Disclaimer: Saint Seiya não me pertence e, sim, a Masami Kurumada, Toei e cia.

Texto em itálico se refere a flashbacks, quando houver.

Texto normal se refere ao presente.

Música tema para o capítulo: A Different Theory de Gabriel Saban, You Should See Me in a Crown na versão de Steve Horner e Fate of the Fallen de Eternal Eclipse.

Capítulo 35

Saori estava em seu escritório, lidando com a papelada das contratações e admissões do grupo de brasileiros e outros processos administrativos do Grupo Mitsui. Eram tarefas chatas para seu eu mortal, mas seu lado imortal tinha certo gosto para essas questões so mundo corporativo.

Estava há algumas horas trabalhando, quando resolveu dar uma pausa. Deixou os papéis de lado, se recostou na cadeira de couro e fechou os olhos, respirando fundo e movendo a cabeça de um lado a outro para relaxar. Massageou a própria nuca e soltou um suspiro de prazer, começando a sentir uma paz a tomar seu corpo e mente.

Mas sua paz durou poucos segundos. Sentiu o Grande Chifre ser lançado e um forte tremor de Terra. Em seguida, um arrepio percorreu sua espinha, imediatamente seu corpo ficou tenso e abriu os olhos num rompante quando o relâmpago cortou os céus.

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– Todos para o Décimo Terceiro Templo. Agora! - Shion ordenou, lívido.

As garotas e os dourados se entreolharam, com receio de estarem à beira de uma nova guerra. A ordem do experiente Grande Mestre foi clara e precisa, mas os músculos não responderam.

– AGORA, ANDEM!

Assustaram com o grito de Shion e se apressaram a rumar para o local indicado.

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O ar ficou denso e um pequeno globo de luz branca e energia eletrostática girava à sua frente. Dele, uma voz grave e potente como trovões em uma tempestade soou em sua mente. O globo girou rapidamente, brilhando de forma intensa e, então, desapareceu. O ar voltou a ficar mais leve, mas não o semblante de Athena.

Ao chegarem no décimo terceiro Templo, assustados com o tom de Shion que estava visivelmente preocupado, encontraram Kiki e os Cavaleiros de Bronze.

As garotas estavam tensas, se conheciam bem os mitos gregos, aquele relâmpago só queria dizer uma coisa: Zeus estava zangado e se a realidade era como no anime, os Cavaleiros de Athena estavam na linha frente da ira do Rei dos Deuses. O que, por experiência, agora sabiam que isso significava que elas também estariam. O receio de uma nova guerra e passarem por tudo aquilo de novo pairava no ar.

Athena já os aguardava e trazia o semblante sério. O grupo começou a enchê-la de perguntas, mas calada, sentou-se no trono e com um gesto indicou que todos se acomodassem antes de se pronunciar.

– Eu serei direta, pois não há motivos para enrolar. Poucos dias após a chegada de vocês e o despertar dos Cavaleiros de Ouro, recebemos uma convocação de meu pai para todos comparecermos ao Olimpo daqui a uma semana. Todos, sem exceção. O que significa que vocês, meninas e vocês dois, Fernando e Rodrigo, também devem ir. Esse foi um dos motivos pelos quais arranjei para que ficassem mais quinze dias aqui.

Os murmúrios começaram e os brasileiros se encheram de ainda mais perguntas, com revolta por algumas partes por Saori não ter sido clara desde o início com suas intenções.

– É, de fato, meu desejo que vocês e meus Cavaleiros possam viver o amor de vocês e serem felizes juntos. Desejo mais do que tudo a felicidade de meus Cavaleiros… Além de ter muito carinho e uma profunda amizade por vocês e adoraria tê-las aqui comigo. Mas… Como Deusa, fiquei sem saída quando recebi a mensagem. Zeus não me deu escolha.

O tom de Athena amenizou e o olhar era terno, mas em seguida, mudou para um olhar culpado. Como se pedisse desculpas. Suspirou e em um gesto de cansaço, fechou os olhos e levou a mão à testa, massageando-a por alguns instantes e então, encarou o grupo. A voz de Athena se pronunciou firme e alta, exigindo novamente atenção.

– Porém, há pouco, Zeus adiantou a convocação. Todos nós devemos comparecer ao Olimpo em algumas horas. Devo dizer que meu pai não mencionou o motivo da primeira convocação, mas o adiantamento, sem dúvidas, foi motivado pelo episódio de ontem e de hoje com os cosmos de Aiolos e Ricardo. Essas são ordens diretas e sem possibilidade de questionamentos. Todos nós iremos, sem exceção. Quero que se preparem, pois não sabemos o que nos espera. Não sabemos se virá outra guerra, ou o que Zeus pretende. Então, espero que todos colaborem e estejam preparados para partir ao crepúsculo.

– Mas como nós iremos ao Olimpo? - Saga indagou. - A montanha de Star Hill nos conectava com a morada dos Deuses, mas ela não existe mais.

– Não, mas a energia naquela área não estava apenas na montanha. A passagem ainda existe e é possível acessar o Olimpo por lá. Ela abrirá e nós atravessaremos a hiperdimensão.

– Athena… se me permite. - Helu levantou a mão. - Pela história do Kurumada, para atravessar a hiperdimensão, é necessário ter cosmo e uma armadura banhada com o sangue de um deus…

As garotas concordaram com a cabeça, entendendo a linha de raciocínio de Helu.

– Foi assim que vocês atravessaram, não foi? - Se dirigiu aos Cavaleiros de Bronze.

– Sim, exceto pelo Ikki, que atravessou com o colar de Pandora. - Hyoga respondeu e os outros concordaram, acenando com a cabeça.

– Athena, você e os Cavaleiros têm cosmos e armaduras… Nós, não. Além disso, da outra vez, quem recebeu os ataques e o cosmo entrou no organismo, passou muito mal. Então… como nós atravessaremos?

Shion ponderou as palavras da carioca. Estava tão preocupado com os motivos da convocação e os acontecimentos dos últimos dois dias que não havia nem lhe ocorrido sobre isso.

– Heluane tem razão. - Shaka mencionou.

Os demais dourados também se mostraram apreensivos. A brasileira tinha levantado um ponto importante e crucial. Uma coisa era Athena usar seu cosmo por algumas horas para desbloquear as memórias que estavam seladas em suas mentes e nesse fluxo, eles compartilharem suas memórias. Outra, muito diferente, seria elas receberem o cosmo dentro de seus organismos para que seus corpos resistissem à travessia da hiperdimensão.

– Entendo a preocupação de vocês. Existe uma maneira, que vocês mesmos já conhecem e acabaram de mencionar. - A Deusa não conseguiu conter um sorriso.

– Quê?

– O colar de Pandora. - Disse Ikki.

– O que tem a ver? - Esther ficou confusa.

– É possível um mortal sem cosmo atravessar a hiperdimensão se ele tiver um amuleto banhado com o cosmo e o sangue de um deus. O colar de Pandora era um amuleto banhado com o cosmo e sangue de Hades.

– Mas… como arranjaríamos um amuleto desse? - Mabel perguntou.

– Utilizem as próximas horas para escolher um objeto que tenha um significado importante para vocês, alguma coisa que tenha uma relação sentimental, pela qual vocês tenham apego ou apreço. O restante, deixem comigo. Estejam aqui 1 hora antes do pôr-do-sol com esse objeto. - Saori deu um sorriso amável.

– Cavaleiros de Bronze, peço que permaneçam guardando as Doze Casas durante nossa ausência. - Shion declarou. - Dispensados.

Aos poucos, os Cavaleiros e as garotas se dispersaram, desceram as Doze Casas conversando sobre as notícias que acabavam de receber e as meninas debatiam sobre o que usariam como amuleto. Algumas delas não tinham nenhum objeto como Saori descreveu ali na Grécia.

– Eu comprei um amuleto de proteção da Amaterasu Omi Kami quando estive no Japão. Então, acho que vou usá-lo. - Juliana comentou com as amigas.

– Eu não tenho nada que eu possa usar. - Cris se preocupou.

– Eu achei um abalone ontem na praia, com a Gabe. Você poderia usar ele.

– Mas você e a Gabe quem acharam. Uma de vocês quem devia usar. - Cris replicou.

– Eu tenho esse colar que minha mãe me deu. É o meu favorito. - Gabe puxou uma correntinha dourada de dentro da camiseta, com um pingente de caveira.

– Eu tenho meus cristais, que sempre carrego comigo na bolsa. - Julia sorriu. - E eu posso criar um sigilo para mim, se for o caso. Já que o Shura não me deu nada de presente, como o Camus deu um pra Isa…

– Mas eu te dei o pacote de biscoitos.

– Que eu comi. Dez anos atrás. - Julia ergueu os ombros e as mãos em um gesto típico brasileiro. - Não vale.

– Você também não me deu nenhum presente, Saga! - Cris deu um tapa no ombro dele.

– Aai, por quê eu sempre apanho? - Saga esfregou onde levou o tapa.

– Vou usar o abalone, então, se não tiver nenhum problema.

– Vou pegar para você. - Disse Julia, já à frente da Casa de Capricórnio. - Já volto.

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Em Peixes, Gustavv, Marin e Fernando rumaram diretamente para o jardim de rosas.

– Fernando, sei que não é comum um rapaz usar uma rosa como amuleto, mas seria uma honra para mim ceder uma de minhas rosas para proteger o parceiro de minha pupila.

– Eu não quero incomodar, Afrodite. Posso usar alguma outra coisa.

– Não é incômodo nenhum. Ao contrário, é um prazer.

– Tem certeza? - o mineiro perguntou, acanhado.

– Absoluta. Agora, fique à vontade para escolher. Mas não toque nelas, deixe que eu ou Marin colha a rosa, nós anularemos o veneno e em seguida, você poderá usá-la como amuleto.

Nando ficou pensativo, andando de um lado a outro, observando as roseiras. Dite tinha uma infinidade delas e de diferentes variedades. Viu uma roseira de flores negras e outra, branca.

– Está em dúvida? - Marin se aproximou.

– As rosas negras são mais… metal, rock… - Nando fez um gesto com os dedos e uma careta. - Mas as rosas brancas me lembram de você.

– De mim?

– São delicadas e bonitas como você.

Marin sorriu, abraçando-o.

– Acho que as rosas negras combinam mais com você. Mais metal, Rock! - A Amazona imitou o gesto que ele fez.

Nando riu e deu um beijo suave sobre os lábios rosados da japonesa.

– Eu acho que prefiro as brancas.

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Em Aquário, Isa caminhou de mãos dadas com Camus até o quarto e só soltou quando o francês se sentou na cama enquanto ela foi buscar entre as suas coisas, a caixinha de veludo azul escuro. Antes dos treinos, tinha retirado o pingente de cisne e guardado ali.

– Você se importa se esse for meu amuleto, Camus? - Sentou do lado dele, mostrando o conteúdo da caixa.

– Não, ele é o amuleto perfeito para você. - Correu as pontas dos dedos sobre a peça de gelo. - Ele tem o meu cosmo.

Isa sorriu.

– Por isso mesmo que quero usá-lo. Só espero que não quebre.

– Se quebrar, eu faço outro, como te prometi.

– Jura?

– Claro. - Acariciou o rosto dela e a beijou suavemente. - Sempre, mon amour.

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Sheila ainda estava furiosa com Aiolos, mas a sua mala tinha ficado em Sagitário, então, teve de ir até a nona Casa buscar algo entre as suas coisas para usar como amuleto. Aiolos também tinha se dirigido a sua Casa. Nenhum dos dois havia trocado uma palavra sequer desde a briga de Aiolos com Sorento e a bronca de Poseidon na libriana.

O grego foi para o quarto, buscava suas roupas para tomar um banho após os treinos, quando a viu pegar um objeto entre as roupas dela.

Era uma faixa vermelha, um pouco puída e desgastada.

– Você guardou essa coisa velha? - disse surpreso.

– Guardei. - disse fria. - E por mais que eu esteja brava com você pela briga com o Sorento, vou usá-la como amuleto, porque ela sempre me deu sorte.

– Entendi. - Aiolos respondeu seco, ao ouvir a menção ao nome do austríaco.

– Agora, se me der licença, combinei de almoçar com a Julia e a Isa.

Sheila guardou a faixa com cuidado no bolso do shorts de academia que tinha usado para treinar e saiu de Sagitário. Se Aiolos quisesse fazer as pazes, ele quem teria de se desculpar. Não tinha motivo algum para aquela briga. Odiava homens metidos a machões que se achavam no direito de bater em outros homens por causa de mulher. Se alguém estava errado ali, era ele. Então, ele quem deveria pedir desculpas.

O cavaleiro suspirou fundo e foi tomar seu banho.

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Depois de deixar o abalone com Cris, Julia rumou para o quarto, pegando sua bolsa. Abriu o zíper e vasculhou-a até achar o saquinho de organza branco que estava em um dos bolsos.

– O que está fazendo? - Esdras recostou-se no batente da porta, observando-a sentada sobre a cama.

– Pegando meus cristais que eu uso como amuleto para proteção. - respondeu sem olhá-lo.

Pegou o saquinho e abriu-o, despejando os cristais sobre a palma da outra mão. Havia uma obsidiana, um cristal, uma ametista, uma cianita preta e mais algumas pedras. Shura se aproximou e sentou-se a cama junto dela.

– O que são?

– São cristais para proteção. Você sabe que eu sempre tive uma ligação mais forte com as mitologias e as coisas místicas… - Olhou os orbes negros que observavam cuidadosamente os cristais em sua mão.

– Me lembro disso.

– Então, desde aquela época, eu passei a ter uma religião mais ligada a essas coisas. - Observou as pedras de novo. - E eu carrego meus cristais sempre comigo.

– Uma obsidiana? - Apontou com o indicador.

– Uhum.

– Será um bom amuleto.

– Sim, mas… Eu queria usar algo que me lembrasse de você. A Isa tem o pingente de cisne, a Sheila tem a faixa do Aiolos. Eu queria usar algo relacionado a você também… - a brasileira olhou-o nos olhos novamente.

Shura colou a testa na dela e acariciou seu rosto, lhe dando um beijo suave.

– Bueno… Você sempre diz que meus olhos se parecem com duas obsidianas. - Sorriu de canto.

Julia sorriu e o beijou, envolvendo o pescoço dele com os braços.

– É verdade… Se parecem mesmo.

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Olás, olás, olás!

Eu custei um pouco a resolver essa questão dos amuletos, mas agora, estamos aqui! Hahahahaa

Estou até um pouco ansiosa para ver todas com seus amuletos banhados pelo cosmo e sangue de Athena e a ida para o Olimpo!

Algumas coisinhas que estou maquinando… estão relacionadas a essa ida. Veremos como vai sair…

Às reviews:

Gabe - E vai, viu? Hahahaha Esses cosmos diferentes aí, com os poderes causando mais destruição que o normal… Zeus zangado. Mulherada indo pro Olimpo… Sheila já está puta com Poseidon… Os treinos com a Shina acho que seriam bem intensos. Kkkkkkk E que legal que eu coloquei um tipo de defesa que vc curte, mesmo sem saber.

Cris - Hmmmmm… Será? Ah, com certeza. No Santuário ou fora dele, é super importante, mesmo! Será que vai dar ruim essa ida pro Olimpo?

Sheila - Hahahahahha eu imagino o Seiya se encolhendo ao ver a Sheila passar com cara de brava. Deba quase destruindo toda a arena… Nossa ida pro Olimpo está chegandooo!