ELECTRA ADHARA BLACK

A Megera foi levada junto com o corpo do Quintípede para o Ministério, sob a responsabilidade de Caradoc e Fabian - que se recusava a deixar o amigo ir sozinho e dizia que sabíamos nos defender muito bem sem um adulto supervisionando.

Ótimo.

Agora James, eu, Alyssa e Evan éramos os mais velhos do grupo e, sinceramente, aquilo era aterrorizante, mesmo que temporariamente.

- Você ainda está irritada com o cabelo. - Cyg parou nos pés da minha cama, enquanto James estava lá embaixo, ajudando Evan a cozinhar. Eu tinha subido com Alyssa, para fazer meu cabelo crescer de novo, o que ela fez em poucos minutos.

- Claro que estou. - eu suspirei, jogada na cama. Cygnus olhou para os lençois, suspeito:

- É seguro deitar aí?

- Por que não seria? - eu franzi a testa, erguendo a cabeça para encarar meu irmão.

- Não sei, me diga você. - ele cruzou os braços. - Vocês dois…

- Não. Deite-se.

Cygnus obedeceu prontamente, tomando posse do que costumava ser meu lado da cama - eu tinha me apossado do lado de James, onde o perfume dele me trazia um pouco de tranquilidade depois do ataque da Megera.

- Mas não é só o cabelo, é? - Cyg questionou, cruzando os braços atrás da cabeça. - Ela pegou você desprevenida. Você anda distraída.

- Eu não pensei que uma Megera teria a audácia de me atacar assim. - eu admiti.

- E por que está tão distraída? - Cyg soou preocupado. - Está com problemas com James?

- Claro que não. - eu olhei Cyg, séria. - É só… Tanta coisa acontecendo. A Runa, a guerra, a Mortalha-Viva, agora a porra de um Quintípede e uma Megera. Faz tão pouco tempo que estávamos em casa, com mamãe e papai, rindo das piadas de James e Al na sala da família. Eu amo estar aqui e poder fazer algo útil, mas…

- Às vezes a gente só quer os nossos pais. - Cyg disse, gentilmente, quando eu não soube como terminar a frase. - Escute, eu sei que seu relacionamento com James é super sério. Sério tipo casamento de verdade, não só essa brincadeira que a gente faz com essa runa. - ele deitou de lado, olhando para mim e eu o imitei. - Só estou preocupado em como isso está afetando você. Parece que você está o tempo todo com a cabeça nas nuvens e se esquece dos nossos objetivos aqui.

- Está dizendo que eu passo muito tempo sozinha com James. - eu traduzi e meu irmão abriu um sorriso triste:

- Estou dizendo que você precisa voltar a focar no problema. Faça o que quiser com ele quando estiverem sozinhos, - meu irmão disse, pacientemente. - isso não é da minha conta e, a não ser que seja uma emergência, eu realmente não quero saber de nada além do que sou obrigado. Mas o tempo está passando e eu vejo você cada vez menos focada na runa e mais focada no seu namorado. E eu entendo, porque nas primeiras semanas com a Lily era difícil deixá-la ir para longe por qualquer período de tempo que fosse, mas nós precisávamos fazer isso. Sua vida não pode se resumir a James.

- Estou sendo tão obtusa assim?

- Um pouco. - Cyg sorriu, gentilmente. - Gosto de vê-la feliz. Merlin, nunca vi você sorrir tanto ou parecer tão satisfeita com a vida, apesar de tudo o que estamos vivendo. Mas preciso voltar para casa, Els. Estou lhe pedindo um favor pessoal, agora. Foque na Runa e nos leve para casa assim que essa merda de guerra acabar. Você tem James, Bells tem Al, mas Lilybug está sozinha e longe.

- Ainda preciso da tintura de Alvo. - eu suspirei, brincando com um fio solto do lençol branco. - Tenho um protótipo bem mais ou menos.

- A tintura vai ficar pronta assim que ele for a Knockturn Alley. Leve esse tempo para fazer os ajustes finais na sua runa. - Cyg sugeriu. - Eu sei que sou melhor em Aritmancia, mas eu posso ajudar. O que acha?

- Parece bom, mas James…

- James vai continuar com você. Pense nisso como uma ajuda extra e um motivo para você parar de se engraçar no colo do seu namorado. - Cygnus bufou. - Você pensa que ninguém viu, mas eu, Bells e Al vimos vocês dois se agarrando na biblioteca no meio da noite, com você no colo dele. Essa imagem está queimada nas minhas pálpebras e eu não quero ver isso de novo.

Eu corei:

- Achei que estávamos sozinhos.

- Bem, não estavam. Se forem se agarrar assim, façam isso no quarto. Eu não sou obrigado a presenciar essa sem-vergonhice. - Cygnus reclamou e depois suspirou. - Só quero ir para casa.

- Eu também. - eu suspirei. - Vou me comportar. E focar no importante.

- Perfeito. - Cyg sorriu. - Já que estamos discutindo coisas importantes, Remus disse mais alguma coisa sobre as Horcruxes?

Eu suspirei e comecei a inteirar Cygnus sobre as Horcruxes.


- Então, agora vamos procurar essa coisa de fato. - Sirius juntou as mãos, os olhos ainda brilhantes. - Tivemos uma longa discussão, mas optamos por manter os grupos de quatro, já que podemos cobrir maior terreno assim. Os demais estão de guarda, caso algo saia dos eixos e, se for o caso, preciso que lancem centelhas vermelhas para o céu. Todos nós nos moveremos na direção de onde o socorro foi pedido.

Eu assenti, com a varinha firme na mão, ao lado de James, que mantinha uma distância curta entre nós dois e os olhos fixos na orla da floresta, apesar da pequena reunião pré-caçada.

- Há um elfo da Bavária, provavelmente, a solta. - Aric emendou, olhando o grupo. - Não esqueçam disso. Ah, e eles são bem suscetíveis a algumas azarações, em especial Pullus e Orbis.

- Ótimo. - Anabelle resmungou, cruzando os braços. - Agora preciso transformar um Elfo da Bavária em galinha.

- Ou enterrá-lo. Vivo. - Al olhou para minha irmã, os olhos dos dois brilhando de malícia.

- Também podemos usar a azaração da Cabeça de Abóbora. - Pontas lembrou.

- Ainda prefiro enterrá-lo. - Al sacudiu a cabeça. - Cabeça de Abóbora ou não, essa coisa é potencialmente perigosa e pode machucar um desavisado.

- Mais alguma coisa conhecida? - eu questionei, olhando Aric. - Temos uma Mortalha-Viva, um Elfo da Bavária. Já nos livramos de um Quintípede, uma Megera e tem todas aquelas criaturas que demos fim quando viemos para a Mansão.

- Ah merda, o Barrete Vermelho, também. - Al jogou a cabeça para trás. - Eu não o matei, só o larguei no meio do mato, inconsciente.

- Se dermos sorte, a Mortalha já resolveu esse problema. - Cygnus sacudiu os ombros. - Mas é bom ter isso em mente.

- Acha que algum deles pode ter ido parar no vilarejo trouxa? - Anabelle questionou e Aric sacudiu a cabeça que não:

- Nada mágico sai da floresta. A não ser que seja bruxo ou elfo-doméstico. - ele assegurou. - Bruxos são livres, ou eram até o Fidelius, mas os elfos-domésticos só entram e saem sob ordens de um Nott. No caso, eu. - Aric sorriu, galante.

- E como você está conosco, estamos a salvo. - Pontas revirou os olhos, mas riu. - Ótimo. Mas ainda mantemos que quem pegar a Mortalha-Viva vai ganhar um passeio até o Ministério.

- Claro que vai. - Sirius concordou. - Bem, vamos então. Temos um longo dia pela frente e quero chegar antes do sol começar a se pôr. - ele pegou a varinha e acenou para que eu e meus irmãos o seguíssemos, o que fizemos sem questionar.

- Então - Cygnus grudou do meu lado, enquanto Anabelle e Sirius tagarelar a frente. - como James está?

- Ele concorda com tudo o que discutimos hoje mais cedo. - eu cedi o pedacinho de informação. James tinha optado por focar mais na parte da guerra, já que a Runa era praticamente a minha responsabilidade depois da Magia Ancestral ter sido acessada apenas por mim. - Então, ele fica com a guerra e eu com a magia do tempo.

- Não vai mais à batalhas? - Cygnus pareceu chocado.

- Eu nunca disse isso. - eu arregalei os olhos. - De forma alguma. James vai ficar com Remus, para resolver as Horcruxes. Você, Cygnus, - eu dei tapinhas no braço do meu irmão. - está preso a mim. Vai estudar Runas Antigas na marra.

- Eu me voluntariei para ajudar não para trabalhar especificamente nisso. - Cyg se defendeu.

- Tarde demais. - eu ri, embora a floresta me desse arrepios e eu soubesse que algo mais habitava ali: minha magia sentia alguma coisa à espreita, nos observando, mas ainda não houvera nenhum ataque claro.

Não desde a Megera.

- Acha que o Elfo vem atrás de nós? - Cyg pulou uma raiz imensa e me ajudou a pular em seguida.

- Não sei. Nem sei se ele, de fato, está aqui. - eu ponderei. - Pode ter outra coisa, também.

- Você está sentindo alguma coisa? - Sirius, que eu acreditei estar ocupado demais se inteirando da tintura com Anabelle, olhou sobre o ombro para mim.

- Algo nos observa, mas não sei o que. Nem sei se é maligno. - eu admiti. - Por enquanto, estamos seguros.

- Tente investigar. - Bells pediu e eu franzi o nariz:

- Posso me distrair muito se fizer isso e não sei se é sensato no meio de uma floresta recheada de magia negra. - eu respondi. Cyg jogou um braço sobre meus ombros:

- Mantenho você segura. Vamos andando e você vai procurando com sua magia esquisita.

- Minha magia não é esquisita.

- É sim, mas você não está pronta para esta discussão. - Sirius replicou, ainda alguns passos à frente. - Vá investigar essa criatura que você está sentindo.

Eu suspirei, sem discutir. Primeiro, eu tiraria a Oclumência da Runa - ela tinha ficado pura e simplesmente porque não queria que James focasse em mim e acabasse morto. A magia de James voltou a se enrolar na minha runa, quente e gentil, com batimentos estáveis e reconfortantes, o que me deixou imediatamente mais tranquila. Depois, foi a vez de esticar a minha magia pelos arredores: filamentos cintilantes contrastavam muito com os filamentos de magia negra e pesada que habitavam aquela floresta, procurando por perigo iminente.

Ninguém além de mim via aquilo, assim como ninguém pôde sentir os dementadores na nossa última noite na Mansão Potter.

A minha magia procurava por ameaças enquanto eu andava, cada filamento cutucando um canto escuro e afastando aquela magia negra de nós. O nosso pequeno grupo, agora rodeado por magia protetora, parecia mais seguro de si: Sirius tinha levitado alguns troncos de árvores mortas, Anabelle tinha matado uma aranha absolutamente imensa (embora não fosse um ser mágico), Cygnus lançava feixes de luz por lugares mais escuros - mas eu continuava absorta, procurando de onde vinha aquela sensação de estar sendo observada e avaliada por alguma coisa que eu ainda não sabia o que era.

Eu virei a cabeça para a direita quando essa mesma magia pareceu se estender até um dos meus filamentos. Cyg parou junto comigo:

- O que você encontrou?

Eu tombei a cabeça, lançando mais magia amigável e obviamente não-maligna na direção daquela magia rudimentar e antiga, mas forte.

- Não sei. - eu ponderei. - Eu vou na frente. Sem movimentos bruscos, eu não sei o que nos esperava ali.

Um Grifo emagrecido, obviamente ferido e doente, estava deitado no chão, perto de um bebê unicórnio. Eu parei na orla da clareira onde ambos estavam - o bebê dormindo, mas o grifo com os olhos amarelos me encarando cheios de suspeita.

- Alguém sabe algo sobre Grifos? - eu perguntei, cuidadosamente, impedindo Sirius de continuar andando.

- Só que eles gostam de ser respeitados. E precisam proteger algo, não necessariamente monetariamente valioso. - Cygnus ofereceu a informação.

- Ok. - eu pigarreei e dei um passo cuidadoso na frente do Grifo, que manteve os olhos amarelos em mim. - Oi. Hm. - eu gaguejei. - Não estou aqui para machucar você. Só… Estamos tentando deixar esse lugar menos… Maligno?

O Grifo piscou, como se pesasse a minha frase.

- Eu… Bem, você certamente achou algo precioso. Unicórnios não são comuns em lugares como este. - eu mantive a mão da varinha parada ao lado do corpo.

- Faça uma reverência. - Anabelle sugeriu, atrás de mim, a voz tranquila, mas com um fundo de ansiedade que apenas os que a conheciam bem poderiam ouvir.

Eu obedeci minha irmã, desviando os olhos da criatura por um momento. Anabelle ofegou e eu olhei para frente, ainda sem erguer o corpo.

O Grifo, como um Hipogrifo faria, abaixou a cabeça na minha direção.

- Ok. Então… Eu vou me aproximar. - eu dei passos calculados e deliberados na direção do grifo e, quando ele não me atacou, me ajoelhei no chão gelado e duro da floresta. - O que houve com você? - eu perguntei, olhando os cortes no bico do animal e também os ferimentos purulentos na cauda do grifo.

Não era como se ele pudesse me responder, mas a magia dele - aquela rudimentar que eu tinha traçado até ali - pareceu se acomodar perto de mim, como se dissesse: humanos.

- Quem o machucou era dono desta terra? - eu perguntei, ainda ansiosa. Os olhos do grifo se semicerraram, suspeitos. - Ah, bem. Se for o caso, então vai gostar de saber que o colocamos para fora. Uma nova pessoa, uma boa pessoa, agora toma conta deste lugar. Estamos tentando deixar essa floresta mais amigável e menos assassina.

Aquilo pareceu acalmar o grifo, que me cutucou com o bico, me empurrando na direção do bebê unicórnio, que ostentava uma cicatriz na perna.

- Foi um bruxo? - eu olhei o grifo, cuja imobilidade me deu resposta suficiente. - Usaram o sangue do unicórnio. - eu olhei sobre os ombros, para os outros três. - Se nos deixar ajudar, podemos levar vocês dois para um lugar seguro, onde você pode proteger o bebê e mais coisas, o que quiser. E vocês podem se recuperar.

O Grifo, num gesto de confiança, apoiou a cabeça no meu colo.

- Meu irmão vai pegar o bebê. Vou ajudar você a chegar até em casa. - eu prometi, passando os dedos entre as penas do Grifo.

Merlin, que nada acontecesse a ele.


Eu decidi nomear o Grifo de Achilles, o que ele aceitou bem, levando em consideração seu apego desproporcional a mim depois que eu o ajudei a se deitar na frente da mansão - Alyssa tinha se aproximado, com permissão do animal, e, para o meu alívio, tinha prometido que os ferimentos dele eram curáveis:

- Alguns cremes e poções devem ser suficientes, assim como uma alimentação adequada. - ela fez carinho no bico do grifo, que fechou os olhos em contentamento. - Achilles é um bom nome.

- Ele é forte e protetor. É um bom nome. - eu concordei. - Então ele vai ficar bem?

- Claro que vai. Ele e o bebê que ele andou protegendo. Vamos mantê-los juntos, em uma das salas do térreo.

- Ele precisa ter acesso à natureza. - eu lembrei.

- E terá. Não se preocupe. - Alyssa prometeu. - E quanto à Mortalha-Viva?

Aquilo pareceu atiçar a atenção de Achilles, mas eu sacudi a cabeça:

- Precisava cuidar dos dois primeiro. A Mortalha continua sendo um problema, mas os Potter estão resolvendo isso enquanto nós ajudamos Achilles e Ben. - eu respondi.

Eu queria muito ir ao Ministério, jogar na cara deles a falta de seriedade e também sua incompetência, mas animais feridos era onde minha prioridade estava.

Se eu os deixasse ali, alguma coisa poderia atacá-los e matá-los. Eu podia ser impertinente, mas não era uma sem-coração.

- Ao que parece, não precisa mais se preocupar com nada. - Alyssa olhou sobre meu ombro e eu me retorci toda.

James marchava à frente, ensanguentado, mas com um Elfo da Bavária preso em uma gaiola, que foi colocada no chão sem muita delicadeza:

- Ele não podia sair da floresta, mas nada o impedia de atrair crianças trouxas para dentro. - ele soou furioso. Eu fiz careta. - Então irei entregá-lo às autoridades, embora minha vontade fosse outra coisa. Você está com um Grifo?

- O nome dele é Achilles e ele é meu. - eu respondi. - E quanto à Mortalha-Viva?

- Ah, Pontas teve o melhor momento da vida dele, cercando aquela coisa com um patrono para depois enfiá-la em uma caixa de vidro. Ele disse que vai fazer um bilhetinho e deixar anexado no presente. - James deu um passo hesitante na minha direção e fez uma reverência para Achilles, que o imitou, permitindo que James se aproximasse. - O que houve com ele?

- Acho que Nott o feriu. Estava protegendo um bebê unicórnio, mas Aly prometeu que os dois vão se recuperar. - eu passei os dedos entre as penas douradas de Achilles. - Aric disse algo sobre Grifos?

- Não. Só sabia do Elfo da Bavária. - James respondeu e, como se tivesse sido chamado, Aric saiu da floresta, rindo com Alvo, enquanto Pontas levitava uma caixa de vidro que segurava a Mortalha-Viva, parecendo orgulhoso de si. - Precisa de alguma coisa?

- Acho que Achilles e eu gostaríamos de uma ajudinha para entrar na Mansão. - eu franzi o nariz.

Achilles aceitou a ajuda de James sem resistência - sua única reclamação foi ser afastado do bebê unicórnio, o que foi prontamente remediado por Cygnus se aproximando com Ben nos braços e nos seguindo para dentro da casa.


Os Potter e Aric foram para o Ministério naquela noite, com Caradoc a tiracolo, enquanto Fabian ficava para trás para nos ajudar com o unicórnio e o grifo.

- Nunca tinha visto um grifo antes. - Fabian comentou. Achilles não só parecia tranquilo com Ben por perto, como agora parecia alegre ao ser presenteado com alguns bens materiais para guardar. - Ele é bonito, mesmo estando doente. Deve ser magnífico quando saudável.

- Eu tenho certeza de que é. - eu admiti. Achilles agora era meu companheiro de pesquisa: enquanto ele comia a carne trazida por Evan, eu tinha retomado meus rabiscos de runas antigas, com ajuda de Cygnus.

Cygnus que, até o momento, parecia exasperado e prestes a arrancar os cabelos em frustração.

Era bom ver mais alguém perdendo o controle por magia do tempo.

Revigorante, até.

Pelo menos eu não me sentia tão sozinha nisso. James era muito otimista, confiante de que encontraríamos um retorno para casa em breve e, apesar de me ajudar a não desanimar, era difícil ficar confiante como ele: todas as minhas runas pareciam rabiscos de uma criança de dois anos que não sabia bem o que fazia com um lápis de colorir.

O andamento das Horcruxes estava estagnado: nós tínhamos pistas, mas nenhuma era concreta de fato. Apenas ideias do que poderíamos encontrar e onde poderíamos encontrar - isso deixava James menos do que alegre, já que ele gostava de ter pelo menos certeza de um fato - e até agora tínhamos apenas indícios.

Então, enquanto Fabian e Anabelle cuidavam de Ben, ela segurando uma mamadeira e ele fazendo curativo no corte da perna dele, Cygnus e eu continuamos enfiando nossos narizes em livros.


James retornou com um sorriso no rosto, seguido pelo irmão, avô e Aric, com Caradoc logo atrás. James se jogou do meu lado, depois de fazer uma reverência para o grifo deitado perto de mim:

- Boa notícia do dia: o Ministério é fácil de ser invadido. - ele suspirou. - Má notícia do dia: o Ministério é fácil de ser invadido.

- Esse é um problema para você comentar com seu pai, quando voltarmos. - eu respondi, voltando a abaixar os olhos para o meu novo rascunho. Levemente melhor, mas ainda não parecia algo que teria efeito de fato.

Era mais fácil falar sobre criar Runas do que criar uma de fato.

- Nós deixamos um bilhete relatando problemas na segurança. - Pontas se agachou na frente de Achilles, depois que o grifo deu permissão a ele. - Acho que o Alto Escalão não vai gostar, mas, bem, o que eles esperavam? Nós escapamos de Hogwarts. O Ministério pareceu menos seguro do que a escola.

- O Ministério sempre tem infiltrados. - Al ponderou, ao lado de Anabelle.

- Se nós conseguimos entrar, os Comensais da Morte também podem entrar. - Aric traduziu, cruzando os braços, na entrada da sala. - O que pode ser um problema, se o Quartel de Aurores for comprometido.

- Se já não estiver comprometido. - Sirius ponderou. Ele estava deitado no chão, entre Lily e Remus, com Reggie do outro lado de Lily. Sirius e Remus discutiam as Horcruxes, enquanto Lily e Reggie divagavam sobre a poção misteriosa.

Ambos tinham concluído que não era um veneno, já que não tinha a intenção de matar, mas que tinha o objetivo de causar sofrimento e enfraquecer quem a bebesse.

- Preciso de uma amostra. - Lily olhou Reggie. - Um de vocês estará incapacitado e se tivermos a poção podemos tentar um antídoto, ao invés de esperar que a coisa passe sozinha.

- De acordo. Se conseguirmos uma amostra e isso não atrapalhar a missão, traremos para você. - Reggie prometeu. Eu voltei minha atenção para os três que discutiam sobre o Quartel General:

- O Quartel é só uma parte do Departamento de Execuções de Leis da Magia. - eu lembrei. - Os maiores apoiadores de Voldemort são pessoas de famílias sangue-puro e que se orgulham disso. Eu olharia os cargos mais relevantes e não soldados.

- Por exemplo, o chefe? - Aric questionou. - Duvido que Crouch seja um comensal. O cara é mais certinho que Anabelle.

Eu ergui as sobrancelhas:

- Crouch Sr.? - eu perguntei, interessada.

- O conhece? - Aric se inclinou na minha direção.

- Só por nome. - eu encolhi os ombros. - E o filho? Barty?

- Barty é do quarto ano. - Aric me encarou. - Um garoto quieto e inteligente, mas mimado. Não fala muito com a gente. Acho que o pai o proibiu.

- Bem, péssimas notícias, então. - eu suspirei. - Barty foi um comensal proeminente quando se formou na escola.

- Só pode ser brincadeira. - Reggie pareceu chocado.

- Ele era bem cruel. - Anabelle emendou. - E matou o próprio pai, o transformou em um osso e então o enterrou.

- Ah, nossa. - Pontas piscou. - Ele ainda tem catorze anos. Talvez não seja um ponto fraco no alto escalão.

- Não dá para ter certeza. Sei que o pai dele não era muito presente e os dois tinham uma relação bem instável, - James completou. - mas ele amava a mãe. Talvez ainda seja cedo para o condenarmos, mas eu ficaria de olho em Crouch. Se ele foi capaz de matar aos dezoito, não duvido que aos catorze já tenha um bom repertório de manipulação.

- E se for tão inteligente quanto você deu a entender - eu olhei Aric, que assentiu. - o Ministério já pode estar comprometido.

- Se ele conseguiu mexer nos documentos do pai. O que seria bem difícil, considerando que Crouch raramente está em casa. - Aric ponderou.

- E quando está, certamente leva trabalho embora. - Caradoc apareceu no batente da porta, atrás de Aric. - Devo notificar isso aos demais membros da Ordem.

- A escola já foi invadida uma vez, com Pettigrew do lado de fora. Ele está foragido, por enquanto, mas Crouch permanece na escola. Se ele está mancomunado com esse tipo de coisa, - Reggie ponderou. - ele pode ter ajudado os comensais a entrar em Hogwarts e não só facilitar a entrada de novos comensais, como também desmantelar a segurança de dentro para fora.

- Estou indo conversar com Minerva. - Caradoc girou nos calcanhares e foi em direção ao corredor. - Não me esperem para o jantar!

- Mais algum comensal da morte em potencial? - Reggie nos encarou. Eu suspirei:

- Eu tinha esquecido de Crouch até vocês mencionarem o pai dele. - eu admiti, encolhendo os ombros. - Nem o vi pela escola.

- Ele não é muito sociável. - Regulus contou. - Não se mistura muito. Seu grupo de amigos é mais reservado.

- O que pode ser um problema, já que ele não vai abrir o bico tão facilmente. - Sirius sacudiu a cabeça. - Que merda. Quanto mais eu acho que estamos perto de acabar com essa guerra, mais coisa aparece.

- Nós estamos mais perto de acabar com isso do que estávamos em setembro. - eu lembrei, delicadamente. - Só temos mais duas horcruxes e depois é caminho limpo até Voldemort.

- Duas horcruxes que ainda não localizamos precisamente. - Sirius disse, sério. Eu fiz careta:

- Mas são só duas. Eram cinco. - eu repliquei, arrancando um sorriso resistente dele:

- Justo. - ele cedeu, suspirando. - Digo que, se vamos colocar Barty Crouch sob vigilância, devemos fazer o mesmo com os amigos. Você não faz amizade com pessoas que não pensam como você.

- A não ser que você seja um verme miserável como Pettigrew. - Remus disse, pacientemente. - Nenhum aluno deve ser ignorado. Qualquer comportamento fora do esperado, qualquer ataque a colega nascido-trouxa ou mestiço, deverá ser investigado e o aluno observado de perto.

- Concordo. - Fabian concordou. - Mais algum aluno que devemos manter sob vigilância?

- Bem, não me lembro de cabeça. - Bells encolheu os ombros. - Mas um olho mais atento sobre os alunos em geral deverá ser suficiente.

- Ótimo. - Fabian estalou os dedos e ficou de pé. - Evan e Alyssa estão cozinhando e o jantar não deve demorar para ficar pronto. Vou terminar as poções, então eu os encontro para o jantar.

Fabian saiu sem esperar resposta. Desde a morte de Gideon, ele tinha se tornado uma pessoa de poucas palavras: antes ele era sorridente e brincalhão, agora ele se resignava a fazer poções de cura e tratamento, assim como cuidar de ferimentos em geral e falava pouco, apenas o necessário.

- É péssimo vê-lo assim. - Remus sacudiu a cabeça. - Gideon faz uma falta imensa para mim, para ele deve estar sendo insuportável.

- Perder um irmão é insuportável. - Reggie ponderou. - Quando Sirius foi embora, eu senti muita falta dele, mas ele ainda estava vivo e lutando pelo certo. Mas imaginar ele no lugar de Gideon… É completamente destruidor. - ele fez careta, sendo imitado pelo irmão. - E da forma como foi…

Eu estremeci:

- Eu ainda tenho pesadelos com aquela noite. - eu voltei a abaixar os olhos para o livro. - Gideon era uma das minhas pessoas favoritas no mundo. Tudo isso está sendo péssimo, mas seria menos insuportável se ele estivesse aqui.

- Seria. - James apertou meu joelho, com carinho. - E é por isso que devemos acabar com as Horcruxes e essa guerra logo. Quanto mais cedo acabarmos com Voldemort, menos gente como Gideon irá morrer. Então, - ele olhou para Remus. - O que temos de novo?

Remus se ajeitou na cadeira e desandou a falar.


Os dias se passaram e, com eles, novas notícias chegaram: Caradoc comentou sobre a recente evasão dos alunos nascidos-trouxas e o subsequente sumiço dos mesmos e de suas famílias, assim como o aumento de ataques de lobisomens a famílias pró-trouxas. Fabian trouxera notícias sobre o mundo trouxa: ataques a hospitais e escolas tinham deixado o mundo trouxa absolutamente aterrorizado e eles falavam sobre ataques terroristas, apontando todos aos irlandeses, mas sem provas.

James e Al, finalmente, nos deram a informação mais importante: a data para a ida a Knockturn Alley.

- Hoje à noite? - eu apoiei meu quadril no peitoril da janela próxima a mesa na qual James, Cyg e eu tínhamos sentado, junto de Al e Bells.

- Sim, hoje à noite. - James assentiu e eu suspirei. - Estamos preparados e agora temos todas as contas e detalhes prontos. Todos os ingredientes foram escolhidos e avaliados. Beladona e raízes de mandrágora são as únicas coisas que precisamos, o resto nós temos.

- E raízes de mandrágora só são necessárias serem roubadas pela quantidade absurda que preciso. - Al lembrou. - Vou fazer uma quantidade bem grande, Els. Para você não ficar precisando de mim para isso e eu posso focar mais na guerra por um período.

- Achei que vocês iriam comprar e roubar só se precisasse. - Bells lembrou. Al e James trocaram olhares. - Alvo.

- Nós optamos por roubar de uma vez. Vai poupar tempo. - James cedeu a informação e eu respirei fundo, pedindo paciência a deus.

- Eu vou junto. - eu declarei.

- Não. - James me encarou, sério. - Al e eu nos viramos muito bem. Ter mais uma pessoa lá só vai chamar mais atenção. Além do mais, você precisa estar bem para transfigurar a gente de volta depois.

- Ficaremos a postos. - Cygnus olhou os dois, sério. - Todos nós.

- Claro que ficarão. - James sorriu para meu irmão. - Qual look vai me dar hoje, amor?

- Um velho gordo com uma verruga no nariz. - eu virei o rosto, irritada, ignorando a risada alegre de James. - Alvo é o ajudante corcunda.

- Você é péssima. - Al reclamou, mas sorria.

- E você jamais será reconhecido assim. - eu passei a mão pelo rosto. - Faça a tintura assim que puder. Chegue da missão, durma e então faça a tintura. Tenho um bom protótipo agora e queria testá-lo.

- Ótimo. Vai ser divertido. - Alvo esfregou as mãos, ansioso. - Então, James e eu iremos depois do jantar, talvez na madrugada. Ainda estamos definindo detalhes, mas será hoje a noite.

- E o que podemos fazer para ajudar? - Bells perguntou, inquieta.

- Nós vamos treinar. - Alvo sorriu para a namorada. - Vamos lá fora e faça o seu pior, amor.

JAMES SIRIUS POTTER

Alvo e eu levamos os Black para treinar logo cedo, com meu irmão fazendo questão de atazanar a namorada. Nós fomos encontrando os demais ao longo do caminho, passando a mensagem da nossa missão esta noite e que estávamos preparados para passarmos por uma boa sessão de treino em duelos.

Foi brutal.

Evan fez questão de nos lembrar que as regras comuns e esperadas em duelos não eram aplicáveis em campo - não em um lugar como Knockturn Alley, no qual a menor das nossas preocupações seria uma Megera.

Não com Comensais da Morte a solta e passeando por aí.

- Devemos colocar uma Marca Negra no lugar? - Al questionou, me passando um copo de água. Eu bebi um gole imenso antes de responder:

- Marcas Negras são para morte. Se matarmos alguém por acidente, fique à vontade. - eu sacudi os ombros.

A essa altura do campeonato, nada mais me parecia tão errado. Principalmente se o errado colocaria comensais da morte em mais problemas, o que a maioria de nós vinha fazendo ultimamente.

Quanto mais dificuldade eles passassem, quanto mais complicado fosse passar despercebido ou sair ileso ou ser menos caçado, melhor.

- Você, dentre todos nós, está ok com assassinato? - Alvo pareceu chocado. Eu olhei Els, que ensinava azarações a Reggie, que parecia animado com a lição, e respondi:

- Estou ok com auto-defesa. Além do mais, eles andam matando muita gente que não pode se defender. Então, não vejo isso como nada além de justiça poética. - eu admiti. Nem mesmo Electra sabia dessa questão que eu vinha digerindo desde que ela e os outros tinham matado Nott no Hospital.

- Morrer pelos seus próprios meios de matar. - Al contemplou. - Eu optaria por uma morte menos mágica. Quem sabe estrangulamento?

Eu olhei meu irmão, sério:

- Isso inclui luta corporal e não sabemos quem vamos enfrentar. Não se esqueça que sua namorada não é a única pessoa no mundo capaz de fazer magia sem varinha. - eu lembrei. - Evite contato físico, evite proximidade. Mas, se não tiver jeito, encha o filho da puta de porrada.

- E se eu atacar pelas costas?

- Aí vai da sua moral. - eu sacudi os ombros.

- Minha moral diz que Comensais da Morte são melhores mortos, independente da forma como isso acontecer. - Al ponderou. - Então, vamos ver.

- E se hesitarem em nos atacar? - eu olhei meu irmão, sério. Al sacudiu a cabeça, rindo de leve:

- Eles nunca vão hesitar. Nós somos Potter, somos obviamente pró-trouxas, estamos caçando o líder deles, James. Eles não vão hesitar. - ele ficou de pé, passando a mão pelos cabelos. - Sugiro que esteja mentalmente pronto para tirar a vida de alguém, irmão. Talvez isso não esteja tão distante da realidade.

Meu irmão me deixou no jardim, parecendo distraído, enquanto assobiava no caminho de volta para a mansão.


Alvo Potter era um pé-no-saco, mas era uma pessoa necessária. O que não era necessário era a constante reclamação sobre passar algumas horas longe da namorada - o que eu fiz questão de lembrá-lo que seria para a própria segurança dela e, além do mais, Cygnus estava começando a implicar com ele, então era melhor parar de me atormentar ou eu iria delatá-lo para o Black.

Aquilo calou Alvo por algumas boas horas.

Enquanto ele repassava as quantidades, com a pena girando entre os dedos, eu repassava o plano que tínhamos arquitetado na noite anterior: Electra iria nos transfigurar (muito provavelmente me deixando velho com uma verruga no nariz e Alvo corcunda, puramente por ter sido deixada de fora), depois nós iríamos sair das proteções do terreno Nott e, assim que fora das proteções mágicas, nós iríamos aparatar na Londres trouxa. Eu tinha cogitado aparatar diretamente em Diagon Alley, mas Alvo tinha trazido um bom argumento: se fôssemos vistos como um bruxo velho viajando com seu ajudante - se conseguíssemos imitar o sotaque polonês que estávamos tentando dominar - e tivéssemos ido a outros locais, seríamos menos suspeitos do que dois bruxos que apareceram do nada no meio de Knockturn Alley e, em seguida, pegos no meio de um assalto a um boticário suspeito.

Então, era melhor sairmos logo depois do jantar, parando no Caldeirão Furado por meio hora que fosse, para depois sairmos para "explorar o lugar" - a maioria das lojas estava fechada a noite, por conta dos Comensais da Morte, mas algumas permaneciam abertas, a sua maioria sendo restaurantes e bares bruxos, assim como algumas poucas lojas de suprimentos mágicos.

Alvo e eu compraríamos coisas menos suspeitas: um blusão do Tornados de Tutshill, o time no topo do campeonato neste ano, algum presente besta que dissesse algo do tipo "Estive na Londres Bruxa e AMEI!", assim como presente para meus "netos". A nossa ida a Knockturn Alley seria um completo acidente.

Afinal eu era apenas um polonês idoso perdido.

A ideia era sermos rápidos na missão e, depois, nos fazer de viajantes confusos com a situação e caos no lugar - nos recusando a dormir no Caldeirão Furado e indo embora logo em seguida.

- Esse plano tem muito espaço para falhas. - eu olhei meu irmão, que ergueu a cabeça:

- Que bom que eu sou ótimo em improvisar. - ele pareceu despreocupado. Eu ergui as sobrancelhas. - Confie mim, James, como eu confio em você. - ele pediu. - Cegamente.

- Não se preocupe com isso. Só não quero te arrastar para algo perigoso. - eu respondi, ansioso.

A imagem da cabeça quase decepada de Gideon e os gritos de Fabian atormentavam o meu pensamento desde que tínhamos firmado a data e hora da missão.

- Estamos lutando contra um Lorde das Trevas. Perigo é sinônimo de realidade, James. - Al sorriu para mim. - Também não queria arrastar você para isso, mas se quisermos ir para casa, precisamos ter sucesso nessa missão. Por nós cinco. Seis, se contarmos o quanto Lily deve estar choramingando por causa do Cygnus.

- Deus, eu odeio que você me lembre disso. - eu joguei a cabeça para trás.

- Nós namoramos as irmãs dele. - Al lembrou. - Não temos direito de reclamar.

- Eu sei. Mas não deixa de me dar nos nervos. - eu sacudi a cabeça. - Satisfeito com as contas?

- Sim. Vamos repassar os passos. - Al se ajeitou na cadeira e nós começamos a traçar o plano de novo, cogitando possíveis acontecimentos no meio do caminho e o que fazer caso tudo fosse para o inferno.


O jantar foi silencioso. Evan nos lembrou, novamente, sobre os cuidados que tínhamos que tomar em locais como este, sobre nunca esquecer de procurar por maldições ocultas e nunca, jamais, deixar o outro para trás.

Como se essa última parte fosse uma opção: era mais fácil achar um trasgo que cheira como jasmins do que deixar meu irmão para trás.

- Tenha cuidado. - Electra me estendeu uma bolsa magicamente aumentada, vazia para encher de provisões para poções. - E volte vivo e inteiro.

- Vou fazer meu melhor. - eu prometi, mas aquilo não pareceu suficiente para Electra, já que ela me lançou um olhar azedo. - Eu vou. Prometo.

- Se precisar abandonar a missão por questão de segurança, abandone. - ela colocou as mãos sobre os meus ombros. - Se qualquer coisa não for como o planejado, cancele tudo e volte. Acharemos outro jeito.

- Tudo bem. - eu assenti. Electra respirou fundo:

- E, por favor, se precisar, peça ajuda. Estamos todos aqui, a postos por vocês. Iremos em um piscar de olhos. Se vir mais de um comensal da morte, avise. - ela pediu. - Eu irei.

Apesar de sentir que não deveria, eu me senti reconfortado pela promessa de Els. Ela viria, se eu precisasse. E se havia alguém em quem eu podia me apoiar sem medo de represália ou então de assustar, era ela.

Se eu mostrasse fraqueza para os outros, o pânico seria geral. Eu via isso nos rostos e nas mentes deles, toda vez que eu tinha alguma incerteza: se eu estava incerto, aquilo não funcionaria. Então, minha tarefa era sempre ser otimista e planejar tudo, como se nada fosse dar errado.

Mas Electra nunca tinha exigido isso de mim, embora eu a colocasse no mesmo grupo e expressasse otimismo perto dela - ela não teria medo se eu dissesse que tinha medo ou se dissesse que não tinha certeza sobre algo. Sempre que algo assim acontecia, com mais frequência nos nossos anos em Hogwarts, ela tinha me ajudado e não falado nada para ninguém.

Então por que eu não podia deixá-la saber que eu estava apavorado com a ideia de ficar para sempre preso na década de setenta? Por que não contava a ela sobre meu medo de causar a morte de um dos nossos irmãos? E se mais alguém morresse? Como eu lidaria com isso, com todo o peso das responsabilidades que eu vinha assumindo?

Com Gideon morto, Pontas e eu dividíamos parte das tomadas de decisão - meu avô e eu pensávamos parecido, mas ele tinha uma abordagem nada convencional, nada como eu faria com base nos meus treinamentos de verão com os Aurores.

Aquilo tirava meu sono com uma frequência que eu pensava não ser possível. Não com tanto estudo envolvido em destruir o canalha do Riddle.

- James? Está tudo bem? - Electra segurou o meu rosto com ambas as mãos, os olhos cinzas cheios de preocupação.

- Mantenha a casa segura. - eu pedi, ainda olhando no fundo dos olhos dela. - E fique alerta. Se eu precisar, irei pedir por você. E vá preparada para o pior, como veio aqui quando eu fui sequestrado.

Els assentiu, séria, engolindo em seco.

- Tudo pronto. - eu beijei Els rapidamente. - Vamos. Está na hora de você transformar o Alvo em um corcunda rabugento.

Aquilo pareceu quebrar parte da ansiedade dela, já que Electra riu enquanto eu a puxava para fora do quarto.


Electra não levou mais do que meia hora transformando Alvo: os olhos verde-esmeralda eram agora de um tom marrom-lamacento, acompanhado por sobrancelhas espessas tão loiras quanto os cabelos, um nariz adunco e lábios finos. A corcunda era imensa e ela tinha pedido a Al que mancasse enquanto andava, parecendo satisfeita quando meu irmão a obedeceu prontamente e, depois, atirou um amontoado de vestes simples e cinzas para meu irmão:

- Você é um aborto, ajudante de um bruxo velho. - ela lembrou. - Aja de forma submissa, nunca erga os olhos do chão, carregue as coisas.

- Feito. - a voz de Al soou estranha saída daquela boca cheia de dentes tortos. Anabelle fez careta, arrancando uma risada alegre de Cygnus, e Alvo foi se trocar.

Na minha vez, Els não poupou magia também. Meus cabelos eram brancos e encardidos, pouco acima dos ombros e ralos, e eu tinha uma barba rala e desigual - aquilo era ultrajante, já que eu nunca tinha tido uma única falha da minha barba desde os quinze anos, um verdadeiro milagre adolescente - com uma pele enrugada e grossa como se fosse couro. Ela tinha aumentado a minha altura e me enchido de rugas e pele flácida, me deixando com uma aparência emaciada. Meus olhos agora eram de um tom azul aguado, como de um lago parado, e eu também tinha sobrancelhas espessas e brancas, um nariz com aspecto parecido com o de um rabanete - e tão vermelho quanto - e lábios enrugados e finos.

- Merlin, você é realmente boa. - Fabian elogiou quando Els me deu vestes puídas, mas de qualidade visivelmente superior às de Alvo.

- Obrigada. - Els abriu um sorriso leve. - Você é um bruxo idoso, que veio à Inglaterra a passeio. Seus netos estão ansiosos pelo seu retorno e esperam presentes e seus nomes são Anna e Aleksander. Você tem dinheiro, mas não gosta que os outros saibam. Você é idoso, então ande como um. Nada de sair batendo perna alegremente por Diagon Alley, você está viajando para comemorar sua recente cura de Varíola Dragoniana e seu único vestígio, agora, é quando você espirra.

- Perdão? - eu olhei Els, que fez uma cara inocente:

- Tente.

Eu marchei até um dos vasos que Anabelle tinha decorado com perfeição, cheio de rosas, e fiz questão de cheirar flor por flor, sabendo que aquilo causaria espirros.

Então, quando as fagulhas saíram pelo meu nariz, eu olhei para Electra, com horror. Ela sorriu mais ainda:

- É uma azaração inocente. Depois eu desfaço. Só preciso que você seja fiel à história. - ela pediu e eu assenti. - E não ande assim! Você é um idoso recém-curado de Varíola Dragoniana.

- Certo. Vou me vestir. - eu sacudi a cabeça, sem segurar uma risada, e fui para outro cômodo me trocar.


Al e eu fomos para a floresta com nossas bolsas pequenas e nossas varinhas ao alcance. Era um dia frio para fevereiro, mas ainda melhor do que o começo do ano - a única reclamação, de fato, era da chuva fina que caía e transformava o chão em uma mistura de neve e lama.

- Sr. Wilk, cuidado. - a voz de Al soou preocupada, mas eu podia ouvir um fundo de diversão. Eu lancei um olhar de alerta para meu irmão, sem responder. - O chão está lamacento, senhor.

- Eu sei, posso sentir sob as minhas botas, Albin. - eu retruquei, soando tão rabugento quanto me sentia.

Alvo agora era Albin, a versão polonesa de seu nome, e eu era Gerard, puramente porque eu tinha optado por um nome completamente diferente do meu - eu não queria laço algum com a aparência pouco agradável que eu tinha agora.

Al e eu aparatamos em um beco em Londres - ele com um braço me ajudando a andar, apesar de estar mancando pela maior parte da caminhada também, o que atraiu mais atenção do que eu gostaria: Al parou de mancar para chamar menos atenção.

Pequenos ajustes, nada para se abalar.

Quando chegamos ao Caldeirão Furado, não havia ninguém esperando para ser atendido - Tom, graças a Merlin, estava ali e abriu um sorriso banguela para Al e eu:

- Boa noite, senhores, posso ajudar?

- Boa noite, boa noite. - eu assenti, como tinha visto vários bruxos idosos fazerem antes. - Este é meu assistente, Albin, e eu sou Gerard Wilk, viemos de longe. Estou comemorando minha recuperação da Varíola Dragoniana.

- Ah, Merlin, que boas notícias! - Tom juntou as mãos, com uma expressão agradável. - De onde são?

- Polônia. - Alvo respondeu, a voz propositalmente mais rouca do que o habitual.

Esperto.

- É uma viagem e tanto! Sente-se e fique à vontade. Temos comida, bebida e quartos à disposição. - Tom nos levou até uma mesa próxima. - O quarto maior fica no térreo. O que o senhor acha? Posso dar um desconto, como um presente, o que acha?

- Parece ótimo. - eu sentei na cadeira com ajuda de Al, que parecia alegre com a tarefa. - Albin, escolha o que iremos jantar.

- Sim, senhor. - Al olhou o cardápio e os olhos brilharam em alegria. - Ah, Tom, Pudim de Rins parece ótimo! O Sr. Wilk ainda está frágil e os dentes não são muito bons, acho que é uma ótima alternativa.

Verme miserável.

Alvo estava tendo o melhor momento da vida dele.

Eu o socaria assim que chegássemos à mansão.

- Claro, senhor. Algo para beber?

- Algum suco. - eu quase lati para Alvo, que assentiu e pediu suco de abóbora para Tom, depois que o estalajadeiro sugeriu a bebida. - Vou tomar um banho depois de comer. Tom, há alguma loja aberta a esta hora?

- Ah, claro que temos! Mas eu sugiro que o senhor evite algumas partes do lugar. A noite não é tão segura quanto o dia. Mas há lojas abertas, sim. - Tom pareceu sério. - Algumas ainda abertas, ficam até tarde da noite, às vezes até de madrugada. Mas evitem Knockturn Alley, não é um bom lugar para se visitar a essa hora.

- Obrigado. - eu assenti e Tom fez uma mesura, antes de se afastar. Al me encarou, os olhos castanhos cheios de inocência:

- O senhor precisa de mais alguma coisa, Sr. Wilk?

- Não, garoto. - eu cortei, seco, ignorando o sorriso que Al brigava para conter. - Separe as moedas e vá pagar o rapaz adiantado.

- Sim, senhor. - Al saiu em direção a Tom e eu comecei a contar até dez para não azarar meu irmão e ter que cancelar a missão antes mesmo de começá-la de fato.


- Não abuse da sua sorte. - eu alertei Alvo, que fez uma cara de inocente, depois de lançar um Abaffiato sobre o lugar:

- Estou fazendo meu papel. - ele respondeu, a voz serena me tirando ainda mais do sério.

Irmãos mais novos eram terríveis. Como Electra aturava Cygnus, que era ainda pior que Alvo, eu não sabia.

- Mais um dedinho fora da linha e eu vou te amassar na porrada, entendeu?

- Mas eu só estou fazendo meu papel! - Al riu, alegre. Eu mostrei o dedo do meio para o meu irmão e fui para o banheiro.

Alvo Potter era o pior melhor irmão do universo.


Toda a alegria de Al se esvaeceu quando nós saímos do Caldeirão Furado e fomos caminhar pelas pedras tortas de Diagon Alley. As poucas lojas abertas estavam recheadas de visitantes, todos ansiosos com a Páscoa que se aproximava, em busca de ovos mágicos para as crianças e chocolates da maior variedade possível.

Al me ajudava com a minha caminhada miserável, enquanto eu gastava o dinheiro dos Nott sem piedade: um blusão dos Tornados de Tutshill custou uma pequena fortuna, mas Al fingiu alegria com o presente que Gerard deu ao assistente Albin - ignorando completamente a preferência de Albin pelo Chuddley Cannons. A neta Anna receberia presentes: um Semanário das Bruxas que falava sobre poções para estresse e raiva desproporcionais e um laço de cabelo que brilhava e soltava pequenos raios cintilantes, assim como um pequeno globo de neve com um papai noel que voava em uma vassoura ao invés de um trenó - este último item estava em liquidação. Aleksander receberia um globo de neve com um troll mostrando o dedo do meio - o que causou gargalhadas a Al - assim como um jogo de quadribol que era comandado por magia e os bonecos realmente voavam, além de um chapéu bruxo com uma águia empalhada.

Presentes excêntricos e dignos de um avô que não se importava com regras dadas pelos pais das crianças.

- Isso parece bom. - eu parei na frente da sorveteria Fortescue, o que eu sabia que Els mais sentia falta. - O que acha de um sorvete, Albin?

- Parece ótimo, Sr. Wilk. - Al assentiu, como se entendesse perfeitamente onde meu pensamento me levava. - Podemos levar um pouco para seus netos.

- Sim, sim, podemos. - eu concordei, mais energético do que talvez devesse. - Boa noite, senhor. Vocês têm sorvete de chocolate com framboesas para viagem? - eu perguntei, lembrando do favorito de Els. Al pisou no meu pé com discrição. - E de chocolate com nozes? - eu lembrei do sorvete que costumava fazer Els me arrastar para Diagon Alley quando a irmã estava triste.

- Boa noite, senhor. - Fortescue era muito mais jovem do que eu me recordava. - E sim, temos os dois. Um pote para viagem de cada?

- Sim, sim, por favor. - eu assenti, pescando parte das últimas moedas que eu tinha.

Dali em diante, seria tudo puro caos. Al e eu saímos da sorveteria, com os potes em mãos e nos enfiamos em um beco longe dos outros para guardar os sorvetes em uma das bolsas magicamente aumentadas - onde eu vinha guardando os presentes. A bolsa de Alvo era exclusivamente para ingredientes da tintura. Eu olhei em volta e nós saímos, Al ainda me ajudando a andar, argumentando sobre o lugar que eu queria ir - uma das várias entradas de Knockturn Alley - parecer esquisita, principalmente pela iluminação precária.

Como um idoso na sua forma mais genuína e teimosa, eu ignorei o jovem assistente e segui mancando sem ajuda até a entrada, onde o pobre Albin xingou alto em polonês (ou o que eu supunha ser polonês, já que não fazia ideia do que ele havia dito) e correu para ajudar o pobre Sr. Wilk a andar pela travessa torta e suspeita.

Pelo menos eu estava fazendo um trabalho melhor do que Tia Hermione fingindo ser Belatriz Lestrange.

Diferentemente de Diagon Alley, Knockturn Alley estava com todas as lojas abertas - apesar de já ser nove horas da noite. Não havia nenhum Comensal da Morte a vista, o que era tranquilizante, mas não significava que eles não estavam ali. Só não estavam em lugares visíveis.

A tranquilidade se foi tão rápido quanto apareceu.

Como se para passar tranquilidade para mim, a Runa no meu peito se esquentou e o coração de Els ficou com a batida mais forte, porém num ritmo tranquilo, sem traços de ansiedade ou preocupação, a magia dela se entrelaçando na minha de uma forma tão natural que era como se fosse minha.

O que era agradável se tornou desagradável quando a magia dela me permitiu ver os traços de magia negra e as coisas horríveis que habitavam esse lugar.

- Sr. Wilk, acho que devemos voltar. - Al disse, a voz soando preocupada, mas era a dica que tínhamos combinado. Ele diria isso quando chegássemos ao boticário que ele tinha escolhido como alvo do nosso assalto planejado.

- Bobeira, rapaz. É só mais uma rua. - eu rebati, displicente, pausando brevemente para ler os anúncios do boticário. - Parece exótico, não acha? Vamos, entre comigo.

Al fingiu relutância, entrando comigo no boticário, onde claramente uma Megera fazia compras e um bruxo de um metro e meio argumentava sobre o preço de sangue de unicórnio.

Alvo tinha me levado para um lugar desse nível?!

Eu explodiria aquilo com prazer.

Eu olhei, com interesse fingido, os olhos humanos em conserva em um vidro, depois olhos de bode, seguindo para ossos humanos e mais ingredientes que certamente não eram convencionais e eram usados em magia negra. Havia também Ditamno, asas de morcego, baço de rato, coisas que usávamos nas nossas aulas - e que faziam parte de qualquer boticário comum.

- Posso ajudar, senhor? - uma bruxa tão idosa quanto a minha forma me encarava, tão baixa que o topo de cabeça alcançava meu peito.

- Ah, estou visitando. - eu abri um sorriso alegre. - Este lado de Diagon Alley não foi mencionado nos guias de turismo, o que é ultrajante! Não existem boticários como este no meu país. Tudo isso é arranjado de forma… Não convencional, senhora, se me entende.

- Ah, eles nunca nos mencionam mesmo. - ela fungou, subitamente sem qualquer tipo de suspeita. A mente dela se acalmou: eu era só um velho bruxo estrangeiro e que certamente praticava magia do pior tipo. - Procura algo em específico, senhor?

- Ah, gostaria que você me mostrasse suas plantas mais venenosas. Veja, estou construindo uma estufa, mas estou com dificuldade em encontrar algumas espécies. Albin, me ajude, por favor. - eu acelerei Al, que estendeu o braço para mim e nós seguimos a mulher que, ingenuamente, nos levou para o coração da loja.

Na terceira planta que eu fingi maior interesse, uma bomba de Pó de Escuridão Instantânea do Peru explodiu exatamente onde estava o bruxo que comprava sangue de unicórnio - eu e Al o tínhamos escolhido como alvo puramente pelo horror do que ele queria fazer. Al, ainda na forma de Albin, gritou em polonês novamente, jogando o corpo corcunda sobre o meu quando a bruxa gritou em horror. Al estuporou a mulher e os outros dois bruxos, assim como a Megera que fazia compras. Eu me levantei, com pressa, bloqueando a entrada da loja com feitiços e corri com meu irmão na escuridão, tateando nosso caminho até o estoque.

Nós subimos uma escada, guiados puramente por instinto e confiança no outro, e chegamos ao andar superior, que não tinha sido afetado pelo Pó. Al estava inteiro e pareceu aliviado quando viu que eu também estava.

Nosso maior alívio foi ver a placa em bronze na porta: Estoque.

- Aqui. - Al murmurou, destrancando a porta com um Alohomora simples e nós dois demos um passo para dentro.

Apenas para sermos encharcados por água. Eu praguejei, furioso, esquecendo o sotaque polonês por um momento e olhei para Al, preocupado.

Alvo que não era mais Albin. Porque agora, meu irmão estava com a aparência que tinha e não aquela que Electra dera a ele. E dada a expressão de horror dele, eu também tinha retornado à minha aparência original.

- É melhor a gente correr. - Al ignorou completamente o papel. Já estávamos expostos, não havia motivo para fingir ser polonês agora.

Al e eu corremos para o estoque que, graças a Merlin, estava organizado por ordem alfabética. A quantidade de beladona que Al pegou era alarmante: o suficiente para manter metade da população bruxa de Londres desesperada.

- Tudo isso? - eu olhei meu irmão, que enfiou a planta desidratada, a essência, assim como as flores e folhas frescas, em uma bolsa, usando luvas para garantir que não morreria no processo de assaltar uma loja.

- Pouco mais do que eu preciso. Melhor prevenir. - Al respondeu, fechando a bolsa e correu em direção às plantas de inicial M. - Ande, me ajude!

Eu obedeci, arrancando caixas do caminho, ignorando o cheiro suspeito de algumas delas, até chegar nas raízes de madrágora que Al queria.

- Pegue tudo. - Al ordenou e eu obedeci, derrubando as três caixas inteiras dentro da bolsa de Alvo, exatamente quando ouvi a porta ser aberta com um estrondo. Al me encarou, os olhos arregalados. Antes que a bruxa baixinha pudesse nos ver, eu agarrei a mão do meu irmão e aparatei para a Mansão Nott.


Alvo e eu fizemos a caminhada do terreno úmido até a Mansão em silêncio, apesar do objetivo da missão ter sido alcançado. Quando chegamos à Mansão, que permitiu nossa entrada em vista da nossa estadia prolongada, ninguém nos esperava na sala de cristais, como tinha sido combinado. Mas, para meu alívio e de Al, eu podia ouvir Cygnus e Electra discutindo calorosamente a respeito de magia do tempo.

Era bom que ela tivesse encontrado uma pessoa além de mim para discutir essas coisas, mas era péssimo porque agora tínhamos dois alucinados por magia avançada e aquilo era preocupante, se você levasse em consideração o temperamento das duas pessoas envolvidas na questão.

- Nós erramos em não procurar por armadilhas. - Al comentou, enquanto nós seguíamos pelo corredor até a sala onde o Achilles e Ben estavam e de onde a discussão vinha.

- Foi um erro estúpido e que não pode acontecer de novo. - eu concordei e nós paramos à porta. - Pronto para o sermão?

- Nunca. - Al empurrou a porta, chamando atenção do grupo imenso que nos esperava. - Sucesso, pessoal. - ele ergueu a bolsa do ombro e a colocou gentilmente sobre uma mesa.

- Isso foi rápido. - Anabelle ficou de pé, deixando a mamadeira do unicórnio com Fabian. Achilles olhou para mim, como se me avaliasse, mas permitiu que eu me jogasse ao lado dele e de Electra.

- Foi. - Al concordou, soltando o corpo sobre uma poltrona puída e escura. - Mas ninguém morreu, ninguém foi amaldiçoado e ninguém cometeu crime nenhum.

- Você roubou. - Els foi categórica, um livro velho e poeirento em mãos. - Isso constitui um crime.

- Eles vendem sangue de unicórnio. - eu olhei Electra, que franziu os lábios. - Eu colocaria fogo com todos dentro, mas não tive tempo.

- Então assassinato realmente está no seu rol de opções. - Al assentiu. Electra franziu a testa, mas não questionou.

Aquela era uma conversa para mais tarde, só entre nós dois, no nosso quarto.

- E por que estão tão encharcados? E em sua forma verdadeira? - Cygnus questionou. Eu suspirei, mas Al respondeu:

- Demos bobeira e não pensamos nesta possibilidade quando chegamos ao estoque. - Al disse, sem dizer exatamente que não tínhamos procurado por nada e simplesmente entrado.

Não era uma mentira, mas não era uma verdade total.

- É por isso que uma pessoa de família com raízes suspeitas na magia negra é sempre necessária em lugares como este. - Evan sacudiu a cabeça. - Estão bem? E o Caldeirão Furado?

- Deu tudo certo, exceto pelo final. - eu admiti, sacudindo a cabeça. - O Pó de Escuridão Instantânea do Peru foi perfeito, nós estuporamos todos e depois fomos para o estoque. Uma bruxa acordou ou foi acordada e nós aparatamos antes que ela nos visse.

- Foi triste. Eu queria mais ação. - Al reclamou. Anabelle encarou meu irmão:

- Está soando como um grifinório.

- Retiro o que disse, foi uma saída espetacular. Nunca fomos pegos e nem identificados. Isso soa como uma vitória para mim. - Al abriu um sorriso galante para a namorada, que revirou os olhos, mas riu.

- Pelo menos estão bem. É uma pena que Tom não vá receber o dinheiro da estadia de vocês. - Sirius sacudiu a cabeça.

- Ah, não, ele foi pago de forma adiantada. O Sr. Wilk iria embora cedinho com Albin para a Polônia. - a voz de Al soou inocente e eu não pude deixar de acompanhar as gargalhadas na sala.

Alvo era o pior melhor irmão do mundo.