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16x01 - REUNION - PARTE 3

CENA 14 - SALA DA REITORA
A reitora de Duke está sentada em sua sala. O ambiente é enorme, com diversos móveis de carvalho e muitos livros médicos. E apesar do clichê, há um esqueleto artificial em um dos cantos. Trabalhando na papelada está Elizabeth Corday, que é interrompida por uma ligação e a atende com seu forte sotaque britânico:
Lizzie: Dra. Corday.
Elizabeth continua escrevendo apesar da ligação. Só dá mais atenção quando o assunto parece ser sério:
Lizzie: Que tipo de acidente?

CENA 15 - SALA ADJUNTA À SALA DA REITORA
Lizzie: Oh, meu Deus!
Ao sair da sala e ver sua secretária, Corday toma um pequena susto.
secretária: Você pode me ajudar?

A secretária de Corday é uma coroa britânica de 70 anos, com óculos fundos de garrafa e não deve ter mais do que um metro e meio. E a velha está toda enrolada, tentando colocar um quadro na parede.
Lizzie: Porque não pediu ajuda pra alguém? - indo em direção a ela
secretária: Eu estou pedindo...
Lizzie: Pronto. - pegando o quadro - Agora vamos colocá-lo.
secretária: Mê dê só um minuto... - a velha solta o quadro - preciso muito ir ao banheiro.
Lizzie: Sra. Dupree, não te pedi pra checar essa infecção na bexiga? Isso é sério.
secretária: Eu sou uma senhorita. - pega a bolsa e toma rumo pro banheiro - E por favor, não discuta a minha bexiga em público. Eu volto logo.

A idosa sai da sala e deixa Corday, toda atrapalhada, colocando o quadro na parede. Lizzie agora tenta checar a posição em que vai encaixar o quadro no prego, mas não está muito feliz.
Lizzie: Porcaria...
Weaver: Vejo que subiu mesmo de vida.
Kerry coloca apenas a cabeça pela porta que a secretária havia saído, e observa Corday se enrolando com o quadro. Lizzie sorri ao ver a amiga e a convida pra entrar.
Lizzie: Não fique aí só me olhando! Venha me ajudar.

As duas colocam o quadro na parede enquanto conversam sorrindo.
Weaver: Eu suspeitava que reitores faziam de tudo na universidade, mas..
Lizzie: Isso não é idéia minha. É de minha secretária... Ela foi minha babá e estou fazendo um favor pra família em dar um emprego pra ela.
Weaver: Fala daquela mulher que estava correndo pro banheiro?
Lizzie: Ela não faz um serviço tão ruim...
Weaver e Corday finalmente veem a figura do quadro que estavam colocando: é uma visão sado-masoquista da crucificação de Jesus Cristo. As duas ficam perplexas enquanto encaram o quadro.
Lizzie: Santo Deus!
Weaver: Bem... De santo esse não tem nada...

CENA 16 - SALA DA REITORA
Corday joga o quadro no canto da sala. Senta-se na cadeira e conversa com Weaver, sentada na cadeira à frente:
Lizzie: A que devo o prazer da visita?
Weaver: Bem... Estou revendo velhos amigos. Planejando uma reunião.
Lizzie: Uma reunião?
Weaver: Isso. O pessoal da televisão pediu um especial sobre meus anos no County. Bem, não "meus anos", mas as pessoas que conheci nesse período.
Lizzie: Não precisa explicar. - sorrindo - Eu entendi.
Weaver: Doug Ross não.
Lizzie: Como? - surpresa - Você viu Doug?
Weaver: Sim! E Carol Hathaway também. Os vi ontem, foi meio difícil, mas marcamos de gravar nesse fim de semana. Você é a minha segunda visita. Que achas de uma viagem até Chicago para a gravação?
Lizzie: Ehr... Já nesse sábado?
Weaver: Sim. Eu até faria uma pré-gravação contigo, mas... tive um pequeno acidente e minha produção está resolvendo o caso.
Lizzie: Um acidente? Como assim? O que houve?

Weaver olha pra Corday de forma envergonhada e fecha os lábios, empurrando toda a boca pro lado da bochecha esquerda.
Lizzie: Kerry... O que você fez?
Weaver: Atropelei um cachorro.
Lizzie: Atropelou um cachorro?!
Weaver: Atropelei um cachorro...
Lizzie: Por que você fez isso?
Weaver: Foi um acidente! - as duas já estão mais descontraídas - Eu estava entrando no campus e nem vi por onde o bichou passou.
Lizzie: Foi aqui no campus?! - Corday volta a se preocupar - O cachorro era de alguém daqui?!
Weaver: Sim. O cachorro de uma patricinha...
Lizzie: Ow, meu Deus... - enfiando o rosto nas mãos - Era uma loira magrinha, com mais ou menos um litro de silicone em cada peito?
Weaver: Isso! Você a conhece?
Lizzie: Deus, os pais dela são advogados da instituição. E ela é detestável! - enfiando os dedos entre os cabelos encaracolados - Não acredito que você passou por cima do Marmaduke...
Weaver: Na verdade eu passei por baixo. O cachorro que saiu voando por cima da gente...
Corday rapidamente tira as mãos da cabeça e encara Weaver de maneira esperançosa:
Lizzie: E ele morreu?
Weaver: Não, mas vai. Não sou veterinária mas acho que o bicho quebrou as duas patas traseiras e a bacia.

As duas se encaram em silêncio, de maneira séria, até Lizzie comentar:
Lizzie: Sempre odiei aquele cachorro...
Mais alguns segundos de silêncio e as duas sorriem alto.

Lizzie: Deus, estou ferrada...
Weaver: Mas posso contar contigo? Nos vemos nesse final de semana em Chicago? Tudo pago.
Lizzie: Ehr...
Weaver: Eu convenci Doug e Carol a nos ver. E isso seria... imperdível. Se eles vão, até você tem que ir, né? Por favor, pelos velhos tempos.
Lizzie não queria muito ir, mas está cedendo aos poucos...
Weaver: Vai ser melhor do que encarar a peituda do Marmaduke.
A reitora respira fundo... e oferece a mão para que Weaver feche o acordo.
Weaver: Ótimo! - se levantando e entrega um cartão - Aqui estão meus dados, e da filial em Miami. Pode ligar a cobrar em meu nome. Agora eu preciso ir.
Lizzie: Mas já?
Weaver: Sim. Tenho aviões a pegar, e se colaborarem... consigo um itnerário decente. É que meu deadline é curto e preciso marcar tudo pra esse fim de semana.

Corday a acompanha até a saída.
Lizzie: Ow, então tudo bem. Achei que estava fugindo da peituda do Marmaduke.
Weaver: E isso também.
As duas param próximas da porta, sorrindo pela última vez.
Weaver: Elizabeth... Muito obrigada por aceitar.
Corday a encara com certa ponta de felicidade.
Weaver: Vai ser bom poder encontrar todo mundo novamente. Pelo menos a maioria deles...

Ambas passam por um último momento de silêncio, e dão beijos de despedida. E quando Weaver fecha a porta da sala, Corday viaja no tempo...

CENA 17 - FLASHBACK DE ELIZABETH CORDAY
or do county
Elizabeth topa com Doug e Carol no elevador do andar da cirurgia do County. Os três ficam em silêncio por instantes mas esboçam pálidos e tímicos sorrisos um para os outros.

saleta dos cirurgiões
Corday está pegando suas coisas no armário
Doug: Como assim ele piorou?
Lizzie: Eu não sei... Quem me contou foi Rachel. - colocando objetos na bolsa - Ela me ligou dizendo que Mark teve uma convulsão e... E parece que não tem mais condições de voltar.
Doug: Ow...
Carol: E você está indo até o Havaí pra vê-lo?
Lizzie: Isso. Eu consegui uns dias de ausência então...
Elizabeth percebe que Carol e Doug parecem seu ação
Lizzie: Vocês querem ir comigo?

Os dois demoram a responder... Doug não parece ter absorvido tudo ainda:
Doug: Não agora. Mas... Nós vamos um dia.
A britânica coloca a alça da bolsa no ombro e encara Ross com uma verdade fria:
Lizzie: Ele não tem muito tempo.

Mais uns momentos de silêncio imperam na sala. Corday espera uma resposta dos dois. E antes que Carol pudesse dizer algo, Doug resolve falar:
Doug: Não precisa dizer que nos viu.

Corday o olha com certa frieza, sem piscar nenhuma vez, mas entendo a reação dele. E confirma o pedido acenando com a cabeça. Ela então gira nos calcanhares pra partir, quando Romano entra na sala.
Romano: Lizzie, eu estava pensando... - então vê os convidados de Corday

Impera-se um festival de desconforto na sala. Romano resolve descontrair.
Romano: Ora, ora, ora. O que ele fez aqui? Existe no County mais uma criança querendo eutanásia e não estou sabendo?

O silêncio fica ensurdecedor...

havai - on the beach
Algumas horas se passaram e agora Corday está no Havaí com a filha Ella. Ela entra na casa de praia procurando por Mark, chamando seu nome. Ainda com a filha no colo, ela se surpreende com a beleza do mar... e sobe no primeiro andar da casa. Lá, encontra Greene dormindo e se senta na cama dele. Seu marido acorda, e embora bem fraco, ele as comprimenta.
Mark: Oi...
Lizzie e a filha sorriem. Principalmente a pequena Ella, que respondo o "oi" do pai com uma feição bem angelical.

havai - on the beach - alguns dias depois
Mark e Lizzie estão sentados em suas cadeiras, vendo o por do sol, quando ele pede um favor à esposa
Mark: Preciso que me ajuda numa coisa... Pode ser díficil.
Corday o olha nos olhos...
Mark: Quero escrever cartas para Rachel e Ella. Eu tentei escrever... Mas não consigo ler minha própria letra.
Lizzie passa a engolirt no seco...
Mark: Queria que abrissem cartas em dias especiais. Entende? No dia da formatura... Quando entratem na faculdade... Quando se casarem...
Elizabeth deixa escapar uma lágrima.
Mark: Acha que é cruel? O pai mandar uma mensagem do além, no dia que eram pra estarem felizes?
Lizzie: Acho que vão apreciar cada uma das palavras...

Corday tenta segurar o choro, mas não consegue. E Mark se orgulha de sua companheira. Mas ambos são interrompidos por alguns passos que estão se aproximando deles. Greene se vira com certa dificuldade e vê Doug e Carol se aproximando. O casal está de mãos dados e o cumprimentam um um simpático sorriso. Os Ross finalmente chegam perto dos Greene e... se anunciam. Elizabeth está surpresa.
Doug: Elizabeth. Mark...
Mark: Ehr... Oi...

Greene, com um pouco de fraqueza, inclina a cabeça em direção à mulher:
Mark: Elizabeth... Eu não sei se delírios fazem parte de um tumo cerebral... então confirma pra mim. Eu estou vendo Doug e Carol, não é?
Todos os quatro sorriem...

casa de praia - on the beach
Corday e Doug auxiliam Mark a se sentar no sofá da sala, enquanto que Carol observa a cena, perplexa com o que está vendo, mas tentando não demonstrar isso em respeito ao colega.
Doug: Pronto. Confortável? - ajudando Mark a se sentar
Mark: Não mesmo. Estou morrendo de câncer.
Ninguém na sala gostou da piada. Greene olha rapidamente pra todos.
Mark: Me desculpem. Humor negro demais...
Carol: Tudo bem.
Mark: Então... O que fazem aqui?
Carol: Ehr.. Viemos ver você, Mark
Mark: Antes d'eu morrer, né?
Corday: Mark...
Mark: Me desculpem de novo.
Doug: Ouvi um boato de que você tava ruim da cabeça...
as duas mulheres o olham com atenção...
Doug: e viemos pra checar se não podríamos fazer nada.
Mark: Mm... Complexo de Deus como todos os médicos, né?
Doug: Pois é...
Mark: Mas não vai adiantar muito. Eu sou muito melhor médico que você, e não cons...
Mark repira fundo, fecha os olhos... e põe a mãe na cabeça...
Mark: E não cons...

Ele então passa a sentir uma forte dor de cabeça. Corday, mais acostumada com esses momentos, se aproxima do marido e um abraço envolvendo sua cabeça, enquanto ele arqueia o corpo combalido de dor.

Doug e Carol se olham assustados. A enfermeira Hathaway resolve se levantar mas não faz nada. Apenas olha o marido... Corday passa a compartilhar olhares com o casal, e sem palavras, comunica-se com eles mostrando que a situação do marido não é nada boa.

casa de praia - on the beach
Mark está dormindo na cama, sendo vigiado por Doug, que está abalado.

Na cozinha, conversam Corday e Carol.
Carol: Eu não tinha idéia..
Lizzie: Pois é.. - limpando as lágrimas
Carol: Como você está?
Lizzie: Não estou no direito de reclamar de nada.
Ross desce as escadas.

Doug: Ele continua dormindo.
Lizzie: Tem sido assim quase todos os dias.

Rachel entra. Na casa.
Rachel: Elizabeth, quer alguma coisa da venda?
Lizzie: Não, obrigada.
A pequena Rachel então nota o casal Ross...
Rachel: Ehr... Doug? Carol.
Doug: Oi, garota. - finalmente sorrindo depois de um bom tempo
Rachel: Aconteceu alguma coisa?
Carol: Não, não. Está tudo bem...

praia - on the beach
Mark, Elizabeth, Doug e Carol estão sentados na areia da praia. Todos com os pés enfiados na areia São 17:30 da tarde. As mulheres estão bebendo suco, enquanto que eles dois estão tomando mai tais. Rachel e Ella estão brincando no mar, com a irmã mais velha mergulhando os pés da bebê na água, enquanto procuram por uma concha. Todos os quatro estão em silêncio, contemplando a paisagem...
Mark: Elizabeth... - bastante enfraquecido
Lizzie: Sim, Mark.
Mark: Você poderia... - fazendo uma mímica de "escrever"
Lizzie: Claro.
Doug: Deixe comigo.

Ross é mais rápido e pega antes de Corday um bloco de papel e caneta que estava em cima da caixa térmica.
Doug: Manda ver, Mark boy.
Mark: Posso... falar... mesmo? - respirando enquanto fala - Não vai... se atrapalhar... com minha velocidade?
Doug: Manda ver. - sorrindo
Mark: Mm... Querida gangue do PS.

Hathaway solta um gostoso sorriso, que é acompanhado por todos os quatro
Carol: Vocês são uma gangue agora?
Mark: Sim... Até temos um... aperto de mão secreto... Foi depois de... irem pra Seattle... rindo
Doug: Você é quem manda. - levantando a bochecha direito e abaixando o rosto
Mark: Então... Aqui estou eu... deitado na praia e... são 5:30 da tarde. Elizabeth e Carol estão bebendo suco... enquanto que eu e Doug estamos tomando mai tai.
Doug olha pro colega enquanto escreve... e pensa em algumas alterações.
Carol: Vai mesmo nos dedurar, dizendo que as moças não bebem álcool?
Agora quem ri gostoso é Corday. Apesar dos pesares, todos estão felizes.

Depois de certo tempo, a carta é encerrada. Mark completa que Ella está acenando pra ele e que Rachel encontrou a concha. Depois do ponto final, Corday chora mais um pouco e vai pegar Ella, que estava com Rachel.
Carol: Linda carta.
Doug: Obrigado... Eu vou tomar a autoria.
Os três riem enquanto observam o oceano.

casa de praia - on the beach
Doug e Carol ajudam Mark a se deitar na cama. Ele está cada vez mais fraco... e assim que se deitou, dormiu. Lá embaixo, Corday lavava as louças quando percebe que Doug e Carol já desceram as escadas e sairam da casa. Estão conversando com Rachel e ela ouve a conversa da janela.
Doug: Filme que você sempre via?
Rachel: Sim, meu pai fala a toda hora...
Doug: Ow! Acho que deve ser O Mágico de Oz.
Rachel: Eca. Sério?
Doug: Sim. - sorrindo - Sua mãe ficava louca.
Enquanto eles conversam lá fora, Corday checa a cara escrita por Doug que fora narrada por Mark.
Rachel: Qual a música principal desse filme?
Doug: Sei lá. Não faço idéia...
Carol: Somewhere Over The Rainbow.
Rachel: Somewhere Over The Rainbow?
Carol: Sim. Porque?
Rachel: Nada... eu queria ouví-la...
Corday fica desapontada ao ler. Doug não escreveu nem o nome dele nem o de Carol na carta...
Carol: Se faz mesmo questão, eu vi uma versão dessa música na venda do fim da rua ontem?
Rachel: Sério?
Carol: Sim. De um cantor havaiano...
Rachel: Pode me mostrar?
Carol: Claro.

Depois de um tempo, Doug entra na casa.
Doug: Elizabeth. Vamos levar Rachel aqui na venda. Nós já voltamos...
Lizzie: Claro...
Ela não virou pra falar de frente pra Doug... e ele percebeu a carta aberta ao lado dela...

casa de praia - on the beach
Já é noite. Rachel voltou da venda, agora com um CD em seu walkman, mas sozinha. Elizabeth continuava na cozinha.
Lizzie: Onde estão Doug e Carol?
Rachel: Eles... Disseram que não iam voltar...
Corday não demonstra surpresa...
Rachel: Onde está meu pai?
Lizzie: Dormindo.
Rachel: Ele está dormindo muito...
Lizzie: Não vai demorar muito agora.

Rachel compreendo o que Corday quis dizer. E enquanto Lizzie encara o mar com muita tristeza e desilusão, a filha vai mostrar pro pai a música que encontrou...

CENA 17 - SALA DA REITORA
Corday fica encarando a porta fechada por Weaver... e resolve voltar pro presente.

CENA 18 - AEROPORTO DE CAROLINA DO NORTE
Kerry está no balcão do Aeroporto Internacional Raleigh-Durham. E não está feliz...
Weaver: Não existe um vôo direto pra Iowa?!
atendente: Sinto...
Weaver: Mas como isso é possível?!
atendente: Nós não trabalhamos com vôos direto pra lá. Se quiser, pode fazer uma conexão.
Weaver: E o que vou fazer?! Pra Boston tem vôo, mas não passagem!
atendente: Minha senhora, invelizmente uma nevoeiro fechou o teto de Massachusetts. Não temos culpa se estão fechados pra pousos e decolagens por tempo indeterminado...
Weaver: "Minha senhora" nada! Me respeite. - bufa um pouco - Como é a conexão pra Iowa City?
atendente: Há um vôo que partirá pra Chicago em uma hora, e logo depois vocês trocam de avião e partem pra Iowa.
Weaver: Mm... Chicago... Quanto tempo entre o pouso e a decolagem?
atendente: 30 minutos...
Weaver: E se chegando lá, eu quisesse uma passagem pra Iowa horas depois? Eu poderia aproveitar pra fazer negócios em Chicago...
atendente: Sinto muito. Só amanhã...
Weaver: Só existe um vôo para Iowa partindo de Chicago?!

Kerry frita a atendente com os olhos. Mas resolve entregar sua documentação. Novamente, Weaver se lembra das cameras tarde demais, mas agora nem tenta esconder a irritação. Apenas dissimula um pouco o discurso, apesar de ainda estar irritada:
Weaver: Me desculpem por isso. Eu geralmente sou uma pessoa mais calma...
Toda a equipe de produção sorri bem baixo.

CENA 19 - ESTRADA DE IOWA CITY
Faz mais de 3 horas que toda equipe saiu de Carolina do Norte, depois de uma rápida conexão em Chicago. Todos estão cansados, mas no novo carro alugado seguem com suas posições de sempre: Weaver no volante, técnico de aúdio atrás e câmeras às direitas do carro.
Weaver: Infelizmente, uma nevasca impediu que eu chegasse até Boston e visse Luka e Abby. E sem vôos diretos até pra cá em Iowa, tivemos que fazer uma conexão em Chicago. Pena que muito rápida, sem tempo para fazer alguns ajustes lá..

Kerry está prestando muito mais atenção no trânsito. Apesar do local estar um deserto, de tão sem movimento.
Weaver: Então, como era o caminho mais apropriado, vamos atrás de Susan Lewis. A revi faz pouco tempo, e não teremos o fator surpresa também.

Num cruzamento, o sinal fica vermelho. Kerry começa a desacelerar antes do cruzamento, mas quem vinha atrás se esquece de freiar. E numa velocidade considerável, atinge o carro de Weaver em cheio na traseira. Os câmeras derrubam seus aparelhos, os airbairgs são acionados e o do volante atinge Kerry em cheio na cabeça. O carro avançou cerca de dois metros, mas não atravessou a faixa de pedestres. Só que machucou bastante.

Kerry está meio atordoada, com dores no pescoço e na cabeça:
Weaver: Filho da... Vocês estão bem?
A equipe de produção confirma que sim, e a pessoa que bateu na traseira deles sai do carro pra checar o o ocorrido. É uma mulher, loira, meio abalada com a situação:
Susan: Meu Deus... Vocês estão bem?
Kerry olha pro lado, e quando Lewis coloca a cabeça na frente do sol, ela consegue vê-la:
Susan: Kerry?
Weaver: Susan?

CENA 20 - LOCAL DA BATIDA
Passaram-se alguns minutos desde a batida provocada por Susan. Ela e Weaver agora esperam pelo guincho local, sentadas no capô do carro alugado por Kerry. Não muito distante, a equipe do documentário faz a checagem dos equipamentos.

Kerry está confusa com o ocorrido. Foi atingida em cheio, mas é bom ver a colega. Já Lewis está envergonhada com o que aconteceu...
Susan: Me desculpe...
Weaver: Tudo bem... - massageando o próprio pescoço
Susan: Eu... eu estava com a cabeça em outro lugar. Me desculpe mesmo.
Weaver: Tudo bem... Vamos dizer que isso foi obra do destino.
Susan: Como assim?
Weaver: Você nem vai me perguntar o que faço aqui em Iowa? - olhando pra Lewis
Susan: Oh meu Deus! - se tocando agora - Kerry, o que você faz aqui?
Weaver: Minha nossa... - sorrindo - Você está com alguma concussão pra só perceber isso agora?
Susan: Eu... Eu estava mais preocupada com a batida. - sai do capô e passa a ficar de frente pra Kerry - Mas agora que você... mencionou... o que diabos está fazendo aqui?
Weaver: Eu vim ver você.
Susan: Estou lisongeada. - dando um lindo sorriso - Mas por que?
Weaver: Ehr... Estou fazendo um documentário sobre alguns colegas que conheci no County. - chama a atenção de um dos câmeras e pede pra ser filmada com Lewis - Você é meu próximo convite.
Susan: Próximo convite? Quer dizer que já começou a chamar o povo? Que legal!

Lewis salta de alegria e Kerry estranha a reação da colega... Enquanto isso, um dos câmeras se prepara pra iniciar a gravação.

Weaver: Ehr... Sim. Já falei com Doug, Carol... - fazendo cara de quem vai espirrar - falei com a Carol nessa manhã e...

Kerry espirra forte. E sai um pouco de sangue de sua narina esquerda.
Susan: Ai... - de maneira preocupada se aproxima de Kerry - Você quebrou o nariz?
Weaver: Acho que não...

Kerry levanta a cabeça e Susan começa a apalpar sua face procurando por fraturas, enquanto o câmera se aproxima pra iniciar as gravações. É quando Weaver percebe algo importante... Ela aponta pro câmera de forma autoritária e apenas no olhar proíbe que ele filme qualquer coisa. O homem resolve se afastar e Kerry volta suas atenções pra Susan, que ainda não terminou de checar fraturas... Weaver então, meio perplexa, meio furiosa, resolve perguntar:
Weaver: Susan, você está bêbada?
Lewis interrompe a checagem, dá alguns passos pra trás...e com um sorriso sonso confirma que sim.

Weaver sair do carro e as duas começam a conversar, se afastando da equipe técnica.
Weaver: Susan, você está bêbada?! - Kerry queria gritar, mas não podia
Susan: Só um pouco. - envergonhada
Weaver: Olha o que você fez - apontando para os carros - Você poderia ter matado alguém.
Susan: Eu sei. Falha minha. Foi mal...
Weaver: "Foi mal"? - rindo ironicamente
Susan: Não está sendo um bom dia, tá legal? Eu acabei de ser demitida.
Weaver: Isso não interessa. Não é desculpa pra... - percebe o que acabara de ouvir - Você foi demitida?!
Lewis coloca as duas mãos nas costas e confirma timidamente com um gesto de cabeça.
Susan: Sim...
Weaver: Da faculdade?
Susan: Sim... - confirmando com a cabeça.
Weaver: Por que? Como você foi demitida de um cargo acadêmico?
Susan: Me pegaram transando com Chuck na sala da aula.
Weaver: O que?!

Lewis fecha o olho direito, encara Weaver timidamente com o esquerdo, serra os dentes e com uma careta típica de "fiz besteira" mostra que mesmo bêbada e fazendo careta, continua tendo um belo sorriso
Weaver: Uau! - perplexa - Você estava bêbada e transou com Chuck na sala?
Susan: Não. Eu estava sóbria, transei com Chuck na sala e alguns pais e alunos me pegaram no flagra, fui demitida... e fiquei bêbada por isso.
Weaver: Pais te flagraram... - fechando os olhos, botando a mão na cabeça e não sabendo por onde começar - Susan... O que diabos te deu na cabeça? Como isso aconteceu?
Susan: Bem, a sala estava vazia e eu escrevia uns relatórios quando Chuck chegou com rosas...
Weaver: Rosas? Vocês não tinham terminado?
Susan: Sim. Mas a gente termina todo mês.

Kerry encara Lewis comicamente reprovando a amiga. Susan volta a fazer a careta, agora mordendo a ponta do polegar.
Weaver: Então... vocês transaram.
Susan: Falando assim até parece errado.
Weaver: Ehr...
Susan: Okay, okay. - gesticulando com as mãos - foi errado!
Weaver: Se você diz...
Susan: Isso foi ontem. Era nosso aniversário de casamento.
Weaver: Estou começando a ver um padrão aqui... vocês não se casaram bêbados em Vegas?
Susan: Posso contar?
Kerry deixa escapar uma risada. Ela até que está gostando da história.
Susan: Bom saber que gostou de minha tragédia pessoal.
Weaver: Desculpe. - interrompendo o sorriso
Susan: Enfim... - também sorrindo - Chuck veio com aquela ladainha, não tinha ninguém na sala - gesticulando bastante - conversa vai, conversa vem... começamos a transar em cima de minha mesa.
Weaver: Não precisa fazer mímica disso.
Susan: Desculpe. - interrompendo o vai-e-vem do quadril
Weaver: Sem problema. - discretamente rindo
Susan: Bem... eu estava deitada na mesa, Chuck estava em pé na minha frente e... cerca de 30 alunos e seus pais começaram a entrar na sala.
Weaver: Ai meu Deus... - quase rindo
Susan: Era um dia de... Sei lá! Pai na faculdade. Eu tinha esquecido. Aí quando eles desciam as escadas da sala, me viram com Chuck.
Weaver: Cena perfeita.
Susan: Eu sei. - muito irônica - Houve risada, grito, e choro. Quem mais chorou foi eu, aliás. Aí fui mandada pra casa, me chamaram pra uma reunião hoje... não sou mais da Universidade de Iowa.
Weaver: Sinto muito.
Susan: Tudo bem. Eu não gostava de lá mesmo.
Weaver: Mesmo?
Susan: Mentira. - abaixando a cabeça e desabando com os ombros - Eu amava aquele lugar. Pagava muito bem e todos os alunos eram tarados por mim.
Weaver: Hein?
Susan: Tipo, isso ajuda na estima. Todo o time de futebol tinha uma queda por mim, e pra ser honesta, tinha uns cinco alunos que eu pegava fácil...
Weaver: Susan!
Lewis encara a colega e percebe que falou demais.
Susan: Desculpa. É a bebida falando.

Kerry se afasta da colega sorrindo e dá de frente com o carro.
Weaver: Isso foi muito errado, Susan.
Susan: Eu estava brincando. - se aproximando de Kerry - Não ia transar com um aluno.
Weaver: Não, falo da batida.
Susan: Ah... isso..

Kerry olha ao horizonte e vê que o guincho está chegando. E começa a pensar com seus botões...
Weaver: Vamos ter que encobrir isso. Se descobrirem, você pode ir presa.
Susan: Obrigada...
Weaver: Não me agradeça. É que preciso de você pra entrevista. - vai falar com os técnicos - Se dependesse de mim, você passava uma semana na cadeia.
Susan: Bom saber...

CENA 21 - AEROPORTO DE IOWA CITY
Kerry está sentada em uma das cadeiras do aeroporto, conferindo sua bagagem e pegando seus documentos.
Weaver: Bem, a passagem em Iowa foi mais rápido que a encomenda. Infelizmente não conseguimos captar em vídeo, mas acabamos trombando com minha amiga Susan Lewis. Que está aqui conosco.
A câmera se vira e mostra Susan, do lado de Kerry, dando um grande sorriso e acenando pra câmera.
Weaver: Ehr... - ainda envergonhada pela colega - Com ela, já são quatro. Agora vamos pegar mais dois. Neela e Ray.
Susan: Neela e Ray? - com cara de "nojo"
Weaver: Como?
o câmera coloca as duas em foco
Susan: Como assim Neela e Ray?
Weaver: Ehr... Vamos pra Batton Rouge e fazer um convite pros dois.
Susan: Eu não quero ir pra Batton Rouge. - encarando Weaver
Weaver: Certo. Você fica e eu vou. - encarando Susan

As duas se encaram, sem falar ou ao menos piscasr uma pra outra...
Susan: Vamos pra Boston ver Abby e Luka.
Weaver: Ehr... Depois nós vamos. Mas um nevoeiro fechou o aeroporto de lá.
Susan: Que besteira...
Kerry se preparava pra se levantar, quando Susan pega em seu braço.

Susan: Sério... É um documentário sobre sua passagem no County. Seus colegas. E se me lembro bem, Neela mal tinha se formado quando você tomou a chefia de Romano.
Weaver: "Tomei a chefia de Romano"?
Susan: Desculpe. É a bebida falando.
Kerry coloca a mão esquerda no rosto. Está morta de vergonha por Susan.
Susan: Tipo, não seria melhor trazer gente mais relevante do tempo que você era médica? Além do mais, Ray era um incompetente. Que história interessante ele teria pra contar?
Weaver: Bem, ele perdeu as pernas e agora é o responsável pelo departamento de reabilitação física em uma clínica.
Susan: Ray teve as pernas amputadas?!
Weaver: Yep.
Susan: Ótimo. Agora me sinto uma vadia criticando ele...
Weaver: Ou-kaaaay...
Kerry se levantava quando Susan a agarrou novamente.

Susan: Kerry, Kerry. Sério... Você me disse que tem até o fim de semana pra fazer isso.
Weaver: Exato. Por isso preciso ser rápida.
Susan: Então olha pra mim... Vamos deixar Batton Rouge pra lá. Ray e Neela? Sério? Vamos chamar Abby e Luka, encerramos os pedidos de Chicago, daí se... só SE tivermos tempo, você convida eles dois.
Weaver: O que você tem contra Ray e Neela?
Susan: O que você tem a favor?!
Weaver: Ehr... Está falando sério?
Susan: Sim. Ou então, se for o caso, a gente pode convidar um monte mais de gente. Vamos pra China convidar a Chen, pra Polônia ver a Bob...
Weaver: Tudo bem, já entendi. Você me convenceu. Não precisa listar mais ninguém... Principalmente Malucci.
Susan: Quem é Malucci?

CENA 22 - VÔO 332
Kerry está sentada em seu acento. Do lado, está Susan, fazendo a dança da vitória.
Weaver: Já chega, não Susan?
Susan: O que? - rindo de alegria
Weaver: Nós já estamos indo pra Boston. Não precisa continuar me convecendo.
Lewis sorri alto.

Nesse momento, a aeromoça chega com o carrinho de alimentos.
aeromoça: O que a senhora quer pra beber?
Susan: Whisky.
Weaver: Ai...
aeromoça: Quantas pedras de gelo?
Susan: Puro. Assim vem mais bebida. - sorri mostrando todos os dentes da boca Tem canudinho?
Weaver: Sério, Susan?
Susan: O que? A vida é uma criança. - muito feliz

A aeromoça entrega o copo com a bebida pra Lewis. Enquanto ela toma o whisky de canudinho e fazendo um barulho irriante, Weaver coloca as duas mãos no rosto e balança a cabeça em negação.