Kohei nunca foi bom em viver suas perdas.

Perder o pai lhe ensinou isso. Perder tudo o que ele havia construído para si mesmo só reforçou a ideia. E agora, de pé diante de Akari, ouvindo-a falar em lhe abandonar como se fosse a coisa mais fácil do mundo, ele sentiu o mesmo terror familiar abrindo caminho em seu peito.

"Não." Ele disse, a palavra escapando antes que ele pudesse pará-la.

Ela deu-lhe um sorriso triste. "Kohei..."

"Eu disse não!" Sua voz era firme, não tolerando argumentos. Suas mãos se fecharam em punhos ao lado do corpo. "Você não vai embora. Não haverá divórcio. Não vou assinar nada."

Ela suspirou, paciente, mas inabalável. "Você tem que assinar. Isso é para o seu próprio bem. Você sabe que esse casamento não está funcionando."

Mas essas palavras apenas solidificaram o pavor em seu coração. Porque se Akari fosse embora agora, ela nunca mais voltaria. E Kohei não suportava perder alguém novamente.

A decisão foi tomada antes que ela pudesse perceber. O quarto que ele preparou no sótão para ela era confortável, cheio de tudo o que ela poderia precisar. As janelas foram reforçadas, as portas trancadas do lado de fora. Ele a visitava com frequência, sempre carregando calor em seu toque, sempre gentil, mesmo quando ela gritava com ele, mesmo quando implorava.

"Você não entende. Eu não posso deixar você ir. Eu não vou deixar você ir." Ele murmurou, limpando as lágrimas dela com as pontas dos dedos calejados.

Porque se Akari fosse embora, isso o destruiria. E Kohei não permitiria que isso acontecesse.

De novo não. Nunca mais.