NOTA:

Olá! Essa nota é apenas para desejar a todos vocês um ótimo 2025 e obrigada por nos acompanhar esse ano! Desejamos um ótimo ano novo, cheio de amor, saúde, felicidade e sucesso para cada um de vocês!

Vemos vocês no próximo domingo!


ELECTRA ADHARA BLACK

- É para isso que sua mãe a sequestrava da Toca alguns dias antes do Natal? - James perguntou, quando finalmente terminamos de arrumar a sala da família, antigo salão de festas.

Eu sacudi os ombros, afofando uma almofada em uma dos sofás enormes que Remus tinha transformado em torno da lareira que Fleamont me ajudara a criar:

- Não só isso. Tem toda uma burocracia dos infernos envolvida. - eu ponderei, avaliando a posição das almofadas e ajeitei mais uma até ficar plenamente satisfeita. - Os lugares nas mesas são nomeados. Por exemplo, os Greengrass gostam de sentar perto dos Malfoy por motivos óbvios, mas os Parkinson jamais aceitariam um lugar próximo a eles, dado que tio Draco recusou Pansy Parkinson como possível noiva. - eu expliquei.

- Picuinha. - James pareceu pouco impressionado.

- Picuinha que pode acabar em um duelo. - eu lembrei. - Parkinson Sr. não é muito tolerante com os Malfoy depois do que houve entre Pansy e Draco, acha que tio Draco desonrou a filha dele e, por isso, deveria ter se casado com ela. Mas tio Draco era completamente apaixonado por Astoria Greengrass. Não foi um casamento arranjado e sim por amor e que calhou de ser entre duas família sangue-puro. O pai de Pansy acha que é uma baboseira sem fim e isso gerou muitas discussões antes do casamento Greengrass-Malfoy e, agora, eles se detestam.

- E duvido que essa seja a única situação que você tem que adequar quando vai montar o esquema de mesas. - James disse, pensativo. Eu fiz careta:

- Tem os adolescentes que não se gostam, tem as famílias que se odeiam, tem as que fazem questão de estarem sempre próximas. Nós tentamos sempre manter as coisas de uma forma que agrade a todos, mas nem sempre é possível. - eu ponderei, me jogando no sofá ao lado dele. - Mas o meu maior foco sempre é Malfoy e Parkinson. Os outros se ignoram, mas o Sr. Parkinson absolutamente não tolera os Malfoy e vai nos causar problemas.

- E por que sua mãe ainda não o baniu? - James questionou. Eu fiz careta:

- Eu tinha uma queda pelo neto dele quando era criança. - eu admiti e James pareceu pouco impressionado:

- Julian Parkinson? - ele soou quase ofendido. Eu encolhi os ombros:

- Ele me chamava para dançar. Era o único com coragem. - eu me defendi. James ainda parecia ofendido:

- Eu dançava com você!

- Quando não estava correndo todo enlameado pelos jardins. - eu revirei os olhos, rindo. - No começo o avô dele se controlava por isso, depois ele começou a se comportar bem quando mamãe disse que ele estava a um dedinho de ser expulso das festas. Mas assim que tio Draco aparece, ele simplesmente se levanta e sai.

- Julian Parkinson. Pelas cuecas imundas de Merlin. Era essa a competição que eu tinha? - James sacudiu a cabeça, incrédulo.

- Supere isso. Nós éramos crianças. - eu ri e James bufou, sem responder. - E ele é casado agora, com uma bruxa americana.

- E se não fosse?

- Ainda não teria interesse nele. - eu respondi com sinceridade. James pareceu satisfeito com a resposta e eu revirei os olhos. - James. Fique tranquilo. De verdade.

- Tudo bem. - James sacudiu os ombros. - De onde vieram todos esses presentes?

- Não faço a menor ideia. - eu disse, sincera. - Euphemia me mandou não questionar e eu aceitei. Acho que não quero a resposta. Não depois da tiara.

- E as abotoaduras. Elas foram feitas a mão por um duende. - James passou a mão pela barba por fazer. - Impossíveis de serem perdidas e tem o brasão Potter bem pequeno incrustado. Eu achei que eram abotoaduras normais, mas não. Fleamont ficou ofendido quando eu não notei.

- Claro que ficou! Como não percebeu que eram joias criadas por duendes? - eu perguntei, a voz um pouco mais aguda que o normal.

- A especialista nessas coisas aqui é você, não eu. Mas depois que achei o brasão fiquei bem impressionado. - ele disse, sério. - É minúsculo e tem todos os detalhes.

- E é mágico. Como você disse, jamais pode ser perdido. Mesmo que você os jogue em um lago, irão aparecer para você em algum canto. - eu suspirei. - Joias comuns. Francamente! - eu bufei, ainda indignada.

- Ei! - Aric enfiou a cabeça dentro do salão, parecendo aliviado quando viu que James e eu apenas conversávamos. - A Sra. Potter está nos convocando para uma aula de conhecimentos básicos de magia curativa.

James se levantou e me arrastou junto dele até Aric, que nos acompanhou alegremente até a pequena sala escolhida por Euphemia.

Ela tinha transformado uma sala de estar comum em uma pequena sala de aula e parecia animadíssima, parada à frente de uma lousa, enquanto nós nos sentávamos em semicírculo em torno dela. Anabelle girava uma pena entre os dedos, a intelectual sedenta por conhecimento retornando aos poucos nos olhos dela. Alvo parecia relaxado, assim como Cygnus. Os outros tinham expressões tranquilas, pouco preocupadas e, além de Anabelle, apenas Lily tinha uma pena e pergaminho.

Eu sacudi a cabeça, descrente.

Eles não tinham ideia do que os esperavam.

Se magia de batalha já era complexa, magia curativa era ainda pior.

Eu molhei a minha pena nova na tinta e puxei o pergaminho para perto e Euphemia começou a explicar a base de feitiços curativos.


Mais tarde, foi a vez de Fleamont nos arrebanhar em uma outra aula imprevista, desta vez para oclumência:

- Nunca sabemos o que virá. Precisamos de vocês mais do que bem treinados de agora em diante. - ele explicou a decisão súbita. - Sei que alguns de vocês já dominaram a técnica, então se puderem ajudar os demais… - Fleamont acenou para meus irmãos e os dois irmãos Potter. - Começaremos pelo básico. Acredito que entender bem a teoria torna a prática não mais simples e nem mais fácil, mas sim compreensível.

- Não era para a gente tirar uns dias de descanso? - Aric resmungou à minha direita. Eu olhei para o Nott de canto de olho:

- Algumas coisas não podem ser postergadas. - eu murmurei. - E isso é essencial para a nossa sobrevivência.

- É fácil quando você já sabe tudo o que os dois estão ensinando. - ele sibilou de volta. Fleamont continuou falando, mas lançou um olhar de alerta para mim. Eu dei uma cotovelada no Nott, que grunhiu, colocando a mão sobre as costelas. - Não seja violenta.

- Preste atenção. Eu ajudo você depois. - eu murmurei, voltando minha atenção para o Sr. Potter.

"Sinto muito", foi o bilhete que James passou para Aric, bem na minha frente.

Foi a minha vez de lançar um olhar de alerta para ele, mas James apenas abriu um sorriso torto e deu uma piscadela em resposta.

Eu revirei os olhos, ignorando o frio na barriga, e voltei a prestar atenção em Fleamont, enquanto Aric resmungava ao meu lado, anotando tudo de uma forma completamente desconexa e com uma letra absolutamente horrível.

Era difícil acreditar que ele tinha tido aulas de etiqueta com uma letra daquelas.

Eu suspirei e comecei a puxar meus próprios tópicos para, pelo menos, saber por onde começar com Aric na hora da prática de oclumência.


- Você fez parecer tão fácil com James. - Aric comentou. Ele e Evan tinham sido pareados comigo. Aric a pedido do próprio e Evan porque queria testar minha capacidade como legilimente dependente de varinha.

Eu estava levemente ofendida.

- Não é fácil. - eu ponderei. - Levei algumas semanas com papai e ele foi bem paciente.

- Acha que levaremos algumas semanas?

- Vocês têm que, pelo menos, serem capazes de manter o segredo sobre nós. - eu ponderei, com Evan acenando com a cabeça, em concordância. - A grande questão aqui é que James é o legilimente natural. Todos nós fomos treinados em oclumência e legilimência puramente pela necessidade. Sermos seus netos não ajuda em absolutamente nada, sabe.

Evan riu:

- Ah, ser a neta de Sirius Black e Evan Rosier deve ser um inferno, de fato. - ele colocou as mãos nos bolsos. - Eu consigo segurar por um tempo, todos nós três conseguimos. - Evan suspirou, olhando Reggie com Cygnus. - Então, como começamos?

- Existem formas de fazer isso e eu vou fazer como meu pai me ensinou. - eu empurrei as mesas para longe com um aceno de varinha. - Tentem imaginar o cérebro de vocês como uma casa a ser protegida, como se fossem colocar um Fidelius sobre a sua própria mente.

- Claro. Bem fácil. - Aric resmungou. - A porra de um Fidelius é a ideia dela de fácil.

- Aric. - eu alertei. - Pense como se fosse um Fidelius. Você já fez isso. Você só dá a informação a quem você quer. É isso. Você precisa proteger a casa e só quem souber do segredo do qual você é o Fiel poderá entrar.

- Faz sentido. - Evan acenou com a cabeça. - A nossa técnica era nos distrair, pensar em qualquer outra coisa.

- Vale também. Vocês precisam pensar em coisas que não sejam relevantes para a situação. Digamos que o Lorde das Trevas os capturou. - eu segurei a varinha na frente do corpo com ambas as mãos. - Quanto mais tentarem não pensar em nós, mais pensarão e mais informações darão a ele. O que vocês precisam é afastar esses pensamentos, deixar sua mente vazia como geralmente é a cabeça de Aric.

- Ei! - Aric soou ofendido, mas riu junto de Evan. Eu sorri para os dois:

- Afastem seus pensamentos da sua cabeça. Esvaziem a mente, como uma meditação. Não vou apressá-los, mas saibam que o tempo é importante na situação que estamos vivendo e com os riscos que corremos. - eu olhei para os dois. - Foquem na respiração de vocês, isso tende a ajudar.

Eu deixei os dois quietos por um tempo, ambos com os olhos fechados, e respirando com tranquilidade. Evan parecia tranquilo, mas Aric tinha o cenho franzido, como se estivesse lutando para não pensar.

Certamente havia algo que ele queria proteger.

Talvez até mesmo de mim.

- Vamos começar com Evan. - eu disse, suavemente. Meu avô abriu os olhos, acenando com a cabeça embora parecesse ansioso. - Aric, depois é a sua vez. E vamos combinar o seguinte: o que eu ver nas mentes de vocês, ficará apenas entre nós. Não vou sair por aí fofocando. Todos temos coisas que não queremos que o mundo todo saiba.

Os dois abriram sorrisos aliviados e eu olhei para Evan, séria:

- Eu não vou fazer você sofrer. Se eu entrar, vou sair assim que conseguir sair. Vou atacar aos poucos, até você conseguir me chutar para fora. - eu expliquei. - Vamos intercalar entre um e outro, assim a mente de vocês não fica sobrecarregada.

- E a sua? - Evan questionou. Eu encolhi os ombros:

- Todo poder tem seu preço. - eu lembrei. - E nada que um cochilo depois não resolva. Podemos começar?

- Faça seu pior. - Evan colocou as mãos nos bolsos e eu ergui a varinha, respirando fundo:

- Legilimens.


Evan resistiu bem depois de algumas tentativas mais do que frustradas. Ele tinha uma boa forma de me distrair: o último pensamento dele era sempre o teto do quarto dele. Ele só me pediu para parar quando, na última tentativa do dia, eu cheguei a uma memória que compreendia um bosque - que eu reconhecia como parte da Mansão Rosier - e uma pequena barraca mágica, acompanhada por uma risada feminina que eu não conhecia.

Eu não o questionei a respeito, apesar de ter fortes suspeitas de que aquela risada pudesse pertencer a minha avó Alyssa Yaxley que havia falecido no parto de mamãe. Se ele não queria falar a respeito, eu jamais o obrigaria. Principalmente se ela estivesse sob controle dos Comensais da Morte.

Aric, entretanto, não durou muito. Logo na primeira tentativa, eu cheguei ao nosso primeiro encontro, nos jardins da escola. Na segunda, às nossas reuniões. Na terceira e última, ele havia entregado o segredo da nossa ascendência e uma conversa muito comprometedora com uma mulher que eu supunha ser a mãe dele.

Quando eu disse a Aric que era o suficiente, a única resposta do Nott foi acenar com a cabeça e se retirar da sala depois de murmurar que iria rever mais teoria antes de tentar de novo.

- Ele está fora de si. - Evan disse, enquanto nós andávamos pela mansão, em direção aos quartos. Eu franzi a testa e Evan continuou. - Ele nos ensinou o básico de oclumência. Não faz sentido que não consiga se proteger de você.

- Não vou levar como ofensa. - eu estreitei os olhos para meu avô, que riu. - Mas qual o problema? - eu perguntei quando chegamos ao quarto de Evan.

Meu avô olhou para os dois lados, agarrou meu cotovelo e me arrastou para dentro do quarto:

- A mãe de Aric é quem o ensinou a não acreditar nessa baboseira de sangue-puro. - ele disse, sério. - O pai dele não sabia, claro. Ele conseguiu que a mãe se escondesse em algum lugar que não disse nem mesmo a mim e eu sabia que o pai dele estava atrás dela. Aric o fez acreditar que o estava ajudando, mas agora ele deve saber que Aric o atrapalhou de propósito. Ou pelo menos suspeitar.

- E o que faremos?

- Ele está tentando planejar uma forma de resgatá-la. Deve estar pensando, na verdade. Não sei onde ela está, Electra. - Evan suspirou. - E ele não me dá a informação de jeito nenhum.

- E eu não vou revirar a mente dele atrás disso. - eu sacudi a cabeça. - E pedirei a James que não o faça. Mas vou tentar conversar com ele, Evan. Se pudermos trazê-la para segurança…

- Será bom. - ele concordou. - Já que você mencionou James… - Evan me olhou curioso. - Vocês não estavam procurando anotações, não é? Antes de nos encontrarem na biblioteca, digo.

Eu corei:

- É complicado.

- Hm. - ele riu, divertido. - Vou manter essa informação sobre nós. Mas lembre-se que estamos em guerra, Electra. - os olhos de Evan se tornaram subitamente sérios. - E não podemos nos distrair. Um segundo de distração e morreremos.

- Eu sei.

- E a runa?

- Estou chegando lá. - eu admiti. - Acho que depois dos feriados eu terei um protótipo. Vou testá-lo com algum objeto não-vivo.

- Boa ideia. - Evan sorriu. - E James está ajudando?

- Está, sim. Mas ele está mais ocupado com o Lorde das Trevas. Eu acabei ficando mais focada na Runa. - eu dei de ombros. - Mas não mude de assunto. Acha que Aric está pensando em ir atrás da mãe dele? Não quero que ele se arrisque sozinho.

- Vou tentar conversar com ele. - Evan suspirou. - E vamos ver o que conseguimos fazer para ajudar. Minha maior preocupação é que o anel está tão perto da Mansão Nott. Podemos apostar o quanto quisermos que não haverão comensais da morte lá, mas quem garante? Se eu fosse ele, manteria pelo menos um feitiço de proteção ou de aviso.

- O grande erro dele é sempre acreditar que é especial e mais inteligente do que todos. A única pessoa por quem ele tem o mínimo de respeito é Dumbledore. - eu sacudi a cabeça. - Ele não deve fazer ideia que sabemos que seu pai é trouxa.

- Pode ser. - Evan suspirou e eu ajeitei a roupa:

- Vou pensar em alguma forma de ajudar Aric. Vejo você mais tarde.

Evan apenas acenou com a cabeça e se jogou na cama enquanto eu saía do quarto dele.

Que Merlin nos protegesse se Aric tentasse sair sozinho.


Na manhã seguinte, o jornal veio com uma notícia horrível: uma escola e um hospital trouxas haviam sido atacados por comensais da morte. Os trouxas estavam atribuindo o ataque a alguma questão climática, mas nós sabíamos da verdade.

E, Merlin, eu conseguia ver pessoas nas nuvens que os trouxas chamavam de tempestade.

- As coisas estão piorando. - Fleamont soou assombrado. Pontas olhou o pai, ansioso:

- Eles estão saindo do anonimato. Logo irão expor a comunidade bruxa. - ele passou a mão pelo cabelo, um sinal claro de nervosismo. - Estou preocupado.

- Alguma notícia das suas famílias? - Euphemia olhou para Lily e Remus, que acenaram que sim.

- Eles estão seguros. Não me dizem onde estão e sequer quero saber. Mas estão seguros. É o que importa. - Lily disse, amuada. Pontas passou os dedos pelos cabelos dela, o que não passou despercebido pelos pais, mas ninguém disse nada.

Era um sentimento delicado e sensível e eu não ia estragar as chances de James nascer só para provocar um amigo.

- O mesmo para mim. - Remus olhou a amiga, que pareceu dividir a tristeza dele. - Só gostaria que fosse seguro o suficiente para que ficassem aqui. Meu pai já tem inimizade com os lobisomens por conta de uma ofensa a Greyback.

- Falando em lobisomem, e a Mata-Cão? - Sirius olhou Al, que passou a mão pelo rosto:

- Estou no processo disso. Tive que pausar a tinta e a poção da caverna. - ele suspirou, tomando um gole de café.

- Alvo, meu rapaz, deixe a poção da caverna comigo e com Lily. - Fleamont olhou para Al, severo. - Você já tem duas grandes responsabilidades.

- Não quero sobrecarregar ninguém. - Al murmurou e Fleamont foi firme:

- E se sobrecarregar no lugar? Não. - ele sacudiu a cabeça. - Euphemia e eu estamos aqui para ajudá-los. E se não querem que tomemos parte ativa nesta guerra, nos deixem ajudá-los por trás dela. Irei lidar com esta poção com Lily. Ajude Remus.

Al acenou com a cabeça, murmurando um agradecimento e Remus sorriu:

- Pode deixar a Mata-Cão para depois, Alvo. Eu passei toda a minha vida lidando com as transformações…

- Não significa que terá que continuar lidando com isso. - Al interrompeu. - Eu deveria ter me lembrado disso antes e poupado parte do seu sofrimento. Não me perdoo por isso e não deixarei que isso se estenda por mais tempo do que o necessário. Estamos muito próximos da próxima lua cheia, mas no próximo mês, você estará preparado. Prometo.

- Ele realmente terá consciência e controle do próprio corpo transformado? - Euphemia parecia maravilhada. James sorriu:

- Terá controle e consciência, sim. Não vai precisar se embrenhar no bosque para se esconder. Pode até ficar no seu quarto. - ele disse, gentilmente. - E não se sobrecarregue. Os nossos pais me matariam se você morresse por exaustão.

Al fez careta e não respondeu.

- Então, Alvo irá focar nisso a partir de hoje. - Pontas olhou para Sirius. - Estaremos com Remus neste mês no bosque.

- Filho, entendo sua lealdade a Remus, mas qualquer humano perto dele durante a transformação… - Euphemia começou, sem jeito, incapaz de olhar Remus nos olhos. Pontas e Sirius se entreolharam, sem-graça. - O que vocês fizeram?

- Nós não estaremos em forma humana. - foi Sirius que teve coragem de falar. Pontas abaixou a cabeça, envergonhado, mas Lily parecia divertida.

- Como assim? - a voz de Fleamont era firme. Sirius olhou Pontas, que manteve a cabeça baixa, e por fim olhou para mim, como se pedisse ajuda. Eu pigarreei:

- Eles se tornaram animagos durante a escola. - eu disse, cuidadosamente. Fleamont arregalou os olhos e Euphemia colocou a mão sobre o peito. - Pontas é um cervo e Sirius é um cachorro. Até mesmo Peter se tornou um. Um rato, no caso.

- Não é hora de ofender Peter, Electra… - Euphemia começou e eu sacudi a cabeça:

- Não, não. Ele realmente tem a forma de rato. Um rato nojento e traidor, mas ainda assim um rato. - eu expliquei. - Os três se tornaram animagos e Sirius e Pontas evitam que Remus se machuque ou machuque outras pessoas sem querer.

- Minerva sabe? - foi a única pergunta feita pelo Sr. Potter. Sirius sacudiu a cabeça que não e Pontas pigarreou:

- Somos animagos ilegais. Mas prometo que, quando tiver a chance, vamos nos legalizar. - ele disse rapidamente, os olhos cheios de sinceridade.

Euphemia fechou os olhos e sacudiu a cabeça, mas foi incapaz de chamar a atenção do filho. Fleamont suspirou, passando a mão pelo rosto:

- Não vou me desgastar com isso, rapazes. Cuidem de Remus este mês. No próximo não precisarão mais ficar lá no bosque. Nem vocês e nem Remus. - ele disse, sério. - Por Merlin, cada dia que passa eu descubro mais coisas sobre vocês.

- Mas vamos focar nas coisas boas. - Sirius abriu um largo sorriso, em uma tentativa descarada de tirar a atenção dos dois bruxos mais velhos da situação complexa em que ele tinha se enfiado. - O final de ano está chegando.

- Você não tem vergonha? - Euphemia riu com carinho. - Terminem o café da manhã e depois retomem o que quer que seja que estejam planejando fazer nos próximos dias.

Eu aceitei a ideia de bom grado, já pensando em como encurralar Aric Nott depois de comer.


Foi fácil localizar Aric. Ele sumiu da mesa assim que considerou ser educado. Eu esperei cinco minutos antes de fazer a caminhada tranquila depois de dizer a James que queria falar com Aric sobre Oclumência e que tinha prometido segredo sobre o que havia visto.

Ele queria saber porque acreditava que isso poderia trazer algum perigo a nós, mas eu fui firme: eu tinha prometido segredo e não quebrava minhas promessas levianamente. Se eu visse perigo, eu o avisaria. Além do mais, ele tinha que confiar em mim.

- Então. - eu sentei na cadeira de frente com a pequena mesa sob uma janela, na qual Aric tinha dois livros e um pergaminho rabiscado. - Vai me contar o que tem sua mãe ou vamos ter que ficar brincando de gato e rato?

Nott franziu os lábios, sem responder.

- Aric. Eu posso ajudar você. E acredito que saiba disso. - eu lembrei.

- Quanto menos pessoas souberem, melhor. - ele disse, sério.

- Pode ser. Mas se vamos invadir um mini-quartel general atrás da sua mãe, quero pelo menos saber com o que tenho que me preocupar. - eu ponderei. Ele ergueu as sobrancelhas, os olhos azuis-esverdeados cheios de incredulidade:

- E quem disse que você vai?

- Eu. Nem pense que pode sair desta Mansão sem que eu saiba. James e eu conhecemos Grimmauld Place e a Mansão Potter muito bem. Melhor do que você. Nós vamos saber, então se quiser fazer algo em segredo, é melhor ter pelo menos um de nós do seu lado.

- Você é terrível. - ele reclamou.

- Cortesia de Evan Rosier. - eu rebati. - Desembuche.

- Meu pai sempre esteve fora, resolvendo os negócios da família. Quem me criou foi minha mãe. - Aric cedeu a informação. - Quando me tornei grande o suficiente para entender os riscos de abrir o bico, ela me explicou que não havia diferença entre nós e os trouxas. - ele suspirou. - Meu pai nunca deu muita atenção a ela e eu tentava manter isso entre nós. Antes do ano letivo em Hogwarts, eu escondi minha mãe, porém, pouco antes da nossa fuga, meu pai a encontrou e a escondeu em um lugar dentro da própria Mansão. Ele acha que eu não sei, mas consegui descobrir depois de chegar em casa. Eu conheço aquela Mansão como a palma da minha mão, Electra. Sei onde ela está. E sei que meu pai sabe que eu considero voltar para resgatá-la dele. Ou roubá-la, depende do seu ponto de vista sobre os direitos das mulheres.

Eu franzi os lábios.

- Preciso ir até a Mansão. - ele foi direto. - E preciso ir sozinho.

- De forma alguma. - eu sacudi a cabeça. - E se for pego? Se estivermos em dois, é melhor. - eu lembrei. - E não pode agir de forma impulsiva. Isso vai matar vocês dois.

Aric trincou os dentes e virou a cara:

- Meu pai é um homem mais violento do que você possa imaginar. Violência psicológica e física não é a única forma que ele encontrou de punir minha mãe. E com o único herdeiro contra ele… - Aric voltou a me encarar e meu estômago afundou. - Preciso tirar minha mãe de lá.

- Não pode ir sozinho. Eu prometi a você que não faria nenhuma loucura sozinha. Faça a mesma promessa a mim. - eu pedi, me inclinando na direção do Nott.

Aric desviou os olhos, mas eu insisti:

- Prometa que não irá sozinho. Me deixe ajudá-lo. - eu insisti ainda mais. Aric passou a mão pelo rosto:

- Tudo bem. Tudo bem, Rosier. - ele fez questão de usar o nome de minha mãe. - Francamente, cada dia que passa você se parece mais com aquele pé no saco do seu avô.

- Eu também amo você. - eu sorri e me levantei, arrancando um sorriso resistente dele. - Estude o que quer que estava estudando. Eu vou atrás de James. Preciso ver uma última coisa sobre a Magia Ancestral.

- Magia Ancestral. - ele ergueu as sobrancelhas e eu revirei os olhos, ignorando o calor nas bochechas. - Não sabia que era assim que chamavam no futuro.

- Aric!

Ele riu:

- Vá estudar sua Magia Ancestral. - ele provocou e eu mostrei a língua antes de girar no lugar e ir em direção à saída da biblioteca.

Aric ainda gargalhava quando eu saí.


JAMES SIRIUS POTTER

- O que você e Aric estão planejando? - eu perguntei, curioso. Electra tinha me arrastado para o escritório, me enchendo de esperança, mas simplesmente sentou em uma cadeira e começou a revirar uma anotação enquanto eu ficava encarando ela, de pé, do outro lado da mesa.

- Nada. - ela respondeu, mas eu conhecia Electra o suficiente para reconhecer a mentira apenas pelo tom de voz dela. Eu sentei na cadeira de frente com ela e Els suspirou, olhando para mim. - Eu prometi a ele que não diria nada que não fosse arriscado. Ele só… Existem pessoas importantes para ele, James, e não apenas nós. Ele irá contar quando estiver pronto.

- Contar ao restante de nós porque você já sabe. - eu tentei não soar azedo. Electra encolheu os ombros:

- Prometi segredo, James, assim como prometi segredo sobre tudo o que você já me contou. Ele é meu amigo e o amo como amo Alvo e Cygnus. Aric irá contar quando se sentir pronto ou eu irei contar quando se tornar arriscado ou quando ele me permitir.

- Então é potencialmente arriscado. - eu estreitei os olhos.

- No momento, estar vivo na Grã-Bretanha é potencialmente arriscado. - ela rebateu, revirando os olhos. - Aric não é burro e sabe que nós dois saberemos se ele sair daqui sozinho. Ele me prometeu.

- Tudo bem. Se você confia na palavra dele. - eu ergui as mãos, sério. - Confio em você cegamente. Se você confia no que ele diz, confio em você.

- E ele sabe que se aprontar alguma, eu vou fazê-lo se arrepender. - ela completou, abrindo um sorriso quando chegou a um papel específico. - Achei.

- O que você achou?

- A forma de chegar à Magia Ancestral. - ela me encarou, os olhos cinzas cheios de expectativa.

- Achei que iríamos deixar isso para depois do final do ano. - eu franzi a testa.

- Eu disse que ia deixar a Runa e a Alquimia. Não a Magia Ancestral. - ela corrigiu.

- Você e seu joguinho de palavras. - eu provoquei. Electra deu uma piscadela para mim, fazendo meu coração bater descompassado:

- Eu nunca menti. - ela disse, suavemente. - Vou precisar da sua ajuda para fazer isso. Preciso de uma âncora.

- Onde, diabos, eu vou arranjar uma âncora, garota? - eu perguntei, exasperado. Electra fechou os olhos, sacudindo a cabeça:

- Você será a minha âncora. - ela disse, como se explicasse o alfabeto a uma criança. - Preciso que você me segure aqui para que eu não me perca na magia e me desfaça em poeira.

- Espero que isso seja um exagero.

- É o efeito colateral mais grave. - ela folheou um livro, sem olhar para mim, como se soubesse que eu não aprovaria. - É o que podemos fazer no momento, James. Eu não vou fazer nada. Só testar uma coisinha.

- Você testa muitas coisinhas que são perigosas nos últimos tempos.

- Você não se importava com isso até me beijar.

- Claro que me importava, mas como seu namorado eu posso deixar clara a minha preocupação! - eu respondi, exasperado. - Electra, você pode morrer. Tem ideia disso?

- É a chance que temos. E eu vou só mexer um pouquinho, prometo. A runa só vai ser depois dos feriados. - ela prometeu, os olhos cinzas cheios de sinceridade.

- Não vou impedi-la, mas por favor, vamos planejar isso passo-a-passo, tim-tim por tim-tim, para que eu não tenha um infarto aos dezoito anos. - eu joguei os óculos sobre a mesa e passei a mão pelo rosto. - Quando voltarmos para casa, eu vou pedir desculpas a seu pai por ter levado você para o mal caminho. Ele sempre disse que você era um anjo até irmos para Hogwarts e a minha influência ficou mais presente.

Electra riu, jogando a cabeça para trás, o que me fez sorrir também, mas em seguida arrastou a cadeira para o meu lado para começar a explicar exatamente como iríamos acessar a Magia Ancestral.


Em primeiro lugar, aquela mulher era um gênio.

Em segundo, eu não sabia nem por onde começar com tudo o que ela tinha me explicado.

Para Electra, tudo fazia sentido. Para mim, eram várias palavras complicadas, com conceitos complexos, saindo de uma boca muito bonita.

- É, basicamente, uma meditação. - ela explicou novamente, com o resto de paciência que tinha. Electra jamais diria, mas eu via nos olhos que ela estava incomodada por eu não acompanhar a velocidade de pensamento dela. - Você só precisa me segurar. Se eu não voltar ou se você sentir algo ruim, tem que me tirar de dentro da mandala.

- Não me diga que teremos que criar outra mandala. - eu passei a mão pelo rosto. Electra sacudiu a cabeça:

- A mandala e as runas já estão aqui. - ela apontou o livro velho. - Incluindo as runas de estabilidade. - Electra soou tranquila. - Vai me ajudar?

- Claro que vou. Mas depois do Natal.

Electra fez careta, mas eu a lembrei:

- Amanhã é dia 25. - eu disse, pacientemente. - Não vamos trabalhar no dia 25. E hoje é o dia que sua família costuma se juntar perto da lareira e contar histórias.

- Sim, é, mas…

- Não vamos nos exaurir hoje, Electra. Depois de amanhã, iremos começar a desenhar esse mandala e colocar as runas. E aí, você acessa a Magia Ancestral. - eu disse, firme. Ela fez careta, mas suspirou em seguida:

- Que seja, James. Depois de amanhã. - ela cedeu, recostando na cadeira.

- Acessar a Magia Ancestral trará algum efeito sobre você?

- Pode tornar algumas linhas mais tênues, por assim dizer. Talvez alguns feitiços se tornem mais fortes? - ela ponderou. - Mas só se eu tiver sucesso.

- Acha que isso pode influenciar seu poder mágico? - eu olhei a bruxa, que acenou que sim:

- Muitos livros relatam isso e é por essa razão que é praticamente proscrita. - ela explicou. - Muitos bruxos a usaram para o bem, outros para o mal. Se alguém como o Lorde das Trevas tivesse acesso a isso, se não se considerasse tão poderoso a ponto de nem pensar nessa possibilidade… - Electra estremeceu. - Céus, sequer sei se seríamos capazes de vencê-lo. Mas também é algo que demanda estudo. Simplesmente fazer a mandala e as runas não dará a ele acesso a Magia Ancestral. É necessário todo um preparo mental e físico.

- Que, acredito, você vem fazendo há algum tempo. - eu estreitei os olhos para Electra, que abriu um sorriso doce:

- Eu só gosto de estudar. - ela disse, com um tom de voz inocente, me fazendo rir:

- Você é terrível. - eu dei um beijinho na bochecha dela. - Mas seja cuidadosa. Por favor.

- James, se estou dizendo a você que planejo acessar Magia Ancestral é porque já tenho tudo organizado. - Electra respondeu, delicadamente. - Se você sabe é porque eu já considero que estou pronta para tentar. É claro que vamos avisar aos outros, mas você é a pessoa em quem mais confio para isso. As crianças vão se apavorar, Euphemia e Fleamont vão surtar, mas você confia e me conhece. Sabe quando preciso de ajuda e quando consigo fazer as coisas sozinha.

- Está confiando sua vida a mim. - eu engoli em seco e Electra acenou que sim:

- É um risco, sim. E por isso escolhi você. Tem que ser alguém que… - ela hesitou e abaixou os olhos, deixando-os fixos nas mãos entrelaçadas sobre as penas. - Tem que ser alguém cuja alma esteja tão entrelaçada com a sua que sentirá quando algo não está certo. Não há ninguém que me conheça tão bem, que esteja com a vida tão entrelaçada à minha quanto você. Então, não há outra pessoa que não seja você.

- Nossas almas estão tão entrelaçadas que eu sentirei quando você estiver em perigo? - eu perguntei, engolindo em seco. Electra acenou que sim:

- Você saberá quando intervir.

- E como deverei intervir, se for o caso?

- Arranque minha varinha de mim e me tire de dentro da mandala. E vou deixar uma runa de encerramento para você. Eu farei a mandala e as runas para acessar a Magia Ancestral. Você é quem deverá desenhar a runa de encerramento caso eu me perca. - Electra voltou a olhar para mim, repletos de confiança. - Você saberá.

Eu acenei com a cabeça e dei um beijinho na testa da garota.

Electra estava confiando a própria vida e sanidade a mim.

Eu não poderia falhar com ela.


Eu consegui convencer a Black a passar o restante do dia na sala da família, jogada em um sofá, assistindo Alvo e Cygnus jogar Snap Explosivo, enquanto Anabelle e Lily jogavam xadrez. Pontas, Remus e Sirius estavam em um círculo, discutindo qual a distância mais segura a ficar da casa na próxima lua cheia.

Aric ainda estava na biblioteca.

Regulus e Evan pareciam entretidos no jogo de cartas dos dois garotos, dizendo que o perdedor daria lugar ao próximo.

Parecia um Natal comum - como se não houvesse Voldemort, Horcruxes e nem nada para nos incomodar.

Só mais um Natal, como aqueles que eu tinha vivido na Toca com toda a minha família. Os Black sempre presentes e, depois, os Malfoy também.

- Eu me sinto como se estivesse em casa. - eu olhei para Electra, que sorriu para mim:

- Você está em casa. É sua família e sua Mansão. - ela disse, delicadamente.

- Mas não meu tempo.

- Isso será corrigido. Em breve estaremos em casa contando para nossos pais todo tipo de presepada que nos enfiamos. - ela disse, alegre. Eu ri:

- Ah, sim. Seu pai vai amar saber que você escalou um basilisco.

- Merlin, não quero nem pensar nisso. - Electra fez careta, sacudindo a cabeça, mas riu. - Tanta coisa para contar. - ela voltou a olhar com carinho para o irmão que, agora, desafiava Evan no Snap. Alvo tinha perdido e resmungava ao lado de Regulus, que ria.

- ACHEI! - a voz de Aric ressoou pelo salão. Electra deu um gritinho, olhando sobre o ombro. - Achei a maldição! - Aric Nott segurava um livro velho, um de contra-feitiços que Electra tinha surrupiado da escola, em uma mão e um pergaminho manchado na outra. Os cabelos escuros estavam bagunçados e os olhos alucinados.

- Achou? - Anabelle pulou de pé, abandonando o jogo de xadrez. Alvo a seguiu, ansioso:

- E aí? Tem contra-feitiço? - ele jogou o braço sobre os ombros da namorada. Electra se ajeitou, olhando para o Nott, sem dizer uma única palavra.

- É complexo, mas sim. Existe. Eu fui bem minucioso com as informações que seu irmão me deu. - Aric olhou Al, que pareceu mais tranquilo. - Mas precisarei de ajuda.

- Eu posso ajudar. - Anabelle soou animada e Alvo lançou um olhar azedo para mim. Eu ergui as mãos, na defensiva. Electra se levantou e foi até o trio, os pés cobertos por meias sem fazer um único som:

- Eu posso ir também. - ela disse, a voz suave, mas pingando autoridade.

- Al e Cyg estão fora por agora. - Remus disse, sério, parando ao meu lado quando eu fui me juntar aos outros. - Posso ir, também.

- Ótimo! Nós quatro. - Anabelle agarrou o braço da irmã mais velha. - Vai ser divertido ir com você.

- Sua irmã é maluca. - Alvo disse, sério. Eu ergui as sobrancelhas e Anabelle mostrou a língua para Alvo:

- Minha irmã é corajosa. - Anabelle apertou o abraço na irmã, que riu. - É a nossa maior chance contra qualquer coisa lá fora.

- E o meu irmão? - Alvo soou indignado e eu tentei não me ofender. Anabelle riu, mas não respondeu.

- Então, nós quatro. - Remus pareceu animado. - Anabelle, você é a nossa melhor em feitiços. Você e Aric deveriam ir treinar o contra-feitiço da maldição. Electra e eu veremos as formas de chegar a Little Hangleton. E formas seguras de chegarmos ao Casebre Gaunt e também feitiços de defesa.

- Fácil. - Electra soou tranquila, mas havia um fundo de hesitação na voz dela. Eu não a questionaria agora, mas mais tarde, quando estivéssemos sozinhos, ela iria me contar o que, diabos, estava deixando-a preocupada.

- Precisamos marcar a data. Só consigo trabalhar com datas definidas. - Anabelle se queixou, olhando Remus.

- Segunda semana de janeiro. - Remus olhou para os outros três. Aric acenou que sim:

- Temos duas semanas para treinar, Anabelle. É o suficiente. - ele olhou para a loira, que acenou com a cabeça junto de Electra.

Em duas semanas, os quatro iriam atrás do anel.

Em Little Hangleton.

Na casa da família de Voldemort.

Aquilo não era nada reconfortante.