Capítulo 2

Snape não sabia o que o deixava mais surpreso, se era descobrir que Harry Potter era um ômega, que foi reivindicado por Zabini ou ver em seu rosto machucado o resultado da disciplina que Zabini mencionara. Seja lá qual fosse a resposta, Snape não permitiu que seu rosto tivesse qualquer reação.

- Boa noite, professor Snape. – Disse Harry baixinho fugindo o olhar e se posicionando de cabeça levemente abaixada atrás de Zabini.

O sonserino sorriu e acenou com a cabeça antes de ir em direção ao Grande Salão com Harry Potter atrás de si. Aquela imagem era degradante e intrigante ao mesmo tempo. Toda e qualquer vontade de ir para seus aposentos evaporou imediatamente e Snape seguiu atrás do casal para dentro do salão cheio e enfeitado.

Os ex-alunos conversavam entre si contando coisas fúteis de suas vidas adultas, o barulho era grande, mas diminuiu até quase o silêncio absoluto quando Harry foi avistado. Snape, que estava atrás do jovem, viu como ele mexia nervosamente as mãos ao lado do corpo e baixava cada vez mais a cabeça claramente com vergonha de se mostrar tão submisso, mas Zabini não tinha vergonha alguma de mostrar sua conquista ao mundo, o sonserino colocou a mão nas costas de Harry e o puxou para mais perto de si caminhando até um grupo de ex-alunos da Sonserina que demonstravam em seus sorrisos debochados o quanto estavam amando ver o grifinório daquela forma. Um barulho e um flash denunciou a Snape a presença de um repórter no meio daquela multidão, talvez até mesmo um ex aluno em seu primeiro emprego em um jornal. Na manhã seguinte a cara de Harry Potter com um hematoma no olho estaria em todas as primeiras páginas anunciando sua submissão de ômega ao seu Alfa dominante.

O clima tenso e constrangedor se estendeu por mais um ou dois minutos até que o alto falante começou a tocar uma música envolvente enquanto todos eram convidados a se sentar para jantar. Snape seguiu para uma mesa com alguns professores e ex-alunos da Corvinal e Lufa Lufa. Apesar de sua cadeira reservada ser uma, o professor rapidamente se sentou na que estava com o nome de um ex-aluno, senhor Craw, que ao ver o olhar do professor preferiu não contestar e sentar-se em outra cadeira. O fato era que aquela cadeira o deixava com a vista livre para a mesa onde estavam Zabini e Potter, mais precisamente podia ver Potter de frente para si.

Curiosidade era algo que não era comum para Snape, mas naquele momento o que mais havia dentro de si era uma curiosidade queimando suas entranhas. Como Harry Potter podia ser um ômega e Snape nunca ter detectado qualquer sinal disso? Será que seu ódio e ressentimento eram tão grandes que foram capazes de ignorar o feromônio que ômegas lançam no ar? Ou seria algo do próprio garoto que retardou seu amadurecimento? E como Zabini o reivindicou? Quando isso aconteceu?

Perguntas e mais perguntas que pipocavam em sua cabeça de maneira incomoda e inconveniente o fazendo ter a necessidade de que as respostas fossem dadas.

Durante todo o jantar Snape não se mexeu, apenas observou o casal a cada segundo, viu como Potter não tinha nenhuma escolha quanto o que ou quanto comer, seu Alfa escolhia por si e tão pouco parecia poder se distanciar de Zabini. Ao contrário de outros casais Alfa e Ômega, que estavam o tempo inteiro se tocando mesmo que fosse apenas um segurar de mão, pois o toque era algo importante para eles, Zabini parecia querer distância de Potter, pelo menos no quesito intimidade, pois o menino não podia se distanciar um passo, mas tão pouco podia se aproximar demais. Zabini não encostava e nem olhava para o jovem de olhos esmeraldas ao seu lado enquanto conversava e ria com os companheiros da escola. Era uma relação unicamente de posse, pelo que Snape pôde perceber.

Pelo canto do olho viu Minerva se aproximar e sentar-se ao seu lado. A mulher estava andando e cumprimentando os alunos que compareceram, demorou-se significantemente junto a Hermione Granger que trazia um semblante triste e preocupado enquanto olhava para Potter ao mesmo tempo que tentava conter seu namorado o senhor Weasley que parecia prestes a voar em cima da mesa dos sonserinos.

- Triste, não é? – Perguntou Minerva baixinho ao seu lado. – A senhorita Granger está muito preocupada com Potter, diz que ele se distanciou de todos e que saiu do curso preparatório de aurores do Ministério. O senhor Weasley já ameaçou sequestrar o Potter e o esconder em algum lugar muito distante.

- Tolice.

- Eu sei. Por isso ele está tão bravo e Hermione tenta contê-lo, eles vieram por consideração, mas podem ir embora mais cedo, pois não aguentam ver Potter tão preso dessa forma e não poder fazer nada. – Comentou a mulher ao mesmo tempo que os cabelos ruivos do jovem alto e os volumosos da jovem Granger passavam pelas portas do Grande Salão. Harry os viu sair e seus olhos encheram-se de uma tristeza tão profunda e doída que os negros olhos de Snape puderam sentir. – Não podemos fazer nada, Severus?

- Não. – Respondeu Snape desviando o olhar do menino pela primeira vez naquela noite e encarando a anciã ao seu lado vendo o quanto aquela mulher tão forte e dura trazia em seu olhar o sentimento de pena. – As leis de nossa espécie são absolutas, de magias muito antigas e profundas, muito antes sequer do pensamento racional, quem dirá das leis do Ministério. – Virou-se novamente para olhar o menino. – O senhor Potter só poderá deixar de ser o Ômega do senhor Zabini se um outro Alfa desafiar o atual e matá-lo.

- E então o menino ficaria livre?

- Isso depende.

- Do que?

- Se o Alfa vencedor for o seu ideal. Apenas parceiros ideais tem uma relação verdadeira onde não há ordens de submissão, pois há doação de sentimento de ambos. Caso o vencedor não seja o parceiro ideal dele, então vai depender unicamente da escolha do Alfa, mas dificilmente isso aconteceria, pois nesse caso o Alfa só teria entrado em um duelo desse por posse e tendo ganho a luta, reivindicaria seu prêmio imediatamente marcando o ômega.

- E então Harry estaria a mercê de outro Alfa, preso novamente.

- Sim. – Respondeu Snape baixinho.

A festa seguiu noite adentro, os convidados dançavam, conversavam e em nenhum momento Harry se mexeu de sua cadeira, assim como Snape que permaneceu o encarando, lendo nas entrelinhas o constrangimento, vergonha e receio que o jovem fazia transbordar em seus mínimos gestos. Os olhares saudosos para o lado de Granger que voltara após conversar com Ronald Weasley e o acalmar um pouco, mas ainda assim ele mostrava que não conseguia entender que não podia fazer nada para impedir Zabini de dominar o amigo. Incentivado pela bebida, Rony tentou se aproximar, mas o próprio Harry o olhou desesperado pedindo claramente com as mãos contidas que o amigo não fizesse o que ele pretendia. Foram os irmãos que impediram o jovem Weasley de fazer qualquer ato e isso causou um alívio imediato a Harry, os olhos esmeraldas encheram-se de lágrimas, Snape pôde perceber, assim como os castanhos de Granger que se afastou e foi embora, possivelmente não suportando vê-lo daquela forma, Rony seguiu a namorada. Snape assistia a tudo enquanto tomava alguns goles de vinho. Cada segundo mais intrigado, mais curioso e com um sentimento estranho a lhe subir pela pele.

Quando o relógio informou ser onze horas Snape viu Potter dirigindo-se pela primeira vez a Zabini de forma medrosa. Encostou devagar em seu braço fazendo o sonserino o olhar com desprezo, parecia até mesmo que Zabini esquecera-se que Harry Potter estava sentado ao seu lado. O grifinório fez um pedido que Snape não conseguiu ouvir ou entender devido a distância, mas que deixou o garoto feliz ao ser concedido por seu Alfa. Os olhos negros acompanharam Harry levantar-se da mesa e sair do salão pelo canto, tentando fugir de qualquer um que o visse. O professor terminou de tomar sua taça de vinho e se ergueu pela primeira vez de sua cadeira desde que se sentara no início do jantar. Rapidamente se adiantou por uma porta lateral evitando que as pessoas percebessem e com mais alguns passos estava no hall de entrada do castelo.

Mas ele não estava ali.

Deu alguns passos olhando o jardim do castelo, estava escuro e frio, a neve caia deixando um tapete branco no chão e completamente imaculado, Harry Potter não passara por ali. Franzindo a testa Snape fechou os olhos e respirou fundo. Uma das possibilidades de se ser um Alfa era poder localizar um ômega pelo cheiro e magia, mas fazia tanto tempo que inibira isso de sua vida que não sabia se conseguiria localizá-lo daquela forma. No entanto, na primeira tentativa o odor chegou ao seu nariz com força. Era doce, mas não enjoativo, um perfume envolvente que preencheu seus pulmões assim como a magia dele que pulsava em sua pele o fazendo subir os degraus da escadaria. O cheiro ficava mais intenso a cada passo até que atingiu seu ápice ao abrir a porta de madeira maciça que levava a torre de astronomia.

As pegadas na neve denunciavam sua localização tanto quanto o poder que emanava de seu corpo assim como o cheiro e mais ainda o choro que o vento trazia até os ouvidos de Snape.

O mestre de poções se aproximou devagar da murada que os alunos usavam para estudar as estrelas, era grande, longa e muito alta, e em cima dela, em pé olhando para o completo nada da noite estava o dono daquele cheiro doce quase se desequilibrando pelo forte vento que batia em seu corpo. Mais um passo e ele cairia para o abismo. Um passo que estava prestes a dar, um passo que o mataria, um passo da liberdade, o passo que não poderia deixá-lo dar.

- Essa não é a solução, senhor Potter.

A voz era baixa, quase um sussurro, mas chegou até Harry que não se virou para ver quem era o dono, ele a conhecia muito bem de todos os anos que estudara com ele, dos anos que o odiara e mais ainda do tempo que levou vendo e revendo as memórias que o professor lhe dera para conseguir vencer Voldemort enquanto tentava inocentá-lo perante o Ministério.

- É a única que vejo ser possível. – Disse baixando a cabeça e olhando para o jardim a muitos metros de distância. – Não posso mais.

- O Harry Potter que eu conhecia não desistiria dessa forma. – Disse Snape dando um passo à frente.

- O Harry que você conhecia não tinha um dono. Você não sabe o que é isso, não ter vontade própria, ter que obedecer e apenas obedecer, sem ter liberdade.

- Ah, senhor Potter. – Riu Snape aproximando-se mais dois passos. – Eu sei mais do que pensa.

Tão silenciosamente que nem mesmo percebeu, Snape estava ao seu lado na beirada da torre, olhava para frente, os cabelos negros esvoaçando com o vento frio que batia forte em seu rosto pálido. O professor espalmou a mão do guarda corpo ao lado de seus pés, mas não o puxou, nem mesmo o olhou, apenas ficou parado ao seu lado em um silêncio irritante e inquietante. Enquanto o olhava de cima uma rajada forte de vento e neve bateu em seu corpo quase o desequilibrando. Harry engoliu em seco ao olhar para baixo novamente, a ponta de seus pés saindo do guarda corpo.

- Veio me impedir?

- Não.

- Então o que veio fazer aqui?

- Não sei. – Disse Snape com uma sinceridade surpresa uma vez que não conseguia explicar o por que estava ali vendo o menino prestes a tirar a própria vida se jogando do ponto mais alto do castelo.

- Por que não vai me impedir? – Perguntou Harry ainda olhando para Snape ao seu lado, agora com a testa franzida. – Veio sentir a glória da minha partida?

- O mesmo prepotente de sempre, senhor Potter. – Comentou Snape erguendo a cabeça para encarar os olhos esmeraldas e os encontrando assustados e confusos. – Não vou te impedir porque eu já estive nesse mesmo lugar que você. Não exatamente aqui. – Disse indicando a torre. – Mas nesse ponto em que se encontra onde o mistério da morte, do caminho além dessa vida degradante e difícil é tão convidativo. Eu já quis atravessar essa linha. Uma adaga afiada no pulso, a poção mais venenosa prestes a tocar meus lábios ou até mesmo uma arma trouxa apontada para a cabeça, pode escolher o método, eu já cheguei a esse ponto em todos eles. Quando foi a minha vez tive a chance de escolher ultrapassar a linha ou dar a mão para meu salvador. Ele me deu essa escolha e eu dou ao senhor.

- Quem foi seu salvador?

- Dumbledore.

Harry respirou fundo sentindo a lágrima cair por sua bochecha enquanto olhava no fundo dos olhos negros e encontrava a sinceridade. Snape não o estava julgando pelo ato desesperado, apenas compreendia seus motivos.

- Se quiser se matar, siga em frente. – Continuou Snape. – Não vou negar a sua vontade, mas eu seria negligente se não lhe dissesse que esse caminho não é tão fácil quanto se pensa, nem menos doloroso.

As palavras atingiram Harry com força, mais ainda o olhar sincero de Snape. Talvez aquela realmente não fosse a melhor escolha, ainda que parecesse ser a única possível, talvez o escuro do abismo aos seus pés não o acolhesse em um leito calmo de morte, talvez doesse mais do que estar vivo. Poderia seguir um caminho sem saber onde isso daria? Conseguiria dar um passo a frente?

A resposta apareceu claramente em sua mente quando viu a mão grande e pálida com dedos compridos se estender para si. Snape não se mexeu nem mais um centímetro, apenas o olhou esperando sua decisão, a mão estendida de bom grado aguardando a sua. Harry olhou mais uma vez para baixo e quando a lágrima caiu de seu queixo o menino estendeu a mão postando-a devagar em cima da de Snape que a apertou com força o puxando para si. Harry deu as costas ao abismo, flexionou os joelhos e apoiou a outra mão no ombro do homem antes de pular de volta para o chão firme da torre de astronomia.

O menino manteve a cabeça baixa e os olhos fechados apenas respirando e entendendo a escolha que fizera, naquele momento não entendia como pudera chegar a conclusão de que a morte era mais fácil, mais bonita e convidativa, ela era estranha, fria e arrepiante.

Não sabia ao certo quanto tempo ficara apenas ali parado respirando de olhos fechados, poderia ser apenas por alguns segundos, como poderiam ter se passado vários minutos ou horas, em nenhum segundo Snape se moveu ou largou sua mão. Quando finalmente conseguiu se mover e abrir os olhos deparou-se com Snape pacientemente parado apenas o olhando, ignorando que estava usando seu braço como apoio. Não havia julgamento nas íris negras e Harry agradecia por isso.

- Obrigado, professor. – Disse baixinho mexendo a mão devagar para afastar da dele que reparou ser quente ao invés de gelada como sempre imaginou. Uma sensação de frio passou por sua pele quando recolheu a mão. – Preciso voltar, Zabini só me deixou tomar um ar porque estava entediado da minha presença, mas não gosta quando me afasto muito ou por muito tempo. Ele fica zangado.

Snape balançou a cabeça e observou o jovem caminhar de volta para dentro do salão. Inconscientemente esfregou a mão que o menino estava segurando há poucos segundos como se formigasse. Os olhos negros intrigados voltaram-se para a murada onde antes Harry Potter estivera em pé prestes a se jogar e então acompanharam as pegadas para dentro do castelo. A neve começou a cair mais forte e o vento castigava seu rosto enquanto permanecia parado tentando resolver em sua cabeça a questão que fazia a si mesmo.

Engolindo em seco seguiu as pegadas no chão e rapidamente encontrou-se no corredor do Grande Salão. Aos poucos seus olhos avistavam as figuras de Potter e Zabini, esse último segurando o rosto do grifinório com clara força enquanto falava de forma baixa para que pessoas ao redor não ouvissem, mas alta o suficiente para que compreendesse cada letra ameaçadora em direção ao jovem grifinório.

Aquilo não tinha nada a ver consigo, não era da sua conta. Zabini era o Alfa de Harry Potter e o marcou de forma dominadora, não poderia fazer nada contra isso. Deveria apenas seguir seu caminho sem olhar para trás, o que Potter passava nas mãos de Zabini não era problema dele.

Então, se perguntava Snape, por que queria ir até os dois e afastar Zabini com um feitiço bem no meio do peito? Por que seus pés o impeliam em direção a eles e por que, em nome de Merlin, desejou puxar Potter para perto de si escondendo-o em suas costas?

- Quem permitiu que se afastasse tanto e por tanto tempo? – Questionou Zabini apertando o queixo de Harry.

- Eu precisava de ar.

- Demorou demais, sabe que não gosto quando se afasta muito.

- Desculpa eu só...

- Creio que a culpa da demora do senhor Potter tenha sido minha, senhor Zabini.

Harry arregalou os olhos quando Snape saiu das sombras, os braços atrás das costas, postura reta, vestes impecáveis sem os milhares de flocos de neve que caíram sobre ele possivelmente tiradas por um feitiço, olhar impassível. Zabini largou o menino que levou a mão ao queixo sentindo-o dolorido. O sonserino se pôs a sua frente e olhou intrigado para o professor.

- Sua culpa, senhor?

- Sim. Como deve saber, o senhor Potter ajudou a comprovar a minha inocência perante o Ministério da Magia e por isso eu não estou mofando em uma das celas de Azkaban. – Disse Snape de forma lenta e baixa. – Eu o chamei para conversar, pois sinto-me em dívida com ele e isso é algo que não posso admitir, ficar em dívida com um Potter, então ofereci minha orientação para que ele possa melhorar suas aptidões e quem sabe futuramente ingressar em uma carreira que o faça ter sucesso.

- Entendo, professor, mas Harry não vai ingressar em nenhuma carreira, não gosto de tê-lo longe das minhas vistas e ele não precisa de um trabalho. Posso muito bem sustentá-lo.

- Com certeza que pode, mas acredito que como um Alfa mais velho e experiente posso lhe dizer com propriedade que não há nada mais satisfatório do que ser elogiado pelo sucesso do seu ômega, afinal, tudo que ele for bom será porque você assim permitiu. No final a glória será sua.

Glória, essa era a palavra chave para lidar com alguém como Zabini. Snape sabia o quanto o ex aluno era orgulhoso, ambicioso e prepotente sempre pensando apenas no próprio umbigo e em como sua imagem ficava perante os outros bruxos. O nome Zabini era de grande prestígio e suas palavras fizeram o jovem pensar em como seria glorioso o Profeta Diário noticiar que seu ômega conseguira uma carreira de sucesso graças a ele que o coordenou pelo caminho correto. Um sorriso até mesmo brotou no rosto de Zabini antes de encarar Snape que permaneceu impassível e com os olhos fixos no sonserino, mesmo que uma grande vontade de olhar para Potter o atingisse.

- Realmente ficar devendo favores para um Potter deve ser um grande desagrado. Esses traidores de sangue.

- Então entende minha necessidade de pagar minha dívida com o senhor Potter. Acredito que alguns meses serão suficientes. Isso é, se ele não se mostrar o mesmo incompetente que era em sala de aula. – Alfinetou Snape jogando com as palavras. Harry cerrou os dentes, mas permaneceu com a cabeça baixa. – O que me diz, senhor Zabini.

- Se fosse qualquer outro, principalmente outro Alfa, eu diria que estaria tentando roubar meu ômega, afinal ele é muito valioso.

- Se o senhor diz. – Snape olhou para Harry de cima a baixo com um olhar desdenhoso e entediado. – Creio não poder concordar.

- Exatamente. Posso confiar que o senhor fará Harry ter um ótimo desempenho e que no final eu serei vangloriado por seu sucesso?

Snape olhou de Zabini para Harry, tão submisso, patético e triste. Uma chama acendeu em seu peito imaginando conseguir trazer aquele garoto irritante de volta a vida, agora era como um objetivo que estava sedento para alcançar.

- Ah, com certeza pode.