Pouco depois

James prepara o café da manhã cantarolando, daqui a pouco Lilly vai acordar e ele faz questão de deixar tudo pronto. É assim desde que se casaram, o café da manhã é por conta do papai, ele adora mimar a sua ruiva e nada melhor pra isso do que uma boa refeição pra começar o dia.

Ele sorri ao ver a sua adorada esposa descer as escadas ainda de pijamas, a sua mulher consegue tirar o seu fôlego mesmo após quase trinta anos. Ela lhe dá um selinho enquanto diz:

- Eu vou acabar abolindo o despertador e passando a acordar só com cheiro gostoso do café. Temos panquecas hoje?

- As melhores que você já comeu – ele diz enquanto serve o café para a esposa, James sabe que Lilly só começa a raciocinar direito depois da sua dose matinal de cafeína.

- Você me mima demais – ela diz absorvendo o aroma e preparando-se para dar um gole – eu já estou mal acostumada, você vai ao fórum agora de manhã?

- Você pode retribuir com o almoço – ele diz enquanto se serve – e eu vou ficar em casa agora pela manhã, vou dar uma olhada nos meus filmes pra ver se eu acho algo que possa ajudar o Harry com o novo caso.

- Então mais uma vez o Harry está ajudando – Lilly diz – ele diz que não quer ter nada a ver com a polícia, mas toda vez que acontece alguma coisa, ele é chamado e não se recusa. Não sei se acho isso certo, James, acho que a gente deveria falar com o Sirius.

- Você sabe que ele gosta de ajudar – James diz – e o Sirius nunca o forçaria – James suspira – acho que é a forma que ele arrumou pra realizar o sonho de infância dele depois que tudo aconteceu.

- Mesmo assim isso não é saudável – ela argumenta – eu tenho certeza que cada dia que ele passa na Scotland Yard, ele se lembra de tudo que aconteceu.

- Querida... – James a interrompe – seu filho tem vinte e sete anos. Ele é um homem adulto e nós sabemos que ele é perfeitamente capaz de se impor quando ele quer. Além disso, esse caso vai ser realmente difícil, o cara vem matando há anos pelo que eu pude perceber. Vamos deixar o Harry fazer o que tem que ser feito.

Lilly até pensa em argumentar, mas o toque do celular de James a interrompe, seu marido atende e em poucos minutos ela o vê ficando pálido. Algo aconteceu...

XXXXX

Na Scotland Yard

Harry e Gina chegam praticamente juntos, eles passam pela porta ao mesmo tempo, um pouco antes do horário habitual. Ao passo que a ruiva ainda se sente meio como um peixe fora d'água no seu novo local de trabalho, Harry parece saber perfeitamente para aonde ir.

- Bom dia – ele a cumprimenta – eu estou indo para a sala da autópsia. Você quer ir também? Assim você conhece madame Pomfrey e fica sabendo como o Nev está se saindo

Gina respira fundo. Definitivamente ela não gosta da sala de autópsia, seja na Scotland Yard ou em seu departamento. Mas ela quer mesmo saber como Neville está se saindo, pelo que ela pode notar a médica legista não é exatamente uma pessoa fácil de lidar, Gina só espera que seu amigo tão tímido e inseguro não esteja se sentindo horrível lá, então ela assente com a cabeça e eles pegam o elevador rumo ao subsolo

Gina caminha seguindo Harry Potter. É impressão dela ou ela está ouvindo algo? Parece uma música... Parece ópera! Ela olha para Harry que apenas dá de ombros e continua andando, ele abre a porta da sala de autópsia e o som de Puccini enche o local. Gina escuta uma voz de soprano acompanhada por um tenor que ela conhece bem. É sério que Neville e madame Pomfrey estão interpretando La Bohéme em plena sala de autopsia?

- Ela é excêntrica – Harry diz enquanto entra fazendo sinal que para que ela se mantenha calada e assim ela fica até o final da ária.

- Olá, senhor Potter, seja bem vindo – a legista diz sem se virar – creio que o senhor já conheceu o senhor Logbottom que me surpreendeu positivamente por ser um exímio conhecedor de ópera

- A minha avó sempre gostou e eu sempre a acompanhei – Neville diz praticamente da cor dos cabelos de Gina que está segurando o sorriso a custo

- Você tem uma bela voz – a ruiva não resiste em comentar

- É verdade, senhorita... – madame Pomfrey faz uma pausa – creio que não fomos formalmente apresentadas. Senhor Potter, por favor, faça as honras

- Esta é a senhorita Weasley – Harry diz – da homicídios, foi ela quem descobriu a pista principal do caso e agora está colaborando com a Scotland Yard – ele completa

- Ah, a filha do Arthur Weasley – ela diz depois de pensar um minuto – seja bem vinda – madame Pomfrey sorri – espero que seus pais estejam bem.

- Eles estão - Gina diz sorrindo para esconder o seu espanto. Ela não esperava que toda a Scotland Yard conhecesse o seu pai, definitivamente ela terá uma bela conversa na próxima vez que for visitá-lo.

- O que temos aqui? – Harry diz olhando para a mesa de autópsia onde o corpo queimado e disforme encontrado na véspera repousa – conseguiram alguma informação que possa nos ajudar?

- Se não fosse o que a gente já sabia sobre as overdoses eu não iria titubear em dizer que a causa da morte é obvia – a legista diz – mas os testes sanguíneos que fizemos confirmam que ela possuía alta quantidade de drogas em seu sangue. Eu não posso falar com certeza, mas espero realmente que esta pobre alma já estivesse partido quando fizeram isso com esse corpo – madame Pomfrey completa penalizada

- Alguma ideia da identidade da vítima? – Harry pergunta

- Entregamos amostras para o laboratório – Neville diz – com sorte haverá algum DNA viável e se ela estiver no sistema talvez haja uma chance de uma identificação.

Neste momento o celular de Harry toca, é o seu numero particular que apenas poucas pessoas têm, ele pede desculpas e vê que é o seu pai, talvez James Potter já tenha alguma informação a respeito dos filmes, ele atende e em poucos segundo seu semblante fica sério, ele desliga rapidamente enquanto diz:

- Eu preciso falar com o Sirius – ele olha para a ruiva – é melhor você vir comigo.

Eles estão saindo do elevador quando encontram Sirius Black, o semblante sério do homem diz que ele já foi informado – estamos saindo agora. Harry, por favor, desça novamente, nós vamos precisar de legistas.

- Devo chamar o Neville ou a madame Pomfrey? – ele pergunta

- Se o que eu temo aconteceu, nós vamos precisar dos dois – é a resposta sombria que Sirius lhe dá...

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Um pouco antes

James Potter chega apressado à casa de Rubeo Hagrid, um homem simples de tamanho descomunal a quem ele ajudou quase trinta anos atrás. James estava no último ano de direito ainda pensando qual seria a sua área de atuação quando conheceu um projeto que atuava buscando pessoas inocentes que foram presas por engano ou pessoas que não tivessem tido um julgamento justo. O caso logo chamou a sua atenção, Hagrid havia sido condenado por matar uma adolescente estrangulada, segundo o processo havia testemunhas que o colocaram no local em que o corpo da moça foi encontrado e ele mesmo havia confessado no interrogatório. Ao analisar o caso James, talvez por intuição, decidiu ir à prisão verificar melhor, ele teve a impressão que vários erros foram cometidos, mas ele precisava olhar nos olhos do homem para saber se poderia ajudar.

Bastou alguns minutos de conversa com Hagrid para que James tivesse certeza que o homem era inocente. Embora fosse evidente que ele tivesse força suficiente para estrangular alguém com apenas uma das mãos, o olhar do homem encarcerado fez com que o jovem advogado soubesse na hora que aquele era um homem injustiçado, a sua intuição gritava isso com todas as forças.

Mas James era acima de tudo um advogado, e advogados seguem fatos e não intuições. Então foi o que James fez, ele desenterrou todos os fatos e depois de algum tempo e muito trabalho ele conseguiu contra todas as probabilidades provar que Hagrid era inocente e conseguiu uma indenização para que o ex detento pudesse reconstruir a sua vida. James nunca se esqueceu do olhar grato que recebeu nem da sensação de estar fazendo a coisa certa e embora muitos dissessem que era apenas uma questão de tempo para que o homem caísse novamente nas malhas do sistema, Hagrid vivia uma vida pacífica no interior onde era querido por todos e realizava um trabalho admirável, por isso quando recebeu a ligação James Potter partiu rapidamente para ajudá-lo, só algo muito sério faria com que ele o chamasse

E é por isso que ele pergunta a um Hagrid que parece ter visto algo terrível a sua frente – o que aconteceu?

- Melhor o senhor vir comigo – o homem diz com os olhos muito arregalados e neste momento James tem certeza que algo terrível aconteceu

E o que ele vê lhe mostra que ele está certo, em sua cabeça apenas um pensamento. Sirius precisa ser chamado...

XXXXX

Pouco depois

Sirius chega com uma pequena comitiva que inclui Harry, Gina, os legistas, Shacklebolt e Moody. Todos estão apreensivos e com a respiração suspensa, uma certeza permeia as suas mentes, há algo grande por aí.

Ele se encontra com James Potter que tem a seu lado um homem de tamanho descomunal, que os encara com olhos semelhantes aos de um cervo ao se deparar com os faróis de um carro. Sirius já ouviu falar de Rubeo Hagrid, o primeiro grande sucesso de James no seu trabalho com pessoas condenadas de forma injusta. Pelo semblante do homem, Sirius pode afirmar que as suas recordações da época ainda estão bem vivas.

- Oi James – ele cumprimenta o amigo – o que temos por aqui... caramba! – ele exclama ao ver a cena grotesca

- Eu juro que não tenho nada a ver com isso – Hagrid diz com a voz tremulante – essa terra nem é minha, eu apenas segui meu cachorro e ele veio parar aqui

- Tudo bem, Hagrid. Nós sabemos que você não tem nada a ver com isso – James o acalma enquanto olha para o amigo e para os demais presentes que olham boquiabertos para o maior cemitério clandestino que se pode imaginar. O advogado sabia disso quando ligou para o amigo e pediu que trouxesse o maior número de reforços que pudesse, a comitiva se entreolha, todos com o mesmo pensamento. Se tudo isso tiver alguma ligação com o seu caso, provavelmente eles estarão lidando com o maio serial killer da Inglaterra desde Jack o estripador...

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Mais tarde

Hermione acabou de receber uma mensagem do marido dizendo que não há nada sobre Luna Lovegood nos arquivos da polícia o que a deixa aliviada e meio culpada ao mesmo tempo. Ela não gosta de fazer esse tipo de coisa e se Hermione tivesse pensado um minuto a mais, ela não teria feito isso, mas ao mesmo tempo ela fica feliz em saber que não há nada que desabone a moça embora a sensação de que ela esconde algo não tenha passado com a notícia.

Hermione já viu pessoas demais se aproveitando da situação vulnerável das suas garotas pra deixar uma intuição sua passar, então a notícia do seu marido deu certo alívio somado ao fato de McGonagall confiar na senhorita Lovegood. Isso deve bastar por enquanto e como Luna mesmo disse, um dia ela falará. No entanto isso não a preocupa agora, ela acabou de receber uma mensagem do marido falando que não teria hora pra chegar e isso significa que ela terá um bebê mal humorado pelo fato do papai não estar em casa na hora de costume. Por isso ela vai pedir pra sair um pouco mais cedo, isso deve distrair seu pequeno ruivo e quem sabe evitar uma birra, é isso que ela pensa ao entrar na sala de Minerva McGonagall.

- Com licença, a senhorita está ocupada? – ela diz depois de bater suavemente na porta e entrar como é seu costume

- Não mais do que o de costume – Minerva diz com um suspiro – as coisas de sempre pra conseguir mais doações – ela completa e recebe um olhar solidário de Hermione – eu posso ajudar?

- Bem - Hermione diz meio sem jeito, não é de seu feitio pedir pra sair mais cedo ou pelo menos não era até que ela se tornasse mãe – eu queria pedir pra sair um pouco mais cedo, o Rony vai ter que ficar no trabalho, e o RJ fica enjoadinho quando não vê o pai.

- As alegrias da maternidade que ninguém conta para as mães de primeira viagem– Minerva diz – está tudo bem? – ela pergunta. Minerva sabe que o marido de Hermione evita ao máximo plantões inesperados desde que o filho nasceu.

- Ele não disse muita coisa, aliás, ele nem ligou, só mandou uma mensagem rápida – Hermione suspira – deve ser algo bem grave pra ele ser chamado assim, espero que ele possa dizer quando chegar.

- Entendo – Minerva diz – pode ir quando quiser, mas amanhã eu gostaria que você me ajudasse com a carta de agradecimento ao senhor Riddle, a sua doação anual nos tirou do vermelho mais uma vez e você sempre sabe o que dizer sem que pareça que somos um bando de puxa sacos

- Farei isso hoje mesmo se o RJ deixar – Hermione diz. Tom Riddle é definitivamente um dos maiores doadores do centro de recuperação e de várias instituições – caso o RJ não colabore, isso vai ser a primeira coisa que farei amanhã. Obrigada por me deixar sair mais cedo

- O que é isso, menina, você tem mais horas extras por aqui do que nós poderíamos pagar. Mais alguma coisa? – McGonagall completa e vê que Hermione fica meio sem jeito – o que foi?

Hermione suspira. Sempre foi assim ela nunca conseguiu esconder algo da sua mentora, principalmente quando se sente culpada. Então ela diz:

- É que eu fiz uma coisa e não sei se você vai gostar. Na hora me pareceu uma boa ideia, mas agora acho que eu fui exagerada e meio boba

- O que você fez, Hermione? – a supervisora pergunta segurando um sorriso. Ela já conhece a sua pupila o suficiente pra saber que de vez em quando ela exagera nas suas culpas e provavelmente deve ser uma coisa meio sem importância

- Bem, eu te disse que aquela voluntária, a Luna, ela tinha alguma coisa estranha e mesmo que você tenha dito que ela era uma boa pessoa, algo continuava me incomodando. Então eu meio que pedi ao Rony para verificar se havia alguma coisa – Hermione despeja de uma vez – eu sei que não deveria fazer isso, mas foi mais forte que eu, desculpe – ela completa meio sem jeito já esperando uma reprimenda da sua mentora

- Realmente você não deveria ter feito – Minerva diz de modo sério, mas eu sei que você fez isso com a melhor das intenções – ela olha para Hermione – suponho que o Ronald não encontrou nada, estou certa? – ela sorri ao ver Hermione baixar os olhos – você deveria saber melhor, Hermione. Eu nunca deixaria alguém entrar aqui sem verificar

- Eu sei – Hermione diz envergonhada – desculpe, eu não queria passar por cima da senhora, não queria desrespeitá-la, mas eu sempre sigo a minha intuição e ela estava dizendo que havia alguma coisa...

- Filha – Minerva diz de modo doce – eu já te disse antes, realmente há alguma coisa, mas não cabe a mim dizer, mais uma vez eu te digo que não é nada que possa prejudicar as nossas meninas, pode ficar tranquila. Mais alguma coisa?

- Na verdade há – Hermione se lembra da promessa que fez ao marido – o Rony está trabalhando em um caso com a Scotland Yard e ele me pediu pra checar com as meninas que estavam nas ruas se elas sabem de alguém que simplesmente desapareceu – ela percebe que o semblante da diretora muda – tudo bem? – ela pergunta meio cismada – há algum problema?

- Tudo bem – Minerva diz de maneira vaga – você pode perguntar, só não assuste muito as meninas – ela encara a sua pupila – quer dizer que existem meninas desaparecidas? Você sabe um pouco mais sobre isso?

- Não muito – Hermione diz – o Rony não pode dar detalhes das investigações, mas ele pediu pra sondar por aqui. Eles estão meio perdidos e qualquer coisa pode ajudar

- Faça isso – Minerva diz – se for ajudar não vejo por que – não ela olha para o relógio – agora vai que você tem um bebê pra manter calmo até o pai chegar

Hermione assente com a cabeça e se retira, definitivamente ela terá uma espera longa com seu pequeno ansioso pelo pai.

XXXXX

Ao mesmo tempo

Rony Weasley chega com alguns colegas da sua divisão. Ele pode ver vários policiais além do pessoal da Scotland Yard, definitivamente há alguma coisa grande por aí.

Ele encontra a sua irmã que está acompanhada de Sirius Black, Harry Potter e algumas pessoas que ele não conhece. Ele os cumprimenta rapidamente antes de perguntar:

- O que temos aqui? Alguma coisa relacionada a entorpecentes?

- Ainda não dá pra dizer, mas veja você mesmo – Gina diz enquanto mostra ao irmão o que foi encontrado. Ela vê o ruivo boquiaberto assim como ela mesma ficou ao se deparar com a bizarra descoberta

- Quantos são? – ele finalmente consegue balbuciar

- Vinte e contando – ela diz – nós vamos cavar mais fundo e tudo indica que existem outros enterrados em épocas diferentes, o pessoal do DNA vai ter trabalho para semanas, se não meses.

- Tem alguma coisa a ver com o nosso caso? – ele indaga – só pode ser por isso que alguém da entorpecentes foi chamado, por isso eu fui chamado?

- Achamos que sim, já que algumas mulheres foram dadas como desaparecidas e alguns dos corpos mais recentes são claramente femininos –a ruiva suspira – o Sirius vai notificar alguns familiares à medida que tivermos algumas pistas pra identificar. As mais recentes não deve ser tão difícil já as outras não sei, pode ser que não tenha nada, talvez não haja DNA aproveitável, as roupas estão muito gastas e provavelmente muitas delas não devem ter fichas odontológicas se forem moradores de rua.

O chamado de Moody interrompe a conversa cabe ao superintendente dar os direcionamentos para aquele que deve ser o maior caso da Scotland Yard das últimas décadas...

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Em outro local, algumas horas depois

A noite caiu já faz algum tempo, Luna devia se preparar para dormir o que ela sempre faz quando não está com a van atrás das mulheres. Mas hoje especialmente ela não consegue, esse é um dia particularmente difícil pra ela e para o seu pai também, ele seguiu a sua rotina religiosamente e foi se recolher no horário de sempre, mas Luna sabe que ele não está dormindo, provavelmente ele está perdido em suas recordações, como ela.

Muitos anos se passaram, mas para Luna é como se fosse ontem e Luna tem certeza que para o seu pai também. Ela faz muita falta e sempre fará e é por isso que a moça fará de tudo para resolver o mistério que permeia a sua vida a mais de uma década. Mesmo que muitas pessoas digam que ela deveria seguir a sua vida, Luna sabe que só conseguirá quando esse mistério for resolvido.

E é por isso que ela se levanta decidida, mesmo que seja uma decisão inusitada, Luna precisa sair...

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Na Scotland Yard

Eles já estão reunidos há um bom tempo, mas ninguém pensa em ir embora, a adrenalina do dia ainda está ativa e em todas as mentes apenas um pensamento, saber se a descoberta macabra tem alguma coisa a ver com o caso investigado.

Eles esperam o pronunciamento de Alastor Moody. Se o caso antes já era prioridade agora ele deve estar no topo de todas as investigações. Neste momento a pergunta que permeia a mente de todos é: desde quando esse cara está matando?

O burburinho da sala de reuniões silencia quando o superintendente pigarreia. Neste momento seria possível ouvir um alfinete caindo. Alastor começa:

- Boa noite, senhores. Obrigado por se deslocarem, muitos de vocês não estão de plantão e nós da Scotland Yard agradecemos a prestatividade. Como vocês puderam ver, hoje nós realizamos uma descoberta macabra. Até agora foram descobertos 47 corpos em variados estágios de decomposição, nossos legistas juntamente com legistas de outros departamentos estão trabalhando por mais informações, mas podemos adiantar que iremos trabalhar juntos. Pois não? – ele vê um policial levantar a mão. Moody sorri ao ver que é Rony Weasley

- Podemos dizer que está relacionado com os últimos homicídios? – ele pergunta

- É cedo pra afirmar – Moody diz – mas iremos trabalhar com essa possibilidade. Infelizmente os corpos mais antigos não terão vestígios de drogas, mas alguns recentes podem ter. Iremos focar nas informações que temos a respeito de moradoras de rua e prostitutas desaparecidas nos últimos tempos – ele suspira – embora eu possa afirmar com quase certeza que temos corpos que deveriam estar lá por uma década ou mais.

- E o cara que achou os corpos? – Draco Malfoy pergunta – ele é um suspeito?

- Ele será investigado, é claro – quem responde é Sirius – mas acho difícil. O senhor Hagrid, embora seja um ex presidiário, foi inocentado e vem sendo acompanhado por pessoas da minha confiança desde que deixou a prisão.

- Sim, ele será investigado – Moody confirma – mas nós temos muito trabalho a fazer e o principal deles agora seria identificar estes corpos. Eu peço que tragam os caso de pessoas desaparecidas em seus departamentos por mais antigos que sejam. Temos que contatar familiares à medida que tivermos alguma identificação – ele respira fundo – eu sei que será difícil já que muitos provavelmente são moradores de rua, mas temos que fazer o possível. De qualquer forma eu agradeço a todos e espero vocês amanhã – Moody diz deixando claro que a reunião acabou

Gina levanta com um suspiro. Ela sabia que o trabalho na Scotland Yard seria difícil, mas uau! Isso é coisa grande, maior do que qualquer um deles já viu. Ela se dirige ao irmão que também está estupefato com tudo o que aconteceu. Eles já viram muita coisa na polícia, mas ela tem certeza que Rony se sente da mesma forma.

- Dia pesado – ele diz para a irmã que concorda com a cabeça – pelo jeito vem muita coisa por aqui, você quer uma carona?

- Não, obrigada, estou de carro – Gina diz ao ver que a sua equipe está reunida conversando e a última coisa que ela quer é ficar de fora. Vou ficar mais um pouco, dá um beijo no RJ por mim e lembranças pra Mione. Assim que eu puder, eu ligo pra ela e marco alguma coisa.

- Vou dizer – o ruivo diz dando um beijo de despedida na irmã – qualquer coisa me avisa – ele completa enquanto se retira e Gina se dirige a sua equipe.

- Ei Weasley! – Tonks diz enquanto olha para os lados para ver se não há ninguém ouvindo. Nós vamos dar uma patrulhada pra esfriar os ânimos, acho que agora ninguém vai conseguir dormir e quem sabe a gente encontra alguma coisa.

- Eu estou dizendo que a gente deveria ir pra casa – Harry argumenta – não é como se um serial killer tão experiente fosse cair nas garras de vocês justo hoje.

- Falou o cientista Potter – Draco replica com desdém – fique se quiser, eu e a Tonks aqui vamos dar uma olhada nos locais onde as vítimas identificadas costumavam frequentar. Mesmo que a gente não encontre nada não irá fazer nenhum mal – e aí, Weasley? Espero que não tenha se bandeado para o lado dos que ficam no escritório

Gina olha para os presentes sem saber o que dizer. Sirius disse que ela iria ficar no trabalho interno com Harry, mas ele também disse que ela iria a campo quando preciso, mas pelo semblante de todos não é como se ele tivesse dito que eles iriam a campo depois de um dia tão atribulado com as emoções a flor da pele. A ela não parece uma atitude sensata, Gina não quer fazer nada que vá contra as ordens recebidas, ela cortaria um dedo antes de estragar as suas chances de ficar na Scotland Yard – o Sirius sabe disso? – as palavras escapam da sua boca – ele disse que eu deveria ficar com Harry

- Ele disse que eu deveria ficar com o Harry – Draco a imita com uma voz esganiçada – quem diria que você não é tão arrojada como eu achei você fosse e olha que eu raramente me engano.

- Quieto, Malfoy! – Harry rosna enquanto Tonks rola os olhos, a animosidade entre os dois agentes sempre foi latente, mas apesar disso eles trabalham bem juntos. Ela olha para Gina.

- Você está vendo o Sirius por aqui? – ela sorri ao ver a novata negar com a cabeça – ele mesmo deve ter ido percorrer uns becos escuros. Eu conheço meu primo, a parte burocrática o mata, então quando tem uns casos bravos como esse, ele incorpora o patrulha e sai por aí também. É o jeito dele lidar com isso e ao mesmo tempo ele se isenta de falar que a gente deve ficar com a cabeça fria e não sair fazendo besteira por aí.

- Se vocês dizem que não há problema – Gina diz com um sorriso, ela não pode negar que estava louca para ir a campo agora como agente da Scotland Yard – de repente dar uma volta por aí poderia ajudar.

- Não acho uma boa ideia – Harry diz e encara Draco. Não que Harry não se ache capacitado para fazer isso, seus motivos são outros

- Bem, como isso não é nada oficial e eu sou uma pessoa livre, nada impede que eu exerça o meu direito de ir e vir – Gina diz encarando o colega – e meu direito de ir e vir por acaso diz que eu devo ir a uma ou outra zona dessas que a minha mãe me mataria se descobrisse que eu fui a um lugar assim e se caso eu encontre alguma coisa ficarei mais do que feliz em compartilhar com vocês. É assim que funciona?

- Boa garota, é assim mesmo que funciona – Malfoy diz com um sorriso presunçoso – você não vai estragar muito afinal. Amanhã nos encontramos e seja cuidadosa, o Sirius mataria qualquer um de nós se algo acontecesse a uma novata. Qual quer um de nós, menos o Potter, é claro

- Vai a merda, Malfoy – Harry vocifera – você sabe que eu não sou agente, eu só colaboro quando me chamam

- Sim, eu sei – Draco diz olhando nos olhos de Harry e Gina neste momento tem a impressão de que há muito mais nessa história do que uma simples rusga entre colegas. Ele olha para Tonks e Gina – e então, vamos dar uma volta por aí?

- Vocês vão para onde haviam planejado - Gina diz com um sorriso maroto – eu tenho um lugar que eu quero ir, assim a gente cobre uma área maior.

- Sozinha? – Harry diz com o coração na mão. De jeito nenhum um agente seja ele de que sexo for deve sair sozinho, ele aprendeu isso da pior maneira.

- Claro que não, Potter! Você vai comigo, eu sei que você não pode ir a campo, mas nada impede que a gente dê uma volta – ela diz e sai sem se virar, Harry dá um suspiro e vai atrás dela arrancando uma gargalhada de Tonks e um sorriso cínico de Draco.

- Gostei dessa garota – é o que o loiro diz...


NOTA DA AUTORA

Eis que estou de volta, com um capítulo maior pra compensar a demora. Fiquei meio enrolada entre o retorno às atividades presenciais e uma pequena viagem que fiz no mês passado. Aos poucos estou me organizando e vou fazer o possível pra postar com regularidade mesmo que eu fique um pouco frustrada com a ausência de comentários (sim, eu faço chantagem emocional de vez em quando, me julguem).

Espero que tenham gostado do capítulo, posso adiantar que tem muita coisa pra acontecer. Mais uma vez digo que não sei direito como funcionam as coisa na polícia nem aqui no Brasil o que dirá na Scotland Yard, então relevem se eu colocar alguma coisa muito absurda ok.

Mais uma vez agradeço a todo mundo que está lendo, favoritando e seguindo a fic e novamente agradeço demais à Allegra23 que sempre deixa uma palavrinha pra me fazer feliz (façam como ela, não sejam tímidos, rss).

Por enquanto é só. Bjs e até o próximo