NOTA:

Pessoal, pedimos desculpa pelo atraso! Aconteceram algumas coisas durante essa semana, então as coisas ficaram meio bagunçadas. De qualquer forma, aqui está o capítulo da semana! Esperamos que gostem :)

As autoras.


ELECTRA ADHARA BLACK

O jornal da manhã trouxe a notícia: Knockturn Alley ATACADA durante a noite: mais um ataque Daquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado passa despercebido pelo Ministério da Magia.

Eu ergui as sobrancelhas, incapaz de segurar um sorriso quando o ataque ao St. Mungus foi mencionado, lembrando de um ataque dentro do hospital que, em tese, estava seguro por ter uma dúzia de aurores que simplesmente não perceberam a presença de ninguém menos do que Belatriz Lestrange e mais três Comensais da Morte.

- Ah, estas são realmente boas notícias. - James riu, lendo o jornal sobre a minha cabeça e me deu um beijinho na bochecha antes de apoiar o queixo no meu ombro. - Al está finalizando a tintura e deve estar pronta para ser usada esta noite, porque precisa descansar. O que acha de tentarmos amanhã?

- Pode ser. Vou terminar os últimos ajustes. - eu suspirei e James deu mais um beijinho na minha bochecha antes de sentar ao meu lado, enchendo a xícara de café. - Vai ficar comigo enquanto faço o teste?

- Claro que vou. - James prometeu. - Qual vai ser o objeto de teste?

- Uma pedra. - eu mordi uma torrada. - Vou fazê-la viajar cinco minutos no futuro.

- Perfeito. Você pode escolher a hora? - Cyg bocejou. Ele tinha madrugado, junto com Bells e Al. Eles tinham tomado café antes do amanhecer, o casal indo para o laboratório em seguida e Cygnus tinha ido refazer as contas da mandala, porque não queria arriscar um erro, mas tinha descido para um café.

- Claro que posso. Preciso ter uma ideia de onde vamos parar. - eu sacudi os ombros. - Espero que funcione. Será como um código, por assim dizer, não uma runa única. Preciso incorporar muitas coisas e uma runa só não vai adiantar.

- Entendo. - Cyg virou o restinho de café na xícara e se levantou. - Vou terminar a minha revisão e volto a te encontrar na biblioteca.

- Ok. - eu respondi e olhei Sirius, que parecia absorto, porém alegre, com o jornal em mãos. - Está satisfeito em como as coisas estão indo?

- Bastante, sim. - ele ergueu os olhos idênticos aos meus, um sorriso leve no rosto. - Vocês são terríveis, fico feliz que estejam deste lado. Seus pais sabem das coisas que vocês fazem?

- Papai me ensinou a maior parte das coisas que eu faço. - eu revirei os olhos.

- E as outras coisas que ele não ensinou? - Reggie perguntou, um sorriso torto no rosto.

- Isso foi um amontoado de coisas aprendidas com mamãe, meus irmãos, os Weasley, Potter e, claro, meu próprio cérebro. - eu sorri de volta.

- Uma família caótica. - Alyssa cortou o ovo frito com elegância.

- Minerva quase chorou no dia em que viu James e eu entrando juntos no primeiro ano. - eu mordi uma torrada, enquanto Sirius e Pontas caíam na gargalhada. - Algo sobre: de novo, não. Foi pior quando os gêmeos e Al apareceram. Éramos cinco e depois veio Lily e éramos seis. Sem contar os Weasley, que também são um trabalho à parte.

- Parece divertido. - Evan sorriu para mim, mas ficou sério em seguida. - Em que pé estamos com as coisas? Sua runa está quase pronta, o que tira um problema do nosso colo, mas ainda temos as Horcruxes. Duas delas.

- Estou organizando em um mapa e a logística necessária para tudo. - Remus respondeu, enfiando bacons na boca. - Acredito que em alguns dias teremos uma nova missão.

- Perfeito. - Lily pareceu satisfeita. - Hora de passear um pouquinho.

- Vai ser divertido. - os olhos de Aric brilharam.

- Vamos dividir a missão em duas partes. - Remus adiantou, tomando um gole de suco de laranja. - Primeiro reconhecimento do terreno e localização das Horcruxes, depois iremos pegá-las, simultaneamente. Deverão ser destruídas aqui.

- Acho melhor. - Reggie assentiu e ficou de pé. - Com licença. Vou à biblioteca estudar mais sobre Inferi. Sirius, pode ajudar?

- Claro. Vamos. - os dois saíram, ambos com as mãos nos bolsos, parecendo displicentes e animados com a nova progressão das coisas.

- Nós deveríamos ir também. - eu olhei James, que me seguiu em seguida para a biblioteca.


- Então, como vai ser? - James questionou, depois que eu o inteirei sobre como era o processo de fazer a mandala e as runas de segurança. - Até agora é bem parecido com o seu esquema para a Magia Ancestral.

Eu me recostei na cadeira, suspirando:

- Todas as runas têm mais de um significado, o que importa é o contexto. Raidho sozinha não significa viagem, mas quando colocada de uma certa forma, é isso que quer dizer. - eu expliquei, enquanto James prestava atenção a cada palavra. - Estou trabalhando em criar algo que indique tempo, em específico e, enquanto não venho com uma runa específica para isso, iremos trabalhar com códigos. Se colocarmos Raidho ao lado de Othala podemos ter uma indicação de volta para casa, assim como se associarmos Eihwaz nisso, já que ela pode significar passagem e equilíbrio, a depender do contexto. Nesse momento, enquanto não tenho nada que indique tempo, em específico viagem no tempo, podemos tentar usar essas três runas mais o período no qual temos intenção de ir e, com sorte, termos sucesso. Se funcionar perfeitamente, em diversas ocasiões e, posteriormente, com objetos vivos, eu abandono a runa do tempo e fico só com o código. Enquanto não for seguro, vou tentar inventar isso.

- Dagaz não pode entrar como uma possibilidade para tempo? - James questionou, sério.

- Não necessariamente. - eu ponderei. - Talvez. Vou colocá-la na lista. - eu puxei o pergaminho de anotações e anotei dagaz como uma nova runa base. Alguns dicionários a mencionam como significando dia, mas outros dizem que é luz, conhecimento divino.

- Essa coisa é muito confusa. - James resmungou.

- É, mas Aritmancia é pior. - eu encolhi os ombros. - Isso é magia avançada, James. Alquimia em sua forma mais pura. Estamos criando algo, não apenas imitando o que nos foi ensinado. Criar é muito mais difícil, olhe como Al sofreu com essa tintura.

- Ele estava muito frustrado. - James admitiu, sacudindo a cabeça. - E qual o seu código?

- Por enquanto Raidho, Othala e Eihwaz. - eu suspirei, embora algo me disse que aquilo não ia sair muito certo. - É o que temos por enquanto. Eu consegui reduzir a lista que tinha antes, o que já é alguma coisa, e irei misturá-las. Idealmente, isso manterá a função das mesmas.

- Como a runa em nosso peito. - James assentiu e eu concordei:

- Sim. Mas ainda não sei como isso irá se comportar. - eu ponderei. - Por isso precisamos de um ambiente controlado, sabendo exatamente o que e quando as coisas vão acontecer. Pode ser que a combinação para irmos para casa seja essa que eu lhe disse, mas pode ser que não funcione nessa ordem e eu precise reorganizá-las.

James esfregou o rosto, incomodado:

- Isso pode levar anos. - ele disse, parecendo um pouco desanimado.

- Pode. - eu concordei, tão desanimada quanto. - Mas pode ser que semana que vem eu tenha a runa final.

- E aquela da Torre? - James questionou e eu sacudi a cabeça:

- Não existe ainda. - eu suspirei. - Eu e Cygnus reviramos a torre numa madrugada, fomos até o lado oposto de onde a encontramos e não havia nada. O chão de pedra estava completamente limpo, exceto pela poeira sob o carpete.

- Você se lembra de como ela era? Talvez ela tenha aparecido por sua causa. Pode ser sua criação. - James questionou e eu sacudi os ombros:

- Na época, não prestei atenção nos detalhes. Pelo menos, não na formação dela, nas runas originárias, apenas no desenho completo. Lembro que estava dentro de um heptágono com triângulos em torno dele, exatamente como a mandala criada por Cyg. - eu franzi a testa. - Pode ser que seja a runa que criarei.

- Pode ser. A runa tem que ser desenhada exatamente no local onde iremos viajar?

- Sim.

- Então, pode ser. - James tombou a cabeça e olhou para mim. - Mais tarde, antes de dormir, posso dar uma olhada na sua memória?

- Sim, talvez você consiga ver alguma coisa. - eu suspirei. - Por que não tenta os outros?

- Sua mente é um lugar conhecido e confortável. - James admitiu. - Os outros… Eu claramente não sou bem-vindo lá e, honestamente, não tenho vontade alguma de ir parar em uma memória que envolva meus irmãos com os seus irmãos.

Eu fiz uma careta:

- Merlin, eu entendo. Pode ver minha memória mais tarde, antes de dormir. Você sabe que eu fico com dor de cabeça depois.

- Eu sei. - James sorriu torto para mim. - Esse seu código tem alguma semelhança com a sua memória da runa?

- Bem, - eu franzi a testa, tentando trazer a memória de volta, porém a imagem da runa era vaga, quase apagada. - há um traço semelhante a Raidho e Othala. - eu franzi a testa. - Talvez um risco vertical? Mas não sei o que é. Não lembro.

James se inclinou na minha direção:

- Desenhe sua runa para mim. - ele empurrou um pedaço de pergaminho e eu fiz o pequeno desenho que eu tinha criado depois de muitas horas pensando, porém sem imbuir magia ali.

Não estávamos em um ambiente seguro e sem runas de proteção, eu podia causar um estrago e tanto.

- É simples. - James ponderou, pensativo, quando mostrei a ele a runa criada, uma mistura de Rhaido e Otalha, principalmente, mas com um Eihwaz meio deformado escondido em meio aos traços.

- Vamos testar isso. - James ponderou. - Já escolheu as runas que ficarão nos espaços em volta da runa principal?

Eu joguei um pedaço de pergaminho para ele:

- Só essa listinha. - eu encolhi os ombros, apontando para a dúzia de runas escolhidas e avaliadas durante todas essas semanas gastas com pesquisa teórica. James assobiou, olhando para mim:

- Vou te ajudar com isso. Já escolheu onde cada uma vai?

- Preciso da ajuda do cérebro de Cygnus. Vou ter que usar aritmancia para associar a runa na casa correta ou tudo pode ir por água abaixo. - eu suspirei e James fez careta:

- Faça com uma pedra primeiro.

- Uma bem pequena e inocente, que não será capaz de matar nada acidentalmente. - eu concordei, arrancando um sorriso de James.

- Vamos começar a organizar a mandala, então. - James esticou o pescoço, olhando sobre a minha cabeça. - Ei, Cygnus! Vamos, Electra e eu queremos organizar as runas dentro da mandala!

Cygnus gritou em concordância e eu puxei minhas anotações, ansiosa, para abrir espaço para meu irmão sentar com a gente. Com a proximidade do primeiro teste agora tudo se tornava real demais: se tivéssemos sucesso, nós poderíamos voltar para casa - o meu maior desejo no momento era simplesmente sentar ao lado de papai e chorar e chorar até dormir, enquanto ele me tranquilizava fazendo carinho no meu cabelo.

Eu tentei focar nas runas e seus diversos significados enquanto Cygnus abria um pergaminho e desenhava a mandala sem pressa.


Alyssa e Evan se juntaram a nós depois do almoço - o qual eu tinha comido com certa dificuldade, dada a dor de cabeça do esforço acadêmico associado ao controle que eu tinha que exercer sobre a Magia Ancestral. A minha magia reconhecia aquela runa nova e a mandala como alquimia, como Magia na sua forma mais pura e bruta, sem nenhuma limitação além daquela imposta por nós com as runas de controle e proteção que seriam colocadas dentro da mandala.

- O que acha de se deitar um pouco? - Evan perguntou, colocando uma mão sobre meu ombro quando eu abaixei a cabeça, com tanta dor de cabeça que estava nauseada, e massageava as têmporas.

- Preciso terminar isso aqui. - eu fechei os olhos com força, tentando me convencer que quando os abrisse, a dor passaria.

É claro que não passou e a luz do sol refletindo no vidro da janela quase me cegou.

- Você não está em condições de mexer com alquimia. - Aly disse, séria. Do meu outro lado, James passava um braço em torno dos meus ombros:

- A sua magia está agitada. Há algo errado? - ele perguntou, gentilmente.

- Magia Ancestral e Alquimia andam sempre juntas. - eu murmurei, apoiando a cabeça no ombro dele. - Semelhante reconhece semelhante.

- E sua magia está se rebelando porque estamos criando uma mandala com runas de proteção e uma nova runa. - Cyg completou.

- Ela quer agir. Quer criar. - eu mantive os olhos fechados. - Talvez eu realmente precise me deitar um pouco.

- James, leve-a para o quarto de vocês. Vou pegar uma poção para dor na enfermaria. - Aly ordenou. James não precisou de segunda ordem para passar um braço sob meus joelhos e me levantar sem dificuldade:

- Precisamos de mais alguém? Alguma outra coisa a ser feita?

- Por enquanto, não. Ela precisa se afastar disso. - eu senti a mão quente de Evan fazer carinho na minha bochecha. - Electra tem controlado a magia desde a manhã. É de se admirar que tenha aguentado tanto tempo.

- Ela é forte. - a voz de Cyg soou ansiosa. - Vamos deitá-la, James.

O Potter não precisou de segunda ordem.


Cygnus parecia uma mãe galinha com penas eriçadas de preocupação, andando pelo quarto com tanta ansiedade que eu ouvia os passos pesados dele no piso de madeira. James tinha me colocado na cama delicadamente, tirando meus sapatos sem muita cerimônia e depois desfez meu cabelo pacientemente.

- Mas ela está bem, certo? - eu pude ouvir Sirius soar preocupado do outro lado da porta do quarto.

- Sim, está. - Alyssa tentou acalmar os ânimos lá fora. - Ela fez muito esforço controlando a própria magia para não fazer nada por acidente na biblioteca.

- E esse barulho todo não ajuda em nada. - Bells completou. - Onde está Cygnus?

- Dentro do quarto. - Aly respondeu, prontamente.

- E por que eu não posso entrar, então? - a voz de Anabelle soou indignada e eu escutei a porta sendo aberta e, em seguida, os passos mais leves da minha irmã, sendo seguida por mais um punhado de gente.

Eu franzi a testa, puxando a coberta sobre a cabeça, depois de virar de lado: se eu ia vomitar, era melhor estar deitada de lado.

- Ela vomitou? - Al perguntou, preocupado.

- Não. E nem liberou magia alguma. - James respondeu, com a voz baixa, a mão pousada sobre a minha panturrilha, fazendo carinho.

- Não é melhor ela colocar para fora? - Reggie perguntou, um pouco mais longe, talvez perto da porta.

- A comida ou a magia? - Remus questionou e eu não segurei um sorriso.

- As duas. - Reggie respondeu, prontamente.

- Não agora. - James foi firme. - Lily, por favor, coloque todo mundo para fora do meu quarto. Por favor.

- Consegue cuidar dela sozinho? - Lily perguntou, séria, a voz dela mais próxima dos meus pés.

- Claro que consigo. E se não der conta, peço ajuda. - James pareceu ofendido. - Ela precisa descansar e ter uma dúzia de bruxos em torno da cama não ajuda.

- Bem, ele tem razão nisso. - a voz de Fabian era suave. - Ela está exausta. Precisa descansar primeiro e depois liberar um pouco da própria magia.

- Liberar magia não vai aliviar a dor dela mais rápido? - Caradoc perguntou.

- Pode ser que sim, mas se ela está com tanta dor que se recusa a baixar o cobertor para responder às nossas perguntas, - a voz de Fabian tinha um traço de diversão que me fazia lembrar muito de Gideon. Aquilo fez meu coração apertar. - ela não conseguirá ter controle sobre a própria magia de forma mais concreta. Pode ser que coloque fogo em toda a floresta sem querer.

- Deixem a garota dormir. - Aric foi firme. - Não ligo que queime a floresta maldita se quiser, mas ela pode se exaurir ao fazer isso. Então, deixem Els dormir e quando estiver melhor, ela pode ir colocar fogo em meio mundo. Merlin, talvez seja uma boa ideia soltá-la sobre os Lestrange se ela quiser atear fogo em alguma coisa.

Tentador.

- Todos para fora. - Lily ordenou e, depois de argumentos dos meus irmãos, todos foram colocados para fora. James foi o único a ficar, depois de prometer que qualquer coisa iria pedir ajuda.

O quarto de Bells e Al era no mesmo corredor que o nosso: isso significava que, muito provavelmente, meu irmão, Reggie, Sirius, Evan e Alyssa iriam acampar ali até eu dar as caras depois que a dor passasse.

- Todos saíram. - a voz de James era baixinha. - Pode parar de tampar os ouvidos, se quiser. Prometo ficar quieto.

Eu abaixei o cobertor, abrindo os olhos o suficiente para localizar o punhado de cabelos bagunçados sentado perto dos meus joelhos.

- Está com muita dor?

- Sim. - eu admiti.

- A poção ajudou?

- Um pouco.

- Você já tomou a dose máxima. - James respirou fundo. - A orientação era que, se não melhorasse, você ia tomar a poção para dormir.

- Não.

- Um banho? - ele sugeriu.

- Sim, por favor.

- Chamo alguém? - ele perguntou, delicadamente. Eu mantive os olhos fechados com força, ignorando o rosto quente:

- Contanto que não olhe nada que não deve, pode ser você. - eu cedi. A ideia de ter alguém me ajudando a tomar um banho era humilhante. E eu não queria um banho de fato: só afundar em uma banheira com água morna e alguém massageando o meu couro cabeludo parecia ser uma ideia maravilhosa.

- Tudo bem. Vamos, então. - James empurrou os cobertores para longe, lacrando a porta com magia antes de me levar no colo para o banheiro claro.

JAMES SIRIUS POTTER

Els pediu que eu a deixasse sozinha no banheiro por um momento, enquanto ela entrava na banheira para só então me deixar ficar com ela.

Então, enquanto Electra se ajeitava na banheira com água morna quase quente e cheia de espuma, eu fiquei em posição de guarda na porta, esperando pela ordem de entrar.

- Tudo bem. Pode entrar. - a voz dela era tão baixa que eu sabia que qualquer barulho a faria ver estrelas de tanta dor.

Els estava enfiada na banheira com espuma até quase a altura das clavículas, com parte da nossa runa em tinta preta reluzindo como se a luz da própria estrela que deu o nome a ela estivesse cedido o próprio brilho à magia que tínhamos conjuramos para o outro.

Os olhos dela permaneciam fechados, como se a luz do banheiro causasse dor à garota. O cenho franzido só comprovava aquilo que eu já sabia: Electra estava sentido muito mais dor e mal-estar do que tinha falado.

Eu acenei com a varinha antes de me agachar no chão ao lado dela, fazendo com que as luzes se apagassem e meia dúzia de velas se acenderem no banheiro, deixando tudo com uma meia-luz muito mais agradável e certamente menos dolorosa para ela.

Els entreabriu os olhos e, em seguida, um sorriso tímido brincou nos lábios dela:

- Obrigada, James. - ela murmurou, a voz ainda entremeada de dor.

- Sempre que precisar, Electra. - eu beijei a bochecha dela. - O que precisa que eu faça?

- Preciso lavar meu cabelo. - Els respondeu. - Às vezes lavar o cabelo ajuda com a dor.

- Como quando soltei seu cabelo hoje. - eu respondi e ela assentiu, fazendo careta em seguida. - Pode vomitar, se quiser. Não ligo.

Eu ligava, sim, bastante inclusive. Eu tolerava muita coisa, mas vômito era um tema delicado para o meu estômago. Mas Els precisava de cuidados agora e eu podia tolerar alguns segundos de cheiro de comida azeda.

Els manteve os olhos fechados e se ajeitou na banheira, puxando os joelhos para perto do peito e os abraçando com força, como se aquilo a ajudasse a controlar todo o mal-estar.

- Vou pegar um com cheiro menos forte. - eu disse, baixinho, estendendo a mão para o meu xampu quando ela não resmungou em discordância.

Electra era dona de muitos xampus, cremes e pomadas para cabelo, a maioria deles com cheiro de jasmins, mas eu sabia que qualquer um daqueles produtos só pioraria a dor dela.

Então, ela teria que se satisfazer com o meu xampu simples e barato.

Els deixou que eu molhasse o cabelo dela, agora sentado atrás dela em um pequeno banco conjurado por mim, e depois me deixou começar a lavar o cabelo dela com cuidado.

Aquela era a situação mais íntima que eu já tivera com alguém. Uma coisa era beijar e coisas além. Outra era cuidar de alguém enquanto a pessoa em questão estava se sentindo tão mal que precisava de ajuda para lavar o cabelo.

Els abaixou a oclumência sobre a nossa runa - havia dor ali, sim, uma dor de cabeça que fez meu estômago se revirar, mas aquilo não era a mensagem que ela queria me passar: a confiança cega, a gratidão pelo o que eu fazia agora, o amor eram muito mais intensos do que a dor que ela sentia agora.

Eu puxei o ar, como se tivesse recebido um soco no estômago. Uma coisa era saber que eu sentia isso por ela, outra completamente diferente era saber que ela sentia o mesmo, na mesma intensidade, por mim.

- Eu também te amo. - eu murmurei, dando um beijinho no ombro da Black, antes de voltar a massagear os cabelos pretos e grossos de Els. - Tanto quanto isso que você acabou de me mostrar.

A mão pálida e gelada de Els se soltou dos joelhos e ela estendeu a mão para a minha, segurando minha mão com força antes de soltá-la, sem dizer nada, e voltar a esconder o rosto entre os braços.

Eu respondi com mais um beijinho no ombro dela e voltei ao trabalho - eu ficaria ali até ela dizer que era suficiente.


Electra pediu para ir dormir depois de quase uma hora imersa na banheira. Eu já tinha lavado o cabelo dela, tinha feito o tratamento com o creme que ela queria - a pedido da garota - e massageado os ombros de Els quando ela pediu para dormir.

Ela me pediu para sair para se vestir sem pressa e, quando me deixou entrar novamente, só pediu para que eu secasse e penteasse o cabelo dela e, então, passasse a pomada.

Se eu soubesse que ela simplesmente não se importaria com o cheiro do xampu, eu tinha usado aquele caro dela. Mas eu não ia falar nada agora - talvez depois eu pedisse um pouco emprestado para testar: devia haver um bom motivo pelo qual aquela coisa custar tantas moedas.

Els se ajeitou embaixo dos cobertores e, depois que ela caiu no sono, eu corri para um banho rápido antes de deitar ao lado dela. Já estava escuro e, sinceramente, sair de perto dela nesse estado não era negociável.

Eu acabei caindo no sono bem depois de ver as luzes do corredor se apagarem.


Electra dormia a sono solto ao meu lado, na manhã seguinte. Eu não tentei acordá-la: Electra estava se recuperando de uma enxaqueca terrível e eu não ia arriscar piorar tudo só para perguntar se ela queria comer.

Então, como alternativa, pedi a Al que trouxesse um pouco de comida do café da manhã, tudo mais leve possível, simplesmente porque eu não ia sair do lado de Electra para ir atrás de comida.

- Ela está apagada. - Cygnus comentou. Os gêmeos e Al tinham vindo, todos de pijamas, e estavam jogados em poltronas e cadeiras conjuradas por magia. Eu tinha ficado na beira da cama, perto de Electra, com uma xícara de café.

- Ela tomou a poção para dormir. Ainda estava com muita dor. - eu cedi a informação. - O que acha de postergar o teste com a mandala?

- Enquanto ela não estiver bem, sem chance de usarmos aquela runa. - Cyg sacudiu a cabeça. - A Runa só será imbuída por Magia Ancestral e se a fonte de Magia Ancestral não estiver controlada, a Runa não será controlada e as coisas podem ser catastróficas.

Eu, Al e Bells olhamos para Cygnus, boquiabertos. Ele tomou um gole de chá:

- Electra me colocou para estudar. - ele acrescentou, displicente, mas as bochechas estavam um pouco mais coradas.

- Eu achei que a Runa só funcionaria com Magia Ancestral porque ela precisa de uma quantidade maior de magia para funcionar. - Bells disse, cuidadosamente. Cygnus sacudiu a cabeça:

- A Magia Ancestral dará quase um estado de senciência para a Runa e ela não precisará sempre ser imbuída de magia para que funcione. - ele explicou, colocando um tornozelo sobre o joelho, pensativo. - As Runas que conhecemos são todas sencientes, foram criadas para serem assim, de modo que sempre terão uma função, independente se aquele que a reproduz tem intenção de imbuir magia ou não. Ao serem criadas e dadas a senciência, elas sempre terão uma função. As Runas são mágicas por terem sido criadas para serem mágicas. Electra não está criando uma palavra nova, Anabelle, ela está criando magia.

Eu olhei para a Black deitada na minha cama, ainda se recuperando da enxaqueca. Ela não tinha me dito nada a respeito de estar criando magia.

Que mulher ardilosa.

Genial. Linda.

Sonserina por completo.

- Ela me assusta. - Alvo disse alto, arrancando um sorriso divertido de Cyg:

- Assusta todos nós. - ele disse com carinho. - Mal posso esperar para ver ela se explicando para Mamãe.

- E quanto a seu pai? - eu questionei. Atlas Black sempre tinha me assustado mais do que Aella Black.

- Ah, não. Ele vai querer saber o procedimento todinho. - Bells sorriu para mim. - Mas Mamãe? Electra vai ter que se explicar muito bem por causa daqueles dias que passou inconsciente.

Eu franzi o nariz:

- Para ser bem sincero, eu nem gosto de lembrar daquilo. - eu sacudi a cabeça. - Foram dias horríveis. Tive medo que ela nunca mais acordasse.

- Eu também. - Bells admitiu, subitamente séria. - Por isso estou com medo dessa runa.

- Ela não vai se afundar no próprio poder novamente. - Cyg explicou. - Vai aplicá-lo a alguma coisa, mas não vai precisar de uma âncora e nem nada do tipo. O que me preocupa é a estabilidade da coisa.

- É o que preocupa todos nós. - Al admitiu. - A tintura está segura. Bem, acredito que esteja. Segui parcialmente uma receita, mas adicionei outras coisas e, dessa vez, tudo seguiu como o programado. Só acho engraçado que a cor é diferente, meio azul, meio preto. - Al comentou.

- Hm. - Cygnus tamborilou os dedos sobre o tampo da escrivaninha. - A runa estava desenhada em uma tinta azul escura, como o céu à meia-noite.

- E brilho em azul claro, quase branco, quando foi ativada. - Bells recordou e o irmão assentiu:

- Acho que estamos no caminho certo. - ele se levantou, ajeitando o pijama. - Vamos deixar Els e James e ver o que falta organizar para esse teste.

Os outros dois não precisaram de segunda ordem e, depois de prometerem retornar antes do almoço, saíram com pressa. Eu voltei a olhar Electra, que ainda dormia, num sono pesado e, resignado, fui me trocar: eu ainda tinha algumas pendências das Horcruxes e sua caçada para resolver.


Electra dormiu até quase a hora do almoço. Quando ela decidiu se levantar, disse que já não tinha mais dor, mas que queria tomar um banho e trocar de roupa antes de descer. Eu esperei pacientemente por ela, enquanto revisava o que precisaríamos levar para o nosso pernoite na praia em busca da caverna com o medalhão - eram duas praias extensas e, provavelmente, uma delas estava cheia de magia. Els e eu teríamos que procurar com calma e, sabendo que talvez Voldemort tivesse alguém por perto, era melhor não fazermos nada durante a noite. Então, antes de escurecer, Els e eu iríamos nos esconder e montar a barraca depois de conjurar todos os feitiços de proteção que pudéssemos lembrar.

- Como está hoje? - eu perguntei, finalmente, quando Els se deu por satisfeita com a roupa escolhida para o dia: calças e sapatos confortáveis, acompanhados por um suéter que eu vinha procurando há algumas semanas.

Ladra de roupas.

- Melhor, mas com a sensação de ter sido pisoteada por testrálios. - Electra sentou no meu colo, suspirando em seguida. Eu abracei a garota:

- Quer descansar hoje? - eu perguntei, cuidadosamente.

- Não. Vamos almoçar e então começar o teste com a mandala. - ela definiu, brincando com um dos fios soltos do suéter que usava.

- Não acha melhor esperar um pouco?

- Acho que não vai mudar muita coisa e, dessa vez, magia será utilizada, então não vou passar mal de controlar a coisa. - ela ponderou.

- Se é o que você quiser, desde que Fabian e Alyssa a declarem bem o suficiente para fazer isso, estou com você. - eu cedi e Els ergueu as sobrancelhas olhando para mim sobre o ombro. - Ontem você quase me matou de preocupação. - eu beijei a bochecha dela. - Então, desde que declarada bem o suficiente para trabalhar com Alquimia, não sou eu que vou te impedir.

- E se disserem que não estou bem o suficiente ainda? - ela questionou.

- Então, infelizmente, terei que arrastar você para o quarto, descansar. - eu dei um suspiro fingido. - Independente dos meios para isso.

Els riu e deu um tapinha no meu peito:

- Eu estou bem, mas se insiste, irei ser avaliada pelos dois. - ela revirou os olhos e ficou de pé. - Vamos. Eu estou faminta.

Eu acompanhei a garota de bom grado, enquanto ela me arrastava pela mão até a cozinha.

ELECTRA ADHARA BLACK

Fabian e Alyssa me liberaram depois de meio milhão de feitiços diagnósticos e, quando satisfeitos em não encontrar absolutamente nada, me disseram para ir lidar com a mandala se eu quisesse.

Quando eu disse que esse era exatamente o plano para aquela tarde, os dois se entreolharam e declararam que iriam nos acompanhar.

Não foi surpresa nenhuma encontrar absolutamente todos os moradores da Mansão Nott no pátio dos fundos, próximo ao bosque dentro da parte do terreno delimitada pelos muros.

- Fizemos uma varredura. Os traços de magia negra foram completamente apagados nessa parte do terreno. - foi o cumprimento de Dearborn, que mantinha os braços imensos cruzados e tinha os olhos cheios de preocupação. - Há algo que podemos fazer para ajudar?

- Ah. - eu hesitei por um segundo. - Mantenham a casa protegida, especialmente Ben e Achilles. Vou testar com uma pequena pedra, mas não quero arriscar um acidente, então preciso de um domo de proteção em torno da mansão.

- Sem problemas. - Caradoc se afastou depois de acenar para Fabian segui-lo. Eu olhei para os demais, preocupada, mas Anabelle deu um passo para frente:

- Como desenhamos a mandala?

- Primeiro com giz branco. - eu olhei para Bells, que assentiu. - Se Cyg quiser ajudar você, vai ser melhor. Sempre da camada mais interna para a mais externa, para não ficarem presos ali dentro.

A runa que eu dividia com James estava repleta de ansiedade e eu senti a mão dele na base das minhas costas:

- E como colocaremos a runa lá dentro se não podemos arriscar ficar presos ali dentro? - ele questionou e eu suspirei:

- Será diferente do que fizemos quando eu acessei a Magia Ancestral. - eu expliquei. - Dessa vez irei desenhar a runa principal primeiro e ir fechando a mandala.

- Haverá um encantamento? - ele perguntou, inclinando a cabeça na minha direção. Eu assenti:

- Sim, eu o encontrei em um dos livros de Alquimia. É mais como um encantamento de criação, não ligado a tempo necessariamente. Eu estou criando algo e preciso imbuir isso com magia para que funcione.

Eu tinha praticamente tropeçado sobre o encantamento sem querer enquanto vasculhava um dos livros de Dumbledore atrás de qualquer informação que pudesse me ajudar.

Creo dum loquor.

Eu crio enquanto falo.

Um encantamento simples, mas se usado enquanto se empunhava magia podia dar muito certo ou muito errado. Era um encantamento cru, como eu havia lido naquele livro: podia ser usado para qualquer coisa e, se nas mãos erradas, seria um problema imenso - era mais uma das coisas proscritas que eu havia simplesmente ignorado.

Eu faria o que fosse necessário, as regras que se explodissem. Nada disso que eu vivia era comum, normal, habitual. Logo, regras comuns, normais e habituais não se encaixavam na situação.

Eu só queria ir para casa.

- Certo. A tintura está aqui. - Al ergueu um pequeno caldeirão, parecendo ansioso para testar a própria criação. - É estável e, dessa vez, não cheira mal.

Eu não segurei uma risada, mas não demorei a começar a dar ordens. Já que todos queriam ver o que diabos iria sair desse teste, então todos iriam ter uma tarefa.

Não foi difícil deslizar na pele de Electra Black, a filha mais velha e mais mandona de Atlas Black.


Evan, Alyssa, Aric, Sirius, Reggie, Remus, Lily e Pontas tinham ficado a um raio de dez metros da mandala, enquanto eu, meus irmãos e Alvo e James tínhamos ficado mais próximos: eu iria conjurar a mandala e nós cinco éramos o que estávamos responsáveis por isso - logo nós saberíamos melhor o que fazer caso desse errado.

Caradoc e Fabian tinham discutido, mas topado ficar mais próximos à mansão, mantendo guarda sobre Achilles e Ben e a postos caso nosso grupo de resgate não desse conta do problema.

- Certo. Essa mandala é nova e, muito provavelmente, instável. - eu olhei para os quatro que me acompanhavam. - Não sei nem se vai funcionar de fato.

Os quatro assentiram, focados na nossa pequena tarefa.

- Cyg, a pedra. - eu estendi a mão para meu irmão, que me entregou um pedra do tamanho do meu punho. - Esse será nosso objeto de teste inicial. Se ele passar, iremos aumentar a complexidade do objeto até termos certeza de que a coisa funciona e é segura antes de enviarmos, digamos, uma planta.

- Certo. - a mão de Bells dava tapinhas na coxa dela, ansiosa. - E como vai ser?

- Eu vou seguir as linhas em giz que você e Cyg fizeram, usando a tintura de Al. James ainda é minha âncora e ficará por perto, caso eu comece a perder o controle sobre a magia. - eu expliquei e olhei meu namorado, que pareceu tenso. - Se perceber qualquer coisa estranha, arranque o pincel da minha mão, jogue minha varinha para longe e me arraste para fora da mandala.

- Certo. - os olhos de James se escureceram de preocupação. Por fim, eu olhei para os demais:

- Fiquem com as varinhas a postos. Não sabemos como essa experiência vai se comportar. - eu guardei a varinha em um dos bolsos da calça e peguei o pincel e o caldeirão pequeno com Alvo, que entregou só depois que eu prometi cuidado.

Cygnus, apesar de orientado a ficar do lado de fora da mandala, insistiu em me seguir de perto, com James. Bells e Al se aproximaram do limite da mandala quando eu me agachei e respirei fundo, antes de começar a desenhar a runa que eu havia criado.

Era simples, com traços completamente baseados em runas já existentes. James respondeu prontamente quando perguntei sobre o horário para ele, a voz um tanto engasgada quando me viu anotar a data de hoje e o horário para daqui exatamente dez minutos no futuro.

Eu tinha dez minutos para terminar a mandala criada por meu irmão enquanto desenhava as runas de auxílio que eu tinha selecionado com Evan, Alyssa, James e Cyg ontem a tarde.

Dez minutos era tempo suficiente, com os traços já definidos por giz, mas assim que eu terminei de escrever as informações de data e hora, minha ansiedade atingiu o nível máximo.

A mão de James segurou minha mão quando o pincel estremeceu enquanto eu cantarolava Creo dum loquor.

- Comigo. - ele murmurou, me deixando mais estável ao se agachar ao meu lado e me deixando apoiar meu peso sobre ele. - Concentre na magia, eu a guiarei pelas linhas.

Com James ali, eu me senti mais segura e confiante em continuar com o processo todo, ainda cantarolando o encantamento enquanto desenhava cada linha e curva. Minha voz era baixa, mas estável até chegar ao heptágono que fecharia tudo.

Eu estava imbuindo magia em tudo ali, sim, mas a maior parte teria que ser imbuída agora, com o fechamento da mandala e, por fim, da minha primeira criação.

Merlin, que eu não matasse ninguém por acidente.

- Creo dum loquor. - eu continuei a cantarolar o encantamento, mais alto, e dessa vez abri aquele alçapão pela primeira vez desde que eu tinha vindo resgatar minha família dos Comensais da Morte.

O pincel estremeceu e a madeira do cabo rachou, mas eu deixei minha magia mais profunda, mais crua, passar pelos meus dedos e pelo pincel até a tintura e o chão que se manchava com uma tinta azul escura como a meia noite, mas que brilhava como se fosse tão senciente quanto a runa que eu tinha criado.

Eu cheguei ao último ponto, com todos nós fora da mandala, e fechei a mandala por fim.

Eu parei de cantarolar e olhei para o centro da mandala, onde a pedra estava sobre a nova runa e as informações de tempo. A runa tinha um brilho trêmulo, como se estivesse tão assustada e preocupada quanto eu me sentia, a tintura da mandala brilhando um pouco mais forte do que antes, mas ainda sem nenhum efeito de fato.

Eu engoli em seco e, como tinha visto nos livros, coloquei minha mão sobre o último ponto, aquele que tinha conectado todos em um heptágono fechado.

Agora não havia mais encantamento a ser cantado ou murmurado. Era só magia pura, sendo liberada por mim, daquele maldito arcabouço que eu tinha ficado presa por cinco dias e quase me afogado.

Magia brilhou na minha mão, clara como o luar e fria como a água de um lago, e a mandala foi ativada completamente.

Em um piscar de olhos, a pedra sumiu e a mandala inteira se apagou. James me apoiou quando meus joelhos cederam e eu quase caí dentro do heptágono, enquanto Cyg praguejava e tirava o caldeirão e o pincel de perto.

Foi uma ótima ideia ter os dois comigo, eu pensei, enquanto James me levava para longe da mandala, perto de onde Sirius, Alyssa e Evan estavam.

- Ela desmaiou?

- Não. - eu respondi, aceitando o copo de água oferecido pela minha avó. Minha mão tremia tanto que ela a afastou com um tapinha e segurou o copo para mim enquanto eu bebia água como se tivesse passado dias sem me hidratar.

- Ela só perdeu o equilíbrio. Els liberou muita magia. - Cyg explicou. - A gente se apavorou.

- Mas antes se apavorar e arrastar ela para longe do que deixá-la cair dentro de uma mandala com magia desconhecida. - Pontas ponderou, olhando sobre o ombro de Sirius. - E aí?

- Toda aquela água que eu lidei quando fui me enfiar com Magia Ancestral pareceu se rebelar contra mim. - eu respondi, apoiando a cabeça no ombro de James.

- Água? - Evan franziu a testa.

- A magia de Els fica em um arcabouço dentro de uma caverna cheia de água. Ela teve que nadar de volta para a consciência. - foi tudo o que James explicou. - É assim que ela vê a própria magia, pelo menos.

- Usou tanta magia assim? - é claro que Caradoc não aceitaria ficar tão longe por muito tempo.

- Usei. - eu suspirei, sacudindo a cabeça, cansada e nauseada pelo esforço. - Usei bastante. É só abrir o alçapão e está ali, pronta para ser usada. Ela gostou. É claro que gostou, eu a mantive trancada a sete chaves desde aquele dia em que viemos aqui procurar por vocês.

Eu senti o corpo de James tensionar:

- Só está usando sua magia superficial.

- Sim.

- Vai ter que deixar esse alçapão aberto por um tempo. - Cyg se ajoelhou na minha frente. - Você está verde.

Ele não teve tempo de desviar do jato de vômito na camisa dele.

- Eca. - ele fez careta e apontou a varinha para si próprio, limpando o vômito da roupa. - É esse o agradecimento que recebo depois de criar a porra de uma mandala heptagonal para você?

Eu mostrei o dedo do meio para Cyg, enquanto lavava a boca com mais água oferecida por Aly.

- Pessoal. - a voz de Bells soou tensa. - Meio que funcionou.

- Meio? - eu perguntei, a voz aguda. Minha irmã e Al se aproximaram, ambos parecendo tensos.

- Meio. - ela assentiu e ergueu a pedra que eu tinha enviado via mandala há, aparentemente, dez minutos atrás.

A pedra antes cinza e perfeitamente redonda não era mais cinza e redonda: estava erodida, como se tivesse passado por muitos anos, e cheia de musgo e limo.

James pigarreou:

- Acho que temos que fazer alguns ajustes.

Eu não segurei uma risada alta. Tínhamos falhado, sim, a pedra tinha viajado Merlin sabe por onde e por quanto tempo naquela realidade de viagem, mas tinha chegado aonde devia.

Aquele era um passo na direção certa, pela primeira vez, desde que tínhamos chegado ao Salão Comunal de 1976. Agora só faltava polir o que já havia sido criado, fazer ajustes e, se as coisas continuassem nesse ritmo, estaríamos em casa em breve.

- A tintura e a mandala são seguras e estão corretas. - eu olhei Cyg e Al, com um sorriso leve. - Só a runa que não está perfeita, mas isso pode ser ajustado. Se me deixarem ir à biblioteca…

- Você já usou Magia Ancestral demais. - Anabelle cortou. - Descanse hoje. Dê um tempo para tudo se assentar e vamos observar como a pedra responde ao tempo e aí vamos dando os próximos passos, devagar, sem pressa.

Eu resmunguei, mas Sirius concordou:

- Precisamos ver como essa pedra vai responder. Nem sabemos quanto tempo ela passou perdida por aí. - ele ponderou, com murmúrios de concordância dos demais. - Vamos ver como ela se comporta, como Anabelle disse. Depois continuaremos essa parte.

- Mesmo porque já temos uma nova missão. - a voz de James chamou a minha atenção. - As Horcruxes ainda não foram resgatadas e destruídas. Enquanto observamos o comportamento da magia do tempo sobre a pedra, vamos focar nisso. - ele sugeriu e, apesar da minha contrariedade, eu sabia que ele tinha razão.

A pedra podia ter passado séculos perdida no tempo, levando em consideração a erosão e o limo e musgo agora impregnados nela, e não tinha como saber muitos detalhes sem estudar a coisa de fato. E as Horcruxes ainda estavam ali, esperando que Voldemort retornasse.

- Tudo bem. - eu cedi, suspirando. - Vou ter que pesquisar mais, de qualquer forma. Quem quer observar a pedra e fazer anotações diárias?

Ninguém se voluntariou e eu resmunguei:

- Tudo bem. Eu faço as anotações diárias. - eu revirei os olhos, arrancando uma risadinha de Anabelle. - Vamos destruir essa mandala e a runa, Cyg. Não podemos arriscar que ela seja ativada por acidente.

Cyg não precisou de mais incentivo e, com a ajuda de James, eu fiquei de pé e fui ajudar meu irmão.

Agora eu tinha que pensar nos próximos passos: ajustar a runa para que fosse segura e não ficássemos presos em um limbo - eu precisava de algo que remetesse mais ao tempo. Havia também as horcruxes, a taça e o medalhão. James já havia me contado que tinha dividido a missão em duas partes: a primeira era encontrar as duas e, depois pegá-las para serem destruídas de fato.

E então seria apenas Voldemort.

- James disse que você e ele vão viajar por uma noite. - Aric apareceu do meu lado, enquanto eu apagava a runa, ainda usando aquele arcabouço imenso e gelado de poder para garantir que nenhum traço ficaria para trás.

- Sim, para encontrar o medalhão. - eu respondi. - Reggie disse que você vai também.

- Claro que vou. Estive muito ocupado com a mansão, mas agora que estamos seguros aqui, posso fazer mais. - Aric manteve as mão nos bolsos, pensativo. - Eu ia perguntar se não quer que mais gente vá com vocês dois. É campo aberto e vai saber e ele vai estar lá. Posso ir, Sirius também quer ir.

Aí estava.

- James e eu passaremos despercebidos com mais facilidade do que um quarteto. - eu olhei o Nott, encolhendo os ombros. - Irei nos transfigurar para sermos menos óbvios, mas a ideia é fingirmos ser trouxas perdidos.

Aric assentiu, sério:

- São duas localizações. - ele ponderou. - Pode deixar para outra pessoa olhar um dos lugares, Els.

- Eu que vou entrar no barco, Aric. - eu lembrei, gentilmente, ainda com a varinha apontada para a runa que se apagava lentamente. - Preciso saber o que vou encarar.

- Hm. - ele suspirou. - Mas me deixe destruir uma, pelo menos.

- Fique à vontade. Eu só vou pegar. - eu sacudi os ombros.

- Você vai fazer a parte mais divertida. - ele se queixou e eu não segurei um sorriso:

- Ah, vai começar a choramingar? - eu olhei para o Nott, cujo olhos azuis-esverdeados brilharam:

- Isso vai convencer você a me deixar ir?

- De forma alguma. - eu sacudi a cabeça, rindo. - Você pode destruir o medalhão.

- Vou cobrar essa promessa. - Aric jurou e o último traço da runa se apagou, junto do restante da mandala. - Vamos, Els. Hora do chá.

Aric jogou o braço sobre os meus ombros e nós seguimos de volta para casa.