JAMES SIRIUS POTTER
Não havia um traço sequer de arrependimento no rosto de Electra, enquanto ela se vestia e arrumava os cabelos depois de cochilar até o almoço. Evan tinha cogitado acordá-la, mas eu disse a ele que esperasse: Electra contaria o que quisesse a ele quando quisesse.
E, sinceramente, eu estava ainda tateando o terreno, tentando entender exatamente em que ponto nós nos encontrávamos agora, depois do que ela e os sonserinos haviam feito ao Nott.
O jornal chegou no meio da manhã, com uma foto de Moody na frente do St. Mungus - ele dava uma entrevista dizendo que Comensais da Morte haviam invadido o hospital, atrás de Nott Sr para vingança e também para silenciá-lo. Ele disse que haviam sinais claros de tortura e que Belatriz Lestrange escapou por pouco, quando eles finalmente conseguiram entrar no quarto ocupado por Nott. Quando questionado sobre a certeza da autoria do crime, Moody apontou a presença da Marca Negra no quarto, o que foi prontamente aceito na notícia.
Els ainda não havia visto o jornal, mas eu sabia que ela ficaria muito orgulhosa de saber que a culpa tinha, de fato, caído sobre os Comensais da Morte. Agora eles não apenas matavam os trouxas, nascidos-trouxas e discordantes deles, mas também matavam seus próprios soldados.
Brutal e sádico, mas eficiente.
- Vamos. - Els ficou de pé, ajustando o vestido marfim e se virou para mim, subitamente receosa.
- O que? - eu franzi a testa.
- Só… Agora que o ódio passou e eu resolvi o que precisava ser resolvido, eu… Não me arrependo, só tenho medo do que você pensa de mim agora. - Electra disse, de uma só vez, como se o pensamento estivesse a engasgando.
- Penso que teria feito o mesmo se fosse Lily. Só estou chateado porque você não me contou que iria, mas entendo. - eu passei a mão pelo rosto. - Só não entendo porque Al pôde ir e eu não.
- Se fosse eu no lugar de Anabelle, ela deixaria Al comigo e levaria você. - Els encolheu os ombros. Eu trinquei os dentes:
- Certo. Sim, eu pediria a Al que ficasse e cuidasse de você enquanto eu resolvesse o problema. - eu suspirei, segurando a mão de Electra e a levando em direção à porta. - Evan vai querer saber o que vocês fizeram.
- Se ele pensa que eu vou pedir desculpas, está completamente enganado. - Electra alertou.
- Eu sei e acho que ele também sabe disso. - eu respondi, levando Els escada abaixo. - Mas será uma longa conversa.
Por fim, Alvo já contava detalhes do que havia feito quando nós chegamos à cozinha, onde Evan tinha parado de cozinhar por um momento. Anabelle e eu não esboçamos nenhum tipo de surpresa - eu já sabia de tudo e, provavelmente, ela também. Quando Al explicou os feitiços que tinha colocado sobre o quarto para não serem interrompidos, Caradoc sacudiu a cabeça:
- Vocês passaram um bom tempo com ele.
- Não passamos mais porque não tínhamos para onde levar ele. - Cygnus jogou uma batata frita na boca. - Tinha que ser ali e tinha que ser finalizado ali.
- Não gosto que cheguem ao nível deles. - Sirius olhou para os netos encrenqueiros. Electra sentou ao lado do irmão e eu sentei do outro lado dela.
- Foi um evento isolado. - Electra pescou uma batata frita com a ponta dos dedos. - Nott deveria saber melhor do que fazer o que fez. E agora eles sabem também.
- Moody disse que havia sinais claros de tortura. Devo saber quais sinais? - Pontas olhou para Al, que tomou um gole do copo de água que segurava:
- Cygnus arrancou os olhos dele, Aric arranhou as unhas, Electra cortou ele inteirinho e eu o castrei e amarrei as partes nas mãos dele. - ele respondeu, encarando nosso avô. - A Cruciatus foi generalizada.
- Santo deus. - Fabian passou a mão pelo rosto. - E conseguem dormir depois de fazer isso?
- Voldemort dorme depois de fazer muito pior. - Aric rebateu, encarando o Prewett. - Meu pai dormiu depois de fazer pior. A gente só fez tudo em um espaço curto de tempo e agora ele está morto. Pelo menos ninguém mais tem acesso à Mansão Nott.
- Moody vai querer tirar satisfação. - Caradoc alertou.
- Pois que venha. - Els sacudiu os ombros. - Não me arrependo nem um pouco do que fiz e não vou me arrepender por ter defendido minha família.
- Falando em família - Aric olhou para Electra, que ergueu as sobrancelhas, como que o incentivasse a falar. - Está oficialmente casada com James? Você o chamou de marido no hospital.
O rosto de Electra ficou vermelho imediatamente. Eu nem tentei segurar um sorriso.
- Cale a boca. - Els cortou, pigarreando em seguida, e se virou para a irmã. - Alvo foi quem o matou, de fato. Seu namorado é muito protetor e muito corajoso.
- Sim, eu sei disso, mas não mude de assunto. - Bells se inclinou na direção da irmã mais velha, arrancando uma risada de Al. - Nós deveríamos fazer uma cerimônia para você e James, depois de Evan e Alyssa.
- Não. - Els cortou. - Falando em festas, tudo certo para a próxima sexta? E o casamento de Alyssa e Evan?
- Aniversário já organizado, já escolhi meus jogos e comidas. - Lily sorriu. - E Alyssa vai terminar o vestido e o casamento irá acontecer em breve.
- Perfeito. - Els se recostou na cadeira, ignorando o olhar curioso de todos sobre ela. - Vamos comer, então.
- Marido? - eu cochichei para a garota. Electra me lançou um olhar de alerta, mas eu não segurei um sorriso e fui incomodar Alvo.
- Se você mencionar a palavra marido mais uma vez… - Electra começou, assim que entramos no quarto de novo. Ela tinha vindo buscar algumas anotações feitas há alguns dias e que ainda não tinham sido levadas para o mural que ela estava montando na biblioteca.
- Não tenho intenção alguma de falar agora. - eu puxei Electra pelo cotovelo e a beijei antes que Els pudesse me interromper de novo.
Ela andava tagarelando demais e me beijando de menos.
Electra pareceu hesitar por um segundo, mas então as mãos dela estavam sobre meus ombros e ela deixou que eu a levasse até a escrivaninha, onde boa parte dos papéis - agora empurrados para longe - estavam empilhados.
- Espera. - Els se afastou um pouco, enquanto eu beijava o pescoço dela. Eu obedeci, apoiando a testa sobre o ombro da garota. - Só… Me deixe pensar.
- O que você o quiser, amor. - eu murmurei, ainda mantendo a cabeça apoiada no ombro dela. Electra não era a única tendo problemas para se controlar. - Nós deveríamos parar por aqui.
- E eu deveria seguir o conselho de Alyssa. Em algum momento meu cérebro vai desligar de vez. - a mão de Els brincou com meus cabelos e eu apertei a cintura dela:
- Pare com isso ou o meu cérebro vai parar de vez e aí teremos um problema. - eu alertei. Electra deu uma risadinha, descansando a mão na minha nuca:
- Tudo bem. Então talvez você devesse se afastar um pouco.
- Não quero.
- Eu também não, mas isso não torna nada mais fácil. - ela disse, delicadamente. Eu resmunguei, sabendo que ela tinha razão, e me afastei de Electra, respirando fundo e passando as mãos pelos cabelos.
Estava ficando cada vez mais difícil continuar sendo uma pessoa racional. Principalmente agora que ela simplesmente não se importava em se trocar na minha frente e eu também tinha adquirido o hábito.
Eu escutei Els descer da escrivaninha, os saltos estalando de leve no chão enquanto ela ia até a penteadeira de madeira maciça do quarto.
- Olhe o que você fez. - o tom acusatório me fez olhar para Electra. Ela me fuzilava com o olhar, apontando para uma marca roxa no pescoço, como se o cabelo completamente bagunçado e o vestido meio aberto não tivesse dado nenhuma dica do que tinha acontecido.
- É fácil de resolver. - eu andei até a minha namorada e, com um aceno de varinha, o hematoma sumiu. - Seu cabelo, por outro lado, vai demorar um pouco mais de tempo para ser ajustado.
Electra tentou parecer brava, mas riu:
- Seus óculos estão tortos.
- As coisas que você faz comigo. - eu sacudi a cabeça, fingindo lamentar.
A única coisa que eu lamentava era o senso de responsabilidade de Electra. Enquanto ela ajustava os cabelos de volta ao coque elaborado e arrumava o vestido, eu tentava assentar um pouco meus cabelos, que estavam mais bagunçados por culpa dela, e fechava alguns botões da camisa.
Nós levamos mais alguns minutos para nos acalmar, de fato, e só então saímos em direção à biblioteca.
- E, só para lembrar, - Els olhou sobre o ombro. - nem um pio sobre a palavra marido.
- Você me chamou de marido na frente de Nott. - eu rebati, revirando os olhos. - Tarde demais. Agora você é minha esposa e não vai conseguir se livrar do título tão cedo.
- Nojento. - Cygnus apareceu ao lado da irmã, que deu um gritinho de susto. - Ah, Merlin, vocês estavam se agarrando não estavam?
- O que? - Electra pareceu surpresa.
- Você está com o perfume dele. Eu não sei o que é pior, - ele saiu batendo os pés na frente da irmã. - essa agarração nojenta ou a porra de uma guerra. Puta que pariu, que inferno que estou vivendo, eu devo ter matado Merlin para lidar com isso.
- Ignore-o. - Els suspirou, colocando as anotações sobre uma mesa na parte comunal da biblioteca. - Cyg só está frustrado.
- Com a guerra?
- E com a ausência da sua irmã.
Eu lancei um olhar de alerta para Electra, que riu:
- Duvido que ela seja mais comportada que você. Você sabe sobre um namorado, porque ela te contou, mas, como monitora, eu vi coisas. - ela estremeceu, fazendo careta. - E nem foi com o meu irmão. Se fosse, eu vomitaria.
- É melhor você parar, senão eu vou vomitar. - eu puxei uma cadeira com raiva. - Eu quero saber?
- Não. - ela sacudiu a cabeça, rindo em seguida. - Não mesmo.
- Me conte sobre a sua Runa. - eu apontei para os papéis empilhados e Electra riu, o som se espalhando pela biblioteca, enquanto ela puxava uma lousa para perto e anotava as runas base.
Eu precisava mesmo me distrair depois do excesso de informações cedidas por Electra.
A grande vantagem da família Nott ter uma reputação suspeita era que a sua biblioteca também era recheada de livros mais suspeitos ainda: Electra estava se deleitando nos livros de magia do tempo e Magia Ancestral.
Eu, enquanto isso, tinha ficado preso à tintura com Alvo e Anabelle - ambos muito prestativos, mas com um flerte contínuo que me deixava enojado.
Não era possível que Els e eu fôssemos desse jeito.
Cygnus tinha se juntando a Remus que, embora cansado das noites de lua cheia, insistia em ir à biblioteca ler jornais antigos e procurar dados sobre as possíveis praias onde a caverna se encontrava com a Horcrux.
- Merda. Achei. - Alvo pulou de pé e Anabelle olhou para meu irmão, que parecia incomodado. - Eu preciso ir a Knockturn Alley.
- Ah, mas não vai mesmo. - a voz de Lily ecoou atrás dele. - O que você precisa que é tão ilegal assim?
- Parte do material para fazer a tintura. - Alvo sacudiu a cabeça. - Tenho parte das coisas, mas não tudo. A quantidade de beladona e de raízes de mandrágora que eu preciso vai chamar muita atenção se eu for em um boticário comum. Preciso ir até Knockturn Alley.
- Você nem vai encontrar Beladona de forma legalizada com facilidade. Tem que dar seu nome e seus dados se for comprar em um boticário. - Pontas lembrou.
- Por isso eu vou até Knockturn Alley. - Al soou tranquilo. - Não podemos ir em um grupo grande. Preciso de Cygnus ou James.
- E eu? - Bells soou ofendida.
- Sem ofensa, amor, mas eu definitivamente não quero você naquele lugar. - Al sacudiu a cabeça. - E eu preciso de um louco comigo, porque se eu não conseguir comprar, eu vou roubar.
- Alvo. - Anabelle sacudiu a cabeça, incrédula. Electra riu:
- E por que não eu? - ela perguntou, ainda sentada à mesa que tinha escolhido mais cedo.
- Se eu te levar para o caos de novo, seu marido me mata. - Al soou sério. - Então, qual dos dois vai ser?
- Cygnus foi na última, eu vou nessa. - eu me voluntariei. Al assentiu:
- Ótimo! Vamos. Preciso fazer umas contas… - Al juntou uns papéis e pegou um livro imenso. - Ande! - ele me apressou, andando rápido até a seção de venenos.
- Sério, eu odeio quando ele faz isso. - eu escutei Bells fazer um muxoxo, mas não veio atrás de nós.
ELECTRA ADHARA BLACK
- Eu realmente preciso falar com você. - eu encurralei Aly no quarto que ela dividia com Evan, pouco antes do jantar. - Evan está cozinhando?
- Sim. Vim tomar um banho primeiro. - ela franziu a testa. - O que há?
- É… James. - eu admiti.
- O que tem James? - Alyssa perguntou e, no segundo seguinte, arregalou os olhos. - Ah. Ah, não. Quando? Preciso saber para dar a quantidade certa… - ela correu para um dos pequenos armários do quarto, puxando uma garrafinha com uma poção azul brilhante.
- Não! Ainda não. - eu sacudi as mãos, horrorizada. - Quase aconteceu, mas não aconteceu ainda. - eu me expliquei. Alyssa colocou uma mão sobre o coração, respirando aliviada:
- Ah, então você quer prevenir. - ela abaixou a cabeça. - Eu sou muito nova para ser bisavó.
- Ah, uau. - Lily parou no meio da entrada do quarto, segurando a maçaneta com um olhar horrorizado. Anabelle estava logo atrás dela, com os olhos azuis imensos. - Entre, Anabelle. - ela puxou a minha irmã pelo braço para dentro do quarto. - Quanto tempo? Devemos nos preocupar com alguma coisa?
- Não! Não, não é isso. - eu sacudi a cabeça, corando horrores. - É só…
- Ela quer uma poção anticoncepcional, Lily. Ela não está disposta a correr riscos. - Alyssa soou calma, mas a mão que segurava a garrafinha com a poção tremia. Lily olhou para mim, suspeita:
- Não mesmo?
- Não mesmo. - eu sacudi a cabeça, séria. Anabelle continuou quieta, olhando para a poção que Alyssa segurava, parecendo ansiosa. - O que foi?
- Quanto tempo eu tenho para tomar essa? - ela apontou para o líquido azul.
- Até 24 horas. - Alyssa respondeu. - E, dependendo do tempo, a dose varia. Por que?
- Eu deveria tomar essa. - Bells respondeu, abaixando os olhos. Eu pisquei, sem entender.
Então, a ficha caiu.
- Só pode ser brincadeira. - eu joguei as mãos para cima. - Anabelle! Você veio com aquela conversa toda para cima de mim e agora…
- Não foi planejado! - ela se defendeu. - Por favor, Alyssa.
- Quando? - Alyssa suspirou, puxando um copo dosador.
- Esta madrugada. - Bells murmurou, desconfortável, com o rosto tão vermelho que as sobrancelhas loiras quase brilhavam em contraste. Alyssa suspirou e encheu metade do copo e estendeu para minha irmã:
- Tem um gosto horrível, mas é necessário. - ela alertou. Anabelle tampou o nariz e tomou a coisa de uma só vez, fazendo uma careta em seguida. - Lily?
- De forma alguma. - Lily sacudiu a cabeça. Eu sentei na cadeira da escrivaninha do quarto dos meus avós, sacudindo a cabeça:
- Isso é um pesadelo. Santo Deus, se Cygnus souber…
- Ele não vai saber porque ninguém vai falar nada. Ele vai matar o Alvo. - Anabelle cortou, seca. - E você? Já tomou?
- Não preciso. - eu sacudi a cabeça. - Quer saber? Já estamos as quatro aqui, vamos resolver isso logo. Todas nós estamos em relacionamentos que, aparentemente, serão duradouros. Vocês duas certamente, - eu apontei Lily e Alyssa, que assentiram. - Anabelle já pulou alguns passos e eu… Bem, James e eu é uma coisa complicada e eu não vou me estender mais do que isso. São relacionamentos duradouros e complexos e medidas devem ser tomadas no meio de uma guerra.
- Por isso eu tenho essa poção. - Alyssa pegou um vidro com uma poção cor de rosa. - Deve ser tomada uma vez ao mês e, depois da primeira dose, deve ser repetida no trigésimo dia, independente de sangramento.
- E quando podemos começar a tomar? - Bells perguntou, ainda soando ansiosa.
- Você vai ter que esperar sangrar. - Aly apontou para a outra loira. - Vocês duas… Podem começar agora, já que não precisam dessa de emergência.
- Eu não preciso… - Lily começou, mas eu interrompi:
- Precisa. Porque Alyssa já é caso perdido, Anabelle também, e eu estou na beira do precipício. Você é a próxima. Beba. - eu cortei. Lily resmungou, mas obedeceu, tomando uma dose da poção. Alyssa entregou o mesmo copinho para mim e eu aceitei, franzindo o nariz depois que o gosto extremamente adocicado tocou a minha língua.
Horrível.
Mas necessário.
- Agora estão todas seguras. - Alyssa riu. - Nunca pensei que teria que ter essa conversa com vocês. - ela sacudiu a cabeça.
- Eu muito menos. - eu resmunguei e olhei Anabelle e, depois, minha avó. - Essa poção é confiável, certo?
- Nunca falhou desde a sua criação. Fui ensinada a fazê-la desde que sangrei pela primeira vez, assim como esta. - ela apontou a poção cor de rosa. - É ensinada na escola de curandeiros, mas pode ser feita por qualquer bruxo. Como minha família é do jeito que é, uma gravidez fora do casamento seria desastroso. Então, aqui estamos. - ela acenou para as poções. - Vou ensinar vocês, depois. Longe dos garotos. Isso tornaria tudo vergonhoso e eu ficaria mortificada de ter que explicar a Aric o que essas poções fazem.
- Falar sobre isso com Aric é meu maior pesadelo. Esqueça Cygnus, papai, Sirius ou Evan. - eu estremeci. - Eu jamais teria paz.
- Ele tem um carinho especial por você. - Alyssa admitiu, sorrindo para mim. - Você o faz pensar no que poderia ter sido se o pai dele não fosse daquele jeito. Aric vê Anabelle, Lily e eu como amigas, mas você é a irmã dele. Então, enquanto ele só te incomodaria, certamente iria encurralar James mais tarde.
Eu assenti, distraída.
- Mudando de assunto, rapidinho. - Lily pigarreou. - Quando essa poção começa a fazer efeito?
Eu caí na gargalhada, junto de Alyssa.
- Amanhã. - Aly prometeu. - Amanhã, Lily. - ela sacudiu a cabeça e ficou de pé e nos colocou para fora, reclamando que estávamos atrasando o banho dela.
Eu desviei das perguntas de Anabelle e fui para o meu quarto.
James ia ter que ter uma conversa muito séria com Alvo.
- Está me dizendo que ele nem mesmo pensou nas consequências? - James andava de um lado para o outro, segurando as mãos atrás das costas. Eu tinha me jogado na cama e desandado a falar assim que vi que James tinha saído do banho.
- É exatamente o que estou dizendo. Mas Anabelle não foi vítima, não se engane. Ela tem cara de anjo, mas é terrível. - eu alertei. - Nenhum dos dois pensou nas consequências e ela nem veio falar comigo sobre isso. Simplesmente contou para todo mundo de uma só vez.
- Está chateada por que ela não lhe contou? - James perguntou, franzindo a testa, mas ainda andando de um lado para o outro.
- Estou chateada porque acho que ela não confia em mim ou, talvez, não queira me sobrecarregar com mais coisas. - eu suspirei. - Mas preferia que ela tivesse vindo a mim, pedido ajuda, antes de simplesmente chutar o balde. Eu a teria ido até Alyssa, dizendo que a poção era para mim, e daria a ela. Agora ela precisou tomar uma de emergência e, ainda por cima, temos que esperar até que ela menstrue para poder começar com a outra. Isso é um pesadelo.
- Eu não acredito que vou ter que falar com Alvo sobre isso. - James passou a mão pelo rosto. - Isso é um pesadelo. - ele, finalmente, se jogou na cama do meu lado. - E você? O que estava fazendo lá?
Eu corei:
- As coisas estão saindo do controle entre nós dois. Preferi não arriscar como nossos irmãos. - eu admiti, suspirando. - Não estou dizendo que estou pronta para isso, mas é melhor prevenir do que remediar.
- Justo. - James disse, parecendo tranquilo. - Vamos jantar. - ele ficou de pé e me fez levantar com ele. - Cygnus sabe?
- Deus, não! Seu irmão viraria carne moída se Cygnus sequer desconfiasse. - eu sacudi a cabeça, arregalando os olhos. - Você é mais velho, eu sou mais velha, isso nos dá certa autoridade sobre Cyg e ele não tem motivos para interceder. Mas Bells e Al? Eles têm a mesma idade que ele e Anabelle é dez minutos mais nova.
- Al viraria carne moída. - James assentiu, concordando. - Entendi. Vou conversar com Alvo amanhã a noite.
Eu franzi a testa. James encolheu os ombros:
- Enquanto você discutia métodos contraceptivos com as meninas, - James me deu um beijinho rápido. - eu planejava um roubo a Knockturn Alley. Iremos amanhã.
- Ótimo. - eu respondi, seca. - Volte vivo.
- Eu vou. - James prometeu e me arrastou para a cozinha.
James e eu caímos no sono logo depois de jantar: a pesquisa de runas, o efeito da poção sobre mim - parecia que eu tinha sido atropelada por uma dezena de testrálios - e a conversa longa sobre a ida dos garotos a Knockturn Alley.
Eu acordei praticamente a noite toda - pesadelos sobre a morte de Gideon, o barulho das garras de Remus na forma de lobisomem se arrastando pelo piso de madeira no quarto designado para suas transformações, a imagem clara de um Inferius me arrastando para debaixo da água (o que eu sabia ter sido a causa da morte de Regulus).
Esse último pesadelo me manteve acordada até que eu desisti de dormir novamente. James ressonava do meu lado, parecendo relaxado, mas eu não conseguia mais ficar na cama, então decidi tomar um banho e me preparar para o dia e, também, para a ida de James e Al até Knockturn Alley.
James esperava pacientemente quando eu saí do banheiro:
- Está tudo bem?
- Sim. - eu assenti, abrindo o guarda roupa para tirar as minhas vestes escuras. - Por que?
- Porque você sempre me acorda e me obriga a tomar banho primeiro para deixar o banheiro quente para você. - James respondeu. - E você simplesmente levantou hoje.
Eu sentei na banqueta da penteadeira, suspirando.
- Pesadelos, James. - eu admiti. - Gideon, Inferi. - eu encolhi os ombros. - Não quis te incomodar, você precisa descansar para ir a Knockturn Alley hoje.
- Sempre me acorde se precisar. Seja por medo, por ansiedade, o diabo que for. - James se levantou e beijou a minha cabeça, indo para o banheiro em seguida. - Ainda não terminamos o planejamento, então fique tranquila. Você vai ser parte da minha equipe de resgate, caso tudo dê errado. - James olhou sobre o ombro, sorrindo e eu não pude deixar de imitá-lo.
Já que eu não iria com ele, pelo menos estaria de prontidão caso tudo desse errado.
- Ida a Knockturn Alley adiada. - James jogou um livro sobre magia de sangue na mesa sobre a qual eu tentava desenhar uma runa mista.
- Por que? - eu franzi a testa. James se jogou na cadeira do meu lado, abrindo o livro, suspirando:
- Alvo quer ter certeza das quantidades. - ele reclamou. - Eu achei que as contas estavam confiáveis, mas ele está colocando Anabelle e Lily para confirmar. Vai ficar muito em cima da hora e Caradoc acha arriscado. Ele vai até lá hoje a noite, com Evan, para ver como as coisas andam e reportar para um planejamento mais adequado.
- E quanto às Horcruxes? - eu perguntei e James sacudiu a cabeça:
- Remus está entre duas praias. Ainda estamos definindo as equipes que irão até o centro de Londres procurar a Taça. - ele suspirou.
- Estamos parados, então.
- Infelizmente. Ah, e Sirius está organizando a equipe de caçada a Mortalha-Viva. Como não vou sair hoje, me voluntariei para ir. - James me comunicou. - Voluntariei você para ficar de guarda na casa.
- É claro. - eu olhei meu namorado, azeda. James abriu um sorriso inocente:
- Só estou dividindo nossas forças.
- E me deixando trancada dentro de casa. - eu reclamei. James passou a mão pelo rosto:
- Você lidou com Nott sozinha. Foi muito mais exposto e arriscado do que eu vou fazer com Al. - ele rebateu. - Monte seu grupo de retaguarda e fiquem em torno da casa. Você saberá se a coisa escapar.
Eu resmunguei, incomodada, mas voltei a analisar minhas anotações e tentar fazer uma runa do zero.
JAMES SIRIUS POTTER
Os dias se passaram com velocidade - e com eles, as semanas também. O aniversário de Lily aconteceu sem grandes eventos bruxos: ela tinha optado por jogos trouxas - todos realizados no terreno da mansão, com um placar para tornar os ânimos ainda mais acirrados. O jantar tinha sido simples: tudo o que ela queria eram pizzas de queijo, o que Cyg, Al e eu fizemos questão de ir comprar depois de sermos modificados por Transfiguração por Electra.
Electra que, às gargalhadas, tinha feito questão de me dar uma barriga arredondada e cabelos brancos.
Eu tinha aceitado, apesar de levemente ofendido. Electra andava muito taciturna com as falhas constantes na tentativa de criar uma runa que fosse funcional e segura, mas era difícil sem a tintura correta, a qual Al e eu estávamos ainda tentando juntar os ingredientes - a nossa ida à Knockturn Alley foi adiada pela nevasca, primeiro, que obrigou todos os lojistas a fecharem seus estabelecimentos e depois por Comensais da Morte atacando a torto e direito por dias a fio. Caradoc não tinha nos deixado sair de casa e ele, junto de outros membros da Ordem, tinham ido resolver o problema, capturando apenas Rabastan Lestrange.
Dizer que eu andava de mau humor era subestimar a situação.
- Alguma novidade das Horcruxes? - eu olhei Remus, que arremessou mais um jornal para um canto, azedo.
- Estou mais inclinado a uma das praias, mas ainda não consegui eliminar a outra completamente. - Remus admitiu. - Acho que será mais prudente se vocês forem às duas. E a Taça continua naquela grande questão entre Orfanato e a casa da Sra. Cole.
- Entendo. - eu ponderei. Se iríamos a dois lugares ermos, vazios e com um deles recheado de magia negra, certamente Els e eu teríamos que passar a noite fora, mas eu não ia nem mencionar isso agora.
- E quanto a Knockturn Alley? - ele questionou, voltando os olhos para uma Electra concentrada, com o cenho franzido e os lábios fazendo um biquinho e que girava a pena entre os dedos, ignorando a mancha de tinta nas unhas.
- Al e eu iremos ainda esta semana, mas ainda não temos uma data definida. - eu suspirei. - Estamos ficando sem tempo e, sinceramente, sem paciência. Irei a Knockturn Alley e se tiver que lidar com Comensais da Morte, então lidarei com Comensais da Morte.
- Não acha melhor ir em maior número?
- Iremos atrair muita atenção. - eu sacudi a cabeça. - Electra vai nos transfigurar, mas quanto menos atenção chamarmos, melhor.
- Vai ter uma barriga de cerveja de novo? - um sorriso brincou nos lábios do Lupin. Eu franzi o nariz:
- Só se isso a fizer rir novamente. - eu cedi, encolhendo os ombros. - Mas, pelo menos, agora temos uma nova tarefa. Sirius finalmente conseguiu montar uma equipe e um plano para a Mortalha-Viva.
- Parece divertido. - Remus sorriu, mas sacudiu a cabeça. - Ele me ofereceu uma vaga, mas eu recusei. Estou com muita coisa na cabeça e, certamente, uma Mortalha-Viva não vai me ajudar.
- Não mesmo. - eu concordei. - Sua vaga foi dada à Electra.
- Ah, e você está incomodado. - ele ergueu as sobrancelhas.
- Não incomodado, só…
- Preocupado sem motivo. - Els completou, sem erguer os olhos. - Nós dois somos capazes de conjurar Patronos Corpóreos. Se acalme.
- Estou calmo. - eu menti. Ela olhou para mim, os olhos cinzas faiscando:
- Não minta para mim.
- Certo. Não estou calmo. - eu ergui as mãos, na defensiva. - É só que essa coisa come gente viva, então eu tenho o direito de me preocupar com você.
- Vou sobreviver exatamente como sobrevivi da primeira vez. Eu não sabia o que fazer antes, agora eu sei. Não se preocupe. Pense nisso como um caça ao tesouro. - ela pousou a pena e alongou os braços. - Quem ganhar, leva a Mortalha-Viva de presente para o ministro de presente e nós estamos em equipes diferentes.
- Agora parece divertido. - eu me inclinei na direção de Els, cujo olhos agora brilhavam de malícia. Remus resmungou, arrastando a cadeira murmurando uma desculpa para simplesmente dar o fora da mesa que dividia com nós dois. Eu esperei até que ele se afastasse o suficiente e olhei em volta. Vazio. - Se eu ganhar, eu ganho uma sessão de beijos. Se você ganhar, você escolhe o que quiser.
- Vou pensar nisso. - Els sorriu de leve e voltou a olhar para o pergaminho cheio de rabiscos. - Estou chegando um modelo. Ainda é estranho e disfuncional, mas é um modelo. Quando a tintura ficar pronta, posso testar.
- Alvo vai fazer a tintura para você. - eu prometi e voltei a olhar meu livro de maldições e contra-maldições.
Tinha cada coisa maligna e nojenta ali que eu ficava impressionado com a criatividade dos bruxos das trevas.
- É bom que faça. Estou ficando entediada de tanto ficar trancada nessa casa. - Electra suspirou, voltando a encarar o pergaminho, de novo, fazendo um biquinho e me deixou tentar achar alguma coisa útil para nossa caçada a Horcruxes.
Na manhã seguinte, depois de um café-da-manhã reforçado, Sirius nos levou para fora da Mansão, energético, como se o ânimo dele tivesse sido renovado com a tarefa de importunar o Ministério da Magia puramente por despeito.
Nessas horas a semelhança entre ele e Electra era indiscutível.
Electra, Cygnus, Anabelle, Alvo, Pontas, Sirius, Aric e eu fizemos um círculo, todos com as varinhas empunhadas. Sirius olhou para o grupo todo, parecendo contente com o que via e depois olhou para a escadaria, onde Caradoc e Fabian esperavam, com os braços cruzados, esperando que um de nós mudasse de ideia ou pedisse ajuda.
O que não aconteceria.
- Nós vamos nos dividir em quartetos. - Sirius olhou para nós, com expectativa. - Eu, Electra, Anabelle e Cygnus somos um grupo, vocês são outro. - ele acenou com a cabeça para Pontas, que assentiu. - Vamos dividir a floresta mágica em terços e esses terços serão divididos na metade, e tiramos na sorte quem fica com cada metade. Uma vez que a área foi considerada limpa, passaremos para a próxima. É bom termos um momento para nos reunirmos após cada seção ser limpa.
- E se encontrarmos uma criatura das trevas antes de encontrarmos a Mortalha-Viva? - Alvo cruzou os braços. Anabelle passou um tempo encarando os braços de Al e meu irmão deu um sorriso torto, mas eu decidi ignorar.
Nojento.
- Então a capturem também e a tragam para Caradoc. - Sirius disse, sério, mas logo abriu um sorriso. - A equipe que encontrar a Mortalha-Viva ganha o privilégio de entregar a criatura ao Ministério da Magia.
- Parece divertido. - Bells abriu um sorriso que me fez temer pela minha integridade física. - Que os jogos comecem.
- Que os jogos comecem. - meu irmão encarou a namorada, com um sorriso idêntico no rosto.
Cygnus e eu suspiramos, resignados, e esperamos enquanto Sirius e Pontas entravam em acordo quanto à primeira área a ser vasculhada.
Electra se despediu com um beijinho na bochecha e uma promessa de vitória. Eu tinha rido, apesar de preocupado, e falado que eu levaria uma câmera para tirar uma foto do ministério quando eu deixasse a criatura lá.
Eu queria muito vencer, mas eu sabia que não era fácil vencer o trio Black. Muito menos com Sirius envolvido. Pontas tinha sido eficiente na sua abordagem do terreno. Começaríamos todos juntos, mas sempre a alguns metros de distância - ele e Aric na frente, Al e eu atrás.
- Então. - eu me aproximei de Al, que apontava a varinha para a direita, enquanto a minha ia apontada para a esquerda, a procura de qualquer coisa maligna. - Tem algo para me contar?
- Não. - Al franziu a testa, olhando para mim. - Você tem algo para me contar?
- Não. - eu respondi, sacudindo os ombros. - Mas, sabe, estamos morando com nossas namoradas. Coisas acontecem.
Alvo tropeçou em uma raiz, caindo de joelhos no chão e a varinha voando para longe. Aric franziu a testa, olhando sobre o ombro:
- Está tudo bem? - ele perguntou, preocupado.
- Sim. Só não olhei o chão direito. - Alvo respondeu, enquanto eu o erguia pelas costas da camisa e conjurava a varinha com um Accio. Aric assentiu e continuou a andar com Pontas, ambos em uma conversa tranquila. - Que porra é essa?
- Acho que precisamos ter essa conversa. - eu olhei meu irmão, que tinha as bochechas rosadas e se recusava a olhar para mim. - Considerando que a sua namorada precisou tomar uma poção de emergência.
Al me encarou, meio boquiaberto:
- Ela contou? - a voz dele ficou mais baixa e ele mais corado.
- Ela contou à minha namorada, que me contou, e me ordenou conversar com você sobre métodos contraceptivos. - eu trinquei os dentes, ignorando o desconforto. Alvo, agora, estava com o rosto quase arroxeado de vergonha. - Uma conversa que eu certamente não queria ter, mas aparentemente preciso, já que você sequer pensou nas consequências de não prevenir a criação de um mini-Potter. - eu retomei a caminhada, ainda procurando por algum sinal da Mortalha-Viva.
Além de plantas venenosas, nada me chamava atenção e nem mesmo cutucava a minha magia.
- Eu… - Alvo bagunçou os cabelos. - Eu realmente preciso falar disso com você?
- Aparentemente, sim, já que anda sendo descuidado.
- Eu não estava pensando. - Al admitiu, os olhos presos no chão. - E acho que ela também não. E só aconteceu uma vez, então se ela tomou a poção de emergência…
- Então estão seguros. - eu suspirei, segurando o cotovelo de Al e fazendo-o parar por um momento. - Ela precisa começar a tomar a poção preventiva. Ou você precisa dar um jeito na sua parte. - eu lembrei e Al assentiu. - Depois dessa, Electra enfiou essas poções goela abaixo de todas as garotas da casa. E acho mais sensato, também. Vocês são os mais comportados e já são um caso perdido. É melhor prevenir do que remediar. Eu não quero ter que explicar para a mamãe porque nós voltamos com um membro a mais na família quando eu estava sendo responsável por você.
- Eu tenho dezessete anos. Você não tem nenhuma resposabilidade sobre mim. - Al sacudiu a cabeça, incrédulo.
- Ainda sou seu irmão mais velho, sempre vou ser seu irmão mais velho. Essas conversas, na ausência dos nossos pais, são minha responsabilidade. Se Lily estivesse aqui, eu daria essa tarefa para Electra, mas ainda seria minha responsabilidade. - eu lembrei. - Então, embora seja maior de idade, você está sob minha supervisão. E se ela se tornasse avó tão cedo, mamãe me mataria, mesmo que eu não fosse o culpado.
- E quanto a você e Electra? - Al questionou. - Já que estamos nos aprofundando em informações desnecessárias sobre o outro.
- Electra e eu somos responsáveis. - eu sacudi a cabeça, ignorando o olhar descrente de Alvo. - Quando a coisa ameaçou passar do controle, Electra definiu que começaria a tomar a poção preventiva. Então, estamos nesse ponto.
- Então já aconteceu?
- Não é da sua conta.
Os olhos de Alvo brilharam:
- É por isso que você está desesperado para sair e pegar Comensais da Morte. Está cheio de energia para descarregar. - Alvo riu, o barulho ecoando pela floresta quando recomeçamos a andar.
- Cale a boca. - eu resmunguei, ignorando a verdade nas palavras do meu irmão.
Não estava sendo fácil, mas também não havia muito a fazer. Não enquanto Electra não me desse o consentimento dela.
- Então encerramos essa conversa aqui. - Al soou alegre. - Merlin, eu vou fazer essas poções para ela. - A voz dele ficou mais baixa e ele pareceu, finalmente, entender os riscos que ele e Anabelle tinham corrido.
- Alyssa faz essas poções há algum tempo. Foi ensinada pela mãe. - eu abaixei a voz também. Al sacudiu a cabeça:
- Vou ficar mais tranquilo se eu fizer a poção. - ele resmungou. - Tenho certeza que ela é excelente, mas por Merlin, isso vai tirar o meu sono o resto da minha vida agora.
- Eu não vou comentar. Você já devia pensar a respeito disso. Não é como se você não soubesse de onde vêm os bebês. - eu resmunguei, azedo. Al me lançou um olhar de advertência, mas não perdeu a chance de me provocar:
- Se você está frustrado, vá conversar com a sua esposa e largue do meu pé.
Eu estreitei os olhos, mas decidi não gastar a minha paciência com ele. Eu tinha conversado com ele, alertado sobre os riscos e, agora ele tinha que ser o menos imbecil possível.
- E, se eu fosse você, ficaria esperto. Electra e eu estamos seguros nesse quesito, - eu olhei meu irmão de canto de olho. - Mas Cygnus vai moer você no soco se descobrir.
- Ele vai moer você também no soco. - Al replicou.
- Electra e eu somos mais velhos e ela já cortou as asinhas dele na nossa direção. Então, boa sorte. - eu sacudi os ombros, erguendo as sobrancelhas quando uma luz vermelha brilhou no céu.
Os Black tinha conseguido alguma coisa.
- Aquela coisinha brilhante. - Alvo resmungou, apertando o passo na direção de Pontas. - Anabelle está aprontando.
- Como sabe? - Aric franziu a testa e Al apontou para as faíscas vermelhas no topo das árvores a uma boa distância de nós. - Isso pode ser qualquer feitiço.
- Não é. Ela está fazendo isso de novo. Ela está aprontando alguma. Anabelle não joga limpo. - Al sacudiu a cabeça, indignado.
- Você joga limpo? - eu ergui as sobrancelhas, ignorando o olhar lancinante de Alvo sobre mim.
- Ela está aprontando alguma. - ele alertou. - Confiem em mim.
- É difícil, se nem você sabe o que ela está fazendo. Nem sabe se é ela. Pode ser Cygnus, Sirius, quem sabe até a Electra. - Pontas disse, sério. - Vamos focar no nosso alvo: pegar a Mortalha-Viva.
- Nós estamos sendo bem medíocres nisso. - Aric reclamou e eu sacudi a cabeça:
- Tem que ter outra forma. Só procurar por magia negra em uma floresta que fede a magia negra não vai funcionar.
- Tem uma ideia melhor? - Pontas questionou, sério. - Porque nos dividirmos é arriscado. Ainda mais com aquela coisa perto da gente.
- Eu me recuso a perder para Sirius. - Aric reclamou.
- Continuamos assim, mas eu gostaria de pelo menos pegar mais alguma coisa. Deve ter algo maligno aqui além da Mortalha. - Pontas insistiu.
- Minha mãe não me deixava andar aqui dizendo que havia uma Megera por aqui. - Aric ponderou. - Mas nunca soube se era verdade ou se ela só não queria que eu saísse sozinho e me enfiasse em problemas com alguma planta venenosa.
- Considerando que seu pai adotou uma Mortalha-Viva, eu não duvidaria. - Al sacudiu a cabeça. - Então temos uma Mortalha-Viva, uma Megera, plantas venenosas. Algo mais?
- Ela também disse algo sobre Elfos da Bavária. - Aric sacudiu os ombros, parecendo despreocupado.
- E você resolve avisar isso agora? - eu encarei o Nott, que bocejou:
- Eles não ficariam aqui, de todos os lugares. E nunca houve nenhum ataque no terreno ou fora dele.
- Porque seu pai controlava essas criaturas. - eu disse, sério. - O quão real isso pode ser?
- Cinquenta por cento. - Aric ponderou. - Eu acho que ela só queria me assustar. Essas coisas são conhecidas por comer criancinhas.
- Mas e os outros cinquenta por cento? - Pontas questionou. Aric encolheu os ombros:
- Estou levando em consideração a Mortalha-Viva que meu pai adotou. - Ele apontou para mim com a cabeça. - Vai saber. Ele era maluco. Mas como estamos andando no meio da floresta, sem fazer questão de sermos silenciosos, acredito que sejam só histórias para me assustar. Viemos aqui diversas vezes e, além da nossa captura, - ele olhou para mim. - ninguém foi atacado aqui.
- Bem, uma floresta com magia negra pode ter de tudo. - Pontas ponderou. - Vamos nos manter juntos. E, Alvo, por favor, avise o outro grupo da possibilidade dessas criaturas mais do que agradáveis.
Al assentiu, enviando um patrono para Anabelle, e nós continuamos a caminhada lenta pela floresta, dessa vez mais silenciosos. Aric ainda descrente das histórias da mãe, Alvo ainda remoendo a conversa comigo, Pontas e eu procurando por qualquer coisa que mostrasse o mínimo de perigo para nosso grupo.
Era difícil não pensar nos riscos que Els corria com a possibilidade de todas aquelas criaturas enquanto eu estava longe dela.
Não era como se ela não soubesse se defender - Els se defendia muito bem sozinha, não dependia de mim e nem de ninguém para se cuidar, mas honestamente, era difícil ficar tranquilo sabendo que a porra de um Elfo da Bavária estava a solta junto com a Mortalha-Viva.
- Espero que a Mortalha tenha comido todos eles. - Al resmungou, como se lesse a minha mente.
- Eu também. - eu não pude deixar de discordar.
- Eu, não. - Pontas soou alegre. - Eu gostaria muito de um pouco de ação. Estou ficando enferrujado e eu só tenho dezesseis anos.
A frase não poderia ter sido dita em um momento menos inoportuno - Alvo gritou um palavrão, me puxando com força pelo cotovelo para o lado dele quando uma coisa com muitas pernas aterrissou sobre onde eu estava antes.
- QUE PORRA É ESSA?! - Alvo berrou, enquanto eu me levantava, meio atordoado. Aric e Pontas tinham tomado a frente, já que Al e eu estávamos no chão e eu ainda estava meio tonto do tranco e pancada de ter sido arrastado pelo meu irmão.
- Esse ela nunca comentou. - Aric se defendeu, parecendo assombrado. - Merda. Um Quintípede.
- Achei que eles gostavam do norte da Escócia. - Pontas disse, com a varinha apontada para a criatura que nos avaliava como se escolhesse quem seria o primeiro prato.
- A Mortalha-Viva também gostava de países tropicais e aqui estamos nós. - eu resmunguei, azedo. - Alguém sabe lidar com Quintípedes?
- Não. - Alvo soou cansado. - Meu limite é Poltergeist.
- Eu queria tanto a Mortalha-Viva. - Pontas resmungou. - Nem pensei em pesquisar sobre outras criaturas.
- Eu realmente nunca ouvi falar de um Quintípede aqui. - Aric soou sincero e a coisa atacou, mirando no Nott, que desviou para a direita e mirou um Estupefaça na criatura.
A criatura cujo couro era tão espesso que era como se o feitiço não tivesse feito nada além de irritá-la mais ainda.
- Merda. - eu xinguei, puxando Al pelas costas da camisa quando ele virou o novo alvo, tentando um Arania exumai, na tentativa de que, apesar de criaturas diferentes, ambas tinham muitas pernas e, na minha cabeça, era semelhança o suficiente para que o feitiço tivesse algum efeito.
É claro que não teve.
- Essa coisa tem cinco pernas, não oito, James! - Alvo pareceu frustrado. - NÃO É UMA ARANHA!
- EU SEI QUE NÃO, MAS ACHEI QUE IA FUNCIONAR! - eu rebati, assistindo Pontas aparatar para o outro lado da pequena clareira que estávamos, tentando um Impedimenta, que teve um sucesso razoável.
Era possível, mas não era fácil.
- Vamos ter que nos juntar. - Alvo derrubou um galho de árvore em cima do bicho, que desviou, soltando um rosnado que fez os cabelos da minha nuca se arrepiarem.
- Sugiro Reducto. - eu bufei, usando um Protego para evitar ser comido vivo por outra coisa que não uma Mortalha-Viva.
- Feito. - Al parou do meu lado e, quando a coisa nos encarou, nós gritamos o feitiço juntos. O quintípede perdeu um punhado de pelos, mas fora isso, não teve quase nenhum efeito sobre ele. Alvo e eu conjuramos um Protego para evitar sermos comidos de novo e Aric acertou uma centelha de fogo nas costas do quintípede.
Houve um pouco de fogo, mas a criatura era inteligente o suficiente para rolar de costas e apagar a pequena porção que queimava.
Então, agora além de meio careca, a coisa estava meio queimada e o cheiro já não muito agradável, agora fazia meu estômago se revirar.
- Eu vou apelar. - Alvo bufou e eu conjurei um Confringo, o que jogou o Quintípede para longe, mas não o destruiu. - Avada kedavra! - ele gritou, depois de correr para a frente de todos nós.
O Quintípede caiu morto.
- Então há uma forma de conter um desses. - Aric disse, quando o silêncio ficou muito longo. Alvo se virou para nós, os olhos ainda cheios de preocupação:
- Todos inteiros? - ele questionou. Pontas e Aric assentiram e eu passei a mão pelo cabelo:
- Precisamos contatar o outro grupo e avisar que precisamos levar outra criatura para Caradoc. - eu respirei fundo. - Sem hesitação?
- Não sei você, mas entre morrer e matar, eu prefiro a segunda opção. - Alvo respondeu, seco, batendo o pouco de mato que tinha sujado a camisa escolhida para o dia. - Exceto em alguns casos muito especiais, mas não cabe a conversa agora. Está chateado?
- Não. Só surpreso.
- Não quero ninguém mais morto. - Al me encarou, sério. - E, depois do que fizeram a Gideon, não há mais volta. Se querem jogar sujo, então vão descobrir que não são os únicos capazes disso.
- Tudo bem. - eu sacudi os ombros. - Vamos. Precisamos encontrar os outros.
Não foi muito agradável quando nós chegamos ao ponto de encontro, onde os Black nos esperavam, com uma Megera amarrada. Anabelle contava o ocorrido, cheia de alegria, para Caradoc quando nós chegamos. Electra estava sentada na escadaria, tomando água de uma taça, parecendo homicida.
O cabelo antes abaixo da cintura, agora estava acima da cintura dela e Electra tinha um corte no rosto. Eu apertei o passo na direção da garota:
- O que aconteceu? - eu perguntei, agachando de frente com Electra, que me encarou, franzindo os lábios:
- Aparentemente, Megeras gostam de carne no geral e eu tenho um cheiro maravilhoso e uma pele muito macia. Faria uma ótima pururuca. - ela respondeu. Eu torci os lábios.
Não era engraçado. Ela tinha sido quase comida por uma Megera.
Mas se chamar de pururuca era um pouco demais.
Eu caí na gargalhada, mas ela me lançou um olhar de alerta.
- Ela cortou metade do meu cabelo e, para sorte dela, Sirius ainda tem um pouco de bom-senso, porque eu iria matá-la, mas ele a amarrou antes disso e Cygnus me impediu de queimá-la viva.
- Não estamos na Idade Média. - eu lembrei.
- Ela mereceu depois de me chamar de Pururuca Saborosa. - Electra resmungou, ignorando as gargalhadas enquanto a irmã contava em detalhes o ocorrido.
Eu caí na gargalhada, beijando a bochecha da bruxa.
- Mas você está bem?
- Eu só quero meu cabelo de volta. - Electra resmungou. - Levei anos para deixá-lo perfeito e essa coisa o destruiu por puro despeito!
- Não era despeito. Você realmente cheira bem. - eu dei um selinho demorado na garota. - Podemos arrumar seu cabelo depois. Quem a amordaçou?
- Cygnus. Ele achou prudente porque sabia que se eu ouvisse a palavra pururuca de novo, ela iria morrer. - Els resmungou e eu voltei a beijá-la, em uma tentativa frustrada de segurar a risada. Eu falhei miseravelmente, porque precisei me afastar para rir:
- Eu vou ser o advogado do diabo, mas você realmente tem uma pele macia e um cheiro muito bom. - eu beijei a bochecha da Black, incapaz de segurar um sorriso. - Pegamos um Quintípede.
- Achei que eles gostassem do Norte da Escócia. - Els franziu a testa, passando a mão pela minha bochecha. - Você está bem?
- Alvo quase me deu uma concussão ao salvar a minha vida, - eu suspirei. - mas estou bem. Precisamos matar a coisa. Foi difícil. Mas não mais difícil ouvir que eu seria uma pururuca muito boa.
Els me lançou um olhar de alerta, mas eu não deixei de sorrir. Era bom vê-la bem e, quase, inteira, depois de saber que tipo de coisa habitava a floresta dos Nott. Eu me levantei e fiz com que Els levantasse novamente, enquanto Sirius e Pontas discutiam os próximos passos. Aric inteirava todos sobre as criaturas que a mãe disse existirem na floresta, mas que nunca tinham sido vistas por ele - Alyssa, Remus, Regulus, Lily e Evan pareciam exasperados, enquanto Fabian e Caradoc apertavam Al para contar como ele tinha matado o Quintípede.
Al não cedeu nada além de "foram muitos feitiços, todos dentro da legalidade, se acalmem". Anabelle se pendurava no braço dele, orgulhosa do namorado e Cygnus veio a passos apressados na minha direção de Els:
- Está mesmo bem? Aquela árvore parecia bem rígida. - ele se inclinou na direção da irmã mais velha. Eu franzi a testa e Cyg me olhou. - Ah. Ela não contou?
- Não. - eu estreitei os olhos para Electra, que se fingiu de desentendida.
- A Megera a atacou primeiro e jogou Els contra uma árvore. Ela bateu as costas e ficou com um pouco de falta de ar. Depois ela ficou irritada. - Cyg colocou as mãos nos bolsos. - Está mesmo bem?
- Sim, Cyg. Não se preocupe. - Els suspirou. - Pegamos uma Megera, um Quintípede e nada da Mortalha-Viva.
- Aparentemente temos muitas criaturas nesta floresta. - Cyg ponderou. - Será que conseguimos fazer tudo hoje?
- Precisamos entrar antes do anoitecer. - eu sacudi os ombros. - E ainda nem almoçamos.
- Sugiro descansarmos um pouco e almoçar. - Cygnus olhou para os outros cinco, sobre a cabeça da irmã. - E depois voltarmos. Precisamos nos reorganizar.
- Achei que iríamos manter as equipes. - eu franzi a testa.
- Com esse tanto de coisa na floresta? Sem chance. - Cyg sacudiu a cabeça.
- Mas agora só tem um elfo da bavária. - Els insistiu.
- Nunca foi dito que era apenas um e um Quintípede jamais foi mencionado. - Cygnus lembrou. - Vamos redefinir o plano. - ele saiu em direção a Sirius e Pontas, que se inclinaram na direção dele quando Cyg começou a falar.
- Eu só queria um jogo, sabe. - Els bufou, chateada.
- E eu só queria agarrar você, mas aparentemente nem isso eu consigo mais. - eu resmunguei. Els riu:
- E quem disse que você precisa ganhar uma competição para isso? - ela rebateu, se soltando de mim e foi até onde Aric explicava as histórias da mãe para os outros, me deixando estupefato para trás.
Ela era mesmo um pesadelo em forma de sonho.
