Olá! Esta segunda cena oculta de Almas Antigas explica porque Caldina, quando Hikaru e Umi voltaram para Cefir, recomendou cuidado quando entrassem em qualquer espaço onde Fuu e Fério estivessem sozinhos por algum tempo, principalmente nos dias seguintes a leitura de um romance barato de banca de revistas pela rainha

Segunda cena: Cuidado com os dias após a leitura de romances baratos

O primeiro foi Cléf...

Fuu fechou o livro que acabara de ler e suspirou. Ela achara a história linda e muito romântica. Foi quando sentiu um par de braços fortes a envolvendo pela cintura e a puxando contra um peito másculo.

"Por que minha linda esposa está suspirando?" Falou a voz de seu amado ao seu ouvido, antes de lhe dar um beijo no pescoço.

Fuu se virou e passou seus braços pelo pescoço de Fério, antes de o beijar.

"Acabei de ler uma história linda! A mocinha, que nasceu em uma família que perdeu seus bens, consegue um emprego na casa de um conde recluso, que não se importava apenas com as festas e bailes da nobreza. Ele era um intelectual e amava ler. A moça o achava muito rude no início, mas então ela, secretamente, começou a ler os livros da biblioteca dele. Um dia ele a pegou lendo na biblioteca e eles começaram a conversar. As conversas foram evoluindo e eles foram se apaixonando. Claro que enfrentaram muitos desafios. Mas eles se amavam. Fizeram amor pela primeira vez na biblioteca, com ele sussurrando um poema de amor no ouvido dela. Que romântico!"

Fério percebia que sua amada estava mesmo encantada com o que lera, e isto lhe deu uma ideia. Afinal de contas, eles tinham uma biblioteca enorme no palácio. E se eles…

O rei deu mais um beijo em sua rainha, foi até o banheiro, vestiu seu roupão e pegou o dela, e o levou até ela. Fuu o olhou de forma engraçada, tentando entender o porquê de colocarem os roupões.

"Vista e venha comigo. Eu tive uma ideia."

Os dois saíram de mãos dadas de seus aposentos, andando silenciosamente pelos corredores. Fério sempre cuidando se não havia ninguém antes de prosseguirem. Para a sorte deles, já era tarde e os corredores estavam vazios.

Chegando na biblioteca, o rei abriu a porta e examinou o interior. Ninguém a vista. Ele puxou Fuu para dentro da biblioteca e a levou até perto da mesa de trabalho que lá havia.

"O que estamos fazendo aqui?" a rainha perguntou.

"Quero que você me conte mais deste livro maravilhoso e sobre eles fazendo amor na biblioteca. Com detalhes."

Fuu começou a falar, não entendendo muito porque Fério a levara até ali para ouvir sobre o livro. Mas logo as dúvidas abandonaram sua mente quando seu amado começou a fazer as mesmas coisas que ela lhe descrevia que o personagem do livro estava fazendo. Incluindo belas palavras de amor no seu ouvido.

xxxxx

Cléf não conseguia dormir. O Mago Mestre desistiu de continuar tentando, levantou de sua cama e foi olhar suas estantes de livros. Nada lhe chamou a atenção que ele já não tivesse lido umas três vezes. Lembrou de um volume que queria reler que estava na biblioteca do palácio.

O guru vestiu um roupão por cima de sua roupa de dormir, calçou um chinelo e saiu em direção à biblioteca.

Lá chegando, bocejou antes de abrir a porta. Quando entrou, arregalou os olhos, não acreditando no que estava vendo. Seus soberanos estavam ambos nus e fazendo sexo na biblioteca. Fuu estava apoiada bem na beirinha da mesa de trabalho e Fério de pé na frente dela. O guru avermelhou da cabeça aos pés e tratou de fechar a porta antes que o vissem. Ele voltou rapidamente para seus aposentos tentando apagar de sua mente o que havia testemunhado.

xxxxx

O próximo foi Lantis…

O espadachim mágico de Cefir estava deitado em um galho no alto de uma árvore, dentro da floresta que fazia divisa com os jardins do palácio. Ele olhava o céu noturno, pensando em sua Hikaru. A espera era difícil, mas ele entendia que sua amada queria cumprir alguns sonhos antes de ficar ao seu lado para sempre. Ainda olhava as estrelas, imaginando o rosto de Hikaru, quando ouviu alguns ruídos e ouviu vozes embaixo da árvore onde estava.

Ele estranhou. Era tarde para haver pessoas andando pela floresta. Mas resolveu ignorar e continuar pensando em sua amada.

Foi quando ouviu a voz de Fério.

"Me conte mais sobre quando a donzela e o guerreiro se perderam na floresta e descobriram que se amavam…"

O Kailu ouviu a rainha começar a falar. Resolveu não prestar atenção, seus pensamentos ainda na Guerreira do Fogo. Até que ouviu gemidos.

Olhou para baixo, para ver o que estava acontecendo, e arregalou os olhos ao que enxergou.

Seus reis estavam fazendo amor bem embaixo da árvore onde estava. O Kailu avermelhou e fez o melhor o possível para ficar em completo silêncio e ignorar o que estavam fazendo. E tentando não pensar em Hikaru e ele fazendo a mesma coisa…

xxxxx

Então foi a vez de Rafaga…

O capitão da guarda do palácio de Cefir estava fazendo sua ronda noturna. Ele acreditava em comandar pelo exemplo, e jamais pediria a seus homens que fizessem uma ronda na madrugada se não estivesse disposto a fazer o mesmo. Caldina não gostava, mas compreendia seu raciocínio.

E ele estava na escala daquela noite. Ainda tinha cinco andares para cobrir antes de terminar seu turno e poder ir dormir, deixando seu substituto em seu lugar.

Ao se aproximar da sala do trono, Rafaga pensou ouvir movimento dentro da sala. 'Quem será a esta hora? A equipe de limpeza já foi dormir….' pensou. Lentamente se aproximou da porta. Começou a abri-la devagar e, então, ouviu a voz de Fério.

"E o que mais o sultão e sua odalisca fizeram?" O rei perguntou arfando.

O Daru terminou de abrir a porta silenciosamente e ficou paralisado com o que encontrou. Seus soberanos estavam no trono, ambos nus. Seu rei estava sentando e sua rainha em seu colo, se movendo para cima e para baixo, as mãos do rei em sua cintura.

Rafaga rapidamente deu meia volta e fechou a porta, vermelho como um tomate e sentindo muito calor. Se afastou para a sombra de uma coluna, afastado da porta, e ficou lá de guarda até os monarcas se retirarem, para que ninguém mais encontrasse seus reis durante esta 'atividade' deles.

xxxxx

Presea foi a próxima sortuda….

A ferreira de Cefir estava cansada. Ficara até tarde terminando uma armadura da qual recebera encomenda. Seu corpo ardia e estava suada.

Ela só conseguia pensar em tomar um banho e ficar de molho na banheira, mas não tinha uma em seus aposentos. Resolveu ir até o salão de banho coletivo. Ninguém ia até lá tão tarde. Pegou algumas roupas em seus aposentos e se foi.

Ao chegar na porta dos salões coletivos de banho, percebeu luz por baixo da porta. Não achou estranho, pois cansara de ir até ali e encontrar as esferas de iluminação funcionando. Entrou e ia começar a tirar a roupa para passar na ducha, quando ouviu a voz de Fério.

"E o capitão e a donzela foram nadar na lagoa, sem roupas e começaram a se beijar, e o que mais aconteceu?"

A Pharle de Cefir apenas ouviu sua rainha gemendo antes de responder algo ao rei, e este dar um gemido bem alto. Rapidamente olhou para a banheira, viu seus soberanos num abraço muito íntimo, seus corpos se mexendo um contra o outro. Ela deu meia volta e saiu o mais silenciosamente o possível para seus aposentos. Ia se contentar com uma chuveirada. Fria!

xxxxx

Askot viu mais do que queria…

Askot terminou de atender o parto de uma égua. Era um de seus deveres como o Palu que servia a casa real de Cefir. Ele era o responsável pelos cuidados dos animais e monstros que viviam no palácio.

Ele lavou as mãos e retirou o manto externo, sujo de sangue, ficando de camisa e calça. Jogou uma água no rosto, tirando o suor e espantando o cansaço. O potrinho já estava começando a ficar em pé, ainda bamba, mas muito fofo.

Deixou as baias externas e começou a retornar ao palácio, quando percebeu movimento no celeiro. Suspirando, mudou sua direção e foi até lá verificar.

Encontrou a porta entreaberta e entrou devagar, sem ruído. Podia ser algum animal procurando abrigo. Foi até a parte de trás, onde ficavam as baias internas. Lentamente, olhou para dentro da baia, antes de arregalar os olhos, avermelhar e não conseguir se mexer. Seu rei e amigo se encontrava deitado por cima de um cobertor, a rainha sentada sobre ele, se movendo para cima e para baixo. Os dois estavam sem nenhuma peça de roupa e suando muito. Fério, com a respiração pesada, gemeu e depois perguntou para Fuu.

"E o que mais a filha do pastor e o caubói fizeram?"

"Ele a puxou para si e…"

Askot não esperou para ouvir mais nada. Recuperando controle suficiente sobre seu corpo, saiu o mais discretamente o possível do celeiro e correu para o palácio. Chegou em seu quarto e se trancou, tentando processar o que, sem querer, enxergara, e tentando não se atrever a imaginar ele e Umi na mesma situação.

xxxxx

Finalmente foi a vez de Caldina

Caldina sabia que alguma coisa estava acontecendo no palácio. Rafaga e Askot não conseguiam olhar para Fério ou Fuu sem ficarem vermelhos. Claro que com diferença de semanas entre eles. Ainda mais se o rei e a rainha estavam juntos e sendo carinhosos um com o outro.

O interessante foi quando ela reparou que Lantis, Cléf e até Presea faziam o mesmo, em diferentes ocasiões.

Mas ninguém lhe dizia o que havia ocorrido. Nem mesmo Rafaga ou Askot quando ela os pressionou sobre o assunto.

Naquela noite Rafaga estava de patrulha e ela não conseguia dormir. Resolveu caminhar um pouco. Quem sabe depois pegaria no sono?

Seguiu pelos corredores por algum tempo. Chegou na cozinha, preparou uma xícara de chá. Depois que terminou o chá, resolveu voltar por outro caminho. Estava passando pela frente do escritório de Fério, quando percebeu uma luminosidade por baixo da porta.

'Fério trabalhando? A esta hora? Sei…' pensou consigo mesma.

Abriu a porta devagar. Provavelmente o rei devia ter pego no sono examinando alguma papelada, como já acontecera antes. Ia acordá-lo e o mandar pra cama. Fuu já devia estar preocupada.

Quando olhou dentro da sala, arregalou os olhos.

Ela se enganara. Fério não estava dormindo, nem Fuu estava preocupada. Os dois estavam acordados. E muito bem acordados, pelo que ela podia ver.

E a escrivaninha de Fério estava sendo usada de forma diferente naquela noite…

"E depois, o que mais o diretor e a estagiária fizeram?…" O rei perguntou.

Não chegou a ouvir a resposta da rainha, pois quando ia abrir a boca para comentar a performance de ambos, alguém colocou a mão em sua boca e a levou para fora do escritório, silenciosamente, antes de fechar a porta.

A ilusionista parou de tentar se livrar quando reconheceu seu esposo.

Ele a levou até alguma distância do escritório, onde estivera de guarda desde que percebera o que estava acontecendo dentro deste. Só não tivera tempo de impedir Caldina de entrar.

"Rafaga!"

"Fale baixo, Caldina. Eles não sabem que sei sobre as escapadas deles."

"Então não é a primeira vez…. Acho que agora sei porque todos coravam ao enxergarem nossos soberanos em diferentes ocasiões…"

"Como assim, todos?" Perguntou o Daru.

"Você, Askot, Cléf, Presea e até o sisudo do Lantis…"

"Então devo ter perdido algumas saídas. Devem ter sido em dias onde eu não estava de patrulha."

"Eu fiquei surpresa. Posso imaginar Fério sendo atrevido deste jeito, mas Fuu…"

Rafaga corou um pouco, mas respondeu.

"Pelo que pude perceber, eles tem se aventurado uma vez por mês. Normalmente em algum dia após a rainha terminar de ler algum livro daqueles que ela costuma ler sentada sozinha no jardim. Tenho procurado estar de patrulha nas noites seguintes aos dias nos quais percebo a rainha lendo um daqueles livros no jardim desde que topei com eles na sala do trono. Até agora eu achava que tinha conseguido, mas devo ter perdido alguma escapulida. Eu não sei qual deles é o aventureiro, mas os dois gostam do risco."

Caldina abriu um sorriso, já imaginando como provocá-los sobre suas aventuras.

Rafaga percebeu o sorriso de sua esposa e, como se lhe tivesse lido os pensamentos, falou.

"Nada de provocá-los, Caldina. É assunto deles. Como Cléf uma vez disse para Lantis e para mim, nunca lidamos com um par de Almas Antigas antes. São águas desconhecidas. Pode ser influência do vínculo entre as almas deles. Ou não. Mas não temos como saber. O que podemos fazer é tentar impedir que outros os encontrem e dar-lhes privacidade."

A ilusionista não gostou, mas entendeu o que lhe dizia seu amado. O que iria fazer era avisar outros para que evitassem lugares onde os soberanos estivessem sozinhos por algum tempo. E tentar descobrir o que os demais haviam testemunhado.

Ela começaria por Askot...