7:00 AM
Ela não estava ali somente pelo trabalho que iria lhe ser designado. Hinata se sentia ociosa e via naquela missão uma oportunidade de ocupar sua cabeça que andava tão cheia de preocupações. Queria sentir-se útil ao menos uma vez na vida.
Depois que se despediu de Shikamaru, esperou pacientemente na recepção com Shizune até que Kakashi chegasse.
— Hinata, há quanto tempo não te vejo. — disse a mais velha depois de organizar alguns documentos escritos. — Como você tem andado, minha menina?
— Shizune-san — começou a mais nova. — perdão pelo sumiço, é que tem tanta coisa acontecendo ultimamente, sabe? — desabafou recebendo um sorriso compreensivo da outra. — mas agora iremos nos ver com mais frequência, eu prometo.
— Espero que sim. — sorriu. — A propósito, o que faz aqui tão cedo? — quis saber.
— O Hokage-sama solicitou a minha presença para uma nova missão. — revelou. Shizune crispou a testa.
— Estranho, ele não havia comentado nada comigo. — expôs e a perolada a olhou com curiosidade. — Mas deve ter sido somente o esquecimento. — a Hyūga acenou a cabeça em concordância.
Logo o telefone tocou e Shizune pediu licença para atendê-lo. Enquanto a mulher anotava datas e endereços, Hinata analisava o ambiente. A sala era pequena, mas aconchegante, as paredes pintadas em um tom de vermelho terroso. Havia também alguns jarros com plantas em cada extremidade do ambiente, e a janela alta estava aberta o suficiente para iluminar todo o local. A secretária desligou o telefone e voltou sua atenção a Hyūga.
— E então, Hina… — começou a outra. — E esse coraçãozinho aí já se declarou para o Naruto?
— A-a-an? — a morena paralisou quando fora questionada sobre seu segredo íntimo. Mesmo após anos ela não havia deixado a paixão platônica de lado. Ao menos era isso que pensava. Quando a iria responder, Kakashi apareceu interrompendo-as e poupando a morena da constrangedora pergunta.
— Hokage-sama, ohayo. — Shizune se curvou sendo acompanhada pela mais nova.
— Ohayo. — o platinado sorriu com os olhos. — Agradeço pela pontualidade, Hinata. — ele se virou e em um pedido silencioso pediu para que a jovem o seguisse.
Kakashi entrou na sala e depositou o seu chapéu vermelho em cima da mesa lotada de papéis, Hinata permaneceu parada na porta. Ao perceber que a Jõnin estagnada no umbral, ele fez um pedido mudo para que ela se aproximasse e sentasse. Enquanto o Hokage tentava se encontrar nas infinitas tarefas, a morena tinha as mãos pequeninas repousadas sobre a coxa, e por hora, ia atritanto a epiderme suada contra o tecido da roupa. Kakashi vendo o estado aéreo da Hyūga, simulou um pigarro e deu início ao diálogo.
— Bem como você sabe, o mundo shinobi sofreu muito com a Quarta Grande Guerra Ninja, houveram muitas baixas por parte de todas as forças aliadas. — ele inspirou fundo, sabendo que aquilo iria ser estressante para ambos os lados. Hinata maneou em sinal positivo. — E como você também sabe, Sasuke era um Nukenin procurado quando nos ajudou na guerra. Entretanto a sua liberdade após o final desta não foi visto com bons olhos pelos nossos aliados das aldeias vizinhas. O resultado disso tudo foi que ele foi preso para pagar pelos seus crimes cometidos, está me entendendo até aqui?
— Perfeitamente Hokage-sama. — a perolada deu um breve sorriso o incentivando a continuar.
— O ponto que eu quero chegar é que junto de Naruto, consegui que aliviassem a pena dele. Sasuke irá sair amanhã. — a simples menção no nome do loiro a faz ruborizar. Ficara feliz por mais uma vez ele ter sido capaz de ajudar o amigo. — E eu pergunto à você; aceitaria a missão de "cuidar" dele? — o platinado disse fazendo aspas com os dedos. Hinata franziu a testa.
— Cuidar?! Mas o Uchiha-san não é muito grandinho? — ela tentou argumentar e Kakashi riu.
— É, verdade. — ele se recordou de que apesar de ser adulto, Sasuke dava bastante trabalho. — Mas Sasuke é fechado no seu próprio mundo particular e por mais que esteja tentando fazer a coisa certa, ele não vai conseguir sozinho. A sociedade costuma ser bastante cruel com ex-detentos.
— Sendo assim, não seria mais fácil chamar a Sakura-san ou Naruto-kun? — a ideia de se imaginar no mesmo ambiente que Sasuke a causava calafrios.
— É justamente isso que estou tentando evitar. — ele explicou. — Eles se conhecem desde sempre, são amigos de longa data. Sasuke precisa conviver com outras pessoas e eu não conheço ninguém mais adequada do que você. Ao contrário do Naruto e da Sakura que são barulhentos em demasia, você é calma e tem uma paciência dos deuses com as pessoas. — A última parte lhe pareceu uma súplica. — Por favor, estou pedindo que aceite.
O quê? gritou alguém na sala ao lado.
Hinata o olhou por breves segundos. Pareceu hesitar mas no fim concordou.
— Pode contar comigo, Hokage-sama. — o platinado soltou o ar que nem se deu conta de estar prendendo. Finalmente havia resolvido a questão que vinha lhe atormentando à dias.
— Olha que eu vou contar mesmo, hein. — brincou. — Hinata, arigatô. Você está sendo a minha salvação. — e se calhar até a de Sasuke também, completou em pensamento.
— Oh, não tem do que agradecer. — a Hyūga gentilmente se levantou. — Prometo que irei cumprir essa missão com êxito.
— Agradeço o seu entusiasmo. — sorriu com os olhos. — está dispensada.
Assim que a Hyūga pôs os pés no corredor, viu Shikamaru passar como um vulto de tão rápido. O moreno aparentava estar com problemas e a garota imediatamente se viu curiosa quanto ao motivo de tanto estresse. Era raro ver um Nara perder a cabeça daquele jeito. Shizune o viu saindo e fez pouco caso do seu estado, como se aquilo fosse rotineiro. Hinata tentava entender o que estava acontecendo.
O tic tac do relógio de parede fez com a morena lembrasse que havia marcado de ir na casa de sua Sensei (e nas horas vagas, mãe) tomar café da manhã. O estômago da perolada roncou ao lembrar das delícias servidas na casa da Sarutobi. Ela apressou o passo saindo do edifício, porém ao invés de tomar o caminho rumo a casa da ex-sensei, Hinata foi procurar o preguiçoso número um que conhecia: Shikamaru.
As Sarutobis e o seu estômago teriam que aguardar mais um pouquinho.
