Capítulo 15 Festival De VerãoNotas Iniciais
Notas Iniciais
Capítulos de festivais nos templos budistas e xintoístas são clichê de anime!... rsrs! Cada estação do ano tem seus próprios eventos tradicionais, com barraquinhas de comida deliciosa e atrações bem parecidas com as nossas quermesses de festa junina, como pesca e tiro-ao-alvo. Geralmente, nesses episódios sempre acontece algo importante e especial, ou muita confusão!
A escalação para esse festival de verão em Sendai é:
TATSUO HARU – os cabelos pretos e curtos na altura das orelhas realçam o rosto delicado da nossa prota feminina. Os olhos castanho-claros são muito vivos e atentos. Mesmo preferindo roupas e calçados confortáveis, quis combinar com o namorado e finalmente usou a yukata que sua mãe lhe deu de presente de despedida. Como ela cresceu no Brasil, não conhecia muito bem os festivais sazonais e estava ansiosa para se divertir. Mesmo as guetas limitando seus movimentos, participou da maior parte das brincadeiras das barraquinhas e manteve o sorriso de alegria durante todo o festival, estimulada por Keiko e Shiro, duas pessoas com bateria infinita.
SHIRAISHI SETSUO - olhos e cabelos pretos, cortados repicados, que ele realça com pomadas todos os dias. Capitão e ace do time masculino de vôlei. É alto, um corpo com músculos definidos e grande força física. Ele tem o salto mais alto do time. Duas paixões: vôlei e desenvolvimento de aplicativos para celular. Cursa o terceiro ano de Tecnologia e Inovação e está adiantado em negociações com empresas norte-americanas e asiáticas. Escolheu ir ao festival com uma yukata azul-cobalto e tênis pretos, que o fez ser motivo de sussurros e suspiros. Ganhou para Haru um tanuki de pelúcia no jogo de argolas. Estava muito contente e animado, falando com os amigos do mesmo curso sobre os negócios fechados na noite anterior.
SUGAWARA KOUSHI – os olhos dourados e cabelos cinza-claros do nosso prota masculino já faziam sucesso com as garotas no ensino médio, mas ele só tinha tempo para vôlei e estudos. Para o festival, preferiu o conforto de calça jeans e camiseta branca com uma camisa rosa, o que foi uma boa ideia, segundo os comentários e olhares que recebeu. Sentiu falta do irmão caçula pois os dois iam aos festivais juntos desde pequenos. Conseguiu vários prêmios na barraquinha da pesca e se divertiu ao observar as garotas se esforçando para adivinhar o objeto dentro da caixa, que rendeu uma garrafa de vinho para Hina e dois ingressos para o cinema para Sumi.
HIMENO SUMI - olhos e longos cabelos pretos, que ela mantém brilhando e perfumado com óleos aromáticos. A namorada de Koushi preferiu uma yukata em tons rosa, com flores de ameixeira, que lhe conferiu uma aura de elegância e sensualidade, realçada quando ela caminhava. A estudante do terceiro ano de jornalismo e editora júnior de uma grande editora de Tóquio aproveitou o festival para anotar mentalmente ideias para as histórias românticas que estava acompanhando. Se sentia incomodada sempre que a líbero reserva estava por perto e, como Ace do time, não se sentia na obrigação de socializar com Haru fora da quadra. Afinal, a kouhai não sabia seu lugar, desafiando-a constantemente em quadra e atraindo os olhos do garoto que ela escolhera como seu para esse ano.
SHIRASAWA HINA – olhos e cabelos pretos curtinhos com mechas coloridas azul, rosa e dourado. Cursa o 2º ano de Psicologia e começou a namorar Izumi desde a noite que se conheceram, na primeira semana de aula. Seu temperamento brincalhão e sua personalidade analítica e observadora transmitem uma sensação de segurança e maturidade. Nada a abala, a não ser em casos raros em que a pessoa quer realmente brigar. É a mais nova de cinco filhos, depois de quatro homens, então nada do universo masculino a surpreende como às outras garotas da sua idade. Considera sua aparência inusitada e ficou surpresa quando Izumi, sobre quem ouvira comentários gulosos das amigas, se aproximou numa das festas de boas-vindas aos novatos. Mora com os pais. Usa apenas roupas customizadas por ela mesma, após passar a infância no atelier de sua mãe, brincando com bordados e carretéis. Sua voz é firme, com um tom de ousadia que só a caçula de 5 irmãos pode ter. Sua yukata fazia par com a roupa do namorado: o fundo vermelho e laranja com o dragão preto subindo pela lateral e se enroscando em suas costas. Hina sempre ia aos festivais desse templo pois sua casa era próxima, então foi a guia do grupo para as melhores atrações e comidas.
KASUTOYO SOTA – seus cabelos pretos partidos ao meio e óculos retangulares de armação preta receberam um ar retrô de início do século 20 com a yukata. Seus olhos castanho-claros captaram tudo que podiam para os vários posts sobre o festival que ele fez durante o evento, viralizando nas redes pelos vídeos misturando situações vergonhosas dos amigos com informações sobre a simbologia e a origem das comidas e das atrações. Nas duas ocasiões em que viu Keiko na multidão, seu coração saltou e ele foi irremediavelmente atraído para perto dela, embora calculasse as consequências disso para seu amigo levantador do time de vôlei. Afinal, ele era mais consciente da situação de Koushi do que ele mesmo.
MURAKAMI IZUMI – fez questão de assanhar o corte assimétrico dos cabelos castanhos para compor o visual cool idealizado pela namorada, que passara meses costurando os trajes que eles estrearam naquela tarde. Calça, camisa e jaqueta pretas e um dragão vermelho e laranja subindo pela lateral da calça e se enroscando nas costas da jaqueta. Combinaram com seus dois brincos na orelha esquerda. Adorava festivais de templos por ter todas as suas comidas favoritas reunidas em um só lugar. Nas barraquinhas de brincadeiras, seus olhos pretos brilhavam como os de um garoto muito travesso, o que lhe rendeu muitos elogios nos posts de Sota.
INOUE SHIRO – seus olhos pretos amendoados, cabelos pretos cuidadosamente despenteados e sorriso radiante são imãs para as garotas, mesmo num festival lotado como esse. Várias lhe lançaram olhares compridos e ele respondia com uma piscadela. Apesar de não gostar de aglomerações, nunca disse não a Haru. Ele e Keiko se divertiam provocando um ao outro, numa competição exclusiva deles. Optou por vestir bermuda e uma camiseta com os dizeres "Resista ao Que Resiste em Você" em cima de uma ilustração de um arqueiro apontando sua flecha para o alto, lembrança dos meses que passou viajando pela Ásia nos seus dois anos ao redor do mundo. Mantinha em segredo que não gostava de Setsuo e ficou feliz quando ele chegou com os dois amigos otakus, que o distraíram e permitiram que Haru se divertisse com os amigos enquanto o namorado focava em conversas chatas de criação de aplicativos para celular.
MATSUSAKI KEIKO – seus olhos verdes não paravam quietos, querendo ver tudo do festival. Os cabelos castanhos longos e ondulados estavam precisos de lado, o que realçou a maquiagem leve para aproveitar a tarde e a noite com os amigos. Sua personalidade enérgica e extrovertida brilhou o tempo todo, contagiando quem estava próximo. Sabia que a yukata de cerejeira lhe caía bem e quase dava pulinhos de alegria sempre que via Sota na multidão. No início, pensava que Shiro era irritante, mas depois começou a provocá-lo também e os dois rangiam os dentes enquanto riam festival a fora. Não se intimidava com os olhares que os amigos de Setsuo e continuou puxando Haru de um lado para o outro, animada com as infinitas possibilidades de diversão.
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TATSUO HARU
"É difícil andar com essas sandálias!" Haru entendia o porquê dos passos curtinhos das japonesas antigamente. "Impossível abrir as pernas com as yukatas e esses calçados de madeira não deixam os pés dobrarem!"
- Cuidado para não tropeçar. – Shiraishi Setsuo estendeu o braço para ela se equilibrar. Estava bem-humorado após as negociações da noite anterior. – Foi bom termos saído com antecedência.
À medida que se aproximavam do templo do festival, a multidão adensava. Haru sentia a atmosfera animada e estava ansiosa para encontrar os amigos.
"É só questão de costume." Em Nara, ela nunca vestira trajes tradicionais para os festivais, mas resolvera arriscar em Sendai por ser o uniforme da cafeteria. "Realmente, o corpo precisa se mover diferente... Ao invés das pernas, os quadris e os ombros trabalham mais." Ela se apoiou no namorado, a atmosfera calorosa os envolvendo.
- Keiko-chan disse que estaria perto da entrada. – ela informou quando eles passaram pelo primeiro torii. As escadas estavam apinhadas de pessoas. – Tem muitas barraquinhas aqui na rua!
- É um dos maiores festivais de Sendai. – Shiraishi apontou para o mapa no quadro de avisos que explicava as atrações. – Muita gente prefere ver os fogos de artifício do lago ao invés do topo do templo. Com o passar do tempo, o festival se estendeu para a parte de baixo também. Quando eu era menino, o festival era menor e concentrado na porta do templo.
- Qual você prefere, Setsuo-san? – ela estava feliz pela mão dele segurar a dela com firmeza, dando apoio para a caminhada desafiadora. "Ou morro acima ou rua abaixo... De qualquer forma, teremos que descer e subir se quisermos ver todas as atrações."
- Já os vi das duas formas. No lago, nós vemos o reflexo do céu e é muito bonito. No templo, parece que estamos flutuando com os fogos, mas a roupa fica suja de fuligem. – Haru franziu o cenho, pensativa. – Que tal irmos até lá em cima agora e encontrarmos o pessoal? Depois descemos até o lago. – ela assentiu, agradecendo pelos degraus não serem altos.
SUGAWARA KOUSHI
Os cinco caminhavam pelo corredor das barraquinhas, conversando amenidades.
- Esse templo consegue me surpreender todos os anos! – Himeno Sumi comentou, apontando as miko recepcionando as pessoas e cuidando de algumas das atrações.
- É outro nível de organização. – Shirasawa Hina, namorada de Izumi, concordou. As duas ficaram juntas no meio do pequeno grupo, com os namorados as ladeando. – Que tal irmos fazer as orações logo, antes que fique mais cheio? Depois podemos passear com calma.
- Quero fazer um pedido. – Kazutoyo Sota disse, impecavelmente vestido num traje tradicional completo em tons de marrom e dourado, enquanto seus amigos vieram com roupas sociais modernas. "Ainda bem que ele não se importa em andar sozinho com dois casais."
- Vamos cumprimentar o Kami do templo, fazer nossos pedidos e depois alimentarmos nossos desejos mundanos. – Murakami Izumi afirmou, provocando risos abafados em Hina.
Koushi viera ao festival em Sendai com seus pais quando criança. Se lembrava de ver as luzes coloridas dos fogos entre as árvores do templo e de ganhar uma raposinha branca de pelúcia.
- Vamos ver os fogos do lago, então? – ele perguntou e todos assentiram. Havia pouca gente na fila para tocar o sino. – O que você vai pedir, Sumi-chan? – assim que fez a pergunta, percebeu que ela olhava por cima de seu ombro. Seguiu seu olhar até o pequeno grupo ao lado da casa da administração. "Shiro e Keiko, nada demais... Aaahh... e eles."
TATSUO HARU
Não fora difícil localizá-los ao lado da fonte sagrada. Matsusaki Keiko chamava a atenção com uma yukata azul-clara pontuada por dezenas de flores de cerejeira. Inoue Shiro a viu primeiro, vestindo um quimono verde-escuro com um cinto preto que lhe deu um ar de seriedade.
- Hotaru-kun disse que iria ao festival em outro templo, mais perto do seu trabalho. – o amigo respondeu ao questionamento silencioso de Haru ao olhar ao redor.
- Vocês viram como está cheio? – Keiko teve que aumentar o volume da voz, apesar do sorriso dela denunciar a excitação. – Acho que nunca estive num evento tão grande!
- Keiko-chan já comeu espetinho e atirou com arco e flecha e espingarda de ar. – Shiro comentou.
- Shiro-kun faz essa voz de tédio, mas me acompanhou e deu dicas de como aproveitar a brisa a meu favor! – Keiko o provocou de volta.
- Que tal irmos ao templo primeiro? – Haru propôs, querendo chegar ao extremo do festival e depois descer até o outro extremo, na beira do lago. – Setsuo-san disse que o Kami daqui é muito bom em atender pedidos. – o namorado se distanciara deles para falar com dois amigos.
Haru acenou e os três se aproximaram, concordando em seguirem juntos. Ao lado de Shiraishi iam os amigos, conversando sobre o mercado de trabalho norte-americano. Do lado de Haru, Shiro e Keiko e o assunto eram os boatos sobre as próximas etapas após o retorno às aulas e o que precisariam ter pronto desde o primeiro dia.
Eles caminhavam devagar, vendo a diversidade das atrações e comidas nas barraquinhas. Os olhos de Haru atentos à multidão e às cores e brilhos. Era um lugar onde toda a comunidade se reunia e ela queria captar cada momento.
- A fila não está grande. – Shiro observou com alívio. – Vai ser mais fácil caminhar no contra-fluxo. – ele piscou para Haru, que ergueu as sobrancelhas muito satisfeita consigo mesma.
SUGAWARA KOUSHI
"Por que esse comportamento?" Koushi pensava, enquanto os dois se postavam diante do templo, tocavam o sino e batiam palmas para iniciar a oração. Olhou de soslaio a namorada, parecendo tão serena com os olhos fechados. "Kami-sama, me ajude a entender as mulheres!" Quando percebeu onde estava, sacudiu a cabeça para se concentrar no que realmente queria pedir.
Nem bem ele finalizara a oração, Himeno o puxou pelo braço para longe, habilmente tapando sua visão da fila. Os amigos os esperavam no varal de pedidos, escolhendo onde pendurar as tabuinhas de bambu.
Assim que vira os colegas de turma, seu impulso fora acenar para eles, mas a namorada segurou sua mão com força e perguntou abruptamente se ele iria se comportar na próxima semana, quando ela estivesse na reunião da editora em Tóquio. Como esperado, Izumi e Sota pegaram no seu pé, garantindo que o vigiariam. Hina também entrou na provocação e quando ele conseguiu olhar para trás, eles estavam distantes na fila.
- Tem muita gente da faculdade aqui. – Izumi comentou apenas para ele, antes de se juntar à namorada e Sota na postura de oração. – Não sei o que faremos.
"Claramente, não é consigo que Izumi está preocupado. Hina está mais do que habituada a falar com os colegas de turma dele." Assim que se viraram para iniciar o caminho de volta, veio o chamado e ele sentiu a mão de Himeno apertar com muita força os seus dedos.
- Sota-kun! Izumi-kun! – Keiki acenava alegremente para eles. - Suga-san! Hina-chan!
TATSUO HARU
- Eles são tão lindos juntos!
- Ele tirou a sorte grande, isso sim! Olha essa mulher!
- Aaaahh, esses cabelos cinzentos parecem macios.
- Ele parece o cachorrinho dela.
Haru não tinha objeções a nenhum dos comentários que ela captava do grupo de colegas do seu clube de vôlei à frente deles na fila. Koushi e Himeno iam com os braços entrelaçados, alheios ao burburinho. Ou assim parecia.
"Elas cumprimentaram Setsuo, mas fingiram que não me viram." Ela olhou para o namorado, bastante interessado na história de um dos amigos com uma startup estrangeira.
- Às vezes, estamos tão ansiosas que não conseguimos enxergar direito, não é Shiro-kun? – Keiko tentou remediar a situação. Shiro sacudiu a cabeça em concordância, olhando sério para as garotas, que continuavam sem se importar.
- Tudo bem, não somos próximas. – Haru tentou minimizar. - Elas podem falar com quem quiserem fora do clube.
- Se minha irmã fosse a capitã, as faria correr 100 voltas ao redor do ginásio! – Shiro afirmou alto. As garotas continuaram suas risadinhas.
- Shizue-senpai estará na casa dos seus pais na semana que vem? – Haru se animou com a possibilidade de troca de assuntos. – Vou comprar uma lembrancinha para você entregar a ela!
- Você não vai para casa nem na última semana, Haru-chan? – Keiko ainda não conseguia acreditar no desprendimento da amiga.
- Vou no recesso de final de ano. Preciso aproveitar o verão para ganhar um pouco mais na cafeteria. – a loira fez beicinho. – Nós nos falamos várias vezes por vídeo-chamada.
- Ah!, agora eles vão nos ouvir! – Keiko exclamou, seus olhos bem abertos para o varal das tabuinhas. Ergueu os braços e gritou os nomes deles.
SUGAWARA KOUSHI
O grupo de Koushi se aproximou para cumprimentá-los.
"Nos tornamos mais que colegas de turma a essa altura... Depois da troca dos grupos passamos muito tempo juntos." Sua namorada sorriu para as amigas do clube de vôlei e ele agradeceu silenciosamente por isso. "Haru está realmente bonita com essa yukata amarela, rosa e verde, como um dia de sol na primavera... Sumi preferiu uma estampa de flores de ameixeira e também ficou bom... Acho que tenho uma queda por yukatas." Ele e o capitão Shiraishi se cumprimentaram com leveza, comentando sobre o último treino do time antes do recesso.
- Miyo-chan também disse que iria a um festival mais perto do trabalho dela. – Izumi observou, piscando de forma suspeita para Sota, que deu de ombros. – Hotaru-kun não trabalha no mesmo prédio que ela? – mas não havia clima para pequenas fofocas inocentes.
- Poderíamos ter marcado de virmos juntos! – Keiko olhava com insistência para Sota. – Vocês não me disseram nada, Sota-kun e Izumi-kun.
Koushi queria rir das expressões desconcertadas dos amigos, se não tivesse que decifrar o motivo do repentino mau-humor da namorada.
- Vocês chegaram há muito tempo? – Shiraishi questionou após apresentar os amigos aos recém-chegados.
- Não, decidimos vir primeiro até o templo antes de voltar com calma para o lago. – Koushi respondeu, tentando parecer natural mesmo com a mulher ao seu lado os ignorando para falar com o grupo das colegas de time. "Ela os chamou pelo nome e os cumprimentou antes de se afastar... Falou com todos, menos com Haru."
- Nós faremos o mesmo. – Shiro comunicou, seu tom mais nervoso que o normal. – Mas acho que ainda vamos demorar aqui. – ele olhou para Koushi e depois Izumi e Hina. - Não se prendam por nós! – "Mais claro, impossível."
- Podemos ir juntos, sim, Keiko-chan! – a declaração de Sota fez todos se assustarem. Ele se aproximara de Keiko e os dois trocaram alguns cochichos. – Vamos manter contato e iremos embora juntos, sim. – Koushi ouviu as respirações aliviadas.
- Sumi-san, estamos indo. – Hina, que subiu vários pontos com Koushi nessa noite, chamou Himeno. A ace sorriu, se despediu dos mesmos nomes que cumprimentara e foi em direção às barraquinhas de comida.
- Acho que alguém vai ganhar uma coleira com GPS de presente. – Izumi debochou, falando no ouvido de Koushi, que se despediu às pressas antes de se afastar também.
TATSUO HARU
- Aqui está bom? – Keiko apontou para um lugar onde poderiam estender a toalha, na borda do lago escuro. – A lua está nova, então veremos os fogos com nitidez, mesmo se alguém ficar na nossa frente.
- Meus pés estão me matando! – Haru tirou as sandálias de madeira e, sem se importar com a moda, as trocou pelos tênis que trouxera na mochila. – Andar devagar e parando é pior que correr uma maratona. – Shiro riu, insistindo para ela esticar e alongar os pés antes de calçá-los novamente.
- Será que Setsuo-san vai conseguir nos encontrar? – ele olhou em volta, vendo a quantidade de gente. – Ele insistiu em ir até a administração com aqueles amigos otakus... – Haru suspirou, tomando um grande gole de água.
- Depois de um início meio tenso, até que foi divertido, não foi? – Keiko se sentou ao lado deles, cuidando para não amassar a yukata de cerejeira que arrancara um elogio involuntário de Sota ao cumprimentá-la. – Vejam as fotos que tiramos! Olha você tentando pescar algo, Shiro-kun!
- E você quase caiu fazendo amizade com os peixinhos, Keiko-chan. – Shiro a cutucou, igualmente animado.
As fotos rodavam no celular de Keiko e Haru tinha que admitir que fora muito divertido. Eles riram, comeram, trocaram fofocas sobre conhecidos que viram de relance, cumprimentaram outros, falaram das aulas, das famílias, dos festivais em cada cidade natal e fizeram planos de novos encontros. Shiro contou como era seu novo grupo e ficou indignado quando Keiko o comparou com Izumi. Fora uma noite muito agradável com os amigos e o namorado.
"Só que assim que as distrações param, as emoções daqueles momentos voltam." A sensação de vazio e de ser invisível, de impotência e raiva surgiam na boca do estômago e ela sentia seu peito arder. "Eu devia ter previsto algo assim... Elas têm feito isso na sala do clube e na universidade... Mesmo não sendo a primeira vez, é desagradável para quem assiste."
- Haru-chan, não é melhor avisá-lo onde estamos? – Keiko a trouxe de volta ao presente. – Não tenho o contato de Setsuo-san.
- Esse clima me faz lembrar de casa. – a voz de Shiro ficou nostálgica. Ele comentara como sua família gostava de ir a todos os festivais nos templos perto da casa deles. – É a primeira vez que não estou com a minha irmã.
- Você não parecia tão apegado à família assim, Shiro-kun. – Keiko comentou, tirando fotos com o celular. Shiro ergueu as sobrancelhas e emitiu um meio sorriso.
- Eu sou um homem de família, Keiko-chan.
- Setsuo-san pediu para comprar takoyaki para ele e os amigos. – Haru informou após a troca de mensagens. Shiro e Keiko ergueram as sobrancelhas.
- Ele mesmo pode passar na barraquinha no caminho para cá. – Haru negou com a cabeça.
- Eles ainda estão conversando com os monges. – agora as sobrancelhas dos dois franziram. – Eu vou lá. Estou de tênis agora, não vou demorar.
SUGAWARA KOUSHI
- Sem incidentes. – Sota constatou. Ele e Koushi vinham com sacolas de bebidas, dangos e espetinhos variados. Desviavam da multidão que se aglomerava na beira do lago para a explosão dos fogos. – No próximo ano, será diferente.
- Você esteve calado quase a noite toda, Sota-kun. – Koushi desviou de três crianças que quase se chocaram com as sacolas. – Não se divertiu? – o amigo o olhou em confusão.
"Pensei que ele tinha gostado de passar um tempo longe do vídeo game... Nos últimos tempos, Sota tem ficado mais próximo de nós. É o primeiro que nos convida para sair... Hoje se esforçou para participar das brincadeiras de Izumi... Até com as garotas ele conversou tranquilamente."
- Coletei dados. – a confusão passou para Koushi. – Passei um tempo precioso com dois casais. No ano que vem, seremos três casais. – a convicção dele não deixava brecha para dúvidas ou objeções. – Ou, talvez, cinco, se as minhas observações forem assertivas.
- Cinco? – a voz de Koushi saiu aguda de espanto. – De onde veio essa previsão?
- Keiko-chan! – Sota apontou para um banco na margem do lago. "Ele a reconheceu pelo cabelo ou lembrou da yukata de cerejeira?" – Keiko! – ele falou mais alto e elas olharam. Os olhos de Koushi foram imediatamente atraídos para os castanho-claros e arregalados de Haru. Ele engoliu em seco, sem saída a não ser seguir o amigo e se aproximar. – Vocês estão sozinhas?
- Setsuo-san e os amigos estão na administração falando sobre aplicativos para celular com os monges. – Keiko respondeu, abrindo um grande sorriso ao vê-los. – Shiro-kun foi comprar takoyaki. Que bom que nos reencontramos! – "Esse é o terceiro casal?" O pensamento passou como um raio pela periferia da mente de Koushi porque todo o centro estava tomado pelo mal-estar que sentia após ter tentado ignorar o que presenciara no início do festival entre Himeno e Haru.
- Você trocou? – ele apontou para os tênis destoantes. Se arrependeu no instante em que perguntou. "Devia perguntar se ela está bem e pedir desculpas." Haru também se levantara para falar com eles e ofereceu um meio sorriso a ele.
- É tão esquisito assim? – Koushi sentiu o rosto queimar de vergonha e negou rapidamente. – Os meus pés estão com bolhas por causa das sandálias de madeira. – ele abriu a boca para falar, mas sua voz foi abafada pela explosão dos primeiros fogos de artifício.
- Hanabi! – as crianças próximas gritaram e a multidão suspirou, balbuciando exclamações.
TATSUO HARU
"Mágico!"
Haru via a superfície lisa do lago refletindo as formas e cores dos fogos e se sentia imersa num universo de luzes e suspiros. A cada nova explosão as pessoas ao redor prendiam a respiração ou murmuravam sua maravilha pelo espetáculo. Ela, por outro lado, estava muito ciente das companhias ao seu lado.
Pelo canto esquerdo, via que Sota virava ostensivamente a cabeça dos fogos para Keiko. A amiga, com sua expressão infantil de admiração característica, permanecia alheia àquilo tudo. "Esses dois... Se Shiro estivesse aqui, estaria rindo da situação."
Seu canto direito via o rosto de Koushi colorir-se ao refletir as cores dos fogos. Os olhos dourados muito abertos e os cabelos cinzentos parecendo solenes, a silhueta pálida recortada do fundo escuro e indistinto da multidão. Ela engoliu em seco, querendo olhar o espetáculo de luzes e sendo atraída várias vezes para ele. Em uma dessas idas e vindas oculares, ela o pegou a observando de rabo de olho também. Seu coração deu um pulo até o alto da cabeça e voltou, batendo enlouquecido.
Ele falou algo que ela não entendeu. Ele repetiu, mas o som das explosões impedia sua voz de chegar a ela. Então, ela se aproximou dele e ficou na ponta dos pés.
"O perfume amadeirado, com um toque de fumaça, que me perturba." Ela respirou fundo, o que foi um erro. Ao invés de se preparar para as imagens eróticas e aleatórias, o perfume entrou mais em seus pulmões.
SUGAWARA KOUSHI
"Ângulo perfeito!"
Koushi deu um passo para trás, querendo vê-la com os fogos explodindo ao fundo. Um único neurônio tentava recriminá-lo por não estar ao lado da namorada. Dois outros registraram a curiosa interação de Sota e Keiko, falando baixinho no ouvido um do outro. Todos os outros milhões trabalhavam para gravar as nuances e sensações daquele momento.
As cores refletidas pela pele clara, as pálpebras movendo-se rápidas para não atrapalhar a visão dela, o rosto inclinado para cima e o perfume doce e floral que a brisa trazia às suas narinas. Ele sentia seu coração pressionando suas costelas, suas pupilas totalmente abertas para captar os mínimos detalhes.
Claro, ele não poderia se virar e ficar encarando-a, então lançava olhares furtivos.
Quando os dois soslaios se encontraram, não conseguiram desviar. Inspirado, ele lhe revelou como era mágico assistir aos fogos de artifício naquele momento e lugar. Haru sinalizou que não ouvira e ele pigarreou, repetindo como estava feliz por ver os fogos esse ano. Novamente, ela não ouviu. Ele piscou e deu um passo a frente ao mesmo tempo em que ela dava um para trás e se esticava, colocando seus rostos a milímetros de distância.
- No próximo ano, não vou deixar seus pés se machucarem. – ele murmurou, se surpreendeu com as próprias palavras e mais ainda com os dedos de Haru, tocando de leve seu peito em busca de apoio para manter o equilíbrio. Ela ergueu o rosto completamente vermelho para ele e seus olhos pareciam brilhar intensamente.
Assim que pensou que estava tudo bem, um braço apareceu e a puxou para longe. Ele ouviu gritos ao seu lado e um tapa em seu rosto, mas, estranhamente, a única coisa que passava pela sua cabeça era:
"Ela me tocou e não veio nenhuma lembrança."
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Notas Finais
GUETAS – As sandálias tradicionais de madeira japonesas são chamadas de 'geta' (coloquei gueta por ser mais fácil de saber como ler o "g"). Tem uma base de madeira elevada e uma correia de tecido que prende o pé.
YUKATA – é um quimono de verão informal, de camada única, sem forro, e muito popular na temporada de festivais de verão no Japão.
TORII – é um portão vermelho tradicional que simboliza a entrada de um santuário xintoísta ou templo budista.
MIKO - no tempo ancestral, significava "xamã feminina; sacerdotisa" e atualmente significa "noiva de santuário; virgem consagrada a uma deidade" que serve a santuários xintoístas.
DANGO – bolinho feito de arroz glutinoso, açúcar e água. Servido em espetinhos de três ou cinco bolinhos, às vezes coloridos.
TAKOYAKI – literalmente polvo frito ou grelhado. Um bolinho popular de formato redondo, feito com massa de panqueca recheado com polvo.
HANABI - literalmente "flor de fogo". Refere-se aos fogos de artifício, presentes nos festivais de verão.
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Olá!
Eu adoro episódios de festivais, então tinha que ter um aqui também. ;-)
Sei que exagerei nos efeitos das getas, mas calçados com solado rígido doem os pés mesmo... rsrsrs!
Quando escrevo, deixo os personagens livres para agirem e isso ocasiona resultados inesperados até para mim. Eu queria que o final do capítulo fosse apenas fofo e romântico, mas acabou em suspense e confusão. Também, os dois protas estavam brincando com o perigo! Se bem que, numa situação como a deles, a gente nem pensa no que está fazendo. É tudo muito rápido.
O que será que aconteceu?!
Saberemos em breve!
Beijos,
Jasmin
