O Bosque Sagrado de Winterfell foi o local escolhido para o reencontro dos quatro Starks mais jovens. Arya corre para abraçar dois irmãos que não passamm de meninos quando ela rumou para Porto Real. Os anos que se passaram mudaram de tamanho o impacto desse período na trajetória de cada um até o ponto de encontro. A missão de quebrar o longo abraço entre a jovem e a caçula da família partiu da atual Senhora Stark.
_Arya, há muito mais que você precisa saber. Robb está vivo! – brada a ruiva.
_ Como isso é possível?
_Eu não sei explicar. Apenas digo o que vi com os meus próprios olhos. Ele sobreviveu, sobreviveu ao nosso lado na Batalha dos Bastadores e está acompanhando Jon na Pedra do Dragão na missão de tentar uma aliança com essa nova rainha.
_ Pelos Deuses Novos e Antigos... O Casamento Vermelho. Ele não poderia ter sobrevivido! – debate Arya, registrando as parcas memórias de sua breve estadia Nas Gêmeas ainda sob a proteção do Cão de Guarda.
_ ele não sobreviveu. – o jovem ainda o irmão mais novo na cadeira de rodas – Ele morreu, mas retornou. A amazona lhe trouxe de volta.
_ O que? Quem é a amazona?
_ Como eu disse, eu não sei como tudo aconteceu. Mas, você se lembra das histórias da Velha Ama sobre a Longa Noite? – Arya sinalizando positivamente – A amazona se chama Diana, diz ser filha da rainha Hipólita e que veio até Westeros para cumprir seu dever de luta contra o Rei da Noite.
Arya leva algum tempo para processar tantas informações. Ela se gravou as histórias de luta das Crianças da Floresta, os Guerreiros das tribos dos Homens e das Lendárias Amazonas em unidade conjunta para expulsar os Caminhantes Brancos do mundo há milhares de anos. Claro que graveva! Ela sonhava em ser uma dessas guerreiras, afinal.
_ Claro que eu lembro... Eram as minhas histórias favoritas. Mas, não eram só histórias, no fim das contas? Elas realmente existem!
_ Sim, tudo é verdade... Uma triste e problemática verdade para os homens nesse momento de provação. As Crianças das Florestas foram praticamente extintas e o Exército das Amazonas arrastado para uma Ilha Desconhecida. De alguma forma, Robb foi atrasado até essa perdida e não cometam o erro de considerar tudo uma mercadoria coincidente – as palavras do Corvo de Três Olhos confundem os irmãos.
_ Não que eu acredite ou não importa, Bran. A única coisa que faz diferença é que nosso irmão está respirando e o seu coração está batendo, enquanto a família Frey foi extirpada. O castelo caiu. Isso é mais do que suficiente para mim agora. – ressalta Arya.
_ Você ouviu esses rumores antes de voltar para casa? Nosso tio foi tomar posse das Gêmeas! – Rickon traz a nova ordem da Senhora de Winterfell para a conversa.
_ É verdade. Eu enviei nosso tio, Peixe Negro, com um grupo de soldados para verificar essas histórias. Se os Frey foram aniquilados, podemos tomar o controle das Gêmeas e libertar Correrio. Assim, teríamos o controle da região e mais tropas para lutar contra o exército Lannister ou quaisquer outros inimigos que vierem a surgir.
_ Ela fez mais do que ouvir rumores sobre isso. – Arya troca olhares com o irmão, enquanto Sansa se irrita pela fala em código entre os dois. Ela, como Protetora do Norte na ausência do rei, não poderia ser deixada no escuro. Ao menos, ela acreditava que deveria ter todas as informações possíveis para embasar suas decisões. Mas, os irmãos repetiram Mindinho e falaram em sugestões.
_ Eu estou revelando todos os segredos aqui, mas vocês preferem soltar meias palavras.
_ Não é meu segredo para revelar a você, Sansa. – complemento Bran.
_ Tratamos disso em breve, Sansa. Eu prometo! Eu ainda não sei como vocês foram capazes de manter a presença de Robb e dessa amazona em segredo completo.
_Robb preferiu não revelar a sua sobrevivência. Nós pensamos que a sua vida ainda está em risco e poderia perturbar a nova aliança em torno do reinado de Jon. Por isso, ele e Diana integraram a comitiva de Jon na visita à Mãe dos Dragões.
_ Você está dizendo que ele foi embora para fugir de Mindinho? Por que ele está aqui? – esbraveja Arya, ganhando o estímulo do mais jovem entre os Starks. Rickon parecia indomável desde o seu retorno, se misturando aos treinos dos soldados e arrumando confusões todos os dias. Os tempos longe de casa não foram gentis com nenhum deles.
_ Nós não confiamos, mas precisamos do exército dele. Precisávamos dos cavaleiros do Vale para reconquistar Winterfell e precisaremos para as guerras que virão.
_ Você fica repetindo isso desde que eles foram, mas ainda nem sabemos quando ou se serão de volta. – reclame Rickon.
_ Eles voltarão, meu irmão. Diana prometeu que lhe traria a salva da Batalha dos Bastardos e cumpriu sua palavra em um momento de guerra e quando os números não estavam a nosso favor. Tenho certeza de que ela terá Jon e Robb para casa.
_ Eles deram notícias desde que partiram? – Sansa acena concretamente – Diana, a amazona... Ela é tão impressionante para que acreditem na palavra dela sem hesitar?
_ Diana é filha da rainha Hipólita, que liderou o Amazonas na primeira luta contra os Caminhantes Brancos. Nem ela sabe exatamente o que é capaz. Você também ficará impressionado ao conhecê-la e isso não vai demorar muito.
_ Você viu o retorno deles em uma visão, Bran? – questiona Arya.
_ Toda a nossa família se reunirá em breve, então? – Rickon comemora quase a boa notícia _ Em algum momento, todos os Starks estarão sob o mesmo. Mas não será tão breve assim.
_ Enquanto ao Rei da Noite e o seu exército de caminhantes brancos? – a ruiva apenas consente com a cabeça – Alguém realmente viu essa ameaça?
_ Eu os vejo marchando dia e noite. Jon mudou e viu seus irmãos da Patrulha da Noite morrendo em Durolar. O exército é real e a Muralha de Gelo não poderá detê-los por muito tempo.
_ Você vê? – questiona Arya.
_ Eu vejo bastante coisa agora. Eu vi você na Estalagem do Entroncamento a caminho de Porto Real. Vi quando você mudou de ideia e resolveu voltar ao Norte.
_ Todo mundo é diferente agora, mas por que você voltaria para aquele inferno de Porto Real depois de tudo o que aconteceu com o nosso pai? – questionou Rickon.
_Vingança. Cersei está na lista dela. – o Corvo de Três Olhos faz questão de entregar os planos da irmã, deixando claro que ela também não era mais a menininha que partiu do Norte há tantos anos.
_ E quem mais está nessa sua lista? – a Protetora do Norte sente um temor da própria irmã. No fim das contas, Rickon estava certo. Todos estavam em um emaranhado de profecias, estranhezas e morte.
_ A maioria já está morta.
_ Se algum dos nossos aliados estiver nessa lista, peço o favor que me conte antes de tomar alguma medida drástica. Pelo menos, dentro da nossa casa. – solicita Sansa, encerrando o primeiro encontro dos Starks mais jovens. Ao menos, por enquanto.
O quarteto abandona a floresta e volta para a segurança do castelo um pouco antes da escuridão tomar o lugar do dia, algo cada vez mais recorrente no Norte em meio ao inverno mais especificamente dos últimos mil anos. Por isso, Sansa tentou que apenas os cavaleiros estivessem fora do castelo ou da Vila de Inverno – e somente dentro das muralhas – nesse período.
Como a velha ama costumava dizer: " Não jure que caminhará no escuro aquele que não viu o cair da noite ." E nenhum deles tinha visto. Na verdade, nenhum deles gostaria de ver a escuridão diante de seus olhos.
Sansa estava cada vez mais acostumada ao poder em Winterfell. Ainda que você queira acreditar em um Exército de Mortos marchando para a casa milenar de sua família, a Protetora do Norte não ousava mencionar suas desconfianças em voz alta ou para qualquer pessoa, incluindo seus irmãos. Rapidamente, ela entendeu que dentre todos os últimos Starks, ela estava muito mais ligada à racionalidade do que ao obscurantismo, as forças mágicas.
Contudo, não cometeria o erro infantil de questionar as parcerias ou os dons de seus familiares e aliados. Por isso, gastou o restante do dia tentando organizar as milhares de demandas de seu Reino à beira do maior conflito da história, ainda que a lista contemplasse discussões banais entre senhores de casas, generais dos exércitos e simples camponeses.
Com Bryenne encarregada do treinamento das meninas e mulheres na ausência de Diana, Podrick assumiu a incumbência de estar ao seu lado para sempre. Dia e noite. O escudeiro se mantinha permanentemente atento aos seus movimentos, mas, exalava uma candura bem distinta dos cavaleiros que já conhecia. Ele se tornará um respiro diante das responsabilidades da Protetora do Norte, como o esforço de retomada do vínculo com os irmãos e os constantes desafios por Mindinho. Ele tramava algo desde a partida do Rei do Norte e Sansa já percebia os burburinhos de descontentamentos dos senhores nortenhos e até mesmo dos Cavaleiros do Vale em função da ausência prolongada.
Em mais uma noite de frio brutal, Podrick cumpriu fielmente as ordens de Brienne e guardou posição diante da porta das salvaguardas da Senhora e tentou se aquecer com o fogo que lutava para resistir ao vento impiedoso. Quando a porta é entreaberta, o sopro congelado do inverno mais impiedoso dos últimos mil anos invade o recinto e o escudo se sobressalta e coloca um leve sorriso na feição da senhora do Norte.
_ Brienne, não me avisou que deixaria você de guardar essa noite novamente. Por que não entrou? Você vai morrer congelado! – ela concede espaço para que o jovem entre imediatamente, mas ele mal tem coragem de se encará-la – Eu já disse que você pode entrar nesses momentos, não há ninguém aqui, Podrick.
_ Me desculpe, senhora. – a menção tão formal faz com que ela revire os olhos e puxe o casaco um pouco mais junto ao corpo. A cortesia excessiva do rapaz a sua frente seria quase problemática, senão fosse tão agradável – Ainda que a senhora tenha feito esse convite anteriormente, eu jamais poderia tomar tal atitude e adentrar ao seu aposento deliberadamente. Isso é... Isso seria inadmissível.
_ Desconsiderar um convite e permitir que a Senhora de Winterfell fique a mercê de um frio terrível também seria inadmissível, tenho certeza? – enfim, o escudo devolve o olhar e balança repetidamente a cabeça em sinal de acordo. – Então, entre de uma vez! – a ordem é dada, mas, ele nota o tom de brincadeira na voz dela – Eu sempre terei que pedir para você entrar e me fazer companhia?
_ Não sempre, apenas nos momentos em que, a minha senhora, quiser a minha companhia. – ele sorri timidamente, adentra o conforto e conforto da Senhora de Winterfell e se ocupa em fechar a porta.
_ Portanto, eu sempre terei que pedir por um beijo seu? – ele amplia o sorriso e se limita a balançar positivamente a cabeça e se ocupa em colocar a sua testa a dela, abraça-la gentilmente e aguardar que ela tome a iniciativa de beijá-lo pela primeira vez naquele dia.
