Aviso: contém Spoilers do filme da Disney, Hércules (1997).
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Conversa Entre Elas
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Andar dos Romanogers.
No dia seguinte, as mulheres se reuniram para visitar os bebês, trazendo café, chá e lanches leves para as mães. Enquanto aproveitavam a companhia uma da outra, mantinham um olhar atento nos pequenos, que brincavam num cantinho acolchoado, cercado de brinquedos e almofadas.
Sorrindo, Pepper se curvou ligeiramente. — Estávamos conversando ontem, e o Tony sugeriu uma festa de Dia das Bruxas para os bebês.
Bobbi arqueou uma sobrancelha. — Festa?
— Típico — Natasha revirou os olhos, mas com um sorriso no canto da boca.
— No começo, também achamos que era loucura — Betty contou — mas e se for algo pequeno, só a gente e as crianças?
Natasha olhou para o James, que balbuciava feliz enquanto puxava um brinquedo. — Parece bom, mas Steve e eu mal temos tempo para planejar qualquer coisa…
Sentada no chão, perto dos bebês, Bobbi acariciava o cabelo de Francis. — Nós também. Nem lembro da última vez que o Clint e eu fizemos algo só por diversão.
— Então, essa é a ideia. — Pepper disse, animada. — Vocês não precisam fazer nada. Deixa com a gente! Vai ser uma tarde divertida, com espaço acolchoado para eles brincarem à vontade.
— E é o primeiro Dia das Bruxas deles. Imagina as fotos! Eles estão crescendo tão rápido. — Betty incentivou.
Natasha olhou com doçura para seu filho pegando outro brinquedo. — Sim, só não quero que ele fique agitado. Ele começou a dormir um pouco mais à noite… — O cansaço em sua voz era evidente.
— Claro — Pepper abriu um sorriso acolhedor. — Deixa eu mostrar os planos, e vocês decidem se está tudo bem. Prometo que será só a gente, algumas fantasias e muita diversão.
Bobbi inclinou a cabeça, curiosa. — Fantasias?
Pepper puxou o StarkPad da bolsa. — Deem uma olhada — disse, exibindo uma ilustração adorável com bebês e crianças rodeados por brinquedos de pelúcia, pilares antigos e todo aquele charme inspirado no filme.
As duas mães se derreteram ao ver a cena.
— Viu? Nós também não resistimos — Betty sorriu, encantada.
Natasha observou mais de perto. — O tema é mitologia grega?
— Isso mesmo! — Pepper respondeu. — Já ouviu falar do filme da Disney, Hércules? Não consigo parar de imaginar o James como o bebê Hércules e o Francis como Eros, com um arco e flechas minúsculos. Não é a coisa mais fofa?
— Ah, essas asinhas! — Bobbi riu, já convencida.
Elas continuaram olhando os modelos de fantasias criados por um estilista, inspirados no filme.
— Steve como Hércules e Clint como Cupido? — Natasha segurou o riso. — Então é por isso que o Tony escolheu esse tema!
Bobbi soltou uma risadinha. — Isso não vai funcionar com o Clint…
— Ah, você sabe como o Tony é — Pepper comentou, com um toque de malícia. — Mas até que faz sentido, né? Pais e filhos com trajes combinando.
Natasha arqueou a sobrancelha, sorrindo. — O Steve vai perceber as intenções do Tony de longe… E nunca vai aceitar.
— Mas olha os outros — Betty mostrou as fantasias do Tony e do Bruce. — Vamos todos ficar ridículos juntos!
O riso logo se espalhou entre elas, e Pepper aproveitou para exibir as opções femininas. — Ah, eu quero ficar deslumbrante. Afinal, estamos falando das deusas gregas. — E ela tinha razão. Cada vestido era incrivelmente elegante e sofisticado.
— Uau! São mesmo! Seria bom usar algo assim de vez em quando. Ultimamente, só uso legging — comentou Bobbi, rindo.
— Ou moletom — Natasha completou, acenando com a cabeça.
— Exatamente! — Betty entrou na conversa. — Vocês merecem um pouco de diversão.
— O Bruce não estava muito empolgado com a ideia de ser o Hades, mas cedeu assim que viu a fantasia da esposa, Perséfone — disse Pepper, ampliando a imagem na tela — olha só.
— Você vai ficar incrível! — Bobbi elogiou a Betty, deixando-a levemente corada. — E eu, o que vou usar?
— Cupido é o nome romano do Eros. Ele é casado com Psiquê e filho de Afrodite. Já que o Clint e o Francis vão se vestir de Eros, você pode escolher ser uma das duas — Betty explicou, mostrando as opções.
— Os dois vestidos são lindos, mas se alguém pode ser a deusa da beleza, é você — Pepper acrescentou com um sorriso sincero. Bobbi corou, balançando a cabeça, um pouco sem jeito. Ela sabia que o elogio era genuíno, mas não conseguia se livrar completamente daquela sensação de desconforto, a pressão silenciosa de sempre parecer perfeita.
— Exatamente! — concordou Betty. — E a Natasha pode ser a Mégara, a ruiva do Hércules.
Natasha, que lia as informações sobre o filme no celular, se sentiu um pouco decepcionada por ser estereotipada por uma amiga. — A falsa sedutora? — respondeu calmamente, mantendo os verdadeiros sentimentos escondidos.
— Não, não! — Betty explicou rapidamente. — Mégara é uma das personagens mais complexas da Disney daquela época. Ela vendeu a alma ao Hades para salvar um namorado que a traiu, por isso ficou amarga e desiludida sobre o amor. Mas ela não é uma vilã nem donzela em perigo. É uma lutadora.
Natasha sorriu de leve, sentindo o alívio se espalhar. — Interessante. Então ela não é uma princesa da Disney?
— Exatamente, não é. Ela é independente demais, cínica demais. Quando o Hades a mandou manipular o Hércules, ele era tão nobre e idealista que a conquistou. Ela se apaixonou por ele de verdade e se sacrificou para salvá-lo, virando o clichê de cabeça para baixo — a heroína salvou o herói.
Pepper ergueu uma sobrancelha, intrigada. — Você assistiu o filme de ontem pra hoje?
— Sim! — Betty riu. — Faz tempo que não vejo filmes infantis, mas sempre gostei deles. E fiz umas pesquisas também. O filme tem suas bobeiras, mas eu adorei.
— Tem final feliz? — perguntou Bobbi.
— Com certeza! Na mitologia grega, Hércules era um semideus, filho de Zeus e uma mortal, e Mégara era sua esposa. No filme, ele nasceu deus, mas o Hades o transformou em mortal, impedindo-o de voltar ao Olimpo. Quando ele sacrificou sua alma pela Mégara, provou ser um verdadeiro herói e recuperou sua divindade. Mas, no final, ele escolheu permanecer mortal para ficar com ela. É bem romântico.
— Sério? — Pepper interrompeu, os olhos brilhando de curiosidade. — Falando nisso… Vocês não vão acreditar em quem eu encontrei outro dia. Jane.
A sala ficou em silêncio por um momento, enquanto as mulheres trocavam olhares, lembrando-se da última vez que estiveram com Jane, na despedida de solteira de Natasha. Naquela ocasião, a astrofísica havia contado que terminou com Thor porque ele queria que ela vivesse em Asgard, enquanto ela desejava que ele ficasse na Terra. Ao contrário do herói grego fictício, o príncipe asgardiano escolheu o caminho destinado a ele, em vez do amor de uma humana.
Natasha franziu a testa, intrigada. — Sério? Onde você a encontrou? Não ouço falar dela faz tempo.
— Como ela está? — Betty inclinou-se para frente, interessada.
— Foi num evento beneficente da empresa. Ela está ótima. E adivinhem… Está noiva do Dr. Kincaid, o nosso neurologista de plantão — Pepper sorriu, tomando um gole de café.
— Caramba! Acho que sei quem é. Alto, loiro, bonito, não é? — Bobbi riu. — Ela definitivamente tem um tipo.
Natasha sorriu, lembrando-se dele na equipe médica que ajudou a salvar sua vida há quase dois anos atrás. — Ele parece ser um cara legal. Fico feliz por eles.
Tendo trabalhado com ele, Betty acrescentou, — Eu também. Ele é muito inteligente, dedicado, um amor de pessoa.
— Muito tímido, reservado — Pepper deu uma piscadinha. — Bem o oposto do nosso amigo asgardiano.
— E ela perguntou sobre o Thor? — Bobbi levantou uma sobrancelha, com um sorriso curioso. — Você contou que ele voltou com a Sif?
— Contei sim. Jane desejou tudo de bom pra ele e disse que já esperava por isso — Pepper assentiu. — Ela parece genuinamente feliz.
— Fico feliz por ela também — Bobbi refletiu. — Deve ter sido uma experiência e tanto, né? Namorar um… deus.
— Um alienígena — Betty corrigiu com um tom mais científico. — Eles podem se parecer conosco, mas são outra espécie, outra biologia. Quem sabe o que mais?
Natasha balançou a cabeça, pensativa. — Estamos aqui falando de mitologia grega como ficção, e a nórdica se provou real. Louco, né?
Pepper riu suavemente. — Nem me fale. Imagina se eles tivessem continuado juntos. Todo o drama envolvido.
Bobbi completou, rindo. — E a gente reclamando que os nossos maridos são complicados.
Com o som de risos no ar, elas tomaram goles generosos de suas bebidas.
— Bom, pelo menos nossos problemas são da Terra — Betty comentou, pensativa. — Então, vamos nos fantasiar ou não?
Pepper insistiu, animada, — Mal posso esperar para tirar fotos com seus bebês fofos.
— Ah, é melhor nos acostumarmos — Bobbi ponderou. — Eu tenho muitos primos, e quando eu era criança, tinha festa à fantasia o tempo todo. Não era só no Dia das Bruxas, mas também em aniversários, Páscoa, Independência… Qualquer desculpa servia. E a maioria das fantasias era feita pelas nossas mães.
— Minha mãe e eu nos divertíamos muito quando ela era viva — Betty disse com um toque de melancolia.
— Eu sou filha única e a minha trabalhava o tempo todo. Era sorte se eu ganhasse um bolinho no meu aniversário — Pepper comentou, soltando uma risadinha.
Natasha, que não tinha nenhuma memória assim, tomou sua decisão. Ela queria que James tivesse todas essas experiências. — Vou falar com o Steve. Não prometo a fantasia, mas estamos dentro.
— Eu também — Bobbi assentiu.
Betty sorriu, e Pepper se recostou na cadeira. — Não se preocupem. Deixem o brilho por conta dos bebês; vocês só precisam curtir. A gente cuida de tudo, e é por minha conta.
Natasha cruzou os braços, com um brilho nos olhos. — Você sabe que vai ter que nos deixar pagar por alguma coisa, né?
— Sim, por favor — Bobbi concordou.
Pepper fingiu surpresa, colocando a mão sobre o coração. — Vocês não vão estragar meu prazer de dar uma festa para meu afilhado e meu sobrinho querido, né?
— Você não pode usar essa desculpa sempre! — Natasha riu, levantando a sobrancelha.
— Tarde demais — Pepper deu de ombros. — No próximo filho, não escolham uma madrinha bilionária.
Os risos ecoaram pela sala, e os laços de amizade entre elas só se fortaleciam.
Depois de conversarem com seus maridos, as esposas deram o aval para a festa. Como esperado, as fantasias dos pais foram imediatamente recusadas. Clint rejeitou a ideia na hora, enquanto Steve apenas balançou a cabeça, dizendo que já havia usado fantasias o suficiente na vida.
