Não é fácil a vida desse casal. Mas tenhamos fé e esperança de que eles eventualmente estarão na mesma sintonia.

O que será que os levará para esse lugar? Karl? Rachel? Wilson? Arlene? O hospital? Ciúme? Carência? Ou uma pitada de cada coisa? O tempo faz magia na vida e não será diferente aqui na ficção. Aguentem firmes daí!


Capítulo 9 – Domingo no parque

House passou o final de semana se sentindo um lixo. Cuddy o rejeitara outra vez. Ela o desejava, não havia dúvidas sobre isso, mas só para sexo? Ele não servia para ser o namorado dela, ou desfilar com ela, ou compartilhar a vida com ela? Surpreendentemente o que o animou foi levar Karl ao parque junto com Lydia. O garotinho tinha uma vivacidade que o contagiou.

"Ele gosta de você".

"Porque eu dei um vídeo game pra ele". House respondeu cético.

Lydia riu. "Ele não larga aquele vídeo game, mas não só isso. Ele comentou muito sobre você durante a semana toda".

"O que, por exemplo?". House pensou que não se passavam muitas coisas na mente de um menino de dois anos.

"Como você fazia para jogar o chapéu do Mario Bros e matar o polvo, isso foi uma das coisas pelas quais ele ficou obcecado".

House riu.

"Também ficou fascinado com o fato de você ser alto".

"Ok". House respondeu meio encabulado.

"Ele está te tratando como se você fosse o Capitão América ou algo assim".

"Só se for o Capitão América velho e manco". House se depreciou.

"Ele disse que você é legal".

"Uau, que bom que uma criança de dois anos sente isso sobre mim".

"Melhor ainda quando é seu filho".

House engoliu seco.

De repente ele olhou para o lado e viu Cuddy e Rachel no balanço. Oh não... era o parque perto do hospital, aquele que Cuddy costumava levar Rachel. Ele nunca foi junto, também nunca se motivou a levar crianças para o parque, e Cuddy nunca o estimulou a se juntar a elas durante esses momentos.

De repente ele viu que ela o reconheceu. Cuddy o encarava com o semblante de pânico.

"House!". Rachel gritou e correu para ele.

"Ei pirata!". Ele respondeu sem jeito.

A menina se agarrou à perna boa de House assim que chegou até ele.

Lydia confusa ficou assistindo a tudo.

"Como você está?". Ele desconversou para ver se a menina o largava.

"Você foi embora!".

"Não… eu não me esqueci de você". Ele respondeu com sinceridade.

"Você não foi mais brincar comigo".

House sentiu seu coração doer.

"Eu lembro de você todos os dias".

"Você assiste aos desenhos?".

"Sempre que posso, sua velha pirata inútil!". Ela riu alto e então Cuddy se aproximou.

"Filha, mamãe já te explicou, não corra para longe de mim. Bom dia!". Ela disse para House e Lydia tentando demonstrar naturalidade.

"Quem é ele?". Rachel apontou para o menino.

"Esse é Karl". House falou.

O menino se aproximou. "Karl, essa é Rachel. Ela é a menina mais legal de Nova Jersey". House disse. E Cuddy se surpreendeu com aquele comentário.

"Oi!". Os dois acenaram.

"Oi Karl!". Cuddy disse notando as semelhanças do pequeno com House.

"Essa é Cuddy, ela é a mãe de Rachel e trabalha no hospital". House explicou mais para Lydia do que para o garotinho.

"Muito prazer!". Lydia estendeu a mão e Cuddy queria correr dali. Afinal, desde o sexo com House ela não parou de pensar nele, de sentir a falta dele, de questionar sua decisão em terminar tudo, e sua decisão de deixar-se levar pelo instinto e transar com ele. Ela reviveu aquele momento na sua mente não uma, mas dez vezes. Ela estava confusa e irritada consigo mesma. Além disso, ele esteve em um encontro com uma mulher no dia anterior ao sexo que fizeram, e um detalhe a marcou profundamente, e ela até sonhou com isso: a maneira com que a mulher pegava a mão dele e o puxava, isso demonstrava intimidade, não era qualquer coisa. E essa na frente dela agora era a mulher que transou com House e engravidou.

"Muito prazer, Lisa Cuddy". Ela estendeu a mão de volta. "E você Karl, você é muito bonito".

O menino corou. "Obrigado". Ele era educado, Cuddy pensou.

"Por que vocês não vão brincar um pouco?". Lydia sugeriu para as crianças e não precisou dizer duas vezes, a pureza e inocência das crianças prevaleceu, e eles logo foram brincar juntos sem ligar para a complexidade dos adultos.

"Bem… Lisa Cuddy é a diretora do hospital, certo?". Lydia perguntou.

"Mais como reitora de medicina". Ela explicou.

"Mas tenho certeza de que não é só essa a relação de vocês, a julgar pela reação de Rachel".

"O que quer que tínhamos agora já não existe mais. Só coleguismo de trabalho". House respondeu bruscamente.

Cuddy não sabia o que responder e corou.

Lydia notou que havia algo ali. Muito sentimento envolvido e mal resolvido.

"É uma pena. A menina obviamente sente sua falta e vocês dois formariam um belo casal".

Os dois coraram agora e nem se olharam para evitar mais constrangimento.

"Acho que você sabe a situação toda, certo?". Lydia perguntou para Cuddy.

"Você quer dizer… sobre House ser o pai de Karl?".

"Isso. E também que eu estou morrendo".

"Sinto muito". Ela respondeu.

"Obrigada". Ela queria deixar claro que não tinha nada com House e que logo estaria fora da vida dele.

"Se eu puder fazer algo pra ajudar no hospital… Temos excelentes médicos". Cuddy ofereceu.

"Ela não quer mais tratamentos". House explicou sem olhar para Cuddy.

"Não vai resolver. Então agora quero viver o tempo que me resta. Quantos anos tem Rachel?". Lydia perguntou tentando mudar de assunto.

"Quatro anos". Cuddy respondeu.

"Ela é linda!".

"Obrigada". Cuddy respondeu orgulhosa.

"Ela é muito inteligente também". House complementou para a surpresa de Cuddy. "Ela entende as coisas rapidamente e é esperta".

Cuddy ficou chocada.

"Você deve sentir falta dela como ela sente a sua". Lydia assumiu.

"Sim, eu sinto". Ele falou com sinceridade e Cuddy ficou ainda mais chocada com aquilo. House sentia falta da menina? Ele não convivia com Rachel apenas porque namoravam e era mandatório? Ok, ela sabia que os dois se davam bem de uma maneira infantil, mas ele sentia mesmo falta do convívio com a garotinha?

"Ei House, olha o que eu aprendi a fazer". A menina gritou se pendurando no brinquedo.

House sorriu e foi até lá. Era melhor estar com as crianças do que com os adultos e envolvido com aquela conversa desconfortável.

"Vocês tiveram um relacionamento recente?". Lydia perguntou objetivamente para Cuddy.

"Sim. Terminamos há pouco tempo".

"É uma pena, obviamente ele foi bom para Rachel e vocês ainda se gostam".

Cuddy a encarou.

"É um dom que recebe quando se está morrendo: ler as pessoas". Lydia respondeu com seu forte sotaque e uma pitada de bom humor. "Vocês ainda se gostam. A criança gosta dele. Triste que não tenha dado certo".

"Estar com House não é simples". Cuddy tentou justificar.

"As melhores coisas da vida não vem fácil".

Cuddy corou.

"É preciso trabalhar por elas. Aí no final vemos o quanto compensou". Lydia continuou. "Eu vejo House como um tesouro ainda escondido em uma pedra bruta. Ele vai te dar tudo o que precisa e mais, só que necessita de lapidação".

Cuddy não sabia o que dizer. "Você vai deixar Karl com ele?".

"Ele é o pai de Karl e ele vai ser um ótimo pai, tenho certeza".

Cuddy não tinha tanta certeza assim, mas a mulher disse que tem o dom de ler as pessoas… Como ela iria competir com isso?

Cuddy ficou observando House brincando com as crianças e ele se divirta. Parecia outra criança. Karl e Rachel riam e ele estava tão… lindo. Tão lindo naquela camiseta e naquele jeans. Tão… sexy. Sexy como o inferno. Droga! Ela estava excitada só em vê-lo brincar no playground com duas crianças. Ela devia ter algum problema.

"Ele é sexy, né?". Lydia perguntou e Cuddy corou. A mulher podia mesmo ler mentes?

"Oi?". Cuddy tentou disfarçar.

Lydia sorriu. Ambas foram salvas pela volta do trio.

"Mãe eu fui bem alto!". Karl estava empolgado.

"Eu também! Quase virei de ponta cabeça!". Rachel falou suada.

"Os dois foram bem!". House disse.

"Vocês foram ótimos!". Lydia respondeu.

"Mamãe, por favor, deixa eu brincar outra vez com House!". Rachel pediu deixando Cuddy ainda mais sem palavras.

"Claro… se estiver tudo bem para House…".

"Sim pirata, quando eu trouxer Karl aqui eu te chamo também".

"Legal!". A menina gritou.

Se despediram de forma tímida, menos Rachel que se jogou no pescoço dele, e foram embora. Cada um tomou seu caminho distinto.

No caminho de volta Lydia combinou com House os detalhes do dia seguinte, eles iriam ao cartório para alterar os registros de nascimento de Karl incluindo House como pai e como parte da guarda do garotinho.

Rachel falou de House o caminho todo pra casa. "E Karl é amigo do House?".

Cuddy riu.

"Filha, Karl é filho de House".

A menina ficou confusa.

"House é o papai dele?".

"Sim, isso mesmo".

A menina ficou pensativa para antes de dormir perguntar a mãe: "House pode ser meu papai também?".

Cuddy a abraçou forte e leu um livro pra ela tentando desconversar.


No dia seguinte Cuddy almoçava com sua mãe.

"Há quanto tempo você não faz sexo?".

Cuddy cuspiu a comida.

"Você precisa voltar à ativa, não é como se você estivesse rejuvenescendo".

"Mãe!".

"Sua vagina pode fechar".

"Mãe!".

Ela imediatamente lembrou-se do sexo recente com House e corou.

"Ok, acho que estou satisfeita". Cuddy se levantou da mesa e retirou seu prato.

"Eu estou comendo ainda e falando com você". Arlene contestou. "Sente-se! Eu ainda sou sua mãe".

"E o que você quer que eu diga? 'Obrigada mãe por se preocupar com minha vagina?'".

"Eu acho que você não deveria ter largado o seu último namorado, Gregory".

"Eu sei bem o que você acha, obrigada por compartilhar".

"Nunca a vi tão apaixonada. E isso não é pouco para uma mulher que sempre colocou a carreira à frente da vida familiar".

Cuddy respirou fundo, pois em tudo o que a mãe dizia sempre havia uma crítica, desde sempre. Ela não conseguia se lembrar de quando sua mãe agiu diferente com ela. No mais, Cuddy havia ouvido um grande sermão da mãe quando informou o rompimento de seu relacionamento recente.

"Você nem gostava de House assim...".

"Ele é petulante, arrogantemente e exibido. Mas combina perfeitamente com você".

"Obrigada?".

"Lisa, você não pode largar todas as oportunidades que a vida lhe trás. Eu sei que você jamais iria ficar bem com um marido como o de Júlia. Então se é do bastardo que você gosta, fique com ele. Olhe pra você e veja o quanto você também não é perfeita e pare de exigir perfeição dos homens, senão você realmente vai morrer sozinha".

"Eu não exijo perfeição de ninguém".

"Oh não. Imagine… Seus padrões são fora da realidade".

"E se eu quiser ficar sozinha? Qual o problema?".

"Não tem problema, é apenas triste".

"Eu tenho Rachel, não estou sozinha".

"Rachel vai crescer e seguir a vida dela".

"Temos muito tempo até lá".

Arlene bufou. "Olha Lisa, você espera por algo irreal, isso não é justo com House ou com qualquer pessoa".

"Talvez eu tenha aprendido isso com você, mamãe. Suas expectativas sobre mim".

"Eu sempre soube o que você podia fazer".

"Ah sim, você é o oráculo".

"E sei que House é o homem pra você. Por mais bastardo que ele seja".

Cuddy encerrou aquela conversa trazendo a sobremesa preferida da mãe e puxando o assunto da vizinha dela, uma mulher que Arlene odiava. Ela ficou entretida falando sobre as últimas brigas com a mulher e deixou Cuddy em paz.


"House está namorando?". Cuddy se viu bancando a ridícula em frente de Wilson enquanto almoçavam juntos no dia seguinte. Mas aquela imagem das mãos dadas durante o encontro no restaurante não saia de sua mente.

"Não, o que te deu essa impressão?".

"Havia uma mulher que você mencionou... Na conferência…". Ela não sabia quanto House havia dito para o amigo, essa era uma maneira de pesquisar.

"Sim, ela até tenta se aproximar de House, mas ele não está facilitando".

Cuddy esperava por uma simples resposta: 'não', ela não esperava por isso.

"Ela tenta? Como assim?".

"Ela gostou de House e queria algo mais".

"Ok". Cuddy respondeu sem saber o que dizer.

"E você?".

"Eu? Não… sem tempo pra isso".

"Cuddy, eventualmente você terá que se relacionar outra vez".

"Não se preocupe comigo".

"Eu gosto de você. Você também é minha amiga".

"Eu estou bem". Ela disse tentando sorrir. Aparentemente Wilson nada sabia sobre os últimos episódios, mas aquela história da mulher da conferência a incomodava. Seria ela a mesma mulher jovem do jantar?

"Como está Rachel?". Wilson desviou sua atenção.

"Bem, muito bem".

"House está se esforçando com Karl"

"Oh… ele está?".

"Sim, ele está vendo o garotinho quase todos os dias. Ontem foram ajustar a documentação do menino".

"Oh, agora ele é oficialmente o pai dele?".

"Sim. House um pai. Quem diria?".

"Ele está bem com tudo isso?".

"Melhor do que eu estaria. Aparentemente ele amadureceu em alguns aspectos".

"Que bom". Ela respondeu pensativa.

"Não sei como será quando Lydia partir… estou preocupado com ele e com o garoto, a situação não é ideal, mas não dá pra controlar tudo".

"Não, não dá". Ela respondeu triste.

"E o ex-marido de Lydia não quer nem saber dela e do garotinho".

"E os outros filhos dela?".

"Esse é o problema, de alguma maneira eles têm uma interação que não poderá ser cortada".

"Ele está bem sem Vicodin? Ele será responsável por uma criança".

"Sim, e hoje ele ficará com Karl sozinho pela primeira vez".

Cuddy olhou surpresa.

"A noite ele levará o menino para jantar".

Cuddy sorriu imaginando a cena: House levando o menino para comer hamburguer e se esforçando para ser um pai responsável.

O fato é que Gregory House estava nervoso. Seu coração acelerado como se fosse para um encontro, mas era só uma criança com dois anos de idade. Seu filho. Isso ainda era muito estranho. Seu filho.

Ele não conseguia sentir o que todos sentiam por um filho, era sim peculiar olhar no rosto daquela criança e ver traços de si mesmo, ou até alguns trejeitos conhecidos. Mas o que mais ele poderia sentir por uma criança tão nova? O que ele deveria sentir?

"House". Cuddy o chamou quando ele estava distraído.

"Soube que passará um tempo com seu filho". Também era estranho para ela dizer isso. "Ele é um lindo menino. Muito fofo e educado".

"A privacidade é algo que vocês desconhecem nesse hospital". Ele respondeu irritado.

"Eu só ia te dizer que admiro seu esforço e que eu e Rachel estamos à disposição para o que precisar".

House franziu os olhos. "Você está disponível para sexo sem compromisso?". Ele disse se referindo a última experiência que tiveram.

Ela corou.

"Eu me refiro a…".

"É, é, eu sei. Obrigada por isso, mas eu passo".

Ela teve ímpetos de chorar com o descaso dele, sentindo-se rejeitada, querendo de alguma maneira participar da sua nova vida. Então ela saiu rapidamente para que ele não a visse chorar.

Continua...