Disclaimer: As Crônicas de Nárnia, bem como seus respectivos personagens, não me pertence, e sim a C. S. Lewis. Posto esta fic apenas por diversão e entretenimento, e sem nenhuma intenção de lucrar algo com isso.

N/T: Esta fic também não me pertence, ela é uma tradução da fic "A Chance to Love", de The Cat's Paw. A autora me autorizou a traduzi-la.


UMA CHANCE PARA AMAR

O ar fresco e límpido de Londres a envolvia enquanto caminhava rapidamente até a estação de trem. Susan Pevensie, aos vinte e dois anos, estava voltando para casa depois de passar uma semana com amigas. A semana tinha sido um turbilhão de fofocas, festas e compras de vestidos, mas agora havia acabado e ela estava indo embora. Mas ela e suas amigas Marjorie, Alison e Fiona já haviam feito planos para se encontrarem novamente, da mesma forma, dali a alguns meses. Susan sorriu ao pensar nisso, já esperando ansiosamente por essa ocasião.

Enquanto caminhava, um breve pensamento sobre como o resto da família via a sua vida passou por sua mente, e ela franziu a testa. Todos achavam que ela estava perdendo tempo, especialmente Peter, e não entendiam que ela era feliz. Estavam todos muito preocupados em se encontrar para conversar sobre uma brincadeira de criança ao invés de levarem a sério e seguir com suas vidas. Claro, Peter estava estudando, Edmund estava analisando suas opções e Lucy falava sobre cursar enfermagem um dia...

Mas eles frequentemente largavam tudo o que estavam fazendo só para ficar sentados conversando sobre Nárnia ! Susan poderia ter se juntado a eles, se não tivessem insistido tanto que era real ao invés do jogo que era. E, para piorar a situação, tinham trazido o Professor Kirke para a brincadeira, e ele até os encorajou !

Mas não importava. Susan ainda os amava, e eles ainda a amavam. Mesmo que a aborrecessem com suas conversas constantes sobre Nárnia. Ela fechou os olhos brevemente, afastando a visão de um belo príncipe de cabelos escuros. Seu coração acelerando rapidamente antes de voltar ao normal. Tinha sido um jogo. Um jogo.

A estação de trem já estava à vista, e ela comprou a passagem. Seria uma viagem de vinte minutos, no máximo, portanto logo ela estaria em casa. De pé na plataforma, ela olhou para o relógio da estação, notando que eram quase nove e meia. Olhando ao redor, percorreu distraidamente com o olhar os rostos dos passageiros, sem realmente esperar ver alguém conhecido. Então, ficou bastante surpresa ao ver seus pais ali. Sorrindo, Susan foi até eles.

- Mamãe, papai - ela os cumprimentou e eles viraram-se surpresos, com sorrisos formando-se em seus rostos.

- Susan ! - Helen Pevensie cumprimentou-a, aproximando-se para abraçar a filha - Que surpresa inesperada ! O que está fazendo aqui, querida ?

- Estou voltando para casa - disse Susan, afastando-se para abraçar o pai - Estive com as garotas a semana inteira. E vocês ?

- Estamos indo para Bristol - disse James Pevensie - Para ver Victor e Maribelle.

Victor e Maribelle Harding eram velhos amigos dos pais dela, e Susan crescera tendo contato com a filha deles, Jennifer, que tivera uma queda por Peter há muito tempo, quando as duas tinham treze anos.

- Que maravilha ! - disse ela - Oh, vocês vão cumprimenta-los por mim, não vão ? E perguntar por Jenny, também ?

- Claro que sim, querida ! - Helen respondeu com um risinho.

Eles conversaram mais um pouco, até que um sino soou no alto-falante da estação e uma voz zuniu, anunciando que o trem chegaria. Quando o trem chegou e passou por eles um pouco antes de parar, Susan olhou pelas janelas, e podia jurar ter visto um rosto familiar, o de seu primo Eustace. Mas ela deixou passar e embarcou ao lado dos pais.

Susan e seus pais continuaram conversando enquanto viajavam. Ao saírem da estação antes de sua parada, ela não percebeu a velocidade crescente do trem. Nem sequer percebeu quando, muito rapidamente, o trem fez a curva antes do seu ponto. Mas percebeu quando o trem saiu dos trilhos. E certamente percebeu quando o vagão em que estava inclinou-se demais para um lado, antes de capotar, jogando-os para longe, de um lado para o outro, e indo direto até a plataforma.

- Mamãe ! Papai ! - ela chorava enquanto era arremessada de um lado para o outro no compartimento.

Ela estendeu a mão para os pais, eles estenderam-nas, então o vagão bateu em alguma coisa, e o pequeno cômodo ao redor dela cedeu com o impacto. Susan segurou a mão da mãe, agarrando-a desesperadamente, enquanto seu pai puxava-as para perto. Detritos caíram sobre eles, do teto e das paredes, enquanto cacos de vidro das janelas arrebentavam-se sobre eles. Susan gritou, mas o grito foi interrompido quando algo a atingiu na nuca.

Ela caiu com força, e depois não teve consciência de mais nada.


O som das ondas quebrando embalou-a para dormir. Ela suspirou levemente, piscando os olhos enquanto se espreguiçava, a visão do céu azul deslumbrante e das nuvens brancas e fofas cumprimentando-a. Ela sorriu alegremente, era o tipo de felicidade que sentia-se ao acordar de um sonho prazeroso. Sentou-se, olhando ao redor, e viu que estava na orla de uma praia, a areia de um lado e a grama abaixo de si, do lado oposto. Distraidamente, perguntou-se onde estava, já que apenas um momento antes ela estava...

Ela estava...

Os olhos de Susan se arregalaram enquanto ela levantava-se de um salto. O trem ! Eles tinham descarrilado, e seus pais estavam com ela. O trem havia batido ? Então... como ela estava ali ? Onde ela estava, afinal ?

- Mamãe ! - ela chamou - Papai !

Ela correu pela praia, através da linha de árvores esparsas, chamando-os. Não havia nada. As lágrimas escorriam com o passar do tempo e ela continuava sem encontra-los. Finalmente Susan parou de procurar e sentou-se em uma rocha que se projetava do chão, e chorou. Sentia-se tão confusa. O que havia acontecido ? Ela estava morta ? Seus pais também estavam mortos ?

- Ei, jovem senhorita ! - uma voz gritou de repente para ela, e Susan ficou tão surpresa que quase caiu de sua acomodação na rocha.

Olhando ao redor, ela não conseguiu ver ninguém, mas então uma voz a chamou:

- Ei, aqui embaixo ! - e ela olhou para baixo e viu uma pequena... pessoa... olhando fixamente para ela.

- O que...?

- Como diabos você chegou aqui, senhorita ? - a diminuta pessoa perguntou - Isto aqui é uma ilha e, a menos que você tenha voado até aqui, ou mesmo nadado...

- Uma ilha ? Onde eu estou ? - ela perguntou.

- Esta é a ilha em que nós vivemos - respondeu a pessoa - Eu sou Tarton, sou um Tontópode - ele disse isso com tanto orgulho que Susan não pôde conter um sorrisinho.

- Preciso voltar para casa - disse ela - Houve... houve um acidente, meus pais estão feridos e eu preciso encontrá-los.

- Oh, que meiga senhorita você é, preocupando-se com seus pais desse jeito ! - gorjeou Tarton - Venha, eu vou te levar até o chefe. Ele é extremamente esperto, sabia ? Aposto que ele pode te ajudar !

Susan seguiu Tarton, que ia praticamente saltando à sua frente. Enquanto caminhavam, ela não pôde evitar olhar ao seu redor. Tudo era lindo ali, nada selvagem como se poderia esperar de uma ilha. Tudo parecia bem cuidado, como um jardim. E logo chegaram a gramados bem cuidados, cercas vivas aparadas e até mesmo um labirinto. Um pouco mais adiante, ela avistou uma mansão.

- Quem mora ali ? - ela perguntou, apontando para o prédio.

- Um grande e terrível mago ! - respondeu Tarton dramaticamente, com um tremor similar - É melhor não cruzar o caminho de alguém como ele, jovem senhorita !

Susan assentiu distraidamente enquanto desviava o olhar do prédio, e então fez uma pergunta, uma que vinha avolumando-se em sua mente, apesar de negar o que aquilo poderia significar.

- Tarton ? Isto é... nós estamos em Nárnia ?

- O que é uma Nárnia ? - inquiriu Tarton, e Susan perguntou-se brevemente se ele sabia de alguma coisa, fora de sua ilha natal.

- É... - Susan começou a explicar, mas logo balançou a cabeça - Não importa.

Logo eles se depararam com mais pessoas como Tarton.

- Chefe ! Chefe ! Cadê o chefe ? - gritou o guia - Eu encontrei uma jovem na praia !

Muitos Tontópodes se aproximaram, olhando-a com curiosidade.

- O que você tem aqui ? - um deles perguntou.

- Como uma jovem veio parar aqui ? - perguntou outro.

- O chefe está vindo ! O chefe está vindo ! - gritou outro.

E, de fato, um Tontópode vestido com um pouco mais de elegância que os outros apareceu e começou a observá-la.

- Hmm - disse ele - Uma senhorita. Eu me pergunto, será que aquele mago te trouxe aqui ? Pobrezinha.

- Eu sofri um acidente de trem - disse Susan.

- Bem, eu não sei o que é um te-rem - o chefe esclareceu - Mas, se trouxe você aqui, será que outro pode mandá-la de volta ?

- Que esperto, chefe !

- Uma idéia absolutamente sensacional !

- Vamos conseguir um te-rem para a senhorita ?

- Onde poderíamos encontrar um ?

Susan balançou a cabeça.

- Não há trens aqui - ela respondeu - Eu... talvez o mago saiba como me levar para casa ?

Os Tontópodes se assustaram, parecendo nervosos e inquietos.

- O mago ! - sibilaram - O mago ! O mago !

- Na verdade, talvez ela tenha razão - disse o chefe, e os outros ficaram boquiabertos, chocados - Claro, ele é um mago terrível, terrível, mas tem conhecimento. Ele sabe das coisas ! Talvez ela encontre algo na casa dele que possa ajudá-la.

- Oh, que plano brilhante !

- Como sempre, o chefe conseguiu novamente !

- Maravilhoso ! Maravilhoso !

Susan suspirou. Ela estava começando a sentir que aquelas pessoas não eram tão inteligentes assim. Fechando os olhos por um instante, afastou a tristeza que ainda sentia, e disse:

- Vou ver o mago. Eu já enfrentei pessoas assim antes, vou ficar bem.

- Oh, que corajosa você é, senhorita ! - exclamou o chefe, enquanto os outros choravam de admiração por sua bravura - Tudo bem, então ! Eu a levarei até a casa dele. Quanto aos demais ! Vão fazer as suas tarefas !

- Sim, chefe ! - todos disseram em coro, e depois partiram.

Susan seguiu o chefe, que ocasionalmente esquecia-se de que ela estava ali e se distraía por diversas vezes, mas finalmente ela chegou em frente às portas da grande mansão que tinha visto antes.

- Bem, aqui está, senhorita - disse ele - Boa sorte ! Espero que você saia com vida. Até logo ! - e então ele se foi.

Olhando fixamente para as portas, Susan estava prestes a entrar, mas então lembrou-se de suas boas maneiras e, ao invés disso, bateu. As portas se abriram lentamente e ela entrou. Uma vez lá dentro, as portas fecharam-se rapidamente atrás dela, assustando-a um pouco. Armando-se de coragem, ela virou-se para dentro, mas não havia dado mais do que alguns passos quando uma voz profunda e gentil soou.

- Saudações, Filha de Eva.

Os olhos de Susan dirigiram-se inexoravelmente até onde estava um velho, descalço e vestido com uma túnica azul-escuro. Seus cabelos brancos estavam coroados com folhas de carvalho, e ele segurava um cajado esculpido na mão. Enquanto ele se aproximava dela, Susan percebeu que o propósito do cajado parecia ser apoiá-lo enquanto caminhava. E, no entanto, havia nele uma graça inegável, apesar da idade, que lhe outorgava uma presença quase digna de um lorde.

- Você me conhece ? - ela perguntou.

- Eu sei sobre você, Rainha Susan - disse ele, e ouvir esse título, acompanhado pelo seu nome, rompeu um dique dentro de si, e Susan não conseguiu evitar as lágrimas que caíram repentinamente.

Uma mão afagou-lhe o ombro enquanto ela chorava.

- D-desculpe ! - ela soluçou - Foi um dia terrível ! Embora tenha começado bem, eu... eu...

- Aqui, criança - ele a acalmou - Ponha tudo para fora.

E ela o fez. Susan jogou-se nos braços dele, enquanto os recentes acontecimentos a alcançavam. Ela chorou e chorou até não poder mais chorar e, finalmente, se afastou dele.

- Sinto muito - ela desculpou-se novamente, cansada por causa das lágrimas.

- Não precisa se desculpar pela sua dor - disse ele -Você perdeu pessoas que amava, é compreensível.

- Como...? - ela ainda não tinha dito nada, então como ele sabia ?

- Aslan veio até mim em um sonho, ontem à noite - ele esclareceu - Ele me contou sobre sua chegada e sobre sua perda, embora sem muitos detalhes. Ah, onde estão os meus modos ? Eu sou Coriakin, mestre desta casa e governante dos Tontópodes. Embora eles desejassem o contrário.

- Aslan... - Susan refletiu - Então nós estamos em Nárnia ?

- Não exatamente - respondeu Coriakin - Esta ilha fica bem distante da terra que você se lembra, no Grande Oceano Oriental.

Susan assentiu, imaginando a que distância estariam. Ela nunca tinha ido além das Ilhas Solitárias antes... suspirou, percebendo que não havia mais sentido em tentar negar Nárnia.

- Suponho que Aslan não lhe contou por quanto tempo eu ficaria aqui ? - ela perguntou - Ou como eu posso voltar para casa ?

Coriakin balançou a cabeça tristemente.

- Infelizmente não - ele respondeu - Mas ele disse que logo estaria aqui, para responder as perguntas que você possa ter. Enquanto isso, posso oferecer minnha casa como sua, Sua Majestade ?

- Oh, só Susan já está de bom tamanho - disse Susan - Obrigada por me deixar ficar.


Pouco mais de um mês se passou antes da chegada de Aslan e, durante esse tempo, Susan adaptou-se bem à casa de Coriakin. Os Tontópodes ficaram encantados com sua estadia, embora não conseguissem entender por que Susan gostava do "mago terrível". Coriakin havia criado um guarda-roupa especial para ela, com vários conjuntos de roupas e sapatos, e seu quarto tinha uma vista deslumbrante para o oceano, com uma varanda só para ela.

Muito do seu tempo ela passava na biblioteca, que estava abarrotada de livros que lera e outros que também não lera em suas outras visitas a Nárnia. Era nostálgico abrir um livro que continha histórias que ela lera como um dos quatro monarcas governantes, e emocionante ler um que detalhava uma batalha ousada que acontecera antes de sua época, mas que não fora registrada em Nárnia. Era um livro calormano, um que tinha poucas cópias, todas, afora aquela, na grande biblioteca da capital.

Susan também costumava caminhar com frequência pelos jardins, e ir à praia. Tarton, que passara a segui-la quando ela saía da mansão, falava muito sobre tudo e nada, sem fazer muito sentido para ela na maior parte do tempo. Então ele se distraía por uma ou outra razão, saía correndo, e Susan não o via por um tempo até ele voltar e começar a falar novamente. Ele repetia suas histórias com frequência, mas Susan o mimava com carinho.


Foi durante uma de suas caminhadas na praia, depois que Tarton se afastou, que ela subitamente percebeu que alguém a acompanhava. E esse alguém era Aslan. Susan parou de repente e virou-se para encará-lo, com os olhos arregalados. Ela encarou-o e olhou-o fixamente, depois desviou o olhar, envergonhada, ao lembrar que tinha se esquecido de Nárnia, em seu afã para seguir em frente e ter uma vida feliz.

- Me desculpe - ela sussurrou, enquanto uma única e grossa lágrima rolava pelo seu rosto.

- Pelo quê, minha filha ? - ele perguntou - Eu a mandei de volta ao seu mundo para viver uma vida feliz. E você era feliz, não era ?

Susan assentiu.

- Peter e os outros não acreditavam em mim quando eu falava com eles - disse ela - Eles acharam que eu estava me escondendo, fingindo, e acho que, em parte, eu estava. É que... eu fiquei devastada quando você disse a Peter e a mim que nós nunca poderíamos voltar. Eu estava tentando lidar com isso, mas eles sempre falavam sobre Nárnia... doía, Aslan. Principalmente quando...

Ela parou, pois realmente não queria dizer a parte que vinha a seguir. Mas, então, Aslan disse por ela.

- Principalmente depois de você tê-lo deixado para trás - ele anuiu sabiamente - Caspian.

Susan assentiu, tentando conter as lágrimas. Então olhou para ele, e perguntou:

- Você está aqui para me levar para casa, agora ?

Aslan suspirou e ergueu o olhar para o céu.

- Não importa se você realmente deseja voltar ou ficar, você não pode voltar - disse ele, virando-se para ela com uma expressão séria - Receio que você tenha morrido naquele dia, Susan.

O choque a percorreu, mesmo que uma pequena parte de seu cérebro soubesse que era verdade. Ela inalou uma forte lufada de ar, fechando os olhos em sinal de luto.

- Meus pais também ? - ela perguntou.

- Sim - confirmou Aslan - Mas tem mais. Você viu seu primo no trem, certo ?

- Eu... eu não tinha certeza - disse ela.

- Ele estava lá, assim como sua amiga Jill - ele informou-a - Mas, esperando por eles, na estação...

"Não diga isso. Por favor, não diga isso !"

- Seus irmãos, assim como Diggory e Polly - foram as palavras que fizeram soar o último sino.

As lágrimas brotaram uma vez mais, e Susan chorou, enquanto considerava ter chorado tudo o que podia. Embora não tivesse chorado tanto, ainda estava pesarosa por sua família e seus amigos. Então um pensamento lhe ocorreu, embora tenha demorado um pouco para conseguir verbalizá-lo.

- Eles estão... eles... eles também estão aqui, em algum lugar ?

Aslan negou com a cabeça, sua juba majestosa esvoaçando com o movimento.

- Todos mudaram-se para o meu país - disse ele - Eu a trouxe aqui para lhe dar outra chance nesta vida.

Susan enxugou as lágrimas.

- O que você quer dizer ? - ela perguntou.

- Para onde os outros foram, tudo isso, toda Nárnia, acabou - ele esclareceu - Mas aqui e agora, para você, faz apenas três anos que você e seus irmãos ajudaram a derrubar Miraz e o regime telmarino.

- Três anos ? - balbuciou - Então ele... então Caspian está...

- Vivo, sim - disse Aslan - Sei que você soube da morte dele depois que Eustace e Jill voltaram da primeira visita de Jill, aqui. Eu queria lhe dar a chance de viver sua vida aqui, com ele.

O coração de Susan disparou rapidamente com essa admissão e ela se atirou em Aslan, abraçando-o com força. Ele riu baixinho e levantou uma pata para retribuir-lhe o abraço. Então ela se afastou quando um pensamento lhe ocorreu.

- Se você me trouxe aqui para isso, então por que eu não estou em Nárnia ?

- O rei zarpou há pouco tempo, para localizar sete dos lordes de seu pai - Aslan revelou - Ele estará aqui em breve. Mas saiba disso: Edmund, Lucy e Eustace estão com ele, esta foi a última viagem de seus irmãos aqui, e a primeira de seus primos. Eles são, para todos os efeitos, do seu passado.

Susan mordeu o lábio.

- Suponho que você não queira que eu conte a eles sobre o acidente de trem ? - perguntou.

- Você pode - respondeu Aslan - Eles se lembrarão enquanto estiverem aqui, mas se esquecerão quando voltarem. E, quando partirem para o meu país, se lembrarão novamente e poderão contar a Peter e aos outros o que aconteceu com você.

Aslan inclinou-se para soprar levemente sobre ela, enchendo-a de um vigor renovado, antes de beijar-lhe a testa com o nariz.

- Seja feliz, minha filha - disse ele - Eu a verei novamente quando eles chegarem a esta ilha.

E, no instante seguinte, ele se foi.


Pouco depois disso, Coriakin tornou todos os habitantes da ilha invisíveis.

Ele explicou a Susan sobre a névoa, e ela concordou de todo o coração, embora os Tontópodes não fossem tão complacentes. Eles resmungaram e reclamaram, depois começaram a sussurrar sobre opressão e sobre seus direitos de serem visíveis. Coriakin os ignorou na maior parte do tempo, afinal, era para protegê-los. E Susan também os deixava em paz. Mesmo que caminhar não fosse tão agradável quando se estava invisível, ela acabou passando a maior parte do tempo dentro de casa.

Susan estava na cozinha quando Lucy chegou, forçada pelos Tontópodes. Estava sentada num banquinho, comendo um doce e lendo, quando Coriakin entrou, com Lucy e Aslan atrás de si.

- Susan ! - Lucy chorava, correndo até ela e envolvendo-a num abraço - Você está aqui ! Você está aqui ! Eu não acredito !

Susan deixara cair o livro e estava quase engasgando com o doce, que começara a descer pelo caminho errado, com o abraço exuberante de Lucy. Desajeitadamente, deu um tapinha nas costas da irmã, tossindo para recuperar o fôlego, antes de envolvê-la num abraço caloroso. As lágrimas ameaçaram rolar, mas ela as conteve, embora não conseguisse evitar um leve tremor. Lucy percebeu mesmo assim e se afastou dela.

- Su ? Qual é o problema ?

A preocupação em sua voz tocou em um ponto sensível e Susan desabou, contando-lhe tudo. Não houve muitas lágrimas desta vez; honestamente, ela tinha quase certeza de que já tinha usado todas, a esta altura. Mas ela segurou com firmeza a mão da irmã durante toda a narrativa, mesmo com os olhos de Lucy se arregalando, primeiro de horror, depois de compaixão e amor.

- Mas Aslan te trouxe aqui, para que você pudesse se encontrar com Caspian novamente - disse Lucy, falando do leão que, em algum momento, havia partido com Coriakin - Isso é... Susan, ele está lá fora agora ! Oh, como eu pude esquecer ! Vamos, Su !

Lucy agarrou a mão dela e começou a guia-la para fora, com Susan tendo que assumir a liderança e indicar o caminho. Finalmente, elas saíram correndo pela porta da frente e encontraram Coriakin conversando com todos os que tinham vindo com Lucy. Ela viu Edmund, um Eustace com expressão mal-humorada, Ripchip e...

E ele.

Ele conversava com Coriakin, concordando com o que quer que o mago (uma estrela, Susan já sabia) estivesse dizendo. Susan prendeu a respiração ao vê-lo; parecia ainda mais belo do que ela se lembrava. Ela deleitou-se com a visão dele, mesmo quando Edmund ergueu os olhos e a viu.

- Susan ! - seu irmão gritou alegremente, e ela viu Caspian levantar a cabeça, surpreso.

Edmund correu até ela, envolvendo-a num abraço forte. Susan percebeu que o irmão já estava em Nárnia há algum tempo, seu abraço era firme e forte. Ela retribuiu o abraço com igual fervor, se não com a mesma força. Fechou os olhos e abraçou-o com força, muito feliz por poder ver ele e Lucy por esta última vez. Edmund se afastou, e perguntas começaram a sair de seus lábios. Susan virou-se e viu que Caspian tinha dado alguns passos na direção deles e olhava-a com espanto, como se não pudesse acreditar que ela realmente estivesse ali.

- Como você chegou aqui ? - perguntou Edmund - Peter também está aqui ?

Susan desviou o olhar de Caspian e fez um gesto negativo com a cabeça.

- Só eu - respondeu, mas hesitou em contar tudo, após ter acabado de extravasar com Lucy.

Edmund pareceu confuso, mas bem na hora em que ia abrindo a boca para fazer mais perguntas, Lucy se adiantou e agarrou-lhe o braço.

- Vamos, Ed - disse ela - Vou te contar tudo o que Susan acabou de me revelar.

Lucy lançou um olhar significativo para Susan, depois lançou outro para Caspian, antes de arrastar o irmão, que protestava, para longe. Coriakin chamou Ripchip e os outros para uma conversa, enquanto Caspian hesitava em avançar, diminuindo o espaço entre eles, até ficar quase ao alcance de um braço.

Ele abriu a boca, fechou-a e abriu-a novamente, mas, antes que pudesse dizer alguma coisa, Susan falou:

- Venha, eu conheço um lugar onde podemos conversar a sós.

Caspian assentiu e a seguiu enquanto ela o conduzia a um de seus recantos favoritos nos jardins atrás da mansão. Uma vez lá, ela dirigiu-se a um banco de pedra ao lado de uma estátua de um fauno e sentou-se. Caspian, hesitantemente, seguiu-lhe o exemplo. Eles olharam-se fixamente por mais um instante, então Caspian, timidamente, ergueu uma das mãos, roçando levemente os dedos em sua bochecha, e ela corou devido à sensação que isso causou.

- Você está mesmo aqui - sussurrou ele - Mas como ? Aslan disse que você e o Rei Peter jamais poderiam voltar.

- Eu voltei porque já não existo em meu mundo - disse Susan e, ao perceber sua confusão, declarou com clareza: - Eu morri. Aslan me trouxe aqui, ao invés de me levar para o seu país para que eu... para que nós...

A compreensão iluminou seus olhos, e Caspian abriu um sorriso radiante.

- Fico feliz - sussurrou ele, inclinando-se e roçando os lábios suavemente nos dela.

Susan suspirou contra os lábios dele, sentindo-se decepcionada quando ele se afastou. Então ela estendeu as mãos, agarrou-o pela gola da camisa e puxou-o para si em um beijo mais profundo. Caspian retribuiu avidamente, e logo os dois estavam envolvidos numa sessão de beijos intensos. As mãos dele entrelaçaram-se nos cabelos dela, enquanto as dela exploravam-lhe o peito bem definido. Susan afastou-se brevemente para recuperar o fôlego, e então submergiu mais uma vez.

Ficaram ali sentados por um tempo, respirando fundo entre beijos, até que finalmente Caspian afastou-se por completo. Sua mão pousou ao lado do rosto dela, os dedos enterrados em mechas de seu cabelo.

- Estou tão feliz por você estar aqui - disse ele - Minha rainha. Meu amor. Senti tanto a sua falta nestes últimos três anos.

Susan sorriu.

- Eu também senti a sua falta - disse ela - Embora, para mim, já tenham se passado seis anos.

A confusão o fez franzir a testa.

- Mas Edmund e Lucy disseram que só tinha se passado um ano, mais ou menos - ele argumentou.

Susan suspirou, estendendo a mão e tomando a dele e descendo-a ao seu colo, enquanto a outra mão a seguia.

- É uma longa história - ela esclareceu, explicando brevemente o que havia acontecido.

Caspian parecia horrorizado com o fato de que toda a família dela se fora.

- Oh, Susan ! - ele exclamou, beijando-lhe a testa - Eu sinto tanto. Isso é algo que eu jamais desejaria a alguém.

Susan lembrou-se, então, que Caspian também não tinha mais família. Seus pais se foram, até mesmo seu tio, por mais horrível que tivesse sido. E sua tia e seu priminho estavam entre aqueles que atravessaram a porta que Aslan abrira de volta para o seu próprio mundo.

- Está tudo bem - disse Susan - Eu estou bem.

E ela percebeu que realmente estava. Ela havia passado muito tempo de luto ali, e sabia que estava pronta para seguir em frente com sua vida. Não havia como esquecê-los, nada poderia fazê-la esquecer. Mas ela sabia que seus pais e irmãos só queriam que ela fosse feliz, mesmo que Peter, Edmund e Lucy não estivessem de acordo com a forma como ela vinha seguindo adiante, antes.

Susan se levantou, a mão de Caspian ainda na sua, enquanto ela o puxava para ficar de pé.

- Venha - ela o chamou - Vou te mostrar o lugar.

Caspian sorriu e deixou que ela o guiasse.


Mais tarde, naquela noite, após um jantar farto e um encontro com Coriakin, Caspian encontrou-a em seus aposentos. Susan ergueu os olhos de onde estava lendo, sorrindo ao vê-lo. Ela levantou-se, estendendo a mão, e ele aproximou-se ansiosamente. Horas mais tarde, após descobrirem tudo o que podiam sobre os corpos um do outro, ele sussurrou uma pergunta em seu ouvido, e a respiração entrecortada causou-lhe arrepios com aquelas três palavras.

- Case-se comigo, Susan.

Ela arqueou as costas, sob suas renovadas atenções, e respondeu:

- Sim, sim !


Na manhã seguinte, Susan estava na praia ao lado de Coriakin, enquanto Caspian, Edmund, Lucy e os outros preparavam-se para partir em sua longa embarcação.

- Mas por que Susan não pode vir conosco ? - perguntou Edmund.

- Eu já te expliquei, Ed - disse Lucy - Aslan disse que ela tem de ficar aqui até o Peregrino da Alvorada voltar !

- Mas !

- Esta é a sua aventura - disse-lhe Susan - Sua, de Lucy e de Eustace. Não se preocupe, Ed, você me verá de novo em breve.

- Mas não vamos nos lembrar disso, não é ? - perguntou Lucy, tristemente.

- Um dia você vai conseguir - ela disse à irmã.

Edmund se aproximou e a abraçou.

- Eu te amo, Su - disse ele, com veemência - Todos nós te amamos. Nunca se esqueça disso !

- Eu também te amo - Susan disse com a voz embargada.

Então Lucy se uniu ao abraço e os três irmãos se abraçaram, antes de os dois mais novos se afastarem.

- Vejo você no País de Aslan ! - Lucy sorriu em meio às lágrimas.

Eles subiram na longa embarcação, deixando Susan com Caspian. Ele levou a mão dela aos lábios e beijou-lhe os dedos.

- Vejo você em breve, minha rainha - disse ele - Lembre-se de sua promessa de ontem à noite.

Susan corou ao lembrar.

- Até breve, meu rei - respondeu ela, enquanto ele soltava-lhe a mão, que caiu ao seu lado - Não vou esquecer. Eu te amo.

- E eu te amo - ele respondeu, subindo a bordo da longa embarcação.

Eles permaneceram olhando um para o outro, até desaparecerem de vista.


Susan tentou manter-se ocupada enquanto esperava que eles voltassem, mas não conseguia se concentrar em apenas uma coisa. Coriakin a presenteara com alguns de seus livros favoritos, para leitura, além de mais um ou dois que ele achava que ela fosse gostar. Quando ela tentou argumentar sobre retirá-los da biblioteca, ele disse que poderia fazer cópias, se assim desejasse. Susan também estava guardando as roupas do guarda-roupa.

Tarton chorara inconsolavelmente quando ela lhe disse que estava indo embora, soluçando em suas saias e deixando atrás de si uma massa de lágrimas e ranho. Susan fez o melhor que pôde para consolá-lo, antes de trocar de roupa e pôr o vestido que estava usando para lavar. Quando voltou a vê-lo, mais tarde, ele estava animado novamente, aparentemente tendo esquecido por completo do seu lamento de antes.

Susan e Coriakin passaram bastante tempo conversando, principalmente sobre Aslan e como ele a trouxera até ali, apesar da diferença de tempo entre seus dois mundos. No final, Coriakin ficou com algo novo para estudar, embora Susan não tivesse certeza de que alguém pudesse chegar a entender como Aslan trabalhava.

Não, a menos que ele decidisse contar-lhes diretamente.


Passaram-se várias semanas até a embarcação retornar, não apenas com três humanos a menos do seu mundo, mas também com um rato a menos. Aparentemente Ripchip continuou seguindo em frente, mesmo quando os outros retornaram, indo em direção ao País de Aslan.

- Era o que ele queria - Caspian murmurou em meio aos cabelos dela, enquanto sentavam-se lado a lado no longo barco que viera buscá-la - O que ele sonhou por toda a vida.

A despedida de Susan a Coriakin e aos Tontópodes foi doce e repleta de genuíno pesar por eles provavelmente não se encontrarem outra vez nesta vida. Coriakin despediu-se dela quase do mesmo modo que Lucy, quando disse:

- Que um dia nós nos encontremos novamente no País de Aslan, se não neste mundo.


Susan passou todas as noites até chegarem a Nárnia na cabine de Caspian. Sem ele, na maioria das vezes, a menos que ele conseguisse escapar de seus guardiões, Drinian e Rhince.

- Pense na reputação da rainha - disse Drinian com voz arrastada, ao seu rei, sabendo muito bem o quão frustrado Caspian estava com ele, embora parecesse não se importar - Sozinha numa cabine com algum sujeito...

- Algum sujeito ? - Caspian perguntou indignado, enquanto Susan ria.

- Faça o que este homem lhe diz, ele é um bom rapaz - disse Rhince, passando o braço sobre o ombro do rei e levando-o para longe de Susan e da cabine.

Eles fizeram uma escala nas Ilhas Solitárias, desembarcando pessoas e passando uma noite de festejos. Caspian e Susan conseguiram escapar de seus guardiões naquela noite, e pela manhã foi um rei presunçoso que cumprimentou seus homens. Claro, isso só fez com que Drinian se esforçasse ainda mais. Então pararam nas Sete Ilhas, onde foram festejados por mais uma noite. Sem contar que evitaram Drinian e Rhince, este último que havia jurado leva-los para casa, antes de voltar para sua família.

Aproximaram-se de Terebintina, mas não permaneceram por muito tempo após ficarem sabendo que ainda havia uma doença por ali, embora a mensagem de seu rei dissesse que a doença começara a diminuir. Quando chegaram a Galva, permaneceram por uma semana, embora um mensageiro tenha sido enviado a Cair Paravel, informando que o rei voltaria dentro de sete dias.

O Duque de Galva recebeu-os calorosamente, e Caspian e Susan foram acomodados em quartos separados, principalmente quando o duque soube que os dois iriam se casar.

- É o mais apropriado - disse o Duque Algar, para grande irritação de Caspian, e satisfação de Drinian e Rhince.

Caspian conseguiu entrar nos aposentos de Susan apenas uma vez.

Depois de uma semana de festas e conversas políticas, eles partiram novamente. Susan passou a maior parte desses dias no convés, observando os primeiros sinais de casa. Caspian dividia o tempo entre seus homens e, ao lado dela, abraçava-a enquanto observavam os sinais do castelo. Mas Susan estava sozinha no convés, exceto por alguns membros da tripulação, quando o homem no cesto da gávea gritou:

- Cair Paravel, ho !

Caspian, Drinian e os outros subiram correndo para o convés.

- Está realmente lá - sussurrou Susan, enquanto os braços de Caspian envolviam-na pela cintura - Eu estou mesmo em casa.

Caspian sorriu para ela.

- Definitivamente em casa - ele concordou, inclinando-se para beijá-la.

E permaneceram ali, juntos, até que o navio atracou e eles foram recebidos por um surpreso, mas obviamente feliz (embora tentasse negar) Trumpkin.


Muitos, muitos anos depois...

Lucy estava feliz, imensamente encantada por estar ali. Ela, Peter, Edmund, Eustace, Jill, o Professor Diggory e tia Polly, estavam ali, todos juntos. Claro que, a princípio, Eustace e Jill não estavam com eles, mas por fim acabaram juntando-se a eles, e que história eles tinham para contar ! Lucy estava fascinada, e desejava poder conhecer o novo rei de Nárnia e todos os seus outros amigos, também.

No entanto, algo a estava incomodando.

Ela olhava fixamente para a porta à sua frente, que se abria de vez em quando e alguém entrava. A maior parte das pessoas que entravam mostrava-se assustada, mas esse medo os abandonava assim que avistaram as colinas verdejantes e os reis e rainhas à sua frente. Lucy já havia cumprimentado vários animais e criaturas, e a maioria deles movia-se mais para cima e mais para dentro (essa frase causou-lhe um leve arrepio de antecipação).

A única parte desagradável foi quando uma terrível criatura apareceu, quando um gato passou por ali. Lucy lembrava-se o bastante de todas as suas estadias em Nárnia para reconhecer o deus calormano, Tash, mas não esperava sentir tanta maldade. Ela ficou muito feliz quando ele desapareceu, e permaneceu distante a cada vez que ele deu as caras.

Agora, havia um narniano diante deles, e Jill e Eustace apresentaram-no como o rei que ela queria conhecer, o Rei Tirian. Peter conversava com ele, respondendo a uma pergunta que Tirian havia feito.

- Minha irmã Susan já não é mais amiga de Nárnia.

Susan ! Era isso o que a incomodava ! Mas por quê ? Lucy olhou de relance para Edmund, e viu que ele também pareceu afetado por isso. Ele ainda conversava e interagia com todos, enquanto Lucy permanecia em silêncio, feliz por estar ali. E, mesmo assim, Susan... Susan...

- Susan !

Lucy não percebeu que tinha gritado em voz alta até que Peter e os outros olharam para ela, intrigados. Edmund parecia se lembrar, assim como ela. Eles se entreolharam, e de repente as lembranças voltaram à tona.

- Peter ! Peter ! - exclamou Lucy - Agora eu me lembro, Peter !

- Acalme-se, Lucy - disse tia Polly - Do que você se lembrou ?

Lucy pulava para cima e para baixo, mal contendo a excitação com o que se lembrava. Então Edmund respondeu:

- Ela estava no trem com a mamãe e o papai. Aquele em que Eustace e Jill estavam. Aquele que nos atropelou, lembra ?

- Como você sabe disso ? - perguntou o Professor Diggory.

- Porque ela estava lá em Nárnia quando nos juntamos a Caspian no Peregrino da Alvorada - disse Edmund, virando-se para Eustace - Você não lembra ?

Eustace deu de ombros.

- Se foi antes do "dragonismo" - disse ele - , a maior parte está borrada. Bem, depois das Ilhas Solitárias, pelo menos. Acho que eu estava delirando.

- Aslan enviou Susan para a ilha de Coriakin - disse Lucy, com um enorme sorriso no rosto - Peter... ela viveu o resto de sua vida com Caspian !

Os olhos de Peter estavam arregalados de choque e alguma esperança.

- Então, Su está...

- Nos esperando no País de Aslan - concluiu o Professor Diggory, e então sorriu - Brilhante. Absolutamente brilhante.

- Esperem ! - disse Eustace, e então trocou olhares com Jill - Isso quer dizer que Susan foi a mãe do Príncipe Rilian - então ele se virou para o Rei Tirian com um sorriso - Isso significa que você é da família !

Os olhos de Lucy arregalaram-se enquanto contemplava o último rei de Nárnia com uma nova perspectiva.

- Família - ela sussurrou, e então correu para abraçar o tataraneto... o que quer que fosse... de Susan.

Depois disso eles foram distraídos por dwarves, cães, Aslan e o Fim de Nárnia e, finalmente, todos seguiram para dentro, seguindo o rastro de Aslan (mais para cima e mais para dentro !).

- Mal posso esperar para ver Susan ! - Lucy declarou, enquanto corria lado a lado com Edmund.

- Vamos descobrir como foi a sua vida aqui - Edmund sorriu.

Chegaram ao jardim, e Ripchip saiu para cumprimentá-los. Lucy, Peter e Edmund correram para cumprimenta-lo, seguidos por Eustace. Então o Grande Rato conduziu-os para dentro, onde encontraram todos os queridos amigos que tinham conhecido em Nárnia. E foi ali onde Lucy finalmente avistou sua irmã, sempre ao lado de Caspian, e correu para abraça-la, inclusive mais rápido do que Edmund e Peter.

Ela sussurrou em seu ouvido:

- Eu disse que a veria novamente no País de Aslan.

E Susan riu alegremente.


N/T 2: Uma polêmica neste fandom é quanto à personagem Susan Pevensie, e ao desfecho que foi dado a ela pelo autor. Há leitores que concordam, e há outros que discordam com força. Eu faço parte do grupo que discorda bastante do final dado a ela, e é algo que não escondo.

N/T 3: Bem, e aqui está mais uma tradução de minha parte; é a minha segunda tradução do fandom de As Crônicas de Nárnia (que também me deu MUITO trabalho para traduzir, uma vez que foi outra tradução que eu fiz do inglês para o português), e também é a minha segunda tradução com o ship Susan/Caspian. E eu espero sinceramente que vocês gostem dela.

E, se gostarem... reviews, pode ser ?