Harry, cara, ela não está bem.

Era pouco depois do meio dia e o sol estava alto no céu, castigando a todos sem piedade. Eles estavam naquela praia pedregosa sentindo o calor abrasador do astro maior refletindo sobre a areia dourada e tornando o ar quente e denso. As ondas quebravam nas pedras a uma pequena distância, o som se misturando ao grito das gaivotas que sobrevoavam o litoral. O Chalé das Conchas se erguia no alto da colina ao longe, imponente e acolhedor, mas naquele momento, Harry não conseguia se importar com nada disso.

Ele estava ajoelhado diante do túmulo improvisado de Dobby, sujando as mãos de terra enquanto ajeitava a última pedra sobre a cova. Seus músculos estavam tensos, e o suor escorria por sua testa, não apenas pelo calor, mas pelo peso de tudo o que havia acontecido e pelo esforço que ainda fazia para dar um descanso digno ao seu amigo. Dobby havia se sacrificado por eles. Por ela.

Se Harry fechasse os olhos, ele ainda conseguia ouvir os gritos, gritos que ele tinha certeza que iriam atormentar seus pesadelos até o fim dos seus dias. Os gritos de Hermione. Ele sentiu o peito apertar. Era como se ainda estivesse lá, no porão escuro e sufocante da Mansão Malfoy, preso, impotente, incapaz de ajudá-la enquanto a infame e cruel Bellatrix Lestrange se divertia gratuitamente infligindo dor à sua melhor amiga.

A cicatriz em sua testa ainda latejava, ele imaginava que o Lord das Trevas estava mais do que furioso com seus mais próximos Comensais da Morte por tê-los tão perto e mesmo assim ter permitido que mais uma vez eles escapassem. Mas Harry ignorou. A dor física que ele sentia era insignificante comparada à culpa que o consumia. Então ouviu.

- Harry, cara… Ela não está bem. Temos que entrar. – disse Ron que soava hesitante, quase cauteloso. Harry levantou a cabeça e viu o ruivo a segurando pelos ombros. Ela parecia pequena. Frágil. Quebrada.

Seu rosto que era normalmente vivo e cheio de expressão estava pálido, e seus olhos castanhos, antes carregados de pura doçura, inteligência e teimosia, estavam perdidos e muito opacos. Não havia brilho neles. Ela não chorava, não falava, não reagia a nada. Apenas deixava Ron segurá-la, como se estivesse ali fisicamente, mas sua mente estivesse presa em algum lugar distante.

- Me dá ela. – Harry disse enquanto se levantava de um salto e atravessava a areia quente sem hesitar.

Ron não questionou. Apenas assentiu e soltou Hermione.

Harry a pegou nos braços com todo cuidado, a apertando contra seu peito, esperando algum protesto. Normalmente, Hermione reclamaria que podia andar sozinha, que ele estava exagerando. Mas não dessa vez. Ela simplesmente se aninhou contra seu pescoço, sua respiração entrecortada e instável. Esse fato apenas destruiu algo dentro dele. Harry engoliu em seco e segurou-a com mais força, sentindo seu coração martelar contra o peito. Ele precisava tirá-la dali. Ele precisava mantê-la protegida e assegurar que agora ela estava segura e que ela não iria ser machucada outra vez.

O interior do chalé era fresco e aconchegante, um alívio bem-vindo do calor intenso do lado de fora. Fleur apareceu no corredor assim que Harry entrou com Hermione nos braços, sua expressão passando rapidamente de surpresa para preocupação.

- Mon Dieu! Pobrezinha. Coloque-a aqui, Harry. – Ela disse já o conduzindo a um pequeno quarto de hospedes depois que eles subiram o primeiro lance de escadas. Ela abriu a porta e indicou a cama de solteiro, que ficava perto de uma janela aberta por onde a brisa do mar entrava suavemente.

Harry a deitou com todo o cuidado, ajeitando os travesseiros e puxando um cobertor leve sobre seu corpo que agora estava trêmulo. Ele se ajoelhou ao lado da cama, seus olhos fixos nela. Hermione piscou lentamente, como se estivesse tentando focar nele, mas seu olhar continuava vago.

- Mi? – ele chamou passando as costas dos dedos sujos de terra na lateral do rosto dela, mas mesmo assim nada. Ela não reagiu.

Harry franziu o cenho e pegou sua mão fria entre as suas.

- Amor, olha pra mim. Você está segura agora. Estou aqui e ninguém vai te machucar outra vez. – Ele disse em um tom quase implorativo.

Hermione piscou de novo, e dessa vez seus olhos encontraram os dele. Sua garganta se moveu como se estivesse tentando dizer algo, mas nenhuma palavra saiu. Ela estava em desespero, mas era um desespero silencioso.

Fleur suspirou e colocou uma mão no ombro de Harry.

- Ela está em choque. Precisa descansar. Eu posso preparar um chá para acalmá-la. – disse a loira já saindo do quarto para fazer o que disse, deixando-os a sós. Ninguém mais parecia ter tido coragem de os seguir.

- Obrigado, Fleur. – Harry disse sem olhar a bruxa.

Harry voltou sua atenção para Hermione. Ele observou como seus ombros estavam tensos, como seus dedos agarravam o lençol com força como se ela estivesse à beira de um precipício prestes a cair e como seus lábios ressecados estavam ligeiramente entreabertos, mas sem emitir nenhum som.

- Eu estou aqui, Mi. Não precisa dizer nada agora. Só descansa amor. – Ele disse tentando acalmá-la e ao mesmo tempo se tranquilizar. Ele precisava se manter calmo, pois ela era a prioridade no momento.

Ela piscou algumas vezes, como se tentasse absorver suas palavras.

- Eu... – A voz dela saiu falha, rouca.

- Shhh... não se preocupa. Você está segura. – Ele disse apertando a mão pequena dela entre as suas. Tentando abrir os dedos endurecidos que estavam fechados contra o tecido do lençol a ponto de os nós dos dedos ficarem brancos.

Ela fechou os olhos por um momento, mas quando os abriu de novo, uma lágrima escorreu pelo canto de seu rosto. Harry não pensou. Apenas ergueu a mão e limpou a lágrima com o polegar, sentindo sua pele fria sob seu toque.

- Harry... – Ela finalmente conseguiu dizer com um fio de voz rouco.

Ele se inclinou um pouco mais para perto, seu coração apertado.

- O que foi, amor? – Ele perguntou afastando uma mecha de cabelo que havia caído sobre o rosto dela.

Ela engoliu em seco, seus olhos brilhando com uma mistura de angústia e alívio, mas ao mesmo tempo sendo assombrados com vislumbres de pânico e de dor. Ela estava com medo, mais assustada do que em qualquer outra ocasião que eles tinham escapado da morte.

- Eu não conseguia... eu pensei que... – ela disse apertando ainda mais o punho contra o tecido de linho do lençol.

- Eu sei amor. Mas acabou. Você está aqui comigo agora meu anjo. Eu não vou deixar ninguém te machucar de novo. Eu prometo. – Harry disse engolindo em seco. Sua voz era suave, porém firme. Ele não sabia bem como iria cumprir tal promessa estando no meio de uma guerra, no entanto ele estava determinado a dar a vida por isso se fosse preciso.

- Foi minha culpa... – Hermione fechou os olhos com força, outra lágrima deslizando por sua bochecha.

- O quê?! Não. Não diga isso. – O sangue de Harry gelou só de imaginar que ela estava se culpando por alguma coisa.

- Eu... eu entreguei quem éramos. Eu... deveria ter resistido mais. – Ela disse com a voz embargada e com o rosto retorcido em uma expressão de pura dor e consternação. Ela realmente acreditava que era culpada por não ter sido mais forte, por não resistir mais às sessões de tortura.

Harry sentiu uma raiva enorme crescer dentro de si. Não contra ela, mas contra Bellatrix e sua crueldade deliberada, contra Voldemort e sua sede de estar no poder, contra a supremacia puro sangue, contra todos que haviam feito aquilo com Hermione, que a haviam feito achar que de alguma forma deveria ter que aguentar mais dor e sofrimento do que ela havia suportado.

- Hermione, escuta bem o que eu vou dizer. Você foi a mais forte de todos nós. Você nos salvou amor. Você me salvou. E eu nunca vou esquecer isso. Meu anjo, você é um anjo... Nunca pense que nada foi culpa sua, ok? – Ele segurou seu rosto com delicadeza, obrigando-a a encará-lo.

Ela mordeu o lábio, como se quisesse acreditar nele, mas não conseguisse.

Harry respirou fundo e deslizou os dedos pelos cabelos dela com carinho, um gesto instintivo, íntimo.

- Agora é minha vez de salvar você. Minha vez de cuidar de você, ok? Só você importa agora. Nada mais... – Ele disse deixando um beijo leve nos dedos dela. Ele queria apenas protege-la de tudo e todos. Ele só precisava que ela se curasse e que ficasse em segurança. Ele precisava que ela sobrevivesse.

Hermione tremeu levemente, mas, para sua surpresa, se aproximou dele, enterrando o rosto em seu peito como se buscasse um abrigo. Harry a envolveu com os braços de maneira protetora e fechou os olhos aliviado por ela não querer espaço, por ela não querer se distanciar dele. Ele a queria bem pertinho, e com ela nos braços, podendo sentir seu cheiro, sua respiração se misturar à dele ele prometeu mais uma vez que nunca iria permitir que ninguém a tocasse enquanto ele estivesse vivo. Ele seria agora seu escudo. Ela por sua vez se agarrou ao tecido da camisa dele, como se tivesse medo de que ele desaparecesse, como se ele fosse a única coisa que ela poderia se agarrar para viver.

- Fica comigo, Harry... – ela disse num sussurro trêmulo e aquelas palavras quase o desmontaram. Ela estava muito fragilizada e também muito assustada.

Ele pressionou os lábios contra o topo da cabeça dela e apertou o abraço.

- Sempre, amor. Sempre. Eu nunca vou te deixar... – Ele disse sabendo que faria qualquer coisa para protegê-la. E dessa vez, ele não falharia.

Harry se deitou completamente ao lado dela na pequena cama e a ajeitou de modo que ela ficasse em seus braços com a cabeça apoiada em seu peito. Hermione escondeu o rosto na curva do pescoço dele e Harry sentiu o corpo de sua melhor amiga relaxar minimamente contra o seu, ela estava exausta, mas o coração dela ainda batia acelerado contra o peito dele dele e a respiração dela continuava irregular contra sua pele.

A brisa quente da praia entrava suavemente pela janela, mas o frescor era insignificante diante da tensão que ainda pairava entre eles. Ela estava ali, nos braços dele, mas ainda parecia tão distante. Ele deslizou os dedos pelos cabelos bagunçados dela, tentando confortá-la da única forma que sabia e sentiu quando ela soltou um suspiro trêmulo, como se quisesse se esconder do mundo.

Harry apertou os olhos com força. Ele faria qualquer coisa para protegê-la. E foi então que algo chamou sua atenção; Hermione se moveu levemente, e o tecido da manga do casaco que ela vestia escorregou, revelando parte de seu antebraço. A pele ali estava inchada, muito vermelha e havia um filete de sangue escorrendo lentamente em seu pulso.

Harry sentiu o estômago revirar quando vislumbrou parte do ferimento. A dor que o atravessou não era apenas raiva. Era algo muito pior. Era ódio, culpa. A cicatriz ainda estava aberta, crua, nervosa. A palavra cruel, grotesca e cortante que estava marcada na pele clara dela era parcialmente visível. As letras só o deixavam com ainda mais ira, elas estavam ali esculpidas com brutalidade, ainda sangrando pelos cantos.

Bellatrix Lestrange havia feito aquilo com sua melhor amiga. A mulher mais sádica que Harry já conhecera. Ele se lembrou do brilho enlouquecido nos olhos dela enquanto Hermione gritava quando sua adaga estava em seu pescoço, um pouco antes de Dobby os tirar de lá com tanta destreza. O som dos gritos ainda ecoava em sua mente, uma lembrança que nunca o abandonaria.

Ele engoliu em seco, o peito subindo e descendo de forma irregular. Sem perceber, estendeu os dedos, querendo tocar a pele ferida, querendo aliviar de alguma forma aquela dor, querendo provar para si mesmo que Hermione estava ali, viva, que ela nunca mais iria passar por algo assim outra vez. Mas antes que ele pudesse encostar na cicatriz, Hermione se afastou bruscamente.

- Não. – Ela disse com a voz baixa, mas carregada de desespero.

Harry arregalou os olhos surpreso por ela estar acordada. Ela então o olhou assustada e puxou a manga da blusa rapidamente, tentando esconder o braço, o corpo tremendo de forma perceptível.

- Mi... – Ele começou, mas ela balançou a cabeça freneticamente.

- Não olha. Por favor. – Ela pediu como se o implorasse para não ver algo que fosse realmente aterrorizante e nojento.

Harry sentiu uma onda de angústia atravessar seu peito. Ele não queria fazer nada que a deixasse desconfortável, mas vê-la tentando esconder aquilo... vê-la tentando fingir que não estava machucada... Ele não podia permitir.

- Mi, deixa eu ver. – Sua voz era suave, mas firme.

Ela continuou balançando a cabeça, os olhos enchendo-se de lágrimas.

- Não, Harry. Não quero que você veja isso. Não quero que veja o que ela fez comigo. É repugnante. – Ela disse em desespero.

- Eu já vi amor... Apenas me deixa olhar... – Harry sentiu sua garganta apertar quando ela o interrompeu outra vez.

- Então finge que não viu. – Ela engoliu em seco, desviando o olhar.

- Não posso fazer isso. – Ele disse sentindo um nó se formar em seu peito.

- Eu... me sinto suja, Harry. Como se tivesse alguma coisa errada comigo. Como se eu tivesse... deixado isso acontecer. – Hermione fechou os olhos com força, o corpo dela ainda tremendo, as densas lágrimas ainda escorrendo sem controle por sua bochecha.

- Não diga isso. – Harry disse com um tom mais abrupto do que pretendia, mas ele sentiu a raiva crescer dentro dele ao ouvi-la referir-se a si mesma assim.

Ela ergueu os olhos para ele, e o que viu neles a fez prender a respiração. Harry não estava apenas bravo. Ele estava furioso. Mas não com ela. Ele estava furioso com Bellatrix. Com Voldemort especialmente. Com todos que a fizeram passar por aquilo.

- Isso não é sua culpa amor. Nunca foi. – Ele disse com o tom de voz mais calmo dessa vez. Ele não queria assustá-la mais do que ela já estava.

- Mas está ali. Está na minha pele. Eu nunca vou esquecer, Harry. Eu vou carregar isso para sempre. – Hermione disse e apertou os lábios, desviando o olhar como se estivesse carregando a marca da vergonha.

- Oh anjo... Você é muito mais do que isso. – Ele disse sentindo o coração se partir por ela. Ele odiava que depois de tudo que ela havia sobrevivido ela não pensasse que aquela cicatriz representasse apenas sua força e sua coragem.

Hermione piscou, como se estivesse tentando processar as palavras dele.

- Mi é só uma cicatriz. Ela não pode definir você amor. Não pode mudar quem você é. E você é incrível. A bruxa mais corajosa e guerreira que eu conheci e eu tenho sorte de ter você ao meu lado, tenho orgulho. – Ele continuou olhando profundamente nos olhos dela para que ela visse que ele não falava nada além da mais pura e simples verdade.

- Mas ela dói. – Ela mordeu o lábio, respirando fundo e olhando para baixo.

- Eu sei, amor. – Harry sentiu o peito apertar ainda mais, ele sabia que ela não se referia apenas a dor física.

Ela abaixou ainda mais a cabeça, sua expressão vulnerável e cansada. Ele então hesitou apenas por um momento, e, com extrema delicadeza, segurou sua mão acariciando seus dedos com o polegar.

- Posso cuidar disso para você? – Ele perguntou suavemente.

Hermione olhou para ele, e por um momento pareceu querer recusar. Mas então, lentamente, assentiu.

Harry soltou um suspiro aliviado e estendeu a mão para puxar a manga da blusa dela que estava parcialmente grudada no sangue seco. Fez isso devagar, com todo o cuidado do mundo, como se ela fosse feita de vidro. Quando a pele ferida ficou completamente exposta, Harry sentiu a raiva voltar com força total.

O corte ainda estava inflamado, e havia sangue fresco nos contornos das letras entalhadas. Ele fechou os olhos por um instante, tentando controlar a onda de ódio que ameaçava dominá-lo naquele momento, pois aquela não era a hora de ele fazer nenhuma cena em relação a isso. Quando os abriu novamente, sua expressão era determinada. Ele pegou um pano limpo e a tigela com água morna que Fleur havia deixado ali e olhou para ela.

- Isso pode arder um pouco amor. – Ele avisou baixinho antes de começar a executar seus cuidados.

Hermione assentiu, mordendo o lábio, claramente assustada e incerta, e só então Harry molhou o pano na água e passou com extrema delicadeza sobre a cicatriz. Hermione estremeceu de dor, os dedos se apertando contra os lençóis, mas ela não reclamou nem por um segundo enquanto ele limpava a ferida.

- Estou quase terminando. – Ele disse em um tom tranquilizador.

Ela respirou fundo, tentando relaxar e continuou em silêncio. Ele terminou de limpar o sangue, e então pegou um pequeno frasco de poção cicatrizante que encontrou sobre a mesinha de cabeceira. Derramou algumas gotas sobre a pele marcada, massageando suavemente para que o líquido fosse absorvido. Ela não disse nada, soltou um suspiro pesado, como se sentisse alívio pela primeira vez desde que saiu daquela mansão.

- Melhor? – Harry perguntou observando sua expressão atentamente.

Hermione assentiu, mas manteve os olhos baixos sem conseguir encará-lo. Era como se ela estivesse envergonhada agora que a marca da cicatriz era totalmente visível e a palavra ficou clara. Harry não pensou nem por um segundo, e sem nenhuma dúvida ele se inclinou e pressionou os lábios suavemente contra as letras, as beijando uma por uma. Os beijos eram leves, reverentes, cheios de carinho e respeito. Hermione prendeu a respiração e quando ele se afastou, os olhos dela estavam arregalados.

- Harry... – ela sussurrou sem saber mais o que dizer.

- Isso não pode te definir. Nunca. E eu estou aqui para nunca deixar você esquecer isso. – Ele sussurrou, segurando sua mão com firmeza.

Hermione piscou atônita, e então, sem aviso prévio, deslizou os braços ao redor do pescoço dele e o puxou para um abraço apertado. Harry a segurou com a mesma força, sentindo o cheiro dos cabelos dela, sentindo seu corpo quente contra o seu, sentindo o quanto ela estava grata por ele estar ali.

- Fica comigo. Nunca me deixe, por favor... Eu preciso de você comigo. Eu preciso que você vença essa guerra... Que você não os deixe chegar nunca mais perto de mim. – Ela sussurrou contra seu ombro. O coração dele quase parou.

- Sempre, amor. Sempre vou estar com você. E eu te prometo que vou te proteger e acabar com eles, um por um. – Ele disse e apertou os olhos e depois a segurou ainda mais forte.

Hermione não soltou Harry. Seus braços estavam firmemente entrelaçados ao redor do pescoço dele, como se ele fosse a única coisa que a impedia de afundar completamente no peso esmagador do que havia acontecido. Ele sentiu o coração martelar dentro do peito por conta da força do que havia acabado de prometer a ela, pois nada o impediria de cumprir.

O cheiro dela era uma mistura de sal, areia e um leve toque de lavanda que sempre a acompanhava. A respiração dela estava quente contra seu pescoço, mas ainda um pouco instável, como se estivesse lutando contra um choro preso na garganta. Harry fechou os olhos sentindo a dor dela como se fosse dele e apertou o abraço, deslizando uma das mãos lentamente por suas costas em um movimento circular e tranquilizador.

- Estou aqui, Mi. Estou aqui com você. – Ele disse tentando aliviar aquela sensação de angustia que ele sentia vindo dela.

Ela não respondeu imediatamente. Apenas enterrou o rosto no ombro dele, buscando mais proximidade. Harry sentiu quando os dedos dela se agarraram ao tecido de sua camisa, como se quisessem segurá-lo ali para sempre.

- Eu tive tanto medo Harry... Eu achei que eu não ia conseguir aguentar a dor... – Ela disse com a voz saindo fraca, abafada contra sua pele.

- Eu também tive medo meu anjo. Eu nunca senti tanto medo na vida. – Ele disse e inspirou fundo com medo de ver a reação dela diante daquela confissão.

Hermione se afastou apenas o suficiente para conseguir encará-lo. Seus olhos estavam marejados, vermelhos, mas ainda assim, naquele momento, ela parecia mais presente, mais consciente de tudo que havia acontecido.

- Harry... eu achei que nunca mais fosse te ver. – Ela disse deixando uma lagrima solitária escapar dos seus olhos.

- Ei... Eu nunca teria deixado isso acontecer. Eu teria feito qualquer coisa para tirar você dali, Hermione. Qualquer coisa. – Ele sentiu um nó se formar em sua garganta, mas disse isso de maneira firme e determinada.

Ela piscou, e outra lágrima silenciosa escorreu pelo canto de seu rosto.

- Mas você não podia... Você não podia fazer nada lá... – Ela disse como se estivesse constatando um fato e não de maneira acusatória.

- Eu sei amor... E isso me mata. – Disse ele apertando a mandíbula.

Ela desviou o olhar, era como se ela quisesse se encolher novamente, mas então Harry não deixou. Ele queria que ela o olhasse.

- Ei. Você é a pessoa mais forte que eu conheço, amor. Você sobreviveu a isso e você está aqui comigo agora. Eu só tenho a agradecer por ter alguém tão incrível ao meu lado. Alguém que quando eu não posso aparecer resiste até que eu dê um jeito. Você é muito mais do que qualquer coisa que tentaram fazer com você. – Ele disse e tocou o queixo dela com delicadeza, forçando-a a olhar para ele. Harry queria que ela soubesse que ele acreditava nela para salvá-lo, tanto quanto ela acreditava nele. Ele confiava nela acima de qualquer pessoa.

Hermione apenas prendeu a respiração sobrecarregada pela intensidade do momento. Por um longo tempo, eles apenas ficaram ali, se encarando. Então, sem aviso, ela fechou os olhos e se inclinou, encostando sua testa na dele.

Harry sentiu sua respiração vacilar. Era um gesto pequeno, mas era íntimo. Ele sentiu bem de perto o calor da pele dela contra a sua, sentiu os fios rebeldes de cabelo castanho roçarem em seu rosto, sentiu a batida acelerada do coração dela combinando com a sua.

- Me diz que vou conseguir superar isso. Mesmo que você esteja mentindo, apenas me diga o que eu preciso ouvir Harry... – Ela sussurrou como se aquelas palavras fossem a linha tênue que definiria o seu futuro.

Harry engoliu em seco. Ele não podia mentir para ela. Não podia dizer que tudo ficaria bem de um dia para o outro, que a dor sumiria como mágica. Mas podia garantir algo.

- Você vai superar isso, Mi. E eu vou estar aqui para te ajudar. Sempre. O que não posso prometer é que será de um dia para o outro. Isso pode demorar um pouco amor, mas eu vou estar com você em cada passo que você der. Nunca você vai estar sozinha... – Ele disse a olhando intensamente.

- Você sempre diz isso... Que eu não vou estar sozinha. Então você tem que saber Harry, que precisa sobreviver. Você precisa vencer, ok? – Hermione respirou fundo, os olhos ainda fechados tentando acreditar nas palavras dele e no que ela mesma estava dizendo.

- Eu sempre digo isso e sempre vou dizer. Porque é verdade. – Harry sorriu levemente, apesar da tensão no ar.

Ela soltou um suspiro pesado, e por um momento, ele sentiu que uma parte do peso que ela carregava começava a se dissipar. Mas, Hermione se afastou um pouco, seu olhar caindo sobre o próprio braço, sobre a cicatriz recém-tratada. A expressão dela se fechou de novo e Harry viu aquilo acontecer. Ela estava se retraindo, ela estava se preparando para levantar uma barreira ao redor de si e fingir que estava forte e que não precisava de ninguém para ajudá-la. Ela queria acreditar nele e nas suas promessas, mas o peso da guerra havia caído sobre seus ombros. Ela sabia que poderia perde-lo.

- Hermione... – Harry a chamou tentando trazê-la de volta para a realidade de que estavam ali, de que tinham conseguido sair daquele lugar.

- Harry eu acho que não posso simplesmente fingir que isso não aconteceu. – Ela balançou a cabeça, mordendo o lábio, outra vez as lágrimas começaram a cair pelo seu rosto de maneira incontrolável.

- E ninguém está pedindo para você fingir. – Ele disse respirando fundo.

Hermione piscou algumas vezes, como se não esperasse aquela resposta. Harry pegou a mão dela novamente, passando os polegares suavemente sobre sua pele a olhando intensamente e seriamente.

- Isso aconteceu. Eu sei. Você sabe. Mas o que eles fizeram com você não define quem você é. Você ainda é a mesma Hermione brilhante, forte, incrível... e teimosa, pra caramba. – Ele disse de maneira passional, como se estivesse argumentando para defender a própria vida.

Ela soltou um riso baixo, trêmulo, e Harry sentiu um pequeno alívio ao ouvir aquele som. Ele deu graças a Merlin que conseguiu trazê-la de volta antes que ela descesse por um espiral e não conseguisse mais encontrar a saída.

- Essa cicatriz é uma marca do que aconteceu, mas não é quem você é. E eu vou lembrar você disso quantas vezes forem necessárias. – disse Harry muito determinado a convencê-la daquela verdade.

Hermione ficou em silêncio por um longo tempo e então, repentinamente, ela ergueu os olhos e olhou para ele de uma maneira diferente. Ela nunca tinha ousado se deixar tão exposta como naquele momento.

- Você me beija? – Ela sussurrou.

- O quê? – Harry disse atônito. O mundo dele parou e seu coração quase saltou do peito com aquele pedido dela.

- Me beija. Por favor. – Ela disse, mas logo desviou o olhar, as bochechas ficando levemente coradas.

Harry sentiu a respiração falhar naquele momento. Ele a observou por um tempo, tentando entender o que estava acontecendo na mente dela ao pedir uma coisa assim de maneira tão ousada. Ela não estava pedindo um beijo por puro impulso, isso era claro. Não era desespero. Ele podia sentir que não era. Era na verdade algo mais profundo. Ela queria se sentir viva de novo. Ela queria sentir algo além da dor.

- Você tem certeza? – Harry perguntou enquanto passava os dedos de um jeito terno pelo rosto dela, afastando uma mecha de cabelo.

Ela assentiu, mordendo o lábio e Harry não hesitou mais. Ele prontamente se inclinou devagar, dando-lhe a chance de recuar se quisesse desistir. Mas ela não recuou. Os lábios dele tocaram os dela suavemente, com delicadeza, com reverência. Hermione soltou um suspiro contra sua boca, e ele sentiu seus dedos deslizarem até o cabelo dele, puxando-o para mais perto. Foi um beijo intenso, lento, profundo. Não era um beijo apressado, tomado pela necessidade. Era um beijo de conforto, de promessa, de amor.

Quando eles se afastaram, Hermione manteve os olhos fechados por um momento, como se quisesse guardar aquela sensação. Então, ela abriu os olhos e sorriu suavemente.

- Obrigada. – Ela disse simplesmente.

- Eu faria qualquer coisa por você, amor. – Harry sorriu de volta. E ele sabia que era verdade. Porque naquele momento, Harry percebeu que não importava mais o que acontecesse. Hermione era a prioridade dele. E ele nunca a deixaria enfrentar nada sozinha.

Ela ainda estava com os olhos fechados, respirando devagar, ela parecia estar tentando guardar aquele momento em sua memória para que a recordação do beijo sobrepusesse as lembranças ruins dos últimos três dias de tortura, dor e perda. Os lábios dela estavam levemente entreabertos como se ela estivesse tentando reviver a sensação que havia acabado de sentir.

Harry a observava em silêncio, sem saber muito bem o que fazer a seguir. Ele sentia uma onda avassaladora de emoções conflitantes dentro de si. Alívio, por vê-la reagindo. Felicidade, por tê-la nos braços, sentindo seus lábios contra os dele, sabendo que ela o queria ali.

Mas também havia crescendo dentro dele uma fúria crua e latente, uma dor incandescente que queimava toda vez que seu olhar recaía sobre a vil cicatriz vermelha e inchada no braço dela. Ele queria protegê-la de tudo. Mas não tinha sido capaz de fazer isso e ele se culpava por isso.

- O que foi? – A voz de Hermione veio baixa, quase um sussurro, e só então Harry percebeu que ainda estava com a testa levemente encostada na dela, os dedos descansando delicadamente em sua cintura.

- Nada – Ele piscou, afastando-se apenas o suficiente para olhar dentro dos olhos dela.

- Harry você só faz essa cara quando está prestes a explodir alguma coisa. – Ela arqueou levemente a sobrancelha.

- Não estou prestes a explodir nada. – Harry disse e soltou um riso pelo nariz, mas não era um riso genuíno.

- Não minta para mim. Eu te conheço, esqueceu? – Ela disse suspirando enquanto deslizava os dedos pelo rosto dele.

- Eu só... não consigo aceitar o que fizeram com você. – Ele disse sentindo os ombros caírem um pouco.

- Eu também não. Mas agora não tem mais jeito Harry. Eu sou assim agora e terei que aceitar viver com essa marca... - Ela disse desviando o olhar do dele, mordendo o lábio inferior.

- Eu não me importo que você tenha essa cicatriz Mi. Eu apenas só não consigo aceitar o jeito que você a adquiriu. Mas eu juro para você, Hermione, eu nunca vou deixar ninguém te machucar desse jeito de novo. – Ele disse enquanto segurava a mão dela firmemente e entrelaçava seus dedos nos dela.

- Você não pode prometer isso, Harry. O mundo ainda não está seguro. Ainda estamos em guerra. – Ela disse soltando um riso trêmulo tentando aliviar o peso do que havia acabado de jogar em cima dele.

- Eu sei. Mas isso não muda nada. Eu faria qualquer coisa por você. E se alguém tentar machucar você de novo, eu juro que não terei mais piedade. – Ele disse apertando os lábios numa linha fina e travando o maxilar.

- Harry... – Hermione piscou algumas vezes, analisando seu rosto.

- Eu tô falando sério, Mi. Eu nunca mais quero ouvir você gritar daquele jeito. Nunca mais. – Ele falou, sua voz saindo mais grave do que pretendia.

Hermione estremeceu em seus braços odiando que ele tivesse vivido esse pesadelo. Ela não sabia se poderia aguentar se fosse o contrário e entendia mais ainda a raiva que ele sentia, mas também sabia que ele estava se culpando por tudo que ela havia passado já que não conseguiu fazer nada para impedir.

- Você ouviu tudo? – Ela perguntou sem saber se queria escutar a resposta.

- Cada segundo. – Ele disse sentindo o peito apertar.

Ela fechou os olhos, um tremor percorreu todo o seu corpo. Harry percebeu e imediatamente a puxou de volta para seus braços, segurando-a contra si.

- Já passou, amor. Já passou. – Ele disse tentando tranquiliza-la mesmo que as lembranças dos gritos dela ainda pairassem sobre seus pensamentos.

Hermione respirou fundo contra o peito dele se aninhando ainda mais.

- Mas eu ainda sinto como se estivesse lá. Como se ainda estivesse deitada naquele chão sujo, ouvindo a risada dela. – Hermione disse com um fio de voz embargada. Saber que Harry a ouviu gritar a aliviava, pois assim ela entendia que não estava sozinha com sua dor, mas ao mesmo tempo a deixava com medo de ele não conseguir seguir em frente. Ela não queria que ele carregasse culpa. Eles estavam numa guerra e isso poderia ter acontecido com qualquer um.

- Você não está mais lá. Está aqui. Comigo. E eu nunca mais vou deixar nada acontecer com você. Harry disse enquanto passava os dedos ternamente pelos cabelos dela, deslizando as mãos suavemente por suas costas, tentando transmitir qualquer tipo de conforto.

Ela assentiu contra ele, mas permaneceu em silêncio.

- O que posso fazer para te ajudar? — Ele perguntou depois de um tempo, mantendo sua voz calma.

Hermione hesitou. Então, lentamente, levantou a cabeça e olhou para ele.

- Apenas não me deixe sozinha. – Ela disse em um sussurro.

- Isso não é um pedido difícil. – Harry falou sorrindo suavemente.

Ela suspirou dessa vez parecendo mais tranquila e menos assustada do que ela estava a pouco tempo atrás e então ela abaixou a cabeça, encostando o rosto no peito dele novamente. Eles ficaram ali por um tempo, sem dizer nada. Apenas respirando juntos.

- Harry? – Hermione quebrou o silêncio.

- Hm? – Ele respondeu sem parar de fazer aquele movimento calmante nas costas dela, ele queria que ela se sentisse segura para descansar um pouco.

Ela se afastou, apenas o suficiente para que pudesse olhá-lo nos olhos.

- Me beija de novo? – Ela perguntou dessa vez de maneira mais certa.

O coração de Harry deu um salto. Ele não respondeu de imediato, apenas olhou para ela, absorvendo cada detalhe de seu rosto. A forma como seus olhos castanhos estavam brilhando levemente, apesar do cansaço. A maneira como suas bochechas estavam coradas, talvez pelo calor, talvez pelo que ela acabara de pedir. Ele sorriu sabendo que também queria aquilo tanto quanto ela.

- Com o maior prazer. – Harry disse sem dar tempo de ela responder.

Dessa vez, ele não foi tão cuidadoso. Ele se inclinou e a puxou para mais perto do seu corpo de modo que eles quase se fundissem no mesmo espaço, e seus lábios se encontraram em um beijo mais intenso. Ainda havia delicadeza nele, mas também havia urgência. Era um beijo carregado de tudo que ele sentia por ela. Era um beijo de amor.

Hermione retribuiu sem hesitação, suas mãos deslizando até os cabelos dele, puxando-o para mais perto de maneira mais ansiosa e necessitada. Harry sentiu como se tudo ao redor desaparecesse. O medo, a raiva, a dor. Nada mais importava. Nada além dela. E quando se afastaram, Hermione encostou a testa na dele, sorrindo levemente.

- Acho que estou começando a acreditar que vou ficar bem de verdade. – Ela disse com um sorriso tímido o olhando com um resquício de insegurança.

- E eu vou estar aqui até você ter certeza disso. – Harry disse sorrindo e segurando o rosto dela entre as mãos, enquanto acariciava sua bochecha com o polegar de maneira terna e reverente.

Ela sorriu mais uma vez e fechou os olhos, respirando fundo, como se ela estivesse tentando absorver aquele instante, como se quisesse que o tempo não passasse e congelasse ali naquele quarto, apenas com os dois. E pela primeira vez em muito tempo, Harry sentiu que talvez, só talvez, tudo ficasse bem.

O silêncio entre eles era denso, carregado de algo que Harry não sabia determinar completamente. Ele ainda sentia o calor dos lábios de Hermione nos seus, ainda sentia a proximidade do corpo dela, a respiração entrecortada e a vulnerabilidade que ela compartilhava apenas com ele. Ela ainda estava ali, nos braços dele entregue, com os olhos fixos nele, compartilhando uma intensidade que o fez prender a respiração. Mas algo havia mudado. Não era mais apenas sobre dor, ou sobre o trauma do que haviam passado. Era sobre eles agora.

Harry observou Hermione enquanto ela mordia o lábio levemente, como se estivesse tentando encontrar as palavras certas para dizer algo. Mas, depois de um tempo em vez de falar, ela apenas pegou a mão dele e, lentamente, a levou para baixo de sua blusa. Ele sentiu a pele quente sob seus dedos, um arrepio percorrendo seu próprio corpo com o contato inesperado. Hermione nunca havia sido tão ousada, tão aberta assim, e aquilo o deixou sem reação por um instante.

- Mi... – Sua voz saiu num sussurro surpreso, seus olhos buscando os dela.

Hermione segurou sua mão firmemente, mantendo-a ali, e seu olhar brilhou de forma determinada, mesmo que ainda houvesse um vestígio de hesitação em sua expressão, mesmo que ela estivesse corada de vergonha.

- Eu confio em você, Harry. – Ela disse sem tirar os olhos dos dele.

- Eu sei, amor, mas isso... você tem certeza? – Ele perguntou, sentindo o coração bater mais rápido.

Hermione assentiu devagar, seus dedos deslizando dos ombros dele até a nuca, onde ela se agarrou a ele como se estivesse se ancorando.

- Eu nunca tive tanta certeza de nada em minha vida. Estamos numa guerra Harry. Podemos estar mortos amanhã. Eu quero isso agora. Quero você. – Sua voz era baixa, mas firme.

Harry sentiu um nó apertar em sua garganta tanto pela ansiedade, quanto pelo nervosismo. Ele a conhecia bem o suficiente para saber que isso não era apenas um impulso ou um desejo passageiro. Não era um pedido feito no calor do momento. Era mais. Ela queria se sentir segura, amada, protegida. E ele era o único em quem ela confiava para fornecer isso.

Ele então deslizou os dedos pela pele quente e macia do abdômen dela, observando atentamente qualquer sinal de hesitação que ela mostrasse, pois se isso acontecesse ele pararia imediatamente. Não porque não a queria, mas ele sabia que aquele momento era importante e que ela teria que se sentir pronta para levar a relação deles para outro nível. Para ele aquilo não era passageiro. Mas Hermione não recuou. Pelo contrário, ela se aproximou mais, fechando os olhos por um breve instante, como se absorvesse cada sensação.

- Eu te amo... – Ele se inclinou lentamente, roçando os lábios na têmpora dela antes e murmurou as palavras que sempre quis dizer a ela.

- Eu também te amo. Ela disse abrindo os olhos e sorrindo suavemente, e dessa vez ele notou que era um sorriso tímido, sim, mas totalmente genuíno.

Hermione levou a mão ao rosto dele, traçando levemente a linha de sua mandíbula, e então o puxou para mais perto. O beijo que seguiu foi diferente. Não era apenas urgência ou desejo, mas um entendimento profundo, um pedido silencioso para que ele aceitasse ser o seu primeiro homem, o primeiro a amá-la de verdade. E Harry entendeu.

Naquela tarde quente, no Chalé das Conchas, com o sol brilhando através da pequena janela Harry decidiu mostrar a Hermione, que ela estava sim segura, que ela era amada e que ela estava inteira. O quarto estava silencioso naquele momento, pelo tom laranja do céu lá fora já estava quase anoitecendo e o som das ondas quebrando nas rochas e das gaivotas se misturava ao som de suas respirações aceleradas e o farfalhar suave do tecido das roupas se movendo conforme eles se tocavam de maneira mais intensa e intima.

Harry não desviava os olhos de Hermione. Ela estava ali, diante dele, tão vulnerável e, ao mesmo tempo, tão forte. Seu olhar não carregava medo, apenas uma profunda confiança, como se ela soubesse que, naquele momento, estava exatamente onde deveria estar.

- Eu quero isso com você, Harry. Mas, eu nunca fiz isso antes. Estou um pouco nervosa, com medo de não ser o que você espera. Eu sei que você já fez isso antes... – Ela sussurrou, deslizando as mãos pelos ombros dele, seus dedos trêmulos, mas decididos.

O coração de Harry batia forte dentro do peito. Ele queria perguntar se ela tinha certeza mais uma vez, queria garantir que ela não estava fazendo isso apenas para esquecer a dor, mas os olhos dela lhe davam todas as respostas. Ela o queria. Não apenas para apagar as lembranças ruins, não apenas para se sentir viva de novo. Ela o queria porque o amava.

- Amor... Fica tranquila... Eu te amo, então apenas relaxe e confie em mim, ok? – Harry disse a beijando de maneira mais apaixonada.

Ele sentiu a garganta apertar, tomado pela intensidade daquele momento. Com cuidado, ele levou as mãos até a barra da blusa de Hermione e hesitou, esperando um sinal dela. Ela apenas sorriu suavemente e ergueu os braços, permitindo que ele a desnudasse aos poucos. Quando a peça de roupa caiu no chão, Harry prendeu a respiração. Ela era linda. Não apenas fisicamente, mas de uma forma mais profunda. Ela era a mulher mais incrível que ele já conhecera, e agora, estava se entregando a ele de uma forma que o fazia sentir um misto de honra, responsabilidade e emoção.

Harry não resistiu e passou as mãos reverentemente por sua pele, como se estivesse memorizando cada curva, cada detalhe. Hermione fechou os olhos por um instante, sentindo o carinho no toque dele, sentindo-se bonita sob o olhar desejoso dele e sob a delicadeza com que ele a explorava.

- Você é perfeita. – Ele sussurrou, sua voz carregada de sentimento.

- Me toca, Harry. Me faz sentir que sou sua e que você nunca vai me deixar. – Ela disse abrindo os olhos e sorrindo para ele com o rosto corado, um pouco emocionada, porém sem nenhuma hesitação.

Harry não precisava de mais nada. Ele deslizou os lábios por sua pele, depositando beijos lentos e reverentes por cada parte que explorava. Beijou os olhos, a bochecha, o maxilar, um ponto no pescoço que a fez gemer suavemente e seus ombros esguios e delicados. Ele queria que ela soubesse o quanto era amada, o quanto era adorada e preciosa para ele.

Logo depois ele tirou delicadamente o sutiã dela e ao vislumbrar seus seios arredondados, seus mamilos rosados e enrijecidos e a pele arrepiada ao redor, ele não resistiu. Para ele ela parecia uma obra de arte linda e rara. Uma das mãos dele tocou suavemente o seio esquerdo enquanto ele usou os lábios para capturar o mamilo do seio direito e quando ele lambeu, beijou e sugou de um jeito suave Hermione arqueou no colchão e gemeu seu nome o puxando para mais perto, claramente querendo sentir mais.

A mão dele viajou mais para baixo e ele alcançou a barra da calça dela. Então ele parou tudo que estava fazendo de repente, Hermione gemendo de frustração, sem entender porque ele havia parado, mas Harry se levantou da cama e tirou suas próprias roupas, ficando apenas de cueca boxe, satisfeito com o olhar luxurioso que ela dirigiu a ele e logo depois ele voltou, se ajoelhando ao lado dela e pedindo permissão antes de puxar a calça jeans dela pernas abaixo, de uma maneira um pouco desajeitada que fez ambos rirem da situação.

Quando ele se deitou novamente e a beijou de novo a sensação de pele contra pele fez todos os toques ficarem mais íntimos e muito mais intensos. Eles estavam ofegantes e Harry não conseguia mais resistir em tocá-la na região mais intima. Ele levou os dedos até a barra da calcinha branca de algodão que ela usava e olhou nos olhos dela, pedindo um consentimento silencioso que lhe foi dado. Ao senti-la percebeu o quanto ela estava pronta para ele, o quanto ela era quente e delicada. Naquele momento ele a queria mais do que qualquer coisa no mundo. Hermione percebendo que ele estava se segurando timidamente também ousou colocar a mão por baixo do cós da cueca dele, ela queria senti-lo. E aquilo só despertou nos dois um desejo ardente de se tornarem um.

Então Harry se colocou entre as penas dela, sobre ela, tomando extremo cuidado ao se apoiar nos braços para não a esmagar. Ela levantou as mãos até onde estavam as dele ao lado de sua cabeça e ele entrelaçou os dedos com os dela. Quando finalmente se uniram, Hermione arquejou, seu corpo se ajustando ao dele com uma mistura de dor e prazer. Harry parou imediatamente, seu olhar preocupado encontrando o dela.

- Você está bem? Quer que eu pare? – Ele perguntou tentando ao máximo manter o controle enquanto a sentia apertá-lo.

- Não. Por favor, não para. – Hermione disse enquanto o olhava nos olhos e balançava a cabeça, naquele momento ela sentia uma emoção intensa.

- Eu nunca quero te machucar, Mi. – Ele disse soltando uma respiração tremula segurando-a com ainda mais carinho, com ainda mais amor.

- Eu sei disso. Por isso quero que seja você. Quero que me ame assim para sempre. – Ela disse sorrindo suavemente com os olhos marejados.

Harry sentiu uma onda de emoção atravessá-lo, como se aquelas palavras fossem uma promessa tão poderosa quanto qualquer voto inquebrável. Ele a beijou profundamente, selando aquele momento entre eles. E ali, enquanto se entregavam um ao outro, naquele instante, Hermione soube que nunca estaria sozinha. Porque Harry Potter sempre estaria ao seu lado. Sempre.

O tempo parecia ter desacelerado ao redor deles. Nada era perceptível para eles a não ser um ao outro. Hermione estava ali, entregue a ele, os olhos fixos um no outro, cheios de amor, confiança e desejo. Harry passou a mão pelo rosto dela, traçando a linha delicada de sua bochecha com os dedos, como se quisesse memorizar cada detalhe, cada expressão, cada gemido. Ela fechou os olhos por um momento, inclinando-se contra seu toque, e ele sentiu o coração apertar com a intensidade do que estavam compartilhando.

- Mi... Olha pra mim amor... – Ele sussurrou, como se quisesse ter certeza mais uma vez que poderia continuar.

Ela abriu os olhos e sorriu suavemente, os lábios levemente inchados pelos beijos que haviam trocado.

- Eu quero isso, Harry. Quero você. – Ela disse o incitando a se mover. Ela sabia que a dor ainda viria, pois ele não tinha quebrado a barreira da inocência dela, mas ela o desejava mais do que qualquer coisa. Ela precisava senti-lo.

- Eu também te quero. Mas não quero te machucar. – Ele disse sentindo um nó na garganta.

- Você nunca me machucaria. – Hermione disse tocando o rosto dele de uma maneira terna deixando seus dedos delicados traçarem sua mandíbula.

Harry respirou fundo, absorvendo a confiança que ela depositava nele. Ele queria fazer tudo certo, queria que esse momento fosse perfeito para ela. Com delicadeza ele continuou explorando sua pele já úmida pelo suor, beijando cada parte dela com reverência. Hermione suspirou, os olhos fechados, a respiração acelerada. E quando finalmente ele rompeu a barreira e eles se tornaram um só, Hermione ofegou, segurando-o com força. Harry congelou, sentindo a tensão no corpo dela. Ele sabia que aquela dor era inevitável, mas ele não queria que ela sentisse mais nenhuma dor. Ela já havia passado por muita dor nos últimos três dias e ele se sentia culpado por causar mais essa.

- Amor...? – Ele perguntou, usando seu autocontrole para se manter imóvel.

- Dói um pouco, mas não para por favor... – Ela disse respirando fundo, segurando os ombros dele.

Harry fechou os olhos por um instante, engolindo a emoção que ameaçava transbordar. Ele a beijou suavemente nos lábios derramando todo o seu amor naquele beijo. Ele estava disposto a esperar o tempo que fosse preciso para que ela se acostumasse à sensação de tê-lo dentro dela, na esperança de que a dor se dissipasse e restasse somente o desejo e o prazer. Depois de um tempo que eles não sabiam determinar Hermione foi relaxando aos poucos, segurando-o mais perto, como se quisesse que ele a envolvesse completamente.

E então, quando ela sussurrou "Me ame, Harry" em seu ouvido, ele soube que esse era o momento mais importante de sua vida. Eles se moveram juntos, lentamente, aprendendo um com o outro, compartilhando algo que era apenas deles. Hermione apertou os olhos, um suspiro trêmulo escapando de seus lábios, e Harry sentiu sua alma se entrelaçar à dela de uma forma que jamais imaginou ser possível quando eles chegaram ao ápice juntos.

- Me promete... – Ela murmurou contra sua pele suada, a voz embargada, o corpo tremulo ainda conectado ao dele e os olhos brilhando com uma intensa emoção que parecia querer consumi-la.

- Prometer o quê, amor? – Ele perguntou a olhando nos olhos, seu coração batendo forte contra sua caixa torácica.

- Que vai me amar assim para sempre. – Ela disse com a respiração ainda ofegante e segurando o rosto dele entre as mãos.

Harry sentiu seu peito apertar, como se aquelas palavras fossem a única verdade que ele precisasse conhecer na vida. Ele sorriu suavemente, selando aquela promessa com um beijo demorado.

- Sempre, Mi. Eu vou te amar para sempre. – Ele disse sem conseguir parar de sorrir contra os lábios dela.

O tempo parecia ter parado dentro daquele quarto iluminado pelo sol da tarde. O cheiro do mar entrava suavemente pela janela aberta, misturando-se ao calor que emanava de seus corpos entrelaçados.

Hermione ainda o segurava, os dedos delicados cravados nos ombros de Harry, como se quisesse garantir que ele não fosse a lugar algum. Seu peito subia e descia com a respiração ainda acelerada, seu rosto corado pelo calor do momento, os cabelos bagunçados ao redor do travesseiro.

Harry permaneceu acima dela, apoiado nos cotovelos, seu olhar fixo no dela. O que acabaram de compartilhar era mais do que físico. Era algo profundo, algo que ia além do desejo. Era entrega. Hermione o queria. Confiava nele. E ele nunca havia se sentido tão honrado, tão emocionado.

Com delicadeza, Harry afastou uma mecha de cabelo grudada na pele úmida da testa dela e depositou um beijo ali, suave, quase reverente. Hermione sorriu fracamente, ainda recuperando o folego da intensidade do momento. Seus olhos castanhos brilhavam, refletindo algo que Harry sabia ser amor.

- Você está bem? – Ele perguntou, sua voz baixa e cheia de ternura.

Hermione assentiu lentamente, seus dedos deslizando dos ombros dele até seu rosto. Ela o olhava como se quisesse se lembrar dele em cima dela, e na verdade ela queria mesmo, ela queria apagar a memória de Bellatrix Lestrange numa posição quase semelhante do ponto de vista dela.

- Estou... Estou mais do que bem. – Ela disse respirando fundo com um sorriso tímido brincando em seus lábios.

- Te machuquei? – Harry sentiu o peito aquecer ao vê-la tão satisfeita e tão relaxada. Ele nunca a tinha visto tão linda quanto naquele momento.

- Doía no começo, mas depois... depois foi perfeito. – Ela disse mordendo o lábio, desviando os olhos por um instante antes de encará-lo novamente.

Harry sentiu um nó na garganta. Ele odiava ter causado qualquer tipo de dor a ela. Ele não queria que nada tivesse sido doloroso para ela. Hermione percebeu sua preocupação e sorriu, deslizando os dedos suavemente por seu rosto. Ela estava muito feliz e tinha que deixar isso bem claro para ele.

- Harry, foi lindo. Você me fez sentir segura... me fez sentir amada. – Ela disse beijando seu maxilar delicadamente.

- Você é amada, Mi. Muito. – Ele disse fechando os olhos por um instante, absorvendo as palavras dela.

Ela puxou o rosto dele suavemente e o beijou. Dessa vez, o beijo foi lento, terno, como se quisesse agradecer-lhe sem precisar de palavras. Harry retribuiu, deixando-se perder na doçura daquele momento. Eles ficaram assim por um tempo, apenas trocando beijos suaves e carícias ternas e delicadas, sem pressa, sem necessidade de mais palavras.

Quando finalmente ele se afastou com cuidado dela, causando um suspiro de contentamento e ao mesmo tempo de perda, Hermione foi rápida em apoiar a cabeça contra o peito dele enquanto ele rolava para o lado, puxando-a junto consigo. O corpo dela se encaixou perfeitamente contra o dele como se eles dois tivessem nascido para se encaixar como peças de um quebra cabeça, as pernas entrelaçadas, os dedos de Harry traçando desenhos invisíveis na pele nua de sua cintura. Nada poderia ser melhor. Hermione fechou os olhos, aproveitando a sensação do toque dele.

- Eu nunca me senti assim antes. – Ela sussurrou.

- Assim como? – Harry perguntou enquanto beijava repetidamente o topo da cabeça dela e sentia o cheiro suave de lavanda misturada com suor.

- Completa. Protegida. Em casa. – Ela disse e sorriu contra a pele dele.

- Então eu nunca vou deixar você se sentir de outra forma. – Ele disse para ela sentindo o próprio coração disparar e depois a apertou mais contra si, como se quisesse fundi-los em um só.

- Você promete? – Hermione ergueu o rosto para olhá-lo, seu olhar sério.

- Eu prometo. Para sempre. Nós dois juntos para sempre. – Harry deslizou os dedos por sua bochecha, contemplando-a.

- Eu te amo, Harry. – Hermione disse, então se aninhou mais ainda contra ele, fechando os olhos.

- Eu também te amo, Mi. E sempre vou amar. – Harry sussurrou e beijou seus cabelos, apertando-a ainda mais contra si.

Eles ficaram assim, abraçados, enquanto o sol continuava se pondo lá fora e o mundo se resumia apenas aos dois. Hermione respirava de forma calma agora, um contraste gritante com a forma como seu corpo tremia antes, quando o medo ainda a assombrava. Ele percebeu a mudança nela, sentiu que aquele momento entre eles não havia sido apenas físico.

Havia sido uma cura. Uma cicatriz invisível dentro dela havia começado a fechar. Harry passou os dedos suavemente pelos cabelos dela, afastando uma mecha que caía sobre seu rosto. Hermione sorriu levemente, seus olhos ainda fechados, e se aconchegou mais nele, respirando fundo contra sua pele.

- Você ainda está acordado? – Ela murmurou sonolenta.

- Sim amor, ainda estou. – Ele respondeu de maneira séria, mas com a voz calma e contemplativa

- Por quê? – Hermione perguntou com uma expressão curiosa abrindo os olhos devagar, piscando algumas vezes antes de erguer o olhar para ele.

- Porque eu queria ficar olhando para você. – Harry disse passando a ponta dos dedos pelo rosto dela, admirando cada detalhe.

- Isso é meio bobo, Potter. – Ela corou, seu sorriso se alargando.

- Talvez. Mas é verdade. – Ele sorriu também.

Hermione então começou a passar os dedos suavemente pelo peito dele, dessa vez distraída, perdida em seus próprios pensamentos, traçando pequenos círculos na pele quente dele.

- Ei... o que foi? – Ele perguntou ao notar seu olhar mais pensativo.

- Eu só... estou tentando absorver. O que aconteceu comigo. O que nós fizemos. O que isso significa de agora em diante para nossa amizade. – Ela disse hesitante com medo de ter dito algo errado.

- Significa que eu amo você. E que não importa o que aconteça, eu sempre estarei ao seu lado. – Harry disse segurando o rosto dela entre as mãos de maneira gentil, forçando-a a encará-lo para que ela visse a verdade em seu olhar e sentisse que a conexão deles era de corpo e alma e que ele pretendia lutar até o fim para que eles pudessem ficar juntos para sempre.

- Sempre? – Hermione piscou algumas vezes, os olhos brilhando.

- Sempre. – Harry disse de maneira definitiva beijando sua testa.

Hermione suspirou e fechou os olhos, encostando a cabeça contra o peito dele novamente. Por alguns instantes eles ficaram em silêncio, apenas ouvindo o ritmo das respirações um do outro.

- Eu me sinto segura com você. – Ela sussurrou contra a pele dele.

- E você sempre estará, amor. Nunca mais vou deixar ninguém machucar você de novo. Eu juro para você... – Ele disse apertando os olhos e absorvendo a intensidade de suas próprias palavras.

Hermione sorriu suavemente, como se acreditasse nisso. Como se, pela primeira vez, desde que tudo aconteceu na Mansão Malfoy, o medo não fosse maior do que a segurança que sentia nos braços dele.

- Acho que nunca fui tão feliz. – Ela murmurou.

Harry sentiu o peito se encher de amor. Ele queria manter aquele momento para sempre. Queria guardar Hermione em seus braços e protegê-la do mundo lá fora, das dores que ainda viriam, das batalhas que ainda tinham que enfrentar. Mas, por agora, tudo o que importava era que ela estava ali. E que, pela primeira vez em muito tempo, Hermione Granger se sentia viva novamente. E ele estava ao lado dela apesar de tudo, apesar da dor, das cicatrizes e do medo. Eles eram um do outro agora e para sempre.