Capítulo 1: O Invasor Silencioso

A reunião entre os capitães transcorria em uma tensão quase palpável. Os capitães estavam em fileiras em seus respectivos lugares escutando o capitão da décima segunda divisão. Havia tempos que eventos estranhos estavam acontecendo pela Soul Society. As casas nobres começaram com os burburinhos e a se agitar, pressionando o seretei mas a situação nos distritos era pior. Muitas regiões estavam instáveis sem nenhuma razão aparente. Alguns hollows estavam surgindo de maneira repentina com mais frequência, mas o ambiente estava mudando. Algumas vilas estavam desaparecendo lentamente com o clima se tornando mais frio, as pessoas ficando desorientadas ou adoecendo lentamente. Uma febre enlouquecedora e delirante estava surgindo em torno dessas regiões. Não havia um padrão claro além desse. Os nobres começaram a se preocupar quando um dos filhos de uma casa nobre secundária foi afetado e quase seguiu o ciclo da alma.

Yamamoto mantinha sua postura imponente na cabeceira da sala, segurando firmemente a sua bengala e zapakutou milenar. O olhar duro, as cicatrizes e a rigidez características do ancião estavam sempre presentes. Uma aura antiga e autoritária pairava sobre ele. Enquanto Mayuri, visivelmente excitado e impaciente, apresentou suas descobertas.

"Essas distorções," Mayuri começou, gesticulando com um desdém típico, "não são meros fenômenos naturais. Se observarmos as anomalias nas propriedades do reishi e as flutuações dos níveis de energia, notamos algo peculiar. Estou começando a formular uma hipótese... sobre a existência de outras Soul Societies, alternativas e, até onde posso deduzir, independentes."

"Outras Sociedades de Almas?" Hitsugaya murmurou, trocando um olhar cauteloso com Soi Fong, que permanecia em postura alerta, o corpo tenso e o olhar atento a cada movimento ao seu redor. Ambos haviam perdido subordinados nesses últimos dias devido a essas anomalias. Hitsugaya estava particularmente atento.

Hinamori estava doente ultimamente. Ela esquecia sobre eventos antigos, andava distraída e se perdia constantemente. Sua fala estava mais arrastada e cansada. Sua reiatsu apesar de calma estava menor. Ele via sua amiga preocupada. Isso começou quando ela voltou de uma das regiões onde a anomalia surgiu primeiro. Seu esquadrão foi investigar primeiro, depois a décima divisão entrou em auxilio. A pequena mulher o estava evitando lentamente.

Ela não queria causar alarde e ir até a quarta divisão. Depois da batalha contra Aizen, ela perdeu autoridade e confiança. Não queria dar mais nenhuma razão para duvidarem dela. Às vezes tinha a impressão que ela duvidava da amizade dele por ela, no mínimo.

Ela não poderia estar mais errada. O pequeno capitão sempre teve uma pequena queda por ela. Talvez não seja pequena assim. Ele corava apenas por se lembrar de seu pequeno segredo. Não foi de propósito, mas ele já havia entrado em seu quarto quando ela havia saído do banho. Ele devia ter esperado uma resposta, mas como não veio, estranhou. Ela estava juntando o cabelo para amarrar enquanto segurava o elástico com a boca, uma toalha rosa claro envolta no seu corpo molhado. Parece que ela estava correndo para tirar o cabelo do pescoço. Hinamori tinha pernas muito bonitas. Ele precisava se concentrar e não corar no meio da reunião.

Shunsui suspirou, acomodando o chapéu de palha. " Mas o que o faz pensar que sejam outras soul societies? E mais de uma?" Aquilo estava se arrastando demais e nada parecia melhorar. Ele devia ter ficado com sua nanao-chan, apreciando sua beleza singular e estonteante enquanto ela preenchia aqueles papéis chatos.

Nanao era sempre um colírio para os olhos e sua presença sempre acalmava as responsabilidades que pesavam em seus ombros. Ele havia prometido que a protegeria. E ele o faria, com a sua vida. Ele amava a mulher que ela se tornou. Era uma pena que ela não acreditava em suas palavras. O quão feliz eles poderiam ser, se ela o aceitasse?

Ele era um solteiro antigo, famoso nos bares e nas mesas de bebida. Mas fazia tempo que não tinha vontade de levar uma mulher pra sua cama. Ele decidiu parar, já que da última vez acabou gemendo o nome de Nanao no ato. O que o rendeu um belo tapa em seu rosto. Merecido, ele concordou. Mas Nanao não o queria. Rígida demais para os seus encantos, não via a seriedade por trás de sua personalidade descontraída. Era apenas o jeito dele. Não significa que ele não estaria lá por ela ou que não seria apenas dela.

Como ele queria ser dela. Uma vez ele havia conseguido chegar perto o suficiente de seu pescoço exposto pelo coque ela sempre usava. Um pequena fala em seu ouvido, chamando seu nome para desventá-la do livro que ela estava lendo tão concentrada no escritório. O resultado foi ver a linda pele de sua tenente se arrepiar por inteira além do rubor nas bochechas.

Ele nem tinha tocado nela.

Shunsui queria a paz que sentia em sua presença sempre. Queria os olhos dela sobre ele, observar como seus olhos devoravam os livros que tanto amava. Ou vela apreciar o chá que sempre tomava,colocando aquela mecha atrás da orelha. Queria comer outra vez o seu bolo de chocolate em que ela sempre errava a quantidade de açúcar, ficando sempre amargo demais. Queria ouvi-la rir toda vez que passava por aquele ponto de rukongai no distrito 22, que tinha peça de fantoche para as crianças na praça. Ela ficou adorável observando a peça infantil. Certa vez, uma das crianças havia ficado fissurada por seus óculos.

Ele observou a gentileza que sua tenente sempre séria exalava abaixada na altura da pequena menina. Ela girava os óculos em suas pequenas mãos e olhava por entre suas lentes. Nanao falava-lhe com paciência e ajeitou o cabelo da menina em uma trança do lado, com seus azuis violáceos livres para o mundo. A pequena menina possuía os mesmos olhos que sua tenente. Ele não conseguia deixar de imaginar como seria se tivessem uma filha. Nanao seria uma mãe magnífica.

"Exatamente," Mayuri retrucou, lançando um sorriso satisfeito, como se esperasse que seus companheiros finalmente compreendessem a importância de sua descoberta. "Cada distorção parece se conectar a uma dimensão alternativa. Mas o que me intriga são as criaturas que emergem – hollows com padrões de energia que não se alinham aos que conhecemos. E mais do que isso, as distorções parecem... coordenadas de alguma forma. Não podemos desconsiderar a ideia que talvez elas estejam sendo feitas por alguém."

Shunsui deveria ter prestado mais atenção. Sua nanao-chan o reprenderia depois por isso. Mas como poderia evitar? Ela estava sempre em seus pensamentos. Já lhe era algo natural. Ele amava Nanao.

Nesse exato momento, a atmosfera na sala mudou, um frio rastejante percorrendo o ar, enquanto uma presença desconhecida se manifestava. Um homem jovem, por volta dos 30 anos, apareceu à entrada, com um sorriso misterioso estampado no rosto, como se apreciasse o momento. Vestia roupas simples que lembram as do mundo real. Tinha um longo casaco branco, uma blusa verde simples que lembra a grama jovem. Tinha um cabelo curto que ficava entre ruivo e castanho claro. Não tinha nenhuma característica particularmente marcante, mas olhos de alguém que gosta de prolongar a diversão. Se movia sem pressa, como se tivesse todo tempo do mundo. Sua reiatsu era muito estranha. Ele observou os capitães um por um, como se estivesse avaliando cada rosto com uma curiosidade calculada, quase científica.

Yamamoto lançou um olhar cortante em direção ao intruso, que já havia conquistado a atenção de todos ali. "Sua arrogância é realmente enorme garoto. Fazia tempo que não via alguém tão desesperado em morrer". Nenhuma água podia furar aquela rocha.

O homem não se apressou, sustentando o olhar de Yamamoto com uma calma inquietante. "Ah, eu perdoem. Não quero interromper uma reunião tão... importante." Ele deu uma risada suave. "Mas devo dizer que a discussão sobre outras Soul Societies é fascinante. Vocês estão certos em temer o que está além da própria compreensão."

Quanta lenga-lenga. Kenpachi não perdeu tempo com palavras. Já haviam falado demais. Estava entediado. Aquele cara tinha aparecido na hora certa. Ele avançou sobre o homem que devia ter mais ou menos a altura do capitão da sexta. Ele apenas sorriu para ele, dando um passo para trás de forma casual, ignorando o gesto ameaçador de Kenpachi.

De repente ele se viu imovel. Não houve um kidou recitado ou um zanpakutou desembanhada além da dele. Os capitães estavam em alerta. A reiatsu que aquele homem exala era difusa, incapaz de permanecer em apenas um ponto. Era como se ele estivesse por toda a sala sem ser possível identificar precisamente a origem. Sentisse o fluxo se mover como veias espiraladas pelo ambiente trazendo uma sensação estranha sobre a sua própria.

"Zaraki-taichou, não me importo em demonstrar o que posso fazer, mas não é exatamente a minha prioridade agora. Por enquanto, vim para falar."

Shunsui estreitou os olhos, mas manteve um tom calmo. "Nesse caso, presumo que você tenha algo muito importante a dizer já que invadiu nossa reunião. Aliás, como é mesmo seu nome?" Algo estava errado e pelo visto, seu amigo de longa data podia sentir isso também. Ukitake estava ao lado, com a guarda levantada. Ele podia sentir sua reiatsu analisando algo no ambiente.

Ele sorriu, seu olhar vagando pelos capitães. "Eu me chamo Makkin. Vocês acreditam que controlam o Seireitei, que possuem o monopólio da ordem e da moralidade. Mas estão cegos para o fato de que essa Soul Society é apenas uma entre outras. E cada uma delas já caiu aos poucos, ao seu próprio modo."

A aleatoriedade do fluxo de reiatsu aumentava conforme makkin andava. Estava ficando um pouco difícil pensar. Que está acontecendo? Soi fong estava suando frio. Hitsugaya estava começando a respirar com dificuldade. Komamura manteve-se firme mas Hiraku balançava a cabeça levemente, como se lhe faltasse um pouco de equilíbrio.

Unohana parecia bem assim como seu comandante. Kenshi estava imóvel, talvez até demais. A reiatsu daquele cara tinha alguma coisa de ruim.

"E isso inclui," Makkin continuou, voltando-se para Byakuya com um olhar quase piedoso, "perder pessoas importantes por pura arrogância." Ele deixou a última palavra no ar, sabendo que Byakuya entenderia a alusão à sua falecida esposa, Hisana.

Byakuya manteve-se em silêncio, mas seu olhar gelado acompanhava cada movimento de Makkin. A provocação de Makkin parecia buscar reação, como se ele tivesse prazer em mexer nas emoções de cada capitão. Não era a primeira vez que alguém citava Hisana dessa maneira.

Os nobres a viam como sua fraqueza, dada a sua origem humilde. Ela era seu coração e sua força. Não houve periodo em que estivesse tão feliz em sua vida como havia sido com Hisana. Sua gentileza, doçura e coração não eram algo facil de se encontrar. Ele amava o seu sorriso. Sua morte levou uma parte dele consigo. Ele não conseguia se imaginar estando ao lado de outra mulher. Ele era de Hisana, completamente dela. Algum dia, ees se reencontrariam, tinha esperança. O que não agradava os anciãos do clã, ávidos por um herdeiro. Ultimamente estavam tentando casá-lo de novo. Senbonzakura estava gostando do exercício de persegui-los.

A sala de reuniões dos capitães explodiu em caos. Kenpachi, num ímpeto de pura força e impaciência, lançou-se contra Makkin, ignorando qualquer formalidade ou prudência. Seu golpe foi tão devastador que rachou as paredes e fez o teto tremer, abrindo uma passagem com o impacto. Makkin foi lançado para fora do prédio, desaparecendo em meio aos destroços enquanto uma nuvem de poeira e destroços se erguiam ao redor.

Os capitães seguiram para o exterior, cercando o ponto onde Makkin havia caído. A Soul Society parecia ter mudado com o confronto: o céu escurecia, nuvens pesadas se amontoavam como se uma tempestade iminente estivesse se formando, e um vento sombrio agitava o ar, carregado de uma energia inquietante. A energia que sentia se dissipou mas ainda estava lá, apenas estava diluída.

Makkin se levantou, sacudindo a poeira de seus ombros com um sorriso divertido, embora seus olhos brilhassem com um misto de determinação e desprezo.

Yamamoto observava o olhar severo. Ele não precisava dizer uma palavra, pois os capitães já estavam em posição. Shunsui murmurou para Ukitake, "Acho que nossa reunião tomou um rumo mais interessante do que eu esperava."

Quando Zaraki avançou novamente, Makkin levantou a mão e, com um movimento preciso, lançou uma técnica desconhecida. Correntes negras e espinhosas emergiram do solo, enredando Kenpachi em questão de segundos e prendendo seus braços e pernas com força. Por um breve momento, Kenpachi lutou, mas as correntes pareciam responder à sua força, apertando-se ainda mais quanto mais ele se mexia.

"Você está com pressa, Kenpachi Zaraki," disse Makkin, com um tom quase educado. "Mas eu não vim aqui para uma luta direta. Ainda não."

Palavras estranhas vêm dele. Criaturas estavam à espreita. Ele sabia disso. Podia ouvi-los murmurando de trás dos prédios, já conheciam seu rastejar. Devia haver pelo menos 3 dezenas deles os cercando. Todos os capitães estavam em alerta, sendo o comandante o único com sua postura inabalável. Já haviam enfrentado aquelas criaturas. Mais resistentes, menos previsíveis e sem medo de se cortar. Difíceis de matar. Elas estavam tomando as vidas dos integrantes dos esquadrões. Apareciam normalmente sozinhas. Uma quantidade como aquelas causaria um estrago considerável se não resolvessem isso rápido. Mas elas pareciam estar apenas observando. Por enquanto.

"Então por que está aqui?" perguntou Yamamoto, sua voz carregada de autoridade, apesar da aura de tensão.

Makkin suspirou, como se a resposta fosse óbvia. "Para conversar, Comandante. Vocês estão prestes a enfrentar algo muito maior do que imaginam. Outras Soul Societies estão em colapso, mas não por acaso. A quinta Soul Society, por exemplo, carrega uma cicatriz profunda que vocês desconhecem."

Pelo menos 10 eram possíveis ser vistas se movendo lentamente pelas paredes. Katen kyoukotsu estava agitada.

Nesse momento, os capitães se entreolharam, tentando entender o que ele estava insinuando. Hitsugaya observava com atenção, e Byakuya, embora se mantivesse calado, franzia o cenho ao ouvir sobre as outras Soul Societies. Ukitake quebrou o silêncio:

"Então você é o causador dessas anomalias dimensionais que Mayuri mencionou?"

Makkin deu de ombros, o sorriso de desdém ainda no rosto. "Digamos que minhas mãos tocam em cada uma dessas distorções. Eu experimento, crio, manipulo... mas elas são apenas uma consequê que vocês vão se divertir também, não se preocupem. Pelo menos o Zaraki aqui vai. Ele nunca decepciona com o seu entusiasmo "

Mayuri, visivelmente intrigado, lançou um olhar frio. "Você fala como se fosse o único que entende o verdadeiro significado de controle dimensional."

"Controle? É assim que vocês chamam isso?" Makkin riu, os olhos brilhando com uma centelha de loucura controlada. "Não, Mayuri. Eu não preciso de controle absoluto; apenas quero ver como vocês, seres arrogantes, desmoronam diante daquilo que não podem compreender. Mas mais ainda, gosto de ver vocês sofrerem. É um hobbie meu, eu admito"

Enquanto Makkin falava, um brilho estranho começou a pulsar no peito de parecido como um colar havia surgido no seu pescoço.Não era muito grande mas ele pode sentir muitas reiatsus emanando apesar de fracas. Só que a sensação de ser sugado foi-lhe mais arrebatadora.

A respiração começou a parecer dificil, principalmente a manter-se de pé. O estranho colar estava pulsando com uma energia desconhecida. Komamura arqueou o corpo, claramente sofrendo com a pressão crescente da energia que o acessório emanava.

"Vocês já chegaram a falar com as outras sociedades das almas?"

Silêncio. Fúnebre e sepulcral, exceto pelas criaturas que agora mostraram-se vindo de outros predios ao longe observando seus subordinados. Makkin andava lentamente para longe de kenpachi

Continuou Makkin, agora direcionando a palavra a Komamura, "Sabe, na quinta sociedade das almas que ataquei, eles reuniram suas crianças em um unico lugar, uma cidade chamada Noorin. Ela é protegida por Kidou poderoso de nivel 200. O que vocês não tem já que as duas crianças responsáveis pela expansão kidou jamais nascerão aqui, graças ao Kuchiki. Aliás muito obrigada." disse virando-se para o capitão do sexto esquadrão.

"Isso aconteceu porque as crianças mais jovens tornaram-se incapazes de suportar ficar perto da reiatsu dos adultos. Então Noorin foi criada e ficou conhecida como a cidade das crianças. Só havia um único adulto que a reiatsu não as feria. Ele também era aquele que sustentava o kidou. Consegue adivinhar quem era komamura?"

Komamura arfou, os joelhos tremendo. Sentia as almas das crianças como um peso insuportável, um fardo impossível de carregar. Ele podia ouvir as vozes delas ao longe. Seus passos apressados, correndo em desespero. Tinha choro de bebês. Muitos bebês, assim como vozes do que pareciam ser crianças já mais velhas, chegaram perto da adolescência. Ele não conseguia ver o lugar onde estavam mas podia senti-las claramente. Shunsui franziu o cenho ao perceber a agonia do colega. Isso não ia acabar bem. Ukitake e Unohana estavam do lado de komamura.

Makkin deu um sorriso gélido, observando a reação de cada capitão. "Como podem ver, O Komamura de vocês não é forte o bastante para sustentá-las por muito tempo. Elas precisarão... fugir no minimo, encontrar novos lugares para se esconder. Estou ansioso pra saber: como é ver morrer as crianças que em outro mundo são seus filhos, por causa da reiatsu de vocês?"

Suas palavras expressavam curiosidade e menos zombaria. Não havia tanta diversão em seus olhos. Eles estavam mais é com expetativa. Contudo, para os capitães só havia o horror.

No horizonte, as figuras já haviam tomado conta da paisagem – os meso-hollows, criaturas grotescas e distorcidas, cada um carregando marcas e deformidades de experimentos sombrios. Eles cercavam o Seireitei, aguardando o comando de Makkin. Estavam por todo lugar. Eles sabiam que atacar primeiro era um erro, em um certo momento, as criaturas tinham uma espécie de delay e apenas aí o ataque era eficaz. Até esse momento, as tentativas eram em sua maioria falhas e inúteis. Ele pedia aos céus que Nanao estivesse segura.

O colar estava se quebrando. Komamura já estava ajoelhado no chão, sua reiatsu mais fraca do que jamais esteve. Ele tremia e suava. O kidou de Unohana não estava fazendo efeito como esperado. O tempo estava mais frio e o céu parecia que ia desmoronar em raios e ventos.

As crianças começaram a surgir, os mais velhos carregando as menores nos braços, pelo menos duas crianças pequenas, e todas com máscaras coloridas dos portais que foram abertos. Os capitães puderam sentir o desespero e a urgência que emanavam das almas juvenis. As crianças mais velhas seguravam as menores com firmeza e se dispersaram em todas as direções, fugindo para fora do Seireitei. As crianças mais novas, se contorciam de dor com a intensidade da reiatsu ao redor. Seus gritos ecoavam, preenchendo o ar com uma agonia insuportável.

Kenpachi, ainda contido pelas correntes, rosnou, tentando romper a barreira. Makkin apenas ergueu uma sobrancelha, agora mais reservado, mas claramente aproveitando cada segundo. "Você pode tentar, Kenpachi. Mas antes, quero que aproveitem o caos que trouxe. É apenas um vislumbre do que acontecerá se continuarem a me desafiar."

A tensão no ar se intensificou enquanto Makkin observava o caos que ele próprio havia iniciado, um leve brilho de prazer em seus olhos enquanto cada um dos capitães assimilava o que estava acontecendo – e o verdadeiro horror do que significava enfrentar um inimigo que jogava não apenas com força, mas com mentes e corações.

E os hollows estranhos começaram a atacar. As crianças fugiam dos shinigamis e dos hollows. O prelúdio da guerra havia começado. O sereitei era sangue, fúria e gritos. Os capitães agiram certeiros. Senbonzakura dominava o ambiente com maestria, eliminando os mais próximos.

" Hadou 118: Tempest Raikon!" - disse uma garota, com uma máscara de águia colorida. Longos cabelos loiros iam até a cintura. Uma pequena trança com um adorno saía dela. Vermelho, o pingente tinha algumas pedras e na ponto algo que parecia como um trevo de quatro folhas. Ela tinha um bebê nos braços que estava começando a ficar roxo. Ao seu lado, um garoto carregava uma menina nas costas presa com pano verde da mesma cor que a faixa em sua cintura. A garota loira também possuía uma faixa da mesma cor.

A máscara de lobo escondia seu rosto. Em seus braços um bebê que parecia ter cerca de 1 ano e quatro meses de idade. Ele o segurava com firmeza e destreza. Havia muita reiatsu em volta da criança que a garota carregava.

Uma chuva de raios começou a cair e atacar cada meso-hollows que estavam próximos das crianças. Isso ajudou muitos shinigamis. Uma garganta apareceu onde as crianças se dirigiram desesperadamente. Elas estavam correndo contra o tempo. O kidou era enorme, seu alcance sobre toda a soul society mas os raios estavam mais concentrados no caminho próximo a garganta.

Eles se juntaram às crianças e se puseram a correr. Makkin os olhava com dúvida, como se estivesse tentando reconhecer aqueles dois. A situação era simplesmente péssima. Quanto mais Shunsui lutava, mas ele podia ouvir os gritos das crianças e de seus subordinados. Pelo canto do olho, viu uma criança em torno de seus 13 anos cair. Ele carregava um garoto que não passava de seus 3 anos. Tinha um corte longo em suas costas e febre, estava muito assustado. O menor não resistiu. Morreu assim que um dos shinigamis da quarta chegou perto. O mais velho apenas chorava quando partiu.

Mais e mais delas caiam. Elas pareciam ser em torno de 5 mil. Pelo menos 400 haviam morrido. Isso estava se tornando um massacre. Não sabia mais quanto tempo havia se passado, porém, devia ser algumas horas. Minutos não poderiam fazer aquele estrago.

A batalha ao redor de Shunsui estava caótica. Criaturas distorcidas avançavam sem parar, mas algo dentro dele o alertava. Seus olhos se moviam freneticamente pelo campo de batalha, em busca de Nanao. A sensação de que ela estava em perigo crescia a cada instante, tornando-se insuportável. O que não fazia sentido. Ela devia estar no oitavo e ele estava na primeira. Sua amada estaria perto de seus companheiros do esquadrão. Ela não estaria aqui no epicentro do problema. Só que ele podia sentir. A reiatsu de sua tenente vívda e ainda assim estável como um presença constante perto dele, enviando-lhe paz e tormento pelo momento que se encontrava. Ele devia parar com isso. Ela era forte, ele sabia. Nanao sabia se cuidar. Não era uma tenente a toa

Então ele a viu.

Nanao estava no centro da luta em um cano à sua esquerda, protegendo duas crianças feridas, mas estava sendo cercada. Devia ter pelo menos 5 deles. Seus golpes estavam mais lentos, e o cansaço era evidente.

O pânico tomou conta de Shunsui. Ele sentiu uma urgência esmagadora em seu peito aumentar exponencialmente. Ela não poderia cair agora, não assim. Ele não poderia permitir. Ele corria em direção a ela, esquivando-se de inimigos. Cada passo com o shunpoo parecia uma eternidade.

Nanao estava à beira do colapso... e então, a cauda de uma das criaturas se ergueu, pronta para atingí-la, afiada como uma lâmina. O coração de Shunsui gelou. A ideia de vê-la ser ferida era esmagadora, mais difícil de suportar do que qualquer dor física.

Ele não pensou. Apenas correu, o medo e a urgência dominando seu ser. Ele precisava chegar antes que fosse tarde. Um raio passou em sua frente e ele ficou cego.