Capítulo 17 - O Ataque

A Ministra da Magia, Wilma Dean, chegou ao subsolo pela cabine telefônica, acompanhada de sua assistente e dois seguranças. Nos seus setenta anos, Wilma exibia cabelos curtos e acobreados, e sua expressão grave refletia a seriedade da situação enquanto seus olhos observavam a desordem à sua frente. O vestido vermelho que ela trajava destacava-se de forma imponente naquele cenário caótico, contrastando com a multidão de bruxos vestidos em tons sombrios que se aglomeravam à sua frente. Ao lado da Ministra, a sua assistente Mircella Wilker, uma jovem de trinta e poucos anos, mantinha seus vibrantes cabelos ruivos presos em um coque alto. Sua estatura esguia, quase equiparando-se à dos robustos seguranças, transmitia uma presença marcante.

Ao abrir a porta da cabine, o som abafado da manifestação ganhou intensidade. Do lado de fora, a praça dos feiticeiros fervilhava de bruxos agitando seus cartazes e entoando cânticos furiosos que ecoavam por todo o lugar. Para chegar ao ministério, ela teria que atravessar aquela massa inquieta de manifestantes, que agora se erguiam entre ela e o imponente edifício. A multidão, densa e pulsante, se estendia até onde seus olhos alcançavam, tornando seu caminho uma travessia inevitavelmente árdua.

Fleur parou por um momento, os olhos fixos no vazio, enquanto tentava se conectar com Zaino através de sua ligação mágica. Fechou os olhos, concentrando-se em seu olfato aguçado e na conexão mental que sempre teve com o basilisco. Respire, ela disse a si mesma, tentando manter a calma. Conjurou a mensagem silenciosamente em sua mente, enviando um comando para Zaino.

No entanto, o silêncio que voltou a ela foi ensurdecedor.

A ausência de resposta, o vazio profundo da falta de conexão, começou a apertar seu peito. Seus olhos se arregalaram, e um calafrio percorreu sua espinha. Ele não está ouvindo. Uma sensação de pânico a atravessou como uma lâmina gelada. Seu coração disparou, e pensamentos de Zaino em perigo começaram a invadir sua mente. Será que ele havia sido preso? Ou estava desmaiado? Ou pior, ferido?

"Zaino..." sussurrou, quase implorando, esperando qualquer sinal, por menor que fosse.

Nada. Fleur sentiu um pavor profundo, ela sabia que se Zaino não estava respondendo, algo terrível poderia ter acontecido. A determinação em seu rosto se intensificou, e, sem hesitar, ela tirou a jaqueta com um gesto firme, preparando-se para canalizar toda a sua energia. Se ele estava em perigo, ela teria que enviar uma mensagem ainda mais poderosa.

No átrio do Ministério da Magia, o caos atingia proporções alarmantes. Zaino, o basilisco de Fleur, estava envolto por uma bolha reflexiva que deveria agir como um espelho, destinada a refletir o olhar mortal da criatura de volta para si. A esfera mágica brilhava intensamente, projetando uma luz azulada que preenchia o átrio com um brilho fantasmagórico.

Envolto na bolha reflexiva, Zaino, de olhos fechados não sofria nenhum perigo de ser afetado pela esfera, ele erguia seu corpo escamoso, sibilando com fúria. A esfera mágica que deveria protegê-los, refletindo o olhar mortal da criatura, agora criava uma atmosfera de caos. Os feitiços lançados pelos aurores ricocheteavam na superfície da bolha, iluminando o átrio com flashes cegantes de energia mágica.

Os aurores, em meio ao alvoroço, gritavam uns com os outros, tentando encontrar uma solução enquanto mantinham os ataques:

— Essa bolha não foi uma boa ideia! Está devolvendo nossos feitiços!

— Claro que foi! — rebateu outro, irritado. — É a única forma segura de enfrentarmos um basilisco sem sermos mortos!

— Mas e se ele acabar se matando com o próprio olhar? — disse um terceiro, a voz tensa de preocupação. — Se isso acontecer, estaremos em sérios apuros! Lembrem-se, os basiliscos são protegidos por lei!

Enquanto a confusão entre os aurores aumentava, Zaino, imperturbável e imponente, permanecia dentro da bolha, sua presença apenas intensificando o pânico crescente ao seu redor. E então o berro de Moody se faz ouvir por todos.

— Silêncio! — gritou Moody, sua voz ressoando pelo átrio com uma autoridade que dispensava qualquer necessidade de magia. O impacto foi imediato; os gritos cessaram, os feitiços pararam no ar, e até mesmo Zaino, o basilisco, interrompeu seu sibilo.

O auror lançou um olhar duro para a multidão, seus olhos cravando-se em cada rosto apreensivo. — Esse basilisco é só um filhote, caso ninguém aqui tenha notado — rosnou Moody, sua voz carregada de desprezo. — O pior que ele pode fazer é petrificar alguém. E isso se resolve com uma boa dose de poção de mandrágora, então parem de agir como amadores. E essa porcaria de bolha que fizeram em volta dele é inútil, já que um basilisco não pode petrificar a si mesmo, isso só está atrapalhando.

Os murmúrios começaram a se espalhar pela multidão, mas Moody ergueu a mão em um gesto autoritário, cortando qualquer discussão. — Agora, ouçam bem — disse, com um tom que não deixava espaço para dúvidas. — Esse basilisco não tem para onde fugir, agora que todas portas estão fechadas. Vou voltar para o interrogatório de Malfoy. Então considerem esse basilisco como um teste. Vocês estão proibidos de lançarem feitiços letais, e quem for petrificado vai trabalhar nos plantões de fim de ano, entenderam? — O tom áspero de sua voz deixava claro que ele não estava para brincadeiras.

Assim que Moody terminou de falar, o auror veterano Alvin Arcor ergueu sua varinha com firmeza, pronto para dissipar a esfera reflexiva que Alice Roy havia conjurado ao redor de Zaino. No entanto, algo peculiar chamou sua atenção. Ele notou que, cada vez que o basilisco avançava com um bote em direção aos aurores, sua cabeça ultrapassava os limites da bolha, como se esta não estivesse seguindo seus movimentos como deveria.

Intrigado, Arcor removeu a esfera e se posicionou de forma estratégica, analisando a situação de lado, sem nunca olhar diretamente para a cabeça do basilisco. Foi então que algo ficou claro: os feitiços dos aurores não estavam sendo refletidos pela bolha, mas sim ricocheteando diretamente na carapaça de Zaino. Ele franziu o cenho, percebendo o que estava diante dele.

— Alguém enfeitiçou esse basilisco com uma magia extremamente poderosa — murmurou Arcor, a voz tensa com a descoberta.

De repente, antes que a Ministra Dean pudesse sair da cabine telefônica, Mircella segurou seu pulso com firmeza, impedindo-a de avançar.

— Ministra, com todo o respeito, sugiro que voltemos imediatamente — aconselhou Mircella, a voz carregada de preocupação. — Temos apenas dois seguranças, e eles não serão páreo para essa multidão.

Wilma Dean, apertando uma pequena esfera que mantinha na mão esquerda, observou rapidamente a situação à sua volta e respondeu, com uma determinação inabalável:

— Agradeço a preocupação, Mircella, mas não posso me acovardar diante das dificuldades, especialmente depois do que os jornais tem escrito sobre mim. A maioria do povo bruxo me escolheu porque acredita que posso fazer melhor que isso. Eu vou entrar no Ministério. Mas, se a senhorita quiser voltar, eu entenderei.

Mircella, olhando para a multidão e depois para o elevador, fechou os olhos por um breve momento e disse, com firmeza: — Como queira, Ministra. Mas que fique registrado: eu a aconselhei a fazer o contrário.

Os dois seguranças, ao notarem o movimento discreto de Wilma Dean ao retirar sua varinha das vestes, reagiram de imediato, com uma precisão que denunciava o treinamento rigoroso que possuíam. Em um gesto ágil e quase coreografado, sacaram suas próprias varinhas, segurando-as com firmeza, prontos para qualquer eventualidade. Seus olhares afiados varreram o entorno, atentos a qualquer sinal de perigo, enquanto se posicionavam ligeiramente à frente da Ministra e de Mircella.

Na sala dos aurores, Fleur tirou a jaqueta com um gesto firme, preparando-se para concentrar sua energia elétrica. Se Zaino estivesse sendo preso ou debilitado, a mensagem que ela enviaria precisaria ser ainda mais intensa. Determinada, ela fechou os olhos e começou a conjurar sua energia veela com força, sentindo o poder pulsar por todo o seu corpo.

Com a energia acumulada, sua voz vibrante ecoou pelo ar, carregada de autoridade e poder:

— Chega, Zaino! Vá embora como combinamos. Se precisar de mim, me chame agora!

Cada palavra carregava um comando, sua conexão com o basilisco sendo reforçada pela força mágica que ela canalizava. Fleur sabia que, se Zaino pudesse ouvi-la, ele reagiria ao seu chamado.

Moody lançou um olhar firme para Gabriel Lourd e ordenou:

— Fique por aqui até resolverem essa situação com o basilisco, e depois vá para a rua ajudar os outros aurores a conter a manifestação. Esses palhaços estão passando dos limites — disse Moody, com sua voz severa.

Ele fez uma pausa, seu corpo enrijecendo por um instante enquanto uma estranha eletricidade percorria sua nuca, fazendo seus pelos se arrepiarem. Ele parou e olhou ao redor, intrigado.

— Você sentiu isso, Lourd?

— Sentir o quê, senhor? — respondeu o jovem auror, confuso.

Moody franziu a testa, seus olhos se estreitando em desconfiança. Era como se estivesse ligando as peças de um quebra-cabeça que começava a fazer sentido.

— Alguém está usando magia para controlar esse basilisco — murmurou, a voz grave e cautelosa. — Já havia percebido algo estranho na sala dos aurores... aposto que é de lá que está vindo. Alguém está agindo como um mestre de marionetes, puxando os fios. Agora vou pegar esse criminoso com a mão na massa — rosnou Moody, os olhos faiscando de determinação. — E ele poderá inaugurar uma facção de ofidioglotas em Azkaban.

A praça em frente ao Ministério da Magia fervilhava de agitação, com gritos de protesto e murmúrios irritados se espalhando pelo ar. No entanto, assim que Wilma Dean adentrou a multidão, um silêncio denso tomou conta do lugar. Ela avançava com o queixo erguido e a varinha firme ao lado do corpo, flanqueada por seus seguranças e sua assistente. Conforme o grupo avançava, a multidão se abria relutantemente à sua passagem, como um mar sendo dividido, criando um estreito corredor. Os manifestantes, que antes gritavam e agitavam varinhas, agora se afastavam, mantendo uma distância segura, enquanto seus olhares acompanhavam a Ministra, cheios de desconfiança e tensão.

Algumas vaias dispersas escapavam dos lábios dos manifestantes, mas eram tudo o que ousavam oferecer como resposta. Ninguém parecia ter coragem suficiente para confrontá-la diretamente. A presença da Ministra era uma força em si, imponente e inabalável, e cada passo que dava aumentava o desconforto entre os presentes, que se afastavam relutantes, abrindo espaço à sua passagem.

Antes que Moody pudesse partir para investigar a sala dos aurores, algo chamou sua atenção pelas portas de vidro do átrio. Um ponto vermelho atravessava a multidão enfurecida — era a Ministra da Magia, Wilma Dean, que acabara de sair da cabine telefônica. Ela agora se via diante de uma massa de manifestantes revoltados, protestando veementemente contra sua presença. Moody apertou os olhos, sentindo que a situação estava prestes a sair do controle.

— Maldição! — exclamou Moody, cerrando os dentes. — Me acompanhe, Lourd. O desgraçado que está manipulando o basilisco provavelmente planejou isso desde o início: distrair-me para deixar a Ministra exposta. Mas isso eu não vou permitir!

Ele lançou um olhar duro e severo para Lourd, a tensão em sua voz revelando a gravidade do momento.

— Se prepare, garoto. Essa batalha pode ser feia.

Moody, movendo-se com precisão, colou um pequeno gravador mágico na lateral da porta, escondendo-o estrategicamente. Ele sabia que não poderia se dividir entre enfrentar o basilisco e proteger a Ministra, mas também não deixaria a criatura agir sem vigilância. O gravador captaria os sons ao redor de Zaino, e Moody esperava que, ao revisar a gravação, pudessem identificar comandos ou feitiços usados para controlar o basilisco.

Com o dispositivo no lugar, Moody ergueu a voz com autoridade:

— Assim que cuidarem desse filhote, vão para a rua garantir a segurança da Ministra da Magia! — falou Moody enquanto saia pela porta lateral, seguido por Gabriel Lourd.

Seu comando ecoou pelo corredor, deixando um silêncio pesado no ar. Todos sabiam que, com a partida de Moody, o fardo da responsabilidade agora repousava inteiramente sobre seus ombros. Zaino, parado no centro do átrio, já não era apenas uma ameaça; ele se tornara um teste de coragem que precisavam superar. Falhar significaria mais do que o risco de petrificação, enfrentar o desagrado de Moody parecia quase tão aterrorizante quanto o próprio basilisco.

Sentindo a hesitação e o medo que pairavam ao seu redor, Zaino sibilou novamente, um som prolongado e ameaçador que reverberou pelas paredes de mármore. Mesmo jovem, o basilisco deixava claro que não seria um adversário fácil de enfrentar. O aviso era evidente: eles teriam que se preparar para uma batalha à altura.

Fleur mantinha os olhos fechados, o corpo ainda pulsando com a energia acumulada, quando sentiu, finalmente, uma mudança no ar. Era sutil no início, quase imperceptível, mas então veio com força: um sibilo reverberante, carregado de poder e conexão. Zaino!

O som ecoou em sua mente como uma melodia reconfortante, e uma onda de alívio percorreu seu corpo como se todo o peso que carregava tivesse sido instantaneamente retirado de seus ombros. Ela soube naquele momento que a barreira que o isolava havia sido quebrada. Ele estava bem.

Ela respirou fundo, sentindo a tensão sair de seus músculos, as mãos antes fechadas em punhos relaxaram, e o coração desacelerou. O sibilo de Zaino, apesar de distante, trazia uma mensagem: ele estava em movimento novamente, preparado para seguir com o plano.

Fleur abriu os olhos devagar, e uma pequena, quase imperceptível, curva de alívio surgiu em seus lábios. Ele ouviu. Ele está bem. O pavor que antes consumia sua mente agora era substituído por uma paz reconfortante.

— Bom garoto... — murmurou suavemente, deixando a voz baixar com carinho antes de dar o comando com autoridade renovada. — Agora saia daí! Siga o cheiro da carne.

A certeza de que Zaino estava seguro devolveu a Fleur a força necessária. O mapa estava sobre a mesa de Ron, esperando por ela. Ela se aproximou com determinação, focada nos últimos detalhes que precisava memorizar. O alívio veio ao perceber que, apesar dos contratempos, o plano voltava ao seu curso. Renovada em sua confiança, Fleur estava pronta para finalizar sua participação e esperar que Lucius os tirasse dali.

Na sala de interrogatório, Lucius estava de pé, esticando as costas, seus passos desenhando círculos pelo pequeno ambiente. Enquanto isso, Ron Weasley sinalizou discretamente para Bruna Nichols continuar transcrevendo cada detalhe que se desenrolava ali.

— Pelo que vejo aqui, senhor Malfoy — começou Ron, alternando o olhar entre a lista em suas mãos e Lucius. — As joias desaparecidas possuem apenas efeitos estéticos?

Lucius parou por um instante, avaliando a pergunta, antes de responder com a voz controlada:

— Embora muitas dessas joias, individualmente, possam parecer inofensivas, quando combinadas, elas têm o potencial de se tornar um problema sério. Se a pessoa que roubou a joia que vocês têm em posse tiver acesso às outras que constam na lista que, generosamente, compartilhei com vocês, isso deve ser motivo de grande preocupação.

Ron, ainda examinando a lista com um olhar crítico, perguntou:

— Aqui diz que 27 joias estão desaparecidas, mas noto alguns asteriscos. O que isso significa?

Lucius respondeu sem hesitar, sua voz suave e calculada:

— Esses asteriscos indicam joias que pertencem a conjuntos, como aquela encontrada no comício. Existem outras nove idênticas a ela. Para simplificar a conferência, contabilizamos todas como uma única peça, visto que compartilham a mesma forma e função.

Lucius fez uma breve pausa, esboçando um leve sorriso antes de acrescentar, com uma pitada de ironia:

— Moody mencionou que vocês me ofereceriam um café. Estou aguardando.

Ron, que começava a contar nos dedos, perdeu o fio de seus cálculos com o comentário sobre o café. Ele franziu o cenho, retornando o olhar para Lucius.

— O senhor se importa de me deixar finalizar a conta? — perguntou Ron, mantendo o tom cauteloso.

— De forma alguma, continue — respondeu Lucius, ainda com aquele sorriso contido. — Embora eu possa lhe dizer o resultado.

Ron, desconfiado, balançou a cabeça, respondendo com um tom firme:

— Não, obrigado. Não que eu esteja desconfiando de sua amabilidade, mas prefiro confiar nos meus cálculos.

Finalmente, após uma pausa que pareceu mais longa do que realmente era, Ron declarou com seriedade:

— Na verdade, não são 27, mas sim 58 joias desaparecidas.

Lucius esboçou um sorriso, como se a constatação de Ron o divertisse.

— Exato, senhor Weasley, mas como deve saber, itens repetidos não são contabilizados individualmente na coleção.

Ron estreitou os olhos, sua voz adquirindo um tom endurecido.

— Não sabia que uma coleção de joias se contava da mesma forma que figurinhas de sapos de chocolate — comentou Ron, com uma leve ironia.

Lucius, achando graça na analogia, respondeu com um leve sorriso:

— Coleções são coleções, senhor Weasley, independente do objeto. O método raramente muda.

Wilma Dean avançava com passos decididos em direção ao Ministério, seu semblante firme refletindo a determinação moldada ao longo dos anos de política. A multidão a cercava de todos os lados, ocupando cada canto da praça até as escadarias do prédio. No entanto, sua presença imponente fazia com que se abrisse um estreito corredor à sua frente, permitindo que ela avançasse com autoridade através do mar de ppessoas agitadas.

Moody avançava à frente, em direção a Ministra, abrindo caminho com sua habitual firmeza, afastando a multidão que se aglomerava ao redor do Ministério. Ao seu lado, o jovem auror Gabriel Lourd o acompanhava de perto, replicando os gestos firmes e decididos de Moody enquanto afastava as pessoas. Quando finalmente chegaram até Wilma Dean, os olhares de Alastor e da Ministra se encontraram, trocando um aceno breve e cheio de compreensão mútua. Moody, sem dizer uma palavra, se posicionou ao lado dela, assumindo seu papel de escolta, enquanto Gabriel Lourd mantinha a retaguarda, logo atrás dos seguranças, garantindo que seguissem em frente, abrindo caminho pela multidão até a entrada do Ministério.

Ao chegarem à frente do Ministério, Wilma se adiantou, agradecendo discretamente a Moody com um leve inclinar de cabeça, enquanto os outros mantiveram suas posições, preparados para agir caso algo inesperado surgisse.

Rita Skeeter, misturada à massa de manifestantes, observava a cena com seu habitual olhar crítico. O sorriso irônico no canto de seus lábios se intensificou enquanto sua pena de repetição rápida capturava cada detalhe dos acontecimentos. Para Rita, a Ministra, no centro do palco, exibia uma tranquilidade impressionante apesar da situação. Sua presença firme, encarando a multidão furiosa, era algo digno de nota. Ninguém poderia acusá-la de se acovardar diante de uma plateia, pensou Rita com uma ponta de admiração relutante.

Rita continuava dividindo sua atenção em diversas frentes, mas a que mais despertava sua curiosidade era um grupo específico que ela vinha acompanhando desde o início do protesto. Eram homens mais velhos, elegantemente vestidos, destoando da massa juvenil que dominava a manifestação. Notavelmente, esse grupo estava cercado por jovens usando cachecois azuis, um detalhe que não passara despercebido por Rita.

Rita continuou a observá-los com atenção, sua experiência jornalística alertando para algo incomum. Foi então que, de forma repentina e sincronizada, os jovens que cercavam os homens mais velhos ergueram seus cachecois, cobrindo os rostos completamente e deixando apenas os olhos à mostra. O movimento foi rápido e preciso, como se fosse um sinal combinado, algo que eles já haviam planejado previamente.

Logo após cobrir os rostos, os jovens trocaram um breve aceno com os homens mais velhos e começaram a avançar, dirigindo-se para a frente da multidão, onde Wilma Dean estava posicionada. A tensão no ar aumentou à medida que os jovens mascarados se aproximavam, enquanto os homens mais velhos permaneciam onde estavam, observando em silêncio. Rita percebeu que aquilo era mais do que um simples protesto, havia algo planejado, algo que colocava a Ministra diretamente no centro do perigo iminente. Ela sabia que precisaria prestar atenção em cada detalhe, pois algo estava prestes a se desenrolar diante de seus olhos.

Sem perder tempo, Rita se esgueirou rapidamente até a icônica cabine telefônica que servia como entrada secreta para o Ministério da Magia. Com um olhar rápido para os lados, certificou-se de que ninguém a observava. Deixou sua bolsa, com o caderno de anotações, cuidadosamente escondida em um canto, atrás da cabine. Então, sem hesitar, transformou-se em sua forma animaga, uma pequena mosca.

Em um piscar de olhos, ziguezagueou pela multidão agitada, movendo-se rapidamente em direção ao grupo dos jovens de cachecol azul. Atravessou o tumulto até pousar discretamente no ombro de um deles. Foi então que ouviu as palavras abafadas:

"Não fique tão perto, os estilhaços podem nos atingir daqui. Vamos mais para trás."

O tom de urgência na voz do jovem deixou claro que algo perigoso estava prestes a acontecer.

No átrio, o caos era absoluto. Os aurores gritavam em desespero, lançando feitiços frenéticos na direção de Zaino. A imponente serpente, de olhos fechados, movia-se de forma calculada, insinuando um ataque iminente. Seu corpo sinuoso deslizava pelo chão de mármore, fazendo os aurores hesitarem, divididos entre a coragem e o instinto de sobrevivência. A cada aproximação, feitiços explodiam ao seu redor, mas Zaino permanecia impassível, aguardando o verdadeiro sinal.

Então, um sutil pulso elétrico atravessou o ar. Zaino, sensível às energias que Fleur manipulava, sentiu a mensagem silenciosa. Ergueu a cabeça, captando a eletricidade enviada por ela, compreendendo que era o momento de agir. Aquele era o instante exato que Fleur, Lucius e Rita haviam planejado meticulosamente.

Eles sabiam que tinha uma grande chance de trancarem todas as portas do átrio, para Zaino não fugir, então precisaram preparar uma rota alternativa de fuga. Lucius, com sua vasta experiência e conhecimento das entranhas do Ministério da Magia, adquiridos durante seus anos no Conselho Bruxo, sabia exatamente como utilizar a estrutura dos dutos de correspondência a seu favor. Esses dutos, que conectavam todas as salas do Ministério, eram magicamente limpos uma vez por semana para facilitar a troca de cartas e objetos entre os setores. Zaino, sendo ainda um filhote, podia se esgueirar por eles com facilidade.

A próxima peça do plano estava com Rita. Embora tivesse prometido a si mesma jamais assumir sua forma animaga dentro do Ministério, Lucius a persuadiu, garantindo-lhe que o andar de manutenção, onde precisaria agir, estava livre dos complexos sistemas de detecção mágica que protegiam os outros setores. Desconfiada por natureza, Rita buscou confirmar a informação através de suas próprias fontes, e ao sentir-se segura, decidiu seguir em frente. Horas antes da operação, em sua forma animaga de mosca, deslizou pelas sombras até o andar de manutenção. Ali, posicionou um pedaço de carne nos dutos de correspondência, escolhendo o local com extremo cuidado. O aroma seria a chave, guiando Zaino pela rota de fuga oculta, longe dos guardas e dos feitiços de contenção.

Para finalizar essa parte do plano, Lucius havia selecionado uma joia especial de sua coleção para essa missão: uma gargantilha encantada que muda a cor dos olhos do portador para um tom violeta profundo, e apresenta como efeito alterado repelir qualquer feitiço não letal. Sabendo dos perigos que Zaino enfrentaria, a joia era crucial para protegê-lo das maldições dos aurores, e qualquer feitiço que lhe atingisse diretamente apenas ricochetearia para longe. Além disso, Lucius prevendo a possibilidade de a gargantilha ser reconhecida, astutamente incluíra a peça na lista de joias desaparecidas que entregara aos aurores, podendo culpar facilmente os malfeitores que roubaram seu cofre caso a joia fosse identificada.

Sentindo o pulso elétrico de Fleur, Zaino soube que era hora de avançar. Seguindo fielmente as instruções que ela lhe ensinara exaustivamente, captou o aroma da carne no ar e deslizou rapidamente em direção à abertura dos dutos, ao lado dos elevadores. A gargantilha em seu pescoço emitia um brilho suave, enquanto seus olhos, agora abertos no duto, estavam coloridos em um violeta enigmático, cintilavam na penumbra.

Os aurores, perplexos e impotentes, observaram enquanto Zaino desaparecia nos dutos, deixando para trás apenas confusão e espanto.

Ron respirou fundo, percebendo que a conversa com Lucius Malfoy precisava tomar um rumo mais direto. Ele fixou o olhar no bruxo, que permanecia calmo e composto, e disse com firmeza:

— Senhor Malfoy, peço que se sente agora, por favor, e me permita fazer mais algumas perguntas.

Lucius ergueu uma sobrancelha, mas obedeceu, acomodando-se na cadeira com elegância.

— Claro, senhor Weasley. Estou à sua disposição.

Ron se aproximou, apoiando as mãos na mesa entre eles, enquanto Bruna Nichols ajustava sua pena para registrar cada palavra.

— O senhor trouxe aqui de boa vontade a lista de suas joias desaparecidas, como o senhor mesmo apontou — começou Ron, o tom sério. — Mas não fez nenhuma menção aos efeitos secundários dessas joias. Ou pensou que não sabíamos que joias mágicas como as suas quase sempre possuem alterações não regulamentadas?

— O senhor deve saber que, antigamente, os bruxos não registravam as alterações em suas joias. Era uma maneira de garantir alguma vantagem em duelos — disse Lucius, com um tom casual. — O registro dessas alterações só passou a ser exigido depois que o senhor nasceu, se não me engano.

Ron sustentou o olhar dele com firmeza e então falou:

— Depois de Voldemort, eu imagino.

Lucius ficou em silêncio por alguns instantes, antes de dar de ombros.

— Pode ser — respondeu, com indiferença. — Tenho o registro das alterações apenas das joias mais recentes e das mais usadas pela família. Peças menores e menos importantes não foram devidamente registradas... ainda.

— Trinta anos foi tempo suficiente, não acha, senhor Malfoy? — retrucou Ron, sem esconder a irritação.

Os olhos de Lucius brilharam com um lampejo de desafio, mas sua expressão permaneceu serena.

— Como o senhor deve saber, nos últimos dez anos estive impossibilitado de lidar com atividades administrativas. E antes disso... bom, antes disso, digamos que me faltava a inclinação para cumprir certas normas — ele disse com um leve sorriso irônico. — Mas por isso já fui devidamente punido, senhor Weasley. E quanto a essas joias, tudo que posso lhe fornecer já está listado. A função principal delas é meramente estética. Porém, existe a possibilidade de que algumas tenham sido modificadas com propósitos mais perigosos ao longo do tempo. Mas, como já mencionei, não tenho como confirmar nada com certeza.

Ron estreitou os olhos, sua voz carregada de frustração.

— "Existe a possibilidade" não serve como base para uma investigação séria, senhor Malfoy. Precisamos de uma descrição mais detalhada sobre as possíveis alterações de cada joia.

Lucius relaxou na cadeira, sua postura descontraída em contraste com a tensão de Ron.

— E é por isso que o senhor estudou para ser auror, e eu não, senhor Weasley. Ou o senhor espera que eu faça o seu trabalho?— disse Lucius, a voz carregada de sarcasmo.

Ron o encarou, percebendo que Lucius não pretendia colaborar além do que já havia dito. Com um suspiro frustrado e um toque de deboche, Ron questionou:

— E exatamente para o quê o senhor estudou, senhor Malfoy? Eu não consigo lembrar exatamente qual era o seu trabalho.

Lucius soltou uma risada curta.

— Na verdade, minha formação é em artes e história bruxa, senhor Weasley. Se precisar de alguma dica para se tornar mais sofisticado, ficarei muito satisfeito em ajudá-lo.

Ron suspirou, tentando segurar a raiva que ameaçava transbordar. Quando Malfoy lhes apresentou a lista, ele havia sentido um lampejo de esperança, acreditando que, enfim, poderiam avançar na investigação. Agora, diante da percepção de que as coisas não se resolveriam no ritmo que ele esperava, a frustração o consumia, e ele precisou reunir todas as suas forças para não deixar sua irritação transparecer.

Wilma Dean estava parada à frente do Ministério, o olhar firme percorrendo a multidão agitada à sua frente. Com a varinha em uma mão e sua pedra de toque na outra, ela se preparava para falar, tomando um momento para medir a situação.

Enquanto ela se concentrava, sentiu a presença de Alastor Moody ao seu lado. Ele se aproximou discretamente, inclinando-se para falar em seu ouvido, sua voz baixa e cheia de urgência:

— Ministra, há uma situação no átrio que preciso resolver. Vou garantir que, caso a senhora precise acessar o local rapidamente, tudo esteja em perfeita ordem.

Wilma deu um breve sorriso para Moody, lançando-lhe um olhar rápido antes de voltar sua atenção para a multidão. O aviso dele era um lembrete de que a situação podia se deteriorar a qualquer momento, e suas palavras poderiam ser essenciais para remediar isso.

Ela sentia o peso do momento. Seus olhos escuros e resolutos vasculhavam a multidão à sua frente, uma massa fervilhante de bruxos e bruxas, erguendo cartazes carregados de descontentamento e cólera. Ela respirou fundo, sentindo a tensão pulsar no ar pesado da Praça dos Feiticeiros. A Ministra ergueu a varinha com calma, apontando-a para a própria garganta, e, com um movimento firme, conjurou o feitiço Sonorus.

— Bruxos e bruxas, venho aqui falar com vocês, de coração aberto. — Sua voz, ampliada até a última potência, explodiu pelo espaço. O som reverberou como um trovão, ricocheteando violentamente pelas paredes e colunas de pedra, subindo até o teto abobadado e tremendo as fundações das lojas e edifícios em torno do ministério.

O tumulto inicial da multidão deu lugar a um silêncio tenso. Todos os olhares estavam voltados para ela agora. A respiração coletiva, suspensa. Wilma observava-os com uma postura imponente, mas seu coração batia acelerado dentro do peito, sabendo que suas palavras poderiam acalmar aquela situação ou incendiar ainda mais.

Ela aproveitou o silêncio momentâneo para começar seu discurso, dizendo:

— Primeiramente, quero reconhecer o direito de vocês de se manifestarem — começou a Ministra, sua voz firme, mas tentando estabelecer alguma conexão com os jovens revoltosos. — Quando eu tinha a idade da maioria de vocês, o governo era extremamente rígido e opressor. Naquela época, não podíamos nos levantar contra o que acreditávamos ser errado. E foi por isso que lutei! Lutei para que jovens como vocês, hoje, pudessem expressar suas opiniões sem medo de represálias.

Fleur traçou o último detalhe do mapa em sua mente, um sorriso discreto surgindo nos lábios ao sentir o alívio finalmente tomar conta. Mas, naquele exato instante, uma vibração poderosa reverberou pela sala, como se o ar à sua volta se tornasse palpável. Ela ergueu o olhar rapidamente e, através da parede de vidro, observou o corredor. Os cartazes colados à parede tremiam, acompanhando o ritmo de uma voz ressonante que ecoava pelo espaço. A voz, inconfundível e ampliada por magia, alcançou seus ouvidos: era a Ministra da Magia, Wilma Dean.

Por um instante, Fleur ficou imóvel, com o coração disparando no peito. A chegada da Ministra significava que o momento havia chegado, Lucius precisaria encontrá-la, e juntos poderiam escapar de toda aquela confusão.

Na sala de interrogatório, o silêncio tenso foi quebrado pela voz amplificada da Ministra Wilma Dean, que reverberava pelas paredes de pedra. Ron, Nichols, e Lucius trocaram olhares ao ouvir as palavras da Ministra ecoarem pelo corredor. Lucius, com sua habitual expressão de superioridade, ergueu uma sobrancelha e, com um tom quase casual, perguntou:

— Vocês gostariam de interromper nosso interrogatório e ir auxiliar sua Ministra da Magia?

Ron balançou a cabeça, mantendo seu olhar firme em Lucius, e respondeu com um leve sorriso:

— Não é necessário. A nossa Ministra da Magia é perfeitamente capaz de lidar com um bando de adolescentes desordeiros. Além disso, Moody já está lá.

Lucius soltou um suspiro teatral, inclinando-se levemente na cadeira enquanto dizia com uma pitada de ironia:

— Como queira, senhor Weasley.

Internamente, Lucius estava frustrado. O plano que havia imaginado parecia simples: ao saber que a Ministra da Magia estava enfrentando uma multidão enfurecida, todos os aurores se mobilizariam para garantir sua segurança. Isso, pensou ele, levaria à sua libertação antecipada, permitindo-lhe ir ao encontro de Fleur.

Mas Ron Weasley, com sua teimosia característica, estava determinado a jogar duro. Ele não iria ceder tão facilmente, e isso complicava os planos de Lucius. Ele manteve sua expressão impassível, mas por dentro, começava a recalcular suas opções.

Na praça dos feiticeiros, as vaias se tornaram ensurdecedoras, alimentadas pelo grupo de Kimmy, que agitava a multidão com uma intensidade crescente. O som reverberava pelo praça, ganhando força a cada segundo, enquanto mais e mais bruxos se uniam ao coro de desaprovação, transformando a atmosfera em uma onda de hostilidade.

A Ministra sem se abalar, continuava:

— Eu sei que muitos estão alvoroçados pelo ato criminoso que ocorreu no Beco Diagonal — continuou — Fazer pessoas dormirem contra sua vontade é um crime e será punido como manda a lei.

Os gritos de "Dorminhoca!" surgiram rapidamente, tentando desviar a atenção de suas palavras. Segurando a pedra de toque em sua mão, Dean manteve o tom firme:

— Mas tenham cuidado para perceber se estão sendo manipulados. Eu não propus, nem irei propor, nenhuma lei que obrigue Hogwarts a receber mais ou menos alunos vindos de famílias não bruxas.

"Mentirosa!" a multidão gritou, numa reação impulsiva. Ainda assim, Dean não permitiu que isso a distraísse. Seu olhar era firme, seus olhos buscavam as pessoas que poderiam estar ouvindo, que poderiam ainda ser alcançadas. Então continuou:

— Eu confio completamente na diretora de Hogwarts e no seu Conselho de Pais e Mestres. Não tenciono me intrometer nas dinâmicas de ensino por eles estipuladas.

Rita Skeeter, em sua forma de mosca, levantou voo do ombro onde estava pousada, determinada a não perder de vista o curioso grupo de homens mais velhos que havia chamado sua atenção. Sobrevoando a multidão com olhos atentos, logo os avistou. Naquele exato momento, um a um, puxaram os cachecois sobre o rosto, ocultando suas feições. Então, abriram os sacos pretos que carregavam. De um dos sacos, um dos homens retirou uma pequena catapulta, que à primeira vista parecia um brinquedo inofensivo. Contudo, o modo calculado com que se movimentavam acendeu o alerta de Rita. Logo em seguida, outro homem retirou de um segundo saco uma esfera de energia azul, um pouco maior que uma melancia, cujo brilho intenso e ameaçador fez o ar ao redor parecer vibrar perigosamente.

Os dois homens trocaram olhares rápidos, e com um movimento coordenado de suas varinhas, começaram a lançar um feitiço sobre a catapulta, que, em instantes, começou a crescer. Rita soube imediatamente que algo perigoso estava prestes a acontecer e não podia perder tempo. Antes que a catapulta atingisse seu tamanho total, ela disparou em direção à Ministra Wilma Dean, voando o mais rápido que suas asas minúsculas permitiam.

Gritos de espanto e terror irromperam entre os manifestantes. A enorme catapulta, deslocada naquele cenário, foi carregada com uma esfera pulsante de energia mágica, cujo brilho sinistro iluminava as faces encobertas dos bruxos. Então, em um instante que pareceu durar uma eternidade, a catapulta foi acionada.

A esfera mágica rasgou o céu, um brilho mortal avançando rapidamente em direção às portas do Ministério. Manifestantes e aurores congelaram, o horror crescia em seus olhares enquanto percebiam a devastação iminente e o caos que estava prestes a se abater sobre eles.