Mais um capítulo chegando!
Esse será o último capítulo do ano, então aproveito para desejar um ótimo Ano Novo para todos! Nos vemos em 2025!
Capítulo 12 – Vai Lisa!
Nos dias seguintes House matriculou Karl em uma creche perto de casa, ele deixava o garotinho lá quando ia trabalhar e buscava ao final do dia. Sua rotina mudou completamente, pois agora ele tinha que acordar mais cedo e preparar o café da manhã (algo que ele não fazia antes, geralmente comia qualquer coisa no hospital). Depois a noite ele precisava pensar no jantar e ele, como médico, entendia que o garoto precisava comer coisas com qualidade, não podiam pedir pizza diariamente. Então ele começou a cozinhar. Mas os sinais de sua rotina alterada eram visíveis, ele estava cansado. Muito cansado.
"Você poderia conseguir uma cozinheira, uma empregada doméstica… alguém para ajudar você em casa". Wilson sugeriu. "Essa sua mania de que não quer ninguém na sua casa fuçando nas suas coisas é insana e precisa mudar, afinal, agora que você tem um filho e é pai solteiro".
"Ontem Karl perguntou sobre Lydia". House mudou de assunto.
"Oh…".
"Eu tentei explicar que ele não a verá nunca mais".
Wilson ficou chocado com aquilo. "O que você disse pra ele?".
"Disse que a mãe dele foi para uma longa viagem sem volta".
"Você não disse isso".
"Não com essas palavras. Mas eu não sou bom com crianças".
"Falar sobre isso não seria fácil pra ninguém".
"Sobretudo pra mim".
"Talvez você possa recorrer a ajuda de uma psicóloga".
"Então você quer que eu contrate uma cozinheira, faxineira, psicóloga. O que mais? Uma mãe postiça também para Karl?".
Wilson respirou fundo. "Estou só tentando ajudar".
...
Mais tarde naquele dia House foi falar com Cuddy.
"Olá".
"Ei!". Ela sorriu quando o viu.
Cuddy estava dando o espaço que ele e Karl precisavam, mas sempre por perto tentando saber o que acontecia e se ele precisava de ajuda.
"Você teria uma Marina para me indicar?".
Ela sorriu. "Eu posso pesquisar".
"Obrigada".
"Você está sobrecarregado, não é mesmo?".
"Sou um pai solteiro agora".
Ela sorriu. "Sei como é. Sou uma mãe solteira".
"Seria bom ter ajuda".
"Por que vocês não vão jantar hoje em casa?".
Ele arregalou os olhos. "Não sei se é uma boa ideia".
"Claro que sim. Terá comida, Rachel e Karl podem brincar, você pode beber um vinho e descansar um pouco das obrigações de cozinheiro". Ela sabia sobre a rotina dele, Wilson era sempre um ótimo informante e muito disposto a se abrir.
Ele ficou pensativo.
"Rachel me pergunta todos os dias sobre vocês".
Ele também amava aquela menina, embora nunca admitisse isso publicamente. "Tudo bem".
"Ótimo!". Cuddy sorriu feliz. "Te espero as sete horas, está bom pra você?".
"Às sete".
E às sete horas ele e Karl chegaram. Rachel estava extremamente ansiosa e quando chegaram ela agarrou House. "House!".
"Ei pequena". Ele ficou desconcertado.
"Oi Karl!".
"Oi Rack". O menino ainda não sabia dizer o nome dela perfeitamente.
"Se quiserem brincar, ou assistir a televisão… só não derrubem a casa". Cuddy pediu sorrindo.
Karl era tímido, até se empolgar com a brincadeira, depois disso o menino virava um pequeno furacão.
"Ele é uma graça de criança". Cuddy falou.
"Ele engana bem. Parece quieto, manso, mas depois é só ilusão".
Cuddy riu. "Como estão as coisas?".
"Corridas".
"Eu imagino. Falei com Marina hoje e ela me disse que a prima está disponível. Já peguei o nome dela e fiz uma avaliação. Aparentemente ela é uma boa opção".
House pegou os papéis que ela entregou. "Você é melhor do que o FBI. Não me surpreende, mas sempre é um show a parte".
Ela corou. "Eu sou controladora…".
"Não me diga!".
Cuddy corou ainda mais.
"Para o jantar teremos lasanha vegetariana e não vegetariana. Ok?".
"Ótimo! Obrigado".
Eles ficaram calados por uns segundos.
"Isso é estranho ou só eu penso assim?".
"O que exatamente?". Cuddy perguntou receosa.
"Nós dois aqui com as crianças... depois de tudo".
"Não acho estranho. Parece ser uma evolução".
"Evolução do pé na bunda que me deu? Ganhe um filho e cresça?".
"Não exatamente…". Ela respondeu sem graça.
"Eu ainda não estou pronto pra isso, sabe?".
"Eu… deixe-me ajudar com minha experiência. Será bom pra todos".
"Caridade pra apagar o que aconteceu?".
Ela ficou irritada. "Não caridade. Eu realmente quero fazer isso".
"Por quê?".
"Por você! Por Rachel! Por Karl! Por mim!".
"Por você?".
"Eu… por mais que você não acredite, eu ainda tenho sentimentos por você".
Ele riu.
"Eu não vejo graça nisso".
"Você sente piedade? Compaixão?".
"Eu sinto… eu sinto… eu sinto isso!". De repente ela o puxou para um beijo. Cuddy não viu isso chegando e tão pouco House, mas eles estavam se beijando ardentemente enquanto as crianças brincavam na sala. Então se ouviu uma batida na porta.
"Eu atendo!". Rachel correu para lá.
O beijo foi interrompido. "Rachel, não atenda sem ver quem é".
Cuddy correu atrás da menina e House ficou lá. Atordoado.
"Eu vim vê-la, caso contrário você some com minha neta".
House gelou ao reconhecer aquela voz.
"Mãe... eu... eu...".
"O que houve? Você está recebendo visitas?".
"Vovó! Esse é Karl!". A menina correu para apresentar o amigo.
"O que um menino faz aqui com minha neta?".
"Ele é meu amigo. Ele é filho de House".
Cuddy arregalou os olhos, ah... a sinceridade infantil. Arlene não fez diferente.
"O que ela disse?".
House apareceu. "Olá Arlene, como vai?".
"O que esse sujeito está fazendo aqui?".
"Não me chama mais de Greg?".
"Espero explicações!". Ela encarou a filha.
"Eu o convidei para jantar".
"Ele e Karl". Rachel complementou.
"E quem é esse garoto norueguês?".
Rachel riu sem nem entender o que significava 'norueguês'.
"Esse é Karl, ele é filho de House". Cuddy explicou sentindo o peso daquelas palavras.
"Então você tinha um filho e escondeu essa informação de mim?". A senhora engrossou.
"Ele não sabia sobre o filho...". Cuddy tentou justificar, mas só piorou. Arlene ficou chocada.
"Então devo esperar quantos mais por aí?".
"Não mãe... você não entendeu...".
"Eu não devo satisfações para minha ex-sogra". House respondeu.
"E eu queria entender o que meu ex-genro faz aqui na casa da ex-namorada dele em um jantar acompanhado de um filho secreto".
Cuddy respirou fundo. "House, porque você não leva as crianças para brincarem no quarto de Rachel?".
"Dois homens com minha neta no quarto?".
"Não são dois homens. É House e uma criança de dois anos". Cuddy respondeu irritada.
House tinha ímpetos de ir embora, mas por alguma razão misteriosa, acatou a sugestão de Cuddy e levou as crianças.
Então Cuddy explicou resumidamente toda a questão para a mãe.
"Então agora que ele tem um filho você resolveu deixar seu instinto materno aflorar e adotar ele e o garoto?".
"É só um jantar".
"Sei bem como é isso. Tanto que seu batom manchado, e a boca dele marcada me provam que é só um jantar entre amigos realmente".
Cuddy queria morrer. Primeiro ela interrompeu o beijo que estava tão bom e com tantas possibilidades, depois ela os constrangeu assim e quebrou qualquer clima.
"Ele está amadurecendo...". Ela falava baixo para evitar que House as ouvisse.
"Eu não duvido. Viúvo com um filho".
"Ele não é viúvo". Cuddy respondeu irritada.
"Eu não sou contra, Lisa. Eu acho que você tem que se acertar com o bastardo. Eu acho conveniente na verdade".
Ela olhou chocada para a mãe.
"Ele é o único que a deixa assim, e olha que te conheço desde que começou a safadeza pela vizinhança na adolescência".
"Mãe!".
"Ele é o único que consegue te deixar assim, o único pareô. E agora terão um casal como filhos. Perfeito".
Ela não sabia o que responder.
"Só quero ser informada sobre essas coisas, você nunca me diz nada".
Cuddy nem respondeu de tão em choque que estava.
"Agora eu me vou antes de estragar a sobremesa. Só esperem as crianças dormirem!".
"Mãe!".
"Tchau bastardo!". A mulher gritou.
"Tchau velha!". Ele respondeu de volta.
Ela sorriu e saiu.
Cuddy estava sem palavra com tudo o que aconteceu recentemente. Mas ela caminhou até o quarto. "Mamãe já foi embora".
"Oba! Podemos ir pra sala?". Rachel gritou agora.
"Claro!".
"Vamos bastardo!". A menina falou para House.
"Rachel!".
"O que foi?".
House riu.
"Não use esse palavreado pra falar com House e nem com ninguém".
"Mas vovó...".
"Sua avó é uma senhora louca, Rachel". House disse. "Louca".
"House...". Agora foi Cuddy que o encarou com olhos punitivos.
"O que foi? É a verdade!".
...
O jantar transcorreu seu transtornos. As crianças amaram a comida, House também. Mas Cuddy não via a hora daquilo terminar pra ela conversar com House sobre... o beijo.
House estava confuso com tudo aquilo. Provavelmente Cuddy estava deixando seu lado maternal dominá-la. Isso não era real.
Quando o jantar terminou, as crianças foram brincar um pouco mais e os adultos puderam ter certa liberdade.
"House... sobre o beijo...".
"Não temos que falar sobre isso".
"Sim, nós temos. E eu quero falar sobre isso".
"Não vai se repetir...".
"Não! Não... Eu quero que se repita. Não uma, mas muitas vezes".
Ele se surpreendeu. "Não entendo...".
"Eu quero você de volta!".
Quantas vezes ele sonhou tê-la ouvido dizer isso. Mas por alguma razão parecia errado agora.
"Não é porque eu tenho Karl...".
"Não é por conta de Karl. Não... totalmente. Eu vi que me precipitei em nosso término".
"Não é seu instinto materno falando?".
"Eu gosto muito do garotinho, mas não é isso".
"Você não pode ter certeza".
"Eu pensei muito. Refleti muito".
"E o que você sugere? Ser a mamãe bebê do meu filho?".
Ela ficou ofendida. "Não... não é isso!".
"Porque eu não te entendo, Cuddy. Realmente não entendo".
De repente o telefone de House tocou, ele viu o nome no visor. Bella. Não atendeu.
"Eu estou apaixonada por você". Ela assumiu.
"Amor, paixão... não é o suficiente". Ele lembrou-se do que ela havia dito meses atrás.
"Você sente algo por mim ainda?". Ela se aproximou. Ele tremeu. Como assim? Se ele sentia algo por ela? Como ele deixaria de sentir?
Por sorte, ou azar, o telefone tocou novamente. Bella. Ele não atendeu.
"Se você precisar atender...".
"Não, está tudo bem".
Mas o telefone voltou a tocar. E ele atendeu.
"Oi Bella, algo aconteceu?".
Cuddy ficou vermelha ao ouvir aquilo.
"Estou ocupado, depois te ligo. Tchau".
"Vocês ainda se falam?". Ela perguntou assim que ele desligou, enquanto tentava disfarçar o ciúme.
"As vezes".
"Vocês têm uma relação?".
"Não vem ao caso...".
"Eu estou aqui me declarando pra você. Como assim não vem ao caso?".
"Cuddy, eu simplesmente não consigo entendê-la".
"Eu estou dizendo com todas as letras. O que há para não entender?".
"E amanhã quando eu fizer alguma bobagem? Você vai me colocar pra fora da sua vida novamente como se eu fosse nada? E Karl?".
De repente lágrimas começaram a cair pela rosto dela.
"Bella não faria isso". House a provocou.
"Não quero que compare a nossa história com nenhuma outra". Ela reagiu emocionada.
"Não estou comparando".
"Claro que está! Isso não é justo. Você não está sendo correto".
"Uau! Eu não estou sendo correto?".
"Você é um filho da puta as vezes".
"Pra você não se esquecer disso".
"E eu... eu te amo!".
Por alguma razão House sentiu que era real, que havia a velha conexão indestrutível, e a envolveu em seus braços em um beijo. Ficaram assim por um, dois minutos? Quando se separaram ambos estavam com borboletas no estomago. Por que era sempre tão bom entre eles?
"Eu vou ver as crianças". Agora foi Cuddy quem se afastou, mas os dois pequenos dormiam no sofá. Dois anjinhos. Ela sorriu e voltou.
"Eles estão dormindo".
"Bom". House olhou pra ela com olhos esfomeados.
"Bom?".
"Muito bom".
Eles se atracaram novamente. Não era possível saber onde começava e onde terminava o corpo de um e de outro. Logo foram para o quarto e as roupas foram arrancadas. E eles se entregaram a paixão. Fizeram sexo esfomeado. Enfurecido. Apaixonado. Durou vinte minutos? Meia hora? Não sabiam... Pularam qualquer preliminar e se entregaram ao instinto que os atraía. Ao final ela não fugiu, mas ficou com a cabeça no peito dele.
"Eu... faria isso todos os dias".
Dessa vez foi ele quem se levantou.
"Aonde você vai?".
"Ver as crianças".
"Fique comigo essa noite!".
Ele continuou colocando sua cueca.
"Colocamos as crianças na cama, e voltamos para o quarto".
"Eu preciso ir".
"House...". Ela o puxou pelo braço. "Eu quis dizer tudo o que disse antes. Eu quero nós dois de volta como um casal. Quero você por você! Quero Karl. Quero estar com vocês".
Mas House precisava pensar, era muita coisa para lidar. Ele acenou com a cabeça, terminou de vestir-se e saiu levando junto o filho sonolento.
No dia seguinte Cuddy foi almoçar com algumas amigas. Elas riam, conversavam, mas Cuddy fraquejava e sua mente vagava de tempos em tempos. Até que Helena, a médica amiga de Cuddy e desbocada, disse: "Lisa, você transou!".
Todas olharam para Cuddy.
"O quê? Como assim?".
"Você está com cara de quem transou e de que o sexo foi muito bom".
Cuddy corou. "Não me diga que agora você consegue sentir meus hormônios?".
"Com certeza ela transou". Rita concordou rindo.
"Pode contar tudo!". Helena instigou.
"Eu não disse nada... vocês é quem estão pressupondo".
"Lisa você não me engana. Me apresenta um amigo desse garanhão, estou em um momento de seca prolongada". Helena falou para todas rirem.
Cuddy riu alto.
"Ah não!". Helena arregalou os olhos.
"O quê?". As mulheres perguntaram.
"Foi com ele que você transou!".
Ninguém entendeu nada.
"Com Gregory House".
Cuddy corou.
"Mas eles terminaram?". As amigas contestaram.
"E daí? Nunca ouviu sobre recaídas?". Helena estava convicta.
Cuddy mais vermelha do que nunca.
"Vamos Lisa! Assuma!".
"Ok... Eu posso meio que ter tido intimidades com House".
Gritos generalizados e histéricos das mulheres.
"Vocês estão juntos novamente?".
"Não exatamente... mas eu estou trabalhando pra isso".
De repente Cuddy assustou com Helena dando um tapa na mesa. "É isso! Vai Lisa!".
Todas riram.
"Ela é apaixonada por ele. O cara é bom de cama. Tem um bom emprego. É inteligente. Tem senso de humor. Porra Lisa, se você não for, me diz que eu irei!".
Mais risadas.
"Não é tão simples...".
"Nada é simples, meu amor. Mas você já está no lucro".
"Orgasmo faz bem pra saúde!". Rita falou e todas elas brindaram por Cuddy, e House.
Mas ela ficou pensativa. Ela queria muito isso, mas não seria fácil convencer House sabendo como ele era desconfiado e como fugia da dor, e era fato que ela infringiu dor a ele, mesmo não sendo a intenção.
Continua...
Lembrem-se: Comentários são sempre bem vindos. ;)
