Quase ao mesmo tempo, em um pequeno pub

- Vamos tomar a saideira! Não seja chato– Neville fala para seu amigo Harry Potter que já falou mais de uma vez que precisava ir para casa.

- Pra mim já deu, Neville – Harry diz sorrindo ao ver que o seu amigo se encontra ligeiramente alcoolizado – eu preciso acordar cedo amanhã. Eu tenho aulas para ministrar e você também precisa estar no trabalho.

- Não seja tão certinho! – o legista diz – Eu sei que tenho que estar cedo no trabalho amanhã, mas você sabe que meus pacientes não reclamam – ele ri da própria piada de mau gosto – vamos lá, Harry. Faz tanto tempo que a gente não se encontra.

- Você se esquece que ao contrário de você, eu trabalho com pessoas vivas – Harry argumenta – e como professor, eu não posso dar um mau exemplo chegando atrasado e de ressaca.

- Ora, professor Potter – Neville fala com ironia – é só você bagunçar o cabelo, tirar os óculos e dar uma piscadinha, que suas alunas nem vão notar que você chegou atrasado e certamente irão achar que você de ressaca é uma coisa muito sexy. Olá professor Potter, o senhor poderia me explicar este ponto que eu não consigo entender? – ele diz com voz de falsete enquanto faz um trejeito afeminado.

Harry enrubesce enquanto rola os olhos, não porque o amigo esteja exagerando, mas porque o que ele disse é a mais pura verdade. Desde que terminou o seu doutorado e se tornou o professor de ciências forenses mais jovem de uma prestigiada universidade de Londres, que ele vem enfrentando o assédio de boa parte das suas alunas, algo que ele definitivamente não entende, afinal ele é o mesmo Harry Potter de antes, magricela e míope. Mas o que ele não percebe é que seus cabelos revoltos e seus olhos incrivelmente verdes, bem como o jeito sério e meio tímido faz com que algumas jovens calouras passem a aula suspirando e seu curso é um dos mais procurados do semestre.

- Pare com isso! – Ele diz tentando aparentar seriedade – isso não é nada engraçado, é constrangedor! Você não imagina como fica difícil dar aula às vezes. E os bilhetes que recebo? Será que os pais destas garotas sabem que elas fazem esse tipo de coisa?

- Duvido muito – Neville sorri. Ele continua provocando – mas não duvido que uma mãe ou duas também teria estes mesmos pensamentos.

Harry revira os olhos, ele olha para o relógio – agora eu preciso ir mesmo. Se quiser, podemos marcar alguma coisa outro dia.

- Que tal no final de no final de semana? – Neville diz – e não venha me dizer que você precisa preparar aulas, eu te conheço e sei que você já tem tudo pronto.

Harry sorri. Realmente desde que foi aceito para o cargo que ele preparou seu plano de aulas com antecedência – eu vou almoçar com meus pais no final da semana. Se quiser aparecer...

- Vai dizer que vai ter lasanha? – Neville diz e neste momento ele parece o garoto gordinho que era quando se conheceram.

- Certamente – Harry confirma sorrindo – eu vou avisar que você vai e com certeza a minha mãe também vai preparar a nossa torta de nozes para sobremesa.

- Como nos velhos tempos – Neville fala saudosista lembrando a época em que o garotinho magro e míope e o garoto gordinho e desajeitado se conheceram na escola e logo se tornaram inseparáveis, dois nerds em um universo de valentões. O apoio mútuo foi importantíssimo para que eles atravessassem os duros anos do ensino fundamental.

- Como nos velhos tempos – Harry concorda – e devo avisar que provavelmente teremos uma sessão de filmes antigos depois.

- Filmes de suspense – Neville adivinha e sorri. O pai de Harry, James, é um grande fã desse tipo de filme. Um dos seus passatempos preferidos é reunir com os amigos para assistir e comentar filmes sobre serial killers e afins.

- É claro – Harry diz se recordando das inumeráveis tardes que passaram juntos, assistindo filmes com James Potter – ou você acha que meu pai iria deixar você escapar sem fazer algumas críticas a respeito dos corpos dos assassinatos dos filmes?

- Mais um dos benefícios de ser um médico legista – Neville fala de forma filósofa – comentar corpos de filmes policiais

- Meu pai adora seus comentários – Harry diz – então aguardamos você no domingo – ele se levanta – agora eu preciso ir mesmo.

Ele se despede do amigo e se retira.

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No outro dia

Gina entra no departamento, ela pode dizer que os momentos que passou na casa dos pais a deixaram revigorada, ela mal pode esperar a chegada do final de semana para encontrar a família toda.

A ruiva vê que seu chefe não está. Provavelmente ele deve estar resolvendo algum problema burocrático. Ela pensa, já que Shacklebolt é sempre um dos primeiros a chegar. – novidades? – ela pergunta após cumprimentar os colegas.

- Sim – um oficial diz – nós conseguimos identificar a vítima do hotel. Seu nome é Lilá Brown, 28 anos, prostituta. As suas digitais estavam no banco de dados, ela foi presa algumas vezes por porte de drogas e prostituição.

- Conseguiram contatar alguém da família? – ela vê o policial balançar a cabeça negativamente – continue tentando – ela olha o relatório de prisão da vítima. Pelo que Gina está lendo, ela costumava trabalhar do lado oposto do local onde seu corpo foi encontrado. Isso é algo incomum. A ruiva pensa enquanto diz – por favor, prepare uma viatura. Eu vou sair com a patrulha. Deve ter alguém que a conheça e possa dar alguma informação.

- Eu sei que você é durona – o policial diz – mas cuidado, aquela zona é barra pesada.

Gina assente com a cabeça. No início esse tipo de coisa a incomodava, Gina ficava com a impressão que isso acontecia porque ela era uma garota novata. Mas aos poucos ela começou a ver isso apenas como uma espécie de cuidado dos colegas, Gina já provou o seu valor e agora esse tipo de coisa não importa mais.

Antes que ela saia, a ruiva vê uma figura conhecida. Colin Creevey, um jovem repórter policial. Gina sabe que nem sempre policiais e imprensa têm um bom relacionamento, mas felizmente o rapaz não costuma usar as informações que consegue para sensacionalismo e isso faz que consigam ter um relacionamento cordial.

- Ei Weasley! – ele acena – alguma coisa pra mim hoje?

- Nada que vá te dar a primeira página – ela diz - e você sabe que eu não posso dar informações sem falar com o chefe. Eu vou sair agora, mas se quiser esperar fique à vontade – ela diz enquanto se retira...

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Mais tarde

Gina está exausta. Ela percorreu os locais que Lilá Brown costumava frequentar, mas não conseguiu nenhuma pista. A ruiva tem a impressão que conversou com mais prostitutas e viciados em um único dia do que no resto da sua vida.

Ela sabe que pela manhã esse tipo de investida não é muito efetiva. O ideal seria sair à noite e ela fará isso. No entanto a ruiva estava agitada demais para ficar parada esperando as coisas acontecerem e mesmo que a busca tenha sido infrutífera, ela servirá para que tenham certo conhecimento da área quando retornarem mais tarde.

A ruiva entra e vê que Colin está no mesmo lugar onde ela o deixou. Ele cochila largado em uma cadeira alheio à movimentação

- Ainda aqui, Colin? Definitivamente não deve estar acontecendo nada por aí – Gina sorri ao ver o rapaz se endireitar rapidamente. Ela e o repórter se conhecem há anos e ela pode dizer que eles têm um bom relacionamento.

- Eu disse que iria esperar, lembra? – o repórter diz enquanto se recompõe – e sim está acontecendo muita coisa lá fora, mas eu costumo dizer que eu tenho um faro muito bom e ele está dizendo que a notícia está por aqui.

- Você conversou com o chefe? – ela diz olhando para a porta da sala de Kingsley, ela sorri ao ver o repórter menear com a cabeça negativamente, Gina sabe que seu superior costuma causar medo naqueles que não o conhecem – pois você deveria ter conversado, eu já te falei que ele não é tão assustador quando você o conhece.

- Não, obrigado – o repórter diz com uma careta que arranca um sorriso da ruiva – eu sei que a minha agente favorita vai fazer isso por mim.

- Você me deve uma – ela fala enquanto se dirige a sala de Shacklebolt.

- Alguma novidade? – seu chefe pergunta assim que Gina passa pela porta – o Longbottom me passou o que ele descobriu. Esse caso está mais complicado do que eu imaginei.

- É verdade – Gina diz desanimada – já descobrimos a identidade da vítima, mas nada além disso. Esperamos conseguir alguma coisa à noite, há essa hora não tem muito movimento naquela área mesmo, pelo menos não o tipo de movimento que me interessa. Tudo bem? – ela pergunta ao ver que o chefe não parece tão focado quanto normalmente ele seria, além do atraso é claro.

- Sim – o chefe diz sem encará-la – por que não estaria?

- É que você sempre chega antes de todo mundo e agora parece distraído – a ruiva diz – eu fiquei preocupada.

- Pois não precisava – ele diz – eu tive que resolver umas coisas – seu chefe fala deixando claro que não vai dar mais explicações – você queria me falar mais alguma coisa?

- Na verdade sim – Gina diz – o Colin está aqui e ele queria saber se nós temos alguma coisa pra ele.

- E por que ele não veio falar comigo diretamente? – seu chefe pergunta com um sorriso irônico, ele sabe que a sua figura grande e imponente causa um certo pânico ao jornalista.

- Ora, não seja malvado! – Gina sorri – o rapaz é gente boa. Não precisa vestir seu uniforme de cara durão pra ele – a ruiva pensa um minuto – eu queria autorização para falar da nossa vítima pra ele, pode ser que alguém se manifeste, um parente talvez.

- Tudo bem – ele diz depois de pensar por mais tempo que Gina esperaria – mas sem detalhes, ok. Diga apenas que ela foi encontrada esfaqueada em um hotel de subúrbio.

- Entendido – Gina diz e se afasta.

- E aí? – Colin pergunta assim que ela sai da sala – alguma coisa pra mim?

- Na verdade só o que eu tenho é uma mulher que foi encontrada esfaqueada ontem à noite em um quarto de hotel, uma prostituta. – a ruiva suspira – Sei que isso não dá primeira página, mas e só o que tenho.

- Realmente – Colin concorda – prostitutas, viciados, moradores de rua infelizmente não vendem jornais – ele vê que Gina o olha com desagrado – não sou eu quem está dizendo isso, detetive. É a realidade e você sabe disso.

É, eu sei – Gina diz desanimada – mas quem sabe se você colocar alguma coisa, a gente tenha alguma informação sobre ela. Talvez alguém da família ou uma amiga...

- Passa os dados que você tem que eu vou ver o que eu posso fazer, mas não prometo nada – Colin diz enquanto se despede. Ele vai a outros distritos em busca de notícias. Essa é a vida de um repórter policial...

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Enquanto isso

Harry Potter está em sua sala lendo algumas redações sobre as extraordinárias mudanças que os exames de DNA acarretaram nas investigações forenses. Pra ele é uma forma de saber que tipo de conhecimento os seus calouros trazem ao iniciar o curso.

Ele percebe que uma boa parte tem uma visão romanceada adquirida pelos filmes e séries policiais. Quem dera que as coisas na realidade fossem fáceis assim. Harry aprendeu da pior forma que um resultado para DNA pode demorar semanas, às vezes até meses.

Ele se lembra de quando conseguiu a sua graduação. A sua meta era trabalhar com investigação forense e ele chegou a fazer um estágio na área, mas a forma como as coisas andavam na prática o frustrou a ponto dele desistir e se voltar para a carreira acadêmica, isso sem falar em outros acontecimentos dos quais ele não gosta de relembrar. No entanto isso não o impede de, de vez em quando, prestar consultoria policial.

Sim, embora seja apenas um professor, Harry é bastante solicitado. Muitas vezes pela própria Scotland Yard. Ele sempre faz o possível para ajudar embora sempre decline dos convites para se juntar a renomada instituição.

Harry não pode dizer que nunca ficou tentado, mas quando ele pesou os prós e os contras na balança, ele viu que não queria uma vida como as que os detetives levavam. Ele queria mesmo uma vida pacata e sem riscos, mais condizente com a sua personalidade introvertida e pacífica e por este motivo, ele resolveu se dedicar a outra das suas paixões, o magistério.

Se bem que às vezes eu acho que enfrentar criminosos seria mais seguro do que os assédios destas alunas. Ele pensa enquanto acha em sua mesa mais um dos inúmeros bilhetinhos anônimos que ele costuma receber. Harry suspira e apenas joga a nota no lixo sem se dar ao trabalho de ler e volta novamente a sua atenção para as redações.

Mas antes que ele possa se concentrar novamente, uma mensagem em seu celular lhe chama atenção. Ele está sendo chamado...

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Na sala de kingsley Shacklebolt

O chefe respira fundo enquanto sorve uma xícara de café, a terceira ou quarta do dia e ele sabe que vai precisar de muitas mais se o que ele desconfia que vem por aí seja confirmado. Ele foi chamado à Scotland Yard nas primeiras horas da manhã e o que ele ouviu lhe arrepiou todos os pelos do seu corpo.

Ele sabe que será preciso uma força conjunta para resolver o que está acontecendo, mas tanto quanto ele gostaria de falar para os seus agentes a respeito, ele sabe que ainda não pode, não enquanto não houver uma confirmação. Confirmação essa que ele torce para que não aconteça. No entanto Kim sabe que não terá tanta sorte assim...


NOTA DA AUTORA

Bem... O que eu posso dizer? Segundo capítulo postadinho como manda o figurino, com alguns personagens aparecendo na história. Muita coisa ainda vai acontecer, aguardem...

Eu só tenho que agradecer muito a todo mundo que leu, favoritou ou colocou a fic nos alertas, muito obrigada mesmo. E um obrigado mais do que especial para a Allegra23 que postou o primeiro comentário. Você me fez muito feliz.

Espero mesmo que tenham gostado, estou um pouco insegura porque é a primeira vez que eu posto uma fic de suspense então quem puder deixar uma palavrinha de incentivo vai deixar uma autora muito feliz, lembrando que as reviews logadas são respondidas e eu sempre coloco um trechinho do próximo capítulo pra agradecer.

Bjos e até o próximo