6:00 AM

O som estridente do despertador o acordara. Péssima hora para se tornar conselheiro do Hokage, foi o que pensou. Shikamaru deixou a preguiça de lado e foi se arrastando até o banheiro para fazer sua higiene matinal. Havia saído de lá mais vivo do que entrara. Bom, ao menos agora já dava para disfarçar a cara de morto.

Ele saiu apressado com o café da manhã em mãos. Estava sem tempo e mesmo que o Rokudaime chegasse a maioria das vezes mais tarde no trabalho, Shikamaru não poderia se dar a esse luxo.

No caminho para o trabalho, o gênio do Clã Nara se questionava sobre a sua vida. Tediosa, não tinha muitas ambições e nem sonhos a serem realizados. Não tinha nada que o motivasse a seguir em frente.

— A vida é mesmo muito problemática. — concluiu.

— E como. — uma voz feminina ecoou em seus tímpanos e ele se virou para o lado tentando encontrar a dona de timbre tão suave. Era Hinata. Já estavam em frente ao edifício do Hokage. — Ohayo, Shikamaru. — ela o saudou.

— Ohayo, Hinata. — devolveu o cumprimento e tão logo entraram no prédio.

Estavam lado a lado e o Nara não pôde deixar de notar que, embora a Hyūga tentasse parecer alegre, havia certa tristeza em seu semblante. Olheiras profundas estavam em contraste com a pele alva da garota, os olhos pérolas opacos e sem vida. Pelo visto não era só ele que carregava o peso do mundo nas costas.

— Você está bem? — inquiriu à garota. Ele não era tão bom em dar conselhos, não como Ino, sua ex-companheira de time. No entanto, faria o que pudesse para ajudar um amigo.

— Oh...— Hinata pareceu surpresa. — E-estou bem sim, obrigada por perguntar. E você? — Bem era uma palavra talvez desconhecida pelo moreno, ele estava Ok.

— Estou. — limitou-se a uma resposta monossilábica e sorriu de canto.

Shikamaru desviou a atenção da garota para se concentrar em seus afazeres, hoje seria um dia longo e bastante problemático. Deixou a Hyūga na recepção juntamente de Shizune e adentrou o seu escritório. Pilhas de papéis por todos os lados, estava tudo desarrumado e parecendo a sua cara, como costumava dizer a senhora Yoshino, sua mãe.

Suspirou tedioso, pousando a mão em um dos papéis dispostos em sua mesa, passou os olhos sobre o documento que falava sobre permissões a serem assinadas por Kakashi. Ele tentava a todo custo manter o foco na papelada e entre goles de café, separando os mais importantes a serem resolvidos primeiro. Seu trabalho fora interrompido por uma batida na porta.

— Licença, Shikamaru. — Shizune se pronunciou — A senhora Yoshino quer falar com você... — após uma pausa, a mulher continuou — posso redirecionar a ligação?

— Claro, Shizune. — lá vem sermão, pensou. Sua mãe era uma mulher bastante explosiva, fazendo questão que tudo fosse feito do seu jeito. — Estarei no aguardo.

A mulher sumiu das vistas do homem e ele por sua vez, se jogou na cadeira tentando relaxar o máximo possível. No dia anterior, Shikamaru tivera uma discussão séria com Yoshino. A pauta do desentendimento era sempre o mesmo: a liderança do clã. O Nara não fazia muito caso desse assunto e pensava em conceder o cargo a um outro que fosse mais experiente que ele, entretanto, a matriarca cismara que o mesmo era o candidato perfeito. Só que para isso, teria que casar.

E Shikamaru odiava casamento com todas as suas forças.

— Meu filho...— as duas palavras ditas pela mulher na linha telefônica o fizeram inclinar-se para frente, apoiando os cotovelos na mesa. O fim dos tempos estava chegando ou o quê?! — Nós estamos com problemas.

— Que tipo de problemas dona Yoshino, poderia me detalhar por favor?

— Yashiro está pressionando o conselho para colocar o filho Ishida como líder do Clã Nara. — soltou exasperada e Shikamaru cuspiu o gole de café expresso, sujando a mesa e, consequentemente alguns documentos impressos. — Você tem que fazer alguma coisa!— dessa vez o tom imperativo na fala dela indicava súplica para que o mesmo tomasse as rédeas da situação.

— Irei pensar em algo. — inquiriu após longos minutos em silêncio. — Obrigado por ter ligado, Okaa-san. — a mulher encerrou a ligação.

Yashiro é um dos membros da família Nara e parente distante do falecido Shikaku (sabe-se lá quantas escadas de parentesco). Ele era um homem ambicioso e inescrupuloso, capaz de usar até quem o ama para atingir os seus objetivos. Por anos, o homem desejara o major cargo na cadeia de comando do Clã Nara e, quando Shikaku havia conseguido obter a patente, jurou que iria se vingar. Após a morte de seu pai o velho até tentara surrupiar o cargo, porém sem sucesso, por algum tempo todos pensaram que ele tinha desistido da ideia no entanto, agora veio a surpresa.

Com Ishida, nada garante que ele não consiga.

Shikamaru estava com sérios problemas, e francamente não tinha a mínima ideia de como iria resolvê-los.