No dia seguinte

Gina acorda mais cedo do que de costume, ela não dormiu muito bem devido à ansiedade e, verdade seja dita, ela ainda pensa que está sonhando.

A ruiva se recorda da loucura que foi o seu dia anterior. Nunca em sua vida ela imaginou que um concurso idiota entre ela e os irmãos a levaria à Scotland Yard, ela mal pode esperar o próximo almoço domingueiro para contar a novidade.

Ela se prepara para tomar um banho e fazer seu desjejum, quando o amigo de Neville vem a sua mente. Harry Potter... Ela diz para si mesma. Ele parece ser alguém respeitado, mas para Gina nada nele lembra um agente. Ele parece inseguro, uma pessoa que preferiria morrer a segurar uma arma.

Talvez a ruiva em outra ocasião não olhasse duas vezes para ele, mas na hora que eles foram apresentados ela não pode deixar de notar os olhos de Harry Potter. Verdes, profundos, capazes de desvendar almas... Gina não pode negar que o homem a intrigou.

A ruiva sacode a cabeça para espantar o pensamento, agora ela precisa focar em realizar o seu sonho e, mais ainda, em pegar um maluco homicida que ao que tudo indica não tem intenção de parar. Ela passa alguns minutos analisando o seu guarda roupas, Gina quer passar uma boa impressão sem parecer arrumada demais.

– Preto. – Ela diz. – Preto é seguro. – Ela fala para si mesma enquanto pega um terninho de corte moderno e uma blusa azul turquesa para quebrar um pouco a monotonia, um toque leve de maquiagem e ela está pronta para o seu primeiro dia de trabalho, dia este que a ruiva espera se somar a vários outros...

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Quase ao mesmo tempo

Harry já está pronto há algum tempo. Ele não pode dizer que dormiu direito, parte por pensar se realmente fez a coisa certa em aceitar ficar na Scotland Yard em tempo integral mesmo temporariamente, parte pelas inúmeras mensagens que Neville lhe enviou durante boa parte da noite.

Ele pega o telefone se sentindo um pouco culpado por ignorar as mensagens do amigo que fatalmente está lhe perguntando sobre o seu papel na Scotland Yard e o motivo dele nunca ficar sabendo de nada. Harry então digita um rápido pedido de desculpas prometendo que irão conversar sobre isso mais tarde e sai rumo ao seu primeiro dia como consultor em tempo integral...

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Na Scotland Yard

Gina respira fundo e entra. A ruiva está meio insegura, ela não sabe direito como agir, tudo o que a ruiva sabe é que estará a disposição para ajudar no caso, mas ela não sabe a quem deve procurar e ela desconfia que não seria adequado simplesmente chegar e dizer que quer falar com Alastor Moody. Ela está distraída olhando as paredes cobertas de fotos que ela imagina ser de antigos agentes, quando esbarra em uma pessoa.

- Desculpe – ambas falam ao mesmo tempo.

- Desculpe – Gina repete meio sem jeito, bela maneira de começar seu primeiro dia – eu não estava olhando...

- Não se desculpe – a mulher diz – mesmo que você estivesse olhando, eu daria um jeito de esbarrar em você, sou conhecida por esse tipo de coisa por aqui – ela analisa a ruiva – você é um dos novatos para o caso novo? – ela vê Gina assentir com a cabeça – ótimo! Vamos trabalhar juntas, meu nome é Tonks. Quer dizer é Ninfadora Tonks, mas ninguém me chama de Ninfadora por motivos óbvios.

- Prazer, Gina Weasley – a ruiva estende a mão para cumprimentá-la – quer dizer, meu nome é Ginevra, mas ninguém me chama assim, por motivos óbvios também.

- Acho que vamos nos dar bem – Tonks sorri de forma amigável e Gina aproveita para olhar melhor para a sua nova colega que aparenta ser pouco mais velha que ela, embora seus cabelos num tom rosado a façam parecer mais nova.

- Ah, o cabelo! – Tonks sorri ao notar o olhar da ruiva em seus cabelos curtos coloridos – você devia ter visto há uns seis meses, estava rosa chiclete. Agora são só resquícios de um antigo caso que trabalhei infiltrada e eu decidi deixar a tinta sair por conta própria. Moody não gostou muito, mas como eu vou ficar fora dos trabalhos como infiltrada por algum tempo, ele não pode falar nada. Você parece meio perdida.

- Na verdade, eu estou – Gina diz meio sem jeito – eu fiquei sabendo ontem que iria trabalhar em um caso com vocês, mas não sei direito por onde começar ou com quem falar, eu sei que devia ter perguntado...

- Eu posso te ajudar – Tonks interrompe e diz – vem comigo

Ela leva a ruiva para a mesma sala em que ela esteve no dia anterior, Gina recrimina-se por não ter tido esta ideia. Verdade seja dita, ela estava tão deslumbrada com tudo que isso nem passou pela sua cabeça.

- Oi pessoal – Tonks cumprimenta algumas pessoas que Gina não conhece – achei uma novata perdida e trouxe comigo pra nossa recepção de boas vindas – ela olha para Neville que já está aguardando – oba! Mais novatos!

- Tonks, pega leve – ela ouve uma voz que logo reconhece como Alastror Moody – nós temos um caso complicado. Sem trotes que possam assustar nossos novatos.

- Você é um estraga prazer, mas eu posso me conter... Por enquanto – Tonks diz e Gina fica um pouco horrorizada ao ver a moça falando desta forma com o superintendente da Scotland Yard, mas o homem está sorrindo.

- Bom dia, senhorita Weasley. Quero que você conheça os outros agentes que irão trabalhar no caso, vou fazer as apresentações enquanto os demais não chegam. A Tonks aqui você já conheceu, não se deixe levar por esse espírito brincalhão dela, essa moça é uma das nossas melhores agentes – em seguida ele passa para um homem um pouco mais velho – Sirius Black, agente sênior que vai coordenar a operação. O nosso Remo Lupin aqui – ele passa a um homem com ar desleixado – é o nosso especialista em informática, tudo que você precisar nesta área ele faz, embora eu aconselhe a não perguntar como.

- Eu já disse que não faço nada ilegal – Remo diz meio sem jeito – a não ser...

- Que não haja outro jeito – Sirius e Tonks completam e caem na risada.

- Relaxa, Remo – Sirius diz – não é como se alguém por aqui fosse processar você por isso

- Isso mesmo – Tonks concorda – a gente pode até te chantagear pra pagar uma rodada de cerveja no final de semana, mas e só isso – ela se volta para Sirius – não é mesmo, primo?

- Vocês são primos? – Gina pergunta cismada olhando para Sirius e Tonks – não é muito comum parentes trabalhando no mesmo lugar quando se trata da polícia.

- Na verdade eu sou primo da mãe dela – Sirius responde – e normalmente não trabalhamos juntos, mas o Moody aqui quer os melhores e modéstia a parte nós somos bons.

- Meu primo é o Malfoy aqui – Tonks diz apontando um homem loiro com uma cara entediada – não ligue pra cara emburrada dele. Ele é um dos melhores, só não é muito simpático.

- Ser simpático não resolve crimes – o loiro retruca emburrado – mas você está certa. Sim, eu sou um dos melhores – Draco olha a ruiva de cima a baixo – então você é da homicídios... Shacklebolt? – ele indaga

- Sim – Gina diz lutando pra não perder a pose diante do olhar inquiridor do loiro.

- Ele é bom – ele fala sarcasticamente – talvez você não atrapalhe muito.

Gina olha para o loiro sabendo que seu rosto está ficando vermelho. Quem ele pensa que é? Apenas o fato de estar chegando agora e não querer causar nenhuma espécie de constrangimento a impede de dar uma resposta à altura, uma resposta bem mal criada por sinal.

- Não liga não, Gina – Tonks diz sorrindo – ele gostou de você – ela olha para o primo – o que foi? Eu te conheço, se você não tivesse gostado sequer se dignaria a falar com ela – Tonks sorri e olha para Neville que também já se encontra no local – outro novato! – ela mede o legista de cima a baixo – você não é um agente, eu suponho. Nada pessoal, mas você não parece ser capaz de segurar uma arma nem que a sua vida dependesse disso.

- Realmente não sou – Neville diz sem perder o traquejo – mas a gente pode conversar, se o negócio for segurar um bisturi. Neville Longbottom, médico legista.

- Médico legista? – Remus diz sem se controlar – e a madame Pomfrey?

- Relaxe, Lupin – Moody diz – ela continua sendo a nossa legista, mas o Longbottom aqui tem uma visão peculiar do caso, exatamente o que precisamos agora, eles vão trabalhar juntos – ele olha para a porta e vê duas pessoas entrando

- Bem, nossos outros integrantes chegaram – Moody diz – o senhor Potter vocês já conhecem de outros casos que ele prestou assessoria e eu quero apresentar...

- Rony! – Gina diz sem notar que interrompeu o superintendente da Scotland Yard – o que você está fazendo aqui?

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Enquanto isso

Hermione Granger Weasley chega para trabalhar. Há algum tempo isso seria um prazer para ela, mas hoje isso além de ser um prazer lhe trás também apreensão. É o seu primeiro dia longe do seu bebê e por mais que ela saiba que seu Ronald Junior está bem cuidado, ela não pode deixar de sentir seu coração apertadinho.

Ela chegou a cogitar pegar uma licença maior para ficar com seu filho mais algum tempo, no entanto seu senso de responsabilidade fez com que ela mudasse de ideia, seu trabalho como assistente social e coordenadora de um centro de abrigo e recuperação para prostitutas e jovens dependentes não pode parar, essas mulheres precisam de mim foi o seu pensamento quando tomou a decisão final.

Ela se encontra com Minerva McGonagall, a supervisora do centro em que ela trabalha e de vários na região, uma mulher de aparência rígida, mas depois que você a conhece melhor percebe que ela é uma das pessoas mais amáveis e generosas que se pode conhecer.

- Bom dia Granger, quer dizer, Weasley. Suponho que você não está com a cabeça aqui neste momento.

Hermione sorri. A mulher que é a sua mentora desde os tempos da faculdade a conhece muito bem, embora sempre se confunda e a chame por seu nome de solteira.

- Não vou mentir pra senhora – ela diz lutando para que lágrimas não se formem em seus olhos – foi difícil.

- Eu entendo – Minerva esboça um sorriso – se for difícil pra você, você sabe que pode ter mais tempo.

- Eu sei – Hermione diz – mas eu preciso fazer isso – ela suspira – nunca vai ser fácil e meu filho está bem cuidado. Eu sei que as coisas estão difíceis por aqui, eu quero mesmo ficar – ela sorri – e depois eu sei que quando eu chegar em casa, meu filho vai sorrir e me chamar de mamãe, então vai valer a pena e desde que a senhora me aguente falando dele o tempo todo e dando uma fungada ou duas de vez em quando, eu estou pronta.

- Então vamos lá – Minerva sorri – eu tenho uma tonelada de burocracia pra você. Mas pelo que eu te conheço, você vai querer dar uma olhada nas meninas primeiro.

- Sim, você me conhece – Hermione diz enquanto guarda a sua bolsa – a burocracia pode esperar, eu quero ver como as meninas estão indo. Muitas carinhas novas?

- Infelizmente – o semblante de Minerva se torna sério – e teríamos mais se elas aceitassem nossa ajuda, mas isso raramente acontece. Você sabe que trazer essas mulheres pra cá de forma compulsória não adianta. Eu quero que você conheça uma pessoa – Minerva diz e a leva para um pátio, onde várias moças estão ocupadas com diversas atividades

Hermione vê algumas feições conhecidas ao mesmo tempo em que sente falta de outras. A morena só espera que as que não se encontram lá sejam as que conseguiram dar a volta por cima e voltaram pras suas famílias. Ela sabe que muitas vezes as mulheres se ressentem com algumas regras e simplesmente voltam as suas vidas anteriores.

Uma figura loira com olhos sonhadores chama a sua atenção, ela não parece ser alguém que esteve envolvida com drogas algum dia – quem é? – Hermione pergunta curiosa

- Ah – Minerva sorri – essa é Luna Lovegood, ela é jornalista e está trabalhando como voluntária – ela vê que Hermione olha intrigada – eu sei que não é muito comum, mas ela me procurou com uma proposta que eu achei interessante. Conversar com as moças e contar nossas histórias de sucesso, esse tipo de propaganda nunca é demais.

Hermione olha para a supervisora, ela sabe que Minerva é uma mulher sensata, mesmo assim ela teme um pouco, algumas destas moças foram abusadas por namorados e cafetões e não seria sensato que seu paradeiro fosse revelado.

- Não se preocupe – Minerva adivinha o pensamento da sua coordenadora – nada que ela escreve pode ser publicado sem a minha supervisão, nenhuma foto ou nome também. Venha – ela diz pra Hermione – converse com ela por cinco minutos e veja o que você acha.

- Vou fazer isso – Hermione diz. Ela confia muito em sua mentora, mas precaução nunca é demais e a moça pareceu um pouco avoada demais para o seu gosto. Além disso, é sempre bom ter um pé atrás quando se trata de pessoas que querem ajudar, ela já viu mais de uma vez esse tipo de coisa dar errado...

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Na Scotland Yard

- Gina! – Rony encara espantado a irmã – eu posso te perguntar a mesma coisa, o que você está fazendo aqui?

- Bem – a ruiva sorri – eu contei para o Shacklebolt o que aconteceu no domingo quando fomos expor nossos casos para o concurso, eu achei coincidência demais e quando eu dei por mim estava aqui sendo chamada para colaborar com o caso – ela completa com um sorriso maroto, seu irmão sabe o quanto ela queria isso – e você?

- Quase a mesma coisa – Rony diz – eu também contei o que havia acontecido. Eu sou da narcóticos, lembra? E como todas as mortes tinha sido por overdose, esses casos acabam sempre passando pela gente, então meu chefe me convidou para fazer a ponte entre os casos de overdose que encontramos e a Scotland Yard, não vou trabalhar diretamente, mas vou ser uma espécie de colaborador.

Gina nota que os presentes se entreolham sem entender direito, exceto Neville que já conhece o irmão dela e Moody que sorri enquanto diz:

- Outro Weasley... – ele parece pensativo – o que eu vou fazer com você? – ele encara o homem ruivo – se você for como o seu pai, tenho certeza que será muito útil no caso – ele olha para os demais – como o senhor Weasley aqui disse, ele não estará conosco o tempo todo, mas vai nos ajudar a mapear os casos de overdose que possam ter a ver com o nosso homem.

Gina sorri. Ela sabe que o seu irmão está feliz com a narcóticos, mesmo assim vai ser bom trabalhar com ele.

- Bem, agora que vocês foram devidamente apresentados, ao trabalho – Moody fala, ele olha para Sirius Black – agora é com você, eu quero relatórios sempre que houver alguma novidade.

Gina vê o agente assentir com a cabeça, a despeito de todo o seu deslumbre de estar fazendo parte de uma equipe da Scotland Yard, agora a ruiva assume seu melhor tom profissional. É hora de agir...

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Local desconhecido

Ele olha para o local escolhido, a sua cena perfeita. Em seguida ele encara o corpo sem vida e completamente desfigurado. Foi difícil. Ele pensa. Mas eu consegui. De fato foram necessárias muitas tentativas para que essa ficasse exatamente como ele queria. Aliás, queria não é a palavra certa, o correto seria dizer exatamente como ele precisava, porque para ele isso é uma necessidade, é a maneira que ele encontrou de mostrar o seu talento ao mundo ao mesmo tempo em que pune essas vagabundas.

Ele se lembra do terror nos olhos dessa quando ela percebeu que seu fim estava próximo, mas ela mereceu, ele fala para si mesmo, todas elas merecem.

Agora é só esperar. Ela é a sua mais recente obra de arte e como toda obra de arte merece ser apreciada...


NOTA DA AUTORA

Mais um capítulo pra vocês, com mais alguns personagens da saga aparecendo. Eu pretendo colocar vários deles na fic e vou procurar manter a maioria das suas características, o que não significa que não possa mudar uma coisinha ou outra, afinal fics são pra isso, brincar com os personagens um pouquinho não mata ninguém, não é mesmo?

Muito obrigada mesmo a todo mundo que está lendo, um obrigado especial pra quem favoritou ou colocou em alerta e um obrigado mais do que especial pra Allegra23 que está sempre comentando, você não imagina como seus comentários me incentivam. Obrigada mesmo. E só pra constar eu continuo cumprindo a minha promessa de comentar nas fics que estou lendo, principalmente porque estou vendo que o número de acessos está diminuindo de uma maneira geral e não apenas nas minhas fics. Como só leio por aqui, eu preciso fazer a minha parte para que as pessoas não desistam de postar neste site.

Espero que tenham gostado e mais uma vez venho aqui com carinha de cachorrinho pidão pedir uma palavrinha de incentivo...

Bjs e até o próximo