N/A: Crepúsculo não me pertence.

Olá! Essa fic faz parte do Projeto One-Shot Oculta, um amigo oculto entre autoras do fandom de Crepúsculo. Confira as regras e todas as participantes na página bit (ponto) ly (barra) POSOffnet

Você também encontra o link diretamente no meu perfil, na aba de Favorite Authors. Essa fanfic é dedicada à minha amiga oculta Anna!

Amiga, como eu disse foi uma delicinha escrever essa história pra você, espero que você goste de ler, tanto quanto eu gostei de escrever


A 11.000 km de você

Uma comissária e um escritor com medo de voar enfrentam turbulências no ar e no coração, descobrindo que o amor é tão caótico quanto irresistível.


Era mais um dia comum – ou, pelo menos, era o que Bella Swan repetia para si mesma enquanto amarrava o coque no espelho de seu minúsculo apartamento em Queens. O uniforme azul marinho estava impecável, as meias combinavam, e a mala de mão estava organizada com precisão militar. Tudo no lugar, como sempre. Mas por dentro, algo parecia fora de ordem.

Tomando o último gole de café requentado, Bella olhou para o relógio: ainda tinha quinze minutos antes de precisar sair. A janela do apartamento mostrava um pedaço de céu cinzento e as luzes da cidade começando a se apagar com o nascer do dia. Ela sabia que não teria tempo para olhar o céu de novo até o fim do turno – ou talvez nem mesmo então.

Na estação do metrô, enquanto esperava o trem para o aeroporto, Bella ajustou os fones de ouvido e deixou a música preencher o silêncio. As letras falavam sobre distâncias e fuso horários, algo com o qual ela se identificava profundamente. Não era segredo que, mesmo em terra firme, Bella se sentia constantemente em movimento. Era como se nunca estivesse realmente em um lugar, mas também nunca completamente em outro.

Ao chegar no aeroporto JFK, a rotina tomou conta. Passou pelo controle de tripulação, conferiu os detalhes do voo e cumprimentou os colegas com acenos rápidos. Kate, a colega de sempre, já estava lá, animada como de costume.

– Pronta para mais uma aventura, Bella? – Kate perguntou, enquanto ajustava a gravata do uniforme.

– Se aventura significa servir café e responder a perguntas idiotas, estou mais do que pronta – Bella respondeu com um sorriso cansado.

Antes do embarque, Bella aproveitou um momento para olhar o quadro de partidas. Nova York para Londres, 17h30. Destino familiar, rostos desconhecidos. Era isso que fazia o trabalho ser tão peculiar – a monotonia da rotina contrastava com a imprevisibilidade de quem ela encontraria a bordo.

No portão de embarque, Bella observava os passageiros enquanto eles se alinhavam para entrar no avião. Famílias com crianças inquietas, executivos com fones de ouvido e mochilas de couro, turistas com mapas amassados e mochilas de trilha. Cada um deles carregava uma história, mas Bella tinha aprendido a não se prender a nenhuma.

O avião decolou, e o céu de Nova York deu lugar ao horizonte escuro do Atlântico. Bella caminhava pelos corredores como fazia em todos os voos, ajustando cintos de segurança, respondendo perguntas sobre turbulência e servindo refeições que ela própria jamais tocaria.

Enquanto servia café para uma passageira idosa, a mulher olhou para Bella e disse:

– Você tem sorte, sabia? Deve ser maravilhoso ver o mundo assim, de cima.

Bella forçou um sorriso educado.

– É uma perspectiva única, com certeza.

Mas, por dentro, a frase ecoou. Ver o mundo de cima era mesmo incrível, mas havia um preço. Ela estava sempre no meio do caminho – entre destinos, entre momentos, entre pessoas. Nunca parava tempo suficiente para construir algo que durasse.

Quando o serviço de bordo estava concluído e a cabine silenciosa com os passageiros adormecidos, Bella se permitiu um momento de descanso na galley. Com um copo de chá nas mãos, encostou-se na parede e olhou para a pequena janela. Lá fora, a Lua iluminava o oceano, e por um instante ela sentiu algo próximo de paz.

Kate apareceu ao seu lado, interrompendo o silêncio.

– O que foi? Pensando na vida?

– Pensando se vou algum dia parar de apenas atravessar lugares – Bella respondeu, a voz baixa.

– Bom, talvez você ainda não tenha encontrado o lugar certo para ficar – Kate disse com um sorriso.

Bella riu suavemente, mas a pergunta ficou. Talvez Kate estivesse certa, ou talvez Bella tivesse se acostumado demais com o movimento constante para encontrar um motivo para parar.

O restante do voo seguiu tranquilo, mas Bella sentia que havia algo no ar – uma mudança, talvez, ou apenas a inquietação que sempre surgia quando ela olhava pela janela e imaginava o que havia lá embaixo.

Quando o avião pousou em Londres, Bella já estava cansada, mas havia algo diferente naquele dia. Algo que ela não conseguia identificar, mas era uma agitação diferente, como se o ar estivesse trazendo boas novas. Mas, por hora, decidiu ignorar e continuar com suas obrigações laborais.

Depois de pousar em Londres, o avião entrou em um processo familiar: passageiros se levantando rápido demais, malas sendo puxadas com força dos compartimentos e filas intermináveis no corredor. Bella assistia à cena com a mesma paciência meticulosa de sempre. Sabia que, como sempre, ninguém realmente ouvia os anúncios para esperar o aviso antes de se levantar.

– Mais um dia no paraíso – murmurou Kate, empurrando o carrinho para frente enquanto Bella ajudava uma idosa a descer sua mala.

Finalmente, o avião ficou vazio. Com os corredores silenciosos e os assentos abandonados, Bella se sentou brevemente em um deles, observando os últimos raios de sol de Londres pela pequena janela. O dia estava apenas começando para ela, apesar de já ter enfrentado o caos típico de um voo transatlântico.

Depois do debriefing com a equipe e da checagem final do avião, Bella saiu pelo aeroporto de Heathrow com sua mala de rodinhas. Era uma rotina estranhamente confortante: o movimento contínuo, o som abafado de anúncios nos alto-falantes, o cheiro característico de café caro e sanduíches embalados. Ela sabia que teria algumas horas livres antes do próximo voo, uma pequena folga que poderia usar para explorar a cidade — ou, mais realisticamente, para encontrar um café silencioso e colocar a leitura em dia.

Mas Londres, como sempre, parecia estar chamando. As ruas agitadas, o ar frio de outono e a promessa de algo mais. Bella sabia que provavelmente iria direto para o hotel, mas decidiu que, desta vez, faria algo diferente. Talvez fosse até Notting Hill, onde um pequeno café chamado The Book & Bean tinha se tornado seu refúgio nas escalas. Era pequeno e tranquilo, com prateleiras de livros usados e uma torta de maçã que ela sonhava em recriar na cozinha — se tivesse tempo para cozinhar.

– Então, o que vai ser? – perguntou Kate, aparecendo ao seu lado quando deixaram a área de tripulação. – Hotel ou algo mais emocionante?

– Algo mais emocionante – Bella respondeu com um sorriso, surpreendendo até a si mesma. – Vou ao meu café favorito. Talvez eu precise me lembrar de que há vida fora de aeroportos.

Kate riu.

– Isso é ótimo! Só não se perca por aí. Temos outro voo às 22h, lembra?

Bella acenou com a cabeça e seguiu para o metrô, permitindo-se o pequeno luxo de escapar de sua rotina, mesmo que por algumas horas.

O café estava tão acolhedor quanto Bella se lembrava. O aroma de café recém-passado e o som abafado de conversas preenchiam o ambiente. Ela se sentou em uma mesa perto da janela, pedindo um cappuccino e um pedaço generoso da torta de maçã. Pegou o livro que carregava na mala e começou a ler, mas percebeu que seus olhos vagavam pela janela.

Lá fora, as ruas de Londres estavam vivas, com casais caminhando de braços dados, amigos rindo em frente a pubs e turistas tirando fotos das fachadas coloridas. Bella sentiu uma pontada de algo que não conseguia nomear — uma mistura de saudade e desejo. Saudade de algo que nunca teve, talvez. Desejo por algo que ainda não sabia o que era.

De repente, o barista apareceu com o café e a torta, interrompendo seus pensamentos.

– Aqui está. Aproveite – disse ele com um sorriso.

– Obrigada – Bella respondeu, voltando ao momento presente.

Enquanto saboreava a torta, sentiu o telefone vibrar no bolso. Uma mensagem de Kate.

"Mudança de planos. Nosso próximo voo foi adiado para a meia-noite. Aproveite a folga".

Bella sorriu. Mais algumas horas para se perder — ou se encontrar.

Ela se acomodou novamente na cadeira, deixando-se envolver pelo momento, tomou o cappuccino com calma, observando as pessoas passarem do lado de fora. Londres sempre parecia tão viva, como se todos ao seu redor estivessem vivendo grandes histórias, enquanto ela estava apenas de passagem, sempre olhando de fora.

Ela abriu seu livro novamente, mas, antes de avançar na leitura, algo chamou sua atenção: a conversa de um grupo na mesa ao lado. Eram três pessoas, dois homens e uma mulher, discutindo animadamente sobre literatura. O nome Edward Cullen surgiu repetidamente, junto com menções a um livro de sucesso e algo sobre uma turnê internacional.

– Eu não consigo acreditar que ele escolheu Londres para começar a turnê – disse a mulher, gesticulando com entusiasmo. – Você sabe o quanto ele odeia aviões e viajar.

– Bem, parece que ele finalmente aceitou que fama e aeroportos andam juntos – brincou um dos homens, rindo. – Mas não posso culpá-lo. Se eu tivesse vendido tantos exemplares, também estaria cruzando oceanos para agradar fãs.

Bella se permitiu um pequeno sorriso, voltando a atenção para o livro em suas mãos. Ela não era alheia ao mundo dos best-sellers, mas o nome Edward Cullen não lhe dizia muita coisa. Era difícil acompanhar novidades literárias quando sua vida se resumia a listas de voos e escalas. Mesmo assim, o entusiasmo do grupo era contagiante.

Depois de algum tempo, Bella terminou sua torta e pagou a conta, agradecendo ao barista. Do lado de fora, o ar fresco de Londres a envolveu. O céu estava começando a se nublar, como sempre, e ela sentiu uma pontada de alívio por estar livre para explorar um pouco mais antes de voltar ao aeroporto.

De volta ao aeroporto

Depois de passar algumas horas descansando e explorando Londres, Bella retornou ao Heathrow para mais um voo. A volta para Nova York foi tranquila, sem muitos incidentes, e Bella resumiu o turno com Kate enquanto desembarcavam os passageiros.

– Meu dia foi basicamente o mesmo de sempre – comentou Bella, ajustando a mala de rodinhas enquanto seguiam para a área de tripulação. – Comi torta de maçã no The Book & Bean e fiquei escutando um grupo falar sobre um autor famoso. Algo como Edward... Edward Cullen, acho.

Kate olhou para ela com um brilho nos olhos.

– Edward Cullen? Claro! Ele é um dos maiores escritores do momento. Romance, drama, essas coisas. Eu sabia que você era meio desligada, mas como alguém que gosta de ler e não reconhecer esse nome? É praticamente um crime literário.

Bella riu e balançou a cabeça.

– Não tenho tempo para acompanhar escritores famosos. Mas o engraçado é que parece que ele odeia viajar. Engraçado para alguém que deve passar a vida em turnês.

Kate deu um sorriso largo.

– E adivinha só? Ele vai estar no nosso próximo voo de volta para Londres na nossa próxima escala. Recebi a lista hoje e estou chocada.

Bella ergueu as sobrancelhas, surpresa.

– Sério? Bom, espero que ele não seja do tipo que reclama de tudo, como alguns escritores excêntricos por aí.

Kate riu e balançou a cabeça.

– Quem sabe? Talvez ele seja diferente. Só sei que vai ser interessante. Quero só ver quem vai ser sortuda o bastante para atender o Sr. Famoso.

Bella não deu muita atenção ao comentário, mas uma pequena curiosidade começou a se formar em sua mente.

No novo voo para Londres

A próxima escala chegou rápida, e Bella estava de volta à rotina, ajustando o uniforme e preparando-se mentalmente para outro voo transatlântico. Kate, como sempre, estava cheia de energia.

– Viu que ele veio mesmo? – perguntou Kate enquanto organizavam os carrinhos de bebidas.

– Ele quem? – Bella respondeu, distraída com os preparativos.

– Edward Cullen. Classe executiva. Assento 17C.

Bella soltou uma risada curta.

– Claro. Bem, espero que ele não precise de um tratamento especial. Mal posso esperar para ver o que faz um autor famoso como ele ficar tão popular.

Enquanto os passageiros embarcavam, Bella fez seu trabalho como de costume, orientando as pessoas, ajudando com bagagens e respondendo às perguntas de última hora. Quando chegou na classe executiva, sua atenção foi atraída por um homem sentado no assento 17C. Ele estava ajustando o cinto de segurança, os cabelos bagunçados, olhos extremamente verdes, lindo de morrer e com a expressão ligeiramente tensa.

Ela não precisou de apresentação para saber que aquele era Edward Cullen. Algo nele chamava atenção, não pela fama, mas pela mistura de desconforto e intensidade em seus olhos.

Kate se aproximou com um sorriso malicioso.

– Viu? Ele está bem ali. Parece perdido, não acha?

Bella deu de ombros, fingindo desinteresse.

– Nada que um café e um pouco de turbulência não resolvam.

Mas enquanto ela continuava com seu trabalho, sentiu uma curiosidade crescente sobre aquele homem. Ele parecia deslocado, como se o mundo ao seu redor fosse rápido demais para que ele o acompanhasse.

Mais tarde, enquanto servia bebidas, Bella acabou atendendo Edward. Ele olhou para ela com uma expressão que parecia ser de alívio misturado com curiosidade.

– Olá – ele disse, sua voz mais suave do que ela esperava.

– Olá, Sr. Cullen. Sou Bella Swan sua Comissária de Bordo. No que posso ajudar?

– Sabe se teremos muita turbulência neste voo?

Bella sorriu, profissional, mas sem perder o sarcasmo habitual.

– Não sou meteorologista, Sr. Cullen, mas posso garantir que o avião foi projetado para lidar com qualquer coisa. Não se preocupe.

Ele sorriu de volta, uma expressão quase tímida.

– Certo. Bom saber.

Enquanto ela se afastava, Edward olhou para a mulher a achando um tanto quanto interessante, "intrigante" pensou.

O voo para Londres seguia tranquilo, pelo menos no início. Bella fazia suas rondas habituais pela cabine, garantindo que tudo estivesse em ordem, enquanto Kate, visivelmente animada, passava pela classe executiva com um olhar curioso, claramente intrigada com a presença de Edward Cullen no 17C.

Edward, por sua vez, estava tentando parecer confortável. Ele ajustava a posição no assento, folheava distraidamente um livro e olhava pela janela com frequência, como se esperasse que o horizonte lhe oferecesse alguma resposta. Bella percebeu sua inquietação à distância, mas não deu muita importância. Era comum passageiros ficarem desconfortáveis durante voos longos.

— Ele está tentando parecer casual, mas dá para ver que está nervoso — cochichou Kate, encontrando Bella no corredor.

— Bem, ele vai ter que se acostumar. Não é como se pudéssemos parar o avião para ele — Bella respondeu, ajustando o carrinho de bebidas com um sorriso sarcástico.

Minutos depois, o aviso de atar os cintos foi acionado. A turbulência começou de leve, mas logo o avião começou a balançar com mais intensidade. Bella e Kate rapidamente guardaram os itens soltos, e Bella percebeu que alguns passageiros estavam começando a demonstrar sinais de ansiedade – especialmente Edward.

Ele segurava os braços da poltrona com força, os nós dos dedos quase brancos, enquanto olhava fixamente para a tela de informações do voo. Bella se aproximou, inclinando-se levemente ao lado do assento dele.

— Está tudo bem, Sr. Cullen? — perguntou, mantendo a voz calma e profissional.

Edward virou o rosto rapidamente para ela, e por um momento Bella viu algo vulnerável em seus olhos.

— Isso é... normal? O avião sempre balança assim?

Bella reprimiu um sorriso.

— Sim, é só uma zona de instabilidade. A turbulência acontece quando o avião atravessa diferentes camadas de ar. Nada com o que se preocupar. Ele foi projetado para isso.

— Você diz isso com tanta confiança — Edward respondeu, tentando disfarçar o nervosismo com uma risada curta.

— É porque é verdade — Bella disse com um leve sorriso, ajustando o cinto de segurança dele. — Acredite, já passei por turbulências bem piores, e estamos todos aqui para garantir que você chegue inteiro em Londres.

Ele riu, mas ainda parecia tenso. Bella olhou para o carrinho de bebidas próximo e pegou um copo de água, colocando-o sobre a mesinha à frente dele.

— Se precisar de algo, é só chamar — disse ela, antes de se afastar para atender outros passageiros.

Mas a turbulência continuou, sacudindo o avião com mais força do que Bella esperava. Quando finalmente o balanço diminuiu, ela voltou para verificar a classe executiva. Edward ainda estava sentado rigidamente, mas parecia mais calmo.

— Bem, sobrevivemos — Bella disse, parando ao lado dele novamente. — Viu? Não foi tão ruim assim.

Ele olhou para ela e, desta vez, havia um pequeno sorriso em seus lábios.

— Você tem razão. Talvez eu esteja exagerando.

— Talvez — Bella respondeu com um brilho nos olhos. — Mas não se preocupe, muitos passageiros se sentem assim na primeira turbulência séria. Da próxima vez, você nem vai perceber.

Edward inclinou a cabeça, como se estivesse tentando decifrá-la.

— Você sempre faz isso? Transformar situações tensas em algo... engraçado?

— Faz parte do trabalho — Bella disse, dando de ombros. — Mas acho que você tem sorte. Se eu não estivesse aqui, quem sabe o que teria acontecido?

Ele riu, um som suave, mas genuíno.

— Bom ponto. Acho que tenho mais motivos para agradecer do que percebi.

Enquanto Bella se afastava, algo sobre a interação ficou em sua mente. Edward Cullen não era apenas um escritor famoso ou um passageiro nervoso. Havia algo mais nele – uma intensidade silenciosa, uma curiosidade que parecia ultrapassar as fronteiras de um simples voo.

O avião finalmente estabilizou, mas Bella ainda fazia rondas para garantir que todos estavam bem. Quando passou pela classe executiva, notou que Edward estava novamente inquieto, tamborilando os dedos na mesinha de apoio, com uma expressão de quem pensava demais. Talvez sobre a turbulência ou, quem sabe, sobre algo mais.

— Está tudo bem, Sr. Cullen? — Bella perguntou, com o tom profissional que sempre usava, mas com uma ponta de curiosidade genuína.

Edward ergueu os olhos para ela e deu um sorriso torto.

— Melhor agora. Parece que sobrevivi à grande tempestade.

— Bom, fico feliz que tenha superado o seu medo de sacudir um pouco — Bella respondeu com um sorriso sarcástico. — De verdade, não sei como os escritores famosos lidam com coisas tão intensas quanto a turbulência.

Edward arqueou uma sobrancelha, intrigado pelo tom provocativo dela.

— Sarcasmo faz parte do treinamento de vocês ou é só talento natural?

— Um pouco dos dois — Bella respondeu rapidamente. — Sarcasmo é uma habilidade essencial para lidar com passageiros exigentes... e nervosos.

Ele riu, relaxando visivelmente no assento.

— Deve ser por isso que colocaram você aqui. Para manter pessoas como eu sob controle.

— Exatamente — ela disse, cruzando os braços. — Faz parte do meu contrato. Garantir que autores de best-sellers não causem confusão em pleno voo.

Edward inclinou a cabeça, estudando-a por um instante.

— Então, além de me manter sob controle, o que mais está no seu contrato, Srta. Swan?

Bella arqueou as sobrancelhas, surpresa pelo tom de flerte na pergunta dele.

— Bem, eu também sirvo bebidas, resolvo problemas e tento evitar desastres. Embora não seja responsabilidade minha resolver crises existenciais causadas por turbulência.

Ele riu novamente, dessa vez um pouco mais alto.

— Bom saber. Vou me lembrar disso da próxima vez que precisar de um pouco de humor no meio de uma crise.

— Ótimo — Bella respondeu, balançando a cabeça. — Mas fique sabendo que humor é cobrado à parte.

Edward a observou por um momento, um sorriso suave nos lábios.

— Acho que você não precisa cobrar por isso. Parece que já faz parte do pacote.

Bella sentiu um leve calor nas bochechas, mas manteve a expressão neutra. Não era a primeira vez que recebia um comentário assim, mas algo na maneira como Edward falava parecia diferente – mais direto, mais genuíno.

— Bem, Sr. Cullen, se precisar de algo que não envolva crises ou turbulências, é só chamar — ela disse, dando um passo para trás, pronta para continuar sua ronda.

— Pode deixar — Edward respondeu, ainda olhando para ela com aquele mesmo sorriso provocador. — Mas, por enquanto, acho que estou bem. A não ser que você tenha algum segredo sobre como fazer essas viagens parecerem menos intermináveis.

Bella sorriu, não resistindo à provocação.

— Já tentou dormir? Ou, quem sabe, escrever um capítulo sobre um autor que finalmente supera o medo de voar?

Ele riu, balançando a cabeça.

— Parece uma ideia interessante. Talvez precise de inspiração para esse capítulo... mas acho que já estou no caminho certo.

Bella rolou os olhos com um sorriso, virando-se para sair, mas sentiu o olhar dele a seguindo enquanto ela se afastava. Algo em Edward Cullen a deixava intrigada, como se ele tivesse mais camadas do que aparentava.

Bella finalmente terminou suas obrigações a bordo e saiu para o terminal. Era sempre um alívio estar em terra firme depois de tantas horas no ar. Enquanto arrastava sua mala de rodinhas pelos corredores do movimentado aeroporto de Heathrow, algo chamou sua atenção.

Uma pequena multidão se formava em frente a uma livraria do terminal, onde flashes de câmeras piscavam e algumas pessoas seguravam cópias de livros. No meio do burburinho, Bella reconheceu o cabelo bagunçado e o sorriso ligeiramente desconcertado de Edward Cullen. Ele estava cercado por fãs, assinando livros e conversando brevemente com cada um deles.

Bella parou, surpresa. Ela sabia que ele era famoso, mas vê-lo naquela cena, interagindo com tanta naturalidade, era algo novo. Ela quase decidiu seguir em frente, mas antes que pudesse dar mais um passo, Edward a viu.

Os olhos dele se iluminaram ao reconhecê-la, e ele interrompeu a assinatura de um livro para murmurar algo para a equipe que o acompanhava. Em questão de segundos, ele estava caminhando em direção a Bella, ignorando os olhares curiosos dos fãs ao redor.

— Srta. Swan — ele disse, parando diante dela com um sorriso que beirava o provocador. — Achei que já tivesse me livrado de você.

Bella cruzou os braços, tentando esconder o desconforto.

— Parece que não. Mas não se preocupe, não estou aqui para avaliar o desempenho do autor fora do avião.

Edward riu, um som descontraído que ecoou acima do barulho do aeroporto.

— Bom, isso é um alívio. Eu estava começando a pensar que você era enviada para me vigiar.

— Não sou tão sortuda assim — Bella respondeu, arqueando uma sobrancelha.

Ele inclinou a cabeça, fingindo ponderar.

— Ou talvez eu seja o sortudo. Afinal, não é todo dia que encontro alguém que me enfrenta com tanto sarcasmo.

Bella sentiu o rosto esquentar levemente, mas manteve o tom leve.

— Sarcasmo é o que mantém os passageiros no lugar, Sr. Cullen. Nada pessoal.

Edward sorriu, dando um passo mais próximo, o suficiente para que Bella sentisse o perfume dele, algo amadeirado e suave.

— Bem, se eu estiver fora do lugar de novo, posso ligar para você para me lembrar de como me comportar?

— Claro — Bella respondeu automaticamente, mas percebeu a intenção assim que viu o sorriso malicioso dele.

— Ótimo — Edward disse, tirando um telefone do bolso e estendendo-o para ela. — Então talvez você possa me dar seu número para facilitar as coisas.

Bella o encarou por um momento, surpresa com a ousadia, mas havia algo no tom dele que era difícil de recusar. Ela pegou o telefone com um suspiro teatral.

— Você realmente não desiste, não é?

— Não quando encontro alguém tão interessante — ele disse suavemente, com um brilho genuíno nos olhos.

Bella digitou o número rapidamente e devolveu o telefone.

— Pronto. Mas aviso desde já: não atendo chamadas sobre turbulência.

Edward riu novamente, guardando o telefone.

— Acho que vou arriscar.

Antes que Bella pudesse responder, alguém da equipe de Edward o chamou de volta para a multidão de fãs. Ele deu um último sorriso para ela antes de se afastar.

— Até breve, Srta. Swan — ele disse, lançando um olhar que parecia prometer que aquele encontro não seria o último.

Bella ficou parada por um momento, observando-o se afastar. A movimentação ao redor parecia distante, enquanto ela tentava organizar os pensamentos. Não era comum cruzar caminhos com alguém que deixasse uma impressão tão forte.

Com um suspiro, ela ajeitou a alça da bolsa no ombro e voltou a caminhar, decidida a não se perder em divagações. O aeroporto seguia cheio de histórias à sua volta, e Bella sabia que ainda tinha um longo dia pela frente.

Após deixar o aeroporto, Bella foi direto para o hotel designado pela companhia aérea. Ela não tinha grandes planos para as próximas 48 horas em Londres, apenas descansar e, talvez, explorar a cidade um pouco. Seriam dois dias de folga antes do próximo voo, uma pausa rara em sua rotina.

Enquanto desfazia a mala, a lembrança de Edward Cullen apareceu em sua mente, e ela riu sozinha. Ele realmente pediu o número dela? E ela realmente deu? Provavelmente, ele nunca usaria. Homens famosos e ocupados como ele não tinham tempo para ligar para uma comissária de bordo. Foi apenas um momento de flerte, nada mais. Bella decidiu não pensar muito no assunto.

Depois de um banho quente, ela saiu para jantar em um pequeno restaurante próximo ao hotel. O dia havia sido longo, e tudo o que ela queria era comer algo e relaxar. Enquanto esperava sua comida, pegou o telefone e notou uma notificação inesperada: uma mensagem de um número desconhecido.

[Mensagem Recebida, Número Desconhecido - 21:03]

"Espero que esta seja a Srta. Swan. Se não for, acabei de mandar uma mensagem para o número errado e, provavelmente, causei constrangimento para alguém."

Bella sorriu para a tela, balançando a cabeça. Não era possível. Ele realmente tinha mandado uma mensagem? Pensou por um instante antes de responder.

[Bella - 21:05]

"Se for um pedido de ajuda para lidar com turbulências, eu sugiro procurar no Google."

A resposta veio rapidamente.

[Edward - 21:06]

"Ah, então é você. Isso é um alívio. E não, desta vez não é sobre turbulência. Estou em terra firme agora, mas ainda meio perdido."

[Bella - 21:07]

"Perdido? Achei que escritores fossem bons em encontrar palavras."

[Edward - 21:08]

"Palavras são fáceis. Pessoas são mais complicadas. Especialmente aquelas que têm um talento especial para sarcasmo."

Bella mordeu o lábio, tentando esconder o sorriso. Ele era bom nisso.

[Bella - 21:10]

"Se isso é um elogio, vou precisar de uma confirmação clara. Escritores são conhecidos por serem ambíguos."

[Edward - 21:12]

"Definitivamente um elogio. Sarcasmo é uma arte, e você domina como ninguém. Admito que fiquei impressionado."

[Bella - 21:13]

"Bom, fico feliz que alguém aprecie meu talento. Mas ainda não entendi por que você está perdido. Achei que estivesse cercado de fãs implorando por autógrafos."

[Edward - 21:15]

"Estava. Mas, honestamente, achei mais interessante mandar uma mensagem para você. Afinal, conversar com alguém que não está interessado no meu último livro é uma experiência nova."

Bella revirou os olhos, mas sentiu um calor estranho no peito. Ele sabia exatamente como deixar as coisas interessantes.

[Bella - 21:17]

"Ah, entendi. Então eu sou sua pausa do glamour literário? Sinto-me lisonjeada."

[Edward - 21:19]

"Não exatamente. Você é mais como uma distração intrigante. E, pelo jeito, alguém que não acredita que eu realmente mandaria uma mensagem."

Bella ficou em silêncio por um momento, lembrando de como tinha certeza de que ele não ligaria. Ele parecia perceber mais do que ela gostaria de admitir.

[Bella - 21:20]

"Touché. Confesso que não achei que você fosse mandar. Achei que fosse só conversa de avião."

[Edward - 21:22]

"E eu achei que você fosse diferente. Acho que estamos aprendendo coisas novas um sobre o outro."

[Bella - 21:23]

"Difícil dizer. Não sei se consigo imaginar quem você é fora do 17C."

[Edward - 21:25]

"Bom, você está em Londres, certo? Talvez eu possa mostrar a você."

O coração de Bella deu um pequeno salto. Ele estava mesmo sugerindo o que ela achava? Sacudiu a cabeça, tentando manter os pés no chão.

[Bella - 21:27]

"Isso parece perigoso. Não costumo sair com passageiros. Profissionalismo, sabe?"

[Edward - 21:29]

"Entendo. Então pense nisso como sair com alguém que aprecia sarcasmo tanto quanto você. Prometo não mencionar turbulência."

Bella hesitou, mas a provocação dele era irresistível.

[Bella - 21:31]

"Certo, Sr. Cullen. Mas aviso desde já: se for chato, vou embora."

[Edward - 21:33]

"Combinado. E aviso: não sou do tipo que deixa as coisas ficarem chatas."

Bella olhou para a tela do celular, ainda processando a última mensagem de Edward. Ela sentiu o impulso de recusar, mas havia algo intrigante nele, algo que fazia parecer uma boa ideia aceitar. Contra sua própria lógica, ela começou a digitar.

[Bella - 21:35]

"Certo, Sr. Cullen, mas me diga: onde exatamente você pretende provar que não é chato? Lembre-se de que tenho um padrão alto para entretenimento."

[Edward - 21:37]

"Ah, é claro. Eu deveria ter previsto que você seria exigente. Que tal um lugar onde ninguém vai me pedir autógrafos ou perguntar sobre o meu próximo livro?"

[Bella - 21:39]

"Se você conseguir encontrar um lugar assim, já ganhou pontos. Mas, aviso, sou péssima companhia para atividades glamourosas."

[Edward - 21:41]

"Perfeito. Eu também. Que tal um pub discreto? Me indicaram um lugar perto do Covent Garden. Bom ambiente, boa comida, e zero glamour. Topa?"

Bella hesitou por um momento. Covent Garden não era longe, e ela gostava da ideia de um ambiente descontraído. Ainda assim, não podia deixar de sentir que estava quebrando algumas regras não ditas ao aceitar o convite. Mas algo nele era irresistível.

[Bella - 21:43]

"Ok, Sr. Cullen. Digamos que eu concorde. A que horas?"

[Edward - 21:44]

"Duas horas. Tempo suficiente para você se preparar para a noite mais casual da sua vida. Posso mandar a localização?"

[Bella - 21:45]

"Mande. Mas não se atrase. Detesto esperar."

[Edward - 21:46]

"Você não vai precisar. Até mais, Srta. Swan."

Assim que recebeu a mensagem com a localização, Bella suspirou, deixando o celular sobre a mesa. Estava mesmo prestes a sair com Edward Cullen, um autor best-seller, depois de passar anos fugindo de qualquer interação fora do trabalho com passageiros?

Sim, estava.

xxx

Bella entrou no pub de Covent Garden pontualmente. O lugar era acolhedor, com uma luz amarelada suave que iluminava os móveis de madeira escura. O ambiente era tranquilo, apenas o som de conversas baixas e risos preenchendo o espaço. Havia algo reconfortante ali, uma pausa bem-vinda no ritmo frenético da cidade.

Quando ela avistou Edward sentado perto de uma janela, já com um copo de cerveja em mãos, sentiu uma pontada de hesitação. Ele parecia surpreendentemente à vontade, vestido casualmente com uma jaqueta de couro e jeans. Não era exatamente o homem que ela imaginava – o autor famoso que tinha uma fila de fãs no aeroporto. Era mais descontraído, quase... comum, de um jeito bom.

Edward percebeu sua presença e se levantou, um sorriso largo se formando em seu rosto. Ele parecia genuinamente satisfeito em vê-la.

— Você realmente veio — ele disse, segurando a cadeira para que ela se sentasse.

— Claro que vim — Bella respondeu, tirando o casaco e se acomodando. — Seria cruel da minha parte deixar você esperando sozinho.

Edward riu, sentando-se de volta.

— Bom, admito que estava preparado para o pior. Pensei que você fosse mudar de ideia.

— Confesso que considerei — Bella respondeu com um sorriso sarcástico. — Mas aí percebi que você provavelmente precisa de uma distração para esquecer o seu medo de turbulências.

Ele riu, inclinando-se levemente para a frente.

— Você nunca vai me deixar esquecer isso, vai?

— Não enquanto eu puder usar como vantagem — Bella respondeu, piscando para ele.

Edward chamou o garçom e pediu uma cerveja para Bella, que aceitou sem cerimônias. Eles conversaram sobre amenidades enquanto esperavam a bebida, mas assim que ela chegou, a conversa ficou mais interessante.

— Então, Sr. Cullen — Bella começou, apoiando o copo na mesa. — Você realmente passa suas noites em pubs chamando comissárias de bordo para encontros ou eu sou uma exceção?

Edward riu, balançando a cabeça.

— Definitivamente uma exceção. Acredite, minha vida social não é tão interessante quanto parece. Turnês, eventos, entrevistas... é tudo muito... previsível.

— Previsível? — Bella arqueou uma sobrancelha. — Acho difícil acreditar que alguém no seu lugar possa achar a vida monótona.

— Você ficaria surpresa — ele disse, dando um gole em sua cerveja. — Às vezes, tudo parece girar em torno da mesma coisa: o próximo livro, a próxima crítica, a próxima entrevista. É como se nada fosse realmente novo.

Bella o observou com curiosidade.

— E me diga, o que exatamente eu fiz para quebrar essa monotonia?

Edward inclinou a cabeça, como se estivesse pensando na resposta.

— Você é diferente. No avião, você não ligou para quem eu era. Na verdade, acho que você se divertiu às minhas custas.

— Talvez um pouco — Bella admitiu, sorrindo.

— E foi refrescante — Edward continuou, o tom sincero. — Você não tentou me agradar ou me impressionar. Você foi... você. Isso é raro para mim.

Bella ficou em silêncio por um momento, surpreendida pela honestidade.

— Bom, não espere que eu mude. Eu sou sempre assim.

— É exatamente disso que eu gosto — Edward disse, inclinando-se mais para perto dela.

O comentário fez Bella corar levemente, mas ela manteve a compostura.

— Você tem um jeito curioso de dar elogios, sabia?

— Eu sou escritor — ele respondeu, dando de ombros. — Palavras são meu ponto forte.

A conversa continuou fluindo, repleta de sarcasmo, provocações e risadas genuínas. Bella contou sobre suas viagens, as situações engraçadas que já tinha vivido a bordo, e Edward compartilhou algumas histórias de suas turnês e do processo de escrever.

— Então você realmente carrega um caderninho por aí para anotar ideias? — Bella perguntou, descrente, após Edward mencionar que sempre tinha um bloco de notas à mão.

— Claro — ele respondeu. — Inspiração pode surgir em qualquer lugar. Inclusive, já anotei algumas ideias baseadas no nosso encontro turbulento.

— Espero que eu receba créditos — Bella disse, sorrindo.

— Créditos completos — Edward garantiu. — Algo como: "Inspirado pela comissária mais sarcástica que já conheci."

Quando a noite foi chegando ao fim, Bella percebeu que o tempo havia passado rápido demais. Havia algo em Edward que a fazia esquecer das formalidades e simplesmente aproveitar o momento.

Enquanto se levantavam para sair, Edward a acompanhou até a porta do pub, onde o ar frio de Londres os envolveu. Ele parou, olhando para ela com um sorriso que parecia guardar segredos.

— Antes de você ir — ele disse, quebrando o silêncio. — Preciso perguntar: você está livre amanhã à noite?

Bella cruzou os braços, fingindo considerar.

— Por quê? Vai me arrastar para mais um pub?

— Não exatamente — Edward respondeu. — Tenho um evento de autógrafos à tarde e o lançamento de livro à noite. Nada glamouroso, mas pensei que talvez, depois disso, a gente pudesse repetir isso aqui.

Bella ergueu uma sobrancelha.

— Você quer me convencer a sair com você depois de um evento cheio de fãs gritando seu nome?

— Exatamente — ele disse, com um sorriso provocador. — E prometo que será mais interessante do que parece.

Bella riu suavemente, balançando a cabeça.

— Vamos ver, Sr. Cullen. Talvez eu considere, se você se comportar bem.

— Prometo me comportar — ele disse, inclinando-se ligeiramente. — Mas só até amanhã à noite.

Eles se despediram com um último sorriso, e Bella foi embora com a sensação de que algo inesperado estava se desenrolando. Edward Cullen, definitivamente, era mais do que apenas um passageiro.

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Edward acordou cedo naquela manhã, algo que ele não fazia com frequência. O evento de autógrafos começaria às 14h, mas ele tinha compromissos antes disso: entrevistas com uma revista literária e uma breve reunião com sua agente para discutir sua agenda dos próximos meses.

No entanto, desde que abriu os olhos, havia algo em sua mente que não tinha nada a ver com trabalho: Bella. Ele releu as mensagens trocadas na noite anterior e percebeu que sorria sozinho. A ironia afiada dela o intrigava, mas havia algo mais – uma autenticidade que ele raramente encontrava.

Enquanto se arrumava, ele decidiu mandar uma mensagem. Algo casual, mas suficiente para provocar uma resposta.

[Edward - 09:15]

"Bom dia, Srta. Swan. Espero que seu sarcasmo esteja bem descansado para o dia de hoje. Vai precisar dele."

Edward guardou o telefone, certo de que Bella demoraria a responder. Estava errado.

[Bella - 09:17]

"Bom dia, Sr. Cullen. Não se preocupe, meu sarcasmo é infalível. Mas você está insinuando que vou precisar dele por sua causa?"

Edward riu, gostando do ritmo da conversa.

[Edward - 09:19]

"Apenas um palpite. Você parece ser boa em manter as pessoas na linha. Talvez precise disso mais tarde, quem sabe?"

[Bella - 09:20]

"Bom saber que você reconhece minhas habilidades. E quanto a você? Preparado para ser atacado por uma horda de fãs enlouquecidas?"

[Edward - 09:22]

"Sempre. Mas confesso que estou mais ansioso para ouvir de você como sobreviveu ao seu dia. Prometo responder a cada mensagem, mesmo no meio de gritos e flashes."

[Bella - 09:25]

"Que generoso da sua parte. Aproveite seus 15 minutos de fama, Sr. Cullen. Vou me divertir pensando em como você está lidando com tudo."

Edward sorriu, imaginando Bella falando aquelas palavras com a mesma expressão provocante que tinha no avião e no pub. Ele tinha compromissos importantes naquele dia, mas a perspectiva de reencontrá-la à noite tornou tudo mais interessante.

Às 14h, Edward chegou à livraria onde o evento de autógrafos aconteceria. Era um local charmoso em Bloomsbury, repleto de prateleiras de madeira cheias de livros. O espaço estava decorado com cartazes anunciando seu novo romance, "Sob o Mesmo Horizonte."

A fila já estava formada, com fãs ansiosos segurando cópias de seus livros anteriores. Alguns carregavam cadernos e papéis, esperando uma dedicatória mais pessoal. Edward estava acostumado com essa rotina, mas havia algo reconfortante em encontrar pessoas que realmente apreciavam seu trabalho.

Ele sorriu, conversando brevemente com cada fã enquanto assinava os livros. Perguntavam sobre seus personagens, suas inspirações, e alguns até tentavam puxar assunto sobre sua vida pessoal. Ele respondia com diplomacia, mas evitava entrar em detalhes.

No intervalo entre a fila, ele aproveitou para pegar o telefone e enviar outra mensagem.

[Edward - 15:30]

"Atualização: estou vivo. Até agora, nenhuma fã tentou me arrancar um pedaço. Você está impressionada com minhas habilidades de sobrevivência?"

[Bella - 15:32]

"Minimamente. Mas ainda quero saber se alguém chorou ou declarou amor eterno. Isso deve ser interessante."

[Edward - 15:34]

"Alguns choraram, mas ninguém tão interessante quanto você para eu prestar atenção. Ainda está de pé para esta noite?"

[Bella - 15:35]

"Talvez. Vou decidir dependendo do seu desempenho. Como está se saindo com a multidão?"

[Edward - 15:36]

"Naturalmente encantador, como sempre. Mas acho que você tem uma definição diferente do meu 'desempenho'. Vou garantir que você fique satisfeita com ele à noite."

Bella demorou mais para responder dessa vez, e Edward se viu sorrindo ao perceber que tinha conseguido desconcertá-la. Ele voltou ao evento com renovado entusiasmo, assinando os últimos livros e agradecendo a equipe da livraria antes de partir para o próximo compromisso.

Às 19h, Edward estava no local do lançamento oficial do seu novo romance. O evento era mais formal, com críticos literários, jornalistas e outros escritores presentes. A atmosfera era elegante, mas Edward não conseguia parar de pensar na mensagem de Bella.

Durante o coquetel, ele se permitiu checar o telefone novamente. Ainda nada. Ele riu, imaginando que ela estava deliberadamente adiando a resposta para provocá-lo.

Quando finalmente recebeu uma notificação, quase suspirou de alívio.

[Bella - 20:45]

"Ainda não decidi, mas você parece estar se esforçando. Talvez eu dê uma chance."

Edward rapidamente respondeu.

[Edward - 20:46]

"Ótimo. Porque eu planejei essa noite toda pensando em impressionar você."

[Bella - 20:48]

"Não se empolgue demais, Sr. Cullen. Não sou tão fácil de impressionar."

[Edward - 20:50]

"É exatamente por isso que estou gostando tanto dessa troca. Então, o que me diz? Devo buscá-la ou você prefere se encontrar comigo no mesmo pub?"

[Bella - 20:52]

"Vou pensar. Envio a resposta em breve. Não quero deixar as coisas tão fáceis para você."

Edward riu, guardando o telefone. Bella era única, e ele sabia que o encontro daquela noite seria tudo menos comum. A expectativa fazia tudo parecer mais vivo – algo que ele não sentia há muito tempo.

E, por mais ocupado que estivesse, sua mente não conseguia se desviar da possibilidade de encontrá-la novamente.

Faltando quinze minutos para o horário combinado, Bella finalmente decidiu. Não queria chegar ao pub sozinha, e, apesar de não admitir, a ideia de vê-lo novamente a animava mais do que ela gostaria.

[Bella - 21:10]

"Ok, Sr. Cullen. Pode me buscar no hotel. Mas aviso: se você se atrasar, não estarei mais aqui."

A resposta de Edward veio imediatamente.

[Edward - 21:11]

"Impossível me atrasar para você, Srta. Swan. Me dê mais trinta minutos e logo estarei a caminho."

Bella sorriu ao guardar o celular no bolso de seu casaco. Mais tarde, enquanto descia pelo elevador até o saguão do hotel, sentiu o coração acelerar. Não sabia o que esperar daquela noite, mas algo dizia que Edward Cullen tinha a capacidade de torná-la inesquecível.

Ao chegar no saguão, encontrou Edward já à espera, encostado casualmente em um dos sofás, com aquele mesmo sorriso confiante que a intrigava desde o primeiro momento.

— Pontual, como prometido — ele disse, erguendo uma sobrancelha.

— E por isso você ganhou sua chance — Bella respondeu, cruzando os braços com um sorriso.

— Então, Srta. Swan — ele disse, abrindo a porta para ela. — Vamos ver se consigo impressioná-la esta noite.

O pub em Covent Garden estava exatamente como Bella se lembrava da noite anterior: aconchegante, iluminado com luzes quentes que refletiam nos móveis de madeira escura. O cheiro de cerveja fresca e comida caseira pairava no ar. Era um espaço que parecia fora do tempo, acolhendo seus visitantes como se fossem velhos amigos.

Edward abriu a porta para Bella, o gesto casual, mas suficiente para fazê-la perceber a atenção que ele lhe dava. Ela entrou primeiro, tirando o casaco enquanto olhava ao redor. Ele a seguiu de perto, carregando consigo aquele sorriso que parecia sempre meio provocador, meio genuíno.

— Gostou de voltar aqui? — ele perguntou, escolhendo uma mesa em um canto mais tranquilo.

— Não é ruim — Bella respondeu, sentando-se e ajeitando o cabelo. — Mas ainda estou avaliando se a companhia vale a pena.

Edward riu enquanto se sentava de frente para ela.

— Bem, vou me esforçar para ganhar sua aprovação. O que você quer beber?

— Surpreenda-me — ela disse, apoiando o cotovelo na mesa e o queixo na mão.

Edward pediu duas cervejas e, enquanto esperavam, ele a observava com curiosidade. Bella desviou o olhar, fingindo focar na decoração do pub, mas sentia o peso do olhar dele, atento e curioso.

— Então — Edward começou, cruzando os braços sobre a mesa —, você é uma comissária de bordo sarcástica que me intriga desde o primeiro momento. Mas, fora isso, quem é Bella Swan?

Bella soltou uma risada curta, inclinando-se para trás na cadeira.

— Isso foi direto.

— Bom, sou escritor. Perguntar é o que faço de melhor — ele disse com um sorriso tranquilo.

— Claro — Bella respondeu, desviando o olhar. — Mas não há muito o que contar. Trabalho, viajo, durmo quando consigo. É uma vida bem emocionante.

— Não parece tão simples assim — Edward disse, estreitando os olhos levemente.

Bella deu de ombros, mantendo o tom evasivo.

— É o que é. E você? O escritor famoso que odeia turbulência. Por que decidiu escrever?

— Ah, então é assim? Vamos falar sobre mim para desviar de você? — Edward provocou, mas respondeu mesmo assim. — Sempre gostei de histórias. Comecei escrevendo para mim mesmo, depois percebi que queria compartilhar o que eu imaginava com o mundo. É clichê, eu sei.

— Um pouco — Bella disse, sorrindo.

As cervejas chegaram, e Edward ergueu o copo para um brinde.

— Aos clichês, então. E a mulheres misteriosas que evitam perguntas.

Bella riu, batendo o copo no dele.

— Você é insistente, não é?

— Faz parte do meu charme — ele disse, inclinando-se para mais perto. — Mas, sério, Bella. Deve haver algo mais além de trabalho e viagens. O que te faz querer estar sempre no ar?

Ela hesitou, o sorriso diminuindo um pouco. Por um momento, pensou em dar mais uma resposta vaga, mas havia algo em Edward que parecia seguro. Algo que dizia que ele estava realmente interessado, não apenas curioso.

— É um jeito de... evitar algumas coisas — ela finalmente disse, o tom mais baixo. — Quando você está em movimento o tempo todo, não precisa lidar com o que ficou para trás.

Edward a observou com atenção, sem interrompê-la.

— Mas acho que já falei demais — Bella disse, recuperando o tom casual. — E você? Parece que gosta de fugir também, considerando sua agenda de turnês e eventos. Não é uma vida fácil.

Edward deu um gole em sua cerveja antes de responder.

— Talvez eu também esteja evitando algumas coisas. É fácil se perder em compromissos, em fãs, em deadlines. Faz você se sentir ocupado, mesmo quando está vazio.

Bella o encarou por um momento, surpresa com a honestidade.

— Não esperava isso de você — ela admitiu.

— Por quê? Porque sou o autor famoso e confiante que você conheceu no avião? — ele provocou.

— Mais ou menos — Bella respondeu com um meio sorriso.

Edward inclinou a cabeça, avaliando-a.

— E o que você esperava, então?

— Não sei — Bella disse, sincera. — Alguém menos... real, talvez.

Edward riu suavemente.

— Bom, é uma surpresa positiva, espero.

— Talvez — ela disse, o sorriso voltando lentamente.

A conversa fluiu com mais leveza depois disso. Bella começou a relaxar, perguntando a Edward sobre seus livros, sobre os lugares que visitou e as pessoas que conheceu. Ele respondeu com humor e histórias, mas sempre encontrava uma maneira de trazer o foco de volta para ela.

— Você tem uma habilidade estranha de virar a conversa — Bella disse em certo momento, tomando um gole de sua cerveja.

— Talvez eu esteja mais interessado em você do que em mim mesmo — Edward respondeu, com um tom genuíno que a desarmou.

Bella desviou o olhar, sentindo o rosto esquentar.

— Você é bom nisso.

— É o que dizem — ele respondeu, sorrindo.

As horas passaram sem que eles percebessem. O pub estava mais movimentado agora, mas eles estavam tão imersos na conversa que o mundo ao redor parecia distante.

— Então — Edward disse, apoiando o queixo na mão —, qual a próxima regra que você vai quebrar, Srta. Swan? Porque parece que sair com passageiros já não é mais um problema.

Bella riu, balançando a cabeça.

— Vamos ver se você merece mais chances, Sr. Cullen.

— Desafio aceito — ele respondeu, inclinando-se para mais perto.

E ali, naquele canto discreto do pub, a noite parecia longe de acabar.

Edward deu mais um gole em sua cerveja, inclinando-se levemente para a frente, como se estivesse prestes a compartilhar um segredo.

— Então, Srta. Swan, eu ainda estou curioso. Que outras regras você tem medo de quebrar?

Bella cruzou os braços, arqueando uma sobrancelha.

— Quem disse que eu tenho medo? Eu apenas prefiro não me meter em problemas desnecessários.

Edward sorriu, o canto dos lábios se curvando de maneira provocadora.

— Desnecessários? Então sair comigo foi necessário?

Bella rolou os olhos, mas não conseguiu conter o sorriso.

— Talvez eu tenha aberto uma exceção. Não se sinta tão especial.

Ele riu suavemente, inclinando-se um pouco mais.

— Ah, mas estou me sentindo especial. E admito que gosto de te ver quebrando regras. Parece libertador para você.

Bella olhou para ele, hesitante por um instante.

— Você não entende. Quebrar regras nunca foi algo natural para mim. Prefiro me manter dentro dos limites. É mais seguro.

Edward não tirava os olhos dela, a intensidade no olhar fazendo Bella sentir-se exposta, mas de um jeito que não era desconfortável.

— E o que você está evitando, Bella? Não se trata só de passageiros, certo? É mais do que isso.

Ela hesitou, pegando o copo e brincando com ele entre as mãos.

— É complicado. Meu trabalho é minha zona de conforto. É onde eu sei exatamente o que fazer, onde não há espaço para erros ou emoções desnecessárias. Fora disso, tudo é... bagunçado.

— Bagunçado nem sempre é ruim — Edward disse, o tom mais baixo, quase como se estivesse falando com ela e ninguém mais no mundo.

Bella desviou o olhar, sentindo-se vulnerável de um jeito que não esperava.

— Talvez. Mas bagunça também pode ser perigosa.

Edward a estudou por um momento, depois soltou um suspiro teatral.

— Ok, então vamos fazer algo que não seja tão perigoso, mas ainda assim divertido. Que tal uma segunda regra quebrada esta noite?

Bella arqueou uma sobrancelha, intrigada.

— O que você tem em mente, Sr. Cullen?

Ele deu de ombros, fingindo casualidade.

— Não sei. Talvez fugir do pub e explorar Londres comigo. Nada planejado, nada programado. Apenas... algo fora do comum. O que acha?

Bella o encarou, tentando decifrar se ele estava falando sério.

— Explorar Londres com um passageiro? Isso soa como um desastre esperando para acontecer.

Edward sorriu, aquele sorriso que parecia guardar segredos.

— Ou pode ser a noite mais memorável da sua vida. Você nunca saberá se não tentar.

Bella balançou a cabeça, mas sentiu uma risada escapar.

— Você realmente é bom em persuadir as pessoas, não é?

— Eu tento — ele respondeu, divertido. — Então? Vai me acompanhar ou vai ficar aqui, se perguntando o que poderia ter sido?

Ela o encarou por mais um momento, como se avaliasse os riscos. Mas no fundo, sabia que a decisão já estava tomada. Edward tinha uma maneira de fazê-la querer arriscar, de um jeito que ninguém mais conseguia.

— Ok, Sr. Cullen — ela finalmente disse, levantando-se e pegando o casaco. — Mas aviso: se isso for um desastre, a culpa é toda sua.

Edward riu, levantando-se também.

— Aceito a responsabilidade. E prometo que você não vai se arrepender.

Eles saíram do pub juntos, deixando para trás as regras que Bella sempre seguira tão rigidamente. Pela primeira vez em muito tempo, ela se permitiu não planejar, não controlar. Apenas viver.

Bella e Edward deixaram o pub e entraram nas ruas vibrantes de Covent Garden, onde o movimento noturno ainda seguia. A área era iluminada por luzes quentes que pendiam sobre as calçadas, destacando vitrines de boutiques fechadas e pequenos restaurantes ainda movimentados. Edward mantinha o ritmo dela, caminhando a seu lado, sem pressa, com as mãos enfiadas nos bolsos do casaco.

— Então, qual é o plano, Sr. Cullen? — Bella perguntou, fingindo indiferença enquanto lançava um olhar para ele. — Ou você realmente está me guiando sem direção nenhuma?

Edward olhou para ela, sorrindo.

— Eu chamaria isso de aventura espontânea, não falta de direção. Mas se você quiser, podemos fingir que estou seguindo um itinerário detalhado.

Bella riu, balançando a cabeça.

— Claro, vamos com isso. Aonde o itinerário nos leva primeiro?

Edward apontou para uma placa próxima.

— Que tal o Covent Garden Piazza? Está quase vazio a essa hora. É uma das áreas mais bonitas de Londres.

Eles chegaram à praça principal, onde músicos de rua tocavam suas últimas melodias da noite para um pequeno grupo de espectadores. As luzes penduradas entre os prédios históricos criavam um brilho suave, refletindo no pavimento de pedras.

— Isso é bonito — Bella admitiu, cruzando os braços para se proteger da brisa fria.

— Sabia que você ia gostar — Edward respondeu, parando ao lado dela e inclinando a cabeça. — É calmo, mas ainda tem vida. Parece... equilibrado.

Bella olhou para ele, notando o tom pensativo.

— Você fala como alguém que já pensou muito sobre isso.

Edward deu de ombros, os olhos fixos na praça.

— Eu passo muito tempo em lugares como este, mas raramente consigo aproveitar. Sempre estou com pressa, correndo para o próximo compromisso.

— Então por que não aproveitar agora? — Bella perguntou, o tom casual, mas o significado mais profundo.

Edward virou-se para ela, um brilho de curiosidade nos olhos.

— Acho que é exatamente isso que estou fazendo, não é?

Depois de um tempo no Covent Garden, eles continuaram andando até Trafalgar Square. O espaço era grandioso e impressionante, com as estátuas e a Coluna de Nelson iluminadas contra o céu noturno. Algumas poucas pessoas ainda estavam por ali, tirando fotos ou apenas admirando a vista.

Bella parou ao pé da fonte, olhando para o reflexo das luzes na água. Edward parou ao lado dela, observando-a em silêncio.

— Você sempre para para apreciar lugares assim? — ele perguntou, a voz suave.

— Nem sempre — Bella respondeu, mexendo na borda do casaco. — Na verdade, é raro. Normalmente, eu passo por esses lugares correndo, como você disse.

Edward inclinou-se levemente, os olhos fixos nela.

— E por que não parar? O que está te apressando tanto?

Bella hesitou, desviando o olhar para a água.

— Porque, quando você para, tem que pensar. E nem sempre pensar é uma boa ideia.

Edward a observou por um momento antes de responder.

— Talvez você só precise de algo que valha a pena parar.

Bella sentiu o peso das palavras, mas não respondeu. Em vez disso, começou a caminhar novamente, indicando que ele a seguisse.

A caminhada os levou até a margem do rio Tâmisa, onde a London Eye brilhava à distância. A água refletia as luzes da cidade, criando uma visão que parecia tirada de um cartão-postal. O ar era mais frio ali, e Bella cruzou os braços para se proteger.

Edward notou e tirou o cachecol, entregando-o a ela.

— Aqui, antes que você congele.

Bella aceitou, surpresa com o gesto.

— Obrigada. Você está tentando ganhar pontos comigo?

— Se eu disser que não, você acreditaria? — ele respondeu, com um sorriso.

Ela riu, ajustando o cachecol ao redor do pescoço.

— Não. Mas vou aceitar mesmo assim.

A luz amarelada dos postes iluminava suavemente a margem do Tâmisa, onde o rio parecia dançar ao som distante da cidade. Bella e Edward pararam próximos a um banco, com vista para a London Eye, que brilhava ao longe. O silêncio entre eles era carregado de expectativa, o tipo de tensão que parecia se acumular desde o momento em que haviam deixado o pub.

Edward virou-se para ela, com aquele olhar que parecia enxergar mais fundo do que ela estava pronta para permitir.

— Você realmente não pensa sobre isso, pensa?

— Sobre o quê? — Bella perguntou, erguendo uma sobrancelha.

— Sobre o que acontece quando você para de seguir suas regras — ele respondeu, o tom baixo, mas firme.

Bella abriu a boca para responder, mas antes que pudesse formar uma frase, Edward deu um passo mais próximo, invadindo suavemente seu espaço pessoal.

— Talvez você devesse experimentar — ele murmurou.

E então ele a beijou.

O toque dos lábios dele foi inesperado, mas não agressivo. Era um gesto seguro, mas ao mesmo tempo cheio de cautela, como se ele quisesse garantir que ela estivesse no momento com ele. O gosto da cerveja ainda estava presente, mas foi a suavidade do gesto que a desarmou.

Por um instante, Bella ficou imóvel, surpresa com a intensidade repentina. Mas então algo em seu interior cedeu. Ela retribuiu o beijo, inclinando-se em direção a ele, seus braços relaxando ao lado do corpo antes de se moverem por conta própria, descansando nos ombros dele.

Edward aprofundou o beijo, seus dedos roçando a lateral do rosto dela antes de se firmarem levemente em sua cintura. O frio da noite parecia desaparecer, substituído pelo calor crescente entre eles. O mundo ao redor se dissolveu – as luzes, o rio, até mesmo o som da cidade parecia distante.

Bella sentiu a respiração de Edward se misturar à sua quando eles se separaram levemente, apenas o suficiente para que seus rostos ainda estivessem próximos. Seus olhos se encontraram, e ela viu algo ali – algo genuíno, sem sarcasmo ou provocações. Apenas uma conexão inegável.

Edward sorriu, o canto dos lábios curvando-se em um gesto que era ao mesmo tempo divertido e satisfeito.

— Eu deveria ter feito isso antes?

Bella piscou, tentando recuperar o controle de seus pensamentos.

— Você realmente gosta de testar meus limites, não é?

— Talvez — ele respondeu, ainda próximo o suficiente para que ela sentisse o calor de sua voz.

Ela respirou fundo, um sorriso provocante surgindo em seu rosto.

— Bom, Sr. Cullen, se você está tão interessado em quebrar minhas regras, por que não faz isso de uma vez por todas?

Edward arqueou uma sobrancelha, intrigado.

— E como exatamente você sugere que eu faça isso?

Bella afastou-se apenas o suficiente para ajeitar o cachecol que ele havia emprestado, sem tirar o olhar dele.

— Meu hotel não é longe daqui. Mas aviso: se você ficar entediado, não venha reclamar comigo.

A surpresa passou rapidamente pelo rosto de Edward antes de ser substituída por um sorriso lento e deliberado.

— Entediado? Acho que você está subestimando minha capacidade de aproveitar boas companhias.

Bella deu uma risada curta, virando-se e começando a caminhar.

— Então é melhor você acompanhar o ritmo, Sr. Cullen. Não gosto de esperar.

Edward a seguiu imediatamente, rindo suavemente.

— Não se preocupe, Bella. Acho que esta noite está longe de ser entediante.

A caminhada até o hotel foi tranquila, mas carregada de tensão sutil. Edward manteve o ritmo ao lado de Bella, as mãos enfiadas nos bolsos do casaco enquanto a observava de soslaio. Bella, por sua vez, parecia focada em qualquer coisa à frente, tentando não ceder à ideia de que estava levando Edward Cullen para o hotel dela.

Quando finalmente chegaram, Bella parou em frente à fachada do hotel e olhou para ele com um sorriso sarcástico.

— Bem-vindo ao meu humilde palácio, Sr. Cullen. Não é exatamente um dos hotéis cinco estrelas com os quais você está acostumado, mas garanto que as paredes são sólidas.

Edward olhou para o prédio. Era simples, funcional, e claramente focado em praticidade. Ele sorriu, ajeitando o cachecol ao redor do pescoço.

— Sólidas? Isso é o que importa. Afinal, eu não vim pelo hotel.

Bella riu, balançando a cabeça enquanto abria a porta de entrada.

— Você tem uma resposta para tudo, não é?

— Não para tudo — Edward respondeu, seguindo-a para o elevador. — Mas estou melhorando.

O quarto era pequeno, mas aconchegante, com um cheiro limpo de roupa de cama recém-lavada e móveis minimalistas. Bella jogou o casaco sobre uma cadeira próxima e abriu a pequena geladeira, pegando duas garrafas de cerveja.

— Espero que isso esteja à altura do seu gosto refinado — ela disse, estendendo uma das garrafas para Edward.

Ele pegou a cerveja com um sorriso.

— Se for algo que você está oferecendo, Srta. Swan, eu aceito.

Bella rolou os olhos, sentando-se na cama enquanto ele puxava a única cadeira do quarto e se acomodava à frente dela. Eles abriram as garrafas, e Edward ergueu a dele em um brinde improvisado.

— Ao improviso — ele disse.

Bella ergueu a sobrancelha.

— Ao improviso? Isso é o melhor que você consegue?

— Bem, você é a rainha do sarcasmo. Achei que simplicidade funcionaria — ele provocou, com um sorriso.

— Ah, entendi. Está se poupando para depois? — Bella respondeu, tomando um gole de sua cerveja.

— Talvez — Edward respondeu, inclinando-se levemente para a frente. — Ou talvez eu só esteja esperando você soltar algo inesperado.

Bella cruzou as pernas, apoiando a garrafa no joelho.

— Inesperado? Você acha que eu sou previsível?

Edward a observou por um momento, os olhos brilhando com algo entre curiosidade e diversão.

— Na verdade, você é a pessoa menos previsível que eu já conheci. É isso que me intriga.

Bella tentou ignorar o calor que subia em seu rosto, escondendo-o atrás de outro gole de cerveja.

— Intrigado, hein? Espero que você saiba lidar com isso.

— Estou aprendendo — ele respondeu, com aquele sorriso que parecia capaz de desarmá-la a qualquer momento.

A conversa fluiu entre sarcasmos e provocações. Edward contava histórias das turnês e de seus encontros com fãs excêntricos, enquanto Bella compartilhava anedotas de passageiros inusitados e momentos estranhos a bordo dos aviões.

— Então, me diga — Edward perguntou em certo momento, apoiando o queixo na mão enquanto a observava. — Se você pudesse escolher qualquer coisa para fazer, sem nenhuma regra ou limite, o que seria?

Bella parou por um momento, surpresa pela pergunta.

— Essa é profunda para alguém que vive quebrando regras todas as noites.

— É o meu charme — ele disse, com um sorriso provocador. — Agora responda.

Ela pensou por um momento, depois deu de ombros.

— Eu não sei. Talvez... viajar sem destino. Não por trabalho, mas porque eu realmente quero estar em algum lugar.

Edward inclinou a cabeça, intrigado.

— Interessante. Parece que estamos mais parecidos do que eu pensava.

— E você? — Bella perguntou, erguendo a garrafa para indicar que era a vez dele de responder.

Edward deu um sorriso suave, os olhos fixos nela.

— Talvez algo como agora. Estar com alguém que não espera nada além de sinceridade. É raro.

Bella ficou em silêncio, sentindo o peso das palavras. Ela tentou desviar, mas algo na expressão dele a fez permanecer naquele momento.

— Bom, Sr. Cullen — ela disse finalmente, com um sorriso leve —, espero que minha cerveja barata e sarcasmo sejam sinceros o suficiente para você.

Edward riu, inclinando-se levemente na cadeira.

— Você não faz ideia de como está indo bem, Bella.

O quarto estava tomado por uma atmosfera descontraída e íntima. As risadas suaves de Bella e Edward preenchiam o espaço enquanto a conversa seguia entre provocações e histórias. O tempo parecia ter desacelerado, e ambos estavam completamente imersos um no outro.

Edward apoiou o cotovelo no braço da cadeira, observando Bella com aquele olhar curioso que a fazia sentir como se ele enxergasse mais do que ela dizia.

— Você sabe que fica adorável quando tenta fingir que está no controle, não é?

Bella arqueou uma sobrancelha, tomando o último gole de sua cerveja antes de responder.

— E você sabe que seu excesso de confiança é quase irritante?

Edward riu, balançando a cabeça.

— Quase? Isso soa como um elogio vindo de você.

— Não se empolgue — Bella retrucou, mas havia um sorriso em seus lábios.

Edward inclinou-se para a frente, descansando os braços nos joelhos enquanto a observava de perto.

— Você não facilita, Bella Swan. É parte do que torna você tão fascinante.

Bella abriu a boca para responder, mas antes que pudesse formular uma resposta sarcástica, Edward se levantou da cadeira em um movimento fluido, fechando a distância entre eles. Ele estava parado bem na frente dela agora, a intensidade no olhar tornando o ar no quarto mais pesado.

— E você — ele continuou, a voz baixa e cheia de algo que a fez prender a respiração —, não tem ideia de como é difícil resistir a você quando está assim tão... à vontade.

Bella tentou manter a compostura, mas o calor subiu ao rosto dela.

— Eu... bem...

Antes que ela pudesse terminar, Edward inclinou-se e a beijou novamente, dessa vez com menos hesitação e mais urgência. O toque era suave, mas havia algo mais profundo, como se ele quisesse deixá-la sem dúvidas sobre suas intenções.

Bella retribuiu quase imediatamente, sentindo seus braços relaxarem enquanto puxava Edward para mais perto. As mãos dele encontraram sua cintura, firmes, mas gentis, enquanto o beijo se intensificava.

Quando eles se separaram, ambos estavam ofegantes, mas Edward não afastou o rosto do dela. Ele sorriu, aquele sorriso provocador que a desarmava.

— Eu avisei que seria difícil resistir.

Bella riu suavemente, ainda tentando recuperar o fôlego.

— Você tem muita certeza de si, não é?

Edward inclinou a cabeça, seus dedos ainda na cintura dela.

— Com você, eu prefiro arriscar.

Antes que ela pudesse responder, ele a beijou novamente, dessa vez com mais profundidade. Bella sentiu as mãos dele deslizarem para suas costas enquanto ela passava os dedos pelo cabelo dele, puxando-o levemente para mais perto.

O momento foi crescendo, o espaço entre eles desaparecendo. Edward a puxou gentilmente para se levantar, e Bella o acompanhou, sentindo o calor de seus corpos se alinharem.

Ele a olhou por um momento, os olhos percorrendo o rosto dela como se procurasse permissão. Bella, sem dizer nada, puxou-o para mais perto, deixando claro que não havia dúvidas em sua mente.

Eles se moveram juntos, de forma natural, até a cama. Bella sentiu o colchão atrás de si enquanto Edward a seguia, sempre atento aos seus movimentos. Os toques eram ao mesmo tempo cuidadosos e intensos, explorando cada limite sem pressa.

Bella puxou Edward para mais perto, seus dedos traçando linhas suaves ao longo de suas costas enquanto ele a beijava novamente, desta vez deixando as provocações de lado. Era um gesto sincero, repleto de desejo, mas também de algo mais profundo – algo que ambos sentiam, mas ainda não podiam nomear.

A noite continuou assim, com risos baixos se misturando aos sussurros e ao som suave de Londres ao fundo. Era como se o mundo ao redor tivesse desaparecido, deixando apenas eles dois naquele pequeno quarto e quebrando todas as regras.

O quarto estava mergulhado em um silêncio confortável, interrompido apenas pelo som baixo do tráfego noturno de Londres que entrava pela janela entreaberta. A luz amarelada do abajur ao lado da cama iluminava suavemente o rosto de Bella, que estava deitada de lado, olhando para a parede enquanto tentava controlar o rubor em seu rosto.

Edward, por sua vez, estava encostado na cabeceira, com um braço atrás da cabeça e um sorriso de satisfação nos lábios. Ele a observava com aquele olhar descontraído e divertido que parecia atravessar qualquer barreira que Bella tentasse erguer.

— Então — ele começou, o tom provocador —, você sempre fica tão quieta depois de quebrar todas as suas regras?

Bella fechou os olhos por um momento, soltando um suspiro.

— Você realmente não consegue ficar calado, consegue?

— Claro que não — Edward respondeu, rindo baixinho. — Principalmente quando você está tão adorável tentando evitar o contato visual comigo.

Bella finalmente virou-se para encará-lo, com as bochechas ainda levemente rosadas.

— Eu não estou evitando contato visual. Só estou... processando.

— Processando, hein? — Edward arqueou uma sobrancelha, claramente se divertindo. — É isso que você chama de ficar sem graça?

— Não estou sem graça — Bella rebateu, cruzando os braços e sentando-se na cama. — Só não estou acostumada a... isso.

— Ah, claro — Edward disse, assentindo exageradamente, como se estivesse refletindo profundamente. — Talvez eu devesse ter preparado um discurso motivacional antes.

Bella jogou um travesseiro nele, mas não conseguiu conter o sorriso que surgiu em seus lábios.

— Você é impossível, sabia?

— Impossível, talvez — ele disse, segurando o travesseiro contra o peito. — Mas você gosta disso, não gosta?

Ela revirou os olhos, mas o sorriso permaneceu.

— E você, Sr. Confiança Inabalável, não tem um evento amanhã? Ou melhor, hoje?

Edward olhou para o relógio no criado-mudo e deu de ombros.

— Tenho à tarde. Nada que uma boa dose de café e charme não resolvam.

— Você depende demais desse tal charme — Bella comentou, recostando-se na cabeceira ao lado dele.

— Até agora, está funcionando bem — Edward retrucou, lançando-lhe um olhar significativo.

Bella riu, balançando a cabeça. O silêncio entre eles retornou por um momento, mas dessa vez era confortável, como se ambos estivessem satisfeitos em simplesmente compartilhar o espaço.

Edward virou-se levemente para ela, apoiando o cotovelo no travesseiro.

— E você? Que horas precisa voltar ao seu mundo de regras?

Bella suspirou, olhando para o teto.

— Meu próximo voo é só amanhã à noite. Então tenho o dia livre para fingir que sou uma pessoa normal.

— Normal não combina com você — Edward disse, o tom sincero. — E isso é um elogio, caso esteja se perguntando.

Bella desviou o olhar, surpresa pela honestidade repentina.

— Obrigada, eu acho.

Edward sorriu, inclinando-se levemente para roubar um beijo rápido, sem as intenções urgentes de antes, mas ainda carregado de algo que fazia Bella sentir o estômago revirar.

— Você é tão difícil de ler, Bella Swan — ele disse suavemente.

— Talvez eu goste de manter um pouco de mistério — ela respondeu, tentando soar casual.

— Bom, mistério combina com você — Edward retrucou, recostando-se novamente.

Eles continuaram conversando sobre coisas triviais – os lugares que Bella queria visitar, as histórias mais absurdas de Edward em eventos de autógrafos – até que o cansaço finalmente começou a pesar.

Bella bocejou, cobrindo a boca com a mão. Edward riu suavemente, afastando os cabelos dela que haviam caído sobre o rosto.

— Quer que eu vá embora para você dormir? — ele perguntou, mas o tom sugeria que ele não tinha muita intenção de sair.

Bella olhou para ele, os olhos meio fechados pelo sono.

— Você já está aqui. Pode ficar, desde que não ronque.

— Eu nunca ronco — Edward respondeu, fingindo indignação.

Ela riu, fechando os olhos e puxando o cobertor para cima. Edward deitou-se ao lado dela, virando-se para encará-la enquanto ela se acomodava.

— Boa noite, Bella — ele disse, a voz mais baixa agora, quase um sussurro.

— Boa noite, Edward — ela respondeu, já quase adormecendo.

E enquanto o quarto mergulhava no silêncio da madrugada, os dois ficaram ali, juntos, sem precisar de palavras para sentir que, de alguma forma, algo novo havia começado naquela noite.

A luz fraca do amanhecer entrou pelas cortinas do quarto, iluminando suavemente o espaço. Bella acordou com a sensação de calor ao seu lado. Quando abriu os olhos, encontrou Edward ainda dormindo, os cabelos bagunçados e a respiração suave. Por um momento, ela ficou imóvel, contemplando o quão diferente ele parecia naquele estado relaxado, longe do autor confiante que provocava o tempo todo.

Tentando não fazer barulho, Bella deslizou para fora da cama e foi até o banheiro. Ao voltar, encontrou Edward se espreguiçando preguiçosamente, os olhos verdes piscando enquanto ele a observava com um sorriso lento.

— Bom dia, Srta. Swan — ele disse, a voz ainda rouca de sono. — Acho que essa é a melhor visão com a qual já acordei.

Bella riu, balançando a cabeça enquanto puxava o travesseiro para jogar nele.

— Você realmente não perde uma chance, não é?

— Não com você — ele respondeu, jogando o travesseiro de volta e sentando-se na cama. — Então, qual é o plano para o café da manhã? Porque eu definitivamente não vou sair daqui sem algo para comer.

Bella cruzou os braços, fingindo ponderar.

— Você está assumindo que eu quero tomar café da manhã com você.

— Bom, considerando a noite que tivemos, acho que já passamos do ponto de formalidades, não acha? — Edward retrucou com um sorriso malicioso.

Bella revirou os olhos, mas não conseguiu conter o sorriso.

— Tudo bem. Vista-se. Mas não reclame se o café daqui não for do seu nível de luxo.

— Eu sobrevivo — ele disse, levantando-se. — Principalmente porque você está aqui para compensar qualquer coisa.

Eles desceram juntos até o pequeno restaurante do hotel, que era simples, mas acolhedor. Bella escolheu uma mesa perto da janela, onde o sol da manhã iluminava a vista de Londres ao longe.

Enquanto serviam café e torradas, Edward olhou para Bella com um sorriso que ela estava começando a identificar como um sinal de que ele tinha algo em mente.

— Então, Bella — ele começou casualmente, espalhando manteiga em uma torrada. — Você tem o dia livre, certo?

— Tenho — ela respondeu, tomando um gole de café. — Por quê?

— Porque quero que você venha ao meu evento esta tarde — ele disse, como se fosse a coisa mais simples do mundo.

Bella piscou, surpresa.

— Você quer que eu vá ao seu evento? Você está brincando, certo?

— De jeito nenhum — Edward respondeu, pegando um pedaço de torrada. — Quero que você veja o meu mundo. Você já me deixou entrar no seu, então é justo.

— Edward, não é a mesma coisa — Bella disse, balançando a cabeça. — Seu mundo é cheio de fãs gritando e flashes de câmeras. O meu é... bem, um avião. Não tem comparação.

— Exatamente por isso você deveria ir — ele insistiu. — Quero que você me veja no meu habitat natural, como você chamou.

Bella riu, mas ainda parecia hesitante.

— Não sei. Não sou exatamente o tipo de pessoa que se mistura bem em eventos.

— Isso é o que torna a ideia tão boa — Edward respondeu, inclinando-se para a frente. — Você não precisa se misturar. Só precisa estar lá.

Bella revirou os olhos, tomando outro gole de café enquanto tentava encontrar uma maneira de recusar sem parecer rude. Mas Edward era persistente, e ela sabia disso.

— Edward, eu realmente não acho que seja uma boa ideia — ela disse finalmente.

— Por que não? — ele perguntou, os olhos brilhando com um misto de desafio e diversão. — Você tem medo de gostar do que vai ver?

Bella estreitou os olhos para ele, sentindo-se desafiada.

— Isso é um truque para me fazer ir, não é?

— Talvez — ele admitiu com um sorriso. — Mas está funcionando?

Bella suspirou, olhando pela janela enquanto considerava a ideia. Ela sabia que ele não desistiria facilmente, e parte dela estava curiosa para vê-lo nesse papel que ela apenas imaginava até agora.

— Se eu for — ela disse lentamente —, não espere que eu fique lá como uma fã histérica.

— De jeito nenhum — Edward respondeu rapidamente, levantando as mãos em um gesto de rendição. — Eu só quero você lá, do jeito que você é.

Bella bufou, mas havia um pequeno sorriso no canto de seus lábios.

— Tudo bem, Sr. Cullen. Mas só porque você não vai me deixar em paz se eu recusar.

Edward sorriu, visivelmente satisfeito.

— Prometo que não vai se arrepender, Bella.

Ela balançou a cabeça, rindo suavemente.

— Veremos. Mas se for um desastre, vou culpar você.

— Eu aceito a culpa — ele disse, erguendo sua xícara de café em um brinde improvisado.

Bella revirou os olhos novamente, mas sentiu uma pontada de ansiedade misturada com curiosidade. Afinal, talvez fosse interessante vê-lo em seu "habitat natural".

O auditório estava cheio, mas Bella conseguiu encontrar um assento no meio, um pouco afastado do palco. Ela escolheu um lugar discreto, tentando passar despercebida no meio dos fãs que conversavam animadamente, segurando cópias do novo livro de Edward, Sob o Mesmo Horizonte. Ela ajeitou o casaco no colo, sentindo-se um pouco deslocada. Este não era o tipo de ambiente que frequentava, mas algo dentro dela estava ansioso para vê-lo em ação.

Pouco depois, as luzes diminuíram, e uma mulher subiu ao palco, segurando um microfone.

— Boa tarde, a todos! É um prazer enorme receber hoje um autor tão talentoso, cujo novo romance já está conquistando corações ao redor do mundo. Por favor, deem as boas-vindas a Edward Cullen!

A plateia explodiu em aplausos e murmúrios de animação. Bella uniu-se ao aplauso, ainda que de forma contida, enquanto via Edward subir ao palco. Ele parecia completamente à vontade, vestindo um blazer casual e jeans, com aquele sorriso confiante que a desarmava todas as vezes.

— Obrigado por estarem aqui — Edward começou, segurando o microfone com uma facilidade que fazia parecer que tinha nascido para aquilo. — Escrever pode ser um trabalho solitário, mas eventos como este me lembram que as palavras têm o poder de nos conectar. E, honestamente, vocês são a melhor parte disso tudo.

O auditório explodiu em aplausos novamente, e Bella não conseguiu evitar um pequeno sorriso. Ele era natural, cativante, e completamente diferente do homem que ela conhecia em momentos mais íntimos.

Edward começou a falar sobre o livro – sobre como havia criado os personagens e as emoções que queria transmitir. Ele mencionou o quanto se inspirava nas vulnerabilidades humanas, em como as barreiras que criamos podem nos afastar das coisas que mais desejamos.

— Escrever Sob o Mesmo Horizonte foi, para mim, uma forma de explorar o que acontece quando baixamos nossas defesas — ele disse, olhando para a plateia. — Porque às vezes, o maior risco que podemos correr é simplesmente nos permitirmos sentir.

Bella sentiu um arrepio com aquelas palavras. Ele falava com uma paixão que era quase palpável, e, enquanto observava, percebeu que estava completamente encantada. Edward não era apenas um autor famoso – ele era alguém profundamente conectado com aquilo que fazia, e isso o tornava ainda mais fascinante.

Quando o auditório começou a esvaziar, Bella dirigiu-se aos bastidores, onde encontrou Edward conversando com alguns membros da equipe. Quando ele a viu, um sorriso largo iluminou seu rosto, e ele se aproximou imediatamente.

— Você veio — ele disse, os olhos brilhando.

— Eu vim — Bella respondeu, com um sorriso tímido. — E você foi incrível. Não achei que fosse possível, mas acho que fiquei ainda mais impressionada com você.

Edward arqueou uma sobrancelha, fingindo surpresa.

— Isso foi um elogio vindo da Srta. Swan? Acho que preciso anotar este momento.

Bella riu, revirando os olhos.

— Não se acostume. Eu ainda acho que você é cheio de si.

— Talvez um pouco — ele admitiu com um sorriso travesso. — Mas é bom saber que consegui impressionar você. Agora, tenho algo para você.

Ele caminhou até uma mesa próxima e pegou uma cópia de Sob o Mesmo Horizonte. Voltando até Bella, abriu a primeira página e começou a escrever algo com uma caneta prateada.

— Não vou espiar — Bella disse, cruzando os braços.

— Ótimo, porque quero que seja uma surpresa — Edward respondeu.

Quando terminou, ele fechou o livro e entregou-o a ela com um sorriso. Bella abriu e leu a dedicatória:

"Para Bella,

Que me ensinou que quebrar regras pode ser mais inspirador do que qualquer história que eu já tenha escrito.

P.S.: Cuidado com a turbulência.

Edward."

Bella riu suavemente, sentindo o rosto esquentar.

— Sarcasmo e fofura na mesma frase? Você realmente sabe como equilibrar as coisas.

— É um talento — Edward disse, com um sorriso satisfeito.

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Edward insistiu em levá-la ao aeroporto, e Bella acabou cedendo. Durante a viagem, a conversa entre eles era descontraída, mas ambos sentiam o peso da despedida iminente.

Quando chegaram ao terminal, Edward estacionou e saiu do carro para ajudá-la com a bagagem. Antes que ela pudesse pegar a mala, ele segurou a mão dela, fazendo-a olhar para ele.

— Eu sei que sua vida é uma bagunça organizada de horários e viagens — ele começou, o tom mais sério. — Mas quero que saiba que isso não precisa ser um adeus. Não quero que você desapareça, Bella.

Bella piscou, surpresa pela sinceridade dele.

— Edward, eu...

— Não precisa prometer nada agora — ele continuou, soltando um suspiro. — Só... mantenha contato. Me deixe fazer parte disso, de alguma forma. Por favor.

Ela mordeu o lábio, hesitando. Mas no fundo, sabia que também não queria que aquilo acabasse ali.

— Eu prometo — Bella disse finalmente, com um pequeno sorriso. — Mas se você começar a me mandar mensagens sobre turbulência, eu vou ignorar.

Edward riu, puxando-a para um abraço apertado e um beijo que já berrava saudade. Quando se afastaram, ele olhou para ela com aquele sorriso que a desarmava toda vez.

— Boa viagem, Bella Swan. E, por favor, me avise quando pousar.

— Eu aviso — ela respondeu, com o coração acelerado.

E enquanto ela atravessava as portas do terminal, carregando o livro dedicado em sua bagagem de mão, sentiu algo inesperado – uma mistura de ansiedade e esperança, como se aquele encontro fosse apenas o começo de algo que ela ainda não conseguia definir.

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Bella voltou para Nova York no dia seguinte, retomando sua rotina de voos internacionais. A vida de comissária era sempre corrida, e ela tinha pouco tempo para pensar em tudo o que havia acontecido em Londres. No entanto, Edward parecia decidido a não deixá-la esquecer.

As mensagens entre eles começaram de forma leve – provocações sobre turbulências, perguntas sobre os passageiros dela, e comentários sobre as cidades que ele estava visitando em sua turnê de lançamento do livro. Mas, com o tempo, as conversas começaram a ter um tom mais pessoal.

Bella estava em um café no aeroporto JFK, revisando os detalhes do voo para Londres enquanto aguardava o embarque. Seus pensamentos estavam em ordem até o celular vibrar com uma notificação de Edward. Era uma mensagem simples, mas suficiente para fazê-la sorrir.

[Edward - 08:42]

"E para onde você está indo agora, Srta. Swan? Salvando o mundo um passageiro por vez?"

[Bella - 08:47]

"Londres. E você? Passeando ou trabalhando?"

A resposta dele veio rapidamente.

[Edward - 08:48]

"Tokyo. Uma noite de autógrafos e uma palestra. Parece que estamos sempre nos cruzando em direções opostas."

Bella riu suavemente, balançando a cabeça enquanto digitava.

[Bella - 08:50]

"Ah, claro, a vida difícil de um autor famoso. Espero que sobreviva às hordas de fãs gritando seu nome."

[Edward - 08:52]

"Difícil, mas suportável. Embora, sinceramente, eu preferisse estar no seu voo."

Bella sentiu o estômago dar um leve nó. As mensagens entre eles sempre tinham um tom descontraído, mas havia algo diferente naquela. Ela hesitou antes de responder.

[Bella - 08:55]

"Prefere turbulência e café ruim? Não sabia que era um amante de emoções fortes."

[Edward - 08:57]

"Talvez seja porque isso significaria estar mais perto de você. Estou com saudade, Bella."

Ela parou, surpresa pela honestidade repentina. Antes que pudesse digitar uma resposta, outra mensagem chegou.

[Edward - 08:58]

"E antes que você use sarcasmo para evitar isso, é sério."

Bella mordeu o lábio, o coração acelerando. Ela considerou diversas respostas, mas decidiu ser igualmente honesta.

[Bella - 09:00]

"Eu também estou com saudade, Edward. Mais do que gostaria de admitir."

Por alguns segundos, não houve resposta. Quando finalmente o celular vibrou, Bella sentiu uma mistura de nervosismo e expectativa.

[Edward - 09:03]

"Então faça algo sobre isso. Venha para Tokyo. Tem um evento aqui que eu adoraria que você visse."

Bella riu, balançando a cabeça. Ele realmente sabia como desafiar.

[Bella - 09:05]

"Gostaria, mas acho que a companhia aérea não aceita 'motivos pessoais' para alterar minhas rotas. E eu não tenho voos para Tokyo."

[Edward - 09:06]

"Isso é lamentável. Acho que vou ter que me contentar em ficar a 11 mil quilômetros de distância, sofrendo em silêncio."

Bella riu, mas sentiu uma leve pontada no peito com as palavras.

[Bella - 09:08]

"Sofrendo, é? Você parece estar lidando muito bem com isso."

[Edward - 09:10]

"Talvez. Mas só porque sei que o destino vai mudar isso eventualmente."

Durante o voo para Londres, Bella ajustava os últimos detalhes da cabine, seus pensamentos voltavam constantemente para Edward. Ele parecia estar sempre presente, mesmo a milhares de quilômetros de distância.

Quando teve uma pausa, pegou o celular e abriu as redes sociais. Uma nova postagem de Edward chamou sua atenção. Era uma foto de um quarto de hotel em Tokyo, com a janela mostrando o horizonte noturno da cidade.

A legenda era simples, mas mexeu com Bella de uma forma que ela não esperava:

"11 mil quilômetros de distância do que realmente importa."

Bella sentiu o peito apertar enquanto lia aquelas palavras. Ela sabia que ele se referia a ela. Por mais que tentasse manter as coisas leves, Edward estava conseguindo passar por suas defesas.

Já no hotel em Londres, Bella decidiu responder. Abriu o aplicativo de mensagens e digitou, sentindo-se mais vulnerável do que gostaria.

[Bella - 22:15]

"Você realmente gosta de me deixar pensando, não é?"

A resposta dele veio quase imediatamente, como se ele estivesse esperando por isso.

[Edward - 22:16]

"E estou conseguindo?"

[Bella - 22:18]

"Mais do que você imagina. Tokyo parece um pouco mais atraente agora."

[Edward - 22:20]

"Então, quando posso esperar por você?"

Bella riu, balançando a cabeça. Ele era persistente, e ela estava começando a gostar disso mais do que deveria.

[Bella - 22:22]

"Ainda não sei. Mas prometo que quando cruzar caminhos com você de novo, vai ser inesquecível."

[Edward - 22:24]

"Vou cobrar isso, Bella Swan. E eu sou ótimo em cobrar promessas."

Bella colocou o celular de lado, um sorriso suave nos lábios. Apesar da distância, ela sentia que Edward estava cada vez mais perto de fazer parte permanente de sua vida. E, no fundo, sabia que isso não a assustava tanto quanto costumava.

xxx

Bella estava em seu quarto de hotel em Frankfurt, aproveitando uma rara noite livre. Ela tinha acabado de sair de um banho relaxante e estava enrolada em um roupão, com o cabelo úmido caindo pelos ombros. Pegou o celular para checar as mensagens e, claro, lá estava Edward.

[Edward - 22:10]

"Espero que esteja aproveitando sua folga. Ou será que está planejando a revolta de passageiros contra turbulências?"

[Bella - 22:12]

"Muito engraçado. Estou tentando relaxar, o que fica difícil com suas mensagens constantes."

[Edward - 22:14]

"Difícil resistir quando sei que minhas mensagens são o melhor da sua noite."

[Bella - 22:15]

"Convencido como sempre."

Antes que ela pudesse digitar mais uma resposta, a tela do celular mudou para uma chamada de vídeo. Bella hesitou por um momento, o coração acelerando, mas acabou atendendo.

Edward apareceu na tela, vestindo uma camiseta simples e com o cabelo bagunçado, provavelmente pelo fuso horário. Ele tinha aquele sorriso descontraído que sempre fazia Bella sentir algo que ela não queria admitir.

Boa noite, Srta. Swan — ele disse, a voz calorosa. — Espero que eu não esteja interrompendo sua sessão de meditação.

Bella ajustou o celular, inclinando a cabeça.

— Interrompendo, não. Mas tenho certeza de que você adoraria ser o centro das atenções, como sempre.

É um papel que eu desempenho muito bem — Edward respondeu, com um sorriso travesso. — E você, sempre sarcástica. Nunca muda, não é?

— É meu charme — Bella disse, dando de ombros.

Entre outros — Edward murmurou, mas o suficiente para ela ouvir.

Bella desviou o olhar, sentindo o rosto aquecer, mas manteve o tom leve.

— E você, Sr. Cullen? Não deveria estar escrevendo outro best-seller ou lidando com fãs enlouquecidas?

Acabei de sair de um evento — ele respondeu, ajustando a câmera para apoiá-la em algo. — Mas, honestamente, preferia estar em qualquer lugar que não fosse um hotel genérico. Especialmente se esse lugar incluísse você.

Bella revirou os olhos, mas não conseguiu esconder o pequeno sorriso.

— Você realmente gosta de jogar essas coisas como se não tivessem impacto, não é?

Por que jogaria, se não tivesse? — Edward rebateu, inclinando-se levemente para mais perto da câmera.

O tom da conversa começou a mudar. O sarcasmo ainda estava ali, mas algo mais surgiu – uma vulnerabilidade que Bella não podia ignorar.

— Às vezes, acho que você gosta de me deixar desconfortável — Bella admitiu, brincando, mas havia um peso em suas palavras.

Eu gosto de fazer você pensar — Edward respondeu, os olhos sérios agora. — Porque você tenta esconder demais o que sente.

Bella ficou em silêncio por um momento, desviando o olhar da câmera.

— É mais fácil assim — ela murmurou.

É mais fácil — Edward concordou. — Mas não é real. E, Bella, você é a pessoa mais real que já conheci.

Ela olhou para ele novamente, surpreendida pela sinceridade.

— Você não tem ideia do quanto isso mexe comigo.

Tenho alguma ideia — Edward disse, um pequeno sorriso surgindo. — E vou ser honesto: estou mais abalado por você do que achei que seria. Você... bagunça tudo, mas de um jeito que eu não consigo largar.

Bella riu suavemente, sentindo um nó no peito.

— Não achei que ouvir isso seria tão... desconcertante. Porque eu também não consigo ignorar você, Edward. E isso me assusta.

Assustar faz parte — ele disse, a voz baixa. — Mas não precisa ser algo ruim. Você não precisa lidar com isso sozinha.

Bella ficou em silêncio por um momento, tentando controlar as emoções. Então, soltou um suspiro e sorriu suavemente.

— Você é bom nisso, sabia?

Bom em quê?

— Me desarmar — ela admitiu, os olhos encontrando os dele na tela.

Edward sorriu, aquele sorriso que sempre a fazia sentir que estava segura, mesmo em meio à confusão.

Bom, é justo, porque você faz o mesmo comigo.

A conversa continuou por mais alguns minutos, mas ambos sabiam que algo havia mudado. Não era mais apenas provocação e sarcasmo – era uma conexão mais profunda, uma admissão de que, apesar da distância, eles estavam cada vez mais entrelaçados.

Antes de desligar, Edward a olhou fixamente pela câmera e disse:

Promete que vai dormir bem hoje?

Bella sorriu, sentindo-se mais leve do que há dias.

— Só se você prometer o mesmo.

Prometido — Edward respondeu. — Boa noite, Bella.

— Boa noite, Edward — ela respondeu, desligando a chamada, mas sabendo que aquele momento ficaria com ela por muito tempo.

Depois da conversa com Edward, Bella teve dificuldade em dormir. As palavras dele ecoavam em sua mente, misturadas com a sua própria admissão. Ela não era do tipo que se deixava envolver facilmente, mas Edward tinha uma maneira única de derrubar todas as suas barreiras. E isso a assustava e atraía ao mesmo tempo.

Na manhã seguinte, enquanto se preparava para mais um voo, o celular vibrou com uma mensagem dele.

[Edward - 07:30]

"Bom dia, Srta. Swan. Dormiu bem ou eu deixei você inquieta demais?"

Bella sorriu, balançando a cabeça enquanto digitava uma resposta.

[Bella - 07:33]

"Você se dá muito crédito. Eu dormi bem, obrigada. E você? Ou foi consumido pelo glamour de Tokyo?"

[Edward - 07:35]

"Glamour? Se glamour significa macarrão instantâneo e responder a e-mails até tarde, então sim, muito glamour. Mas confesso que minha mente estava em outro lugar."

[Bella - 07:37]

"Outro lugar? Quer dizer 11 mil quilômetros de distância?"

[Edward - 07:39]

"Exatamente. Você entende rápido, Bella."

Bella hesitou antes de responder, sentindo-se vulnerável novamente.

[Bella - 07:42]

"Não sei se gosto de como você está sempre na minha cabeça. Parece injusto."

[Edward - 07:44]

"Se é injusto, estamos empatados. Você também está sempre na minha."

Bella suspirou, o sorriso ainda em seus lábios enquanto guardava o celular e se dirigia ao aeroporto. Ele sempre sabia o que dizer para bagunçar seus pensamentos, mas, de alguma forma, ela não queria que ele parasse.

Durante o voo para Paris, Bella tentou se concentrar no trabalho, mas sua mente continuava voltando para Edward. Enquanto os passageiros dormiam, ela pegou o celular e abriu o perfil dele nas redes sociais. Lá estava outra postagem recente, com uma foto dele sentado em uma mesa de trabalho, com papéis espalhados e uma xícara de café ao lado.

A legenda era direta, mas mexeu com ela novamente:

"Há ausências que se tornam impossíveis de ignorar, não importa onde eu esteja."

Bella fechou os olhos por um momento, sentindo o coração apertar. Ele estava falando dela, disso ela não tinha dúvida. E, por mais que tentasse, sabia que estava começando a ceder a algo que não podia controlar.

Quando finalmente chegou ao hotel em Paris, Bella se jogou na cama e pegou o celular. Havia outra mensagem de Edward.

[Edward - 14:15]

"Se eu convidar você para outro evento, vai inventar uma desculpa ou vai considerar aparecer dessa vez?"

Bella riu, balançando a cabeça enquanto digitava.

[Bella - 16:17]

"Depende. Onde é o evento?"

[Edward - 16:19]

"Roma, na próxima semana. Achei que uma cidade romântica pudesse ajudar no convencimento."

[Bella - 16:21]

"Você acha que Roma vai me fazer mudar de ideia?"

[Edward - 16:23]

"Acho que já está pensando nisso. Não precisa admitir, mas sei que você está."

Bella suspirou, olhando para o teto. Ele estava certo. Parte dela queria muito ir, não apenas para vê-lo, mas para explorar o que estava crescendo entre eles.

[Bella - 16:25]

"Vou pensar. Mas só porque quero ter certeza de que você é tão bom assim"

[Edward - 16:27]

"Eu aceito isso como um sim. E prometo que você não vai se arrepender."

Enquanto a noite caía em Paris, Bella ficou deitada olhando para o teto, refletindo sobre a conexão que havia construído com Edward. A distância era complicada, mas ele a fazia sentir algo que ela não sentia há muito tempo: esperança.

Bella estava no hotel em Paris, olhando para o celular com uma mistura de ansiedade e determinação. A ideia de ver Edward novamente tinha se tornado irresistível, mas ela sabia que precisaria de ajuda para conseguir tempo livre. Depois de muito pensar, decidiu mandar uma mensagem para Angela, sua supervisora.

[Bella - 17:12]

"Angela, você está ocupada? Preciso de um favor."

A resposta veio em minutos, como de costume. Angela era organizada e sempre prestativa, mas Bella raramente pedia algo assim.

[Angela - 17:15]

"Claro, Bella! O que aconteceu? Tudo bem com você?"

Bella mordeu o lábio antes de responder.

[Bella - 17:16]

"Tudo bem. Só preciso ajustar minha escala. Existe alguma chance de eu trocar meu próximo voo por dois dias de folga? É uma emergência pessoal."

[Angela - 17:18]

"Uau, você nunca pede isso. Algum problema sério?"

[Bella - 17:20]

"Nada grave, mas é importante para mim. Prometo compensar depois."

Angela ficou em silêncio por alguns minutos, e Bella começou a pensar que sua tentativa falharia. Mas, então, a resposta chegou.

[Angela - 17:25]

"Ok, Bella. Posso ajustar sua escala para você ter esses dois dias. Mas vou cobrar, hein!"

Bella sorriu, aliviada.

[Bella - 17:27]

"Obrigada, Angela. Você é a melhor. Prometo que faço um turno extra quando precisar."

[Angela - 17:29]

"Aproveite o que quer que seja. Você merece."

Com os dois dias livres garantidos, Bella abriu o site do evento de Edward em Roma. Ela hesitou por um momento, mas acabou clicando no botão para comprar o ingresso. O coração acelerava à medida que completava o pagamento.

"Pronto," ela murmurou para si mesma, sentindo um misto de ansiedade e empolgação.

Antes que Edward pudesse suspeitar, Bella decidiu manter a surpresa. Ela pegou o celular e enviou uma mensagem para ele, fingindo que ainda não sabia como resolver sua agenda.

[Bella - 18:00]

"Edward, estive pensando sobre Roma, mas acho que não vou conseguir. Minha escala está muito apertada, e é impossível mexer nisso agora."

A resposta dele veio quase que instantaneamente, como se ele já estivesse esperando uma notícia assim.

[Edward - 18:02]

"Sério? Tudo bem, Bella. Embora eu realmente queria que você estivesse lá."

Bella suspirou, sentindo-se um pouco culpada pela mentira, mas sabia que a surpresa valeria a pena.

[Bella - 18:04]

"Eu também queria, mas não posso prometer nada. Talvez em outra ocasião."

[Edward - 18:06]

"Entendido. Mas saiba que você será a única coisa que vai faltar para esse evento ser perfeito."

Bella riu baixinho, balançando a cabeça. Ele realmente sabia como mexer com ela.

[Bella - 18:08]

"Exagerado. Tenho certeza de que será incrível, mesmo sem mim."

[Edward - 18:10]

"Você subestima o impacto que tem em mim, Bella Swan. Eu vou sentir sua falta."

Bella olhou para o celular, sentindo o peso das palavras dele. Mal sabia Edward que ela já estava planejando algo para surpreendê-lo.

"Espero que valha a pena," ela murmurou para si mesma, enquanto começava a organizar os detalhes de sua viagem para Roma.

Bella chegou a Roma pela manhã, sentindo o frescor da cidade e a energia vibrante das ruas. Apesar do cansaço da viagem, havia uma ansiedade pulsante dentro dela. Estar ali sem que Edward soubesse era emocionante, mas também um pouco assustador. Ela decidiu manter o disfarce e continuar a conversa com ele como se estivesse a milhares de quilômetros de distância.

[Bella - 09:15]

"Bom dia, Sr. Cullen. Preparado para encantar uma sala cheia de fãs italianos?"

Edward respondeu poucos minutos depois.

[Edward - 09:18]

"Bom dia, Srta. Swan. Preparado, mas não tão empolgado quanto estaria se você fosse uma das pessoas na plateia."

Bella riu baixinho enquanto caminhava pelas ruas de Roma.

[Bella - 09:20]

"Você realmente sabe como fazer uma garota se sentir culpada."

[Edward - 09:22]

"Só estou sendo honesto. Vai ser difícil não pensar em você hoje."

Bella sentiu o coração acelerar, mas manteve o tom leve.

[Bella - 09:24]

"Boa sorte, então. Vou querer detalhes depois."

O local do evento era um elegante teatro no centro de Roma, com uma fachada ornamentada que destacava a grandeza da ocasião. Bella entrou discretamente, segurando o ingresso e mantendo-se no meio da multidão para não chamar atenção.

Escolheu um assento mais afastado, mas com uma boa visão do palco. O teatro estava cheio de fãs animados, conversando sobre o livro e tirando fotos. Bella observou o ambiente, sentindo-se um pouco deslocada, mas também empolgada para ver Edward em seu "habitat natural" novamente.

As luzes começaram a diminuir, e o murmúrio da plateia se acalmou. Um apresentador subiu ao palco, anunciando o início do evento.

— Senhoras e senhores, é com grande prazer que recebemos aqui hoje um autor que conquistou corações ao redor do mundo com suas palavras. Por favor, deem as boas-vindas a Edward Cullen!

A plateia explodiu em aplausos e gritos, e Bella sentiu um arrepio ao vê-lo subir ao palco. Edward estava impecável, com um sorriso confiante enquanto acenava para o público. Ele parecia tão natural naquele ambiente que era impossível não admirar.

Edward começou falando sobre o processo de criação do livro, suas inspirações e como havia explorado temas de vulnerabilidade e conexão. Ele fazia piadas ocasionais que arrancavam risadas da plateia, mas também tinha momentos de seriedade que capturavam a atenção de todos.

— Escrever Sob o Mesmo Horizonte foi um processo que me ensinou muito sobre abrir mão do controle — ele disse, segurando o microfone com firmeza. — Às vezes, as coisas mais importantes acontecem quando você se permite ser vulnerável. Quando você abaixa suas barreiras.

Bella sentiu o coração apertar ao ouvir aquelas palavras. Pareciam tão pessoais, tão próximas do que eles haviam conversado nas últimas semanas.

Depois de uma hora de conversa, o apresentador começou a fazer perguntas enviadas pela plateia. A maioria era sobre o livro, mas uma em particular fez Bella se mexer na cadeira.

— Sr. Cullen — o apresentador começou com um sorriso divertido —, você mencionou recentemente em suas redes sociais que sente falta de algo a milhares de quilômetros de distância. Há rumores de que você está apaixonado. Isso é verdade?

A plateia explodiu em murmúrios e risadas, todos curiosos pela resposta. Bella prendeu a respiração, esperando o que Edward diria.

Edward sorriu levemente, inclinando-se para o microfone.

— Apaixonado é uma palavra forte — ele começou, olhando para o público. — Mas posso dizer que há alguém que me fez ver o mundo de uma forma diferente. Alguém que é... inesperado, desafiador e impossível de ignorar. E, sim, sinto falta dela. Muito. Diariamente.

Bella sentiu um calor subir pelo rosto, e suas mãos apertaram os braços da cadeira. Mesmo sem mencionar nomes, ela sabia que ele estava falando dela. Era tão sincero que quase parecia uma confissão.

Quando o evento terminou, Bella esperou que a maior parte da plateia saísse antes de ir para os bastidores.

O corredor dos bastidores estava relativamente calmo, tanto que foi fácil passar por ali sem chamar a atenção, havia apenas alguns membros da equipe movimentando-se ao fundo. Bella caminhava devagar, tentando controlar os nervos enquanto segurava o ingresso do evento em mãos. Quando virou o último corredor e viu Edward, o ar pareceu fugir de seus pulmões.

Ele estava de pé ao lado de uma mesa cheia de livros, canetas e copos de café. Conversava distraidamente com um assistente, mas sua postura sugeria cansaço, o tipo de exaustão que vinha mais da emoção do que do esforço físico. Bella parou no meio do corredor, observando-o por um instante, antes de respirar fundo e dar um passo adiante.

Quando Edward a viu, sua expressão mudou instantaneamente. Ele congelou, interrompendo o que dizia, enquanto os olhos se arregalavam de surpresa. Parecia quase desacreditar no que via, como se ela fosse uma miragem.

— Bella — ele disse, a voz saindo baixa, quase um sussurro. Ele piscou algumas vezes, como se tentasse garantir que não estava imaginando. — Você está... aqui?

Bella abriu um sorriso tímido, o nervosismo ainda presente.

— Surpresa.

Edward deu um passo à frente, ainda parecendo incrédulo. Ele olhou para ela de cima a baixo, como se precisasse confirmar que era realmente ela.

— Você disse... Você disse que não podia vir.

— Eu menti — Bella respondeu com um pequeno encolher de ombros, tentando parecer casual.

Edward riu, mas era um riso misturado com descrença e alívio.

— Você mentiu? Você... — Ele balançou a cabeça, incapaz de terminar a frase. Então, de repente, deu dois passos rápidos em direção a ela, os olhos brilhando de emoção.

Antes que Bella pudesse reagir, ele a envolveu em um abraço forte, levantando-a do chão e girando-a no ar. Bella soltou um pequeno grito de surpresa, seguido por uma risada, enquanto sentia a força e a energia de Edward naquele gesto.

— Você é inacreditável — ele murmurou contra o cabelo dela enquanto continuava a rodopiá-la.

Quando finalmente a colocou no chão, Edward segurou seu rosto com as duas mãos, os olhos fixos nos dela.

— Eu... Não consigo nem pensar em algo sarcástico agora, o que é um grande problema pra mim — ele disse, a voz um pouco rouca.

Bella riu, mas o som ficou preso na garganta quando Edward inclinou-se e a beijou. Não foi um beijo apressado ou planejado – foi um gesto cheio de emoção, como se ele estivesse tentando expressar tudo o que sentia por ela naquele momento. Bella retribuiu imediatamente, sentindo suas mãos segurarem os braços dele para se equilibrar.

Quando eles finalmente se separaram, Edward ainda segurava o rosto dela, os polegares acariciando suavemente suas bochechas. Ele riu baixinho, balançando a cabeça.

— Eu deveria estar dizendo algo esperto agora, mas...

Bella olhou para ele, ainda ofegante.

— Mas o quê?

Edward sorriu, os olhos brilhando.

— Mas você acabou de destruir minha habilidade de ser sarcástico. Isso é inaceitável, Bella Swan.

Bella riu suavemente, sentindo o calor subir pelo rosto.

— Eu vou anotar isso como uma vitória, então.

— Anote — Edward respondeu, com o sorriso mais genuíno que ela já tinha visto nele. — Porque hoje você venceu todas.

Bella olhou para ele, sentindo o peito apertar com a intensidade do momento. Ele estava ali, completamente vulnerável, e aquilo mexia com ela de uma forma que ela não conseguia explicar.

— Eu não queria que você soubesse — ela admitiu, com um sorriso tímido —, mas eu precisava estar aqui.

Edward deu uma risada curta, ainda mantendo o olhar fixo no dela.

— E eu precisava que você estivesse aqui, mesmo sem saber disso.

Ele a puxou para outro abraço, mais calmo desta vez, e Bella deixou-se relaxar contra ele. Sentiu o coração dele batendo rápido contra o seu, como se ambos estivessem finalmente sincronizados.

Naquele momento, no pequeno canto dos bastidores, o mundo pareceu parar, deixando apenas os dois. Edward segurou então a mão de Bella enquanto a conduzia para uma sala reservada onde seus amigos e familiares aguardavam. Bella, ainda um pouco nervosa, manteve o semblante confiante, mas por dentro sentia o coração bater mais rápido. Era a primeira vez que ela se via inserida de forma tão direta no mundo de Edward.

Quando entraram na sala, a energia era vibrante. Um pequeno grupo estava reunido ao redor de uma mesa, rindo e conversando. Entre eles, uma jovem de cabelo curto, aparência alegre e olhos brilhantes se destacou imediatamente.

— Ah. Meu. Deus! Finalmente! — Alice exclamou, levantando-se com um sorriso radiante. — Você é Bella Swan? Eu estava morrendo de curiosidade para te conhecer.

Bella deu um sorriso educado, mas havia um leve rubor em suas bochechas.

— Espero que sua curiosidade não tenha sido alimentada por histórias exageradas.

— Exageradas? Nada disso! — Alice disse, dando uma risadinha e cruzando os braços. — Na verdade, acho que ele até subestimou o quanto você parece ser incrível.

Edward riu nervosamente, passando a mão pelo cabelo.

— Alice, pega leve. Você vai assustá-la.

— Eu? Assustar? Duvido — Alice retrucou, olhando para Bella com um brilho curioso nos olhos. — Mas, sério, como vocês se conheceram? E como foi que ele te convenceu a vir aqui? Porque Edward não costuma impressionar tanto assim.

Antes que Alice pudesse disparar mais perguntas, Edward ergueu uma mão em um gesto de pausa.

— Ok, Alice. Já chega por enquanto. — Ele virou-se para os outros na sala. — Pessoal, esta é Bella. Bella, estes são alguns amigos e, claro, minha irmã Alice.

Bella sorriu para o grupo, murmurando um cumprimento educado. Todos pareceram acolhedores, mas Alice claramente era a mais animada.

— Agora que você está oficialmente apresentada — Edward continuou, voltando-se para Alice —, tenho uma notícia: vou precisar cancelar o jantar. Estou indo embora com Bella.

Alice abriu a boca, claramente surpresa.

— O quê? Cancelar o jantar? Isso é sério, Edward?

Edward deu de ombros, mas havia um sorriso provocador em seus lábios.

— Totalmente sério. Bella veio de tão longe só para me surpreender. Acho que ela merece minha atenção exclusiva esta noite.

Alice revirou os olhos, mas seu sorriso entregava que ela estava mais feliz do que irritada.

— Tudo bem, mas você me deve uma explicação completa depois. E, Bella — ela acrescentou —, prometa que não vai desaparecer antes de nos conhecermos melhor.

Bella riu suavemente.

— Prometo.

Enquanto caminhavam para fora do teatro, Edward segurou a mão de Bella, seus dedos entrelaçados como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo. Ele olhou para ela com um sorriso malicioso.

— Então — ele começou —, você tem um hotel ou vai me dar o prazer de improvisar algo?

Bella o encarou por um momento, o sorriso brincando em seus lábios.

— Claro que não tenho um hotel — ela respondeu, sarcástica. — Eu estava planejando pedir um espaço na sua suíte de autor famoso, porque, sabe, isso é exatamente o que eu faço.

Edward riu alto, parando de andar por um momento.

— Você é impossível, sabia disso?

— Impossível ou realista? — Bella retrucou, cruzando os braços com um olhar desafiador.

— Bem — Edward disse, aproximando-se dela —, seja lá o que for, fico feliz que você tenha aparecido. Mesmo que isso signifique dividir minha suíte com você.

Bella ergueu uma sobrancelha, provocando.

— E você acha que vou aceitar isso tão facilmente? Talvez eu devesse encontrar algo mais... modesto, só para contrariar suas expectativas.

Edward a puxou levemente para mais perto, os olhos brilhando com diversão.

— Modesto não combina com você. E, honestamente, nem comigo.

Bella riu, balançando a cabeça.

— Ok, Sr. Convencido. Vamos ver se seu hotel é tão impressionante quanto você diz.

— Ah, você não vai se decepcionar — Edward disse, conduzindo-a em direção ao carro. — Mas aviso: o verdadeiro luxo da noite é ter você comigo.

Já do lado de fora, Edward pegou o celular e fez uma ligação rápida. Bella, ao lado dele, observava com um sorriso contido enquanto ele falava com o motorista.

— Enzo, pode trazer o carro para a entrada? Estou indo para o Hotel Hassler.

Bella ergueu uma sobrancelha.

— Hotel Hassler? Você realmente sabe como escolher lugares discretos, hein?

Edward sorriu, guardando o celular.

— Bem, só o melhor para meus eventos e... minhas visitas inesperadas.

Bella riu, cruzando os braços.

— Claro. Porque eu esperava algo mais humilde, como um albergue ou um Airbnb.

— Comigo? — Edward respondeu, divertido. — Duvido que você acreditasse nisso.

Quando o carro chegou, o motorista abriu a porta para eles, e Edward fez um gesto para Bella entrar primeiro. Durante o trajeto pelas ruas iluminadas de Roma, Edward manteve a mão dela entrelaçada à sua, conversando casualmente sobre o evento, mas claramente atento a cada detalhe do momento.

O Hotel Hassler, situado no topo da Escadaria Espanhola, era um ícone de luxo em Roma. A fachada clássica e imponente brilhava sob as luzes da cidade, e o saguão, decorado com mármore e lustres elegantes, exalava sofisticação.

Bella entrou com Edward, olhando ao redor com uma mistura de curiosidade e discrição.

— Bom, acho que você acertou. Não é nada mal.

Edward riu suavemente.

— Nada mal? Eu esperava mais entusiasmo. Vou precisar melhorar minhas escolhas da próxima vez.

Ela balançou a cabeça, sorrindo.

— Você realmente gosta de impressionar, não é?

Edward deu de ombros, com aquele sorriso despreocupado.

— Só quero garantir que você esteja confortável.

Ao subirem para a suíte de Edward, Bella finalmente se permitiu relaxar. O quarto era espaçoso e decorado com móveis clássicos, com janelas enormes que ofereciam uma vista incrível da cidade.

Bella olhou ao redor, mas seu estômago a interrompeu com um som audível. Ela colocou a mão na barriga e fez uma careta.

— Ok, confesso, estou faminta. Acho que fiquei tão ansiosa para te surpreender que esqueci de comer direito.

Edward imediatamente franziu a testa, preocupado.

— Faminta? Por que não me disse antes? — Ele já estava pegando o telefone do quarto. — Vou pedir algo agora.

Bella riu, sentando-se no sofá luxuoso.

— Calma, Edward. Não é como se eu fosse desmaiar.

— Não vou arriscar — ele respondeu, enquanto discava para o serviço de quarto. — Sim, boa noite. Gostaria de pedir um jantar para dois... algo leve, mas completo. Ah, e uma garrafa de vinho tinto, por favor. Obrigado.

Ele desligou e voltou-se para Bella, os olhos ainda analisando-a como se procurasse sinais de fome extrema.

— Pronto. Comida está a caminho. Enquanto isso, você vai me contar tudo.

— Tudo o quê? — Bella perguntou, inclinando-se para trás com um sorriso provocador.

— Como você conseguiu vir até aqui sem que eu desconfiasse — Edward respondeu, sentando-se ao lado dela. — E, mais importante, quantos dias tenho antes de você desaparecer novamente?

Bella suspirou, brincando com uma mecha do cabelo enquanto respondia.

— Bem, tive que pedir um favor enorme para minha supervisora. Eu nunca faço isso, então ela concordou, mas deixou claro que vou ter que compensar depois.

Edward arqueou uma sobrancelha, claramente impressionado.

— Você realmente fez tudo isso por mim?

Bella deu de ombros, tentando parecer casual.

— Não se empolgue. Foi mais para garantir que você não passasse o resto da vida reclamando que eu nunca fiz grandes loucuras por você.

Edward riu, balançando a cabeça.

— Claro, claro. E quantos dias eu tenho para aproveitar sua companhia?

— Dois — Bella respondeu, cruzando as pernas. — Depois disso, volto para minha rotina caótica.

Edward inclinou-se para mais perto, os olhos brilhando.

— Então, acho que temos que aproveitar cada segundo, certo?

Bella sentiu o rosto esquentar, mas manteve o tom provocador.

— Desde que você consiga acompanhar meu ritmo, Cullen.

Ele riu suavemente, o som cheio de satisfação.

— Desafio aceito, Swan.

Antes que pudessem continuar, a campainha do quarto tocou, indicando que o jantar havia chegado. Edward levantou-se, mas não sem antes lançar um último olhar para Bella.

— Prepare-se. Acho que esta noite será inesquecível.

Bella sorriu, sentindo-se mais confortável e, ao mesmo tempo, ansiosa para ver onde aquela noite a levaria.

O jantar foi servido em uma mesa próxima à janela, com vista para as luzes de Roma espalhando-se até o horizonte. A comida era simples, mas sofisticada: pratos de massas frescas, acompanhados de uma garrafa de vinho tinto que Edward insistiu em abrir pessoalmente.

Bella sentou-se, ainda se acostumando com o luxo ao redor, mas tentou parecer despreocupada. Edward, por outro lado, parecia totalmente à vontade, mas com um brilho nos olhos que denunciava sua alegria por tê-la ali.

— Então — ele disse, enchendo as taças de vinho —, é assim que você imaginou passar sua noite em Roma?

— Definitivamente não — Bella respondeu com um sorriso. — Mas tenho que admitir, não está nada mal.

Edward riu, levantando sua taça.

— Um brinde, então. Às surpresas que tornam tudo mais interessante.

Bella ergueu a sua, os olhos encontrando os dele.

— Às surpresas.

Eles brindaram, e o som suave das taças parecia ecoar na quietude do momento. Enquanto comiam, a conversa fluía naturalmente, cheia de provocações leves e risadas espontâneas. Edward compartilhava histórias de suas viagens e momentos embaraçosos em eventos, enquanto Bella respondia com histórias de voos inusitados e passageiros excêntricos.

— Você é cheia de camadas, Bella Swan — Edward disse em certo momento, olhando-a com intensidade. — Cada vez que acho que te entendo, você me surpreende de novo.

— Que bom, acho? — Bella perguntou, fingindo indiferença.

— É perfeito — ele respondeu, sua voz baixa, mas cheia de significado.

Depois do jantar, Edward pegou a mão de Bella com delicadeza, entrelaçando os dedos aos dela como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo. Ele a conduziu até o sofá, onde se sentaram lado a lado, tão próximos que suas respirações quase se misturavam. A conversa, antes leve e repleta de risadas, foi desaparecendo gradualmente, substituída por um silêncio carregado de expectativa, como se ambos soubessem que algo maior estava prestes a acontecer.

Edward virou-se para ela, os olhos fixos nos dela, profundos e brilhantes, como se buscassem permissão para se aproximar. Ele ergueu a mão de Bella e a levou até seus lábios, depositando ali um beijo suave, quase reverente.

— Você mexe comigo de uma forma que eu não consigo explicar — ele murmurou, a voz baixa e cheia de sinceridade.

Bella sentiu o coração acelerar, mas não desviou o olhar. Com um sorriso quase tímido, respondeu:

— Isso é bom ou ruim?

Edward inclinou-se lentamente, até que seus lábios pairassem sobre os dela, e então respondeu com um beijo. O primeiro toque foi hesitante, quase uma exploração, mas logo se tornou mais profundo, mais intenso, como se ambos estivessem se entregando ao momento sem reservas. Bella o puxou para mais perto, suas mãos subindo até os ombros dele, sentindo cada contorno, cada movimento.

Edward afastou-se apenas o suficiente para olhar nos olhos dela.

— Bella — ele sussurrou, seu tom carregado de emoção —, você não tem ideia de como isso significa para mim.

Ela sorriu, uma mistura de carinho e desafio.

— Então, mostre-me.

Aquelas palavras pareciam o incentivo que Edward precisava. Ele a ergueu em seus braços com um movimento firme e cheio de cuidado, seus olhos nunca deixando os dela. Bella passou os braços ao redor do pescoço dele, sentindo-se protegida e ao mesmo tempo tomada por uma onda de antecipação. Edward a carregou para o quarto, onde a luz suave que entrava pelas janelas criava um clima quase mágico.

Ao colocá-la sobre a cama, ele a observou por um momento, como se quisesse memorizar cada detalhe daquele instante. Seus dedos traçaram suavemente o rosto de Bella, afastando uma mecha de cabelo antes de deixar um beijo em sua testa, na ponta de seu nariz, e finalmente em seus lábios. Não havia pressa em seus movimentos; cada toque, cada olhar era uma declaração silenciosa, cheia de significado.

Quando finalmente se entregaram um ao outro, foi como se todas as barreiras tivessem desaparecido. Seus corpos se moviam em perfeita sintonia, um equilíbrio entre intensidade e ternura. Os gestos eram carregados de emoção, e cada toque parecia dizer algo que palavras não poderiam expressar. Não era apenas o físico que se conectava, mas algo mais profundo, algo que os unia em um nível quase espiritual.

Eles se perderam um no outro, entre suspiros e sussurros, explorando cada detalhe, cada nuance. Momentos de risadas baixas se misturaram com olhares intensos, e, quando o silêncio se instalava, ele era carregado de significados. Edward a tratava com uma mistura de reverência e desejo, enquanto Bella, pela primeira vez em muito tempo, sentia-se completamente vulnerável, mas segura.

Quando a intensidade diminuiu, eles permaneceram juntos, os corpos entrelaçados. Edward traçava desenhos invisíveis na pele de Bella com os dedos, enquanto ela descansava a cabeça em seu peito, ouvindo o som constante e tranquilizador de sua respiração.

— Você é incrível — Edward sussurrou, a voz suave, mas cheia de emoção.

Bella ergueu o olhar, sorrindo para ele.

— E você é insuportavelmente perfeito — respondeu em tom brincalhão, mas com um brilho de verdade nos olhos.

Edward riu, beijando-a novamente, dessa vez com suavidade, como se quisesse prolongar aquele momento por toda a eternidade. E, enquanto a noite avançava, eles permaneceram juntos, aproveitando a conexão única que haviam compartilhado, cientes de que, naquele instante, nada mais importava além deles dois.

Quando Bella acordou, o sol da manhã inundava o quarto com uma luz dourada. Edward já estava acordado, apoiado no travesseiro, observando-a com um sorriso suave.

— Bom dia — ele disse, a voz rouca de sono.

— Bom dia — Bella respondeu, espreguiçando-se. — Você está acordado há muito tempo?

— Tempo suficiente para perceber que você fica ainda mais bonita dormindo — ele respondeu, provocador.

Bella riu, jogando um travesseiro nele.

— Você é impossível.

Depois de um café da manhã no quarto, Edward insistiu em levar Bella para explorar a cidade. Eles começaram pela Escadaria Espanhola, onde Edward tirou uma foto de Bella, capturando o momento com um sorriso satisfeito.

— Eu preciso registrar isso — ele disse, olhando para a foto. — Quero me lembrar de cada detalhe.

Eles caminharam até a Fontana di Trevi, onde Bella jogou uma moeda e fez um desejo, rindo ao recusar-se a contar o que pediu. Edward, observando-a, apenas sorriu.

— Tenho uma ideia do que pode ser — ele murmurou, mas não insistiu.

No Panteão, Edward explicou detalhes históricos, impressionando Bella com seu conhecimento, enquanto ela provocava:

— Ah, então você não é só charme. Também é um nerd.

— Prefiro o termo "intelectualmente curioso" — ele respondeu, fingindo ofensa.

O passeio continuou com um almoço em um pequeno restaurante local, onde Bella insistiu em experimentar pratos italianos típicos, enquanto Edward observava com um sorriso que nunca parecia desaparecer.

— Você está me mimando — Bella disse em certo momento.

— Eu só estou aproveitando o dia com você — Edward respondeu, segurando a mão dela sobre a mesa.

A tarde, eles visitaram o Coliseu, onde caminharam pelas ruínas enquanto o sol já estava tímido.

— Obrigado por hoje — Bella disse enquanto olhava para o horizonte.

— Eu é que devo agradecer — Edward respondeu, virando-se para ela. — Por me dar mais um motivo para acreditar que surpresas podem ser a melhor coisa do mundo.

Bella olhou para ele, sentindo o coração apertar de emoção. E naquele momento, sob o céu romano, soube que aquele dia seria inesquecível – assim como Edward.

Mais tarde, no hotel.

O sol estava se pondo em Roma, tingindo o quarto de hotel com tons dourados e laranjas. Bella estava sentada no sofá, os pés descalços e um leve sorriso nos lábios enquanto bebia um café. Edward estava do outro lado da sala, apoiado na bancada, olhando para ela com um brilho tranquilo nos olhos.

— Tenho um evento hoje à noite — ele começou, a voz suave, mas com um tom de expectativa. — Gostaria que você fosse comigo.

Bella levantou os olhos, surpresa pelo convite.

— Outro evento? Você não cansa disso?

— Faz parte do trabalho — ele respondeu com um sorriso despreocupado. — Mas ter você lá faria tudo valer a pena.

Bella suspirou, inclinando-se para trás no sofá.

— Eu agradeço o convite, mas estou exausta, Edward. Prefiro ficar aqui e me recuperar.

Edward arqueou uma sobrancelha, fingindo indignação.

— Recuperar-se para quê? Para destruir minhas expectativas mais tarde?

Bella riu, jogando uma almofada nele.

— Exatamente. Quero ter energia suficiente para acabar com você hoje à noite.

Edward pegou a almofada no ar, rindo.

— Isso é justo. Mas saiba que vou guardar um lugar para você, caso mude de ideia.

— Não vou mudar — Bella respondeu com um sorriso confiante.

Edward atravessou o quarto, inclinando-se sobre o sofá para beijá-la suavemente.

— Tudo bem. Só não demore muito para sentir minha falta.

— Pode deixar — Bella respondeu, sorrindo contra os lábios dele.

Ele saiu pouco depois, deixando-a sozinha no quarto.

Depois que Edward saiu, Bella decidiu tomar um banho longo para relaxar. A água quente ajudou a aliviar o cansaço, mas sua mente continuava ativa, revisitando os momentos do dia e as palavras de Edward.

Ao sair do banho, enrolada em um roupão macio, ela se jogou na cama e pegou o celular. Quando desbloqueou a tela, foi recebida por notificações de mensagens e alertas. Curiosa, abriu um dos links enviados por Angela, sua supervisora.

Era uma matéria em um site de celebridades.

"Edward Cullen em Roma com sua 'inspiração misteriosa' – Quem é Bella Swan?"

Bella piscou, confusa. Rolou para baixo e encontrou uma série de fotos dela e Edward. Algumas eram de momentos em que saíram do teatro juntos, mas outras pareciam ser do jantar no hotel. Uma delas capturava Edward segurando sua mão enquanto caminhavam pela Escadaria Espanhola.

As legendas eram ainda mais perturbadoras:

"A mulher por trás das legendas apaixonadas de Edward?"

"'11 mil quilômetros de distância': Edward finalmente encontrou o amor?"

Bella sentiu o coração acelerar enquanto abria outros links. Havia vídeos curtos do evento, onde Edward falava sobre ela de forma velada, mas carregada de emoção. Os fãs haviam ligado os pontos, associando as palavras dele às fotos.

Ela largou o celular no colchão, passando as mãos pelo rosto.

— Isso não pode estar acontecendo — murmurou para si mesma.

O peso da situação caiu sobre ela como uma onda. Bella sempre foi uma pessoa reservada, alguém que gostava de manter sua vida privada longe de olhares curiosos. E agora, sem que ela tivesse feito nada, estava no centro de um turbilhão de atenção.

Sua mente começou a correr.

— Se isso está acontecendo agora, o que acontece se eu continuar com Edward? Minha vida vai mudar completamente. Eu não quero isso. Não quero ser um assunto público.

Por um momento, Bella considerou a única saída que parecia viável: terminar com Edward antes que as coisas ficassem mais complicadas. Ele era encantador, intenso, e ela sentia algo por ele que nunca havia sentido antes, mas será que valia a pena abrir mão de sua tranquilidade?

Ela pegou o celular novamente, olhando para as mensagens dele. Havia uma recente.

[Edward - 20:15]

"Espero que esteja descansando. Mal posso esperar para te ver mais tarde."

Bella encarou a tela, as palavras dele parecendo doces e sinceras. Ela digitou uma resposta, mas apagou antes de enviá-la. O medo de que sua vida fosse completamente exposta parecia muito maior do que qualquer coisa que Edward pudesse dizer.

Ela fechou os olhos, o coração pesado. Pela primeira vez, Bella realmente cogitou desistir de Edward. E a ideia de perdê-lo foi quase tão assustadora quanto o que estava acontecendo.

Enquanto Bella estava sentada na cama, com o celular na mão e os olhos fixos na tela, outra mensagem de Edward chegou.

[Edward - 21:10]

"Está tudo bem? Você está muito quieta. Não vai desistir de mim tão fácil, vai?"

Ela viu a mensagem e hesitou antes de responder, o coração batendo forte.

[Bella - 21:12]

"Desculpe, acabei cochilando. Tudo bem por aqui."

O envio da mensagem foi um reflexo automático, mas as palavras não poderiam estar mais longe da verdade. Ela voltou a mexer no celular, abrindo mais links, mais matérias e, inevitavelmente, mais comentários especulativos sobre o que poderia estar acontecendo entre ela e Edward. Cada palavra parecia aumentar o peso em seus ombros.

Pouco depois, Edward entrou no quarto com passos apressados, os olhos imediatamente procurando por Bella. Quando a viu sentada na cama, os cabelos ainda úmidos do banho e o rosto tenso enquanto encarava o celular, ele soube que algo estava errado.

— Bella? — ele chamou, aproximando-se lentamente.

Ela não respondeu. Parecia completamente absorvida no que estava vendo, os olhos arregalados e as mãos tremendo levemente enquanto deslizava pela tela.

— Bella — Edward repetiu, agora mais perto. Ele inclinou-se para frente, tentando chamar sua atenção, mas ela não reagiu.

Finalmente, Edward tomou uma decisão. Ele se sentou ao lado dela e, com cuidado, pegou o celular de sua mão. Bella levantou os olhos rapidamente, como se despertasse de um transe, mas não conseguiu dizer nada.

Edward olhou para a tela e imediatamente entendeu. As manchetes, as fotos, as legendas... tudo estava lá, expondo Bella e sua conexão com ele. Ele soltou um suspiro pesado e murmurou um baixo:
— Merda.

Sem hesitar, ele bloqueou o celular e o colocou de lado, fora do alcance de Bella.

— Não — ela começou, mas a voz saiu fraca.

— Bella — Edward disse, virando-se para ela. — Olhe para mim.

Ela não conseguiu. O choque e a ansiedade pareciam imobilizá-la.

Edward segurou seu rosto suavemente, os olhos fixos nos dela, tentando trazê-la de volta ao momento.
— Bella, respire. Apenas respire comigo, ok?

Ela piscou algumas vezes, as lágrimas começando a escorrer.
— Edward, eu... isso é demais. Eu não quero... eu não posso lidar com isso.

— Eu sei — ele disse, sua voz baixa, mas firme. — E sinto muito por isso estar acontecendo. Mas você não está sozinha, ok? Estou aqui, e vamos resolver isso juntos.

Bella balançou a cabeça, ainda em pânico.
— Eles estão falando sobre mim. Eles sabem meu nome. Minha vida. Isso nunca foi o que eu quis.

Edward inclinou-se mais perto, a intensidade em seus olhos inconfundível.
— Bella, ouça. Eles não sabem quem você realmente é. Eles só veem o que querem ver. O que importa é o que nós sabemos – o que você sabe sobre si mesma.

Ela o encarou, os olhos brilhando de lágrimas, mas ainda hesitantes.
— E se isso só piorar? E se isso mudar tudo? Minha vida, meu trabalho...

— Então vamos lidar com isso, passo a passo — Edward respondeu. — Mas fugir disso – fugir de mim – não vai fazer você se sentir melhor. E eu não vou deixar você lidar com isso sozinha.

Ele segurou as mãos dela, apertando-as levemente.
— Você não precisa decidir nada agora. Só me deixe ajudar. Só... confie em mim.

Bella fechou os olhos, sentindo o peso de suas palavras. Parte dela ainda queria correr, mas outra parte – a parte que confiava em Edward – sabia que ele não a deixaria enfrentar isso sozinha.

Quando ela finalmente abriu os olhos, viu a sinceridade nele. E, pela primeira vez naquela noite, sentiu uma centelha de esperança em meio ao caos.

— Eu... não sei como lidar com isso — ela admitiu, a voz fraca.

— Você não precisa saber — Edward respondeu, acariciando levemente as costas das mãos dela. — Você só precisa deixar eu estar aqui com você.

Bella assentiu lentamente, ainda em choque, e com pouca fé de que talvez pudesse enfrentar aquilo.

Ela sentou-se na beira da cama, ainda tentando processar tudo o que estava acontecendo. Edward permaneceu ao seu lado, as mãos segurando as dela com firmeza, sem pressioná-la, mas deixando claro que ele estava ali. O silêncio era denso, e quando Bella finalmente levantou os olhos para ele, havia um brilho de vulnerabilidade em seu olhar.

— Você não entende, Edward — ela começou, a voz suave e hesitante. — Isso... toda essa exposição... é o oposto de tudo o que eu sempre quis para minha vida.

Edward não disse nada, apenas inclinou a cabeça levemente, incentivando-a a continuar.

— Quando eu decidi ser comissária de bordo — ela continuou, desviando o olhar para as mãos entrelaçadas —, não foi apenas porque eu queria viajar. Foi porque eu queria escapar. Queria viver uma vida que fosse minha, longe das expectativas e dos julgamentos de outras pessoas.

Ela respirou fundo, os dedos apertando levemente os dele.

— Eu cresci em um lugar pequeno, onde todo mundo sabia da vida de todo mundo. Minha mãe sempre dizia que eu precisava ser alguém importante, alguém de destaque. E meu pai... bom, ele só queria que eu fosse prática, previsível.

Edward a observava atentamente, a intensidade em seus olhos mostrando que cada palavra dela o atingia profundamente.

— Quando terminei o ensino médio, senti como se estivesse sendo puxada em mil direções diferentes. Minha mãe queria que eu fosse para a faculdade e estudasse algo "respeitável". Meu pai queria que eu ficasse perto de casa e arranjasse um emprego estável. Mas tudo o que eu queria era... liberdade.

Ela soltou um suspiro trêmulo, os olhos se fixando nos dele.

— Eu queria ser comissária porque significava estar em constante movimento, sem raízes fixas, sem ninguém para me dizer o que fazer ou como viver. Era a minha chance de me reinventar, de ser quem eu quisesse, sem ter que me preocupar com olhares ou comentários.

Edward assentiu levemente, seus dedos acariciando os dela em um gesto reconfortante.

— E agora sente que essa liberdade está ameaçada.

— Sim — Bella admitiu, sentindo as lágrimas começarem a escorrer novamente. — Essas matérias, essas fotos... é como se estivessem me puxando de volta para aquele lugar, onde todo mundo tem uma opinião sobre minha vida. Eu não quero que as pessoas falem sobre mim. Eu não quero ser observada. E estar com você... mesmo que eu sinta algo tão forte, tão novo... significa abrir mão de tudo isso.

Edward ficou em silêncio por um momento, absorvendo tudo o que ela havia dito. Ele respirou fundo, inclinando-se para mais perto.

— Bella — ele começou, sua voz baixa e carregada de emoção —, eu entendo por que isso te assusta. De verdade. Mas saiba de uma coisa: você ainda é livre. Ser vista, ser comentada, não tira quem você é por dentro. Você não precisa deixar que isso te defina. E, mais importante, não precisa enfrentar isso sozinha.

Bella fungou, soltando uma risada fraca.

— Você fala como se fosse fácil.

— Não é fácil — Edward admitiu, sorrindo levemente. — Mas as melhores coisas da vida nunca são. Você tomou a decisão de ser livre antes, e agora você pode fazer isso de novo. Mas desta vez, com alguém ao seu lado.

Ela o encarou, os olhos brilhando com uma mistura de incerteza e esperança.

— E se eu não conseguir? E se isso acabar sendo demais para mim?

— Então, vamos lidar com isso quando chegar a hora — Edward respondeu, sem hesitar. — Mas eu não vou desistir de você, Bella. E espero que você não desista de nós.

Bella ficou em silêncio, suas emoções oscilando enquanto tentava encontrar uma resposta. Finalmente, ela respirou fundo e assentiu, permitindo-se relaxar um pouco nos braços dele.

— Ok — ela disse suavemente. — Vamos tentar.

Edward sorriu, o alívio visível em seu rosto. Ele puxou-a para um abraço apertado, sussurrando contra seu cabelo:

— Isso é tudo o que eu preciso ouvir.

Depois de ouvir Bella desabafar, Edward ficou ao lado dela sem pressionar. Ele sabia que palavras não seriam suficientes naquele momento. Pegando uma manta do sofá, ele cuidadosamente a envolveu nos ombros dela enquanto ela permanecia sentada na cama, visivelmente exausta emocionalmente.

— Você precisa descansar — ele disse suavemente, sentando-se ao lado dela.

Bella balançou a cabeça, ainda perdida em pensamentos.

— Eu não sei se consigo dormir, Edward. Minha mente não para.

Edward segurou sua mão e a puxou gentilmente para que se deitasse.

— Deixe isso comigo, ok? Só tente relaxar.

Ele ficou ao lado dela, acariciando seu cabelo em movimentos lentos e repetitivos, enquanto falava em um tom baixo e tranquilizador.

— Não importa o que aconteça, você não está sozinha. E eu não vou deixar que isso tome conta de você.

Aos poucos, Bella começou a relaxar, seus olhos ficando pesados enquanto a voz de Edward e o calor de sua presença a envolviam. Quando ela finalmente adormeceu, Edward continuou ali por alguns minutos, certificando-se de que ela estava em paz.

Depois de ter certeza de que Bella estava profundamente adormecida, Edward levantou-se com cuidado, pegou o celular e foi até a sala de estar da suíte. Ele discou rapidamente o número de Emmett, seu agente, que atendeu no terceiro toque.

Edward? É tarde. O que aconteceu? — Emmett perguntou, a voz ainda carregada de sono.

— Temos um problema — Edward respondeu, o tom sério. — As especulações sobre Bella estão fora de controle. Eu preciso que você cuide disso imediatamente.

Eu vi algumas coisas online — Emmett admitiu, soando mais alerta agora. — Mas não achei que fosse tão sério.

— É sério — Edward respondeu, sua voz ficando mais firme. — Bella não é uma figura pública. Ela não pediu por isso, e não vou permitir que a privacidade dela seja destruída por causa de algumas fotos e rumores.

Entendi — Emmett disse, já em modo profissional. — Quer que eu emita uma declaração?

— Não ainda — Edward respondeu, andando de um lado para o outro pela sala. — Quero que você comece apagando o máximo de fotos e matérias possível. Use todos os recursos legais para isso. Quero que essas coisas desapareçam.

Ok, posso fazer isso — Emmett respondeu, mas havia hesitação em sua voz. — Mas sabe que as especulações não vão parar completamente, certo? Isso é inevitável.

Edward parou de andar e respirou fundo, fechando os olhos por um momento antes de responder.

— Então lide com as especulações de outra forma. Faça o que for necessário, mas mantenha o foco longe de Bella. Não quero que ela seja um alvo. Ela não merece isso.

Entendido — Emmett respondeu, mais confiante agora. — Vou começar a trabalhar nisso agora mesmo. E você? Está tudo bem aí?

Edward olhou para a direção do quarto, onde Bella ainda dormia.

— Vou ficar bem quando ela estiver bem. Apenas faça o que precisa ser feito, Emmett.

Considere feito — Emmett respondeu antes de desligar

Edward voltou para o quarto, sentando-se ao lado de Bella enquanto ela dormia profundamente. Ele passou os dedos suavemente pelo cabelo dela, seu coração apertado com o peso da situação.

— Eu prometo que vou proteger você — ele murmurou baixinho, sabendo que ela não podia ouvi-lo.

Deitando-se ao lado dela, Edward continuou observando-a, sua determinação crescendo a cada segundo. Ele sabia que enfrentar a mídia e o público seria difícil, mas estava disposto a fazer qualquer coisa para garantir que Bella não fosse prejudicada por estar ao lado dele.

E com esse pensamento, Edward finalmente fechou os olhos, adormecendo com a certeza de que faria tudo o que estivesse ao seu alcance para protegê-la – sempre.

xxx

A luz suave do amanhecer entrava pelas cortinas parcialmente abertas, iluminando o quarto com tons dourados. Edward, ainda envolto no sono, sentia um calor reconfortante ao seu lado. Sua mente lentamente despertava, registrando o toque delicado de lábios em seu pescoço e uma carícia suave em seu abdômen, descendo com cuidado.

Ele piscou os olhos, ainda confuso, e virou levemente a cabeça. Bella estava deitada ao lado dele, um sorriso travesso nos lábios enquanto continuava a distribuir beijos pelo seu pescoço. As mãos dela exploravam seu corpo com delicadeza, mas havia uma intenção clara em cada movimento.

— Bella? — Edward murmurou, a voz rouca de sono e surpresa.

— Shh — ela sussurrou, seus lábios se movendo para a linha de sua mandíbula. — Apenas relaxe.

Por um momento, Edward tentou processar o que estava acontecendo, mas o calor do toque dela e o jeito como ela se inclinava para mais perto o fizeram desistir de tentar entender. Ele fechou os olhos, entregando-se à sensação enquanto seus dedos encontravam o cabelo de Bella, deslizando por ele suavemente.

Os beijos dela ficaram mais firmes, mais intensos, e ele sentiu uma onda de calor subir por seu corpo quando as mãos dela passaram a explorar mais abaixo, ainda por cima da calça. Edward soltou um suspiro involuntário, o corpo reagindo à proximidade dela.

— Isso não é justo — ele disse com um sorriso fraco, os olhos finalmente abrindo para encontrar os dela.

Bella o encarou com um brilho provocador nos olhos.

— Eu só estou devolvendo o favor — ela disse suavemente, enquanto continuava a acariciá-lo com cuidado.

— Favor? — Edward perguntou, a voz um pouco mais estável agora, mas carregada de desejo.

— Por tudo o que você fez por mim ontem à noite — ela respondeu, inclinando-se para roçar os lábios contra os dele, mas sem realmente beijá-lo ainda. — E porque eu quero.

Edward riu baixinho, a cabeça recostando-se no travesseiro enquanto suas mãos deslizavam para a cintura dela, puxando-a levemente para mais perto.

— Você sabe que eu nunca diria não para você, certo?

— Eu sei — Bella respondeu, os lábios finalmente encontrando os dele em um beijo lento, mas cheio de intenção.

Os toques deles ficaram mais intensos, os movimentos fluindo naturalmente, como se o tempo ao redor tivesse parado. Bella estava no controle, guiando-o com cuidado e confiança, enquanto Edward seguia o ritmo, os suspiros baixos dele preenchendo o quarto.

A conexão entre eles não era apenas física – havia algo mais profundo em cada toque, cada beijo. Era como se, naquele momento, tudo o que havia acontecido antes fosse deixado de lado, e só restasse a certeza de que estavam exatamente onde deveriam estar: juntos.

Quando o momento atingiu seu clímax de intensidade, Edward segurou Bella com firmeza, sua respiração pesada enquanto sussurrava:

— Você tem o dom de me deixar sem palavras.

Bella riu suavemente, deitando-se ao lado dele, o rosto próximo ao dele enquanto o observava com um sorriso satisfeito.

— Acho que estamos quites, então.

Edward a puxou para mais perto, plantando um beijo longo em sua testa.

— Nunca vou me cansar disso, sabia?

— E eu nunca vou me cansar de te surpreender — Bella respondeu, com o tom brincalhão que ele adorava.

Edward puxou Bella suavemente para mais perto, suas mãos deslizando pelo cabelo dela enquanto um sorriso satisfeito brincava em seus lábios.

— Você sabe que agora vamos precisar de um banho para limpar toda a bagunça que você causou, certo? — ele provocou, arqueando uma sobrancelha.

Bella riu suavemente, ainda deitada contra ele.

— Foi você que não resistiu. Não culpe a mim.

Edward inclinou a cabeça, fingindo ponderar.

— Ah, claro. Eu sou apenas uma vítima da sua dedicação, Srta. Swan.

Ela deu um tapinha no peito dele, sentindo-se mais relaxada.

— Então vamos, Sr. Cullen. Antes que a bagunça fique ainda pior.

Eles levantaram-se da cama juntos, e Edward a conduziu até o banheiro, ligando o chuveiro para deixar a água quente preencher o espaço com vapor. Bella entrou primeiro, sentindo o calor relaxar seus músculos enquanto Edward a seguia, com aquele sorriso divertido que ela começava a reconhecer como um sinal de que ele estava prestes a dizer algo provocante.

Enquanto passava um pouco de sabonete nas mãos e começava a massagear os ombros, Edward comentou com um tom casual:

— Você realmente se superou com aquele "cuidado" matinal. Acho que nunca me senti tão... bem cuidado.

Bella riu, mas o som logo deu lugar a um suspiro mais sério. Virando-se para encará-lo, ela encontrou os olhos dele e deixou a verdade sair.

— Eu estava explodindo de tesão desde a noite passada, Edward.

Ele piscou, surpreso, a expressão dele ficando ligeiramente desconcertada.

— Ah... é mesmo?

— Sim — ela continuou, os olhos brilhando com uma mistura de sinceridade e desejo. — Todo o cuidado que você teve comigo, o jeito como me protegeu e ficou ao meu lado... foi a coisa mais sexy que já vivi. Mas ontem eu estava emocionalmente exausta. Só consegui me soltar agora.

Edward ficou em silêncio por alguns segundos, claramente tentando processar as palavras dela. Quando finalmente falou, sua voz tinha um toque nervoso, mas ainda carregava aquele humor que era tão dele.

— Então... eu sou oficialmente uma fonte de alívio emocional e físico? Acho que deveria cobrar por isso.

Bella deu uma risada curta, empurrando levemente o peito dele.

— Você é impossível.

— É o meu charme — ele retrucou, inclinando-se para beijá-la rapidamente.

Enquanto eles estavam ainda no banho, o celular de Edward, que havia sido deixado na bancada, começou a tocar. Ele suspirou, reconhecendo o toque como sendo de Emmett, e deu um beijo rápido na testa de Bella.

— Vou atender isso — ele disse, saindo do chuveiro e enrolando uma toalha ao redor da cintura. — Fique à vontade.

Bella ficou no banho, deixando a água escorrer enquanto ouvia vagamente Edward falando em voz baixa no quarto ao lado. Quando saiu e pegou sua toalha, viu seu próprio celular vibrando em cima da pia. Ao desbloqueá-lo, havia uma mensagem de Angela.

[Angela - 09:30]

"Bella, precisamos conversar. Me ligue assim que puder."

Bella sentiu o estômago afundar. Ela sabia que Angela não era do tipo alarmista, mas também não mandava mensagens assim sem motivo.

Quando Bella saiu do banheiro, encontrou Edward sentado na beira da cama, ainda de toalha, com o celular em mãos. Ele olhou para ela, o semblante mais sério, mas o sorriso apareceu rapidamente quando seus olhares se cruzaram.

— Emmett está cuidando de tudo — ele disse. — Mas isso vai levar algum tempo.

— Ótimo — Bella respondeu distraidamente, sentando-se ao lado dele e segurando o celular.

— Algo errado? — Edward perguntou, inclinando-se levemente para ela.

Bella suspirou, segurando o telefone com mais força.

— Recebi uma mensagem de Angela. Parece que as coisas estão complicadas para o meu lado. Provavelmente serei demitida.

Edward arqueou uma sobrancelha, mas em vez de parecer preocupado, ele deu aquele sorriso travesso que Bella já conhecia bem.

— Bem, isso resolve tudo.

Bella franziu o cenho.

— Resolve o quê?

Ele inclinou-se mais perto, os olhos brilhando com diversão.

— Case-se comigo e seja minha esposa troféu. Prometo que nunca terá que trabalhar de novo. Só precisa me acompanhar em eventos e me deixar falar de você para o mundo inteiro.

Bella o encarou, incrédula, antes de soltar uma risada alta.

— Você só pode estar brincando.

Edward sorriu, mas havia algo de sincero no fundo do olhar dele.

— Talvez esteja. Talvez não.

Bella balançou a cabeça, ainda rindo, mas sentindo uma pontada de calor no peito. Apesar de sua provocação, Edward estava mostrando que não importava o que acontecesse, ele estava disposto a estar ao lado dela.

— Você realmente sabe como transformar drama em piada, não é? — ela disse, finalmente relaxando um pouco.

— É meu dom — ele respondeu, passando o braço ao redor dos ombros dela. — E também é como pretendo te manter ao meu lado, não importa o que aconteça.

Mais tarde, Edward estava no quarto, colocando o relógio no pulso enquanto olhava para Bella. Ele parecia pensativo, mas determinado.

— Vou encontrar o Emmett — ele disse, pegando a carteira e o celular. — Preciso resolver algumas coisas sobre a confusão na mídia. Não vou demorar.

Bella, sentada na cama com o celular nas mãos, levantou os olhos para ele.

— Tudo bem. Espero que consiga resolver.

Edward caminhou até ela e inclinou-se para beijá-la rapidamente.

— Enquanto isso, tente relaxar. E não esqueça que estamos nisso juntos, ok?

Bella sorriu levemente.

— Ok.

Quando ele saiu, ela olhou para o celular, suspirou e finalmente ligou para Angela.

Angela atendeu no segundo toque, sua voz soando firme e um pouco séria.

Bella Swan. Finalmente resolveu aparecer.

Bella mordeu o lábio, sentindo-se um pouco culpada.

— Angela, eu sei que não deveria ter mentido, mas...

Você mentiu para viajar para Roma — Angela interrompeu, parecendo levemente irritada. — Deixou a equipe na mão, e eu tive que reorganizar tudo. Você sabe o que isso significa, não sabe?

— Eu sinto muito — Bella respondeu, genuína. — Eu nunca faço isso, mas realmente precisava dessa viagem. Foi importante para mim. Prometo que faço o que for preciso para compensar.

Houve uma pausa do outro lado da linha, e então Angela começou a rir.

Calma, Bella. Estou brincando.

Bella piscou, surpresa.

— Brincando?!

Sim — Angela respondeu, a voz descontraída agora. — Você nunca tira tempo para você. Na verdade, estou impressionada que você finalmente tenha feito algo espontâneo. Só queria te provocar um pouco.

Bella soltou um suspiro de alívio, rindo também.

— Você quase me matou de susto!

Bom, agora que isso está resolvido — Angela continuou —, precisamos conversar sobre como essa viagem está repercutindo na empresa.

Bella imediatamente ficou séria.

— Está ruim? Tem gente reclamando?

Na verdade, não — Angela respondeu. — Seu nome começou a circular depois das matérias e dos rumores, mas não de forma negativa. Alguns passageiros até comentaram que acham interessante ver alguém da nossa equipe ser reconhecido por algo positivo. Está tudo bem.

Bella relaxou um pouco, mas Angela não parou por aí.

Além disso, eu recebi uma promoção para gerência — Angela disse, sua voz animada. — E isso significa que vou deixar o cargo de supervisora. Você estava na minha lista para assumir a posição no próximo ano, mas, considerando as circunstâncias e o seu histórico impecável, decidi adiantar a proposta.

— Supervisora? — Bella perguntou, surpresa.

Sim — Angela confirmou. — Você já conhece os procedimentos, a equipe e o funcionamento da companhia aérea. O cargo envolve coordenar as escalas dos comissários, revisar e garantir que os procedimentos de segurança sejam seguidos, supervisionar treinamentos e gerenciar situações especiais com passageiros. O melhor de tudo? É majoritariamente home office, o que significa que você teria muito mais flexibilidade para decidir quando e como viajar.

Bella ficou em silêncio por um momento, processando as informações.

É um grande passo — Angela continuou —, mas eu sei que você está pronta. Claro, se precisar de tempo para pensar, tudo bem. Mas é uma oportunidade única.

— Eu... nem sei o que dizer — Bella admitiu.

Então diga que vai pensar — Angela respondeu com um sorriso na voz.

— Ok — Bella disse, respirando fundo. — Vou pensar. Obrigada por acreditar em mim, Angela.

Você merece — Angela disse. — Quando voltar a Nova York, conversamos mais.

Algumas horas depois, Edward voltou, entrando no quarto com um sorriso cansado, mas satisfeito.

— Emmett está lidando com as coisas. Ainda vai levar um tempo, mas já estamos no caminho certo.

Bella olhou para ele, ainda processando a ligação com Angela. Quando ele sentou ao lado dela, ela finalmente falou:

— Eu tenho uma novidade.

— Ah, é? — Edward perguntou, inclinando-se para ela.

— Angela me ofereceu o cargo de supervisora — Bella disse, sua voz uma mistura de animação e incredulidade. — Ela foi promovida e quer que eu assuma o lugar dela. Eu teria mais controle sobre minha agenda e até poderia trabalhar de casa na maior parte do tempo.

Edward abriu um sorriso largo.

— Isso é incrível, Bella! Você merece isso.

— Mas eu ainda não aceitei — Bella disse, o tom hesitante.

— Por quê? — Edward perguntou, arqueando uma sobrancelha.

— Quero pensar um pouco antes de decidir — Bella respondeu. — Quando eu voltar para Nova York, vou avaliar melhor. É um grande passo, e quero ter certeza de que estou pronta.

Edward assentiu lentamente, embora seu sorriso tenha diminuído um pouco.

— Entendo. É uma decisão importante, e você tem todo o direito de querer tempo para pensar.

— Obrigada por entender — Bella disse, segurando a mão dele.

Edward apertou a mão dela e, com um brilho de provocação nos olhos, disse:

— Bom, se decidir não aceitar, minha proposta de casamento ainda está de pé. Você pode ser minha esposa troféu e deixar todo o trabalho sério para mim.

Bella riu, balançando a cabeça.

— Você nunca desiste, não é?

— Nunca — ele respondeu, inclinando-se para beijá-la na testa. — Mas, sério, seja qual for a sua decisão, vou estar ao seu lado.

Bella sorriu, sentindo-se mais segura com o apoio dele. Apesar das mudanças e desafios, sabia que poderia contar com Edward, independentemente do caminho que escolhesse.

A semana em Roma foi cheia de momentos inesquecíveis para Bella e Edward. Eles aproveitaram a cidade como turistas normais: visitaram pontos turísticos, experimentaram novos pratos em restaurantes charmosos e até tiraram fotos juntos em lugares icônicos. Bella se sentia mais à vontade com ele a cada dia, e Edward parecia determinado a torná-la ainda mais confortável com o ritmo descontraído que criaram juntos.

Na sexta-feira, enquanto ambos aproveitavam um café da manhã tardio no terraço do hotel, Edward olhou para Bella com um sorriso malicioso.

— Então, já que esta é minha última manhã em Roma e você está voltando para Nova York amanhã... — Ele começou, com um tom casual que Bella já reconhecia como sinal de algo vindo.

— Sim? — Bella respondeu, arqueando uma sobrancelha.

— Eu tenho uma semana de folga antes do próximo evento. E estava pensando... por que não passo esse tempo em Nova York? Com você.

Bella piscou, surpresa, antes de dar uma risada.

— Você está se convidando para ficar no meu apartamento minúsculo?

— Exatamente — Edward respondeu sem hesitar, sorrindo amplamente. — Eu não me importo com o tamanho do lugar. Só quero passar mais tempo com você.

Bella mordeu o lábio, tentando disfarçar o sorriso que crescia.

— Tudo bem. Mas só estou avisando: meu apartamento é tão simples que pode te traumatizar depois desse hotel luxuoso.

— Duvido — Edward disse, inclinando-se para beijá-la rapidamente. — Mas se for assim, prometo que te levo para jantar fora todos os dias. Que tal?

Bella riu, balançando a cabeça.

— Você é impossível.

— Sim — Edward respondeu, piscando. — E você gosta disso.

xxx

Assim que chegaram em Nova York, Edward sugeriu que aproveitassem o dia para explorar a cidade, mas Bella tinha outros planos.

— Vou passar na empresa para conversar com Angela. Prometi que daria uma resposta sobre a proposta.

— Quer que eu vá com você? — Edward perguntou, sincero.

— Não — Bella respondeu, rindo. — Isso é algo que preciso fazer sozinha. Além disso, tenho certeza de que você vai encontrar algo para fazer enquanto isso.

— Ok — Edward disse, levantando as mãos em rendição. — Mas me avise quando terminar. Vou querer os detalhes depois.

Bella assentiu e seguiu para a empresa, ainda sentindo um pouco de nervosismo sobre a decisão que precisava tomar.

Chegando na empresa, Angela a recebeu com um sorriso caloroso e um café em mãos.

— Estava esperando por você — Angela disse, guiando-a até uma sala de reuniões vazia.

— Então — Angela começou, enquanto se sentavam —, já teve tempo para pensar sobre a proposta?

— Sim — Bella respondeu, ainda hesitante. — Mas antes de responder, queria entender melhor o que o cargo envolve. E... por que você acha que sou a pessoa certa para isso.

Angela sorriu, ajustando os óculos.

— Claro. Vamos começar com os detalhes práticos. Como supervisora, você vai trabalhar principalmente em casa, revisando e ajustando as escalas dos comissários, garantindo que os procedimentos sejam seguidos, e coordenando treinamentos. Também vai ser a pessoa de referência para resolver problemas ou emergências da equipe.

Bella assentiu, absorvendo as informações.

— Mas aqui está o ponto mais importante — Angela continuou. — Você está conosco há 10 anos, Bella. Sempre foi impecável em tudo o que fez. Nunca se atrasou, nunca recusou um desafio e sempre foi uma das pessoas mais confiáveis na equipe. É hora de você dar um passo adiante e começar a construir algo maior para si mesma.

Angela fez uma pausa, observando Bella atentamente.

— Durante esses 10 anos, eu nunca te vi namorar ninguém. Nunca vi você se permitir parar e aproveitar algo além do trabalho. E agora, parece que isso está mudando. Você está com esse Edward – ou algo perto disso – e nunca vi você tão radiante. Quero que você continue assim.

Bella ficou em silêncio, surpresa pela sinceridade de Angela.

— Eu não tinha pensado nisso desse jeito.

— Talvez seja hora de começar — Angela disse com um sorriso encorajador. — Esse cargo não é só uma promoção. É uma oportunidade para você encontrar mais equilíbrio. Para realmente viver, Bella.

Bella respirou fundo, sentindo um peso saindo de seus ombros. Ela sabia que Angela estava certa.

— Ok — Bella disse finalmente, um pequeno sorriso surgindo em seus lábios. — Eu aceito.

Angela sorriu amplamente.

— Sabia que você faria isso. Parabéns, Bella. Você vai ser incrível.

Quando Bella chegou ao apartamento, Edward estava sentado no sofá, folheando uma revista enquanto esperava por ela. Ele levantou os olhos e sorriu.

— Então, como foi? — ele perguntou, animado.

— Foi ótimo — Bella respondeu, colocando a bolsa de lado.

— Você aceitou o cargo? — Edward perguntou, os olhos brilhando de expectativa.

Bella hesitou, decidindo manter a novidade por enquanto.

— Ainda não. Quero pensar mais um pouco antes de dar uma resposta definitiva.

Edward ficou quieto por um momento, mas então sorriu e deu de ombros.

— Tudo bem. Seja qual for sua decisão, vou estar ao seu lado.

Bella sorriu de volta, sentindo-se ainda mais segura em sua escolha – e sabendo que, quando fosse o momento certo, contaria tudo a ele.

A noite estava calma no pequeno apartamento de Bella. A televisão exibia um filme qualquer, mas nenhum dos dois parecia realmente prestar atenção. Deitados na cama, dividindo uma tigela de pipoca, o silêncio entre eles era confortável, mas carregado de algo não dito. Bella se remexia levemente, os olhos desviando da tela para Edward ocasionalmente, como se buscasse coragem para dizer o que estava em sua mente.

Edward percebeu. Ele sempre percebia. Com o olhar atento, colocou a tigela de lado e virou-se para ela.

— O que foi, Bella? Você está muito quieta.

Ela suspirou, sentando-se na cama e cruzando as pernas. O coração batia rápido, e a ansiedade parecia tomar conta.

— Na verdade, tem algo que eu preciso te contar.

Edward se endireitou, a preocupação misturada com curiosidade nos olhos.

— Diga. Você está me assustando.

Bella sorriu nervosamente, passando a mão pelos cabelos.

— Eu aceitei o cargo de supervisora.

Por um momento, Edward ficou em silêncio, processando as palavras dela. Então, um sorriso amplo se espalhou por seu rosto, e ele se inclinou para mais perto.

— Você aceitou? Isso é incrível, Bella!

Bella mordeu o lábio, tentando conter um sorriso.

— É mesmo? Achei que você pudesse... não sei...

— Eu acho que isso é muito bom — Edward respondeu, segurando as mãos dela. — É um grande passo, Bella. Você merece isso mais do que ninguém.

— Eu não tinha certeza de como você reagiria — ela confessou, os olhos fixos nas mãos entrelaçadas. — Eu quero fazer isso, mas estava preocupada que você achasse que seria uma complicação para nós. Mais trabalho, mais responsabilidades. Menos tempo para lidar com um autor chato com medo de aviões.

Edward balançou a cabeça, ainda sorrindo.

— Bella, isso só me deixa mais orgulhoso de você. E, sinceramente, se algo mudar, será para melhor.

Bella riu suavemente, mas o sorriso dela logo se tornou pensativo.

— Edward... eu nunca fui boa em relacionamentos. Minha vida é tão instável, sempre em movimento. Não sei como isso vai funcionar.

Ele segurou o rosto dela com delicadeza, forçando-a a olhar diretamente para ele.

— Então vamos descobrir juntos. Eu sei que começamos tudo isso de forma meio louca, mas eu estou disposto a fazer o que for preciso para continuar ao seu lado. Não importa onde esteja, o que estiver fazendo... eu quero isso, Bella. Quero nós.

Bella sentiu o peito apertar com a intensidade das palavras dele. Era como se ele estivesse abrindo uma porta que ela sempre teve medo de atravessar.

— Você sabe que minha vida não é fácil, não sabe? Viajo o tempo todo, lido com situações imprevisíveis… Agora com esse novo cargo… Não é glamouroso como parece.

— Eu sei — Edward respondeu sem hesitar. — E estou disposto a lidar com tudo isso. Mas você está disposta a lidar com minha vida também? Os eventos, a exposição, as especulações? Porque minha vida também não é tão glamourosa quanto parece.

Bella respirou fundo, considerando as palavras dele.

— Eu acho que estou. É assustador, mas você faz parecer que vale a pena.

Edward deu um sorriso suave, os olhos brilhando com emoção.

— Eu prometo que vai valer. Não importa onde estejamos ou o que aconteça, estou aqui por você. Com você.

Bella deixou escapar um pequeno riso, tentando aliviar a tensão que crescia.

— Mesmo quando eu for insuportável?

Edward riu junto, segurando-a mais perto.

— Especialmente quando você for insuportável. Acho que é quando vou gostar mais de você.

Bella revirou os olhos, mas não conseguiu esconder o sorriso. Eles ficaram em silêncio por um momento, apenas se olhando, a conexão entre eles mais palpável do que nunca.

— Eu não sou perfeita, Edward — Bella disse finalmente, sua voz mais baixa. — Tenho um monte de medos, inseguranças... mas você faz com que eu queira tentar, mesmo assim.

— Então já estamos no caminho certo — Edward respondeu, passando os dedos pelo cabelo dela.

Depois de conversarem sobre a nova posição de Bella, o clima ficou mais leve entre eles. O filme continuava passando na televisão, mas estava claro que nenhum dos dois prestava atenção na tela. Bella recostou-se no peito de Edward, sentindo o calor do abraço dele enquanto seus dedos desenhavam círculos preguiçosos em sua mão.

Edward estava quieto, o que era raro. Ele parecia imerso em pensamentos, e Bella percebeu. Virando-se ligeiramente para olhá-lo, ela perguntou com um sorriso suave:

— O que você está pensando? Parece tão sério.

Ele respirou fundo, ajustando a posição para poder encará-la melhor.

— Estava pensando em como minha vida mudou tão rápido. E no quanto você tem sido a razão para isso.

Bella piscou, surpresa pela sinceridade inesperada.

— Edward...

— Deixa eu terminar — ele disse, interrompendo-a suavemente. — Você sabe, minha vida sempre foi cheia. Eventos, lançamentos, fãs... mas, de alguma forma, sempre pareceu vazia. Eu seguia o fluxo, fazia o que esperavam de mim. Até você aparecer.

Bella sentiu o coração acelerar, mas permaneceu em silêncio, permitindo que ele continuasse.

— Você entrou na minha vida de um jeito que eu não esperava — Edward continuou, a voz baixa e carregada de emoção. — Você não se impressionou com quem eu sou ou com o que faço. Você viu além disso. Me desafiou. Me fez sentir... real.

Ele segurou as mãos dela, apertando levemente.

— Eu nunca pensei que poderia querer alguém assim. Não só como uma parte da minha vida, mas como uma parte de mim. E isso me assusta, porque eu sei que o que temos não é simples. Mas, Bella, nada disso importa. Porque eu estou incondicional e irrevogavelmente apaixonado por você.

Bella ficou imóvel, as palavras dele pairando no ar entre eles. O olhar de Edward estava tão intenso que ela sentiu como se ele pudesse ver direto para sua alma.

— Você está falando sério? — ela perguntou finalmente, a voz quase um sussurro.

Edward sorriu, o olhar suavizando enquanto passava os dedos pelo rosto dela.

— Mais sério do que já fui em toda a minha vida.

Bella desviou o olhar por um momento, tentando organizar os pensamentos e processar o que acabara de ouvir. Quando voltou a encará-lo, havia um brilho travesso em seus olhos.

— Bom... acho que posso estar apaixonada por você também — ela disse, com o tom sarcástico que era tão típico dela.

Edward riu, balançando a cabeça enquanto a puxava para mais perto.

— Você realmente não consegue fazer nada sem sarcasmo, consegue?

— É o meu charme — Bella respondeu, com um sorriso provocador.

Ele a beijou, um gesto lento e profundo, como se quisesse gravar aquele momento para sempre. Quando se separaram, Edward encostou a testa na dela e sussurrou:

— E é exatamente isso que eu amo em você.

Bella riu suavemente, sentindo-se mais segura e conectada do que jamais esteve.

— Espero que você esteja preparado para lidar comigo, porque posso ser bem complicada.

— Se for o seu tipo de complicado, estou mais do que preparado — Edward respondeu, com o sorriso calmo que fazia Bella sentir que, talvez, enfrentar o mundo com ele ao lado não fosse tão assustador assim.

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Meses haviam se passado desde que Bella aceitou o cargo de supervisora, e a vida entre ela e Edward seguia em um ritmo que só eles podiam entender. Ambos estavam ocupados, mas, de alguma forma, encontraram uma maneira de fazer o relacionamento funcionar. A mídia, que inicialmente tinha se fixado na relação dos dois, finalmente os deixara em paz depois que Edward fez uma declaração firme em uma coletiva de imprensa.

Na ocasião, Edward havia sido direto e eloquente, segurando o microfone com confiança.

— Eu entendo o interesse na minha vida pessoal, mas existem limites que precisam ser respeitados — ele dissera, olhando diretamente para os repórteres. — Bella Swan não é uma figura pública. Ela nunca pediu para ser colocada sob os holofotes, e a exposição dela foi um desrespeito à sua privacidade. Peço que, por favor, respeitem nossa vida e nos permitam viver isso em paz. É tudo o que tenho a dizer sobre o assunto.

A sinceridade de Edward e o tom firme deixaram claro que ele não toleraria mais invasões. Desde então, as especulações diminuíram, e ambos puderam seguir suas rotinas com mais tranquilidade.

Edward estava no sofá do apartamento de Bella, com o laptop no colo e um olhar focado enquanto digitava rapidamente. Ele estava no meio de um novo projeto: um romance inspirado na história deles. Os personagens tinham nomes diferentes e algumas situações eram adaptadas, mas o coração da narrativa era verdadeiro – um encontro inesperado, desafios de rotina e a força do amor que os uniu.

Bella, por outro lado, estava de pé na cozinha, preparando um chá enquanto revisava a escala da equipe no celular. Desde que se tornara supervisora, sua vida profissional havia mudado significativamente. Ela passava mais tempo em casa, mas o trabalho continuava exigente.

— Você está muito quieto — Bella comentou, levando duas xícaras de chá para a sala.

— Estou escrevendo — Edward respondeu, sem tirar os olhos da tela.

— Sobre o quê? — Bella perguntou, sentando-se ao lado dele e entregando-lhe uma das xícaras.

Edward finalmente olhou para ela, um sorriso aparecendo em seus lábios.

— Sobre nós.

Bella franziu a testa, curiosa.

— Nós? O que exatamente está escrevendo?

— Um livro — ele respondeu casualmente, inclinando-se para um gole do chá. — Um romance inspirado na nossa história. Claro, com nomes diferentes e algumas mudanças para não ficar tão óbvio. Mas é sobre nós.

Bella o encarou, surpresa.

— Você está escrevendo sobre nossa história? Isso não é... pessoal demais?

Edward deu de ombros, o sorriso travesso surgindo.

— Talvez. Mas nossa história é boa demais para não ser contada. Além disso, ninguém saberá que somos nós. Só você e eu.

Bella riu, balançando a cabeça.

— Você realmente não tem limites, Cullen.

— Limites são superestimados — ele respondeu, rindo também.

Mais tarde, naquela mesma noite, Bella e Edward estavam na minúscula varanda do apartamento dela, observando as luzes da cidade e compartilhando um silêncio confortável. Bella segurava uma taça de vinho, enquanto Edward estava encostado no parapeito, os olhos se voltando para ela mais do que para a vista.

Depois de um tempo, Edward quebrou o silêncio.

— Bella, já pensou sobre nós morarmos juntos?

Bella quase engasgou com o vinho, virando-se para ele com uma sobrancelha arqueada.

— Você... quer morar no meu apartamento minúsculo e modesto? Que adorável.

Edward riu, balançando a cabeça.

— Eu estava pensando mais em encontrarmos um lugar maior. Talvez algo que tenha espaço para um escritório para você e, quem sabe, uma biblioteca para mim. Ou será que você realmente acha que posso viver sem espaço para os meus livros?

Bella revirou os olhos, mas um sorriso brincava em seus lábios.

— Ah, claro. Porque eu teria uma biblioteca no apartamento perfeito de Edward Cullen. Aposto que você também quer uma cozinha enorme que você nunca vai usar.

— Exatamente — Edward retrucou, o tom cheio de sarcasmo. — E um closet gigante, que você vai acabar dominando de qualquer forma.

Bella riu, balançando a cabeça enquanto tomava mais um gole de vinho.

— Você não vai desistir dessa ideia, vai?

— Nem um pouco — ele respondeu, aproximando-se dela e segurando sua mão. — Pensa nisso, Bella. Já estamos juntos sempre que podemos. Morar no mesmo lugar só facilitaria as coisas. E, bom, eu não me importaria de acordar ao seu lado todos os dias.

Bella desviou o olhar por um momento, sentindo o peso e a doçura das palavras dele. Apesar do tom brincalhão, havia sinceridade na proposta, e ela sabia disso.

— Eu vou pensar — ela disse finalmente, olhando para ele com um pequeno sorriso. — Mas não se esqueça: se vamos morar juntos, vai ter que lidar com minha bagunça e meu sarcasmo.

Edward riu, segurando o rosto dela com as duas mãos.

— Lidar com você é a melhor parte do meu dia, Bella Swan. Sarcasmo incluído.

Ela revirou os olhos de novo, mas não conseguiu conter o sorriso.

— Você realmente não sabe o que está pedindo, Cullen.

— Ah, eu sei exatamente — ele disse, inclinando-se para beijá-la suavemente.

E ali, sob as luzes da cidade, eles começaram a imaginar como seria compartilhar um lar – um espaço só deles, onde poderiam construir uma vida em meio ao caos e ao amor que os unia.

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Bella e Edward estavam vivendo um período de transições importantes. Após meses de conversas e ajustes, finalmente haviam escolhido um apartamento maior em Upper West Side, Nova York. O novo lar oferecia espaço suficiente para ambos: um escritório funcional para Bella, uma biblioteca para Edward e uma cozinha moderna que nenhum dos dois sabia muito bem como usar, mas adoravam exibir.

Enquanto lidavam com a mudança, Edward estava na reta final do processo de pré-divulgação de seu novo livro. Ele não havia contado muito para Bella sobre a história – apenas que ela havia sido uma grande inspiração. A ideia de fazer uma surpresa deixava Edward animado, mas também um pouco nervoso.

O apartamento estava cheio de caixas ainda fechadas, mas Bella e Edward, exaustos, haviam decidido fazer uma pausa no meio da bagunça. Estavam sentados no chão da sala, compartilhando uma pizza diretamente da caixa, enquanto observavam o espaço ainda sem mobília completamente arrumada.

— Não acredito que conseguimos — Bella disse, suspirando enquanto mordia uma fatia. — Finalmente um lugar onde você pode espalhar seus livros sem reclamar do tamanho das prateleiras.

Edward riu, encostando-se na parede.

— E onde você pode organizar todas as suas coisas de trabalho sem ocupar a mesa da sala.

— É um avanço — Bella admitiu com um sorriso. — Mas agora temos que lidar com o caos de desfazer todas essas caixas.

Edward fez uma careta dramática.

— Deixe isso para amanhã. Hoje é sobre pizza e celebrar nossa conquista.

Bella riu, mas havia algo em sua expressão que indicava que ela estava pensando em outra coisa.

— Falando em conquistas... como está o seu livro? Você parece tão ocupado ultimamente.

Edward colocou a fatia de pizza de lado, limpando as mãos antes de responder.

— Está pronto. Já foi para a gráfica e agora estamos na fase de planejamento de divulgação. A equipe de marketing está fazendo mágica com as primeiras cópias. Está quase saindo.

Bella inclinou-se ligeiramente para ele, o olhar curioso.

— E você vai finalmente me contar o que escreveu? Ou vai continuar com esse mistério?

Edward sorriu, claramente se divertindo com a curiosidade dela.

— Eu já disse, é uma surpresa. Quero que você o leia como qualquer outra pessoa. Sem spoilers.

— Isso não é justo — Bella reclamou, cruzando os braços. — Eu sou, basicamente, sua musa. Não deveria ter acesso especial?

— Você vai ter — Edward respondeu, inclinando-se para beijá-la rapidamente. — Mas só quando chegar a hora certa. Prometo que vale a pena esperar.

Bella estreitou os olhos para ele, mas não conseguiu esconder o sorriso que surgiu em seus lábios.

— Você é terrível.

— Terrível, mas irresistível — Edward retrucou com um sorriso satisfeito.

Mais tarde naquela noite, depois de uma tentativa desastrosa de desfazer algumas caixas, Bella e Edward se instalaram no sofá, com uma garrafa de vinho e algumas velas iluminando o ambiente. O novo apartamento já parecia mais como um lar.

— Você está nervoso com o lançamento do livro? — Bella perguntou, inclinando-se contra o ombro dele.

— Um pouco — Edward admitiu, girando a taça de vinho na mão. — É pessoal. Muito mais do que qualquer coisa que escrevi antes. Mas também estou animado. Acho que é uma das melhores coisas que já fiz.

Bella olhou para ele, o carinho evidente no olhar.

— Sei que é. Você coloca tudo de si nas coisas que faz. Tenho certeza de que as pessoas vão amar.

Edward sorriu, colocando a taça na mesa antes de passar o braço ao redor dela.

— Espero que você seja uma dessas pessoas.

— Espero que não tenha feito nenhuma versão exagerada de mim — Bella brincou, estreitando os olhos. — Se eu for algum estereótipo de heroína de romance clichê, você está encrencado.

Edward riu, balançando a cabeça.

— Não se preocupe. Minha versão de você é tão real quanto possível... com algumas pequenas adaptações para proteger sua identidade, é claro.

Bella revirou os olhos, mas estava claramente curiosa.

— Bem, vou esperar para ver. Mas vou te avisar: se houver algo embaraçoso, vou te fazer pagar por isso.

Edward apenas riu, puxando-a para mais perto.

— Isso é o que me mantém na linha.

As semanas haviam passado em um piscar de olhos, e a tão aguardada semana de divulgação do novo livro de Edward finalmente chegara. A casa estava em alvoroço com os preparativos: reuniões on-line, chamadas com a equipe de marketing, e uma energia palpável de excitação no ar. Bella, que até então sabia muito pouco sobre a história, estava ansiosa para finalmente descobrir o que Edward havia escrito.

Na noite anterior ao início da campanha, Edward entrou na sala com um sorriso travesso e um exemplar encapado do livro em mãos. Bella, que estava relaxando no sofá com um copo de vinho, levantou os olhos ao vê-lo.

— Isso é para você — ele disse, entregando o livro como se fosse um presente precioso.

— Finalmente — Bella disse, pegando o livro e analisando a capa. O título, "A Última Volta Pra Casa", imediatamente chamou sua atenção. Ela arqueou uma sobrancelha para Edward.

Edward sentou-se ao lado dela, ainda sorrindo.

— Leia com carinho, Swan. E lembre-se: é uma obra de ficção.

— Claro — Bella respondeu, o tom carregado de sarcasmo. — Ficção. Totalmente não baseada na minha vida, certo?

Edward deu de ombros, fingindo inocência.

— Você vai ter que ler para descobrir.

Bella revirou os olhos, mas abriu o livro e começou a ler.

O romance seguia a história de Clara, uma comissária de bordo independente e reservada, e Leon, um escritor de best-sellers com uma carreira em ascensão – e um medo paralisante de voar. O enredo começava com um voo turbulento de Nova York para Londres, onde Clara ajudava Leon a superar sua ansiedade e, sem querer, criava um vínculo inesperado entre os dois.

Leon, determinado a agradecê-la, encontrava formas de cruzar o caminho de Clara novamente, apesar de seu estilo de vida agitado e da constante distância entre eles. A dinâmica entre os dois era cheia de diálogos espirituosos e provocações, mas também momentos de vulnerabilidade e introspecção.

O detalhe que mais chamou a atenção de Bella, no entanto, foi que Clara tinha um hobby peculiar: tricô. Nos momentos de pausa entre voos, Clara usava suas agulhas de tricô para criar peças que ela dizia serem "terapêuticas". Leon, por outro lado, achava o passatempo hilário e fazia constantes piadas sobre ela parecer uma avó.

A história explorava os desafios de equilibrar vidas tão diferentes, a conexão que superava distâncias e os sacrifícios que ambos precisavam fazer para estar juntos. Embora os nomes e situações fossem alterados, Bella não pôde deixar de notar o quanto o livro refletia a jornada que ela e Edward haviam trilhado.

Quando Bella chegou à parte em que Clara estava tricotando um cachecol durante uma longa escala, ela parou de ler e olhou para Edward, incrédula.

— Tricô? Sério? Eu faço tricô agora?

Edward, que estava com o laptop no colo, olhou para ela com um sorriso satisfeito.

— É um ótimo hobby. Relaxante. Achei que combinava com a personagem.

Bella segurou o livro com uma expressão que misturava choque e diversão.

— Eu nunca toquei em agulhas de tricô na minha vida! E você me transformou em uma comissária tricoteira?!

— Ficção, lembra? — Edward respondeu, colocando o laptop de lado. — Além disso, o tricô dá um toque humano à personagem. Todo mundo precisa de um jeito de relaxar.

— Ah, claro — Bella retrucou, o sarcasmo escorrendo de sua voz. — E o Leon, o escritor charmoso e famoso que tem medo de aviões? Totalmente inventado, né?

Edward se recostou no sofá, cruzando os braços com um sorriso provocador.

— Medo de aviões é um clichê clássico. Dá profundidade ao personagem. Achei que você fosse apreciar isso.

Bella balançou a cabeça, rindo e jogando uma almofada nele.

— Você é impossível, Edward Cullen.

— Impossível, mas criativo — ele respondeu, segurando a almofada com facilidade. — E, aparentemente, irresistível. Afinal, você está lendo, não está?

Bella riu, balançando a cabeça.

— Eu só espero que nenhuma tricoteira verdadeira leia isso e ache que sou uma fraude.

Edward inclinou-se e plantou um beijo rápido na testa dela.

— Relaxe, Swan. Eu garanto que você vai adorar o final.

— Veremos — Bella disse, voltando ao livro com um sorriso nos lábios.

Apesar das provocações, ela sabia que o livro era uma declaração sutil, mas profunda, do quanto Edward a amava e admirava. E isso fazia com que todo o sarcasmo valesse a pena.

Bella não conseguiu parar de ler. Assim que começou, o livro a envolveu completamente. Cada página parecia uma carta não escrita, uma janela para os pensamentos mais profundos de Edward sobre o que eles compartilhavam. As provocações espirituosas entre Clara e Leon, os desafios que enfrentaram e as dúvidas que precisavam superar para ficarem juntos refletiam, de forma sutil, mas poderosa, a história deles.

Quando chegou ao final, Bella mal percebeu que o sol já estava nascendo. Na última cena do livro, Clara e Leon estavam sentados na varanda de uma casa grande, cercados por cachorros brincando no quintal. Duas crianças – um menino e uma menina – corriam ao redor, rindo enquanto Leon tentava fingir ser sério, mas acabava rindo também. Clara olhava para ele com um sorriso que transmitia tudo: amor, gratidão e a certeza de que estavam exatamente onde deveriam estar.

O texto final dizia:

"E ali, cercados de tudo o que haviam construído juntos, Clara soube que o amor verdadeiro não precisava ser perfeito – só precisava ser escolhido, todos os dias, com todo o coração."

Bella fechou o livro, sentindo os olhos marejados. Ela ficou olhando para a capa por alguns minutos, tentando absorver a onda de emoções que a atingia. A vulnerabilidade, o cuidado, e o amor que Edward havia colocado em cada palavra eram palpáveis.

Sem conseguir esperar mais, ela colocou o livro de lado e foi até o quarto. Edward estava deitado, respirando profundamente, os cabelos bagunçados sobre o travesseiro. Bella sorriu, sentindo o coração apertar com o quanto o amava.

Sentando-se ao lado dele, Bella tocou levemente o ombro de Edward, chamando-o suavemente.

— Edward... Edward, acorda.

Ele murmurou algo inaudível, virando-se de lado antes de abrir os olhos lentamente.

— Bella? O que foi? Está tudo bem?

Bella, com lágrimas nos olhos e um sorriso tímido, segurou a mão dele.

— Eu terminei de ler o livro.

Edward piscou algumas vezes, sentando-se na cama, ainda meio sonolento, mas já atento ao tom da voz dela.

— E...?

Bella respirou fundo, sentindo as lágrimas caírem agora.

— É lindo, Edward. É... mais do que eu jamais poderia imaginar. Você colocou tanta emoção, tanto amor. Foi como ver nossa história de outro ângulo, como se eu estivesse vivendo tudo de novo.

Edward sorriu, passando a mão pelo cabelo bagunçado.

— Fico feliz que tenha gostado. Isso significa muito para mim.

Bella riu suavemente, enxugando as lágrimas.

— Gostado? Edward, eu amei. E aquele final... — Ela fez uma pausa, tentando se recompor, mas não conseguiu. — A casa, os cachorros, as crianças... É como você me vê, não é? Como você nos imagina.

Edward olhou para ela, seus olhos brilhando de emoção agora também. Ele segurou o rosto de Bella com as duas mãos, os polegares acariciando suavemente suas bochechas.

— Sim. É exatamente assim que eu vejo. Eu vejo um futuro com você, Bella. Um futuro onde construímos algo juntos, onde escolhemos um ao outro todos os dias, não importa o que aconteça.

Bella soltou uma risada misturada com um soluço, sentindo o coração quase explodir no peito.

— Você tem ideia de como isso é raro? De como você me faz sentir?

Edward sorriu suavemente.

— Espero que seja algo bom.

Bella balançou a cabeça, as lágrimas ainda caindo.

— É mais do que bom. Você me deu algo que eu nunca soube que precisava. E... eu te amo, Edward. Amo você mais do que consigo colocar em palavras.

Edward puxou-a para um abraço apertado, sentindo as lágrimas dela molharem seu ombro enquanto ele fechava os olhos, absorvendo o momento.

— Eu também te amo, Bella. E sempre vou te amar.

O sol começava a iluminar o quarto, enchendo o espaço com uma luz dourada suave. Bella ainda estava abraçada a Edward, o coração batendo acelerado com tudo o que acabara de confessar. Sentir-se tão vulnerável e tão amada ao mesmo tempo era algo que ela jamais havia experimentado antes.

Quando ela mencionou o final do livro, dizendo que era assim que ele a via, Edward pareceu entrar em uma espécie de transe. Ele se afastou ligeiramente, segurando o rosto dela com um sorriso suave.

— Espere aqui um minuto — ele disse, levantando-se da cama de repente.

— Edward, o que você está fazendo? — Bella perguntou, confusa, enquanto o observava caminhar até a cômoda do quarto.

— Confie em mim — ele respondeu, mexendo em uma das gavetas com as mãos ligeiramente trêmulas.

Bella o observou atentamente, sentindo a curiosidade crescer. Quando ele se virou para ela, segurando uma pequena caixa de veludo nas mãos, seu coração praticamente parou.

— Edward...

Ele caminhou até a cama, respirou fundo e, para sua completa surpresa, ajoelhou-se diante dela. Seus olhos estavam brilhando, misturando amor, nervosismo e uma determinação inabalável.

— Eu tinha alguns planos — ele começou, a voz levemente trêmula, mas cheia de emoção. — Pensei em alugar um avião, ou talvez organizar algo extravagante, porque você merece o mundo inteiro. Mas, Bella... nenhum cenário perfeito, nenhuma ideia grandiosa chegaria perto do que estou sentindo neste momento.

Bella levou a mão à boca, sentindo as lágrimas se acumularem novamente.

Edward continuou, segurando a caixinha aberta, revelando um anel delicado e elegante – simples, mas absolutamente perfeito.

— Você mudou minha vida de maneiras que eu nunca imaginei possíveis. Você me desafiou, me fez crescer, me mostrou que o amor não é apenas algo que acontece – é algo que escolhemos, todos os dias. E eu quero passar todos os dias da minha vida escolhendo você.

A voz dele quebrou levemente, mas ele prosseguiu, sem desviar o olhar dela.

— Bella Swan, você aceita ser minha esposa? Minha parceira, minha confidente, minha melhor amiga... meu tudo?

Bella sentiu as lágrimas escorrerem livremente agora. Ela balançou a cabeça freneticamente, incapaz de falar por um momento. Finalmente, com a voz embargada, ela disse:

— Sim, Edward. Sim, mil vezes sim.

Edward sorriu, aliviado, enquanto deslizou o anel no dedo dela. Ele se levantou rapidamente, puxando-a para um abraço tão apertado que quase os derrubou de volta na cama.

— Eu te amo — ele sussurrou contra o cabelo dela, a voz cheia de emoção.

— Eu também te amo — Bella respondeu, segurando-o como se nunca mais quisesse soltar.

O momento, carregado de emoção, os envolveu completamente. Edward segurou o rosto de Bella, inclinando-se para beijá-la. O beijo começou suave, mas logo tornou-se mais profundo, cheio de desejo e amor.

Ele a levantou levemente, deitando-a na cama enquanto seus lábios nunca se separavam. Cada toque, cada gesto, era uma extensão do que sentiam um pelo outro – paixão, vulnerabilidade e a certeza de que pertenciam um ao outro.

Os movimentos eram lentos no início, como se quisessem prolongar o momento, mas logo a intensidade cresceu, ambos se entregando completamente àquele sentimento avassalador. Edward era atencioso, cuidadoso, como sempre, mas havia algo de diferente naquela noite – algo ainda mais profundo, mais visceral.

Quando finalmente alcançaram o clímax juntos, Bella sentiu como se o mundo ao redor deles tivesse desaparecido. Tudo o que importava era o homem ao seu lado e o amor que compartilhavam.

Deitados lado a lado, ainda tentando recuperar o fôlego, Edward virou-se para ela, os olhos fixos nos dela com uma mistura de adoração e alegria.

— Então, futura Sra. Cullen — ele disse, um sorriso brincando em seus lábios. — Você acha que está pronta para o caos que eu vou trazer para sua vida?

Bella riu suavemente, balançando a cabeça.

— Se for com você, estou pronta para qualquer coisa.

Ele a puxou para mais perto, beijando sua testa antes de fechar os olhos. E ali, sob a luz suave do amanhecer, eles souberam que haviam dado o primeiro passo para o resto de suas vidas juntos.

EPÍLOGO

O lançamento de "A Última Volta Pra Casa" foi um sucesso estrondoso, superando todas as expectativas. O livro tornou-se um fenômeno global, alcançando rapidamente as listas de mais vendidos em dezenas de países. Críticos elogiaram a história por sua autenticidade, humor e a maneira delicada como explorava as complexidades do amor à distância.

Edward, por sua vez, embarcou em uma extensa turnê de divulgação, viajando para cidades grandes e pequenas ao redor do mundo. Bella, agora com sua posição flexível como supervisora, conseguiu acompanhá-lo em grande parte dessas viagens. Apesar de ter prometido a si mesma que não seria envolvida na exposição pública, ela se via encantada ao observar Edward falar sobre o livro – e, indiretamente, sobre o amor deles – com tanto entusiasmo.

Estavam na Oceania, o casal havia alugado uma casa próxima à praia, já que estavam no continente para a divulgação do livro de Edward. O clima descontraído, as águas cristalinas e o horizonte infinito pareciam o cenário perfeito para um falso momento de paz durante a caótica rotina de divulgação.

Edward havia saído cedo para mais um evento, deixando Bella sozinha para aproveitar a tranquilidade do dia. Mas ela não estava tranquila. Algo a incomodava há dias.

As náuseas constantes, a exaustão inexplicável e o atraso em seu ciclo menstrual haviam plantado uma suspeita inquietante em sua mente. Era uma ideia que ela tentava afastar, mas que agora não podia mais ignorar. Naquela manhã, ela tomou coragem, foi até a farmácia local no dia anterior e comprou um teste de gravidez.

De pé no banheiro, Bella esperou enquanto o teste fazia sua mágica. Os segundos pareciam intermináveis. Quando o resultado apareceu, duas linhas distintas, Bella ficou paralisada, sentindo o chão sumir sob seus pés.

— Positivo... — ela murmurou, como se precisasse ouvir a palavra para torná-la real.

Mas Bella não conseguia aceitar tão facilmente. E se fosse um erro? E se fosse apenas paranoia? Determinada a ter certeza, ela repetiu o teste. E então outro. Todas as vezes, o mesmo resultado: positivo.

Sentada na cama, com três testes alinhados à sua frente, Bella pressionou as mãos contra as têmporas, tentando organizar os pensamentos. Estava grávida. O fato era inegável.

A princípio, uma onda de alegria tomou conta dela – a ideia de carregar algo tão precioso dentro de si era emocionante. Mas a alegria logo foi substituída por uma ansiedade esmagadora.

— E se Edward não estiver pronto? E se isso estragar tudo o que construímos? — murmurou para si mesma, enquanto as dúvidas se acumulavam em sua mente.

Bella passou o restante do dia andando de um lado para o outro pela casa, abraçando os próprios braços. As palavras certas para contar a Edward simplesmente não vinham. Eles estavam vivendo um momento intenso de sucesso na carreira dele, viajando constantemente, sem um lugar fixo para chamar de lar.

— Ele está tão focado agora... isso pode mudar tudo — ela sussurrou para si mesma.

Mas a ideia de não contar a ele parecia impossível. Ele merecia saber. Eles precisavam enfrentar isso juntos, não importa o que acontecesse.

Quando Edward voltou para casa no início da noite, trazia consigo a energia de mais um evento bem-sucedido. Ele a encontrou sentada no sofá, os olhos perdidos em pensamentos.

— Bella? — ele chamou, a preocupação evidente na voz. — Está tudo bem?

Ela olhou para ele, o nervosismo estampado em seu rosto.

— Podemos conversar?

Edward franziu o cenho, largando a bolsa no chão e caminhando até ela. Ele se ajoelhou na frente do sofá, segurando suas mãos.

— O que aconteceu? Você está me assustando.

Bella respirou fundo, tentando se acalmar.

— Hoje... eu fiz alguns testes. E todos deram positivo.

Ele piscou, confuso, até que o significado de suas palavras o atingiu.

— Testes? — ele repetiu, a voz baixa, como se quisesse ter certeza.

— Testes de gravidez — Bella disse, sentindo as palavras saírem como um sussurro. — Edward... eu estou grávida.

Por um momento, ele ficou em silêncio, claramente processando o que acabara de ouvir. Bella sentiu o coração disparar, pronta para qualquer reação, mas o que aconteceu a seguir a surpreendeu.

Edward sorriu, lentamente no início, mas logo o sorriso tomou todo o rosto. Ele colocou as mãos nos ombros dela, inclinando-se para mais perto.

— Você está grávida?

Bella assentiu, as lágrimas brotando nos olhos.

— Sim. Eu sei que isso não estava nos nossos planos agora. Sei que nossa vida é... caótica. E eu não sabia como você reagiria.

Edward riu suavemente, puxando-a para um abraço apertado.

— Bella, isso é incrível. Você acabou de me dar a melhor notícia da minha vida.

Ela piscou, surpresa.

— Você não está assustado? Ou preocupado?

— Claro que estou — ele respondeu, segurando seu rosto com as duas mãos. — Mas isso não muda o fato de que estou absolutamente feliz. Eu sempre quis uma vida com você, Bella. Sempre imaginei que um dia nós teríamos isso. Só chegou um pouco antes do esperado.

As lágrimas finalmente caíram, e Bella riu entre soluços.

— Você realmente está feliz?

— Mais do que feliz — Edward disse, inclinando-se para beijá-la suavemente. Quando se separaram, ele olhou para ela com aquele brilho determinado nos olhos. — Nós vamos enfrentar isso juntos. Eu não me importo onde estejamos ou o que aconteça, Bella. Você, eu e nosso bebê – somos tudo o que importa agora.

Bella sentiu o peso das dúvidas desaparecer, substituído por uma alegria tranquila.

— Eu te amo, Edward.

— Eu também te amo — ele respondeu, beijando sua testa.

E ali, sob o céu estrelado da Oceania, eles souberam que estavam prontos para esse novo capítulo – um capítulo cheio de desafios, mas também repleto de amor, esperança e a promessa de um futuro ainda mais brilhante juntos.