Dante não deveria estar se sentindo assim, ele realmente não deveria, mas Deus como sua testemunha, ele não poderia evitar.

Ver Liliana ali, na frente dele, agindo toda fofa e rindo de cada piadinha que o garçom fazia, fazia com que ele se sentisse horrível e, para ser honesto, mesmo que ele realmente odiasse admitir, ele estava com ciúmes. Não é que ele duvidasse dela. Não, seu marido sabia bem o quanto ela o amava. Era o que ela dizia para ele o tempo todo, seus beijos e abraços, o jeito que ela é sempre tão doce ao seu redor e quando ela prometeu passar cada segundo de sua vida com ele no dia de seu casamento. Ele significava o mundo para ela e ele sabia disso.

Mas, ainda assim, ele não era capaz de se controlar. Sangue fervendo e mandíbula apertada com força, quase estourando, ele podia jurar que estava prestes a socar o homem que estava à sua frente, agarrando o tecido fino de suas calças com tanta força para impedir-se de fazê-lo. Ele não entendeu muito bem, e isso era realmente injusto. O que ele disse de tão engraçado? Porque ele tinha certeza de que o que o garçom estava cuspindo nem era tão divertido assim. Ou talvez até fosse, mas é ele que não aguenta ver ela se divertindo com outra pessoa?

Já era demais.

E quando percebe como o homem pretende ficar um pouco perto demais, colocando a palma da mão sobre a pele nua do ombro dela, enquanto apresenta Liliana com o cardápio...

Dante agora engole com força. Está farto. De repente, bate na mesa com as palmas das mãos.

"É isso. Estamos indo embora."

A voz mais alta do que esperava, e todo o restaurante fica quieto. Seus olhos ficam escuros, respirando intensamente, e seus olhos se arregalam diante da visão à sua frente. Isso não é uma proposta, ela percebe, isso é uma ordem. O marido, que ela mal via enfadado, estava agora fervendo.

"Dante!"

Antes que ela termine a frase, o marido já a arrasta para fora do local. Um milhão de olhos curiosos olham para eles, mas naquele momento ela não se importa. A única pessoa em sua mente é ele. Só ele.

"Dante, você está me machucando!" Ela grita.

Seu aperto em seu pulso é tão apertado que ela pisca de dor. A brisa fresca da noite bate em sua pele, ela tenta escapar de seu forte aperto e, como se entendendo o que diabos ele acabara de fazer, seus olhos se arregalam em cognição, suas pupilas, antes escurecidas, agora crescem em tom de desculpas.

Suas expressões são passíveis de entendimento, estudando suas feições com um rosto tênue. Ela olha para ele, olhando com a mesma curiosidade que ele mostra e quando seus lábios se separam ligeiramente, finalmente encontrando coragem para expirar seus sentimentos, um par de mãos quentes em suas bochechas a surpreende.

"Lili, por favor... Diga-me que você é minha, só minha". Ele sussurra.

Dante aperta seu rosto e a faz olhar para ele, suas sobrancelhas levemente franzidas e um tom de rosa pintando seu rosto. Ela fica surpresa, pois acha que nunca o viu tão preocupado antes. Mas, com toda a honestidade, isso a deixou feliz, o sentimento de ser importante para alguém. Ele planta um sorriso tranquilizador em seu rosto e, sem perceber, ela se vê acariciando seu rosto com a almofada de seu polegar.

"Eu sou sua."

Três palavras. Três palavras simples saem de seus lábios e são mais do que suficientes para colocar sua mente em paz. Os pensamentos que antes embaçavam sua mente agora desaparecem em um piscar de olhos, deixando o belo homem à sua frente de pé com um grande sorriso curvando seus lábios, olhando-a uma última vez antes de Dante colidir seus lábios com os dela, puxando Liliana para um daqueles lindos beijos.

"Que bom, porque eu não estou disposto a compartilhar você com ninguém."