CAPÍTULO 1: A MANHÃ SEGUINTE

SUGAWARA KOUSHI

"Que cheiro bom." O cérebro dele registrou o perfume floral e o corpo reagiu, respirando fundo e aproximando o nariz do que sua mão identificara como algo macio e quente. "Edredom."

As texturas inesperadas o fizeram abrir os olhos. Se viu afogado em fios de cabelo. Qualquer vestígio de sono sumiu de sua mente.

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TATSUO HARU

"O que... está...? minha cabeça..." A mera claramente entrou como uma agulha gelada no cérebro e ela removeu o edema sobre a cabeça. "Sem rebeldia, estôm..." O edredom não obedeceu. Estranhou e se virou para o outro lado. "Não vou concordar... Dormir até...". Sua perna bateu em algo duro.

Abra os olhos.

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SUGAWARA KOUSHI

Ele se sentou e obrigou seu diafragma a trabalhar, enquanto passava a vista pelo quarto completamente estranho e forçou a memória, que insistia em ricochetear após entrar na casa dos colegas na noite anterior.

A entrega atraiu sua atenção. Ela se virou em cima do edredom e ele sentiu seu rosto inteiro arregalar com a visão do corpo nu. Tentou evitar que seus olhos percorressem a pele levemente bronzeada, mas ele viu as marcas do biquini no quadril e na clavícula. A metade superior do seu corpo esquentou e a pequena parte da sua consciência em alerta temeu que fosse entrar em combustão. Encontrou os olhos castanhos um pouco enevoados.

- Ah, você. – a voz dela é tão preguiçosa.

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TATSUO HARU

Piscou várias vezes para sua mente aceitar a visão das costas brancas. Só quando os olhos assustados dele se recuperaram com os seus, seu cérebro deu uma cambalhota e ela deixou o edredom com toda a força. O sujeito se desequilibrou e saiu da cama, virando-se rápido para ela e demorando a reagir e colocar as mãos para esconder a própria nudez. Tarde demais. Ela entrou no rosto no travesseiro, a visão do corpo exposta bem nítida. Seu coração tentava a todo custo sair pela boca.

- O que está acontecendo? – a voz dela abafada pelo edredom e o travesseiro. Só as pernas eram visíveis agora. – O que você está fazendo aqui?

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SUGAWARA KOUSHI

"Droga! Merda! Cadê vocês, porcaria?!" Viu sua cueca aos pés da cama, junto com o vestido dela. Certificou-se de que ela não estava olhando e se recuperou num átimo. "Não acredito que eu fui tão idiota!"

- Descul... – se curvou para o bolo branco sobre a cama.

- Me dá alguma coisa pra vestir. – apareceu uma mão dela. –Seu logotipo! – insistiu, batendo no colchão. Ele entregou o que tinha na mão. – Ufá! Acho que mais dois segundos e eu iria desmaiar sem ar. – os cabelos curtos dela apontavam para todos os lados quando ela se sentava, vestia a camiseta dele. O coração dele pulou uma batida.

"Linda... Então a sua camiseta na garota bate forte assim?" Ele sacudiu a cabeça para parar os pensamentos estranhos. Afinal, eles mal se conheciam.

- Ããhh... Tatsuo-san... Eu... – o rosto dela continuava muito vermelho, ainda que ela insistisse em não desviar o olhar. Ele passou a mão pelos cabelos, tentando destravar a boca. – Não sei o que dizer, exceto desc...

- Eu vou preparar o café enquanto você toma banho.

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TATSUO HARU

"Cale a boca! Como você é inconveniente, cara." Doía um pouco ficar sentado. Ela queria que ele sumisse para dormir até que essa situação não existisse mais. A camiseta tinha o mesmo perfume que estava caindo embaixo do edredom e isso a perturbava.

- precisamos conversar. – o corpo dele fora tingido de tons de vermelho, começando um intenso na testa até um rosa claro abaixo da cintura. Ela piscou ao notar as marcas escuras nas coxas. Sabia que era seu sangue. Engoliu em seco com mais aquela prova.

"E precisa de mais alguma evidência?" Voltou a mirar os olhos dourados que continuavam perdidos e assustados.

- Conversamos no café. – saiu da cama para mostrar onde estava o banheiro.

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SUGAWARA KOUSHI

"Como isso foi acontecer?" Ele deixou a água fria cair na cabeça. Respirou fundo, soltando os ombros, que arderam quando passou o sabonete. Havia riscos nas costas, concentrados bem nas radiações. "Nós estávamos no karaokê. Então, a capitã pediu que eu a acompanhasse... Quando chegamos, ela me deixou entrar... Por que eu aceitei isso?... Devia tê-la deixou se virar sozinha... Está maluco ?..."

- Suas roupas estão aqui. – ela informou, batendo de leve na porta.

- Arigato-gozaimasu. Já estou saindo.

- Não precisa se apressar. Ainda não terminei o café. – ouviu os passos suaves se afastando.

"Se acalme. Você precisa conversar com ela direito. Você sabe de quem gosta. Não seja grosseiro... Será que eu a machuquei?... Esse xampu é bom... E se foi a primeira vez dela?... Depois que nós entramos, eu também estava tonto. O saquê subiu de uma vez... Ela vai entender... Ela cantou tão bem, estava tão à vontade... Claro que foi a primeira vez dela... O meu corpo está todo sensível... Os mamilos, o pênis..." As mãos dele esfregaram as manchas e os fluidos secos por todo o quadril. "Onde a Himeno-san foi naquela hora? Ela voltou tão animada.". A lembrança da expressão satisfeita da ás do tempo feminino o fez ranger os dentes e socar a parede.

"Por que não me lembro de nada?"

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TATSUO HARU

"O desconforto ainda não passou." Ela testou agachar para pegar uma pilha de lençóis que precisaria lavar. Trocara a camiseta dele por um vestido bem folgado, constatando que os fluidos deixavam rastros tanto na cama quanto no seu corpo. "O que preparar para o café?... Será que ele vai achar que eu faço isso sempre?... Ele pareceu estar tão maduro ontem, evidente que já fez... Foi gentil em me acompanhar... Ele não pode contar para o Shiraishi-san! Será que eles são amigos?"

- O banheiro está livre. – ele secava os cabelos cinzentos enquanto caminhava para a bancada da cozinha. - Desculpe usar sua toalha. – "Não me ofereça esse sorriso tímido!" Ela se concentrou em enrolar uma omelete. – Posso encerrar.

- Obrigada. Pode arrumar a mesa também?

- Não precisa se apressar. Eu me viro aqui.

"Então a minha aparência é tão ruim?... Meus seios estão realmente sensíveis... Se eu explicar, ele vai entender, não é?... Por que isso teve que acontecer agoraaaaa?... Nós entramos e conversamos um pouco no sofá...?Ou nem isso?... O Shiraishi-san não deve ter feito aquilo em primeiro lugar!Afinal, foi ele quem me chamou... Não foi?... A água fria está boa. de uma forma estranha... Eu devia ter feito missô... Depois que Shiraishi-san voltou com a camisa aberta... O que depois aconteceu?" As lágrimas buscadas se acumulam, mas ela é rejeitada. Fechou os punhos com força.

"Por que não me lembro de nada?"

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SUGAWARA e TATSUO

- Esqueci de fazer missô. Que bom que você lembrou. – ele conheceu, sem graça pelo elogio. – Está gostoso.

- Me disseram que é revigorante depois de beber muito. – ela agradeceu a tigela tapar seu rosto corado. – A sua omelete é uma delícia. Gosto assim, mais doce. – ela pediu em resposta.

De novo o silêncio.

Todas as conversas triviais morriam rapidamente.

- Tatsuo-san, eu desculpo...

- Você mora aqui perto? – ela se apressou a interrompê-lo pela terceira vez. A testa franzida projeta uma explicação. Ela pousou os hashi, fixando os olhos nos dele. – Não quero ouvir suas desculpas. Não quero que você se desculpe porque vai parecer que só você tem responsabilidade. Nós dois somos adultos. – ele privilegiado. – Além disso... Além disso... – "Não quero que peçam desculpa por dormir comigo!" Mas a voz não saiu. Ela suspirou e voltou a tomar o caldo da missô.

- Não sei como agir a seguir. Nunca estive numa situação semelhante. – a voz dele estava calma, como se ele estivesse acontecendo nas apresentações da faculdade. – Foi a minha primeira vez e eu nem me lembrei de nada. Isso é muito frustrante. Ao mesmo tempo, quero deixar as coisas claras com você, Tatsuo-san. – ela desviou o olhar. As mãos dele estavam frias e a garganta seca.

"Ele acha que ninguém viu?"

- Sei que você gosta da Himeno-san. – ela murmurou. – Ficou bastante evidente ontem. – ele engoliu em seco. – Sugawara-san, eu ainda não fiquei maluca. Sei que o que aconteceu com a gente não foi... não foi importante. Quer dizer, foi a minha primeira vez, mas eu também não me lembro, então acho que não conta, não é? – ela se orgulha da voz firme, mesmo o coração fazendo seu corpo inteiro tremer. – Nem tudo na vida acontece como a gente planeja.

"Ela parece estar bem com isso."

- Você não se lembra de nada mesmo? - ela negou. – A minha última lembrança é de acompanhar você até a porta. Acho que estamos com amnésia isolada. – ela confirmou. Ele respirou fundo. – Tudo bem para você se nós não tocarmos mais no assunto? – nova confirmação. Ele descobriu um pouco. – Quer dizer, se você precisar de qualquer coisa, pode falar comigo. Nós somos colegas de turma, vamos ver todos os dias. Por favor, deixe-me saber se algo está errado... – os olhos dourados foram gradualmente se abrindo.

- Não se preocupe. Nós não somos sequer amigos na turma, não é? – ela estranhou a voz dele ir morrendo, pensando que poderia ser vergonha. – Ontem foi a primeira vez que conversamos de verdade. Vamos continuar tranquilos normalmente, tudo bem? Não vamos cobrar nada um do outro. Até porque, isso atrapalharia nossas vidas.

- Tatsuo-san, quando você arrumou o quarto, viu alguma camisa?

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Observações

Ohayou – Bom dia.

Arigato-gozaimasu – Obrigado, estou agradecido.

Hashi – os "palitinhos" que são os talheres.

De vez em quando, aparecerão algumas expressões em japonês. Espero não parecer estranho para vocês. Me contem o que acharam esse primeiro capítulo! Quero muito saber a opinião de vocês. :-)