*Amigos de Koushi:

- Kazutoyo Sota - O Misterioso (olhos castanho-claros; cabelos pretos partidos ao meio. Introvertido do grupo. Óculos retangulares de armação preta. Veste apenas ternos completos, impecavelmente limpos e passados. Prefere jogos a estudar, embora goste muito de livros raros sobre história japonesa.).

- Murakami Izumi - O Popular (olhos pretos; cabelos castanhos com corte assimétrico. Namora Shirasawa Hina, aluna de psicologia. Desenvolto em conversar com o sexo oposto. Covinhas quando sorri. Tem as melhores notas do curso. Membro do Clube de Cinema. Trabalha meio-período na loja de conveniência.).

*Pessoal da livraria:

- Kuwae Sayemi, a colega de turno

- Hidaka Ishiro, o gerente

- Nakahodo Matiko, a caixa

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SUGAWARA KOUSHI

"Eu apenas aceito e pronto." Hoje Haru colocara salsichas em forma de polvo, legumes enrolados no bacon e barriga de porco. "Pensa que estou no ensino fundamental." Moldara um rostinho feliz no arroz.

- Algum dia você vai apresentar pra gente? – Izumi já fizera essa pergunta dezenas de vezes.

- Não insulte a nossa inteligência dizendo que é comprada. – Sota completou, sentando com sua bandeja em frente aos dois. – Hina-chan? – a namorada de Izumi sempre almoçava com eles pois na maioria dos dias era o único momento em que se viam.

- Ela está num evento. – Izumi não desviou do assunto. – Você ainda não nos contou o que exatamente aconteceu no karaokê. E tem também essas misteriosas obentôs... Podemos ir à sua casa hoje? – Koushi ergueu as sobrancelhas.

- Impossível você inventar outra desculpa, Suga-san. – Sota chamava atenção pelo rigor do terno verde-escuro completo e impecável, contrastando com os jeans, camisetas e casacos dos amigos. - Apenas aceita e pronto.

- Saio da livraria às 20 horas. – Koushi informou, sabendo estar no limite para negar a visita dos amigos.

- Ótimo, eu saio às 19 horas. – Izumi se animou. - Sota leva a comida. Amanhã só temos aula à tarde.

- Tenho treino de manhã. – Koushi lembrou.

- Então podemos dormir lá. – "Incrível como Sota consegue conversar e jogar no celular." – Vou levar uma troca de roupa.

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TATSUO HARU

- Você tem domínio do assunto. Conversando com os outros professores, todos elogiam seu comprometimento e seu empenho. – a sra. Suiyama folheava os papéis na sua pasta. – O que mais se destaca é a sua energia e habilidade de expor o tema. Agora, precisa trabalhar a sua interação com a turma. A comunicação entre professor e alunos é a parte principal de uma aula, Tatsuo-chan. É impressão minha, ou há algo acontecendo entre você e algumas outras alunas? – Haru tentou não demonstrar o incômodo por aquela situação, completamente alheia à sua vontade. – Sabe, nem todos os alunos serão obedientes e tranquilos. Uma professora precisa aprender a lidar com uma miríade de personalidades. Eu mesma já tive alunos rebeldes, delinquentes, gênios e impacientes. – a professora deixou a pasta de lado, olhando-a com seriedade. – Dois colegas que podem servir de exemplo para você são Sugawara-san e Murakami-san. No próximo seminário, observe como eles agem e depois nós conversamos novamente, pode ser?

Haru assentiu. Ela sabia que a orientadora tinha razão. Koushi escutava com paciência e tentava explicar com termos e exemplos que o aluno entendesse. Izumi tinha um enorme poder de sedução, hipnotizando toda a turma e mantendo a audiência pendurada em cada palavra.

"Ele consegue se adaptar a qualquer situação. Como no vôlei. Tira o melhor de cada um." Ela pensou, caminhando pelo corredor quase vazio. "Aceitei o convite do Shiraishi-san... O que será que vai acontecer?"

No armário, junto com seus tênis havia um bilhete. Ela conhecia a letra muito bem. Recebeu mensagens de agradecimento com aquela mesma caligrafia todos os dias das semanas anteriores.

- É hora de encarar os desafios! – ela exclamou, batendo a portinhola com força.

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SUGAWARA KOUSHI

- Muito obrigado por escolherem a nossa livraria. – as três meninas pareceram se divertir escolhendo seus mangás pela primeira vez. – Cuidado na volta para casa.

Elas paralisaram um instante com o sorriso do atendente. Agradeceram entre risadinhas e partiram.

- Sobre esse autor, você tem outros livros dele? – a jovem que trabalhava num escritório no 15º andar esperou as três se afastarem. Ela arrumara o cabelo de forma diferente e seu perfume era muito agradável. – Gostei da sua última indicação, Sugawara-san.

- Ele é ótimo realmente. – a senhora da loja de conveniência da esquina chegou pelo outro lado. – Mesmo sendo tão jovem, conhece bastante de literatura. – As duas começaram a conversar com Koushi.

"Mal sabem que aprendo mais as ouvindo." Fora uma sorte encontrar esse emprego logo na sua primeira semana em Sendai. Em dias mais tranquilos, conseguia até estudar. Ele gostava de atender e conversar com os clientes. Adotara a máxima do gerente. "Ajudamos os livros a encontrarem seus donos." Por ficar perto de duas escolas, da Universidade e de vários escritórios, a variedade de títulos e assuntos era grande. "Nada de rotina aqui!"

- As últimas clientes colegiais. – Kuwae Sayemi, a colega de turno, terminou de organizar as estantes da frente. – Hoje foi um dia cheio.

- Especialmente para Sugawara-san. – o gerente, Hidaka Ishiro, fechou a porta à saída das meninas. – As clientes continuam pedindo dicas para ele.

- Preciso ler mais mangás. – Koushi agia com naturalidade. Gostava daquele emprego por ser um bom leitor desde criança e ter a oportunidade de saber dos últimos lançamentos para cada faixa etária. Informação útil para um professor. – Às vezes, não consigo responder às perguntas.

- Como se elas ligassem para as respostas. – a caixa, Nakahodo Matiko, se juntou a ele na entrada para os fundos. Era o fim do turno dos dois. – Desde que você veio trabalhar aqui, vejo mais mulheres interessadas em livros.

- Antes de vocês irem, podemos conversar um instante? – eles assentiram, esperando Hidaka se aproximar. – Depois falo com Yuwanaga-san. A sessão de autógrafos se aproxima e os preparativos dentro da loja começarão na próxima semana. Gostaria de pedir para vocês reservarem um período maior para a livraria. Pode não ser necessário, mas precisamos estar preparados para receber um fluxo maior de clientes. Será nosso primeiro evento desse tipo e se formos bem-sucedidos será ótimo para nós. A matriz está de olho.

- Já temos o material de divulgação? – Sayemi fora a primeira a apoiar a sugestão de Koushi.

- A editora ainda não enviou. Pode enviar um e-mail hoje e falar com eles amanhã, Sugawara-san? – Koushi assentiu. Estava ansioso. Nunca organizara algo assim. – Se nos esforçarmos, será uma excelente oportunidade! Bom trabalho a todos!

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TATSUO HARU

"Os dias estão cada vez mais quentes." As sacolas pesavam e Haru as redistribuiu nas mãos. Resolvera fazer obentôs com bastante proteína. Era seu jeito de contribuir com o amistoso. "Pelos treinos, ele talvez não jogue, mas nunca se sabe... Preciso encontrar uma boa roupa para o show no sábado... Quanto tempo posso adiar a conversa com ele?... Posso ficar ignorando aquele bilhete até quando?... Eu vou agarrar a oportunidade que estive esperando esses meses!"

- Quer ajuda com as compras? – ela deu um pulo com a pergunta atrás de si. – Desculpe, não me aproximei corretamente.

- Murakami-san? – duas sacolas caíram e ele as recolheu. – Eu que peço desculpas pela minha reação exagerada... Você mora por aqui? Nunca o vi pela vizinhança.

- Estou indo para uma reunião importante, mas a cerveja estava em promoção e achei melhor comprar logo. – Izumi a acompanhou. – Você gosta mesmo de cozinhar, não é? – Haru gaguejou um pouco.

- Eu não posso comprar nada fora de casa. Ainda não consegui emprego e não quero aumentar as despesas dos meus pais. – eles caminharam em silêncio até a esquina. – Eu viro aqui.

- Ah, Tatsuo-san. – Izumi estendeu um cartão para ela. – Como você cozinha bem, talvez encontre algo nesse lugar. Hina-chan, minha namorada, adora e a comida é uma delícia.

- Rokuhoudou, cafeteria em estilo japonês. – Haru leu em voz alta. – Murak... – ele já estava longe.

- Soube que eles estão contratando para o verão! – Izumi acenou. - Preciso me apressar ou começarão sem mim!

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SUGAWARA KOUSHI

- Finalmente chegou. – Sota comentou enquanto distribuía os pacotes de salgadinhos pela mesinha ao lado da cama. – Beber água não era uma opção.

- Como cavalheiro que sou, precisei ajudar uma donzela em dificuldades. – Izumi deixou as caixas de cerveja na geladeira, jogando uma latinha para cada amigo e abrindo uma para si ao se sentar na almofada. – Você mantém esse lugar organizado, Suga-san.

- Não consigo estudar na bagunça. – Koushi trocava a camisa por uma camiseta velha, pendurando o uniforme da livraria no pequeno guarda-roupa. – E a minha mãe me deu um aspirador de pó, então eu o utilizo.

Sota deixara o terno, a gravata e o colete sobre a cama, abrindo o colarinho e dobrando as mangas da camisa. Solenemente, despejou o conteúdo dos pacotes numa grande tigela.

- Não vai dizer que trouxe só isopor. – Izumi olhou com descrença as batatinhas e palitos de soja.

- Tem karaage para seis pessoas no forno. – Koushi informou, tomando um grande gole da latinha. – Quem você encontrou no caminho?

- Tatsuo-san. – Izumi respondeu de pronto. – Você nunca disse que morava perto dela. – Koushi engasgou com a batata.

- Muita gente mora, inclusive vocês. Quer que eu te diga todos os estudantes da Tohoku que moram por aqui?

- Se é uma colega da sala, por que não? – Sota deu de ombros. – Eu não me importo de dizer que a Matsusaki-san mora no meu prédio. – os outros dois arregalaram os olhos.

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TATSUO HARU

- Teremos tendon de frango, curry, karaage e salada de harussame e gyudon. – Haru revisou os ingredientes e as receitas, planejando como otimizar o tempo dos preparos. – Essa semana, só carne cozida e frango.

Ou tentando planejar.

"A vida universitária é complicada demais!... Estudos, emprego, namoro, sexo, escolhas para a vida inteira..." Começou colocando iogurte dentro dos sacos com os peitos de frango e preparando as marinadas para o karaage e o gyudon. "Shiraishi-san... Não esperava que ele fosse me convidar para sair. Preciso aproveitar! Onee-san me avisou que a faculdade tem essa energia de encruzilhada na vida." Lembrou da sua irmã contando a ela como foi difícil e único. "Realmente ela mudou muito... Talvez eu também consiga mudar, Nee-san. Vou me esforçar!" Começou a picar os ingredientes dos ensopados.

- Ele gosta do caldo bem encorpado. – comentou baixinho, misturando pasta de missô na fervura. – Não posso tratá-lo como se ele fosse um dos espectros de Hades. Sugawara-san deve pensar que sou louca. Mas eu não consigo me controlar... E ele nunca me disse sua comida favorita.

"E ainda tem a questão do emprego." Pegou o cartão que Izumi lhe entregara, respirando fundo. Sentou no sofá e discou.

- Olá. Meu nome é Tatsuo Haru e estudo na Universidade de Tohoku. Soube que vocês estão contratando em preparação para o verão. – ela falou tudo muito rápido pelo nervosismo.

A resposta demorou a vir. Era uma voz masculina calma e ponderada.

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SUGAWARA KOUSHI

- A garota mais bonita da turma é sua vizinha? – o tom de Izumi demonstrava incredulidade. Sota confirmou com a cabeça, interessado nos livros da pequena estante em frente à mesinha, ao lado da escrivaninha.

- Sim, com duas senpai do terceiro ano. Parece que elas são da mesma cidade e eram amigas de infância. – apontou para um livro específico. – É sobre o que eu estou pensando? – Koushi seguiu o dedo e pegou o livro pesado. – Essa edição é bem difícil de encontrar.

- Um tio é colecionador. Quando ele soube que eu vinha para Sendai, me deu de presente. – Koushi sabia do grande interesse de Sota na história local. – Se me devolver antes das férias, pode pegar emprestado.

- Você já leu? – os olhos de Sota brilharam ao folhear o livro de páginas amareladas. Era uma obra da década de 1980 que contava a história das principais cidades da província, com fotos coloridas. Por terem sido produzidos poucos exemplares, era raro e precioso. – Não sabia que você se interessava por isso.

- Só folheei. – Koushi tirou a bandeja de frango frito do forninho elétrico e colocou mais pedaços para aquecer. – Percebi que um dos grupos da turma só fala de temas históricos. Cheguei a procurar informações sobre as cidades quando a sra. Suiyama comentou que precisamos escolher com cuidado as escolas para as quais vamos nos candidatar.

- Pensei que você quisesse voltar para casa. – Sota abriu os outros botões da camisa, revelando a camiseta regata. – Posso diminuir a temperatura do ar-condicionado? – Koushi assentiu.

- Está cada dia mais quente. – olhou para Izumi, anormalmente calado. – Você e Hina-chan vão ao festival de fogos no mês que vem?

Os olhos de obsidiana de Izumi estreitaram para os dois.

- Vocês estão desviando do assunto de propósito.

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TATSUO HARU

# "A biblioteca estará cheia essa semana por causa das provas. Precisamos chegar mais cedo ou não conseguiremos lugares decentes." #

A mensagem de Keiko a surpreendeu. No início da parceria delas, Haru pensara que ela não levava a faculdade a sério. Só quando começou a vê-la na biblioteca e as contribuições dela nos trabalhos em grupo é que a primeira impressão se desfez.

- Atchim! - "Será que peguei um resfriado? Preciso reforçar meu sistema imunológico." Ela começara a espirrar do nada. - Para o curry, vou acrescentar os tomates. Ajuda a refrescar. – ela refogou a cebola e o alho, depois a carne picada. – São 40 minutos agora. – começou a preparar as obentôs de gyudon. – Os treinos deles estão mais extensos e intensos. – o time masculino treinava em todos os horários possíveis. – E ele ainda trabalha. – em alguns dias, via Koushi saindo do vestiário já com o uniforme da livraria, caminhando apressado para o metrô. – Vou colocar ovo cozido no gyudon. – preparou rápido um molho de shoyo para marinar os ovos. Colocaria na obentô pela manhã. – Será que vou de vestido ou calça para o show? Vi que é uma banda de Osaka. Gostei das músicas deles... Será melhor se eles ganharem o amistoso... Já vou! – falou para o celular tocando o ringtone exclusivo da mãe.

"Ela deve querer saber se vou voltar nas férias de verão."

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SUGAWARA KOUSHI

- De que assunto estamos desviando, Mura-kun? – Sota mordeu uma coxa, indiferente. Colocara o livro protetoramente longe dos dedos engordurados.

- Karaokê. – Izumi se encostou na estante na quitinete estreita do amigo. – Desde o encontro das equipes, Suga-san mudou. – jogou um punhado de salgadinhos na boca. – E ele não quer nos contar na faculdade. – Sota ergueu as sobrancelhas, um brilho divertido nos olhos castanho-claros e um meio sorriso nos lábios.

Koushi tinha certeza de que eles comentaram sobre isso entre si. Eles eram amigos recentes, embora se tornassem cada vez mais íntimos morando longe da família. Na verdade, eram os amigos mais próximos que ele tivera fora dos clubes de vôlei que frequentava desde o fundamental.

Respirou fundo e contou.

Ele riu das reações dos amigos. Izumi parara o movimento de morder no meio, segurando o pedaço de frango no ar em frente ao rosto. Sota cuspiu o gole de cerveja sobre a tigela dos salgadinhos.

- Como é que é? – perguntaram em uníssono.

- Você e a Tatsuo-chan? – a voz de Izumi saiu aguda.

- Como assim você não se lembra de nada? – Sota tirou a camiseta regata para enxugar a mesinha, sendo parado por Koushi, que apontou o pano de prato no suporte sobre a pia.

"Isso vai ser mais difícil de explicar do que eu imaginei." Imagens das últimas semanas pipocavam na mente dele. Koushi respondeu pacientemente as perguntas.

- Então, as obentôs são realmente dela? – Izumi quis se certificar que entendera. Koushi confirmou com a cabeça.

- Parecem ser deliciosas. – Sota lavava o pano sujo de cerveja na pia da cozinha. – Só não entendi o porquê dela fazer isso.

- Ela acredita que eu preciso me alimentar melhor. – Koushi achou curioso que as perguntas fossem sobre os misteriosos almoços e não sobre a amnésia pós-sexo. – Por causa do vôlei.

- Óooohh! Tenho inveja de você, Suga-san! – Izumi afirmou, tomando outro grande gole. – Hina-chan só me deixa pegar nos peitos dela, enquanto você não precisa cultivar um relacionamento para transar com uma das garotas mais bonitas e legais do nosso ano e ainda por cima recebe almoços grátis!

Koushi engoliu o restante da segunda latinha.

- Você fala como se eu estivesse me aproveitando da situação. – ele passou a mão pelos cabelos cinzentos. – Ela me deixa confuso. Ao mesmo tempo que pede para eu não me aproximar, me dá comida e claramente presta atenção no que eu estou fazendo. Estou totalmente no escuro.

"Não posso contar a eles o que acontece quando nos tocamos."

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TATSUO HARU

"Vou falar com ele depois do amistoso e antes do show." Haru terminou de guardar as obentôs para o dia seguinte e as porções para os outros dois dias. Ficava mais fácil cozinhar assim, embora os alimentos não estivessem muito frescos. "Se a opção for comer comida congelada, melhor uma feita em casa do que uma do supermercado."

- Ficou tarde para lavar o cabelo. – vestiu a camisola e abriu os livros na mesinha de centro da pequena sala. Abriu a porta da varanda, a brisa noturna ajudava a relaxar os músculos e sossegar o cérebro. Espirrou de novo. – Tomara que isso não se transforme em algo sério. – começou a fazer anotações nas laterais dos parágrafos, tomando grandes goles de chá com mel. – Essa semana precisa ser perfeita. Amanhã, a entrevista na cafeteria. Na quinta-feira, as primeiras provas. Na sexta-feira, o amistoso. No sábado, o show.

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SUGAWARA KOUSHI

- Não dá para continuar igual depois do que aconteceu. – Izumi refletiu. – Você também mudou e sabe disso. Antes, você nem tomava conhecimento das garotas da turma.

- Mura-san, você sabia do que estava acontecendo entre Tatsuo-chan, Kashigani-san e algumas outras? – Koushi contou o episódio perto da pista de atletismo.

- Não sabia que era tão sério. – Izumi pegou o último pedaço. - Inoue-san pediu que eu tentasse falar com ela todos os dias e que não acreditasse em boatos. Como ela pareceu uma boa pessoa, aceitei.

- Matsusaki-chan tomou a frente, mas é algo que precisamos ficar atentos. – Koushi afirmou. Sota escondeu o sorriso atrás da latinha e Izumi deu de ombros. Koushi revirou os olhos. – Não é por ser a Tatsuo-chan...

- Koushi-san, vocês nunca mais se falaram? – Sota franziu a testa, tentando entender também.

- Eu pedi para falar com ela algumas vezes, mas ela parece muito ocupada.

- Vocês têm que conversar, cara. – Izumi concordou com Sota. – Para tirar essas dúvidas do caminho. Espera ela depois do treino, ou vai à biblioteca, não sei. Ela está sempre lá ou no gramado em frente. Não dá para continuar desse jeito.

- E como fica a atacante nesse cenário? – Sota se lembrou de Sumi. – Você não parece estar se empenhando com a Tatsuo-san. Ainda gosta da Himeno-san?

- Eu chamei Himeno-san para conversar depois do amistoso. – os outros dois se entreolharam. – Preciso dizer a ela como me sinto e perguntar se ela está disposta.

- Suga-san, não quero me intrometer na sua vida, mas não seria melhor esperar mais um pouco? – Sota falou devagar. – Primeiro conversar com Tatsuo-chan.

- Bom, eu tentei, mas ela não quer. – Koushi ponderou. – Não posso manter a minha vida em suspenso a esperando.

- Não pensei que você fosse tão frio. – Izumi parecia desapontado. – Concordo com Kazu-kun. Não se precipite.

- Eu quero tentar. – Koushi insistiu. – Talvez seja a minha a indecisão que alimenta essa situação estranha.

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Notas Finais

Rokuhoudou – Rokuhōdō Yotsuiro Biyori é um anime de 2018 mostrando o dia-a-dia de uma cafeteria em estilo japonês. É um dos animes mais gosto de rever. Adoro os 4 integrantes da equipe e suas interações com os clientes! Ele não poderia ficar de fora dessa história, até porque Haru é uma cozinheira de mão-cheia. ;-)

Tendon de frango – porção de arroz coberta com peito de frango empanado crocante e coberto com molho leve de soja.

Curry – pedaços de frango, cenoura e batata cozidos em molho grosso de curry, servido com arroz.

Karaage – frango marinado em molho de soja e frito. Os pedaços de carne são cobertos com farinha ou fécula de batata antes de serem fritos.

Salada de harusame - Harusame (literalmente "chuva de primavera") é um macarrão fino, transparente e sem glúten feito de batata ou amido de batata doce. Além do harusame, a salada geralmente usa três outros ingredientes principais: pepino, cenoura e presunto. Haru acrescenta algas wakame e tomate.

Gyudon - pedaços finos de carne bovina tenra e gordurosa, cebola e molho de mirin e soja, servido com arroz. Haru acrescenta cebolinhas e gergelim.

Esse capítulo me deu muita fome! Haru cozinhando e o trio masculino num happy hour foi demais para mim. Bom, agora o que aconteceu não é mais segredo só dos dois, apesar de Koushi ter confiança que os amigos não abrirão a boca. Mesmo com tudo que aconteceu, nem Haru e nem Koushi abriram mão dos seus planos iniciais. Como será que isso se desenrolara? Saberemos em breve! Espero vocês.

P.S: sim, a Matsusaki vizinha do Sota é a Keiko-chan! ;-)