Capítulo 13 - Cigarro de Menta
Rita Skeeter aparata com um leve estalo em Hogsmeade, o vilarejo bruxo mais próximo de Hogwarts. O céu está encoberto, e o castelo de Hogwarts aparece imponente ao fundo, com as torres espiando entre as nuvens. O ar frio e úmido da tarde envolve Rita enquanto ajeita seu casaco e segue em direção ao Três Vassouras, onde havia combinado de encontrar George Elton.
Madame Rosmerta, a dona do famoso pub, acena para Rita ao vê-la entrar.
— Boa tarde, Skeeter. Uma mesa para a senhora, como de costume? — pergunta Rosmerta com um sorriso acolhedor.
Rita Skeeter agradece com um leve sorriso, seus olhos ainda varrendo o salão.
— Obrigada, Rosmerta. Hoje estou aqui para encontrar alguém — responde ela, enquanto procura discretamente por um rosto familiar entre os clientes do pub.
Ela rapidamente avista George Elton, o administrador das propriedades de Lucius Malfoy, sentado em um canto afastado. Ele parece tenso, tomando pequenos goles de cerveja amanteigada enquanto seus dedos tamborilam nervosamente na mesa.
— Sr. Elton — diz Rita, se aproximando com um sorriso calculado, sentando-se diante dele sem esperar um convite. — Imagino que você veio preparado para me mostrar meu novo... alojamento.
George levanta o olhar abruptamente, e a surpresa momentânea é substituída por um desconforto visível.
— Claro, Sra. Skeeter — responde ele, sua voz ligeiramente tensa, mas firme. — Eu estava apenas tomando um momento para apreciar o ambiente antes de partirmos. — Ele se levanta apressadamente, deixando algumas moedas sobre a mesa e gesticulando para que ela o acompanhe. — Por favor, por aqui.
Eles saem do Três Vassouras e caminham pelas ruas movimentadas de Hogsmeade. O vilarejo está vivo com a atividade típica de um dia de visita dos estudantes de Hogwarts. George caminha rápido, os ombros tensos, e Rita o segue com passos confiantes, já absorvendo os detalhes ao seu redor.
Após alguns minutos, eles chegam a um prédio elegante, uma das estruturas mais impressionantes da vila. George, ainda um tanto nervoso, insere a chave prateada na fechadura, mas suas mãos tremem, dificultando a tarefa.
— Este apartamento é... um dos mais luxuosos da área — explica ele, finalmente conseguindo abrir a porta. — Ocupa... um andar inteiro e tem uma... uma vista magnífica para o castelo e... os arredores.
Rita entra no apartamento e imediatamente começa a examinar o espaço. A decoração é refinada, com móveis antigos dispostos cuidadosamente em cada cômodo.
— Impressionante — diz Rita, sua voz cheia de admiração contida. Ela passeia pelo salão principal, seus dedos deslizando suavemente sobre a superfície de uma mesa de mármore.
— Mas devo perguntar, Sr. Elton — ela continua, seu tom agora mais insinuante — Esse lugar era... usado com frequência? Digo, é conhecido que o Sr. Malfoy... bem, tinha suas... distrações extra-conjugais, digamos assim.
George fica visivelmente desconfortável, sua face corando ligiramente.
— Eu... eu não... não sei ao certo, Sra. Skeeter. Eu... eu cuido apenas da... da manutenção e das... propriedades, não... não estou... envolvido nos assuntos... pessoais do Sr. Malfoy.
Rita dá um sorriso astuto, percebendo a hesitação.
— Ah, claro, claro. Mas sabe, a sociedade bruxa sempre adorou especulações, e esse apartamento, tão bem escondido e ainda assim tão luxuoso, certamente alimentaria muitas fofocas.— Ela faz uma pausa dramática, deixando o silêncio pesar antes de continuar. — Há quanto tempo você trabalha para a família Malfoy, Sr. Elton?
George engole em seco e responde com uma voz trêmula.
— Eu... eu trabalho para eles desde que... saí da escola. Isso faz mais de... 40 anos. Meu... meu pai também cuidava da... da administração dos bens da família Malfoy antes de mim.
Rita levanta as sobrancelhas, claramente intrigada. Se inclina ligeiramente para a frente, seus olhos brilhando com uma curiosidade perspicaz.
— E nesses 40 anos, nunca houve... incidentes? Algo fora do comum? Não estou falando do envolvimento com aquele que nós sabemos... disso, todos já estão cientes. O que realmente me interessa são as intrigas... os segredos que ninguém ousa mencionar.
George, começando a suar, hesita por um momento antes de responder.
— Eu... eu realmente não saberia dizer, Sra. Skeeter. Durante todo esse tempo, sempre tentei me manter distante dos... dos assuntos mais delicados do Sr. Malfoy.
Rita, ainda não completamente convencida, se inclina um pouco mais para perto, seus olhos fixos nos de George.
— Tem certeza disso, Sr. Elton? O Sr. Malfoy não apareceu por aqui recentemente com uma jovem de longos cabelos platinados e um sorriso bobo no rosto? — Ela suspira e acrescenta — Não, não a jovem... o Sr. Malfoy. Embora, pensando bem, acho que talvez ambos.
George ficou pálido, seus olhos se arregalando enquanto ele tentava formular uma resposta.
— E-eu... eu... n-não, Sra. Skeeter. Eu... não vi... nada assim! O Sr. Malfoy... não trouxe ninguém aqui. E ele também não veio a Hogsmeade desde que voltou ao círculo bruxo. Este apartamento estava realmente lacrado magicamente!
Rita arqueia uma sobrancelha, fingindo estar intrigada.
— Ah, que estranho — diz, aproximando-se das paredes. — Eu sinto um cheiro recente de cigarro mentolado por aqui. Nada que uma boa limpeza bruxa não resolva, mas me pergunto… — Ela sorri maliciosamente, observando George com olhos afiados. — Se o senhor garante que o proprietário não apareceu aqui recentemente, será que o senhor resolveu seguir o exemplo de Lucius Malfoy e fazer deste o seu próprio ninho de amor secreto?'
George empalidece, sua expressão de horror se transformando rapidamente em uma mistura de ofensa e indignação.
— Sra. Skeeter, eu sou um homem de respeito! Estou casado com Catarina Elton há mais de 30 anos, e certamente sabe que ela é a proprietária do "Glamour e Bruxaria", um dos salões de beleza mais prestigiados do mundo bruxo! Eu jamais me envolveria em algo tão indigno, que pudesse manchar a reputação dela! E nunca usaria a propriedade dos Malfoy para... qualquer tipo de aventura imprópria que pudesse ferir minha esposa.
Rita ergue as mãos em um gesto conciliador, mas seu sorriso permanece ligeiramente inclinado.
— Oh, mil desculpas, Sr. Elton! Não quis sugerir algo tão... escandaloso. Claro que um homem tão respeitável como o senhor jamais faria algo assim. — Ela faz uma pausa, seus olhos brilhando com um toque de ironia. — É que, em minha profissão, sabe como é, a imaginação corre solta.
Ela inclina a cabeça ligeiramente, o sorriso se alargando com uma pitada de deboche.
— Mas o senhor deve convir que cigarros de menta não se fumam sozinhos.
George gagueja, sua voz trêmula enquanto tenta responder.
— S-Sra. Skeeter, eu... eu já disse que... que este apartamento estava lacrado! N-Não faço ideia de onde... de onde vem esse cheiro! — Ele desvia o olhar, incapaz de sustentar o olhar afiado de Rita. — Eu... eu sou um homem de princípios e... e jamais permitiria algo desse tipo! A senhora... a senhora está insinuando coisas absurdas!
Rita, ainda sorrindo, se vira novamente para o apartamento, sua mente já traçando os próximos passos.
— Está bem o senhor pode ir agora, Sr. Elton. E não se preocupe, farei questão de deixar o apartamento exatamente como o encontrei... ou talvez até melhor.
George, aproveitando a permissão para sair, faz uma reverência desajeitada e praticamente corre para fora do apartamento, desaparecendo rapidamente pela porta. Rita observa sua saída com um sorriso satisfeito, sabendo que suas perguntas o deixaram claramente perturbado.
Assim que George se vai e o silêncio envolve o luxuoso apartamento, Rita pega sua pena de repetição rápida, que começa a escrever automaticamente no pergaminho ao lado dela enquanto ela fala em voz alta:
— Cigarro mentolado e segredos sussurrados pelas paredes. Será que Lucius Malfoy, o outrora enigmático aristocrata ligado as artes das trevas, já está traindo a encantadora Fleur Delacour, justamente quando as chamas de seu romance deveriam estar no início do seu ardor? Ou será que o reservado George Elton, guardião das propriedades Malfoy, esconde algo ainda mais sombrio neste refúgio luxuoso? O persistente cheiro de cigarro mentolado pode ser apenas a primeira pista de uma trama repleta de intrigas e mistérios? Quem sabe o que mais este apartamento em Hogsmeade poderia revelar sobre os segredos mais profundos dos Malfoy?
A pena para de escrever, e o pergaminho começa a se apagar magicamente, removendo cada palavra até que o papel esteja novamente em branco. Ela guarda a pena, consciente de que agora, trabalhando em colaboração com Lucius Malfoy, publicar algo nesse momento poderia causar mais problemas do que trazer benefícios.
Então, soltando um suspiro de satisfação, ela se apoia no parapeito da sacada, admirando a imponente vista de Hogwarts. Enquanto contempla a paisagem, seus olhos são atraídos para o chão abaixo, onde vê vários tocos de cigarro espalhados, indicando que alguém tinha o hábito de fumar ali e descartar os restos sem cuidado. Um sorriso malicioso surge em seu rosto enquanto murmura para si mesma:
— Cigarro mentolado.
Em seguida, ela lança um olhar afiado em direção ao castelo, já começando a traçar seus próximos passos enquanto a noite desce sobre Hogsmeade.
