
"Não... assim...".
"Pois é... Quando é com outra mulher é diferente...".
Cuddy estava corada e irritada. "Eu preciso ir!". E ela saiu rapidamente daquele momento constrangedor.
House deixou as coletas no laboratório e pediu agilidade, o prazo usual era de dez dias, mas eles liberariam o teste naquela semana. Ele só precisaria esperar. Esperar... A maior tortura.
Durante o almoço daquele dia Wilson fingiu inocência e ignorância.
"Lydia veio?".
"Me impressiona você não ter ficado plantado na porta da minha sala".
Ele corou.
"Eu sabia!".
"O quê?".
"Você estava escondido!".
"Não… eu estava trabalhando".
"Ah Wilson…".
"Eu não estava na porta da sua sala".
"Que cor é o cabelo do menino?".
"Eu não sei…".
"Vamos Wilson…".
"Ok, eu posso tê-lo visto passar rapidamente".
"Filho da puta!".
"Mas Cuddy tem todas as imagens das câmeras de segurança pra ela".
"Sim, eu sei".
"Você sabia?".
"Claro que sim. E sei a senha de acesso também".
"Você sabe?".
"Wilson, não me subestime".
"O menino é muito loiro!".
"Não tão loiro…".
"Ele não é albino, você quer dizer".
House não respondeu.
"Como ele é?". Wilson perguntou curioso.
"Como um menino de dois anos".
"O que você sentiu?".
"Eu me emocionei e senti algo que nunca havia sentido antes".
"Sério?".
"Claro que não. Eu não senti nada, nem sei se ele é meu filho mesmo".
"Ele se parece com você? Sentiu algum vínculo?".
"Tipo meus genes chamando?".
"Algo assim".
"Não. Isso é bobagem".
Wilson balançou a cabeça. "Você não quer admitir".
"Eu não quero mais falar sobre isso".
"Até quando?".
"Até o exame sair".
"Depois você sabe que terá que falar sobre isso".
"Não sei, depende… Você come brócolis como um dinossauro". House mudou de assunto e Wilson entendeu a dica.
...
A semana custou a passar. Cuddy observava de longe, ela procurou imagens das câmeras de segurança e em algumas até era possível ver melhor o garotinho, mas não tão nitidamente. Ela estava ansiosa, muito ansiosa e não sabia exatamente a razão. Mas House era sempre o tema principal de suas sessões de psicologia. Sua terapeuta dizia que ela tinha sentimentos mal resolvidos, que o término fora precipitado e Cuddy começava a se convencer disso. Mas nada mais podia ser feito. Era passado.
House estava inquieto. Durante as madrugadas algumas imagens de Karl vinham a sua mente. Seus olhos muito parecidos com os seus. O formato de sua mandíbula. Mas isso era bobagem, ele podia estar influenciado pela situação toda. No mais, amanhã era o dia do resultado estar liberado, ele havia combinado com Lydia. Ela iria ao hospital às dez horas, eles abririam o laudo juntos. Não era o que House queria, ele preferia saber sozinho e antes de todo mundo, mas ele imaginou que ela poderia alegar adulteração no exame se ele fizesse isso e o resultado fosse negativo.
No dia seguinte ele chegou mais cedo do que o habitual. Cuddy e Wilson estranharam ele chegar antes, mas associaram a ansiedade natural.
"Você acha que vai ser positivo?".
"Sim". Ele respondeu.
"Por quê?". Algo doía em Cuddy quando ela pensava que House poderia ser o pai do filho de alguém que não o dela.
"A mulher é terminal. Ela não mentiria sobre isso".
"Mas ela era casada".
"Mais uma razão".
Cuddy ficou sem entender.
"Sexo no casamento pode ser quase aleatório". Wilson explicou.
"Não se o casamento é saudável".
"Não existe isso".
"Uau você parece House com o agravante de ter se casado algumas vezes".
"Eu não quero ser pessimista, mas se o casamento fosse tão bom ela não teria dormido com um paciente em uma clínica de reabilitação".
Cuddy pensou que ele tinha um argumento, mas ainda assim ela pode ter se deixado levar pelo momento. Cuddy não fazia ideia da história dos dois.
"Pode ter sido só sexo".
"Eles se conectaram de uma maneira mais profunda".
"Sério?". Cuddy estava chorando por dentro.
"Quer dizer… pelo pouco que eu sei". Wilson tentou contornar a situação.
"Eles se apaixonaram?".
"Paixão é uma palavra muito forte".
"Ele estava se desintoxicando".
"Exatamente por isso as coisas ficam loucas e mais intensas. Mas não acho que tenha sido paixão, só algo de momento".
"Mas você acabou de dizer…".
"Cuddy eu sei pouco sobre isso. O que importa é que ela está com câncer terminal e há uma criança de dois anos a procura do pai. Essa criança logo estará sem a mãe".
O coração de Cuddy apertou e ela se sentiu tão mesquinha.
"Bom ponto".
Eles só não sabiam como House seria como pai, mas descobririam em breve. Ou não…
...
Quando Lydia chegou, House estava tão ansioso como não se sentia há tempos.
"Você demorou".
"Dez horas!".
"Dez e dez!".
Ela riu. "Desculpe pelos dez minutos. Me atrasei porque hoje acordei indisposta".
"Ok, você está melhor?".
"Na medida do possível. Vamos abrir o exame logo ou você quer conversar antes?".
"Sobre quais fraldas são as preferidas de Karl?".
"Ele não usa mais fraldas".
"Vamos abrir logo!".
"De acordo".
House abriu o documento com muita destreza. Respirou fundo e olhou meticulosamente. Levou pelo menos três minutos examinando o documento e depois respirou fundo e entregou o papel pra Lydia.
"Pode resumir pra mim?".
"Aqui diz que a probabilidade de paternidade é superior a 99,99%".
"Isso é positivo, certo?".
"Mais positivo do que quase todas as certeza da vida". House respondeu.
Ela sorriu. "Que bom!".
"Você acha mesmo bom? Um cara como eu pai do seu filho?".
"Você é uma pessoa boa".
"Ok…".
"Eu sei que Karl estará muito bem quando eu me for".
"Lydia… eu não sou figura paterna. E o seu ex-marido? E os irmãos de Karl?".
"Certamente você terá que permitir o convívio dos irmãos, meu ex-marido não… ele ficará com os outros, mas Karl deve ficar com você que é o pai dele".
"Você deveria reavaliar sua condição médica. Talvez Wilson te ajude".
"Eu agradeço, mas não. Eu quero viver o resto dos meus dias aproveitando cada minuto e acho que deveríamos ajeitar os papeis de Karl e você precisa conhecê-lo melhor. Ele precisa te conhecer também".
"Simples assim?".
"Karl tem dois anos. É relativamente simples. Vou te enviar fotografias dele. Vídeos… tudo sobre ele desde que ele nasceu. Vou falar com meu advogado".
"Você tem tudo esquematizado?".
"Eu preciso ter!".
"Lydia… você não está triste? Depressiva?". Ele estranhou.
"E de que me adiantaria estar?".
Quando Lydia saiu, House ficou tentando entender que era um pai de alguém. Era como se ele tivesse parido um bebê sem o tempo de gestação. Ele ganhou um filho instantaneamente. Era muito.
"E aí?". Wilson entrou assim que Lydia saiu.
"Positivo".
"Uau! Você é pai!".
"Eu não sou pai, eu tenho cinquenta por cento de meus genes andando por aí dentro de outro ser humano".
"Você é pai!". Wilson ignorou a explicação dele.
"Eu nem sei como é ser isso…".
"Você vai aprender".
"Essa criança vai ficar sem mãe e terá eu como pai. Quão grave você pensa que é isso?".
"Muito grave".
"Exatamente. Eu posso criar um psicopata".
"Oh pelo amor de Deus!".
House contou sobre os planos de Lydia.
"Eu acho ela sensata".
"Quanto tempo de vida você acha que ela tem?".
"Não vi os exames, difícil dizer. Mas no grau que você me disse… talvez três meses".
"Três meses?". O pânico se instalou de vez nele.
"Um pouco mais… um pouco menos… Mas uns três meses até ficar bem ruim".
"Três meses pra eu me tornar um pai pra algum garoto?".
"Três meses é muito para alguns animais… você sabe…".
"Vai se foder!".
E Wilson riu. "Você é um pai!".
"Karl Marx é meu filho!". House zombou.
"Sua cara ser pai de um Marxista".
"Tudo pela classe operária!". House zombou.
"Você é um pai!".
"É bem o que vou dizer pra ele: Eu sou seu pai". House imitou Darth Vader.
Wilson riu.
Continua...
