"Não olhe para mim assim! Eu realmente preciso disso agora, OK?"
É preciso cada grama de força em seu ser para não enrolar Daisy em um abraço ali mesmo.
Sua mandíbula está tão apertada que poderia muito bem ter sido fechada com arame, é pura força de vontade mantendo-o parado. Teru diz a seu cérebro estúpido, totalmente não apaixonado, para se concentrar, atendendo aos seus comandos em vez de ceder aos impulsos primitivos que ele se considerava imune antes de conhecê-la. As pessoas estão assistindo, estão à vista das arquibancadas lotadas de seus colegas, esperando o início da partida do time masculino. Isso arruinaria a reputação que ele cuidadosamente construiu perante os outros alunos, seus pais, até mesmo seu avô. Vai ser o fim da pouca paz que ele foi capaz de arrancar do caos de sua vida para si mesmo.
"Terutan, você pode me dar um abraço?"
Sua equipe de lacrosse acabou de perder uma partida e Daisy estava se sentindo particularmente desanimada. Ele era, bem, ele gostava de pensar que era o namorado dela, ele veio com o único objetivo de torcer por ela, ela está triste. Não deveria ser esperado dele? Não pode ser tão ruim só para dar um abraço nela, certo?
Não. É um erro. Teru não pode se dar ao luxo de parecer fraco, mas é exatamente isso que ela faz dele.
"Mais tarde, tudo bem?" Sua voz soa tensa, até mesmo para seus ouvidos. "Olha, eu tenho que voltar para o café. Por que você não passa por lá depois e nós podemos...?"
Daisy deve ter achado por bem resolver o problema com as próprias mãos, ou braços, neste caso, segurando-se em torno dele e apertando com força. Ele não tem certeza do que é mais quente naquele momento, o próprio rosto ou o corpo dela após exercícios físicos intensos. Ele tem que mastigar o lábio para parar de choramingar quando ela enfia a cabeça em seu pescoço. Seus dedos se contorcem ao seu lado, seus braços pendurados flácidos e inúteis, olhos arregalados.
Ela está tão perto, ela se sente tão bem, ela cheira tão bem...
Teru retribui seu abraço, segurando-a como se ela desaparecesse se ele a soltasse. É diferente de quando ela luta contra ele, quando ela se recusa a deixá-lo ter esse jeito. Isso é infinitamente melhor. Ele poderia ficar aqui por horas, a sua reputação que se dane, as palavras de sua mãe não soavam mais em seus ouvidos. Até o café pode ir para o inferno.
Ele sente os olhares em suas costas, garotas conversando e farfalhando nas arquibancadas. Ele pode lidar com isso mais tarde, certamente. Eles sempre acreditam no que ele tem a dizer, mesmo quando é comprovadamente estúpido. Ele está apenas sendo legal, certo? A pobre garota acabou de perder o jogo, ele é um amigo solidário e um aluno consciencioso. Ele deve consolá-la, se puder. Todos viram que ela o abraçou primeiro.
Por enquanto, porém, Teru vai aceitar tudo o que Daisy está oferecendo a ele e talvez um pouco mais.
