CAPÍTULO 16: Os Desafios de Voltar à Normalidade

Notas Iniciais

O elenco desse capítulo é:

TATSUO HARU – os cabelos pretos e curtos na altura das orelhas realçam o rosto delicado da nossa prota feminina. Os olhos castanho-claros são muito vivos e atentos. Para os treinos, ela usa shorts e camiseta mais folgados do que o uniforme do time, duas joelheiras e duas cotoveleiras. Adquiriu o hábito de se trocar imediatamente após o treino, senão só andaria de pernas de fora e camiseta suada. Ela evita calças jeans, preferindo vestidos e saias. Estava muito preocupada com a reação do namorado depois do festival, pois sabe que ele age por impulso e não se importa de usar a sua força. Ficou com mais receio ainda após esse capítulo.

SUGAWARA KOUSHI – os olhos dourados e cabelos cinza-claros do nosso prota masculino já faziam sucesso com as garotas no ensino médio, mas ele só tinha tempo para vôlei e estudos. Sua roupa de treino não mudou: shorts, camiseta simples e uma joelheira na perna direita. Dependendo do seu destino após o treino, ele pode ir para casa de moleton, calça jeans ou roupa social. Está muito confuso sobre seus sentimentos e a reação da namorada causou uma impressão forte nele. Decidiu "cortar o mal pela raiz".

KOBAYASHI MARYU – os olhos pretos da capitã do time feminino estão sempre brilhando de determinação. Seus longos cabelos também pretos amarrados num rabo-de-cavalo firme e a postura altiva a revelam como uma figura importante para qualquer um que olhe. Ela é a veterana mais antiga do time. Gosta de doces, mas se contém por causa do vôlei. Está sempre atenta para manter a harmonia e o equilíbrio da equipe, auxiliada pela vice-capitã. Atua como conselheira sempre que possível e demonstra ser acessível, principalmente com as novatas. Noiva do segundo ace do time masculino. Os dois estão na mesma turma do quarto ano de Engenharia Civil e vão morar na China no próximo ano, após a formatura. Ela mora com os pais e tem um irmão mais novo.

INOUE SHIRO – seus olhos pretos amendoados, cabelos pretos cuidadosamente despenteados e sorriso radiante são imãs para as garotas. Ele é irmão gêmeo da ex-capitã de Haru no ensino médio e tem personalidade leve e descontraída, embora não converse sobre sua vida pessoal. O amigo que veio com Haru desde Nara está sempre ao lado dela, a ponto dos amigos desconfiarem que ele é apaixonado por ela. Seu modo de falar indireto causa irritação e mal entendidos. Apesar de não estar em nenhum clube, suas habilidades vão aparecendo pouco a pouco na história.

SUGIMOTO YUMI – a levantadora titular do time feminino tem um rosto redondo amigável emoldurado por cabelos vermelhos cortados assimétricos e olhos castanhos-chocolate puxados. É a vice-capitã há 3 anos e a veterana que se aproximou primeiro de Haru. À medida que a kouhai se soltava em quadra, as duas ficaram mais próximas. Foi a veterana quem apontou o dela potencial para a treinadora. Amiga de infância do líbero do time masculino, Tateyama Shiguedomi. Os dois são vistos juntos pelo câmpus, a ponto da maioria assumir que eles são namorados. Estudante do 3o ano de Economia, ela sonha com um emprego público para poder desenvolver suas pesquisas na área de economia doméstica alimentar.

TREINADORA – olhos castanho-claros e longos cabelos ruivos, que ela modela com chapinha para ter cachos nas pontas, mantendo-os num rabo-de-cavalo. Foi a melhor ponta de sua época de faculdade e permanece cultivando músculos fortes. Sua personalidade dominadora e postura altiva fazem as jogadoras a respeitarem à primeira vista. É amiga do treinador do time masculino desde o ensino médio. Quer o título nacional a qualquer custo.

SHIRAISHI SETSUO - olhos e cabelos pretos, cortados repicados, que ele realça com pomadas todos os dias. Capitão e ace do time masculino de vôlei. É alto, um corpo com músculos definidos e grande força física. Ele tem o salto mais alto do time. Duas paixões: vôlei e desenvolvimento de aplicativos para celular. Quando ele terminou a conversa com os monges no festival é que viu a mensagem da namorada informando que ela havia ido embora mais cedo. Sua confusão não durou muito porque logo abaixo havia três mensagens – de duas ex-namoradas e de Himeno – contando sobre terem visto Haru e o levantador reserva quase se beijando. Até chegar à casa dela, verificou a verdade com outros conhecidos. Mesmo assim, decidiu mostrar a ela quem era seu homem, para o caso dela esquecer novamente, dessa vez com força suficiente para ela se lembrar no dia seguinte.

KAZUTOYO SOTA - o Misterioso tem olhos castanho-claros, cabelos pretos partidos ao meio e uma expressão indecifrável que os amigos sabem ser uma farsa. Usa óculos retangulares de armação preta. Veste apenas ternos completos, impecavelmente limpos e passados. Sua mente trabalha tão rápido que ele se sentia entediado quase o tempo todo até conhecer seus atuais amigos da universidade, que estão sempre trazendo preocupações para ele. Nesse capítulo, um deles lhe trouxe uma emoção nova: a vontade de socar a cara de alguém na vida real.

MORI HOTARU - olhos azuis ficam atrás de óculos sem aro e cabelos cortados na máquina dois. Tem uma presença física imponente e intimidadora com seus 1,97m (o mais alto da sala). Músculos forte e ombros largos. É quieto e raras vezes se ouve sua voz profunda e grave, embora ele seja gentil e delicado com os amigos. Bastante observador, foi o primeiro a notar o bullying contra Haru e tomar providências.

MURAKAMI IZUMI – o Popular tem olhos pretos e cabelos castanhos com corte assimétrico. Desenvolto em conversar com o sexo oposto, exibe covinhas nas bochechas quando sorri. Usa dois brincos na orelha esquerda, o que causa desgosto em seus pais. Foi o responsável por unir Koushi, Sota e Miyo. Tem as melhores notas do curso. Ao ver Koushi se comportar de forma estranha, obrigou Sota a lhe contar tudo. Obrigou Sota a arrombar a porta de Koushi para falar a sério com ele sobre seu pensamento distorcido.

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TATSUO HARU

"Eu sabia que estaria assim." Haru calçou suas meias mais macias e os tênis mais velhos para não perturbar a paz das bolhas que ameaçavam se rebelar. Caminhava devagar, evitando calçadas acidentadas. "Nada além de alongamento e fortalecimento muscular para mim hoje."

Apenas os alunos com atividades dos clubes estavam no campus, de modo que o ambiente da universidade era estranhamente silencioso. A biblioteca também estava aberta. Ela pensou em ir até lá ao final do treino.

"Ou até quando eu aguentar ficar... Não sei como será a recepção depois do que aconteceu... Com certeza, a senpai espalhou a sua versão para todas..." A garota pegou um atalho entre o campo de atletismo e o prédio dos laboratórios, diminuindo a velocidade ao ver três colegas trocando os tênis antes de entrar no ginásio. Suspirou fundo, apertando as alças da mochila e empinando o nariz. "Não há nada que eu possa fazer quanto a isso, então não tenho que me preocupar... Preciso apenas agir como sempre."

SUGAWARA KOUSHI

O alarme soou e Koushi resmungou.

- Apenas mais 12 horas... – ele espreguiçou embaixo do lençol, seu corpo ressentido pelas poucas horas de sono. O alarme o avisou que 10 minutos haviam se passado e ele não teve outra opção.

Ao espalhar o creme para barbear, sentiu sua bochecha ainda dolorida onde fora atingido na noite anterior. Suspirou cansado, considerando seriamente faltar ao treino hoje.

"Sei que muita gente do time estava lá e viu o que aconteceu. Estou com paciência para responder à curiosidade alheia?... Eu sou um idiota!" Nem prestou atenção à xícara de chá e aos biscoitos que mastigou. "Que vergonha!" Sentiu as orelhas esquentarem ao se lembrar da expressão de fúria de Himeno após desferir o tapa. "No final, consegui conversar com ela, mas mesmo assim... Eu não sei o que está acontecendo comigo!"

- Está desatento hoje, Sugawara-kun. – o comentário da vizinha acordou sua atenção. – Cuidado nas escadas!

- Desculpe, Suzuki-san. – fez uma reverência apressada. Quase tropeçara no vaso de planta que ela acabara de colocar na porta de casa.

TATSUO HARU

- Como estão os pés? – a capitã Kobayashi Mayu se aproximou num dos intervalos do treino. Pareceu genuinamente preocupada quando Haru pediu à treinadora para ficar de fora das partidas. – Guetas podem ser difíceis se você não estiver acostumada.

- Tem uma primeira vez para tudo, Mayu-senpai. – Haru parou sua sessão de exercícios de deslizamento. – Desculpe não conseguir participar hoje. – a capitã fez sinal de que estava tudo bem.

- É melhor você estar 100% nas eliminatórias. – Kobayashi entregou-lhe uma garrafa d'água. – Você está desatenta. – os olhos escuros voltados para as garotas descansando do exercício.

"Ela sabe." Haru comprimiu os lábios. A capitã era a jogadora mais antiga e passara por muitas formações do time. Sua habilidade de liderança era incontestável. Além disso, era uma das únicas que ainda conversava com Haru normalmente. "Como vou explicar?"

SUGAWARA KOUSHI

- Sugawara-kun, o que acabamos de conversar? – o treinador falou alto, sinalizando para o jovem se aproximar. A bola passara entre seus braços. Pela terceira vez. – Vinte voltas ao redor do ginásio! – Koushi assentiu com o pescoço duro, sem olhar para os lados. Passou ao lado da quadra onde o time principal jogava e ouviu a voz do capitão.

"É questão de tempo até ele saber... Devo me adiantar e falar com ele?... Mas se eu fizer isso posso complicar as coisas para Haru." O ar estava quente e o sol ofuscou sua visão. Ele travou a mandíbula e fechou os punhos. "Por que eu me deixei levar? Tenho certeza de que aquelas sensações são por causa do que aconteceu naquela noite. Não têm nada a ver com o presente... Nós estamos com outras pessoas agora."

Sua mente repetia a imagem de Matsusaki Keiko puxando a garota antes do tapa de Himeno o acertar e a confusão que se seguiu. Os olhos da namorada estavam arregalados e as narinas abertas pela raiva. Quando ela ergueu a mão para dar outro tapa, Kazutoyo Sota segurou seu braço. Koushi ainda podia ouvir os cochichos próximos.

- O que está acontecendo aqui? – ele ouvira Inoue Shiro perguntar, espantado.

- Sugawara-kun. – ouviu a mesma voz o chamar quando passou pelo corredor de acesso ao prédio das salas de aula. – Precisamos conversar.

TATSUO HARU

- Mayu-chan, precisamos melhorar a recepção das kouhai que jogarão as eliminatórias. - Sugimoto Yumi, a levantadora titular, se aproximou das duas. – Que tal pedirmos Sumi-chan para cuidar disso? Não se esforce demais hoje. – ela piscou alegre para Haru. – Também precisamos fazê-las pular mais alto. – levantou os braços e pulou. – Elas têm capacidade.

- Que tal um treino de cortadas? – a capitã ponderou. – E, na parte final, duplas? – Sugimoto assentiu, movendo os quadris de um lado para o outro e mudando o peso de uma perna para outra. – Vou falar com a treinadora.

"Ela é a mais ativa e comunicativa do time. Tem a mesma facilidade de interação de Sugawara... Droga!" A comparação trouxe de novo a cena da noite passada. "Eu tinha conseguido esquecer focando na minha respiração..."

- Não é nada, Shiro-kun. – ela se desvencilhara da mão de Keiko e respondera ao amigo que chegara em meio à confusão. – Eu me desequilibrei por causa das bolhas nos pés e me apoiei em Sugawara-san sem querer. – Himeno tinha uma expressão de raiva e confusão ao olhar para ela, que evitou a todo custo olhar para Koushi.

- Haru-chan, qual o ângulo da sua abertura de perna? – a levantadora perguntou. – Vi que você balança de um lado para o outro depois de abrir 180 graus. Isso é incrível!

- Que tipo de pergunta é essa, Yumi-chan? – a capitã a olhava incrédula.

- Haru-chan é a mais flexível, então quero aprender o segredo dela. – Sugimoto piscou de novo para Haru, que balançou a cabeça fingindo descrença, apesar de emitir um leve sorriso.

SUGAWARA KOUSHI

"O que eu faço se ele desmaiar?" Koushi observava a inaptidão de Shiro para atividades físicas. Ele sequer conseguia manter os braços no lugar certo, balançando-os desajeitadamente ao lado do corpo.

- Não... pode... ir... mais... devagar? – Shiro arfava, respirando ruidosamente pela boca.

- Faltam quatro voltas. – Koushi sinalizou com os dedos, vendo o rosto vermelho e suado do sujeito. – Por que está me acompanhando? Já disse que conversaremos quando o treino terminar.

- Depois que... entrar no... ginásio, vai me ignorar. ... – Shiro sofria para acompanhá-lo há duas voltas. - Você... é completamente... insensível... Não sei... o... o que ela... viu em... você!

Koushi parou de chofre ao ouvir isso, fazendo Inoue trombar com ele e quase derrubar os dois na calçada.

- Você conseguiu. – informou, ajudando o colega a se endireitar. - Tem toda a minha atenção.

- Então, é como eu pensei. – Shiro declarou, passando a mão pelos cabelos para afastá-los da testa. – Ela não se desequilibrou. – não havia qualquer sinal de cansaço em sua voz e a respiração estava normal. Koushi franziu a testa. – A minha irmã me fez correr pelas colinas de Nara desde que eu aprendi a andar.

- Você deveria ser ator e não professor. – Koushi crispou os lábios, desgostoso por ter sido tão facilmente enganado. – Vai me dizer o porquê de estar aqui? – o queixo erguido para o sujeito da mesma altura que ele.

TATSUO HARU

"Não foi tão ruim... Não ouvi nenhum comentário sobre o incidente." Haru e Ibaraki Aiko, a líbero titular, guardavam a rede da quadra secundária em silêncio. "A atitude de Ibaraki melhorou bastante. Quando comecei a ensiná-la, ela protestou com tanta veemência..."

- Aiko-chan, - Himeno a chamou assim que as duas saíram do depósito do ginásio. – nós vamos ao shopping. – apontou para as três jogadoras ao seu lado. As mesmas da fila do Festival.

A líbero assentiu, saindo sem nem olhar para Haru.

- Como estão os pés? – a aparição repentina da treinadora a assustou. Vinha acompanhada de uma mulher com jaleco branco. – Pedi à dra. Akiyama, chefe do departamento de ortopedia, para examiná-la.

- Queimando um pouco. – Haru foi sincera. As eliminatórias estavam muito próximas para fingir. – Assim que chegar em cas...

– Pedi à ela para vir até aqui. – a treinadora indicou que entrassem em seu escritório. - Nós jogaremos em três semanas. É imprescindível que todas permaneçam saudáveis.

Haru suspirou, envergonhada enquanto expunha as bolhas à médica. Era o mesmo tipo de vergonha que sentira ao ser acompanhada, sob um silêncio esmagador, até em casa pelos amigos.

"Viver é perigoso."

SUGAWARA KOUSHI

- A indecisão não é um bom estado de espírito. – Shiro o irritava com sua linguagem indireta. – Aos poucos, corrói a determinação e o espírito. Torna as pessoas fracas e inseguras, suscetíveis aos desejos dos outros e à conveniência do momento. - Koushi, fazendo alongamentos para manter a temperatura do corpo, ergueu as sobrancelhas. - O problema maior começa quando essa indecisão afeta os outros.

"Do que ele está falando? E por que precisa falar aqui e agora?" Koushi distinguia o leve tom de rispidez na voz do colega.

- Não acredito que seja para tanto. – ele afirmou, encarando Shiro. – Foi apenas um mal-entendido que foi resolvido ali mesmo. – foi a vez de Shiro ergueu as sobrancelhas, antes de rir.

- Quem foi que entendeu mal o que aconteceu? – perguntou, rápido e cortante. – Nós não nos conhecemos o suficiente para eu me atrever a dar conselhos, entretanto, não pensei em você para acordar cedo na véspera do retorno às aulas. – Shiro se aproximou mais, impedindo Koushi de continuar os exercícios. – Não há nada pior do que um sujeito que não assume as responsabilidades e se esconde atrás de situações circunstanciais. Você não sabe o que aquela garota passou para chegar até aqui. Se você não quer se comprometer, é melhor se afastar.

Não havia raiva nos olhos escuros, embora o comando na voz fosse inconfundível. Koushi sentiu sua garganta fechar e sua respiração ficar rasa e rápida. Conseguiu manter a muito custo sua expressão impassível.

- Não sei o que...

- Não quero parecer presunçoso ou algo do tipo, Sugawara-san. – Shiro o cortou, ainda mantendo contato visual. – Só não posso tolerar que ajam como tolos em situações que não são tolas. Em Nara, temos um ditado que diz "um corvo não escolhe seu mestre". Não deixe passar essa lição.

TATSUO HARU

Haru aproveitou a biblioteca deserta para relaxar. As bandagens e medicamentos fizeram a dor diminuir a ponto dela conseguir se concentrar na leitura sobre teorias de desenvolvimento da aprendizagem.

- Aqui está tão fresco! – exclamou baixinho, espreguiçando-se. – Eu não tinha idéia de que as crianças adquiriam esse tipo de habilidade tão rapidamente... Talvez devêssemos focar em estudar sobre isso para o próximo seminário.

- Olá. – Shiraishi a surpreendeu, sentando-se repentinamente à sua frente. – Nem precisei perguntar para saber que estaria aqui. – ele piscou, bem-humorado. Leu o título do livro. – Às vezes, fico curioso para saber que tipo de professora você será.

- Do tipo que observa e incentiva a criatividade da turma. - Haru sorriu, lembrando do medo que sentiu dele descobrir sobre o incidente de ontem e o fato dela ter ido embora sem o esperar. – Ou do tipo que gosta de deixá-los experimentar coisas novas.

- Que tal irmos almoçar e depois para a minha casa? Podemos aproveitar a tarde livre. – ele piscou, claramente querendo repetir o que fizera na noite passada, quando chegou tarde da noite à casa dela e dormiu lá.

Haru mordeu os lábios, desviando os olhos para a porta de vidro que se abria para o gramado ensolarado, onde se desenhava a silhueta que a fez se endireitar na cadeira.

- Bom trabalho hoje, Suga-kun! – Shiraishi o cumprimentou com um aceno de cabeça. – Conto com você no próximo treino. – Koushi acenou para eles antes de desaparecer entre as estantes. – Parece que foi mesmo um mal-entendido. – o namorado se virou para ela. – A desatenção dele hoje deve ser pelo tapa que Sumi-chan deu. Que cena deve ter sido! – ele abafou uma risada, mas Haru podia jurar que ele queria que o outro ouvisse. – Pegue o livro emprestado e vamos. Quero te mostrar umas ideias que tive para trabalhar com o templo. – um medo obscuro subiu pela sua coluna. "Que tipo de reação é essa?... Ele não vai brigar? Nem pedir esclarecimentos?"

SUGAWARA KOUSHI

Koushi respirou fundo, os dedos parados na lombada de um livro que ele sequer lera o título.

"A conversa está chegando até aqui." Tê-los visto na entrada atrapalhara seus planos e ele sumiu no primeiro corredor à sua frente, não querendo ficar perto. "Espero que ela não esteja em apuros." Ele mal respirava, atento ao tom de voz do capitão. Se lembrou do comentário dele assim que voltou ao ginásio.

- Às vezes, só um tapa bem dado é capaz de colocar um sujeito intrometido em seu lugar. – o estrondo da cortada de Shiraishi assustou quem estava próximo. O vento da bola levantara os cabelos da nuca de Koushi. – Desculpe, Sugawara-san! A minha mira está um pouco irregular hoje. É melhor tomar cuidado.

Koushi cerrou os punhos, frustrado novamente. O treinador chamara a atenção do capitão e nada mais acontecera, embora ele não gostasse de situações assim.

"Como é difícil apenas esperar!" Ele decidira observar o que aconteceria nos próximos dias e adotar uma nova postura com Haru. "Não posso ser precipitado, pois as minhas ações não afetarão somente a mim."

Só percebeu que estivera segurando a respiração quando ouviu as cadeiras sendo arrastadas e os dois saírem.

TATSUO HARU

- Ficou ótimo! – Shiro bateu palmas quando Koushi finalizou a apresentação.

- E o tempo foi muito bom também. – Sota parou o cronômetro, mostrando que terminaram com dois minutos de antecedência. – Mesmo com as interrupções planejadas.

- Então a nossa sequência será essa a partir de agora. – Haru terminou de escrever. – Sota-san, eu, Shiro-kun e Koushi-san... Vou enviar também os dias dos próximos encontros. Vocês colocam na agenda dos celulares?

Os três assentiram. Estavam numa das salas vazias na hora do intervalo, finalizando o último ensaio antes das apresentações dos próximos dois meses.

- Como já decidimos os temas e a ordem de cada um, podemos reduzir a quantidade de encontros. – Koushi propôs, guardando o gravador na mochila. Haru propusera que cada um se gravasse para estudo e aprimoramentos.

- Por que? – Sota desmontava a pequena câmera do tripé, devolvendo o equipamento para Shiro. Também fora ideia de Haru que eles filmassem as apresentações, pelo mesmo motivo. – Nós não precisamos mais de várias horas juntos como das primeiras vezes.

- Bom, acredito que os encontros semanais estão ficando pesados e tomando tempo desnecessariamente. – a voz de Koushi estava distante e impessoal. – Acredito que podemos resolver tudo por mensagem ou nos ensaios antes dos seminários.

Haru franziu o cenho e abriu a boca para argumentar. Desistiu ao sentir um frio vindo dele, que fizera questão de ficar o mais longe possível dela ali também. Em busca de apoio, ela olhou para Shiro, que tinha as sobrancelhas erguidas enquanto ouvia.

- Tenho que concordar com Sugawara-san. – a afirmação de Shiro não a surpreendeu, embora a fizesse suspirar. Ele vinha apoiando todas as iniciativas de Koushi de reduzir o tempo e aumentar o espaço que passavam no mesmo ambiente. – Pensei que vocês que têm clubes e trabalhos estariam de acordo com ele. Sabem quantas estreias de filmes e shows de j-pop eu deixei passar? Precisamos valorizar nosso lazer também.

Sota franziu a testa, dando de ombros em resposta aos olhares sobre si.

- Podemos testar menos encontros para ver como nos saímos no próximo seminário. – ele sorriu sem-graça para Haru, pois sabia que ela já estava até montando os cardápios para as próximas reuniões.

Haru sentiu uma mão esmagando seu coração e suspirou mais forte. Não queria se exasperar com algo assim. "Não duraria para sempre, claro... Por que estou tão brava?"

- Bom, nós já temos o cronograma definido até o final do semestre. - "Eu devia ter previsto isso quando ele voltou a usar o meu sobrenome." - Eu não me importo em continuarmos... – a voz dela perdeu a força porque Koushi insistia em não olhar para ela. – As reuniões po...de...em...ser...na...mi...minha...

- Tenho outros compromissos agora. – Koushi afirmou, a voz cortante enquanto olhava para o celular. – Nós já estamos bem crescidos e podemos continuar sem tantas interrupções na nossa rotina. Afinal, cada um consegue pensar por si próprio. – Haru piscou, olhando para os outros dois, que pareciam tão chocados com aquelas palavras quanto ela. "É por causa do que aconteceu no festival... Eu só atrapalho e causo problemas para todos ao meu redor... E agora Shiro e Sota são obrigados a presenciar isso..."

- Tudo bem, então. – "Droga, pára de tremer, voz inconveniente!" – Já que decidimos, eu vou primeiro. Vocês arrumam a sala, ok?

SUGAWARA KOUSHI

"Eu sou um imbecil." Koushi não tivera coragem de olhar para ela nenhuma vez na última semana, o que foi um grande retrocesso porque eles se falavam todos os dias e jogavam conversa fora com os outros antes das aulas e nos intervalos. Teceram uma camaradagem agradável e caminhavam para uma amizade bem-humorada. "Não foi isso que eu mesmo busquei?" Sua garganta travou ao ver as costas dela saindo apressada da sala. "Ela vai ficar bem."

Seu olhar cruzou com o de Shiro, que parecia apreensivo e culpado.

- Vocês vão me explicar o que está acontecendo? – Sota colocou as carteiras e cadeiras de volta nas filas. – Têm certeza desse comportamento? E não venham me dizer que não é uma ação coordenada porque eu ficarei ofendido. – ele desfez o ar de ironia de Shiro, fazendo-o se calar. – Se for pelo que aconteceu no festival...

- Se voltarmos a ser só colegas de turma, será melhor. – Koushi afirmou, sério. – As pessoas estavam começando a confundir as coisas e isso está nos prejudicando. – Sota ergueu as duas sobrancelhas.

- É para o bem de todo mundo. – Shiro respondeu ao olhar inquisidor de Sota. – Sei que Haru-chan está triste agora, mas, a longo prazo, será melhor assim. Ela fez as escolhas dela e precisamos respeitar. – agora as sobrancelhas de Sota chegaram à linha do cabelo.

- Vocês dois precisam urgentemente fazer um exame na cabeça. Nunca ouvi tanta besteira junta na minha vida. – a voz de Sota continuava serena e baixa como sempre. Nem parecia que ele estava com uma expressão tão brava. – Vou apontar as duas mais absurdas: vocês estão tratando Haru-chan como fraca e incapaz sob o pretexto de saberem das coisas mais do que ela E – ele apontou os dois dedos em riste para eles. - estão fazendo algo que eu realmente desprezo: deixar gente que não tem nada a ver com vocês interferir nas suas vidas. – ele abotoou o colete café e vestiu o terno off white que tirara no início do ensaio, ajeitando as mangas compridas da camisa preta. – Espero que se envergonhem e se ajoelhem diante dela com as testas no chão.

TATSUO HARU

Haru esbarrou no caderno dele ao entrar esbaforida na sala. Vira o professor logo atrás no corredor e não queria que ele a pegasse fora do lugar porque ele costumava jogar giz em alunos indisciplinados.

- Ah, me desculpe, Kous... – ela parou ao perceber estar prestes a chamá-lo informalmente. Os olhos dourados a olharam espantados. Haru piscou seguidas vezes e curvou a cabeça, erguendo a mão aberta em sinal de desculpas, seguindo rapidamente para o fundo.

"Foi por pouco." Ela soltou a respiração quando sentou, bem a tempo da entrada do professor de teoria comportamental. "Assim está bom... As coisas ficaram mais simples." Era a segunda semana após o festival e ela decidira aderir ao novo normal entre os dois. Um pouco mais que conhecidos, mas não próximos e nem se aproximando. "Não tem mais pressão... Só nos falamos por causa dos seminários. Não preciso me preocupar com mais ninguém me enchendo o saco."

Sorriu para Hotaru e Shiro. Ela ficara triste ao perceber que precisaria se distanciar também de Sota e Izumi, mas ela conseguiria abrir mão deles.

"Vivi com um universo pequeno de pessoas próximas desde que voltei ao Japão... O estranho era ter expandido tanto... É certo voltar ao que era no início. Assim, fico mais confortável... Então porque minha garganta dói tanto? Eu não vou chorar por isso!" Ela apertou o lápis, respirando fundo várias vezes para se controlar. Tentou prestar atenção ao vídeo que o professor estava comentando. "Não seja ridícula, garota! Você só estava mal-acostumada. Precisa voltar à realidade o quanto antes!"

- Tudo bem? – a mão de Hotaru tocou seu ombro. "Devo parecer estar sem ar... Não os preocupe com bobagens!" – Aqui está abafado mesmo. Quer que eu abra a janela? – ela sacudiu a cabeça, agradecendo a preocupação.

- Acho que corri demais. – ela podia imaginar a cara que o amigo fez ao ouvir que uma atleta perdera o fôlego por andar rápido num corredor.

- Se quiser, podemos correr até sua casa a partir de hoje. – Shiro cochichou, segurando o riso.

SUGAWARA KOUSHI

- Oi, Suga-kun.

- Sumi-senpai está só terminando de guardar o carrinho de bolas. – a garota do primeiro ano informou ao vê-lo esperando na porta do ginásio.

- Obrigado. – ele abriu espaço para as duas passarem, agradecendo com um leve sorriso. As observou trocar os tênis com o sorriso ainda no rosto.

- Vou esperar aqui fora, Yumi-senpai. – o sorriso persistiu enquanto ele voltava os olhos para a voz e deu de cara com Haru saindo sem olhar para frente. Ela parou de chofre, arregalando os olhos castanhos. Franziu a testa antes de recuperar o controle de sua expressão. – Olá, Sugawara-san. – ele ainda não se acostumara com a indiferença no tom dela. Só então percebeu que ainda estava sorrindo, sacudindo a cabeça para desfazê-lo.

- O.. Olá, Tatsuo-san. – ela continuou até o armário dos tênis, sem prestar mais atenção nele. Koushi engoliu em seco, as palmas das mãos suando. – Vim esperar Sumi-chan.

- Claro. – Haru respondeu sem olhá-lo, trocando os tênis com calma. Era o final da segunda semana e ficara mais dolorido alargar o fosso entre eles. "Mas a paz está reinando fora de mim. Eu só preciso parar de me lamentar... O que eu estava esperando que acontecesse?... Não é realista, então eu tenho que aguentar... Logo será apenas passado... Quem sabe, no próximo ano, eu peça para trocar de turma?... Talvez isso ajude." Ela bateu as pontas dos tênis na calçada, ajustando-os, e abriu o celular, virando de costas para ele. Koushi apertou os lábios, seu estômago revirando desconfortavelmente.

- Suga-kun! Como você está? – a levantadora titular chamou sua atenção, o saudando alegre.

- O...Oi, Sugimoto-san. – ela foi ao encontro de Haru. – Estou bem! Como foi o treino? – ela sorriu com compaixão da voz aguda dele.

- Normal. – Haru, que estivera mexendo no celular, sorriu ao vê-la. – O treinador de vocês deve estar pegando pesado também, não é?

- Yumi-chan, podemos ir nessa aqui, o que acha? – Haru mostrou a tela para a garota mais velha, interrompendo a resposta protocolar dele. Sugimoto concordou. Trocou os calçados rapidamente. As duas conversando animadas sobre o que iriam fazer trouxe uma sensação de um bloco de gelo descendo pelo corpo de Koushi. Sem notar, ele começou a apertar as mãos suadas em punhos. "Não, eu não quero estar ali junto!... É o nosso acordo silencioso: eu não me importo e ela não se importa. Simples! É melhor para todo mundo!"

Elas se afastaram até que Sugimoto se lembrou da presença dele.

- Até logo, Suga-kun. – ela acenou, simpática. Koushi se forçou a sorrir porque viu o corpo de Haru rígido. Ela não se virou. – O que foi, Haru-chan? – Sugimoto estranhou a situação.

- Não é nada, Yumi-chan. – doeu ouvir a voz suave direcionada apenas para os outros. – Vamos? Devemos estar atrapalhando Sugawara-san. – a expressão da levantadora era de confusão.

TATSUO HARU

- Pensei que vocês eram amigos. – Sugimoto sussurrou para o garoto não a ouvir. Haru caminhou rápido, torcendo para ela apenas a acompanhar. – Vocês estudam na mesma turma, não é? Shiguedomi-kun me disse que até fazem trabalhos juntos.

- Nós estamos ajustando nossa relação. – "É melhor explicar algo para ela." – Não quero atrapalhar a vida dele... Concordamos... É melhor se cada um for para o seu lado. Nós concordamos e está melhor assim. É a decisão lógica a tomar.

As duas caminharam até a saída do câmpus em silêncio.

- Haru-chan, eu nunca perguntei porque não parecia afetar você, mas acredito que agora temos intimidade suficiente. – a voz de Sugimoto era compassada e suave. Haru entrou em alerta. – O que aconteceu quando Koushi-kun a acompanhou até a sua casa?

Mais silêncio até a estação de metrô.

- Que tal se, depois de irmos à loja de esportes, passarmos naquela cafeteria que você me levou uma vez? – Sugimoto piscou seguidas vezes antes de aceitar essa troca de assunto.

As duas passearam até o início da noite, comprando algumas decorações para casa e novos protetores de joelhos e cotovelos. Distraíram-se e riram bastante até subirem ao segundo andar da cafeteria no centro comercial, conseguindo uma mesa ao lado da janela de onde podiam ver o calçadão movimentado pelos restaurantes próximos.

- Nós dormimos juntos. – Haru esperou a garçonete ir buscar os pedidos antes de começar. – Tivemos amnésia alcóolica, então só sabemos que dormimos juntos. – "Ainda bem que ela consegue manter a expressão natural." – Nós dois gostamos de outras pessoas... É só uma tremenda bagunça e nós tentamos ser apenas amigos, mas não conseguimos. - Sugimoto apenas a observava, sabendo que não precisava dizer nada.

Haru contou tudo, admirada com o alívio que sentia por compartilhar aquilo com alguém. Não conseguira nem mencionar à sua irmã, que ela considerava sua confidente. As comidas e bebidas vieram e Haru contou cada acontecimento. Surpreendentemente, não levou muito tempo. No fim, respirou fundo e tomou um grande gole do chá morno.

- Antes de mais nada, obrigada por ter confiado em mim. – Sugimoto pousou a caneca, falando com cautela. – Não deve ter sido fácil passar por tudo isso sozinha... Bom, você me conhece, Haru-chan. Não vou dourar a pílula para você. Entendo o que vocês estão tentando fazer, mas não vejo como isso vai dar certo. Você não viu os olhos de vocês dois hoje. Não havia um pingo dessa paz que você alega estar sentindo. Pelo contrário, tem uma tempestade aí dentro. Um tufão, um tsunami. – Haru não se sentia tão exposta desde que se mudou para Sendai. – E nos olhos de Suga-kun havia uma melancolia profunda. E inveja... Ele estava com muita inveja de mim. – Sugimoto emitiu um riso abafado e Haru sentiu o rosto se abrir de incredulidade. – Eu sei porque treinei com ele algumas vezes. Os olhos dele não são daquele jeito. E nem os seus. Vocês dois estão se machucando por algo que nem faz sentido. Do que vocês têm tanto medo? Reprimir os sentimentos bonitos que vocês têm um pelo outro nunca é algo bom. Sabe, os sentimentos precisam sair e acontecer no mundo, senão eles apodrecem dentro da gente e viram algo dolorido e ruim. Eu sei porque já deixei isso acontecer uma vez. – ela disse tudo com muita calma e Haru quase chorou. Sugimoto sorriu com bondade para a amiga três anos mais nova. – Não é para tanto. Vocês ainda podem consertar isso. Só não podem demorar demais, ou passa do tempo. Tudo tem um tempo certo para acontecer.

Haru só conseguiu assentir várias vezes com a cabeça. Passara semanas perdida numa ilusão maligna. Ainda bem que seu mundo não se estreitara tanto quanto ela imaginava. Pela primeira vez, a dor constante que ela sentia no fundo do peito abrandou.

SUGAWARA KOUSHI

- Eu realmente não sei de que normalidade você está falando. – Izumi franziu o cenho, olhando de soslaio para Sota, que deu de ombros. – Desde quando é normal mudar seu comportamento com uma pessoa que não fez nada com você? – Sota ergueu as sobrancelhas com a expressão que dizia 'eu disse isso pra ele'. – Pensei que vocês tinham se desentendido e esperei que vocês mesmos fossem grandinhos o suficiente para se acertarem, mas já fazem três semanas dessa merda!

Os dois invadiram o apartamento de Koushi para uma reunião de emergência. Aparentemente, Izumi cansara de ver os dois se ignorando ou se tratando com formalidade. Forçou os dois a contarem o que acontecera, ficando cada vez mais irritado.

- Ela também aderiu ao distanciamento. Sinal que ela quer o mesmo que eu. – o argumento de Koushi fez o amigo revirar os olhos.

- Pelo que Sota disse, você não deu outra opção. – Izumi soltou todo o ar pela boca, exasperado. – Me conta uma coisa, você inventou essa insanidade para o quê exatamente?

- Vocês sabem que a nossa relação não é normal... Do jeito que estávamos, os nossos namoros estavam sendo afetados. – a voz de Koushi carregava uma nota de impaciência. - Agora, não temos problemas com eles e nem nos nossos clubes.

- E quanto a vocês? Estão felizes? Se divertindo adoidado? – Izumi metralhava as perguntas. – Você tá vendo a baixinha saltitar de alegria pelos corredores? Ou você está mantendo essa babaquice porque não sabe como voltar atrás e dizer que errou? Não vai me dizer que você prefere continuar com essa situação ridícula!

- Se ela quisesse mesmo parar, teria vindo falar comigo. – Koushi resmungou entredentes.

- Mas ela tentou. – Sota não deu trégua. – No dia que você decidiu sozinho que sabia o que era melhor para vocês, ela questionou. Vi ela indo falar com você ontem e você fingiu que não viu. O que mais você quer?

- Cara, se coloca no lugar dela. – Izumi assumiu novamente o ataque. – A garota veio para um lugar onde não conhece ninguém, tem todos esses problemas com bullyng e uma das poucas pessoas com quem ela tem uma proximidade começa a evitá-la por causa de um mal-entendido. Como você reagiria se fosse ela? Eu estou até admirado por ela ter tentado de novo... Fora que eu não vejo NENHUMA vantagem para você nisso!

- A questão é que não foi um mal-entendido! – o grito de Koushi contrastou com o silêncio que se seguiu.

- Peraí! – Sota apontou um dedo acusador para Koushi. – Então você gosta da Haru-chan como mulher?

- Não sei! – Koushi esmurrou a mesa, se descontrolando com tantos questionamentos que o faziam perceber como ele fora preguiçoso e egoísta. - Não sei se é por causa das memórias invasivas ou se são sentimentos genuínos! Desde o início, eu queria ficar com a Sumi, mas agora não sei mais!

- E a sua solução é afastar uma delas ao invés de descobrir o que está acontecendo? Afastar ela ajudou a resolver alguma coisa? – Izumi cruzou os braços, respirando fundo várias vezes. Koushi só queria que eles calassem a boca. – Ou só está piorando? Eu não queria ser um neurônio seu... Ou talvez eu te ajudasse promovendo uma rebelião de vez em quando.

- Eu te disse que iria ver você encostar a testa no chão e pedir desculpas para Haru-chan. – Sota ignorou os olhos estreitos e vingativos do dono do apartamento. – Mas a sua primeira punição vai ser me acompanhar numa excursão no próximo sábado. – ergueu o dedo para silenciar o protesto que Koushi esboçou. – Não admito nenhuma recusa.

- E, a partir de hoje, você está proibido de agir como um lunático, ou vamos fazer uma intervenção com o restante do grupo também. Isso inclui voltar a falar com Haru-chan.

Koushi abaixou os olhos, sabendo que eles tinham razão. Assentiu com as condições deles.

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Notas Finais

Um corvo não escolhe seu mestre – é um ditado que se tornou a base de um dos melhores animes de 2024 – Yatagarasu: Karasu wa Aruji o Erabanai. Recomendo muito!

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Olá!

Capítulos conflituosos não são minha praia. Se eu pudesse, escreveria só cenas de beijos e de romance fofinhas ou hot hot hot, mas os personagens querem fazer loucuras de vez em quando... rsrsrs!

Quem mais me representa nesse capítulo é o Sota.

Agora é torcer para que isso não dure tempo demais. Só podemos aguardar e confiar.

Quero desejar um excelente 2025 para você! Que seja um ciclo novo de muita harmonia, saúde, autoconhecimento e ótimos animes! Feliz ano da Serpente de Madeira!

Abraços,

Jasmin