Faz pouco tempo que anoiteceu, mas Gina sabe que há esta hora o movimento pelos locais frequentados por prostitutas e dependentes já começou. Muitos aproveitam as saídas do trabalho para ter um encontro furtivo com as mulheres e homens que vendem seus corpos por dinheiro.

A ruiva respira fundo e encara seu colega Dino Thomas. Eles têm uma missão árdua, fazer com que alguém converse com eles e conseguir alguma informação sobre a sua vítima de homicídio. Gina sabe que muitas delas têm receio de conversar com a polícia e ela não tira totalmente a sua razão, pois nem sempre os policiais tratam estas pessoas de forma cordial.

Ela vê que as mulheres geralmente ficam em grupos pequenos, ao passo que os rapazes esperam por clientes sozinhos. Os viciados, por sua vez, ficam em cantos mais afastados para poder consumir a sua droga em paz.

A ruiva segura uma foto de Lilá Brown. Infelizmente é só o que ela tem para tentar conseguir alguma coisa, pois talvez a sua vítima use outro nome nas ruas. Ela segue para um grupo de três mulheres com roupas diminutas, seguida a uma distância segura por Dino. Gina sabe que ela pode ter mais êxito se chegar sozinha.

- Cai fora! – uma delas diz – esse ponto é nosso!

- Sua imbecil! – a outra replica – você não consegue identificar uma policial quando vê uma?

A prostituta sorri – com esse rosto e esse corpo, você poderia fazer uma grana boa rapidinho.

- Agradeço o conselho, mas vou passar. Boa noite meninas, eu preciso de ajuda – ela pega a foto – vocês já viram esta mulher por aqui?

As mulheres mal olham para a foto, uma delas diz:

- Por que vocês se importam? Ela está muito encrencada?

- Mais do que encrencada - Gina diz reprimindo um suspiro, a ruiva já percebeu que essa conversa não será fácil - ela está morta.

- Me espanta alguém se importar com isso – a mulher diz enquanto encara Gina de forma desafiadora– várias de nós sumiram e ninguém fez nada. Por que isso mudaria? Só porque uma foi encontrada morta?

- Talvez porque a gente raramente consiga uma pista ou talvez porque pessoas que poderiam ajudar se recusem a dar informações – Gina devolve o olhar desafiador.

As prostitutas a encaram, mas Gina sustenta o olhar ao mesmo tempo em que fala desta vez de forma branda – eu sei que vocês pensam que ninguém se importa e eu sei que muitas vezes isso é verdade, mas eu realmente quero saber o que aconteceu e pegar o responsável, então se vocês puderem ajudar, qualquer coisa seria útil.

- Olha, ela não trabalha por aqui – uma delas diz – mas você pode olhar nas ruas de baixo – ela vê que Gina a encara com curiosidade – é onde as que estão mais decadentes sempre vão e pela cara dessa coitada, tudo o que ela conseguia ia para as drogas.

Gina entrega um cartão para cada uma das moças – se vocês souberem algo pode me ligar – ela vê que elas assentem com a cabeça e parte na direção indicada.

- Você está ciente que elas vão jogar o seu cartão fora assim que virar a esquina, não está? – Dino diz.

- Infelizmente sim – a ruiva suspira – mas eu tenho esperanças que alguma delas vai guardar – ela olha para o colega – eu sei, sou uma otimista, me julgue.

Dino sorri e os dois seguem o caminho indicado pela prostituta e veem que embora a área aonde estavam pudesse ser considerada perigosa, não chega nem aos pés de onde estão agora. A ruiva tem que fazer um esforço para que o cheiro de urina e fezes misturado ao odor do lixo e cigarros não lhe causem uma náusea violenta, ela olha para seu parceiro e vê que ele está com a mesma dificuldade.

Um pouco mais a frente, ela vê um vulto sentado no chão ao lado de um contêiner de lixo. Gina e Dino vão em sua direção torcendo para que ele esteja lúcido o suficiente para ajudar.

O homem aparenta ter mais de trinta anos, mas nunca se sabe. A ruiva sabe que as drogas costumam acabar com uma pessoa e ele pode facilmente ser mais novo.

- Eu não estou fazendo nada, eu não tenho nada comigo – o homem balbucia e Gina pode ver pelo arrastar da voz que ele certamente está alcoolizado, talvez tenha feito uso de alguma substância ilícita também.

- Não estamos atrás de drogas – quem fala agora é Dino – ele pega a foto – você já viu essa mulher por aqui? – ele pergunta, mas na verdade o policial não tem muita esperança de conseguir alguma informação coerente do homem em questão.

Como era de se esperar, o homem não fala coisa com coisa. Gina e Dino se entreolham e seguem caminho. Suas buscas são infrutíferas por um longo tempo até que eles veem um morador de rua mexendo em um contêiner, talvez procurando algo para vender.

- Com licença – a ruiva diz torcendo para que ele esteja lúcido o suficiente para dar alguma informação. Ela vê que o homem a fita espantado – não se preocupe, a gente só quer saber se você viu essa pessoa por aqui.

O homem olha para a foto por um tempo como se estivesse tentando se lembrar, até que finalmente diz – eu acho que tinha uma pessoa parecida que costumava andar por aqui, mas depois ela nunca mais apareceu.

- O senhor se lembra quando foi a última vez que a viu? – a ruiva pergunta sentindo uma centelha de esperança.

- Já faz alguns dias que ela não vem, um mês ou mais – ele diz pensativo – agora que você falou, isso é estranho, ela estava sempre por aqui.

- Ela costumava conversar com alguém? – Gina pergunta – o senhor se lembra de alguém com quem ela ficava com frequência?

- Ela ficava com qualquer um que tivesse um bagulho – ele diz suspirando – acho que pra ela não fazia diferença desde que tivesse a sua droga. Geralmente estava com o pessoal barra pesada – ele olha para Gina – a senhora não me leve a mal, mas quando esses caras estão por perto, eu fico longe, se é que me entende. Eu não gosto disso não. Eu tomo meus goles, é verdade, mas é apenas isso. Nada dessas drogas pesadas.

Gina encara o sem teto, que para a sua sorte, está mais lúcido do que todos os que ela interrogou anteriormente, então não custa tentar.

- Eu notei que o senhor presta bastante atenção no que acontece por aqui – ela diz

- Eu tenho que prestar, moça – o homem diz enquanto olha para todos os lados – é questão de sobrevivência, tem muita gente estranha aqui.

A ruiva lança um olhar solidário ao morador de rua enquanto diz – mas você já deve estar acostumado com o pessoal que fica por aqui, ou apareceu alguém novo? O senhor notou alguém novo que parecesse estranho ou perigoso?

- Alguém novo e perigoso? Acho que não pelo menos não novo – ele diz mostrando um sorriso sem dentes – as únicas pessoas novas que aparecem por aqui e que às vezes são perigosas pra nós, são vocês policiais. Sem ofensa, é claro – ele parece pensar um momento – se bem que uns meses atrás também vieram uns tais de assistentes sociais. Queriam levar os viciados, eu acho.

- Tudo bem - Gina diz obrigada pelas informações – se você notar alguma coisa diferente ou se lembrar de algo, por favor, entre em contato – ela dá um cartão ao sem teto.

- Pode deixar, dona – ele diz e volta a mexer no lixo.

Gina suspira e vai em direção à viatura seguida por Dino que a consola:

- Você realmente não estava esperando chegar aqui e resolver tudo, não é? Você sabe que as coisas não funcionam assim.

- Eu sei... – ela diz com um suspiro – assim como eu sei que quanto mais o tempo passa mais difícil vai ficar – ela balança a cabeça para afastar o mau pensamento – vamos voltar para a delegacia, estou louca para deixar o relatório e ir para a casa.

- A gente bem que podia sair - Dino fala – sei lá tomar alguma coisa ou comer. Você deve estar com fome.

Gina luta para não rolar os olhos. Ela e Dino tiveram um pequeno namoro logo que começaram seu treinamento, mas a ruiva logo deu um fim nisso, pois além de não achar apropriado o relacionamento entre colegas de trabalho, ela também nunca achou que o que sentia por ele fosse suficiente para ser levado adiante.

- Obrigada, mas tudo que eu quero é chegar em casa e assistir a um filme velho na TV.

- Quem sabe um outro dia então – ele insiste

- Dino – a ruiva diz com um suspiro – nós já conversamos sobre isso, não é apropriado...

- Não se pode culpar um homem por tentar – ele diz meio de brincadeira e Gina espera que seja realmente isso mesmo.

Eles entram na viatura e se preparam para voltar à delegacia...

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Alguns dias depois

Finalmente chega o domingo e Gina pode se reunir com seus pais e irmãos. Já tem mais de dois meses que eles não conseguem estar todos juntos. A ruiva sabe que isso deixa a sua mãe chateada, a senhora Molly Weasley preza os momentos em família, principalmente agora que todos os filhos criaram asas e alçaram seus voos solo.

Ela vê seu pai assistindo um jogo qualquer na TV. Desde que se entende por gente que essa cena se repete aos domingos. A ruiva pensa com carinho na época em que eram crianças e se aglomeravam no quintal com uma bola num jogo improvisado enquanto esperavam a mãe terminar o almoço, ritual que se repete com seus sobrinhos maiores agora.

Gina vê também seus irmãos conversando provavelmente contando vantagem sobre os casos que pegaram. O concurso bizarro sempre deixava a sua mãe furiosa e muitas vezes ela já os ameaçou com castigos e Gina não duvida que ela seria capaz, mesmo com todos os filhos adultos. Então após o almoço eles simplesmente se escondem no velho galpão de ferramentas do pai e a sua mãe, ela desconfia, apenas finge que não sabe o que eles estão fazendo por lá.

Ela mal pode esperar. Desta vez Gina tem um caso bem competitivo. A sua vítima do hotel é algo que a ruiva tem certeza que vai deixar os irmãos intrigados. Isso, no entanto, vai ficar para mais tarde, pois a voz da sua mãe dizendo que a comida está pronta a tira do seu devaneio...

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Quase ao mesmo tempo

- Poxa, senhora Potter – Neville diz após se servir pela terceira vez – a sua lasanha continua exatamente como eu me lembrava!

- Se você não ficasse tanto tempo sem aparecer, não precisaria apenas se lembrar da minha lasanha – Lilly Potter olha para o amigo do filho e sorri. Ela se lembra perfeitamente da primeira vez que seu filho Harry o trouxe para casa, um garoto gordinho e inseguro que ela prontamente tomou sob a sua proteção.

- É só o seu filho me convidar outras vezes – Neville diz e recebe um olhar acusatório do amigo. Ele dá de ombros como se dissesse: antes a sua pele do que a minha.

Lilly Potter suspira – esse daí também está me devendo – Ela olha para o filho acusatoriamente – o Harry às vezes fica dias sem aparecer. Eu sei que ele sempre liga, mas não é a mesma coisa.

- Ora, Lilly. Deixe os meninos em paz – James, o pai de Harry, diz – eles têm a própria vida e você não deve fazê-los se sentirem culpados.

- Tudo bem – ela diz de modo sentimental – eu não vou mais deixar ninguém culpado por abandonar dois pobres velhos à própria sorte.

- Menos mãe – Harry, que se encontrava calado, manifesta-se – ainda demora uns bons anos pra vocês dois poderem ser chamados de velhos e de pobres velhos então, acho que não vai acontecer nunca.

Os pais de Harry se entreolham e sorriem. De fato James e Lilly Potter se casaram ainda na faculdade e tiveram Harry, seu único filho, pouco depois. Ambos ainda são jovens e ativos na sociedade. James como advogado e Lilly como psicóloga.

- Eu prometo vir mais, mãe – Harry diz assumindo uma posição apaziguadora – você sabe que o meu trabalho me toma muito tempo, mas eu vou procurar me redimir. Agora será que a gente pode ter a sobremesa?

- A torta de nozes dos rapazes – Lilly diz sorrindo – como nos velhos tempos. Espero que ainda tenham espaço pra ela.

- Senhora Potter – Neville diz – eu sempre tenho espaço para a sua torta. Meu estômago tem um compartimento especial reservado para as sobremesas.

- Não se empanturre demais, rapaz – James diz – eu quero você bem atento na hora dos filmes. Eu tenho dois clássicos hoje.

- Não se preocupe, senhor Potter. Meus sentidos estarão aguçados para os comentários, mas agora vamos à torta!

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Na casa dos pais de Gina

Os sete irmãos estão reunidos no galpão. Gui, o mais velho, trabalha com a divisão de crimes financeiros, ele investiga falcatruas, crimes de colarinho branco e coisas assim. Carlinhos, o segundo irmão de Gina, trabalha com a divisão ambiental, a maior parte do seu trabalho se dá com crimes contra o meio ambiente, caçadores e pescadores ilegais principalmente. Percy trabalha com crimes internacionais ligados à área de diplomacia. Fred e George, gêmeos idênticos, trabalham juntos na divisão de crimes cibernéticos, especializados principalmente em pedofilia e tráfico infantil. E finalmente Rony que trabalha com a narcóticos.

Rony dá uma olhada na porta e vê que não há sinal da sua mãe. Ou ela está muito ocupada com as noras e netos ou simplesmente desistiu de tentar impedir o concurso.

- Barra limpa – ele diz – vamos começar.

- Repassando as regras – Percy, um dos irmãos da ruiva, diz – o que foi? – ele diz ao ver alguns deles rolar os olhos, ele encara os gêmeos Fred e George – vocês sempre tentam burlar alguma coisa – ele respira fundo – como eu disse, repassando as regras.

- Tudo bem, Percy – Gui, o mais velho, diz – se você faz tanta questão, continue.

- Vamos lá – Percy continua – cada um tem o direito de apresentar um caso que necessariamente deve ter acontecido este mês. Os critérios são originalidade, violência e dificuldade, todos concordam? – ele vê os irmãos assentirem com a cabeça – vamos começar.

- Eu começo - Gina diz e vê os irmãos concordarem – eu tenho um corpo de mulher jovem, esfaqueado no banheiro de um quarto de hotel decadente do subúrbio...

- Fraco, irmã – ela ouve um dos seus irmãos dizer. A ruiva lança um olhar feroz enquanto diz:

- Ainda não terminei, espertinho – ela faz uma pausa dramática enquanto continua:

- Bem, como eu estava dizendo o corpo foi encontrado no banheiro de um hotel com várias facadas, mas depois da autópsia foi constatado que a mulher já estava morta há algum tempo e que a causa da morte foi uma overdose de heroína e, detalhe, a morte não aconteceu no local onde o corpo estava.

- Você está querendo dizer que alguém pegou uma pessoa que morreu de overdose, a esfaqueou e levou o corpo para um banheiro de hotel? – seu irmão Carlinhos pergunta.

- Exatamente isso – Gina diz – mas pode ser também que alguém deu à vítima uma overdose proposital e a levou para o banheiro do hotel. E digo mais, a despiu e colocou o corpo sentado na banheira com o dorso pra fora como se estivesse tentando sair e depois foi embora sem deixar nenhum tipo de vestígio.

- Muito bom, maninha – Carlinhos diz – minha vez agora.

- O que um policial ambiental pode ter? – Fred diz, zombeteiro – um animal baleado?

- Ou talvez um grande carregamento de peixe? – George completa

- Engraçadinhos – Carlinhos diz. Ele sabe que o seu departamento não costuma ter muitos casos intrigantes, mesmo assim Carlinhos se sente satisfeito onde está – acontece que dessa vez eu tenho sim um caso.

- Parem meninos! – Gina fala usando o tom que a sua mãe Molly Weasley inventou e que ela aperfeiçoou durante a sua infância e adolescência. Os seis rapazes se calam e olham pra ela – então você tem um caso hoje, Carlinhos? – ela diz docemente – pode nos contar, por favor?

- Pois bem – ele começa – nós recebemos uma denúncia a respeito de caçadores ilegais em uma propriedade, e quando fomos investigar, encontramos um corpo feminino nu.

- Isso também não é muito especial – Percy comenta.

- Se fosse apenas isso eu concordaria, mas o corpo tinha um pedaço grande de pele faltando nas costas. Um losango como uma daquelas colchas de retalho da mãe. Obviamente foi retirado por mãos humanas, eu não conheço nenhum animal que faça isso. E pela quantidade mínima de sangue a pele foi retirada após a morte.

- E por que alguém faria uma coisa dessas? – Gina pergunta

- É o que precisamos descobrir – Carlinhos diz – a nossa vítima, olha que coincidência, também estava morta há alguns dias e havia indícios que ela foi levada pra lá depois da morte

- Só falta você dizer que ela teve uma overdose! – Gui fala de forma irônica

- O pior é que foi – Carlinhos diz diante do olhar espantado dos demais – será que isso é só uma coincidência?

- Estranho... – Fred e George dizem quase ao mesmo tempo.

- Estranho por quê? – Gina pergunta curiosa. Ela olha para os irmãos e vê que todos encaram os gêmeos da mesma forma.

- Olha só a nossa história – Fred fala – nós estávamos atrás de um pedófilo e as pistas nos levaram a uma fábrica antiga. Nós encontramos um corpo lá, uma mulher que devia ter saído da adolescência há pouco tempo.

- Ela estava coberta de uma substância pegajosa e transparente, parecida com graxa – George completa - mas não era graxa. Eu não sei dizer o que era, quando nós conversamos com o legista ele disse que ela havia morrido de overdose

Os irmãos se entreolham. Duas vezes pode até ser coincidências, mas três?

- Alguém mais tem algum caso de mulheres encontradas mortas de formas misteriosas que no final eram overdose? – Percy pergunta

- Bem – Rony diz e todos olham pra ele – na verdade eu tenho.

- Não pode ser – Carlinhos diz – alguém combinou uma pegadinha? – ele olha para os gêmeos que negam com a cabeça e o olhar de ambos diz que estão sendo sinceros – isso é coincidência demais!

- Deixa o Rony falar – Gui diz. Ele está tão atônito quanto os outros.

- Rony continua – nós fomos fazer uma tocaia num lugar afastado, uma casa caindo aos pedaços. Quando chegamos lá não havia ninguém, mas nós resolvemos dar uma busca e encontramos um corpo de mulher dentro de uma espécie de freezer desativado. Ela tinha uma ferida nas costas, como se tivesse sido pendurada por um gancho e depois colocada lá. Quando fizemos a autópsia descobrimos que a causa da morte não foi o ferimento, mas uma overdose.

Gina sente o seu coração falhar uma batida. Ela olha para seus irmãos e pode perceber que eles se sentem da mesma forma. Neste momento o concurso bizarro deixou de ser apenas um concurso...

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Quase ao mesmo tempo

- Acho que já vi a minha cota de sangue para os próximos dez anos – Harry diz enquanto recebe um sorriso zombeteiro do pai e do amigo.

- Ora Harry – seu pai diz – o massacre da serra elétrica é um clássico dos filmes trash.

- Imagino porque ele é chamado de trash – Harry suspira – mas não entendi a parte dos clássicos

- Não foi tão ruim assim – Neville parte em defesa do homem mais velho – mas devo admitir que poucas vezes vi uma quantidade tão grande de sangue e olha que eu já vi muita coisa.

- É estranho – Harry diz – não tem nenhuma história. As pessoas realmente gostam disso? Ver esse massacre? E aquela cena da serra elétrica? A impressão que dá é que ela só apareceu pra dar nome ao filme! E aquela mulher no freezer? Não bastava a coitada ser pendurada com um gancho como um pedaço de carne, ainda tinham que armazená-la?

- Na verdade há uma história verídica por trás deste filme – James diz – algo na Escócia, eu acho. Mas chega de falar agora vamos realmente a um clássico – ele faz uma pausa dramática – Psicose, do mestre Alfred Hitchcock – a versão original de 1961.

- Não tinha nada mais antigo? - Harry não resiste em provocar o pai

- Na verdade eu até teria – James diz – mas esse é um clássico que vocês não devem perder. Chega de conversa, vamos ao filme!

XXXXX

Na casa dos pais de Gina

Os sete irmãos se entreolham em silêncio, como se estivessem tentando processar toda essa coincidência bizarra. Eles são experientes o suficiente pra saber que alguma coisa está errada. Não que pessoas morrendo de overdose seja uma coisa tão incomum, na verdade não é. Mas a forma como os corpos foram encontrados mostra que existe alguma coisa.

- Tem alguma coisa estranha – a ruiva expressa o pensamento de todos – por que estes corpos estão aparecendo aparentando outros tipos de morte?

- Mortes bem bizarras – Fred diz – será que alguém está pegando pessoas que morreram de overdose e encenando mortes estranhas?

- Ou pior – Rony diz – será que alguém está matando por overdose e encenando essas mortes?

Ninguém tem uma resposta para essas questões, mas de uma coisa os irmãos Weasley têm certeza. Alguma coisa muito estranha está acontecendo...

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Quase ao mesmo tempo, na casa dos pais de Harry

- É serio que ela fugiu com todo o dinheiro? – Harry diz frustrado – eu poderia jurar que ela seria a mocinha! E esse hotel? Qualquer pessoa com juízo veria que há algo muito estranho com ele!

- Quieto agora! – James diz com os olhos grudados na TV – essa cena é antológica.

- A minha mãe sabe que você está aguardando ansioso por uma cena com uma loira no chuveiro? – Harry não resiste em brincar com o pai.

- Visto que ela já assistiu essa cena comigo inúmeras vezes, sim ela sabe – James entra na brincadeira – agora silêncio, por favor, ou você vai perder a melhor parte.

Os três homens se calam enquanto assistem a cena antológica do assassinato no chuveiro. Nem Harry nem James percebem que a boca de Neville se abre e fecha várias vezes enquanto a cena se desenrola e a mulher cai sem vida na banheira. Em sua mente apenas uma coisa. Eu já vi isso antes e não foi em um filme...


NOTA DA AUTORA

Mais um capítulo postadinho. Será que tem tente curiosa por aqui? Devo dizer que as coisas serão esclarecidas mas antes que isso aconteça ainda vou deixar muita gente pensativa por aqui...

Obrigada a todo mundo que está lendo, muito obrigada a quem favoritou ou colocou em alerta e um obrigado ainda mais especial a quem sempre perde um minutinho pra deixar uma palavrinha e fazer as pessoas que escrevem apenas por prazer felizes. E já que eu falei em reviews vou aproveitar pra falar um pouquinho sobre isso...

Eu nunca condicionei postagem ao número de reviews que recebo e nem pretendo fazer isso, eu sei que uma fic que está no início nem sempre recebe apoio e embora isso me chateie um pouquinho eu não chego a desanimar por causa disso. O problema é que sempre que eu começo a postar uma fic nova eu começo a reparar mais nesta questão dos comentários não apenas nas minhas fics, mas também nas fics que eu leio e eu notei que os comentários caíram muito não apenas nas minhas fics, mas praticamente em todas as fics que eu acompanho!

Não sei se mais alguém reparou nesta situação, mas eu comecei a notar e confesso que isso me assustou. E eu fiquei mais assustada ainda quando eu me dei conta que isso é também um pouco culpa minha já que muitas vezes eu leio aquele capítulo rapidinho e não me preocupo em deixar uma palavrinha de incentivo. Eu me assustei quando me dei conta disso.

Resumindo: eu que sempre estou aqui implorando por review, me dei conta que eu também estou deixando a desejar neste aspecto e estou aqui publicamente dizendo que vou melhorar. Então se você escreve algumas das fics que eu sigo pode contar comigo a partir de agora.

Eu ia falar um pouquinho mais da fic, mas desse jeito a nota vai ficar maior do que o capítulo, então vou deixar estas considerações para o próximo. Só quero dizer que os filmes citados existem, eu encontrei no youtube e assisti como fonte de pesquisa. Obrigada pela leitura e façam uma autora feliz. Comentem!

Bjos e até o próximo