Mais um capítulo chegando!
Capítulo 15 – As sombras de você
O que eles tiveram na noite anterior não foi sexo, não apenas. Foi amor. Como o reencontro de duas almas afins que passaram por um severo inverno separados.
Quando terminaram, Cuddy deixou-se escorar no peito dele e House cruzou o braço por sobre a barriga dela e eles entrelaçaram os dedos das mãos. Como faziam antes. Era tão certo. Encaixava perfeitamente. Ela sorriu e em seguida caiu no sono sereno.
Pela manhã eles fizeram amor novamente e ficaram namorando na cama depois disso. Até que Cuddy lembrou-se das crianças.
"Temos que ir!".
"Nãoooooo". Ele contestou.
"Sim. Eu também queria ficar aqui com você pra sempre".
House respirou fundo em seus cabelos e a abraçou apertado.
"Vamos tomar um banho juntos?". Cuddy propos.
"E por banho você diz...".
"Um banho!". Ela sorriu. "Já fizemos isso e... minhas partes femininas estão doloridas. Você sabe que não é um homem pequeno".
Ele sorriu orgulhoso. "Ok, continue assim que logo minhas partes masculinas estarão a postos novamente".
"Deixe suas partes descansando até à noite, garanhão".
"Você nunca reclamou...".
"Não é uma reclamação, mas preciso me acostumar novamente a frequência de atrito. Fazíamos muito disso e eu estava meio que parada atualmente".
Ela o puxou pela mão, mas não conseguiu levantá-lo, afinal, ele era muito mais pesado.
"Vamos!". Cuddy insistiu.
"Vamos voltar ao ritmo de antes logo".
"Não tenho dúvidas disso. Agora vamos para o banho!".
"Nãoooo".
"Estamos suados e sujos", ela falou maliciosa.
Ele levantou-se devagar, tomando especial cuidado com a perna e a seguiu até o banheiro.
Lá eles se tocavam, e beijavam um pouco mais, para compensar todo o tempo de afastamento. "Como fiz na sua casa, você também acabou de marcar território na minha cama".
"E eu já não tinha marcado antes?".
"Meus lençóis estão impregnados de esperma...". Ela sorriu.
"Você falando essa palavra me excita demais".
"Lençol?".
"Não! Esperma".
Ela riu alto. "Isso te excita?".
"Muito!".
"Bom saber, tigrão". Ela passou a unha pelo tórax dele até o abdômen como se o arranhasse.
"Não provoque!".
Mas ela deu um selinho demorado nele. "Eu te disse que te amo? Falei isso hoje?".
"Você uivou isso durante o sexo essa manhã". Ele respondeu e ela riu alto.
"Eu te amo!".
Ele sorriu e a beijou.
"Não se anime muito, preciso mesmo dessa pausa". Cuddy o lembrou usando sua mão para o afastá-lo pelo tórax.
"Eu não me canso de você!".
"Nem eu de você".
House, que queria as coisas lentas e devagar, mal teve tempo para pensar e já estava morrendo de amores por ela novamente. Como um cão carente, ele pensou. Mas e quanto a ela? Ela também estava toda aberta e sentimental. Então isso não podia ser ruim. Podia?
"Vamos chegar mais cedo hoje pra oficializarmos as coisas?". Ela propôs enquanto se enxugava.
"Eu tenho que levar Karl a creche". Ele falou como um homem responsável e a deixou ainda mais excitada.
"Ok papai. Depois disso então".
"Você tem certeza?".
"Sobre o quê?".
"Você quer mesmo oficializar isso como da última vez?". Ele estava inseguro.
"Eu quero. Eu quero poder andar com você de mãos dadas em qualquer lugar sem ter que me esconder".
"Teremos que fazer novamente aquela coisa com o RH?".
"Infelizmente sim".
"Por favor, não. Eu não quero que as coisas sejam iguais foram da última vez".
"E o que você sugere? Que nos escondamos? Que finjamos não estarmos juntos?".
"Não sei…".
"House". Ela sentou-se na cama pegando a mão dele. "As coisas não serão iguais, tanto mudou, eu mudei… você… as coisas serão muito diferentes dessa vez".
"Você diz isso agora".
"Não. Eu sei o que eu quero agora, que é você. Uma vida com você. E Karl, e Rachel. E eu não vou abrir mão disso".
"Eu simplesmente não acho que devemos nos precipitar. Aquela coisa de termos calma pode funcionar".
"Tudo bem. Se você se sente mais à vontade, vamos esperar". Ela não queria isso, mas entendia e respeitaria o ritmo dele.
"Mas você não pode dizer pra ninguém que estamos juntos. Nem para Wilson. Especialmente para Wilson". Ele orientou.
"Não farei isso".
"Ok, obrigado".
"Posso ter um beijo agora?". Ela pediu.
Ele sorriu e a envolveu em seus braços. House ainda estava nu e um pouco molhado pelo banho. Cuddy já estava vestida.
"Não me molhe...". Ela reclamou.
"Foi você quem pediu o beijo".
"Um beijo...".
"Eu não sei beijar sem te tocar".
Ela riu.
"Você fica lindo nu".
Ele corou.
"Olha só, eu deixei Gregory House tímido".
"Nunca! Eu estou com calor, é isso".
"Aham, ok... House do bumbum lindo!".
Ele arregalou os olhos surpreso. Cuddy amava apertar as nádegas dele durante o sexo, dar palmadas.
"Ok... é melhor eu me vestir".
"Oh não... House virou puritano agora?".
"Hoje a noite eu vou te mostrar o puritano".
"Você pode falar de minha bunda e de meus seios, mas não eu?".
"Você pode falar também".
Ela sorriu maliciosa. "Machista!".
"Volte aqui, agora!". Ele foi atrás dela ainda nu.
Ela fugiu sorrindo.
"Mulher, mulher... a noite você verá! Se eu fosse machista não namoraria uma mulher que ganha o dobro do meu salário".
"Isso não quer dizer nada...". Ela respondeu de longe.
As crianças acordaram e colocaram um fim a brincadeira íntima dos dois.
"House... você dormiu na cama de mamãe?".
"Eu...".
Cuddy riu alto. "Sim filha, House vai voltar a dormir com mamãe. Tudo bem pra você?".
"SIM!", a menina gritou.
Cuddy riu. "E você precisa bater na porta do nosso quarto antes de entrar porque House pode estar dormindo e você pode acordar ele, tudo bem?".
"SIM!".
"O problema não é eu estar dormindo, é uma parte do meu corpo estar muito desperta".
"House!". Cuddy o alertou com um olhar profundo.
"Eu vou dormir aqui agora?". Karl perguntou curioso.
"As vezes você vai dormir aqui, está bem?". House copiou o exemplo de Cuddy para falar com o menino.
"Eu tenho uma cama aqui?".
"Sim, você tem uma cama e podemos decorar o seu quarto como você preferir". Cuddy chegou dizendo.
"Mas eu gosto do meu quarto".
"Eu sei, mas você vai gostar ainda mais de ter dois quartos", Cuddy disse e o menino arregalou os olhos pensativos.
"Mamãe, porque não dar um quarto de Karl para um menino de rua?". Rachel, que era sempre tão sensível, perguntou deixando Cuddy sem jeito.
"Bom ponto, Rachel. Ótimo ponto". House respondeu e Cuddy o encarou pedindo ajuda sem palavras.
"O que eu vou falar depois disso?". Ele argumentou, mas Cuddy manteve o olhar.
"Quem quer cereal?", House disse e os dois ficaram animados. "Resolvido!". Ele disse e Cuddy colocou a mão no rosto.
...
Nos próximos dias, quando o casal se via no hospital era difícil disfarçar, especialmente para Cuddy, mas eles se esforçavam. Poucas vezes tiveram contato físico dentro do hospital no último mês.
E quanto a Wilson? Ele estava estranhando as desculpas de House para não sair à noite ou aos finais de semana. Mas ele agora era um pai e as prioridades mudaram, não? Ele tentava se convencer de que era isso e estava funcionando para House.
Em uma ou outra ocasião ele apareceu em sua casa sem avisar e Cuddy estava lá com Rachel, mas ela ia de táxi para não deixar seu carro parado na porta da casa dele, e se escondia com a filha quando Wilson chegava.
"House, isso tem que parar. Eu não sei que desculpas dou para Rachel e semana passada quase Karl nos entrega".
De fato Karl disse para Wilson quando ele chegou que Rachel estava brincando com ele.
"Não podemos colocar as crianças no meio de uma confusão dessas".
House respirou fundo, afinal, não assumir um relacionamento tirava o peso das coisas, e ele ainda não estava totalmente seguro com Cuddy. Pelo que aconteceu no passado. Não era falta de amor, mas receio de sofrer novamente.
Ele as vezes falava com Nolan sobre seu relacionamento, o psiquiatra sempre o estimulava a buscar a razão por não querer assumir publicamente seu namoro com Cuddy. "Preciso de um tempo". Ele sempre respondia a mesma coisa.
House combinava com as crianças um jogo. "Não falem que eu vim aqui pra ninguém, ou que Cuddy veio aqui pra ninguém, que vocês ganham um chocolate". Ele até nomeou a brincadeira: 'Boca de túmulo'. Cuddy odiava isso, dizia que ele estava influenciando mal as crianças, dando mal exemplo, mas as crianças amavam.
Além desse dia, também houve uma falha de Rachel. Quando Arlene foi jantar com elas, Rachel se empolgou e disse que brincou de corda com House e Karl, mas que era uma corda heavy metal. Cuddy corou.
"Entendi tudo já". Arlene disse.
"Não tem nada errado pra entender, mamãe".
"Ok, como se eu não fosse mulher ou não te conhecesse de outras épocas".
Cuddy estava muito incomodada com essa situação. Ela não queria viver assim. Não precisava viver assim. E ainda por cima colocar as crianças no meio disso tudo.
Ela queria estar com ele sem amarras. Ela nunca experimentou nada como estar com House, era diferente de tudo o que ela já tinha vivido com outros caras, mas de alguma maneira isso a incomodava demais.
"Vamos esperar um pouco mais". Ele relutava.
"Até quando?".
"Um pouco mais…".
Cuddy ia as vezes para a casa dele, mas não passava a noite. Jantavam, brincavam com as crianças, as vezes faziam sexo enquanto as crianças dormiam no sofá, e voltava pra casa. As vezes ele ia até a casa dela e geralmente passavam a noite lá, ele e Karl. Outras vezes as crianças ficavam com a babá e eles iam para algum hotel. Essa era a rotina deles no último mês e meio.
Sobre as crianças? Elas se divertiam juntas. Rachel amava House, e Karl estava começando a se apegar a Cuddy. Cada dia menos ele perguntava pela mãe, era impressionante como uma criança de dois anos esquecia fácil, Cuddy pensava isso e seu coração doía se imaginando na situação de Lydia.
Os irmãos de Karl vieram uma vez mais para vê-lo. A ex-cunhada de Lydia os trouxe. Eles se despediram e partiram para Seattle com o pai, seria difícil o convívio já que morariam distante, mas House prometeu que levaria Karl para uma visita. Ele ficou com muita dó dos filhos de Lydia, especialmente de Ben. O menino estava sofrendo com o afastamento do irmão mais novo. Antes de partirem House deu um videogame para ele, uma enciclopédia médica para a filha do meio e um kit de maquiagem para a mais velha (Cuddy o ajudou com a escolha e também teve a oportunidade de conhecer as crianças).
"Ela é sua namorada?". Gina perguntou.
"Sim, ela é algo assim". House respondeu.
"Nada de 'algo assim', eu sou a namorada dele". Cuddy corrigiu e o encarou.
"Você é médica também?". Gina perguntou.
"Sou sim".
"Que legal!".
"Ele é um cara legal, mas sei que foi você quem escolheu esse kit de maquiagem pra mim. Obrigada e ainda bem que não foi ele, senão capaz de me dar alguma coisa infantil". A mais velha disse feliz com o presente e com uma pitada de ironia. "Ou para maquiagem de Halloween".
Cuddy riu. "Eu sei que sim. Homens…".
As duas riram.
Ben foi embora com a promessa de que jogariam on-line sempre que pudessem. E de fato House, Ben e Karl jogavam online pelo menos uma vez na semana. House comprou até dois fones de ouvido gamers e super modernos para conseguirem falar enquanto jogavam juntos. Era o momento do dia preferido do garoto Ben, mas seu pai não podia nem sonhar. Por sorte o homem não dava tanta atenção aos filhos assim, estava às voltas com uma nova namorada e os largava. Ele podia jogar em paz com o irmão e com House, ou melhor, com Falcão e Gavião. Ele desejava intensamente também ser filho de House. Infelizmente a fantasia nem sempre é real.
Mas naquele dia Cuddy falou com ele.
"Você nem quer nomear nosso relacionamento?"
"Cuddy… eles são crianças".
"Mas não nós. Eu sei que eu fiz você sofrer, mas eu também sofri, acredite em mim. Agora estamos bem, porque não podemos curtir e nos assumir?".
"Você sabe".
"Quase dois meses disso… eu não quero e não tenho que ficar fugindo de ninguém. Semana passada aquela mulher ligou novamente e você atendeu. Eu não quero isso mais. Quero poder pegar o telefone e pedir pra essa vaca não ligar mais para o meu namorado".
Ela se referia a Bella.
"Eu falei pra ela que estou comprometido".
"E ela continua ligando".
"Eu não controlo se ela liga…".
"Você já bloqueou o número dela como eu te pedi?".
"Sim". Era mentira. Não por mal, mas ele havia se esquecido.
"Porque eu não gostaria de saber que você fala com ela".
"Eu não quero nada com ela. Se quisesse eu teria tido algo antes de voltarmos".
"House…". Ela tentou se controlar. "Eu só quero poder ficar com você e ir para os lugares com você e com as crianças. Não quero viver fugindo".
"Eu sei. Vai chegar o momento".
"Você tem vergonha de estar comigo?".
"O quê? Claro que não! Você é quem deve ter vergonha de mim".
"Pois eu não tenho. Eu quero estar publicamente com você".
"Eu sei... eu sei...".
Nem House sabia o que esperava. Uma luz que viesse e trouxesse a certeza de que dessa vez eles se dariam bem? Ele não sabia. E com isso mais um mês se passou.
Cuddy sorri acompanhada de um homem alto e forte. Era o baile anual de arrecadação no hospital. Ela estava linda e o homem elegante e, sem sombra de dúvidas, dando em cima dela. House odiava esses eventos mais teve que ir, ele foi praticamente obrigado a ir por Cuddy, mas… eles não estavam juntos oficialmente. Então ele ficou de um lado e ela do outro. Aparentemente ela estava disponível já que só os dois sabiam que não. E esse homem chato não saía do pé dela. Cuddy tentava ser educada e evasiva ao mesmo tempo, ela olhava preocupada para House que a encarava obviamente irritado. Depois de algum tempo ela foi até o bar e House a seguiu.
"Estou amando ver isso".
"A culpa é sua!". Ela devolveu pra ele.
"Minha culpa?".
"Se estivéssemos aqui como um par isso não aconteceria".
Ele engoliu em seco e ela voltou para seu trabalho. Ele pegou uma bebida.
"E Karl como está?". Wilson perguntou. Ele estava acompanhado de uma mulher que conhecera no pet shop em que levava seu gato para tomar banho.
"Bem". House respondeu sem tirar os olhos de Cuddy.
"Está com a babá?".
"Obviamente".
"O que você está olhando? Ah Cuddy. Ela está linda, não?".
"Onde está sua companhia?".
"Foi ao toalete".
"Toalete?".
"Banheiro".
"Ela tem dez gatos?".
"Sim".
"A casa dela deve ser horrível".
"Não sei… nunca fui até lá".
"Ela deve ter pelos de gato até na vagina".
"Pare com isso!". Ele sussurrou quando a mulher retornou.
"Vamos dançar?". E levou Wilson de lá.
Melhor, assim ele podia focar em Cuddy. E seus olhos a acompanhavam sem parar. E ele bebia sempre que alguém se aproximava dela.
Cuddy estava muito incomodada com a situação com House, com o fato dele não querer assumir o relacionamento publicamente. E percebendo o desconforto dele com o assédio dos homens, resolveu tirar proveito disso em favor da causa por qual lutava. Ela aceitou um pedido de dança do sujeito assediador.
House quase morreu com aquilo. Ele ficou acompanhando as mãos do homem onde estariam. Até que ele não se conteve e marchou até a pista de dança.
"Por favor, me permita dançar com a reitora".
Cuddy olhou para ele surpresa.
"Ei, sou eu quem cheguei primeiro". O sujeito contestou.
"Ela não é um prêmio de corridas". House disse irritado.
"Aguarde na fila!". O homem disse petulante.
"Senhores, eu acho melhor…". Ela tentou dizer algo para conciliar quando House deu um empurrão no sujeito.
"O que é isso seu… idiota!". O sujeito voltou com um soco certeiro na bochecha de House.
House se desequilibrou e foi pra cima da mesa. Cuddy se desesperou e foi acudí-lo.
"Eu estou bem". Ele se recuperou.
A festa parou. A música parou. Todos pararam para olhar.
"Você está bem?". Ela estava muito preocupada.
House se levantou e pareceu inabalado.
"Eu estou bem. Ele bate como uma moça".
"Seu…". O homem caminhou novamente para ele.
"Pare!". Cuddy interveio. Os seguranças se aproximaram e queriam retirar os dois briguentos.
"Não precisa, eu tenho certeza de que os dois vão se controlar a partir de agora". Cuddy falou.
"E eu vou ficar ao lado de minha namorada a partir de agora". House colocou os braços em volta da cintura de Cuddy de forma possessiva.
Todos arregalaram os olhos esperando a reitora reagir. Mas a reação dela foi colocar seus braços ao redor dele também.
O burburinho foi geral.
"Vocês estão juntos?". O homem perguntou indignado.
"Como uma panela e sua tampa". House disse.
"Desculpe cara, eu não sabia". Ele ficou sem graça.
"Ninguém sabia. E é culpa minha. A partir de agora quero que todos saibam que eu e Cuddy somos um casal. Uma coisa só. Talvez Cuse. Cudse. Cuouse. Houddy… Huddy".
"Ok. Acho que eles entenderam". Cuddy o interrompeu.
"E voltem para a festa!". House falou enquanto arrastava Cuddy de lá.
Sentaram em uma mesa distante. "Você… não podia ter sido diferente? Olha a confusão que aconteceu. Agora todos vão comentar sobre isso".
"Você deveria saber que é minha maneira de fazer as coisas, baby".
"O RH vai me atormentar agora". Cuddy reclamou.
"Você não queria vir a público? Então…".
"Mas a que termos?".
"Comigo será sempre assim, Cuddy. Acostume-se. É tudo ou nada".
Ela respirou fundo. "Como está seu rosto?".
"Doendo".
"Você precisa colocar gelo".
"E dar a satisfação para o babaca? Não!".
"Você não muda!".
"Em algumas coisas… nunca!".
"E eu te amo mesmo assim. E… de certa forma eu estou aliviada".
"Agora podemos fazer sexo pelo hospital". Ele a apalpou e ela se afastou.
"De certa forma… preferia que tivesse sido diferente".
"Você sempre vai ter essa sensação comigo. Se isso for um problema pra você, melhor dizer logo!". Ele foi agressivo. Ainda existia o medo da dor e de que ela mudasse de ideia.
"Eu não quero outro homem, você sabe disso. Só acho que as vezes podemos agir com um pouco menos de emoção".
"Emoção é meu nome do meio, baby".
Ela riu. Mesmo sem querer, ela não pode evitar. Não conseguia resistir aquele sujeito que carregava a rebeldia juvenil consigo. É que ela amava isso nele.
Pouco depois Wilson se aproximou. "Seus filhos da puta!".
Os dois olharam pra ele.
"Vocês esconderam isso de mim. Faz sentido agora. Como eu não notei?".
"Não faz tanto tempo assim…". Cuddy disse enquanto pegava na mão de House. Ela estava louca para poder tocá-lo publicamente. Era muito ruim viver fingindo um distanciamento. "Se bem que... foram longos três meses…".
"Você está bem? Seu rosto?" Wilson se preocupou quando viu um hematoma surgindo.
"Sim, estou bem".
"Eu disse pra ele colocar gelo, mas aparentemente o jogo de masculinidade o está impedindo". Cuddy reclamou, mas permaneceu carinhosa segurando a mão dele. Depois de tanto tempo à sombra, ela não queria mais deixar de tocá-lo agora que podia.
"Eu irei sobreviver".
"No final de semana que vem será aniversário de Karl, você quer estar com o rosto machucado, meu amor?". Cuddy perguntou.
Wilson arregalou os olhos. "Meu amor?", ele pensou mas não disse nada, afinal, ele não queria reprimir a expressão de amor do casal. Era diferente da primeira vez, não que eles não se amassem e demonstrassem carinho antes, mas era algo mais velado.
Outra coisa que afligia Cuddy era o aniversário de três anos do menino que seria em breve, House não faria nada grandioso, mas Cuddy estava preocupada em como estaria presente se eles não assumiam o relacionamento. Blythe viria e alguns poucos convidados. Mas como ela justificaria sua presença e de Rachel? Ou se fosse de qualquer maneira, como disfarçariam a intimidade familiar entre eles e as crianças?
"Ok… me dá esse monte de gelo logo". Ele se convenceu pois imaginou sua mãe lhe fazendo milhões de perguntas. Ele faria tudo para evitar isso.
Ao longo da noite funcionários do hospital vinham cumprimentar Cuddy. Chase se aproximou e chamou House de cachorro. "Eu sempre soube que ainda existia algo entre vocês".
"Só não engravide de tanta emoção!". House o provocou.
Com a noite chegando ao fim eles voltaram para a casa dela onde as crianças haviam ficado com Marina.
"Feliz que agora assumimos publicamente?". Ele a provocou.
"Sim, mas poderia ter sido diferente. Sem nenhum morto ou ferido". Ela foi olhar o rosto dele. "Tenho uma pomada pra isso".
"Você não sabe qual a maneira pela qual eu ajo? Caminhos misteriosos e insanos".
"Você só fez isso porque estava com ciúme".
"Eu não estava com ciúme. O sujeito era inconveniente".
"E se ele não estivesse lá hoje? Ficaríamos anos escondidos?"
"Claro que não".
"Como eu viria para o aniversário de Karl?".
"Você viria como Wilson virá".
Ela se aproximou dele e passou a pomada na bochecha dele com mais força do que o necessário. E ele reclamou "ai! Cuidado!".
"Entenda de uma vez por todas que eu não sou só sua amiga. Somos um casal. Não me compare a Wilson".
Ele sorriu.
"O que foi?".
"Nada".
"Diga!".
"Pra quê? Pra você terminar de machucar meu rosto?".
Ela parou e olhou pra ele sem desviar o olhar.
"É bom estar livre pra ficar com você. É isso".
"Por que demorou tanto?".
"Eu não sei… eu estava com medo. Ainda estou…".
"House". Ela pegou na mão dele. "O medo sempre vai existir, mas eu te prometo que faremos diferente dessa vez".
Ele não disse nada.
"E se me tratar como uma amiga novamente, eu corto o seu pau enquanto você dorme".
Ele arregalou os olhos.
"Porque eu sou apaixonada por um homem insano, e crimes passionais tendem a ser cruéis. Muito cruéis".
Ele engoliu seco enquanto ela foi para o banho.
Continua...
