28 de abril de 1937:

Fiquei o observando, não deveria estar aqui com ele, não deveria estar na presença do meu inimigo, mas estou.

Não sei o porquê, pensei que seria uma boa ideia ter mais dinheiro e pegar a capa, mas não queria me submeter a isso, não queria estar respirando o mesmo ar que ele.

Mas estou e me sinto enojada com tudo isso que estou fazendo...

Acho que se fosse a Leesa de anos atrás, ela me bateria por estar me sujeitando a isso.

Mas depois de vários tapas e xingamentos, talvez percebesse que só estou fazendo isso para a guerra.

Afinal, não sei o que vai acontecer quando juntar as relíquias, Dumbledore as teve em mãos e nada aconteceu, mas talvez tenha visto algo que o fez se sentir em paz com sua morte.

Talvez tenha visto a própria Morte em carne e osso, mas só posso descobrir quando pegar aquilo, e mesmo estando ansiosa, não posso ser assim.

Ansiedade não vai me levar a lugar algum e tudo que posso fazer com a ansiedade é me autossabotar com falsas convicções.

Tom sempre fala que tudo que faço está no caminho certo, mas e se não estiver?

E se estou no caminho errado? O caminho que me leva a ser tudo aquilo que abominei antigamente.

Tudo aquilo que penso ser imoral me faz pensar e repensar, me faz pensar que não deveria fazer aquilo e que estou errada, que serei julgada por aqueles olhares.

Mas tudo que penso sobre a minha conduta imoral, me faz lembrar que essas escolhas absurdas me trouxeram aqui e que mesmo sendo um caminho tortuoso e demorado, esse caminho me trouxe muitos benefícios.

Ainda mais por ter Potter bem na minha frente.

Poderia matá-lo e acabar com tudo aqui, seria rápido... Porém, não iria saciar tudo que passei para chegar aqui.

Aceitei meu passado, os medos e até mesmo minhas personalidades, mas aceitar tudo isso deixou feridas e apenas matar esse garoto não me daria prazer.

Seria nada divertido e comecei a gostar da vida divertida que posso ter.

Antes, quando achava os conceitos do Canopulous os certos, achava a luz algo magnifica e gostava da luz.

Gostava de quão brilhante poderia ser e eles poderiam me matar, já que nunca foram meus inimigos de fato.

Mas agora, agora essas pessoas que se autodenominam da luz me enojam.

Fico mais enojada que minhas próprias escolhas e crenças que passei a apoiar.

Estou corrompida e percebo que mesmo minha cabeça dizendo o quão errado é minhas escolhas, nunca faço o que pede.

Sei que é errado, mas se isso me beneficia, por que não posso me sujar?

Ainda me importo com o julgamento, mas posso passar a não me importar, todos são maus e nem por isso os julgo por fazerem certas coisas.

Podem me chamar de hipócrita e de duas palavras, mas não importa como meu fim nessa era chegará.

Apenas importa como vai ser grandioso o meu segundo ato do espetáculo.

Serei lembrada na história e farei que tudo seja perfeito, mesmo no caminho mais errado, afinal, não sou um anjo...

_ O que você acha? - Voltei a prestar atenção nele. _ Você não prestou atenção, não é? - Ficou chateado.

_ A segunda equação está errada, o cinco não deveria estar no lugar do dois. - Ficou surpreso. _ Mesmo estando no mundo da lua, minha mente não se desliga. - Apenas uma pessoa me deixava naquele mundo.

Sorriu e começou a refazer a fórmula de sua poção.

Mesmo sendo do futuro, não sabia como era a fórmula perfeita, não sabia a quantidade de ingredientes ou se levava um ingrediente raro.

Não queria saber de algo como poção de cabelo que na época era inútil para mim, e continua sendo.

_ Fiquei sabendo que você brigou com um Grifano. - Comentei e não discordou. _ Por quê?

_ Ele só estava dizendo que se eu continuasse conversando com você, uma Sonserina, poderia me arrepender. - O garoto não estava errado. _ Não acho que posso me arrepender disso.

Seu achismo está equivocado, vou matar seu neto e roubar a sua capa, acha mesmo que sou uma boa pessoa?

Apenas estou contando minha versão, talvez a versão dos outros, eu seja um verdadeiro demônio.

Continuei o observando a terminar sua poção, hoje tinha aula com meus alunos e deveria saber quais feitiços fizeram, ou poções.

_ Os Grifanos estão com raiva. - Olhou-me. _ Eles não queriam perder para a Sonserina e não estão gostando do tratamento de silêncio que as outras casas estão dando.

_ Por que as outras casas estão fazendo isso? Pensei que a Dorea poderia me informar, mas nem ela soube como desvendar esse pequeno e inútil mistério.

Riu e largou a pena na mesa, não estávamos na sala precisa, estávamos em uma sala abandonada no quarto andar, não levaria o inimigo até o meu refúgio.

Ainda não sou louca o suficiente para fazer isso... Ainda.

_ Algumas pessoas descobriram o que eles estavam fazendo com os outros alunos, já que eles ameaçavam essas pessoas para não contar.

Sabia que alguns alunos dessa casa já tinham feito algo horrendo, mas sem provas e apenas com hipóteses, ninguém me levou totalmente a sério.

Mas agora, agora é diferente.

Claro, as outras três casas também podem ter feito coisas piores que a Grifinória fez.

Porém, as esconderei para que meu plano dê certo, não estou fazendo tudo isso para que uma dúzia de desgraçados acabem com tudo.

Posso matá-los depois, mas agora só quero que a Grifinória sinta a dor que ela "merece".

_ Então as três casas começaram a nos tratar mal e não acho ruim, é bem mais silencioso no dormitório. - Apoiou sua cabeça na mão e continuou me olhando.

_ Nunca entendi o porquê Godric fez os dormitórios desse jeito. - Desabafei. _ Ter uma pessoa em cada quarto é muito melhor. - Concordou.

_ Não podemos julgar o fundador, talvez ele tenha pensado que seria melhor ter mais pessoas em um cômodo para fazer amizades. - Isso tem um pouquinho de verdade.

Ficamos em silêncio por alguns segundos, estava tentando pensar no que o Godric pensava enquanto fazia os dormitórios...

Bom, talvez tenha lido sobre os dormitórios na pasta e isso era uma boa razão no momento.

_ Conhece Euphemia? - Discordei. _ Ela me propôs algo. - Arrumou os óculos.

_ Casamento? - Por que estamos falando sobre algo tão íntimo? _ Você não gosta dela? - Estava pensativo e falou:

_ Euphemia é uma Grifana bastante bonita, mas não acho que daremos certo neste ponto. - Não ligo muito, eles vão se casar mesmo. _ Mas meus pais estão tentando me casar com alguém que traga "glória" a nossa família.

Os Potter sempre foram pessoas cinzas, nem estão nas trevas e nem mesmo na luz, porém, esse conceito acaba quando o filho desse míope nasce e tudo virou luz para a família Potter.

E talvez esse garoto só se casou com a Euphemia apenas para fugir dos seus pais, o que não deu muito certo.

Porém, ele acabou amando a Euphemia e deu no que deu, morreram um atrás do outro, apenas com uma pequena diferença de data.

_ Então aceite o pedido dela, talvez você consiga se livrar dos seus pais. - Girei a pena e lembrei do little lord fazendo isso. _ Talvez você acabe gostando dela.

Ficou me observando e abriu a boca para falar algo, mas sempre fechava.

_ Posso esperar cinco anos, não tenho muita pressa. - Cinco anos? _ Meus pais querem uma nora que traga glória a nossa família e Euphemia é só Euphemia. - Que idiota.

_ Como se uma pessoa assim aparecesse do nada. - Sorriu e discordou. _ Não me diga que você está pensando que vou me casar com você? - Era como aquele clichê de inimigos para amantes...

Que nunca vai acontecer, já que tenho um namorado que me dá tudo que quero e que respeita minhas opiniões, mesmo sendo absurdas.

Não posso deixar de imaginar o little lord matando essa pessoa por dizer algo tão idiota como isso.

Seria tão fofo vê-lo coberto de sangue e dizendo que fez para me proteger, mesmo não sendo necessário...

Acho que preciso parar de imaginar o little lord como uma pessoa possessiva e obsessiva.

Mesmo sabendo que ele é assim, não ligava muito, já que nunca me atrapalhou ou me proibiu de fazer algo.

Sempre foi gentil e romântico... Claro, se eu começasse a gostar de outro, ele o mataria sem pensar duas vezes.

_ Não achei que fosse tão ruim, você conseguiu tudo em tão pouco tempo e você pode ter treze...

_ Doze anos.

_ Certo, doze anos, mas posso esperar você ter seus dezessete, não gosto de você, mas minha família poderia gostar. - Que pena, quero matar sua família.

Mas pensando bem, desde o começo ele sempre pensou nessa possibilidade, quem iria atrás de uma pirralha apenas para ajudá-lo em sua poção inacabada?

Ele não quer se livrar dos pais, ele quer dar orgulho e quer usar uma pessoa para isso.

Entretanto, ele deu orgulho para os seus pais com sua poção e não precisava usar uma pessoa para isso, mas ainda não percebeu.

_ Tenho namorado. - Ficou surpreso. _ E não gosto de traição, acho isso idiota. - Suspirei. _ Então aceite o que a Euphemia propôs e tudo ficará bem.

_ Mas...

_ Posso continuar te ajudando com a poção, já que fizemos um contrato para isso, mas não vou te ajudar no tema relacionamento. - Suspirou. _ Felizmente não quero ser usada por um Potter. - Nunca mais.

Sorriu e concordou, não sabia o motivo dele estar sorrindo ou o porquê estava tão feliz com as minhas palavras, parece que enlouqueceu de vez.

Não acharia ruim de vê-lo acabar com a reputação de sua família, ou algo do tipo, seria melhor para mim, mas sei que nada disso vai acontecer.

Não nessa época.

_ Você é interessante. - E você é um pedófilo. _ Infelizmente nossas reuniões semanais irão acabar, já que consegui fazer a minha poção. - Levantou o pergaminho e o balançou. _ Obrigado.

_ Não fiz por você, fiz pelo dinheiro e ganharei muito com essa poção. - Dei de ombros.

_ Não duvido disso, mas antes de nunca mais aparecer na sua frente quase todos os dias, quero mostrar algo para você.

_ Pensei que a gente não fosse se ver nunca mais, não ficaria triste.

_ Somos sócios e temos que nos ver mensalmente, claro, quando minha poção for mais lucrativa que minha imaginação está me fazendo pensar. - Não estava errado, mas não quero vê-lo.

_ Você pode ver o duende que fez o nosso contrato, ele é muito competente e é só você dar o nome dele, já que você não o conhece... - Revirou os olhos e percebi que ele não queria ver o Caspra.

Talvez pense que sou uma de suas amigas que deve levar até mesmo para o casamento que terá com a Euphemia.

Apenas posso suspirar e tentar não bater minha cabeça na mesa, quem mandou aceitar a proposta desse míope?

Deveria ter aceitado a proposta de alugar as casas em Hollow, mesmo que a quantia não valesse a dor de cabeça, seria muito melhor que ver esse garoto por anos.

_ Tudo bem, podemos nos ver mensalmente depois que sua poção for um sucesso. - Sorriu. _ Mas...

_ Você sempre tem um porém. - Revirou os olhos.

_ Sem ele, não seria nada. - Agradeço as aulas da titia. _ Você vai se casar com a Euphemia. - Iria retrucar, mas não deixei. _ Quando suas poções estiverem ganhando bastante dinheiro, quero uma garantia que você não vai me empurrar para fora dessa mina de ouro.

Ficou pensativo e olhou para o bolso, tentando ver se aquilo que ele escondia era o suficiente para me agradar.

_ Fizemos um contrato...

_ Sim, mas desfazer ele não seria tão difícil com dinheiro, quero uma garantia. - Retirou algo do bolso e disse:

_ Bom, já ia mostrar isso aqui mesmo, mas meus pais me deram algo no ano passado, dizendo que era uma capa malfeita dos nossos antepassados. Sei que talvez você não queira uma capa, mas isso é a única coisa que tenho no momento.

... Capa? Ele não vai me mostrar a capa da invisibilidade assim do nada, né? Porque se ele fizer isso, posso morrer em paz a partir de hoje.

_ O que tem de interessante nessa capa? - Perguntei tentando não transparecer minha ansiedade.

Queria apenas tocar na capa para saber o que aconteceria comigo, a pedra estava no meu dedo e a varinha estava na mansão, mas isso seria uma nova experiência e adoro experiências.

_ Você aceitará isso como garantia? - Quase balancei minha cabeça em um ato desesperado.

_ Quero saber o que essa capa faz, se eu gostar, podemos fazê-la a nossa garantia.

_ Tudo bem, apenas não posso dá-la a você nesse ano, meus pais têm um carinho por esse troço. - Nem imagino o porquê. _ Talvez quando me casar com a Euphemia e me tornar o patriarca da família.

_ 1939?

_ Sim, tenho mais um ano em Hogwarts e duvido que eles passarão o bastão para mim. - Parecia feliz. _ Bom, essa capa faz você se tornar invisível. - Retirou do bolso e me mostrou um pequeno quadradinho de pano. _ Infelizmente já estou grande para que isso me ajude, mas como você é pequena...

_ Acha que não crescerei? - Ele quer morrer?

_ Não falei nada disso. - Estendeu a capa para mim. _ Pegue, vai ser seu mesmo.

_ E se você mudar de ideia? - Ainda não tive coragem de pegá-la.

_ É apenas uma capa, não é como se fosse feita pela própria Morte como o conto dos três irmãos. - Continuei olhando para a capa. _ Pegue...

_ Faremos mais um contrato amanhã, um mais elaborado. - Concordou, guardando o pergaminho.

Não falei mais e apenas peguei a capa de sua mão estendida, mas meus dedos começaram a tremer apenas por tocar no pano macio.

Não sentia meus dedos queimarem, mas sentia frio, o suficiente para dar pontadas no meu pulmão, como se estivesse contraído uma pneumonia.

Parecia os efeitos colaterais de quando fiquei sem o little lord, mas pior.

Era como se a própria Morte estivesse aqui, me observando com seus olhos mortíferos; meu coração parecia que iria congelar a qualquer momento.

Estou morrendo? Ou isso quer dizer que conhecerei a Morte quando estiver com a varinha?

_ Isso vai ser muito útil para mim. - Levantei-me da cadeira e vesti a capa, não poderia transparecer desconforto. _ O que acha?

Apenas minha cabeça estava fora da invisibilidade, mas meus dedos apertavam a capa para tentar se esquentar no pano.

Entretanto, era impossível, meu calor estava sendo sugado.

_ Ótimo, fica bem melhor em você por ser pequena. - Pensou em algo. _ Meus filhos ficariam bem usando essa capa, mas agora são seus filhos que irão usá-la. - Acho que sim.

Tiro a capa por começar sentir uma dor de ouvido e não posso ficar doente em Hogwarts.

Começo a observar cada mínimo detalhe, queria gravar em minha mente o que seria meu futuramente e acho que consegui, já que meus dedos alisaram o pequeno símbolo das relíquias.

Quando estiver com as relíquias vou realmente ver a Morte? Era uma pergunta sem resposta no momento.

Dobrei a capa, enquanto tentava parar de pensar nessas besteiras, ninguém me responderia e mesmo se respondesse, talvez fosse diferente para mim.

Entrego a capa para o garoto e minha temperatura começou a subir, isso era mais confortável...

_ Espero que me convide para o casamento, gosto de comer doces. - Sorriu, guardando a capa. _ Mas não irei lhe convidar para o meu casamento.

Iria reclamar, mas um elfo apareceu e suas palavras morreram em sua boca, como se não quisesse reclamar na frente de um ser "inferior".

Olhei para o elfo e era um elfo que não conhecia, ele não era da mansão ou até mesmo da cozinha, ou da mansão Black... Mesmo só conhecendo dois dos elfos da família Black.

Mas posso dizer que o terno que vestia era de boa costura e sua postura era muito formal, não parecia um elfo comum.

_ Minha... - Olhou para o garoto e refez suas palavras. _ Senhorita...

_ Quem é o senhor? - Perguntei. _ Tem algo para mim? - Concordou e tirou de seu paletó um pequeno envelope.

Aproximou-se e vi um pequeno símbolo na lapela de seu paletó, era uma cobra e só posso imaginar esse elfo sendo do little lord, ele disse que tinha dois elfos em sua posse, Dixy e Troy.

Mas quem seria esse elfo? Dixy ou Troy?

Entregou-me a carta e rasguei o envelope, tendo a atenção dos dois aos meus movimentos.

Um deles queria minha resposta e o outro, estava querendo saber de quem era o elfo.

Mas não poderia dizer que era do meu namorado, isso seria estranho, não é?

Bom, futuramente as pessoas irão começar a descobrir sobre isso e terei que inventar uma história...

Retiro do envelope a carta e começo a ler o conteúdo.

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Coelhinha,

Queria começar essa carta com várias declarações de como estou sentindo sua falta, de como estou morrendo de saudades e como estou parecendo um lunático por estar sempre olhando a nossa foto, aquela que você me enviou.

Mas tudo que posso escrever agora é que consegui as pessoas para sua fábrica de poções e consegui um local para preparar as poções, a única coisa que falta é o local para venda.

Continuo viajando, mas para começar a produção preciso da receita e de seu sangue.

Entregue tudo para o esse elfo idiota, ele é o Troy, é um pouco insensível e barulhento.

Vejo você em poucos meses, minha coelhinha...

Magnificência.

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Meus lábios queriam subir e dar aquela curvatura de sorriso bobo, que desde que o conheci nunca saiu mais.

Mas não fiz isso, apenas guardei a carta na minha capa, pegando um papel e uma pena.

Tom talvez não quisesse voltar para a mansão e pegar a receita, e aposto que não deixaria um elfo procurar nas minhas coisas.

Mas se deixasse, encontraria a receita que os duendes me ajudaram a descobrir.

Faço uma pequena receita detalhada e entrego para o elfo, que observava o lugar como se fosse contar tudo para o seu mestre. Provavelmente vai.

_ Em algumas horas vou lhe chamar para saber a reposta. - Não queria a reposta de algo que não perguntei. _ Tudo bem?

_ Sim, senhorita. - Pegou o papel e o colocou em um lugar seguro. _ Até logo. - Desapareceu.