JAMES SIRIUS POTTER

A semana passou sem grandes eventos - exceto, bem, pela transformação diária de Remus, a qual Sirius e Pontas o acompanhavam e, consequentemente, ficavam exaustos no dia seguinte.

Nós tínhamos dado uma pausa para eles, mas Els, eu e nossos irmãos continuamos a todo vapor - eu tentando dominar aquela merda de Magia Ancestral com Electra e os outros decifrando a tinta e o mandala.

Mandala este que Cygnus tinha finalizado durante a madrugada do dia 30 para o dia 31 e que, apesar do olhar exausto, parecia mais do que orgulhoso quando foi mostrar à irmã.

- Eu nem quero imaginar que tipo de matemática você usou para isso. - Els comentou, olhando o irmão. Cyg encolheu os ombros:

- Eu sabia do heptágono e do círculo. Comecei fazendo uns traçados, mas eu causei uma explosão quando tentei colocar uma runa no meio. - ele encolheu os ombros. - Isso foi o que me travou. Depois de corrigir isso e entender quais elementos eram mais importantes foi fácil. Mas esse é só um modelo. Vai precisar de mim quando for desenhar a mandala porque ela necessita de medidas específicas para que as áreas tenham o tamanho adequado.

- É isso que te custou mais tempo, não é? - Els sorriu para o irmão e Cyg franziu o nariz:

- Foi. E precisamos da tinta. - ele encolheu os ombros. - Al está finalizando, então acho que teremos algo pronto em relação a isso em alguns dias. Ele estava falando algo sobre deixar a tinta descansar antes de ser usada.

- Sem problemas. - eu passei a mão pelo rosto. - Temos algumas coisas para fazer antes de mexer nessa parte.

- Agora estou livre para qualquer tipo de missão. - Cyg olhou Electra, cheio de esperança. - Eu posso…

- Você acabou de ser possuído. Sem chance. - Electra cortou antes que o irmão sequer terminasse a frase. - E preciso de você aqui, Cyg.

- Mas eu posso ajudar.

- Pode ajudar preparando as coisas para nos receber depois que destruirmos a Horcrux. Você sabe que ficamos péssimos depois. - a irmã lembrou. - Bells e eu estaremos seguras com os meninos. Não se preocupe.

- Vocês vão destruir a Horcrux lá? - eu olhei a Black, que sacudiu os ombros:

- Acho que sim. Talvez. Depende do que sentirmos em relação à segurança. - Els ponderou. - Só trouxemos o diário pela logística, mas idealmente as coisas seriam destruídas longe daqui.

De fato, era mais seguro. Quanto menos pessoas tivessem contato com a alma de Voldemort, melhor. Mas aquilo ainda me deixava desconfortável.

Mas, para o crédito deles, Electra e Anabelle eram excepcionais e eu nem precisava me lembrar do motivo. Aric Nott era um pesadelo por si só e Remus Lupin tinha sobrevivido sozinho até a segunda guerra bruxa.

Era um grupo forte e equilibrado, pequeno o suficiente para passar despercebido, e forte o suficiente para espantar qualquer um menos poderoso que Voldemort.

Forte o suficiente para voltar para casa.

- E você? Conseguiu terminar o que faltava para mexer na Magia Ancestral? - Cyg se jogou no sofá ao lado da irmã. Electra sacudiu os ombros:

- Conseguimos. James está confiante o suficiente para me ajudar e ele e Al terminaram essa tinta ontem. - ela disse, distraída.

- James vai te ajudar? - Cyg franziu a testa e Electra, ainda analisando a mandala, respondeu:

- Ele será minha âncora.

Cygnus olhou para mim, por cima da cabeça da irmã, os olhos tão sérios que, embora não fossem cinzas como os do pai, tinham a mesma aura:

- Achei que âncoras mágicas precisavam ter um relacionamento bem íntimo.

- E James conhece cada detalhe sobre mim, coisas que mais ninguém sabe. - Els soou despreocupada e apoiou o corpo no meu, encarando o irmão. - Por que?

- Achei que iria escolher um de nós. - os olhos de Cyg se viraram para a irmã mais velha. Els suspirou:

- Cyg. Você e Anabelle me conhecem melhor que muita gente, mas não como James. A alma dele está tão entrelaçada à minha que sentirá assim que algo der errado, antes que seja visível a qualquer outro.

- Está dizendo que James é sua alma gêmea. - Cygnus disse lentamente, olhando a irmã com seriedade.

Alma gêmea.

Meu coração acelerou a passo de galope.

- Sim. E é por isso que é mais adequado do que vocês dois. James me conhece e sentirá quando for a hora de intervir, se precisar intervir. - Electra foi firme, mas não olhou para mim. Cygnus me encarou, sério.

- Eu irei mantê-la o mais segura possível, Cygnus. Ela queria acessar essa coisa antes do Natal e eu prometi que a ajudaria se me deixasse estudar tudo e garantir a segurança do processo. Estou seguro do processo e sua irmã está confiante. - eu disse, sério. - Eu saberei.

Cygnus suspirou e se recostou no sofá, fechando os olhos em seguida:

- É por isso que Teddy diz que você é o maior pesadelo de Atlas Black. - Cyg disse, bocejando.

- Foi ele quem me criou. - Electra soou ofendida.

- Exatamente.

Els riu, mas ficou quieta em seguida, analisando cada traço da mandala criada pelo irmão: um círculo dentro de um heptágono, como todos os cantos interligados, formando as mais diversas formas, com um centro limpo e espaçoso, pronto para receber a Runa que Els estava criando, e os sete lados com espaço suficiente para a escrita de sete runas que Els ainda não tinha escolhido.

O primeiro passo tinha sido dado para o nosso retorno.

Electra ficou tão quieta que eu não percebi quando ela e o irmão caíram no sono, ainda no sofá da sala da família.

Eu acabei dormindo também.

ELECTRA ADHARA BLACK

O primeiro dia do ano veio tranquilo: ninguém tinha ficado acordado até a meia-noite porque não sentíamos que era justo com Remus - então, iríamos comemorar hoje, o primeiro dia de janeiro, com um café da manhã reforçado para os garotos e um almoço tranquilo.

Havia muito o que ser comemorado hoje: era a última transformação dolorosa de Remus, era o primeiro dia do ano e Alvo anunciara que tinha, finalmente dominado a tintura e que agora só falava a runa.

Que estava, para a minha vergonha, em seu estágio inicial - tão inicial quanto o dia em que havíamos chegado.

- Não há com o que se preocupar. - Alvo me tranquilizou. - A tintura precisa descansar e ainda irei adicionar o último ingrediente antes disso, o que a deixará mais estável para ser utilizada e isso só será feito daqui sete dias.

Eu ergui as sobrancelhas, surpresa.

- Eu sou um homem cheio de conhecimentos. - Al deu uma piscadela para mim, me fazendo rir alto junto das outras garotas. - Eu peguei uma tintura básica como base, fique tranquila. Confie em mim.

- Confio em você. Mas será que a tintura estará estável até que a Runa esteja segura o suficiente para tentar transportar uma pedra que seja? - eu encolhi os ombros e Al fez um gesto de descaso:

- Essa é a coisa mais estável que eu já fiz na vida. Fique tranquila, Lady Black. Está tudo sob controle.

Bem, se Al se sentia tão confiante, então a coisa realmente tinha saído como o esperado.

- E a tintura da Magia Ancestral? - Cygnus perguntou e Alvo fez um gesto de descaso:

- James e eu a terminamos ontem pela noite e está pronta para ser utilizada. Não se preocupem, para essa a gente tinha uma receita.

Aric riu:

- E a outra?

- Foi baseada em feeling e conhecimentos básicos de Poções. Anabelle aqui achou algumas coisas úteis para usar na Alquimia - Al sorriu para minha irmã, com orgulho. - e eu fiz o pente fino e a dosagem dos ingredientes.

- Você anotou? - Remus perguntou, a voz com um tom cansado da noite de lua cheia.

- Anotei. Vai que essa doida precisa de mais. - Al apontou para mim.

Eu quase joguei a torrada na cabeça dele.

Quase.

- Chá de camomila. É calmante. Você tem cara de quem precisa, Els. - Alvo estendeu uma xícara para mim, com um sorriso sereno.

Apesar de tudo, eu aceitei a xícara:

- Você tem sorte que eu dormi toda torta e estou com muita dor nas costas para arranjar briga logo cedo.

- Feliz ano novo. - ele deu uma piscadela para mim e eu não segurei o sorriso.

Era difícil ficar brava com Alvo Potter por muito tempo.

- Nem me fale. - Cyg resmungou, massageando o pescoço. James resmungou em concordância, mas meu irmão continuou. - Então temos a tintura e a mandala. Falta a sua parte, apenas.

- Para terminar a minha parte, preciso da Magia Ancestral. Iremos testar hoje. - eu olhei Fleamont, que pousou a xícara, olhando para mim:

- Realmente, feliz ano novo. - ele passou a mão pelo rosto. - Vocês disseram que iriam descansar.

- Voldemort não está descansando. - James encolheu os ombros. - E isso é só estudo. Até então, iríamos esperar alguns dias. - ele me olhou torto e eu sacudi a cabeça:

- Eu queria fazer isso no Natal. - eu lembrei e olhei Sirius e Evan. - Como se sentem em me ajudar a desenhar uma mandala?

- Eu? - os dois soaram confusos.

- Preciso de pelo menos um ancestral me ajudando, mas se tiver mais é melhor. Então, como se sentem em desenhar uma mandala mágica?

- Já estamos aqui mesmo. - Sirius sacudiu os ombros, mas Evan manteve os olhos sobre mim por alguns segundos antes de concordar:

- Depois do almoço. Quero estudar o desenho primeiro.

- Sem problemas. - eu mordi a torrada e olhei para os outros, tentando fingir tranquilidade.

Eu não estava nada tranquila.


Evan foi me encontrar na biblioteca pouco depois do almoço, enquanto eu revisava todos os passos que teria que tomar para finalmente acessar a Magia Ancestral.

- É bem arriscado. - ele comentou, sentando de frente comigo. James tinha ido ajudar Alvo com a tintura, o que deixou o garoto mais novo alegre.

- Toda magia tem riscos.

- Você precisa de uma âncora. - Evan foi categórico.

- James será minha âncora. Não há com o que se preocupar. - eu sacudi os ombros, tentando parecer mais relaxada do que me sentia. - Há coisas necessárias e riscos necessários para que as coisas progridam da forma que devem. Você sabe disso.

- Isso vai dar a você muito poder. Pode deixá-la louca. - Evan soou ansioso.

- Loucura corre na família. - eu lembrei, tentando abrir um sorriso confiante.

Evan não sorriu de volta:

- Aric e eu discutimos essa coisa de Magia Ancestral. Dará mais poder mágico a você e pode ser que você retorne ao descontrole da infância. - ele disse, sério. - Irá arriscar isso tão próximo de ir caçar mais uma Horcrux?

- Em duas semanas terei controle de tudo. Não se preocupe. - eu afirmei. - Então, vai ajudar ou não?

- Claro que vou. Se não posso impedi-la, pelo menos posso ajudá-la a não morrer. - Evan se recostou na cadeira e suspirou. - Sirius está no laboratório e acho que James também. Vamos buscá-los e começar a fazer a mandala e as runas. Quanto mais cedo acabarmos com isso, menos sanidade eu vou perder.

Eu abri a boca para responder, mas fui interrompida por um barulho tão alto, seguido por toda a casa tremendo como se estivesse em um terremoto - Evan, para o crédito dele, ficou de pé imediatamente e me impediu de cair da cadeira.

- Que diabos… - eu comecei, levantando com a ajuda do Rosier, com as pernas trêmulas.

- Alguém explodiu alguma coisa. - ele agarrou meu antebraço e saiu me arrastando para o laboratório de Poções. - Esses experimentos com magia de vocês…

- Ei! - eu reclamei, ainda sendo arrastada pelos corredores e um lance de escadas.

Evan estava certo.

E a explosão tinha sido no laboratório de Poções de Fleamont e Alvo.

- Santo Deus. - eu ofeguei, quando vi a porta toda torta, mas inteira. Evan entrou na sala, me deixando para trás, mas eu o segui mesmo assim.

Havia uma fumaça preta com cheiro muito forte, como de alcaçuz queimado, saindo de um caldeirão. Alvo se levantava, resmungando e ajudou Bells a se erguer, enquanto minha irmã fazia caretas.

Ele havia protegido Bells com o próprio corpo.

Bom. Eu olhei ao redor e James praguejava baixo, se levantando por trás de uma mesa derrubada. Ele mancou até o meu lado:

- A tintura super estável de Alvo explodiu. - ele massageou a lombar. Eu mordi o lábio, para segurar um sorriso, e dei mais uma olhada na sala, enquanto Evan ajudava Sirius a levantar e Regulus resmungava atrás de Remus.

- Estão todos bem? - eu perguntei, exatamente enquanto Lily, Pontas, Euphemia e Fleamont corriam para dentro da sala.

- Sua poção explodiu? - Fleamont perguntou ao mesmo tempo, marchando até Alvo, que suspirou:

- Assim que adicionei a beladona tudo foi água abaixo. - ele lamentou.

- Está mais para fogo acima. - Cygnus olhou o melhor amigo, mancando até Anabelle. Minha irmã estava inteira, mas Cyg tinha um corte que vertia sangue do joelho.

- O que…

- O bico de bunsen quebrou quando eu voei para cima dele. - meu irmão respondeu antes que Anabelle terminasse a pergunta.

- Estão todos bem? - eu repeti, séria. - Nada de ferimentos graves?

- Só uns cortes. - Regulus comentou, com a manga da camisa pressionando a testa.

- Bem, então, vamos todos para a sala de feitiços. - Euphemia nos apressou. - Vamos colocar esses feitiços de cura básicos em uso.

- Eu vou restaurar o laboratório. - Fleamont disse, rápido. Al encolheu os ombros:

- Sinto muito.

- Não se preocupe. Quando estava no auge da minha carreira, eu explodia esse laboratório semanalmente. Faz parte do processo. - Fleamont apertou o ombro de Al. - Depois que resolver seus ferimentos, volte aqui. Vou te ensinar como tirar esse cheiro horrível das roupas.


Depois do fiasco da tintura da Runa, e de todos serem devidamente remendados, Evan, Sirius e James me seguiram para o pátio, atrás da Mansão, uma área que eu havia deixado limpa de neve e qualquer objeto, com espaço suficiente para desenhar a Mandala e começar todo o ritual e processo.

- Sorte que Al colocou feitiços de proteção sobre as outras coisas. - Sirius comentou, enquanto me ajudava a fazer o rascunho com giz branco no chão de cimento queimado. James e Evan avaliavam cada detalhe do processo.

Eu faria a parte das runas sozinha, sim, assim como todo o processo de me afundar na minha própria magia, mas isso não significava que eu estava inerentemente sozinha no processo.

Eles estavam ali e ficariam ali independente do que acontecesse e aquilo me trazia certa segurança.

- Como você marcará James como sua âncora? - Sirius perguntou e eu encolhi os ombros:

- Há uma runa, mais antiga do que as que conhecemos, usada apenas quando há necessidade de ancoragem entre duas pessoas. - eu expliquei. - Não está nos livros comuns de Runas, mas está nos que Dumbledore me deu. É como uma mistura entre algumas runas.

Eu tinha levado um tempo para compreender aquela runa em específico, mas depois que a entendera, eu tinha ficado um pouco mais tensa: Ehwaz e Berkano eram basicamente uma jura de parceira, talvez até de casamento se você fosse mais além na tradução e interpretação, e estavam inclusas na runa que eu tinha descoberto recentemente - aquilo era complicado porque eu estaria eternamente atada a James, mesmo que não fosse um casamento de fato. Depois vinha Algiz e Thurisaz, que eram basicamente uma conjuração de proteção, mesmo que Thurisaz fosse algo mais… Bem, destrutivo, como uma força protetora além do que a própria Algiz faria.

Mas de certa forma não fazia diferença: James e eu éramos uma coisa só.

- Não é uma das originais, é? - Sirius perguntou, curioso. Eu sacudi os ombros:

- Não. Essa foi criada como a que eu criarei. Alguém deve ter se fodido de uma forma terrível e perceberam que, talvez, uma âncora fosse dar uma certa estabilidade. Foi bem no início, quando ainda não nos escondíamos. - eu olhei meu avô e sorri. - Fique tranquilo. Eu pesquisei muito essa runa antes de sequer dizer a James que ele seria minha âncora. É seguro.

- Tão seguro quanto pode ser. - ele corrigiu e eu acenei com a cabeça, concordando, e nós fizemos o último círculo da mandala.

- Agora, você e Evan irão usar a tinta para fazer a mandala. Sigam estritamente este desenho. - eu apontei para o chão. Evan se aproximou de Sirius, com um pote de metal em mãos e pincéis grossos e resistentes. Os dois começaram a desenhá-la lado a lado, com as linhas se tocando, exatamente como deveria ser, de dentro para fora.

A única pessoa que entraria na mandala seria eu.

E James, se tudo desse errado.

- E agora? - James me olhou, ansioso. Ele também segurava um pincel e eu parei na frente dele:

- Agora faremos a nossa runa de ancoragem. - eu abri o sorriso mais confiante que consegui, mas certamente pareceu mais uma careta. - Eu faço em você primeiro e depois a fará você em mim.

- Algum lugar específico? - James questionou, passando o pincel e o pote de metal com a tintura preta e densa com piche, com cheiro não muito agradável, porém tolerável, para mim.

- Pode ser em qualquer lugar. Quando a âncora era um irmão ou parente, podia ser perto do coração. Maridos ou esposas também. - eu desviei o olhar. - Qualquer outro fazia nas costas. As runas base tem parceria no meio. Quando era algum amigo, às vezes o marido ou esposa não gostava quando era no coração.

- E o que nós somos? - James perguntou, a voz tão baixa que eu tive que inclinar a minha cabeça para ouvi-lo melhor. Eu hesitei por um momento, incapaz de dizer qualquer coisa além de:

- Abra a camisa, por favor. - eu desviei o olhar. James, ao invés de simplesmente abrir os botões da camisa e puxá-la para o lado, simplesmente a arrancou pela cabeça.

Ótimo.

Na frente dos meus dois avôs.

Onde é que ele estava com a cabeça?!

Eu não me dignei a olhar para o Black e o Rosier, que continuavam o desenho, mas eu sentia a atenção dos dois sobre James e eu. Eu respirei fundo, molhando o pincel na tinta espessa e comecei o desenho: primeiro, Berkano e, colado nela eu desenhei Ehwaz, com as linhas se tocando. Da concavidade da runa Ehwaz, puxei o traço que formaria a Algiz e, por fim, fiz o pequeno triângulo na face externa do último traço da Ehwaz, completando, assim, com a Thurisaz.

Bem sobre o coração de James.

A tinta brilhou levemente, como se tocada pela luz da estrela que tinha dado origem ao meu nome. Meus avôs agora completavam o último círculo, o que compreenderia toda a mandala.

Estava quase na hora.

- Sua vez. - eu estendi o pincel para James, depois que ele vestiu a camisa novamente. A grande vantagem das tinturas mágicas era justamente essa: secavam quase imediatamente. Aquela também era uma grande desvantagem porque eram difíceis de apagar. - Não esqueça de usar o pincel como se fosse uma varinha, para que sua magia se ligue à minha. - eu lembrei, ansiosa.

- E minha alma à sua. - James disse, sério. Eu assenti, abrindo os poucos botões do vestido que tinha escolhido para o dia, apenas o suficiente para puxar o decote para o lado sem expor meu sutiã, para que James desenhasse a mesma runa em mim.

Aquilo era tão íntimo que parecia errado ter testemunhas ali, embora eles estivessem no pátio para nos ajudar. Nós deveríamos ter feito isso ontem a noite, quando a tintura ficou pronta, em nossos quartos, sem testemunhas daquilo.

A tinta era tão espessa que não escorria pela minha pele, ficando exatamente onde James fazia o traçado com o pincel. Eu sentia a ponta do pincel vibrar com a magia que emanava de James e a tinta, apesar do inverno, permanecia em uma temperatura quente e agradável.

Ou talvez fosse só o meu corpo respondendo a toda essa situação.

- Pronto. - James guardou o pincel no pote e olhou para mim, enquanto eu puxava o vestido sobre o pouco de pele que tinha exposto e abotoava o vestido com os dedos trêmulos. - É normal sentir o corpo todo formigando?

- Sim.

- Acho que não é da magia, mas não vou discutir. - Evan parou ao nosso lado, impassível. Sirius olhava para nós dois, os olhos cheios de curiosidade, mas não disse nada.

E era péssimo quando ele não dizia nada porque depois eu era encurralada por ele.

- Agora é com você. - Evan olhou para mim, sério. - Estaremos aqui.

- Qualquer sinal de algo dar errado, usarei a runa que me ensinou. - James fez um carinho na minha bochecha. Sirius se aproximou e colocou as mãos nos bolsos, tentando parecer tranquilo, mas os olhos estavam tão cinzas e obscuros como uma tempestade de inverno:

- Estaremos aqui. - ele prometeu. James me ajudou a colocar toda a tinta dentro de um só pote e eu segurei o pincel com firmeza, ainda sentindo a runa no peito queimando, ainda sentindo todo o meu corpo formigar.

E sentindo o que eu supunha ser a magia de James se aproximando da minha, como duas entidades completamente independentes de nós dois. Havia certo conforto ali, como se ambas se conhecessem há muito tempo e estivessem felizes em se reencontrar.

Eu sabia que a magia se comportava de forma independente, às vezes, mas senti-la assim era algo novo, mas que tinha sido explicado como possível - quando duas almas estavam completa e verdadeiramente entrelaçadas, a magia de cada um reconhecia a outra como parte inerente de si própria e causava essa exata sensação.

Era raro, o livro dizia, mas era a combinação mais segura pois a magia e a alma daquelas duas pessoas se reconhecia como uma só - portanto a parte que acessaria a Magia Ancestral estaria segura porque a âncora sentiria quando perigo se aproximasse.

Divertido.

E assustador.

- Certo. Hora de ir. - eu acenei com a cabeça e fui até o limite do traçado, hesitando por um segundo antes de entrar na mandala.

O processo começava ali.

Assim que pisei no primeiro círculo, todos os traços se iluminaram com uma luz azul clara leve e delicada, quase frágil. Eu sabia que, conforme eu fazia os feitiços e runas necessários para o ritual, o brilho se tornaria quase branco.

Então, de círculo em círculo, eu me agachei e comecei a desenhar, falando os feitiços antigos praticamente esquecidos - ou proscritos? - conforme fazia cada traço e curva.

E, conforme o esperado, a luz ficava cada vez mais forte com a magia que eu infundia nas runas e na mandala conforme cantarolava e desenhava, ignorando o olhar dos três homens sobre mim e o calor que parecia sair do centro da runa desenhada por James.

Eu já estava começando a suar, embora fosse janeiro.

Eu cheguei ao centro da mandala, depois de fazer a última runa de segurança. Assim que pisei sobre o círculo central, magia emanou dos traçados criados por Evan e Sirius. Eu joguei o pote de tinta longe, conforme havia planejado.

Eu não tinha sido específica com eles a respeito da última runa a ser desenhada - a que me deixaria mergulhar no meu próprio poder até acessar a chamada Magia Ancestral.

Aquela runa era intrinsecamente ligada à mandala e era por isso que precisava ser desenhada por pelo menos um ancestral - primeiro porque a aprovação do risco era importante para o processo, segundo porque a runa de ativação seria desenhada com meu sangue.

James gritou meu nome, mas eu o ignorei quando puxei a adaga de prata que eu tinha surrupiado de Alvo naquela manhã, logo após a explosão, e fiz um corte profundo na minha mão. Assim como a tintura e o pincel, a adaga foi atirada para longe da mandala - a única coisa mágica ali dentro era eu.

E meu sangue, que agora pingava no meu colo enquanto eu sentava com as pernas cruzadas e molhava a ponta do meu dedo indicador direito na poça de sangue que vertia do corte profundo que eu causara a mim mesma.

Para atingir esse nível de magia, você precisava dar algo de você. E sangue era força vital e um passo importante no livro escrito pelo meu ancestral, aquele primeiro que me dera os detalhes de como chegar ao poço mais profundo de magia dentro de mim.

A Magia Ancestral nada mais era do que sua própria magia, porém sem restrições. Nada maligno por si só, assim como toda magia, mas que poderia se tornar maligno se você a usasse para coisas malignas.

Magia era neutra.

E Magia Ancestral era seu próprio poder, sem barreiras colocadas pelo seu próprio corpo, um processo que antes era ensinado em casa para aqueles que queriam e necessitavam de acesso completo à sua magia.

O que eu precisava agora, porque criar uma Runa nova não era um processo no qual magia de acesso simples me permitiria.

O último traço foi desenhado exatamente quando a última palavra do encantamento foi dita por mim. Suor escorria pelo meu pescoço, mas isso não importava.

Agora eu precisava me concentrar. Era a parte mais importante do processo. A meditação era necessária e era ensinada nos livros - eu podia visualizar a minha magia de várias formas, e preferi a mais simples: um arcabouço trancado, como muitas correntes e travas.

Eu precisava desfazer cada volta das correntes. Precisava destrancar cada trava e cadeado. Era uma tarefa mais complexa do que parecia, precisando de muito mais dedicação do que eu esperava, mas para a qual eu vinha me preparando nas últimas semanas.

Então, nos confins da minha mente, eu sentei no chão escuro e frio do arcabouço, e comecei a desfazer aquela bagunça que me trancava para fora.

JAMES SIRIUS POTTER

Electra estava sentada, imóvel, com os olhos fechados. A mão esquerda ainda vertia sangue, mas em um fluxo menos intenso.

Eu podia sentir a magia da mandala.

Mais precisamente, eu podia sentir a magia de Electra, entrelaçada com a minha, ficando cada vez mais forte e a runa no meu peito tão quente quanto estivera no momento que Electra a desenhara. Ela estava perto, mas ainda não corria perigo. Ela estava segura e sentada, meditando, como havia me dito que faria.

Sirius, Evan e eu permanecemos de pé, no limite da mandala, e em silêncio. Todos haviam sido proibidos de vir ao pátio, o que garantia a tranquilidade e o silêncio necessários para o processo pelo qual Electra passava agora.

Sirius estava com as mãos nos bolsos, os olhos cinzas, idênticos aos de Electra, cheios de preocupação. Evan era mais direto: a varinha estava empunhada e ele estava posicionado como se esperasse um ataque.

Eu, por outro lado, segurava o pincel e a lata de tinta como se a minha vida dependesse disso.

Talvez a minha não dependesse, mas a de Els certamente dependia.

Era impossível fingir que o pincel não tremia no mesmo ritmo que a minha mão.

Nenhum de nós disse nada. O único som era o zumbido da magia ao redor de Electra e as nossas respirações.

Não tinha como saber quanto tempo levaria. Portanto, nós permanecemos em silêncio e a postos.


As horas se passaram e, com isso, a minha angústia aumentou. Electra permanecia absorta em qualquer que fosse a forma que tinha encontrado de acessar a Magia Ancestral. A runa no meu peito permanecia com um calor confortável e estável, sem oscilações.

Sirius escreveu em um pedaço de pergaminho, usando a varinha como caneta:

"Ela está bem?"

"Está tão bem quanto esteve nas últimas horas. Sem mudanças", eu respondi, embora a ansiedade me consumisse.

Saber que Els estava bem era diferente de me sentir confortável com a situação.

Evan permaneceu em silêncio, os olhos ainda presos na neta. Eu voltei a olhar Els, ainda sem sentir nada diferente na runa na minha pele.

Sem mudança de expressão, olhos ainda fechados, mas o sangramento na mão que tinha estancado voltou a sangrar.

Aquilo não deveria ser um bom sinal.

E já eram seis da tarde, quase cinco horas depois que Els começou a fuçar na Magia Ancestral e nada de ela acordar.

Um pingo de sangue caiu da ponta do nariz de Electra e, assim que atingiu o chão, a runa no meu peito passou de um quente confortável para uma queimação nada agradável.

Ela ia se queimar.

Eu dei um passo à frente, antes que qualquer um dos dois pudesse registrar o que estava acontecendo. Ainda assim, não fui rápido o suficiente para impedir o brilho branco, quase cegante, da mandala e uma respiração ofegante de Els.

Antes que eu pudesse piscar, a mandala se apagou.

E, junto com ela, Electra caiu.


- Que caralho aconteceu? - Cygnus me encarou, sério. Eu tinha entrado na mandala já desativada, e pegado Electra no colo.

Ela respirava, sim, mas o corpo estava febril o suficiente para que Euphemia me colocasse para fora do quarto e juntasse as garotas para mergulhar Els em um banho gelado.

Então, como todos os outros homens, eu estava sentado à porta do cômodo que Euphemia tinha reformado como uma mini-enfermaria.

- Ela chegou ao fundo da Magia Ancestral. - foi Aric quem respondeu. Ele não estava presente, mas sabia mais do que eu esperava. - Meu avô dizia que isso poderia acontecer com quem fosse tolo o suficiente para acessá-la.

- Corajoso o suficiente. - Alvo corrigiu. Aric encarou meu irmão, os olhos azuis-esverdeados cheios de preocupação:

- Tolice e coragem andam lado a lado. Às vezes é difícil separá-las. - a voz dele soava firme e ele olhou para mim, incisivo. - Me disseram que você foi a Âncora.

- Sim, fui.

- E o que sentiu? - ele questionou. Eu massageei o peito, onde a runa ainda estava desenhada na pele.

Ainda quente, mas agora confortável.

Pulsando como uma criatura com vida própria e independente da minha, porque o ritmo não era o mesmo do meu coração.

- Queimou. - eu expliquei. - Estava morno, confortável, como esteve desde antes de Els entrar na mandala. Do nada o nariz dela sangrou e, com ele, a runa queimou. Eu estava a dois passos de distância e assim que dei o primeiro, a mandala brilhou e se apagou. E, junto dela, a queimação sumiu. Voltou ao que era antes. Continua assim.

- Ainda estão com a runa de ancoragem? - ele questionou, sério. - Talvez se apagá-la…

- Não vou apagar. - eu cortei. - Consigo sentir Els viva. Se tirar isso - eu voltei a esfregar o peito. - vou enlouquecer. Enquanto Electra não acorda, a runa fica.

- Vai ficar dias sem tomar banho? - Nott ergueu as sobrancelhas. Eu virei o rosto:

- A tintura só vai sair com um feitiço próprio. Não se preocupe com o meu fedor. - eu respondi, seco.

- Posso ver que runa ela usou? - Aric questionou. - E da onde ela tirou essa runa de ancoragem?

- Do livro que ela roubou da escola. - eu abri os botões da camisa e puxei o tecido para o lado, exibindo a tinta preta seca sobre meu peito. - É uma combinação, como a que ela irá fazer para retornarmos para casa.

Aric olhou cada traço no meu peito, com um meio sorriso, e depois olhou para mim:

- E desenhou a mesma runa nela? Na mesma localização?

- Sim. - eu evitei o olhar lancinante de Cygnus. Alvo, apesar da situação, parecia alegre.

- Na minha família, há séculos atrás, costumávamos fazer essas runas em casamentos. Essa runa faz uma conexão entre almas e magia, uma ligação inquebrável. Não há feitiço que a apague. - Nott se recostou na cadeira, o rosto cheio de satisfação. - Receio dizer, Sr. Potter, que agora é um homem casado perante minha família.

Eu senti meu rosto corar:

- Bobagem. - eu retruquei. - E não era essa a intenção.

- Mas você a sente, não é? A runa, digo. Ela pulsa. - Aric se inclinou na minha direção. Eu não respondi, mas sabia que meu rosto me traía. - E o ritmo é igual ao de seu coração?

- Não. - eu respondi, seco. Aric abriu um sorriso aliviado:

- É o coração dela. - ele passou a mão pelos cabelos. - Por Merlin, ela está viva. - a voz de Aric soou engasgada por um segundo. - Eu irei matá-la. - ele resmungou em seguida, o alívio seguido de irritação.

Irritação porque Aric tinha um espaço guardado naquele coração gelado apenas para Electra. Ele jamais teria capacidade de sentir fúria direcionada à Els.

- Espere. Essa runa não pode ser apagada? - Cygnus olhou para Aric, descrente. Nott o encarou, sério:

- Só se os dois se arrependerem de se ligarem dessa forma. Ou se deixarem de se amar, o que a fará desbotar até desaparecer, mas levará anos. Sua irmã e James estão ligados ao outro pelo restante da vida. A vida de um não depende do outro, mas James irá sentir Els e ela irá senti-lo o tempo todo. - Aric sacudiu os ombros. - Meus pais não fizeram essa runa. Diabos, quase ninguém a faz mais. Só é desenhada quando é um casamento por amor.

Os olhos de todos eles pousaram sobre mim e Al, ainda, parecia alegre apesar das circunstâncias. Fleamont deu tapinhas no meu ombro:

- Ela vai ficar bem. Depois disso, conversem sobre essa runa.

- É uma tradição da minha família em específico. - Aric emendou. - Pode ser usada em outras ocasiões além de casamento.

- Ancoragem mágica é mais séria do que casamento. - foi a primeira frase de Regulus desde que tudo acontecera.

- Sim, porque partimos da suposição que uma das partes irá fazer algo insensato e perigoso. - Aric respondeu. - Conectar sua alma a de outra pessoa necessita de confiança extrema. É uma runa de ancoragem, sim, mas também de casamento em algumas famílias. A minha foi a única que manteve a tradição, não se preocupe. Se um Malfoy, que seja, ver essa runa não irá entender o que diabos significa e nem vai achar livros com facilidade sobre isso.

- Obtuso como é, provavelmente vai pensar que é uma tatuagem trouxa. - Sirius revirou os olhos. - É magia antiga.

- Mais antiga que Hogwarts. - Nott concordou. - Se ela tivesse vindo até mim, eu teria explicado a história dessa runa, mas ela quer sempre fazer tudo sozinha.

- Els seguiu um livro. - Evan defendeu.

- Sim e o livro não está errado, mas como uma pessoa com mais de dois neurônios deveria saber, qualquer runa tem mais de uma interpretação. - Nott lembrou. - Mas é uma runa segura. É a melhor opção para o que eles iam fazer.

- E por que está criticando? - Al questionou.

- Não estou criticando. Só acho divertido que agora ele é marido dela.

- Eu não sou marido de ninguém. - eu disse, sério.

- Mostre essa runa a meu pai e discutiremos isso depois. - Nott fez um gesto de descaso. - Runa de Ancoragem. Francamente. - ele bufou, sacudindo a cabeça.

Nós voltamos a cair em um silêncio preocupado.


Quase duas horas depois, Euphemia saiu da enfermaria improvisada, parecendo exausta. Lily e Bells permaneceram lá dentro, cuidando de Electra.

- Ela está bem. - Euphemia ergueu a mão, me interrompendo antes mesmo que eu pudesse começar a pergunta. - Electra não chegou a se queimar, muito menos a se exaurir, mas quando ela abriu aquela porta de poder, ela ficou um pouco baqueada.

- Mas a febre passou? - Sirius perguntou, enquanto eu passava a mão pelos cabelos, ansioso.

- Sim, passou. Ela acordou por alguns minutos, disse que estava bem, explodiu uma lâmpada sem querer, e dormiu novamente. - Euphemia suspirou. - A magia dela está um pouco fora de controle, mas acho que ela irá recuperar isso em breve. Mas, pelas próximas semanas, ela deverá descansar.

- Ela vai pegar a Horcrux. - Regulus lembrou, ansioso.

- Não mais. - Euphemia sacudiu a cabeça. - Sugiro que escolham outra pessoa para isso. Electra está sem controle sobre a própria magia e se recuperando. Não estará em plena forma.

Alvo apertou meu ombro:

- Eu não posso ir, Cyg também não. - ele soou ansioso. Eu quase podia ouvir o por favor desesperado na voz dele.

- Assumo essa. - eu assegurei o restante do grupo. - Só preciso que alguém fique de olho em Els quando eu estiver ausente.

- Nós ficaremos. - Evan apontou a si próprio e Sirius.

- Eu também. - Al prometeu. - Podemos vê-la?

- Sim, podem. Mas não tentem acordá-la. - Euphemia se aproximou do marido, que passou o braço em torno das costas dela, murmurando algo que eu não pude ouvir e, para ser sincero, nem me importava.

Eu precisava ver Electra.

Então, seguido pelos outros, entrei na enfermaria pequena, com quatro macas, uma mesa cheia de pergaminhos e duas cadeiras, assim como prateleiras recheadas de diversas poções. Electra estava na maca mais próxima da janela, perto do banheiro. As bochechas estavam rosadas, apesar da janela aberta com o vento batendo diretamente sobre ela. Bells fazia carinho nos cabelos da irmã e Lily ajustava os cobertores, com uma expressão preocupada.

- Ela estava fervendo. - Lily comentou, quando Pontas se aproximou e a abraçou exatamente como o pai havia feito com a mãe. - Conseguimos deixar a temperatura normal, mas é melhor ficar com a janela aberta.

- Ela teve mais alguma coisa? - eu perguntei, puxando a cadeira do lado de Electra, oposto a Anabelle, e segurei a mão morna e macia da garota.

- Nada. Só ficou inconsciente a maior parte do tempo e febril. - Bells respondeu, ainda fazendo carinho na irmã. Cyg parou aos pés da maca, ansioso, e Al colocou as mãos sobre os ombros da namorada, em um aperto reconfortante. - Ela acordou e disse que tinha funcionado. Quando perguntamos se ela tinha certeza, uma lâmpada se explodiu. E aí, ela dormiu de novo.

- Ela realmente não gosta de ser questionada. - Aric arriscou um carinho no braço pálido de Electra. - Garota tola.

- Corajosa. - Regulus corrigiu, arrancando um meio sorriso do irmão mais velho.

- Consegue sentir algo, James? - Remus perguntou, a voz ainda soando preocupada e ansiosa.

- O mesmo que senti antes dessa bagunça toda. Ela só está dormindo. - eu permaneci segurando a mão de Electra. - Está pulsando, mas não rápido demais ou lento demais. Só… Está ali.

- Esse tipo de ritual pode exaurir um bruxo. - Pontas suspirou. - Ela vai levar um tempo para acordar.

- Vai. - Sirius concordou.

- Como sabe que ela só está dormindo? - Anabelle questionou.

- A runa. - Evan explicou antes de mim, o que foi bom, porque eu podia focar naquele batimento estável, confortável e morno. Ainda ali, ainda viva.

Aquilo era a única coisa que me deixava mais calmo.

- Igual a que ela tem? - Bells franziu a testa. - Nós demos banho em Els e não saiu.

Ah, bem.

- E não vai sair. James é a âncora de Electra e ela é a âncora dele. - Aric respondeu. - É uma runa de parceria e proteção. Minha família a usava como runa de casamento, em casamentos por amor. É por isso que James sabe que ela está bem: ele sente a pulsação dela no próprio peito.

- É uma runa de casamento? - Bells pareceu encantada, olhando para mim, com uma mão sobre a boca e os olhos marejados.

Pelas cuecas imundas e fedorentas de Merlin.

- É a tradução da família dele. - eu sacudi a cabeça. - A intenção era ancoragem mágica para que ela não se perdesse.

Bells acenou com a cabeça, incapaz de responder, e deu um beijinho na bochecha da irmã, murmurando alguma coisa que eu não consegui ouvir.

- Pelo menos funcionou, já que você sentiu quando ia dar merda. - Cyg suspirou.

- Foi coisa de dois segundos. James deu um passo para frente, com o pincel na mão, a mandala brilhou e Els desmaiou. - Evan explicou. - Eu nem percebi que ela estava esquisita. Foi só depois que vi o sangue no nariz e na mão dela.

Bem, pelo menos foi mais rápido do que eu tinha pensado.

- Vamos deixá-la descansar. - Sirius disse, por fim, quando todos ficamos em silêncio por um período mais prolongado. - James, quando quiser descansar ou tomar um banho, avise um de nós.

Era bom saber que eles sabiam que eu não sairia do lado de Els agora, independente da Runa me dizer que estava tudo bem ou não.

Eu apenas assenti e voltei a observar o rosto sereno da garota, agora sem manchas de sangue e sem careta de dor, enquanto os outros saíam.

Eu tinha uma longa noite pela frente.

ELECTRA ADHARA BLACK

Eu sempre gostara muito de nadar.

Muito mesmo, principalmente no mar, apesar do risco de ser carregada pela correnteza. Eu era uma ótima nadadora, ensinada por muita gente já que ninguém conseguia me arrastar para fora da água desde pequena.

Então por que, apesar de conseguir manter a cabeça para fora da água e sentir o ar entrando nos pulmões, eu sentia como se estivesse afogando?

Ou, pelo menos, prestes a me afogar.

Depois de passar pela porta do arcabouço, eu tinha dado de cara com uma entrada alagada, na qual eu podia ver o luar se estendendo até metade do caminho. Da escadaria de pedra até lá, parecia um longo caminho, mas nada que eu não conseguisse fazer.

Eu já tinha nadado distâncias mais longas.

Então, apesar do receio da água escura e absolutamente congelante, eu não hesitei muito antes de entrar na água e começar a nadar em direção ao luar, que eu sabia ser a única saída disponível.

E, independente do quanto nadasse, a coisa parecia cada vez mais longe.

Primeiro, eu tinha achado que o arcabouço era onde toda a minha magia estava lacrada, mas aparentemente eu teria que passear um pouquinho mais antes de chegar ao fim daquilo tudo.

Era muita coisa.

Meu peito formigava e eu podia sentir as batidas do coração de James na runa - ele estava bem e se ele estava bem, eu estava bem. Por um momento eu havia afundado na água, encontrando minha irmã e Lily - e eu ainda não sabia bem porquê, mas era uma questão que eu pensaria depois - e depois tinha conseguido emergir novamente.

Mas eu estava cansada.

Desde aquele mergulho não intencional eu estava exausta, mas pelo menos eu já estava sob o luar.

E a distância da entrada da caverna parecia cada vez menor e era só mais um pouquinho antes que meus dedos tocassem a entrada de pedra escura e escorregadia.

Que surpresa, então, quando eu finalmente a alcancei, e me segurei com ambas as mãos em uma das laterais e consegui olhar para o restante do caminho que me aguardava.

Se eu continuasse por aquele lado, eu alcançaria uma escada escavada na pedra, que me levaria para fora da água e eu poderia simplesmente descansar por alguns momentos, antes de retomar meu caminho de volta para meu próprio corpo.

O único problema era que as ondas do mar batiam com certa força naquele lado, mas ainda mais seguro do que dar toda a volta pela caverna até chegar na areia. Mais curto e algo que eu sabia que conseguiria fazer desde que me mantivesse colada na rocha.

Então, eu comecei a me arrastar pela lateral da caverna, segurando na pedra e xingando baixo quando meus dedos entravam em contato com um ouriço que eu não tinha visto. Algumas ondas eram mais leves, outras mais fortes e faziam meu peito bater contra a pedra e me deixavam com falta de ar, mas ainda era possível.

O alívio de chegar à escada se foi tão rápido quanto quando chegou quando vi que todos os degraus estavam cobertos por limo.

Ótimo.

Eu estava encharcada e agora teria que subir uma escada cheia de limo. Subir andando era quase impossível: minhas pernas queimavam do esforço de nadar e de manter minha cabeça acima da água.

Então eu me arrastaria escadaria acima e que se foda a humilhação de engatinhar depois de jurar a todos que era uma nadadora excelente e uma jogadora de quadribol em plena forma.

Eu certamente não estava em plena forma.

Eu me puxei para cima do primeiro degrau, praguejando quando minha mão escorregou um pouco, mas não caí. Seria pior se, além de toda a dor muscular, eu acabasse com um queixo cortado ou um nariz quebrado.

Então, degrau por degrau eu me arrastei, murmurando cada e todos palavrões que eu tinha aprendido com a minha longa convivência com James e os aurores.

Quando cheguei ao topo foi um alívio ao ver a estrada que me esperava. E, estacionado bem ali, como se estivesse me esperando, estava o carro dos meus pais.

- Finalmente. - mamãe riu, me ajudando a levantar e papai apoiou meu peso quando minhas pernas fraquejaram por um segundo. - Eu sabia que conseguiria.

- Estou tão orgulhoso de você. - papai beijou a minha cabeça, apesar dos restos de sal e algas marinhas emaranhados ali. - Vamos para casa. James está esperando você.


Eu abri os olhos de uma só vez, puxando o ar em um resfôlego assustado.

Aonde eu estava?

- Els. - os olhos castanhos com pontinhos dourados e halo esverdeado apareceram na minha visão imediatamente. - Santo Deus, você acordou. - a voz de James soava extremamente aliviada. Ele deu um beijinho na minha testa. - Graças a Merlin.

- Aonde estou? - eu perguntei, minha voz estava rouca, talvez pela falta de uso.

- Na enfermaria da Mansão Potter. Euphemia fez essa sala para nós. - James afastou uma mecha de cabelo do meu rosto.

- Ah.

- Você nos assustou um pouco. - ele baixou os olhos, entrelaçando os dedos nos meus. - Estamos nos revezando para ficar com você.

- Quanto tempo estive inconsciente?

- Cinco dias. - James respondeu, sério. - Eu sabia que estava bem, mas havia momentos em que a runa doía. O que estava fazendo? O que sentiu?

- Eu… Eu entrei no arcabouço. - eu pisquei e James franziu a testa. - Na meditação eu entrei em um arcabouço. E depois havia tanta água e eu precisava nadar e nadar e nunca acabava. E, quando cheguei à entrada da caverna, ainda tive que escalar. - eu suspirei, erguendo uma mãos trêmula até meu rosto.

- Mas conseguiu?

- Considerando o zumbido nos meus ouvidos e que tem alguma coisa muito inquieta dentro de mim, sim. - eu desviei o olhar.

A partir de agora, eu precisaria canalizar minha magia em outras coisas para que ela não me dominasse e me enlouquecesse.

Que bom que eu tinha uma Runa para fazer e era muito interessada em Alquimia. Que bom que estávamos em guerra e eu entraria em muitas batalhas.

Porque eu precisaria colocar aquilo para fora antes que ficasse maluca.

- Me ajude a sentar. - eu pedi e James se levantou, enrolando os braços no meu tronco e me sentou na cama, puxando mais travesseiros para apoiar meu tronco fraco. - Eu sinto como se tivesse sido atacada por uma dúzia de balaços.

- Bem, eu via você contraindo seus músculos, então faz sentido. - James abriu um sorriso triste.

- Cadê os outros?

- Estão todos lá embaixo, em uma reunião com Caradoc, Fabian e Gideon. - James respondeu, desviando o olhar. - Só fui notificado, mas não quis deixar você sozinha. Mandei seus irmãos lá para baixo com eles.

- Os três não deveriam estar cuidando das famílias?

- Deveriam. Mas deixaram todos juntos com outros membros da Ordem em uma casa segura nos Estados Unidos e voltaram. - James fez carinho na minha bochecha. - Eles vieram nos trazer notícias e discutir próximos passos.

- O que aconteceu? - eu perguntei, meu estômago afundando. James sentou na beira da cama, sério:

- A escola foi invadida por comensais da morte, liderados por Pettigrew. - ele sabia melhor do que não ir direto ao ponto comigo.

As luzes piscaram em resposta à minha ansiedade.

- Alunos foram feridos, mas nenhum morreu. McGonagall segurou as pontas com alguns professores e Hagrid, mas…

- Ela está bem? - meu coração palpitou.

- Ferida, mas bem. - James assegurou, respirando fundo. - Mas Dumbledore foi assassinado em seu escritório.

As luzes da enfermaria explodiram.