A noite chegou, e a festa estava a todo vapor no Central Park, com as luzes penduradas entre as árvores iluminando suavemente a área. A brisa noturna trazia um leve frescor, misturando-se com o cheiro de grama e folhas que lembrava o outono se aproximando. O som da cidade, com buzinas e conversas distantes, ecoava suavemente ao fundo, criando um contraste com a energia vibrante e eufórica da festa. O ritmo acelerado das risadas e música se destacava, enquanto os convidados se espalhavam, criando uma mistura de cores e conversas animadas.

Aos poucos, mais pessoas iam chegando ao local. Bianca saiu do táxi e correu em direção a Elizabeth e Scarlett, abraçando-as.

— Bianca! — As duas sorriram ao ver a amiga, após um ano inteiro afastadas.

— Voltei para ficar! — Bianca sorriu animada. — Como estão as coisas por aqui?

— Lizzie mandou Mike Dawson para o inferno — respondeu Scarlett, em tom provocativo. — Deu falsas esperanças para ele se sentir parte da realeza.

— Cala a boca — Elizabeth revirou os olhos, irritada. — Eu já comentei com ela antes de você chegar.

— Eu não fiquei surpresa, confesso — Bianca riu alto, enquanto as três caminhavam para a área da festa e cumprimentavam alguns conhecidos. — Sendo honesta, ele gostava mais de você do que o contrário, sabe que não minto.

— Eu sempre disse isso — Scarlett colocou as coisas em um armário apropriado. — Melhor ser como eu, não iludir ninguém.

— Piranha, você quis dizer — Elizabeth disse rapidamente, e Scarlett deu de ombros, sem se importar com seu status.

— Sophie disse que já estava aqui — Scarlett procurou a amiga e mandou uma mensagem. — Já avisei que chegamos.

— Acho que ela está ali — Bianca apontou para Sophie, que saía do banheiro. Ela avistou as meninas e caminhou em sua direção. — Soph!

— Bianca! — Sophie abraçou a amiga de longa data. Ela estava um pouco tensa porque estava prestes a se encontrar com Charlotte e queria saber os motivos de seu repentino sumiço. Sentia-se magoada por tudo aquilo. — Fico feliz que finalmente estaremos todas juntas este ano.

— Tenho a impressão de que esse vai ser o nosso ano — Bianca sorriu, animada.

— Onde está Jeremy? — Sophie perguntou ao não vê-lo com a irmã.

— Foi comprar alguma coisa — Elizabeth respondeu, sem dar muita importância.

— Já foi vomitar o álcool no banheiro? — Scarlett provocou Sophie, que apenas a ignorou. O seu segredo sobre seus vômitos forçados seria bem guardado de todos, pois não queria ouvir comentários de preocupação naquele momento.

— Daqui a pouco você termina por lá — Elizabeth respondeu, rindo, e seus olhos encontraram Charlotte chegando ao mesmo tempo que Daniel, Sebastian e Mike. — Olha quem acaba de chegar.

— Quem? — Sophie virou-se e olhou para a loira, ficando sem saber como reagir. Elizabeth acenou para Mike, mas ele a ignorou.

Mike observava Elizabeth de longe, fingindo desinteresse enquanto levava a bebida à boca. Mas cada vez que seus olhos se encontravam com ela, um aperto em seu peito o lembrava de tudo o que havia perdido. Ela parecia relaxada, conversando com as amigas, mas ele conseguia perceber pequenos sinais de desconforto — o jeito como ela mexia no cabelo ou evitava olhar diretamente para ele. Por mais que tentasse manter a compostura, a frustração queimava por dentro. Ele ainda não conseguia acreditar que ela havia terminado, como se tudo o que eles viveram fosse fácil de esquecer."

Elizabeth, por sua vez, notava Mike à distância, mas tentava disfarçar qualquer reação. 'Não olhe para ele', repetia para si mesma, enquanto seu coração acelerava toda vez que sentia o olhar dele sobre ela. Apesar de sua postura calma, a lembrança do término ainda ecoava em sua mente, e a sensação de que as coisas poderiam ter sido diferentes a incomodava.

— Ele vai me odiar para sempre — Elizabeth bufou.

— Relaxa, logo isso passa — Scarlett disse para confortá-la.

— Deve estar ouvindo músicas depressivas no quarto e pensando em como vai mostrar que está melhor que você — Bianca complementou, rindo.

— Homens nunca admitem quando estão piores que nós — Charlotte se aproximou após ouvir a conversa. — Olá! — Ela as cumprimentou.

— Charlotte, nunca mais suma assim — Scarlett a abraçou com força. — Tivemos que procurar em blogs de fofocas, nem seus pais sabiam nos informar nada.

— Me desculpem — Charlotte abaixou a cabeça, sentindo-se culpada. — Não vou mais sumir, eu prometo.

— Estamos todas reunidas novamente — Bianca sorriu e abraçou a loira, após tanto tempo sem vê-la.

— Agora vamos começar a festa — Elizabeth puxou Bianca e Scarlett para a área mais movimentada. Sophie e Charlotte se olharam.

— Por que sumiu sem me dar notícias? — Sophie perguntou, visivelmente magoada com a atitude da amiga. — Achei que éramos irmãs, que você me contaria tudo.

— Eu sei — Charlotte se aproximou, sem reação. — Prometo que, assim que estiver pronta, vou contar tudo. Você é quem eu mais confio no mundo, e não quero que fique com raiva de mim. — A loira segurou as lágrimas, especialmente com os curiosos ao redor, observando-as. — Confia em mim.

— Espero que sim — Sophie serviu-se de uma bebida. — Eu precisei muito de você neste verão, minha casa virou um inferno.

— Estou aqui — Charlotte a abraçou com força, e Sophie retribuiu. — Sempre estarei.

Sophie tentou sorrir ao abraçar a loira, mas por dentro, a dor de ter sido deixada de lado pela amiga ainda a consumia. Durante todo o verão, ela esperou por uma mensagem, uma ligação, qualquer sinal de Charlotte — mas nada veio. Sophie refletia sobre como se sentiu sozinha, presa no inferno das brigas de seus pais sem ninguém para desabafar. 'Eu achei que ela era minha irmã, que me contaria tudo', pensou, mordendo levemente o lábio para controlar a emoção que subia. Charlie dizia que confiava nela, mas Soph começava a se perguntar se as coisas realmente tinham mudado entre elas.

— Agora podem se beijar — Jeremy surgiu com uma garrafa e brincou com as duas. — O Upper East Side não é o mesmo sem essa dupla.

— Jeremy! — Charlotte riu e o abraçou. — Agora estou de volta.

— Então vamos curtir a festa — Sophie riu e a puxou para onde os outros estavam. Jeremy foi para outra direção.

Conforme a noite avançava, o clima da festa ficava mais animado. Daniel estava em um canto, beijando a quarta garota da noite, aumentando sua fama de mulherengo.

— Seu irmão é um porco — Elizabeth sussurrou para Sebastian, que apenas riu.

— Deixa as idiotas caírem no papo dele — Scarlett deu de ombros.

— Não tenho muito o que fazer em relação a isso — Sebastian se sentou e serviu-se de mais cerveja.

— Pelo menos você é decente — Bianca comentou, e Scarlett se engasgou com a bebida. Sebastian a olhou assustado.

— Está bem? — Ele perguntou.

— Tudo ótimo — Scarlett disse, levemente irônica. — Vou pegar alguma coisa para comer. — Ela se retirou e foi para perto de Daniel.

— Veio me fiscalizar? — Daniel sorriu de lado, ironicamente, quando ela se aproximou.

— Não sou fofoqueira — Scarlett se serviu de alguns petiscos. — Eu sei que está doido para vir atrás de mim — Scarlett sorriu com malícia enquanto puxava Daniel pelo braço, levando-o para um canto mais reservado. 'Vamos curtir a noite em um lugar mais afastado', sussurrou, piscando para ele. Daniel não hesitou em soltar um sorriso de lado, sempre com aquele ar de superioridade que Scarlett odiava e ao mesmo tempo achava intrigante.

— Resolveu correr atrás? — ele provocou, sem esconder a ironia na voz. — Sabia que não ia aguentar.

Scarlett riu e, com um olhar desafiador, se aproximou mais, deixando a provocação ainda mais evidente.

— Cala a boca — ela o puxou com firmeza, mas com um toque de diversão nos olhos. — Sabia que você estava me esperando o verão inteiro como um cachorrinho desesperado. — Ela sussurrou no ouvido dele, sentindo-o reagir ao jogo de poder entre os dois.

— Você não vai resistir a mim esta noite — Daniel sussurrou de volta, mas Scarlett apenas sorriu, com um brilho no olhar.

— Só quero ver — respondeu, deixando a provocação no ar enquanto voltava para o grupo, carregando os petiscos com um toque de superioridade que só ela conseguia exibir.

Ela viu Mike bebendo com uma expressão desanimada.

— Vai ficar chorando pela Lizzie a vida toda? — Scarlett provocou.

— Não enche — Mike revirou os olhos, irritado, e se afastou. Ao olhar para o lado, Mike viu Jeremy com a sua irmã e um grupo de estranhos. Eles estavam se drogando e completamente alheios ao mundo ao redor. Jeremy se levantou para pegar alguma bebida, e Mike se aproximou.

— O que é isso? — perguntou Mike, preocupado.

— Não venha pagar de certinho agora — Jeremy riu, completamente fora de si. — Eu subestimava muito a sua irmã, mas ela me apresentou coisas novas.

— Cara, você está se perdendo — Mike disse, segurando o braço de Jeremy. — Isso não é você.

— Ah, agora vai me dar sermão? — Jeremy riu, seus olhos injetados de bebida e outras substâncias. — Eu finalmente estou me divertindo, Mike. Diferente de você, que continua sendo o santinho da mamãe.

— Isso não é diversão, é destruição — Mike falou firme, mas sentiu a frustração aumentar. Era como se estivesse falando com um muro.

— Não tenta bancar o herói — Jeremy se soltou, voltando ao grupo, enquanto Mike balançava a cabeça em desaprovação, sentindo o peso da responsabilidade crescer em seus ombros.

A festa estava em seu auge, com risadas e música ecoando por todo o parque. Grupos de alunos dançavam ao som da batida pesada, enquanto outros já estavam jogados nos bancos ou deitados na grama, perdidos em um mundo de álcool e excessos. Ao redor, a luz fraca das lanternas e os sussurros abafados criavam um ambiente quase surreal. Para quem olhasse de fora, era uma noite perfeita, mas para quem estava ali dentro, tudo começava a desmoronar lentamente.

Charlotte acabou quebrando sua promessa para si mesma e estava completamente alterada, sem parar de encarar Sebastian. Os dois sempre foram melhores amigos, mas ela sempre sentiu algo a mais por ele.

— Você está doida para ficar com ele —Scarlett surgiu ao lado de Charlotte e lhe entregou uma garrafa. — Boa sorte!

— Não sei se devo — Charlotte pegou a garrafa, um pouco confusa.

— Você é Charlotte Fitzgerald, qualquer um aqui faria de tudo para tê-la — Scarlett a incentivou. Charlotte assentiu e começou a caminhar em direção a Sebastian, tropeçando levemente. Enquanto se aproximava, sua mente lutava com uma avalanche de sentimentos. O álcool fazia tudo parecer mais fácil, como se o peso da expectativa e do julgamento desaparecesse por algumas horas.

— Talvez seja a única vez que tenho coragem de te dizer isso — ela murmurou para si mesma, tropeçando nas palavras e nos próprios pés. Sebastian, percebendo o estado dela, tentou sorrir, mas seu coração apertava. Ele conhecia Charlotte bem demais para não perceber que havia algo mais por trás daquelas risadas e brincadeiras.

— Opa, cuidado aí! — Sebastian a segurou antes que ela caísse. — Bebeu tanto assim?

— Claro! — Charlotte riu alto. — Estamos em uma festa, e eu sempre movimento tudo por aqui. Ouvi dizer que as coisas ficaram bem ruins por aqui.

— Um pouco — Sebastian riu baixo. — Achei que você não ia se descontrolar hoje, fez todo aquele discurso e agora Daniel está se gabando por ter ganhado a aposta — Sebastian comentou, desviando o olhar.

— Aposta? — Charlotte arqueou a sobrancelha.

— Só uma idiotice entre irmãos — Sebastian suspirou, tentando desviar do assunto. Mas, por dentro, ele estava incomodado. Não queria que Charlotte soubesse o quão envolvido estava nessa história, mesmo que não quisesse machucá-la.

— Problema é dele, então — Charlotte revirou os olhos. — Você é mais importante.

— Obrigado — Sebastian riu, um pouco sem graça. — Quer uma água ou algo para comer?

— Não — a loira balançou a cabeça negativamente. — Quero saber se podemos ficar mais sozinhos no lago. Senti muito a sua falta nesses meses.

— Charlotte — ele pegou a mão dela com cautela. — Você está dando em cima de mim?

— Óbvio — ela riu alto. — Vamos?

— Escute — Sebastian a olhou seriamente nos olhos. — Você está bêbada. Não vou me aproveitar disso. Nos conhecemos a vida inteira, e eu te vejo como uma irmã. Amanhã, você nem vai lembrar das coisas direito. Nada vai acontecer entre nós dois.

— Desculpa — Charlotte ficou envergonhada e sem reação naquele momento. Sebastian a levou para se sentar e lhe deu água gelada.

Do outro lado, Sophie, Bianca e Elizabeth estavam sentadas em uma mesa, observando a cena.

— Charlotte está caindo de bêbada — Bianca comentou, olhando a situação. — Acho que voltamos ao normal.

— Infelizmente, não estou surpresa — Sophie abaixou a cabeça, sem se espantar com a cena. — Nunca vai mudar, se continuar assim.

— Sebastian, como sempre, prestativo e paciente — Elizabeth comentou, sem querer. Ela havia observado Sebastian a noite toda, e os dois estavam trocando olhares intensos.

— Perdi alguma coisa? — Bianca perguntou, percebendo algo a mais na frase.

— Nada demais — Elizabeth respondeu rapidamente. — Sebastian me ajudou muito nas últimas semanas, desde que terminei com Mike.

— Hmmm — Sophie riu, já percebendo a situação. — Você sempre gostou dele, isso era um pouco nítido. Agora está solteira e livre do garoto do Bronx e da sua família perturbada.

— As coisas precisam ir com calma — Elizabeth comentou, com certo nervosismo na voz. — Vou pegar mais coisas. — Ela se levantou e se retirou da mesa.

Quando se levantou da mesa, seu coração estava acelerado. Ela fingia que estava bem, mas os olhares de Sebastian a deixavam nervosa o suficiente para mal conseguir respirar. Enquanto caminhava em direção ao bar, não pôde evitar olhar para ele de novo, sentindo o rosto esquentar. Ela sabia que algo estava mudando entre eles, mas não sabia como lidar com isso.

— Ficou toda sem graça — Bianca riu alto. Scarlett estava por perto e acabou ouvindo toda a conversa. — O que está ouvindo, fofoqueira? — perguntou a ela.

— Ninguém tem ideia do que aconteceu nesse último verão — Scarlett disse em seu típico tom debochado.

— O quê? — Bianca questionou, curiosa.

— Tirei a virgindade do Sebastian — Scarlett disse, virando mais um drink de tequila. Ela sorriu com desdém, como se aquilo não fosse nada demais. — Ele praticamente implorou - Bianca arregalou os olhos, surpresa.

— Você realmente não presta.

— Quer saber a verdade? — Scarlett inclinou-se para Bianca. — Ele queria romance, eu queria diversão. E todos saímos ganhando. — Seu tom era frio, como se o que ela acabara de contar fosse tão trivial quanto escolher uma roupa — É que você ainda se mantém puritana porque não tem coragem de se libertar de vez — Scarlett jogou a verdade na lata.

— Estou bem assim — Bianca revirou os olhos e a deixou falando sozinha, indo se sentar com Sophie à mesa.

Sebastian deixou Charlotte na mesa com Bianca e Sophie, enquanto ela se recuperava do excesso de álcool em seu organismo. Sentada na cadeira, ela fechou os olhos, lutando para que o mundo parasse de girar.

— Prometi a mim mesma que não ia fazer isso de novo... — ela murmurou, mais para si mesma do que para Sebastian. Ele sentou ao lado dela, colocando a garrafa de água em suas mãos.

— A gente sempre promete — ele respondeu suavemente. — Mas sempre tem uma próxima vez. Charlotte abriu os olhos, olhando para o céu e rindo amargamente.

— E essa "próxima vez" está me destruindo.

- Vou buscar mais água - Ele se levanta e encontra Elizabeth no caminho.

— Charlotte já está te usando como babá? — Elizabeth perguntou pra descontrair. — Percebi por que você estava sumido.

— Ela vai ficar bem — Sebastian riu e a olhou, preocupado. — Voltamos à rotina.

— Nenhuma surpresa — Elizabeth se aproximou. — Quer dar uma volta?

— Claro — Sebastian sorriu para ela, e os dois foram andando para uma parte um pouco mais sossegada. — Como você tem estado esses dias? — Sebastian perguntou, sua voz suave enquanto eles caminhavam em direção a um canto mais silencioso.

— Melhor, eu acho — Elizabeth suspirou. — Não era justo continuar prendendo Mike, ele merece algo mais...

— E você também — Sebastian se aproximou, lançando um olhar cúmplice. — Vai encontrar alguém que te entenda. — A pausa entre eles foi carregada de silêncio. Algo nos olhos de Elizabeth sugeria que talvez, só talvez, ela já soubesse quem era essa pessoa.

— Talvez — ela murmurou, evitando o olhar dele. — E você? Vai achar seu grande amor este ano?

— Quem sabe — Sebastian riu baixinho, mas o riso deles parecia cobrir algo mais profundo, como se a resposta estivesse bem na frente deles, mas ninguém tivesse coragem de admitir. Mike os observava de longe e abaixou a cabeça, chateado. Bianca se aproximou dele.

— Ficar olhando de longe vai só piorar as coisas — Bianca o abraçou de lado. — Relaxa e aproveite a festa.

— Eu ainda não desisti de nós — Mike tentava convencer a si mesmo. — Acho que ainda podemos ter uma chance novamente.

— Melhor não ficar pensando nisso — Bianca o confortou. — Melhor seguir o presente e, se tiver que acontecer, vai ser aos poucos. Tudo tem seu tempo.

— Vamos ver — Mike assentiu e olhou para longe, vendo Sebastian e Elizabeth conversando sozinhos perto do lago. — Tempo, é? — Ele saiu dali, um pouco magoado. Bianca apenas suspirou.

Mike mordeu o lábio, lutando contra a vontade de gritar. Ver Elizabeth tão à vontade com Sebastian era um golpe silencioso. Cada risada, cada gesto parecia uma ferida aberta. Ele tentava se convencer de que ainda havia uma chance para eles, mas com cada segundo que passava, essa esperança ficava mais distante. —

- Não adianta — Bianca disse suavemente, vendo o que se passava nos olhos de Mike. — Se ela já está seguindo em frente, você deveria fazer o mesmo.

— Vim pegar meu copo — Sophie voltou do banheiro e pegou seu copo na mesa. — O que é aquilo? — Ela olhou para Jeremy, completamente embriagado.

— Ele está completamente fora de si — Bianca olhou a cena, preocupada, e se levantou.

— Deixa que eu vou — Sophie se aproximou dele.

— Você está péssimo — Sophie balançou a cabeça enquanto tentava apoiá-lo. Jeremy soltou uma risada forçada, mas seus olhos semicerrados mostravam que ele estava muito mais longe do que apenas embriagado.

— E você, sempre a responsável... — ele murmurou, sua voz falhando. — Isso te cansa, né? Cuidar de todo mundo...

— Só de você — ela respondeu, meio brincando, mas a dor na voz dela era real. Sophie estava cansada, e Jeremy não conseguia ver o quanto suas ações a afetavam.

— Eu estou ótimo — ele disse, com a voz arrastada e cambaleando, mal conseguindo se manter em pé. Sophie percebeu que suas pupilas estavam bem dilatadas.

— O que mais você usou? — Sophie segurou o rosto dele e o encarou. — Está drogado?

— Não te interessa, mamãe — Jeremy riu e quase tropeçou, caindo em cima dela.

— Você não tem a menor condição de ficar em pé — ela o apoiou no ombro. — Vou te levar para casa.

— Não quero ir — ele tentou andar devagar. — Meus pais já chegaram de viagem, pelo horário.

— Disso você só lembra agora? — Sophie assentiu negativamente com a cabeça. — Se fosse só o álcool... Vamos andando, porque ainda tenho que cuidar da Charlotte.

— Posso levá-lo — Mike apareceu no caminho. — Já estou indo para casa, minha irmã não vai dormir lá, então tem um quarto sobrando.

— Vai levá-lo assim para o Bronx? — Sophie perguntou, o desgosto evidente em sua voz. Mike deu um sorriso irônico, mas por trás havia uma irritação que ele tentava esconder.

— Não somos selvagens por lá, Sophie. — Ele estreitou os olhos. — Eu sei cuidar dele, confia em mim.

— Eu confio — ela respondeu mais suavemente, percebendo a tensão. — Mas é Jeremy, e ele está... assim. — A preocupação nos olhos dela era inegável. Mike respirou fundo. Por trás da atitude arrogante de Sophie, ele podia ver que ela realmente se importava, e isso o irritava e o tocava ao mesmo tempo. — Cuida dele e me avisa.

— Pode deixar — Mike sorriu fraco, e os dois chamaram um táxi e partiram dali.

Poucos minutos se passam, Scarlett caminha até Daniel, puxando-o discretamente pela mão para levá-lo a um canto isolado.

— Vamos curtir a noite em um lugar mais afastado — Scarlett piscou para ele. — Acho que é melhor ficarmos sozinhos um pouco. Scarlett o puxou com firmeza, mas sem perder a aura de controle que sempre mantinha ao seu redor. Para ela, essa era uma maneira de mostrar que, mesmo que tenha recusado Daniel no passado, ela ainda ditava as regras.

— Sempre soube que, no final, você correria atrás — Daniel sussurrou, sua voz carregada de ironia.

— Vamos ver quem corre atrás de quem — Scarlett respondeu, sorrindo maliciosamente, deixando claro que ela estava no comando agora — Agora, só cala a boca — Scarlett o puxou.

Os dois entraram na limusine que os esperava e foram para a casa dos Sorrentini, já que os pais de Daniel estavam viajando e Sebastian ainda estava na festa. Ele a levou para o quarto dele.

Ela o agarrou pela camisa, dando-lhe um beijo intenso, e Daniel correspondeu com a mesma intensidade. Suas línguas se cruzavam, e só pararam quando o ar foi necessário.

— Uau — Daniel sorriu de lado, sentindo-se vitorioso. — Não sabia que a bebida iria te afetar tanto assim. Pelo que eu lembro, você me deu um fora nas férias de verão.

— Bom, o que importa é que agora eu quero — Scarlett sorriu maliciosa, olhando-o de cima a baixo. — E eu quero em todos os sentidos. Estamos sozinhos e temos o tempo todo para aproveitar. — Ele se preparou para falar algo, mas ela o interrompeu. — Relaxa, eu não sou mais virgem desde o acampamento de verão. — Ela omitiu o fato de ter perdido a virgindade com o professor do acampamento antes de tirar a de Sebastian, algo que apenas Bianca sabia.

— Vamos logo com isso. — Daniel a pegou no colo, de modo que Scarlett sentisse a ereção dele em sua coxa. Ele a levou em direção à cama, trancaram a porta e, ignorando tudo ao redor, se entregaram um ao outro.

...

De volta à festa, Sophie se aborreceu com um dos seus colegas de sala, Thomas Lancaster, que insistia em tentar algo a mais com ela. A morena o empurrou para longe, ele tropeçou em um veterano bêbado, e, de repente, o caos se instaurou. Era briga por todo lado.

— Puta que pariu — Sophie suspirou fundo, irritada. — Bando de estúpidos. — Ela se aproximou de Sebastian e Elizabeth, que estavam perto de Bianca, cuidando de Charlotte.

— Melhor irmos embora — Sebastian disse, preocupado. — Isso não vai acabar bem, e vai sobrar para quem ficar.

— Scarlett já foi, e Jeremy vai dormir na casa do Mike — Elizabeth checou o celular para verificar as mensagens.

— Posso te levar para casa — Sebastian ofereceu, e Elizabeth assentiu. Charlotte apenas os observou, sem graça. Sophie percebeu e sentou-se ao lado dela.

— Meu motorista já chegou — Elizabeth disse, após atender a ligação no celular. — Nos vemos amanhã. E vocês? — Perguntou às três.

— Charlie vai para minha casa — Sophie respondeu. — Meu motorista vai deixar a Bianca em casa, já mandei uma mensagem.

— Obrigada — Bianca agradeceu a ela.

— Então, nos vemos amanhã — Sebastian puxou Elizabeth pelo braço, e eles se despediram de todos.

— Ele vai nos esperar do outro lado — Sebastian verificou suas mensagens. — Consegue se levantar? — Ele se dirigiu a Charlotte.

— Sim — a loira tomou uma xícara de café. — Estou um pouco enjoada. — As três foram andando até a limusine e entraram.

— Bebeu até não aguentar mais — Bianca disse, preocupada. — Se quer se sentir melhor, Jeremy estava bem pior — ela riu.

— Credo — Charlotte suspirou fundo. — Por que, quando eu quero alguém de verdade, nunca consigo?

— Que história é essa? — Sophie perguntou, confusa, sem entender onde Charlotte queria chegar.

— Sebastian me deu um fora e disse que me vê como uma irmã — Charlotte bufou, irritada. — Mas eu vi ele perto da Elizabeth, e todos nós aqui sempre fomos amigos a vida toda. Por que com ela é diferente?

— Não sei como responder a essa pergunta — Bianca disse, sem saber o que falar.

— Eu me esforço tanto, Sophie. Tento ser perfeita, ser a pessoa que todos querem... e aí vejo a Elizabeth, sem nem tentar, sempre com todos aos pés dela. É injusto. — Charlotte soltou um suspiro pesado, deitando a cabeça no ombro de Sophie.

— Amor não é uma competição, Charlie. Mas você sempre faz parecer que é - Sophie riu, mas o riso tinha um tom amargo.

— Porque, para mim, é — Charlotte sussurrou, apertando a mão de Bianca. A insegurança que escondia por trás de suas atitudes ousadas finalmente aparecia. Ela acabou adormecendo, mas logo chegaram ao apartamento dos Blanc, e Sophie a segurou.

O ar da noite estava pesado, como se carregasse o peso das decisões não tomadas e das palavras não ditas. Elas sabiam que algo grande estava prestes a mudar em suas vidas, mas o quê, exatamente, ainda era incerto. "Uma nova etapa", Sophie pensou, enquanto a limusine deslizava pelas ruas de Manhattan. Ela olhou para Charlotte, adormecida ao seu lado, e sentiu que, de alguma forma, todos estavam prestes a enfrentar seus próprios demônios nos próximos meses.

— Boa noite, B! — Sophie se despediu quando a limusine para em frente ao prédio, e Charlotte apenas assentiu, sonolenta.

— Boa noite, até amanhã — Bianca sorriu para elas, e o motorista seguiu o caminho até o Lower East Side, deixando-a em casa.

A noite havia sido cansativa, e todos se preparavam para dormir, pois teriam um longo e novo dia pela frente. Uma nova etapa estava se iniciando para o grupo do Upper East Side, e coisas novas prometiam surgir no futuro.