Disclaimer: Jogos Vorazes, bem como seus respectivos personagens, não me pertence, e sim a Suzanne Collins. Posto esta fic apenas por diversão e entretenimento, e sem nenhuma intenção de lucrar algo com isso.

N/T: Esta fic também não me pertence, ela é uma tradução da fic "Días de Libertad", de Bayita Sis. A autora me autorizou a traduzi-la.


DIAS DE LIBERDADE

Percorremos quilômetros sendo cúmplices e testemunhas de atos brutalmente desumanos e, ainda assim, seu coração de colibri solta-se ao ritmo das chamas de sua paixão por mim. É lindo. Um ser forjado pelo amor e outro nascido da desconfiança. Nunca esquecerei de como apontei minha flecha para você, quando você entregou sua faca no momento final dos primeiros jogos. Em que momento eu mereci ser sua esposa ? Eu poderia viver por mil gerações e não te merecer, mas você chega e me implora, com esse sorriso infantil, com esses olhos amorosos, para que eu seja só sua pelo resto da vida.

Eu pisco perplexa olhando-o nos olhos de minha altura, onde você deveria estar, para a sua postura: ajoelhado e segurando minha mão com um olhar atormentado pelo medo. Irônico. Nem na arena eu te senti tão trêmulo. Eu rio nervosamente, contagiada pela sua falta de controle.

- Vamos, Katniss... você quer ser minha esposa, verdadeiro ou falso ?

Agora o meu riso é uma gargalhada enquanto eu me ajoelho diante de você. Eu te olho fixamente. As palavras não são o meu ponto forte, mas meus sentimentos vêm aflorando com o passar dos anos através dos meus olhos. Peeta... você sabe que eu te amo e que estou surpresa, até certo ponto indignada com tamanha surpresa, já que você sabe que quanto mais controle eu tenho sobre minha vida, mais em paz eu estou...

- Diga de novo ! - eu me sinto uma idiota, como na época em que eu ria com meu pai, quando ele me agarrava pelos tornozelos e me levantava no ar antes de me encher de cócegas e me colocar na cama.

- Katniss...

- Só mais uma vez... - eu deixo meus dentes à mostra quando o meu sorriso se alarga e entrelaço minhas mãos nas suas, preparando-me para sentir a euforia que suas palavras me causam.

- Katniss Everdeen... estar com você é a maior felicidade, compartilhar minha história, meu amor e meu espaço com você é o que quero fazer pelo resto da minha vida. Saber que posso segurar sua mão faz qualquer turbulência se apagar. Sentir seus lábios, meu privilégio mais precioso. Hoje eu te peço para ser minha esposa, porque cada parte de mim sabe que você é a única pessoa com quem eu quero compartilhar meus dias.

Eu te beijo muitas vezes, todas muito intensamente. Não tenho ciência de quando me deitei sobre você e ficamos cobertos de terra, eu com minha trança, você com seus cachos. Com você eu não tenho medo, saber que você está comigo me dá tudo o que preciso.

- Você nem viu o anel ! - você me repreende, e com toda razão. Eu me levanto um pouco e você me entrega a caixinha com seus dedos grossos, eu os acaricio antes de pegar o anel.

- E você não passou nenhum creme nessas mãos ! - insisto em esfregar-lhe os dedos ásperos marcados pelo fogo e pelo calor dos pães.

- Desculpe, você sabe que eu sempre esqueço... - eu rio novamente. Estou tão feliz... olho para o anel, lindo e bem simples. É perfeito para mim. Fixo-o no meu dedo e vejo, divertida, o pingente resplandecer em cores brilhantes.

- É diamante - falo vagamente.

- Exatamente. Porque você é o mais belo legado das minas.

- Você me transpassa o coração... meu pai, o mineiro que não sobreviveu para desfrutar dos dias de liberdade.

- Que honra teria sido pedir sua mão a ele.

Eu sorrio, soltando uma lágrima.

- Que honra teria sido aprender a assar o pão de seu pai.

Você me abraça pela cintura.

- Até minha mãe ficaria orgulhosa de mim por me casar com a mulher mais corajosa que este lugar já viu crescer.

- Acho que ela estaria prestes a me matar por ainda não ter te respondido - eu rio um pouco, fazendo com que você dê um breve sorriso.

- Não sei do que você está falando... seus olhos me disseram sim desde que te perguntei.

- Ah ! - eu exagero, indignada.

- Não comece, amor... - você me diz, aproximando o nariz do meu - Responda logo.

Eu fecho os olhos. Respiro fundo e me preparo para confessar:

- Nem que eu vivesse mil vidas eu te mereceria, Peeta... mas agradeço por você ter me escolhido...

Um beijo entre lágrimas e risos. Quando olhamos nos olhos um do outro, você sussurra:

- Sempre.


Imagino Cinna me olhando criticamente antes de sorrir. Tenho certeza que ele diria que estou perfeita. Então meu Patinho insistiria que eu estava bonita e eu diria que não havia beleza que se comparasse à dela. Meeu pai olharia para mim com um sorriso que às vezes já não me lembro e me abraçaria com força, dizendo que mamãe também estava linda no dia em que se casaram, recebendo no processo um abraço de minha mãe, um abraço tão parecido com o meu que seria familiarmente desconfortável. Talvez Madge segurasse minhas mãos e pendurasse alguma coisa em meus cabelos antes de me dar um beijo caloroso no rosto. Gale até poderia dizer que eu continuo sendo a noiva ideal, ainda que com o noivo errado. Ele usaria de alguma forma a palavra Catnip para me roubar um risinho bobo... até Boggs acenaria para me parabenizar, chamando-me de soldado.

No entanto nem a guerra e nem a morte me aprazem com rostos familiares, senão a vida que me apresenta um quarto vazio, um tanto escuro devido à minha perda de noção do tempo. Acendo as luzes e minha maquiagem se destaca mais em meu reflexo. Effie insistiu em estar aqui, mas eu ficaria louca com três garotas correndo por aí com tecidos e kits de beleza, então pedi a Haymitch para me deixar fazer isso sozinha. Nem mesmo minha equipe de preparação; quem sou eu para obriga-los a enfeitar meu corpo quando, na verdade, não quero máscaras ? Apenas um vestido que Cinna desenhou há alguns anos, na época da guerra. Uma leve maquiagem e uma trança que aprendi a fazer por conta própria, na ausência de minha mãe, e fico descontrolada por sentir a falta de Prim. Nada de garota em chamas nem de tordos excêntricos. Apenas a mulher livre que eu sempre quis ser.

A porta abre e eu suspiro ao vê-lo entrar. A única pessoa que nunca me abandonou e que não me abandonaria. O único a quem eu nunca quero imaginar como um fantasma. Seu rosto se contorce em um semblante de preocupação ao me ver.

- Com o que você está se atormentando, agora ?

Eu nego desajeitadamente e desvio o olhar, meus dedos desprendem algumas lágrimas que não notei sobre a minha maquiagem...

- Eu não saberia lhe explicar.

- Só me diga se eu devo preocupar-me.

Eu te olho nos olhos para que você possa ler meus pensamentos, mas só encontro doçura, sem surpresa.

- Veja, os mesmos velhos fantasmas.

- Eu poderia te dizer muitas coisas, Katniss. Mas desta vez quero que você veja por si mesma.

Suas mãos envolvem minha cintura até segurar meu quadril e me fazer girar sobre os calcanhares. O longo espelho me confronta novamente. Suas mãos pressionam suavemente o meu umbigo e seu corpo agarra-se ao meu por trás. Sinto meu sangue ferver com o contato, mas deixo a sensação de lado ao ver o nosso reflexo. Prim ficaria boquiaberta. Sou uma linda noiva. Meu vestido é leve, coberto por seda e tecido com rendas. Meu véu rompe-se solenemente em lágrimas de cristal, como se com cada pérola eu pudesse arrastar todas as minhas perdas e angústias para o esquecimento. Não me falta nenhum pormenor, mas não sou nada mais que uma mulher envolta por medos, azeitada em traumas de minha infância. Eu posso parecer bonita exteriormente, mas lembro-me de ser o monstro que perfurou, a sangue-frio, animais e pessoas com suas flechas. Que encorajou uma nação inteira a seguir o caminho da guerra e da traição. Aperto meus cílios à idéia de realmente ser esse monstro que Peeta conheceu na companhia do delírio e da agonia. Talvez o veneno tenha turvado-lhe a visão. Meu ventre se congela e em seguida o fogo me consome: tudo o que fiz foi por Prim... tudo !

Meus olhos se abrem com lágrimas, eu estendo a mão e vejo minha própria imagem em uma parede de vidro... que mulher, aquela ! Contorcendo-se na miséria do passado ao invés de aproveitar a riqueza do presente. Os anos passam e eu continuo revivendo os horrores da arena: as mortes, a sede, a violência, a fome e o calor... e, subitamente, meu reflexo grita dentro de mim: "Mas você não consegue ver nada além do seu abandono !"

- Mas Prim era minha irmã ! - eu respondo em voz alta, sem pensar.

- E nunca vai deixar de ser - sua voz me lembra gentilmente, como se você pudesse entender cada traço de minha pele, cada frase através do meu olhar - Você nunca vai deixar de amá-la. Mas você não está sozinha. Eu a amarei, junto a você, até o meu último suspiro.

Prim era a minha pessoa amada e protegida, um anjo, uma amiga, meu pedacinho de felicidade, meu refúgio, meus sorrisos e meus desejos... ela significa uma extensão do meu ser, um amor diferente de qualquer outro. Uma irmã é mais que uma bênção; é ter um amor incondicional, verdades certeiras, olhares cúmplices sobre assuntos que ninguém jamais saberá. Prim era mais nova e mesmo assim me protegeu. Por que não pude protegê-la, se era meu dever ?! Era meu desejo, minha única prece ao Universo... sem ela, minha vida ficou arruinada, não era como arrancar uma peça de um quebra-cabeça, era como drenar uma parte vital de minha alma...

No entanto, minha irmã sempre foi e sempre continuará sendo minha força e meu amor. Prim me mostrou que o coração tem a qualidade de expandir infinitamente o amor que existe dentro de nós e, portanto... embora ninguém supere o meu amor por ela, o meu propósito de vida... eu posso abrir meus sentimentos para mais pessoas, eu posso amar você, Peeta.

Então eu te vejo... como nunca te vi antes, nós dois estamos juntos, você sempre esteve ao meu lado, mesmo em sonhos, mesmo envenenado... mesmo à distância. E hoje eu decido diante de todo o meu distrito que é porque eu quero, mas não só a todas essas pessoas que eu conheço, eu prometo a mim mesma, diante deste espelho, porque te amo, não porque sou um fardo para alguém, ou porque estou sozinha, ou porque me sinto em dívida para com você. E sim porque eu decido ser a pessoa com quem você compartilha os seus dias, escolho que seja você a me conhecer, e a quem confio minha vida.

Seus lábios recebem os meus com a maior naturalidade e eu me sinto faminta pela sua afeição.

- Você tem de saber, Peeta...

- O q... - múltiplos beijos abafam a sua voz.

- Só ouça... - você concorda silenciosamente - Eu te amo. Eu te amo, e preciso de você - seus olhos refletem o brilho e os reflexos, e eu posso perfeitamente reconhecer sua alegria no momento em que seus lábios se curvam num sorriso caloroso, cheio de admiração - Você é luz em minha vida, e com ela me ajuda a dissipar os medos e a perdoar os erros do passado. Aqui e agora eu me confesso sua - você pisca e sei que quer me interromper, saber mais... mas minha mão pousa alguns dedos em seus lábios, e eu os acaricio sem pensar. Sei que estou sorrindo, mas não sei desde quando... - Não me pergunte... apenas, apenas deixe-me compartilhar tudo o que sou... não só agora e sim por todo o tempo que tivermos, e eu lutarei para que seja por muitos anos... não se afaste de mim, porque de agora em diante eu não vou me afastar de você.

Como selo final dos meus votos eu beijo suas mãos, beijo sua testa e lhe sorrio, reconhecendo no brilho dos seus olhos a felicidade que eu mesma devo estar exibindo.

Você finalmente derrama algumas lágrimas, tão grossas que as borboletas em meu estômago se desfazem em ternura. Sua mão coloca-se firmemente sob minha orelha, pouco antes de eu senti-lo me atrair até os seus lábios. Sua boca me diz em silêncio o que suas batidas dizem em seu ritmo: você me ama muito. Quando sinto suas mãos sob minhas costas e seu rosto me surpreende escondida em minha clavícula, minha espinha estremece por inteiro.

- Oh, Katniss... Katniss... - os murmúrios revelam o seu pranto, a força de suas mãos enterradas no tecido, a intensidade.

É quando você me liberta do seu carinho que seus cílios úmidos direcionam a atenção para o meu rosto perplexo e feliz. O sorriso agora mostra os seus dentes. Um último abraço, mais gentil que qualquer outro, inicia uma série de beijos firmes que descarregam eletricidade por todo o meu corpo. Terminamos com um roçar suave de nossos lábios. Eu sorrio otimista, mais confiante do que nunca. Lentamente olho para cima e renovo minha empolgação ao ver seus olhos carregados de amor...

- Estou pronta.


De repente, sinto vontade de fugir com você, de mão dadas; há muitas pessoas. Embora eu conheça todas elas, nunca fui boa em ser o centro das atenções de seus olhares. O forno está no ponto, e sei que nosso pão é o melhor, pois, se tem uma coisa que você me ensinou, foi tirar o melhor proveito de cada peça. Todos sorriem e eu respondo com um sorriso nervoso em meu lábio inferior. Sinto algo parecido com lágrimas assomando-se por minhas córneas. Vejo então que minha mãe está na cerimônia. Eu a vi em algumas ocasiões, mas em nenhuma ela me pareceu tão viva como nesta tarde. Eu poderia afirmar que ela sentia vontade de chorar.

Haymitch abre caminho até me alcançar e me segura pelo braço enquanto chama a atenção dos meus convidados; todos ficam em silêncio, até que a voz dele começa o brinde:

- Nunca houve uma noiva mais ridícula no Distrito 12. Um vestido tão extravagante para sentar-se entre a fumaça e o carvão ? Tanta seda para ser uma padeira ? Bem, isso é o que todos poderiam pensar. Mas minha querida amiga Katniss não pertence apenas ao nosso amado distrito e sim a toda Panem. Ela repetidamente juntou as peças necessária para consolidar os nossos dias de liberdade. Ela sempre será a filha da qual Panem precisava para respirar. E hoje, com sua humildade, nos mostra que os distritos têm de ser flexíveis até mesmo nas tradições mais longínquas - ele faz uma pausa para tomar um gole do copo mais próximo - E, com o apoio de meu amigo Peeta, ela nunca esteve sozinha. Eu admiro essa convicção e fé cega em sua parceira. Queridos amigos, para mim é um prazer ter sido tutor e companheiro dessas duas pessoas. Que a vida lhes permita ser tudo o que sei que ambos podem ser: felizes.

Você vai andando e, com calma, leva nosso amigo embriagado até sua bebida enquanto sussurra um "Nada de ridícula, ela é a noiva mais linda que os meus e os seus olhos já viram em nossas vidas". É um breve instante, mas vejo a Lua banhar-lhe o rosto e sinto um rubor. Gosto da idéia de vê-lo tão feliz noite após noite, e prometo ser a razão desses sorrisos. Eu te farei feliz.

- Queridos amigos, esta noite eu não só reafirmo o meu amor por Katniss, mas também reverencio os meus pais, segundo suas tradições e ensinamentos. E eu não poderia estar mais orgulhoso ou feliz, com suas presenças. Meus amigos, companheiros, vizinhos e vencedores - há um pequeno murmúrio entre as pessoas, eu consigo ver Johanna Mason sorrindo, fazendo beicinho. Eu flagro-me franzindo um pouco o cenho, não gostaria de lembrar dos Jogos Vorazes em meu casamento - Todos nós vivemos nossas próprias contendas, aqui ou em qualquer distrito que fosse. Alguns são jovens demais para lembrar - você diz, olhando para o filho de Finnick - , mas todos nós somos vencedores, somos credores desses tempos de harmonia. E nossos vínculos são fortes porque temos um passado muito intenso. Mas agora, aqui diante de vocês, a vida me lembra que por amor sempre valerá a pena lutar - durante esta pequena pausa você me faz ficar muitíssimo enrubescida, olhando-me nos olhos - E por você, meu amor, eu lutarei infinitamente. Dia após dia, por um presente e um futuro, fazendo-a feliz.

Minhas lágrimas comovem muitas vozes, mas suas palavras deixam-me emudecida. Só em seu abraço eu posso esconder meu rosto e acariciar suas costas sob a jaqueta. O pão está fumegando, o vinho está sendo degustado. Suas palavras e meu silêncio selaram tudo isso. Nós oficialmente estamos casados.


Eu nunca tinha olhado assim em seus olhos, com infinita doçura, vulnerável por causa do vinho e à sinceridade dos meus olhos. Agora sou sua de acordo com as leis do Distrito 12, mas em meu coração existem algumas regras muito desconcertantes, tão distorcidas que nem mesmo minha cabeça e seus complexos processos mentais entendem. Peeta... você é o meu único e verdadeiro sorriso, eu queria apresentar-lhe os meus sentimentos para que você os visse por si mesmo. Há uma gratidão enorme, uma genuína tranquilidade que jorra até cobrir meu peito; muita paz. É como estar comigo mesma, mas sem pensar no que vou dizer ou fazer a cada passo, porque com você tudo é válido. Com você não há erros, não há protocolos. Eu poderia me abandonar e você faria com que eu permanecesse viva. Isso faz algum sentido ? Não. Em uma história de egoísmo e solidão, eu não tinha mais espaço para confiar, pois até eu me tinha me decepcionado. Por que você vem até mim, e com que direito, dando-me seu amor de forma altruísta, desinteressada e tão confiante ? Você não pode me enganar. Amar é dar tudo sem hesitar, sem sentir dor, sem procurar recompensas, sem nem mesmo perceber que está fazendo-o... e tudo o que você me dá é uma seqüência incessante de atos carregados desse sentimento.

Sinto seus beijos em meu umbigo, suas mãos percorrendo firmemente meus quadris. Esse sopro que me queima e me congela, que submete minha voz a uma odisseia de sabores. E com a mesma pressa eu troco beijos em sua pele, arrancando-lhe suspiros e arquejos. Quero te provar, quero te preencher, morrer com você, explodir seu gozo. Eu libero a desconfiança a cada beijo, as barreiras são destruídas no mesmo ritmo que suas carícias subjugam meus recantos mais secretos. Beije-me. Sinta-me. Confesse o quanto eu te provoco ! Eu mordisco e me contenho. Não me reconheço neste instante e me elevo, as ondas carregadas de desejo. Encontro o seu olhar, feliz e apaixonado, livre de culpas, no auge da paixão, e seus novos propósitos me fazem estremecer, começando gentilmente com seus lábios nos meus, falando em silêncio em meio a olhares. Exigindo ritmos compassados, progressivamente. E aí está você, meu garoto do pão, torturando deliciosamente os meus sentidos, dando-me amor infinito a cada respiração. Me fazendo feliz, embriagada em meio às suas batidas. Sua voz me motiva a te deixar louco com minhas mãos. Você respira, respira... cada pausa aumenta a agitação de minhas veias, minhas artérias queimam, minha boca sela-se como um ímã à sua. Sinto seus dedos afundarem em minhas coxas, em meu tronco, em minha barriga... um novo vício nasceu entre seus braços: eu só quero te amar !

A umidade de seus lábios lentamente me derrete. Você está imerso em sua descida, torna-se natural acomodá-lo em meu colo, sentir seu coração através do meu flanco. Sinto-me cansada e, mesmo assim, desejando ouvir sua voz chegar novamente ao clímax. Acaricio o seu cabelo. Nunca pensei que seria tão fácil permiti-lo.

- Katniss... oh, amor... - eu coro com essa voz acariciando-me o peito com a sua respiração - Isso foi... - um suspiro corta a sua própria frase e eu rio.

- Você gostou disso ! - eu te acuso, divertida, quase posso imaginar seu sorriso em minha mente.

- Sim. Muito. Você me matou.

Eu rio novamente, calma, confiante, ignorando o fato de que estou nua, deitada e te abraçando em meio a alguns lençóis amassados e amarrotados. Você levanta o corpo até encontrar meus lábios.

- Nunca imaginei ser tão feliz.

Você se acomoda sobre seu braço e me olha nos olhos enquanto explora, com carícias, o meu pescoço.

- Eu quero te fazer feliz todos os dias...

- Peeta ! - seus dedos percorrem meu peito, minhas costelas.

Senti seus lábios deliciando-se com cada fibra minha no começo é prazeroso, depois tortuoso, e sem pedir permissão ou te dar tempo eu me impulsiono e te viro, agora meu cabelo cai sobre seus ombros, minha mão se detém em seu peito. Identifico um instante de medo, mas meus olhos não são agressivos, só estão carregados de desejo.

- Você é linda...

Meus beijos te surpreendem, minhas mãos te fazem corar, minhas pernas te subjugam. Sinto suas mãos e minha nuca e sorrio vitoriosa a cada suspiro que minhas carícias exigem de você. Isso é algo novo e, ainda assim, parece que já fizemos isso muitas vezes, porque seu corpo é familiar para mim, e meu amor por você determina como devo amá-lo. Sua respiração agitada me traz de volta aos seus lábios e, dando-lhe meus beijos, sussurro silenciosamente que você é tudo o que eu sempre quis.


Agarro-me aos seus cachos, aqueles que sedutoramente curvaram-se sobre a sua trança e que agora repousam suavemente em seus ombros e meu peito... perco-me em suas costas, abraço o seu pescoço... a sua pele é inebriante, o seu cabelo acaricia-me novamente o nariz enquanto procuro novamente pelo seu rosto. Você é linda, meu sonho finalmente consumado, quero merecer você e a esta felicidade que você me dá pelo resto dos meus dias... gravo em minha alma o seu sorriso; ele me contagia e eu te beijo, grato por cada instante que vivemos... nossos dedos entrelaçados acomodam-se em meio à seda e brincando com uma ou outra pétala perdida, eu acaricio lentamente suas costelas...

- Eu te amo, linda - e seu sorriso me deixa entusiasmado. Não há mais medo, não há mais dor, não há mais fome, não há mais guerra, não há mais sofrimento. Agora estou completo - Eu te amo.


N/T 2: Bem, e aqui está mais uma tradução de minha parte. É a minha décima tradução do fandom de Jogos Vorazes, e é também a nona tradução com o ship Katniss/Peeta. E eu espero que vocês gostem dela.

E, se gostarem... reviews, pode ser ?