Fico feliz que estejam gostando da estória. Agradeço aos comentários e incentivos. Posso pedir algo? Continuem! Isso realmente faz a diferença.


Capítulo 10 – Seu ex-marido agora é meu

House passou algum tempo com Karl, algum tempo sozinho com o filho, e surpreendentemente tudo correu bem. O garoto até que não era das piores companhias. Eles jogaram vídeo game, House cozinhou pra ele, descobriram que o menininho gostava de violão, então House ensinou poucas coisas já que ele era muito pequeno ainda. Depois Lydia apareceu para buscá-lo.

"Eu queria que você conhecesse meus outros filhos, afinal, eles participarão da vida de Karl".

House respirou fundo.

"Eles estarão comigo amanhã, posso trazê-los?".

Então era isso… além de lidar com Karl haveriam outros?

"Ok". Ele respondeu mais por osmose do que por vontade.

"Obrigada. Você tem sido demais!". E ela se despediu com um abraço e um beijo no rosto de House.

Ele passou a noite tentando lembrar-se do que Lydia já tinha dito sobre seus filhos. Havia Ben, que ele conheceu vagamente, o menino devia ter uns cinco ou seis anos. Havia Gina com uns nove anos e Eleonor com doze. Ele pensava ser isso, mas não tinha certeza. Ele não prestou muita atenção nas conversas sobre os filhos dela, simplesmente não eram interessantes na época.

O sono demorou a vir e dia seguinte ele estava visivelmente cansado.

"Ei, como foi?".

"Aparentemente eu posso ficar duas horas com um garotinho sem matá-lo".

"Legal".

House parou e olhou sério pra ele. "Duas horas não é a vida toda".

"Passos de bebê". Wilson respondeu.

"Mas você como oncologista sabe que não tenho todo o tempo do mundo".

Ele estava preocupado com a saúde de Lydia que degringolava rapidamente, ela tentava disfarçar, mas ele como médico percebia os sinais. Não falavam sobre isso, mas ele sabia que ela estava tentando acelerar as coisas porque sentia-se a cada dia pior.

"Você não está sozinho, eu posso ajudar". Wilson se ofereceu.

"Realmente não estou sozinho, hoje virão todos os filhos de Lydia".

"Uau! Quantos filhos ela tem mesmo?".

"Até onde eu sei... três".

"Além de Karl?".

"Além de Karl".

"Uau! Isso que é gostar de parir".

"Isso foi machista de sua parte". House o criticou.

"Oh". Wilson corou. "Tem razão, mil desculpas".

House ria por dentro, ele adorava deixar o amigo constrangido.

Mas em pouco tempo Wilson, mesmo constrangido, deixara isso de lado e estava desabafando com Cuddy.

"Três filhos?".

"E House terá que lidar com isso".

"É uma vida totalmente nova".

"Totalmente".

Cuddy estava impressionado com House estar aguentando sem surtar e fugir. Isso também era novo pra ela, essa postura madura dele. Mas até onde isso iria? Até onde antes dele colapsar?

O que ela não sabia é que ele pensou inúmeras vezes na possibilidade de desaparecer, todo dia, várias vezes ao dia, isso passava por sua mente. Ele não entendeu o que o prendia lá. Não fazia sentido, mas ele continuava.

À noite, como esperado, Lydia levou os filhos. Ele pediu pizza para todos.

"Esse é Gregory House. Essa é Eleonor, Gina e Ben".

"Ele é Greg". Karl correu pra dizer. Ele gostava daquele sujeito barbudo, ele era legal.

"Você deu o vídeo game para o meu irmão?". Ben perguntou.

"Eu? Sim. Você gosta?".

"Que legal! Sim! Eu posso jogar também?".

"Claro que sim. Mas já digo que você vai ser humilhado, eu sou o mestre do vídeo game". House respondeu com voz macabra fazendo os garotos rirem.

"Oi". Gina falou muito tímida e muito ruiva.

"Oi".

Mas Eleonor manteve distante.

"Não vai cumprimentar Greg?". A mãe perguntou.

"Meu pai falou que ele é o responsável pelo sua separação. Que ele é o traidor!".

Lydia corou e House engasgou.

"Seu pai está enganado. Nós já não estávamos mais bem há tempos. Greg não tem nada a ver com isso".

"Mas se ele é o pai de Karl...". A garota já não era mais criança e entendia das coisas genéticas, House pensou. Muito mais simples lidar com um menino de dois anos.

"Filhos, podem ir brincar com House?". Lydia olhou pra House implorando pra que ele saísse com as outras crianças. Mas o que ele faria?

"Ok…" ele respondeu confuso. "Vamos… ver meu vídeo game?".

"Sim!". Ben disse empolgado.

E foram. House notou que Karl e Ben ficaram muito felizes em poder jogar, mas Gina não.

"Você não gosta de vídeo game?".

"Não muito". A menina respondeu.

"Do que você gosta?".

"Não sei". A menina era muito tímida.

"Gosta de livros?".

"Depende".

"Eu não tenho livros infantis e nada muito feminino…". Ele olhou ao redor. "Mas esse mostra o corpo humano com fotos bem legais". Ele entregou para ela um livro de anatomia.

A menina abriu e seu semblante mudou. "O que é isso?".

"Seu intestino do lado de dentro".

"Sério?".

"Sim".

"Você é médico, não é?".

"Sou sim".

"Legal".

"Você gosta de medicina? Do corpo humano?".

"Eu acho que sim".

"Então olhe a página 109".

A menina procurou empolgada.

Aparentemente estava tudo indo bem. Os meninos e Gina… Pelo menos com esses três tudo estava fluindo tranquilamente, House pensou. Mas Lydia estava enfrentando bons bocados com Eleonor.

"Eu não quero ficar na casa de um traidor que separou você do papai".

"Filha, ele não fez isso. Eu e seu pai fizemos. Greg é uma boa pessoa que me ajudou e me ajuda muito, ele deixa a mamãe feliz. Você não gosta de quem deixa a mamãe feliz?".

"Não se ele traiu meu pai".

"Filha, sei que é difícil entender todas as coisas dos adultos e você nem deve tentar isso agora, você precisa aproveitar a simplicidade da vida infantil".

"Eu não sou criança!".

"Claro que não, você é uma mocinha. E por isso vai ouvir mamãe quando ela diz que Greg não separou seu pai e eu".

A menina começou a chorar copiosamente. Lydia a abraçou. "Filha…".

"Eu não quero que você parta. Eu não quero ficar com papai e nem com esse homem".

A mulher se calou, não havia muito que dizer, o inevitável viria e sua filha ainda era tão criança pra lidar com tudo.

"Mamãe sempre estará com você em pensamento".

"Mas eu não quero isso".

"Eu sei".

O final do encontro teve sentimentos ambíguos. Foi tudo bem com os três mais jovens e House deixou uma boa impressão com esse grupo, mas não com Eleonor. A garota estava muito abalada e já veio com uma ideia pré-concebida sobre House. Lydia se despediu e pediu para ele ter paciência. O que ela faria no dia seguinte seria ir até o ex-marido e tentar levar luz para aquela cabeça. Afetar assim a mente da filha não iria ajudar em nada, sobretudo com tudo o que a família estava enfrentando atualmente.

Enquanto isso, no dia seguinte House estava preocupado. Sua vida havia mudado drasticamente e ele sentia-se um passageiro em um trem descarrilado. Não era uma sensação boa, não era seguro.

"Soube que você diagnosticou seu paciente".

Ele levantou os olhos e viu Cuddy. Ela estava linda como sempre. Semblante calmo e sereno, isso lhe trouxe uma inveja instantânea, ele que não sentia-se assim há tempos.

"Sim".

"Parabéns! Não foi um diagnóstico comum".

Ele balançou a cabeça agradecido. "E qual é?".

"Verdade". Ela sorriu e sentou-se à frente dele.

Ele respirou fundo.

"Como estão as coisas com o seu filho?".

"Ele tem dois anos e não é uma criança difícil. Mas a filha mais velha de Lydia…". House contou rapidamente a história para ela.

"Ela é uma adolescente, ela entende o que está acontecendo e não é fácil".

"Eu tenho receio do que vai acontecer quando os outros entenderem também".

"As crianças reagem diferente".

"Eu e Lydia tivemos um caso realmente. A garota está certa, eu sou um traidor".

"Mas não foi isso o que levou o divórcio dos pais dela".

"Com certeza foi. Se ela não tivesse engravidado de mim…".

"Ela não teria dormido com você se estivesse bem casada".

Ele respirou fundo. "A mãe dela está morrendo. Como alguém jovem pode se recuperar disso?".

"Pois é. Terrivelmente injusto com uma criança".

"Como seu povo pode conceber que existe um Deus?". Ele perguntou com a voz grave, mas ainda assim sarcástico. Ela amava isso nele.

"Somos complexos". Ela respondeu sarcástica também.

"De fato!".

Eles riram. Fazia tempo que não tinham uma conversa assim, ela não queria mais sair de lá, era tão bom ter novamente essa sensação.

"Eu não sei se estou agindo certo com Karl. Existe um manual ou algo assim?".

Ela sorriu. "Bem vindo ao mundo dos pais".

Ele balançou a cabeça. "Eu acho que fui muito julgador de minha mãe".

"Bem vindo novamente".

Eles sorriram.

"Ei… se precisar de qualquer coisa… me diga. Não hesite". Ela falou com sinceridade.

"Ok. Obrigado".

E ela se afastou sorrindo. Com o coração saltitante. Era muito bom se aproximar dele novamente, ter uma conversa madura. Ela estava feliz. Simplesmente feliz.


Nos próximos dias House passava mais e mais tempo com Karl. As vezes Ben vinha junto com ele. O garoto amou House, ele era muito mais divertido e alto do que seu pai.

O estado de saúde de Lydia piorava sensivelmente.

"Precisamos ir a um hospital".

"Eu não quero".

"Não seja teimosa".

"Vão me internar e me drogar e eu vou perder os últimos momentos com minha família. Com você".

House engoliu em seco. Ela pegou a mão dele. "Eu te amei e, se não fosse pelos meus filhos, teria ficado com você".

"Lydia…".

"Mas eu sei que seu coração pertence a outra. Não deixe isso pra trás, quando chegamos ao final da vida, percebemos que só o que importou foi o amor que vivenciamos, que compartilhamos. O resto é resto. Só o que quero levar são os bons momentos, os bons sentimentos".

"Karl e seus filhos não merecem vê-la com dor".

"Eles não vão perceber".

"Então me deixe medicá-la, ao menos".

"Não quero apagar".

"Eu não farei isso".

Ela olhou desconfiada pra ele. "Eu não quero perder os últimos dias".

"Eu só vou aliviar um pouco sua dor para que possa aproveitar mais".

Ela confiou nele e deixou que a medicasse.

...

House estava acabado… o que ele faria quando Lydia partisse? Ele tinha legalmente a guarda de Karl, mas e quanto a vida real? Uma coisa era passar horas com o menino, outra era explicar que sua mãe não existia mais e cuidar dele vinte e quatro horas, sete dias na semana.

"Ei". Cuddy se aproximou quando o viu pensativo no restaurante do hospital.

"Ei".

"Eu e Rachel vamos ao zoológico hoje, que tal você e Karl irem juntos?"

"Não sei… Lydia não está bem".

"Oh… tem algo que eu possa fazer?".

"Não... Ela não me deixa fazer muito também".

"Você sabe que o hospital está de portas abertas".

Ele balançou a cabeça. "Obrigado".

Ela pegou na mão dele e ambos sentiram arrepios na barriga.

"Eu realmente quero dizer isso. Qualquer coisa que precisar".

Ele só balançou a cabeça.

Nem Cuddy foi ao zoológico aquele dia, ela inventou uma desculpa para Rachel, afinal, ela estava se sentindo muito mal por House, por Lydia, pelas crianças. Ela ficou com essa sensação pelo resto do dia. O semblante de House, sua dor e preocupação. Tanto que ela ligou para Wilson à noite.

"Há algo que possamos fazer por ela?".

"Aliviar a dor com medicações opioides".

"House disse que ela não quer isso".

"Então muito pouco, eu sinto muito".

"House está lidando de forma madura com tudo, estou surpresa".

"Sim, aparentemente ele amadureceu. Tardiamente, mas passou pela adolescência".

...

Em poucos dias a saúde de Lydia ficou muito comprometida e ela precisou ser internada para conseguir lidar com a dor. House conseguiu convencê-la dizendo que ela não aproveitaria nenhum momento com os filhos, que só os assustaria. Ela concordou e Wilson começou os cuidados paliativos.

Naquela manhã ela estava com todos os filhos, seu ex-marido não chegava perto dali.

"Eu não quero que tratem Greg mal. Ele está fazendo o que pode por mim, ele é um bom homem".

"Seu amante?". Eleonor perguntou.

"Não admito que fale assim! Ele é meu amigo".

"E pai de Karl?".

"House é o pai de Karl?". Ben perguntou confuso.

"Por que você acha que ela trás Karl todos os dias? Karl vai ficar com ele quando mamãe se for".

"Mamãe vai embora?". Agora foi Karl quem perguntou assustado.

"Ok. Já chega Eleonor!".

House estava perto e ouviu a voz alta de Lydia e entrou no quarto.

"O que está havendo aqui?".

"Por favor, leve os três pequenos que eu preciso conversar com Eleonor".

House já imaginou o que estava acontecendo. Mas ele não julgaria a garota. Talvez fizesse o mesmo que ela.

Então ele acenou com a cabeça e levou os três para a sala dele.

Enquanto isso Lydia teve uma conversa difícil com a filha.

"Leo eu sei que não é fácil pra você e nem justo, mas você é minha filha mais velha e precisa ser madura, seus irmãos ainda não entendem e você ajudará a cuidar deles".

"Eu odeio você! Odeio Deus!".

"Eu sei que isso é da boca pra fora, que você não sente isso. E eu também tenho raiva as vezes, é normal ter raiva. Mas eu não deixei seu pai por conta de Greg House, e eu e House somos amigos agora, ele está me ajudando muito".

"Karl vai ficar com ele e eu nunca mais vou vê-lo?".

"Claro que você vai vê-lo sempre".

"Mas ele é filho dele".

"Sim. E seu irmão".

"Por que você teve filho com outro homem?".

Lydia respirou fundo. "Não foi planejado, foi um erro meu. Mas eu e seu pai não estávamos bem. Depois tentamos voltar… não funcionou. Desculpe por confundir você assim".

A menina começou a chorar. "Eu não quero que você morra".

"Eu também não quero ir, mas existem coisas que fogem do nosso controle".

"Porque Deus é mal".

"Não… porque não entendemos. Mas escute… você será meu braço direito e cuidará dos pequenos junto com os adultos, ok?".

A menina não respondeu.

"E vai ser muito feliz. E não vai olhar pra Greg como se ele fosse um inimigo, porque ele não é. Ele ajudou muito a mamãe no passado e está me ajudando agora também. Seu pai é alguém muito importante pra mim, Greg também. Cada um têm sua importância e seu momento, e isso não deixa nenhum deles abaixo do outro".

Enquanto Lydia tinha a difícil conversa com a filha, House estava com os três em sua sala.

Seu time estava imóvel "Quem são essas crianças?". Taub perguntou.

"Irmãos de Karl".

"Seus filhos?". Master perguntou confusa.

"Claro que não".

"Isso está um tanto confuso…". Taub falou.

"Nem me diga… Então sobre o paciente?". House mudou de assunto bruscamente.

"Vamos fazer o diferencial em frente deles?". Foreman questionou.

"O que tem de mais?".

"São crianças". Chase respondeu por Foreman.

"Ok… Vocês dois… tome isso". E ele deu o mini game para os dois meninos que se sentaram na sala ao lado para jogar. E entregou um livro com imagens de doenças sexualmente transmissível para Gina. "Olhe e já entenda a necessidade da prevenção".

A menina arregalou os olhos e puxou o livro das mãos dele.

"Ela tem quantos anos?". Master questionou indignada.

"O suficiente para que o livro faça efeito em alguns anos".

Meia hora depois Wilson apareceu. "House, Lydia está chamando você e as crianças".

E eles largaram tudo o que faziam para irem até ela.

"Oi…". Ela disse quando entraram.

"Eu quero dizer algumas coisas. Primeiro… Greg… House… é amigo de mamãe e, não importa o que digam, ele está ajudando muito mamãe, e é um cara legal".

House corou.

"Depois… mamãe estava separada do papai quando namorou com House por pouco tempo, isso me deu um grande presente: Karl".

House corou ainda mais e Karl não entendeu.

"Karl é filho de House, mas é irmão de vocês da mesma maneira. Só que, como ele é filho de House, irá passar mais tempo com o pai dele, como vocês passam com o pai de vocês".

"Por que ele é filho dele e eu não sou?". Ben perguntou.

"Porque você é filho do seu pai, mas pode ser amigo de House também".

"Eu quero ser amigo dele".

House corou um pouco mais.

"Fico feliz! Todos podem ser amigos".

Eleonor parecia mais calma.

"Ok… eu preciso ir… paciente". E House deu um jeito de sair daquela conversa constrangedora.

Mais tarde Lydia ligou para o pai das crianças e pediu que ele viesse ao hospital. Ele não queria, mas ela disse que estava morrendo e ele apareceu perto das seis da noite.

"Você viu que o corno veio ao hospital hoje?". Cuddy ouviu algumas enfermeiras comentando.

"O que foi traído por House?".

"Esse mesmo".

"Uma orgia acontecia ali na vida daquela mulher, hein?".

As enfermeiras riram. Cuddy tinha gana de se intrometer na conversa, mas conteve-se.

"Eu sempre achei que House deve ter bons dotes, ele é alto…".

Novas risadas.

"E é bom de pontaria porque conseguiu engravidar a mulher enquanto tinham um caso".

"Médico e sabe tão pouco sobre preservativos?"

Mais risadas.

Cuddy não se conteve.

"Me admira que temos tantos pacientes aguardando atendimento e tantas enfermeiras reunidas fofocando sobre assuntos da vida alheia que sequer podem compreender".

As mulheres coraram e cada uma seguiu um caminho diferente.

Cuddy estava muito indignada por Lydia que estava morrendo, por aquela família, por House. Mais tarde ela foi falar com ele, perto das sete horas da noite.

"Ei, como está tudo?".

Ele riu sarcástico. "Uma enorme bagunça".

"Sinto por isso".

Ele nada respondeu.

"Será que você… não… deixa pra lá".

"Não, me diga!". Cuddy insistiu.

"Seria pedir muito".

"Me diga!".

"Eu ia pedir para você ficar com Karl por algumas horas".

"Claro que sim. Ele e Rachel se deram tão bem".

"Só até eu resolver toda a papelada aqui e ver como Lydia está".

"Claro que sim, sem problemas".

Naquela noite Cuddy levou Karl com ela pra casa. O menino era super educado, ela estava impressionada. Rachel amou a surpresa, ela e Karl brincaram com quase todos os seus brinquedos. Cuddy olhava para os dois admirada, eles tiveram uma sintonia logo de cara. Natural. Como era mais fácil ser criança, ela pensou.

No hospital House foi ver Lydia.

"Olá".

"Olá". Ela sorriu.

"Soube que seu ex-marido esteve aqui hoje".

"Sim. Precisávamos ter uma conversa definitiva".

"E foi boa?".

"Melhor do que eu imaginava. Usei a carta da minha morte eminente".

"Ousado".

"Só se pode usar uma vez na vida".

"Há controvérsias".

Eles riram.

"Ele vai parar de falar bobagens a seu respeito para as crianças. E vai permitir que eles convivam com o irmão. Mas ele não quer te ver".

"Por mim é ótimo".

"Nem falar com você. Eu acho imaturo porque não sei como irão combinar os horários e dias de visita…".

"Pombo correio?".

"Espero que vocês se comportem. Pelas crianças".

"Eu não vou agredi-lo ou algo assim, a menos que ele comece...".

"Nem falar mal dele para as crianças".

"Por que eu faria isso?".

"Porque ele pode provocar de alguma forma".

"Escuta, ele não é meu ex-marido, como está parecendo. Está esquisita essa situação".

Lydia riu.

"Você ri!".

"Desculpe por bagunçar as coisas e deixar pra você".

"Pois é, trate de ficar!".

"Eu gostaria". Ela respondeu séria.

"É… eu também".

"Onde está Karl?".

"Ele está com uma colega médica".

"Lisa Cuddy?".

Ele corou.

"Que bom! Vocês dois precisam se acertar. Gostaria dela cuidando de Karl".

"Não é tão simples".

"Do lado da quase morte eu vejo que é simples. Acredite em mim".

"Você não sabe todos os detalhes".

"Mas existe amor, isso basta".

"Nós dois não estamos quase morrendo".

"As pessoas deveriam viver a vida como se estivessem, tudo mudaria de sentido e de prioridade".

...

Às nove horas da noite House foi buscar Karl.

"Ei".

"Ei… Entre!".

Ele entrou e as crianças vieram correndo até ele.

"House!". Rachel abraçou a perna boa dele.

"Olha o que eu fiz!". Karl veio compartilhar uma arte em massa de modelar.

"Uau o que é isso?".

"Um dinossauro, claro". Rachel explicou.

"Claro que sim". House respondeu.

Cuddy riu.

"Aposto que é um cabeça de massinha Rex".

Todos riram do nome que House deu para o dinossauro.

"Cabeça de massinha Rex". Rachel repetiu achando muito engraçado.

"Ei… obrigado por ficar com ele". House disse pra Cuddy.

"Imagina, ele é ótimo".

"Vamos Karl?".

"Não!". Rachel protestou.

"Fique mais um pouco". Cuddy disse.

"Eu realmente estou bem cansado".

"Ok. Ele já jantou. Você gostou do macarrão, Karl?". Cuddy perguntou.

O menino acenou com a cabeça.

"Obrigado".

House parecia cansado física e emocionalmente.

"Como foi hoje com o… ex-marido?". Ela perguntou curiosa.

"Aparentemente ele se tornou meu ex-marido".

Cuddy não entendeu.

"Terei que negociar com ele as visitas das crianças".

"Ow…".

"Mas ele não quer me ver ou falar comigo. Acho que nosso relacionamento não terminou bem".

Cuddy riu. "Se precisar que eu seja a intermediária de alguma forma...".

"É… talvez. Obrigado".

"Não por isso". Ela tocou no ombro dele e sentiu vontade de abraçá-lo, mas se conteve.

"Vamos Karl?".

"Posso levar meu dinossauro?". O menino perguntou.

"Pode, mas você precisa alimentar ele". Rachel respondeu.

"Tudo bem".

House sorriu com aquilo. Era fofa a interação entre as duas crianças, mesmo que ele nunca fosse admitir isso em voz alta.

E eles foram embora.

Cuddy ficou com uma sensação de que queria conversar mais com House, queria saber mais, queria ajudar. Ela estava feliz apesar de tudo e não entendia a razão. Já Rachel, não parou de falar de Karl e House até pegar no sono.

Estariam as duas mulheres Cuddy apaixonadas pelos garotos House?

Ela sorriu com essa ideia.

Continua...