- Não me tente demais, princesa.
Era um dos muitos encontros às escondidas de Odisseu e Penélope. De um começo desengonçado, com ela quase o odiando por achar que viveria uma existência miserável como sua esposa, até que ele acalmasse o seu mar tempestuoso – retirando, como se fossem ervas daninhas, os seus medos de ser privada de sua liberdade e da violência nas mãos de um marido – e, mais tarde, em seu devido tempo, as primeiras palavras carinhosas e o aceite, de bom grado, do casamento por parte dela.
Ele só não esperava que as coisas fossem evoluir tão rápido.
Ver Penélope descobrindo os prazeres da companhia de um homem era maravilhoso. Como aos poucos perdia a vergonha do beijo, das escapadas do palácio, de nadar com ele no mar aberto (exímia nadadora que era). Logo ela já não rejeitava o seu toque, mas procurava-o.
E não apenas para ser casta.
Foram algumas carícias lascivas, mãos mais ousadas, sussurros mais quentes, mas nada fora dos limites do razoável para um casal que em breve seria unido em corpo de fato. Porém a cada palavra de Penélope, Odisseu perdia um pouco mais do juízo.
Ele se lembrava de que ela havia dito que tudo começou quando reparou em suas costas. Em como eram largas, fortes, de um moreno dourado que brilhava à luz do sol poente. Logo ela reparava em suas mãos, seu cabelo e sua boca. A boca que ela pedia que a beijasse mais devagar, para que não acabasse logo...
Não tardaram a aparecer as primeiras marcas de mordida no pescoço alvo daquela moça, os primeiros lábios inchados, os rubores que tinham que ser disfarçados para escaparem aos olhares vigilantes dos pais. Odisseu mais de uma vez teve que se explicar sobre um cheiro misteriosamente feminino que se impregnava nas suas vestes, e deixava seu peito arfante quando se deitava sozinho à noite...
O que ele e Penélope estavam fazendo era bem mais do que alguns beijos escondidos, mas nada que os deuses não pudessem perdoar.
Ele beijou as costas nuas de sua noiva. Já haviam se acostumado com o corpo um do outro enquanto aproveitavam as tardes à beira-mar, em um cantinho escondido de Ítaca.
- Odisseu – ela sorriu manhosamente – eu quero mais.
- Mais o que? – ele inclinou a boca sobre o ouvido dela, vendo a pele se arrepiar.
- Mais do seu toque.
- Não me provoque assim, mulher.
- Mas que diferença faz, se vamos nos casar de qualquer forma?
Odisseu sorriu. Beijou amorosamente sua testa, e por mais que quisesse lhe dar tudo, se segurou:
- Você sabe que não é assim, meu bem. Não posso, e nem quero, te desonrar antes do casamento.
- Não seria desonra se você já é meu marido.
- Ah, não venha com essa lógica para cima de mim – ele devolveu brincalhão – Como vou explicar a seu pai a ausência da prova física na noite de núpcias? Algo como "Pois bem, rei Icário, a sua filha tem o extraordinário dom de ser virgem e não sangrar"?
Ela sorriu arteira.
- Quem sabe eu realmente tenha esse dom.
Ele riu. Adorava Penélope e seu senso de humor, para além dos seus pensamentos rápidos e inteligentes. Eram alguns dos infindáveis atributos que venerava nela.
- A verdade é que... a noite de núpcias...
Ela tentou falar, mas emudeceu de vergonha. Ele sabia do que se tratava. Seu pavor ao casamento tinha sido tão grande, que mesmo depois de se afeiçoar à ideia de se casar com ele, qualquer coisa associada à cerimônia do casamento ainda a assustava. Por mais que lutasse contra isso, a ideia da noite de núpcias, formada a partir das memórias de casamentos infelizes como o de sua mãe, a assombrava. Não é que ela não desejasse que ele desbravasse o seu corpo da maneira mais íntima, mas como se temesse que o ritual da fatídica noite fosse violento demais.
- Não precisa explicar. Eu sei – ele interrompeu com suavidade – mas garanto que não será da forma que imagina. Tenha só... um pouco de... paciência...
Seu raciocínio estava sendo quebrado pelo rastro de fogo que os dedos de Penélope deixavam em sua pele, e os beijos que ela lhe dava. Mirou seus olhos castanhos intensos, e viu um indisfarçável desejo.
- Então mostre que você é o homem mais sagaz de Ítaca – ela disse roçando suavemente o pé em seu rosto – dê um jeito...
Às favas com o decoro. Aquele desafio era delicioso demais para ser ignorado. Odisseu sorriu, de um jeito que mandou arrepios pela espinha de Penélope.
- Quem diria, nem é rainha ainda e já quer me dar ordens – ele inclinou o corpo sobre o dela, fazendo com que se deitasse no manto estendido sobre a areia.
Ela sorriu, um pouco sem jeito mas sentindo aquela queimação gostosa no meio das pernas, que se acostumou a experimentar – e, às vezes, a aliviar com a ponta dos dedos – quando via o corpo nu de Odisseu. Ou quando pensava nele... a sensação era tamanha, que quase não sentiu os dentes dele roçarem a pele de seu pé antes de coloca-lo no chão.
- Farei como deseja, mas terá que confiar em mim...
- Eu confio, meu futuro rei...
Ele deu aquele sorriso de lado que ela tanto adorava. O verde esmeraldino de seus olhos, que se derretia em vontade, só fez com que o comichão se intensificasse absurdamente, e subisse até o umbigo dela.
- Muito bem, então...
Odisseu beijou sua boca de um jeito quente, quase a ponto de ferver sua pele. Sua língua passeava pelos lábios e dentes, convidando a língua de Penélope para uma dança envolvente. Enquanto isso suas mãos brincavam com os seios, deixando seus mamilos acesos, descendo pelas costelas e cintura até a barriga e arrancando cócegas ao chegar na virilha. Penélope não continha os gemidos, satisfeita por ser daquele jeito exato que queria senti-lo. Seu dedos finos iam se emaranhar nos braços e na nuca de Odisseu e suas pernas tentavam se enrolar no quadril masculino. Logo ele se aninhou entre suas pernas e baixou a boca até os mamilos, para envolve-los em um ósculo quente e molhado.
Odisseu observou fascinado o brilho que sua saliva deixava nos dois picos rosados, que brilhavam sob os raios do sol. Fechou os olhos sentindo a palma da mão escorregar pelo rastro úmido, distinguindo as formas arredondadas que poderia muito bem chamar de casa. Continuou lambendo o ventre de Penélope até se deter no umbigo, bebendo em seus ouvidos os sons que ela fazia.
Ela sentiu quase tonta uma língua passeando por sua virilha, e sua parca sanidade perguntou apenas o que estava fazendo, sufocada pelo aperto das mãos viris em suas coxas. Logo não conteve um gemido longo ao sentir a mesma língua se afundar em sua vulva.
Eram pequenos ósculos e outras carícias na área mais privada de seu corpo. Penélope não sabia se o que roubava mais seu juízo eram elas ou os dedos de Odisseu percorrendo o interior de suas coxas, provocando arrepios que nem pareciam humanos.
Odisseu deixou que Penélope se acostumasse com a sua boca ali, envolvendo-a por inteiro em movimentos lentos, sem pressa de saborear o seu fruto, de memorizar toda a anatomia oferecida tão voluntariamente. Penélope sentia a barba de Odisseu roçando partes indizivelmente sensíveis, como se quisesse come-la. E sem saber o que fazia direito, seus quadris rebolavam para permitir que ele provasse mais. Se sentia ondulando o corpo ao encontro da boca de Odisseu, que circundava seus grandes lábios e passava por sua fenda, como se realmente pudesse devora-la.
Ele segurou seus quadris, mas nem houve tempo para que se sentisse frustrada, porque sua língua travessa logo subiu para um ponto mais alto. Vendo a pequena pérola que se insinuava, Odisseu a abocanhou como quem encontra um tesouro perdido. Se dedicou a venera-la chupando, tomando toda aquela seiva para si, sem a intenção de parar. Penélope gemeu mais alto, tomada por um prazer tão grande que não sabia nomear. Descontou sua doce fúria nos cabelos de Odisseu, embaraçando-os com os dedos.
A melhor tortura de todas se esvaiu de repente, com um prazer ainda mais intenso que ameaçou partir seu corpo no meio. Ela achou que fosse morrer. Odisseu gemeu satisfeito, encerrando o ato com beijos em cada parte daquele paraíso. Subiu o corpo para beija-la desta vez no pescoço e na boca, Penélope sentindo pela primeira vez o próprio gosto em estranheza e elação.
- Onde... aprendeu a fazer isso – perguntou ainda sem fôlego.
- Quer mesmo saber?
Ele obviamente já tinha tido outras experiências, sendo homem feito que era, e Penélope resolveu não dar espaço para a tímida pontada de ciúmes.
- Não... só sei que é bom...
- E será só seu, minha rainha – ele sorriu com o sorriso bobo dela – teremos tempo para todo o resto. Faremos amor nesta praia quantas vezes quisermos. Só temos que esperar mais alguns dias para que meu corpo conheça ainda mais o seu.
Penélope suspirou, animada. Eram só mais alguns dias...
