Na Scotland Yard

Harry entra apressado, ele já devia estar na divisão a pelo menos quinze minutos, mas Harry simplesmente não conseguiu acordar, não depois de passar um bom tempo da noite nas ruas procurando alguma pista e outro pedaço remoendo o que aconteceu na diligência improvisada que ele e Gina fizeram.

Ele ainda não acredita no que aconteceu, definitivamente essa ruiva é maluca e pra ser sincero Harry neste momento duvida da sua sanidade também. Ele sempre se orgulhou de ser uma pessoa centrada e que não toma decisões por impulso, no entanto tudo o que aconteceu na véspera foi uma sucessão de impulsos e atitudes precipitadas, Harry tem sorte de nada ter dado errado ele diz para si mesmo enquanto a sua mente se volta para os acontecimentos da noite anterior...

XXXXX

Voltando à noite anterior

Harry vê um homem suspeito se aproximando da ruiva, um homem que parece mesmo estar interessado, digamos, nos serviços que a sua parceira parece estar oferecendo, e neste momento ele fica apreensivo e meio inseguro sem saber se deve chegar até ela ou não. Se Harry for precipitado pode ser que atrapalhe e Gina não consiga algo útil, mas ao mesmo tempo se ele deixar passar isso pode levar essa diligência improvisada ao desastre.

Ele resolve se aproximar discretamente para tentar ouvir a interação de Gina com o homem que por sinal ele não recomendaria para nenhuma mulher. A sua indecisão sobre observar de longe sem interferir cai por terra quando ele vê o homem tocar Gina de modo agressivo. Rapidamente ele chega até ela ignorando o olhar furioso que a ruiva tem

- Algum problema? – ele diz encarando o homem – ele está incomodando?

- Está tudo bem, querido – Gina diz com um sorriso sedutor. Ela olha para o homem – eu disse que estava esperando alguém e ele já estava indo embora

- Esse fracote aí? – o homem diz com desdém – eu tenho certeza que você ficaria melhor comigo, benzinho. Manda esse cara passear e a gente pode se divertir

- Eu acho que ela já falou que quer ser deixada em paz, então se o senhor puder se retirar – Harry diz polidamente, ele evita olhar pra Gina, mas a respiração pesada da ruiva dá a ele a pista que ela está começando a ficar irritada.

Antes que Gina fale alguma coisa, o homem toca no seu cabelo. Harry só vê a ruiva torcendo o braço dele que dobra os joelhos diante da dor

- Sua vaca! – o homem vocifera entre os gemidos ao passo que Harry tira a arma e diz:

- Como eu disse, a moça quer ser deixada em paz e ela é nervosinha, então se eu fosse você, eu iria procurar diversão do outro lado da rua, entendido? – ele vê o homem soltar um palavrão e se retirar

Essa ruiva é louca! Harry pensa antes de pegá-la pelo braço e puxá-la em direção a um beco escuro

- O que você pensa que está fazendo? – ela diz – você quer, por favor, ir mais devagar! Esses saltos não foram feitos pra correr – Gina completa tentando se equilibrar um pouco melhor – se eu quebrar uma perna você me paga!

- Eu estou salvando a sua pele, sua maluca! Você não viu que havia uma viatura virando a esquina e que provavelmente seu amiguinho iria dar queixa? – Harry diz sem parar de puxá-la

- Nós somos policiais, esqueceu? – ela diz ofegante enquanto encosta em uma parede e vê ao longe a viatura passar vagarosamente

- Na verdade nós somos policiais fora de serviço bisbilhotando – ele a corrige enquanto vê que a viatura segue na direção em que eles estavam – se eles nos pegam aqui essa história vai parar na Scotland Yard e eu conheço o Sirius, ele odeia que seus agentes se deixem pegar quando desobedecem as ordens e pode ter certeza que tem muita gente louca pra puxar o tapete dele!

Gina fica calada com a culpa ameaçando tomar conta do seu ser, a última coisa que ela quer é deixar Sirius mal, não apenas porque ela pretende continuar na equipe, mas porque ela gostou de imediato do homem que poderá ser seu chefe. Sirius lhe pareceu alguém muito competente e leal, e ela não gostaria de decepcioná-lo então ela fica o mais quieta possível esperando a viatura passar e torcendo para que nenhuma das garotas a denuncie

- Já foram? – ela consegue finalmente balbuciar com o coração aos pulos

- Fica quieta, pode ser que eles voltem – Harry sussurra se dando conta agora que ambos estão muito próximos, tão próximos que poderiam ser confundidos com um casal namorando em um beco escuro

- Eles não voltam – Gina diz de forma segura. Ela conhece a forma dos colegas trabalharem, eles meio que tem um pacto com as meninas que trabalham nas ruas, pois volta e meia precisam delas para informações, então ele não costumam pegar muito pesado a não ser que seja realmente necessário

- Se você diz... – Harry fala – você não acha que já ficamos aqui por tampo suficiente...

Mas Harry não termina a sua frase, antes que ele possa se dar conta do que está acontecendo, os lábios de Gina capturam os seus de maneira possessiva e furiosa...

XXXXX

Voltando ao dia seguinte

Gina chega à Scotland Yard. Ela sabe que está atrasada e ela sabe que vai ser um dia difícil, a ruiva sente o rubor tomar conta da sua face ao se lembrar dos acontecimentos da noite anterior. Definitivamente não era esse rumo que ela esperava que a sua diligência tomasse

Ela sempre se considerou uma pessoa centrada e objetiva que nunca toma decisões de forma abrupta. Mesmo que seus irmãos sempre dissessem que ela era uma pessoa que agia no calor do momento, a ruiva não se lembrava de ter tomado uma decisão impulsiva pelo menos no que se refere ao trabalho até o dia anterior. Gina não pode negar que agiu por impulso e tomou uma decisão da qual ela pode se arrepender do resto da vida e talvez isso interfira na sua relação de trabalho. Onde eu estava com a cabeça? Ela se recrimina lembrando-se da noite anterior...

XXXXX

Voltando mais uma vez ao dia anterior

Gina vê o homem se afastar usando uma linguagem que faria a sua mãe lavar a sua boca com água e sabão, ela olha para seu parceiro cujo semblante não é de alguém muito feliz. O que ele queria que eu fizesse? Ela pensa com seus botões e antes que ela possa falar alguma coisa, a ruiva se vê sendo puxada para um beco escuro

- O que você pensa que está fazendo? – a ruiva vocifera sem entender – caso você não saiba esses saltos não foram feitos pra correr – ela diz tentando se equilibrar – se eu quebrar uma perna você me paga!

- Eu estou salvando a sua pele, sua maluca! – Harry diz sem parar de puxá-la – você – não viu que havia uma viatura virando a esquina e que provavelmente seu amiguinho iria dar queixa?

Gina respira fundo tentando obter uma paciência que definitivamente ela não tem - caso você não se lembre, nós somos policiais – ela diz rolando os olhos

- Na verdade nós somos policiais fora de serviço bisbilhotando – ele contra argumenta enquanto vê que a viatura segue na direção em que eles estavam – se eles nos pegam aqui essa história vai parar na Scotland Yard e eu conheço o Sirius, ele odeia que seus agentes se deixem pegar quando desobedecem as ordens e pode ter certeza que tem muita gente louca pra puxar o tapete dele

Gina fica calada por um momento. Definitivamente ela não quer deixar Sirius mal, não só porque isso iria arruinar a sua chance de permanecer na Scotland Yard, mas também porque a última coisa que ela quer é prejudicar alguém que está sendo tão legal com ela.

Harry continua dizendo alguma coisa, mas a ruiva não está mais ouvindo. A sua intuição neste momento faz com que os pelos de sua nuca se arrepiem. Tem alguma coisa errada e a última coisa que ela precisa é que eles chamem atenção agora

Ela tem pouco tempo pra pensar no que fazer. Pra falar a verdade se ela realmente fosse pensar, Gina nunca faria algo assim, mas no momento ela vai tomar uma medida desesperada e totalmente anti profissional e é por isso que ela passa seus braços ao redor do pescoço de Harry e o beija furiosamente

Gina não sabe dizer quanto tempo durou, algo como alguns segundos ou uma vida inteira até que eles se separaram e Harry a encarou com olhos muito parecidos com os de um cervo ao se deparar com os faróis de um carro.

- Sssshh – ela fez colocando a mão em sua boca – há alguma coisa ali

Eles veem um homem aparentando meia idade que ajuda uma mulher visivelmente tomada por entorpecentes, ele a ampara e caminha com ela para uma van

- Deve ser só o pessoal da assistência social – ela diz meio sem jeito – achei que fosse alguma coisa, desculpe

Harry olha para Gina ainda tentando recuperar o fôlego. A ruiva evita encará-lo e ele pra ser sincero também não consegue olhar nos olhos dela enquanto diz – acho que não vamos mesmo encontrar nada aqui

Gina assente com a cabeça e eles vão para as suas respectivas casas, com a certeza que nenhum dos dois vai conseguir ter uma noite de sono reparadora...

XXXXX

De volta ao momento atual

A ruiva sente o rubor subir a sua face quando se lembra da atitude impulsiva. Burra, burra, burra! Ela se recrimina mentalmente. Entre todas as coisas que você podia fazer para que ele ficasse quieto, você tinha mesmo que beijá-lo? Como você vai encará-lo agora?

Mas Gina não tem muito tempo pra pensar nisso. O semblante de Sirius Black, que vem em sua direção com o restante da equipe, lhe diz que ela tem algo mais importante com que lidar...

XXXXX

Quase ao mesmo tempo

Hermione escuta a história de Luna Lovegood ,definitivamente ela não imaginava que a moça tivesse uma história como essa. A morena não sabe direito o que dizer, ela se sente culpada por ter pensado mal da jovem, ninguém deveria passar por algo assim.

- Então é por isso que você trabalha aqui – ela consegue dizer – sinto muito por não confiar em você.

- Você estava defendendo as meninas – Luna diz com um sussurro – eu posso aceitar isso – ela olha para Hermione – você acha que pode me ajudar?

- Eu mesmo não posso – Hermione diz – mas eu conheço alguém que pode – ela olha para a supervisora – nós vamos sair por algum tempo, tudo bem?

- É claro – Minerva diz mesmo que ela não esteja entendendo aonde a sua pupila quer chegar, ela confia em Hermione – tome o tempo que precisar

Hermione ampara a jovem que está visivelmente abalada – nós vamos fazer o possível para te ajudar, eu só preciso de um minuto – ela completa pegando o celular...

XXXXX

Na Scotland Yard

Rony chega apressado, ele pretendia ficar mais tempo com seu pequeno, mas uma mensagem de Sirius pedindo que se apresentasse mudou seus planos. O ruivo não gosta quando ele é chamado de surpresa, mas ele sabe que na atual circunstância isso é algo do qual ele não pode escapar e o noticiário que ele veio ouvindo no carro a respeito da descoberta lhe dá a certeza que as coisas vão ficar bem agitadas.

Seu celular toca pela terceira vez, o toque característico da sua esposa. O ruivo não gosta de deixar de atender, mas nesse momento ele está apressado demais. Rony só espera ter tempo de mandar uma mensagem rápida explicando e se desculpando mais tarde, a última coisa que ele precisa é de uma esposa chateada

Ele passa pelos repórteres enlouquecidos de cabeça baixa e com o passo apressado. De jeito nenhum ele vai parar e se arriscar a falar algo antes de saber a posição da agência sobre o achado. Rony vê alguns homens conhecidos, aqueles que sempre estão pela sua delegacia atrás de alguma notícia, mas agora não é hora de ser sociável.

Ele chega em uma sala onde a sua equipe se encontra, Rony se posiciona ao lado de Gina que a seu ver parece meio estranha. Talvez ela não estivesse esperando algo assim, ele a cumprimenta com a cabeça enquanto espera o pronunciamento de Alastor Moody.

- Bom dia senhores – o superintendente da Scotland Yard começa – creio que vocês já devem saber que nossa macabra descoberta de ontem está em todos os jornais e que as coisas vão começar a ficar complicadas agora. Não preciso dizer que nossos passos serão vigiados de perto, a partir de agora precisamos ficar atentos a tudo que dissermos ou fizermos não apenas para não passarmos informações indevidas, mas também pra não deixarmos essa história virar uma comoção nacional.

- O que devemos fazer se formos interpelados pela imprensa? – uma voz ao fundo se faz ouvir

- Vocês já devem ter lidado com a imprensa nos seus departamentos – Moody diz pacientemente – o protocolo vale aqui também. Peçam pra procurarem nossa assessoria, digam que não podem dar nenhuma informação para não prejudicar a investigação essas coisas de sempre. Todos nós somos profissionais – ele diz de forma solidária – só o que muda é o nome da instituição. Agora ao trabalho, deixem a imprensa com a nossa assessoria e vamos pegar esse cara.

Aos poucos os agentes vão saindo e tanto Rony quanto Gina podem notar a determinação em todos eles. A ruiva agradece mentalmente a presença do irmão, pois isso vai tirar da sua mente a diligência frustrada da noite anterior ao menos por enquanto. A ruiva pensa em trocar algumas palavras com o irmão antes de encarar Harry Potter, mas a figura da sua cunhada no saguão da Scotland Yard a tira do devaneio. Ela olha para o irmão que parece tão espantado quanto ela enquanto diz:

- Hermione? O que você está fazendo aqui? Aconteceu alguma coisa com o RJ? – ele pergunta preocupado. Nesta hora ele não está pensando mais em nenhum serial killer, a sua família vem em primeiro lugar sempre.

- Ele está bem – Hermione diz e o encara com o seu costumeiro ar mandão – eu tentei falar com você o dia todo!

- Não deu pra atender, desculpe, isso aqui está uma loucura depois que a notícia vazou – o ruivo se justifica, ele então vê que a esposa não está sozinha – o que você está fazendo aqui? – ele pergunta curioso

- Esta é a senhorita Lovegood – Hermione diz apresentando – Luna para o marido e a cunhada – acho que vocês deveriam ouvir o que ela tem a dizer...

XXXXX

Pouco depois

Gina evita olhar para Harry Potter, mas isso pra ela não é muito fácil, quando a ruiva menos espera seus olhos traidores buscam a figura do seu parceiro e a sua mente vaga nas lembranças da véspera. Ela não pode se perdoar pela sua atitude anti profissional, e pela feição do homem sentado não muito longe dá pra ver que ele também está totalmente sem graça.

No entanto no momento isso não importa, o que ela tem que ter em mente é que talvez a sua cunhada tenha trazido uma pessoa que pode ter uma ligação com tudo o que está acontecendo e agora ela precisa focar na história de Luna Lovegood. Pelo semblante da sua equipe a ruiva pode ver que este é o pensamento de todos, Gina só não entende a feição estarrecida de Draco Malfoy...

XXXXX

Ao mesmo tempo

Draco Malfoy ainda não entendeu o que a hippie que ele encontrou no dia anterior está fazendo na Scotland Yard. Ele sempre se considerou uma pessoa bem fria e racional, mas o loiro não pode negar que a figura exótica ocupou boa parte do seu sono e que encontrá-la na sala de reuniões logo nas primeiras horas do dia o intrigou

Ele realmente quer perguntar o que ela está fazendo aqui, mas pelo jeito a sua curiosidade vai ter que esperar. Luna Lovegood respira fundo e começa a sua história:

- Meu pai era voluntário do centro de recuperação que a senhora Weasley trabalha, isso há vários anos atrás – ela diz com a voz tremulante – a minha mãe era interna lá, a sua vida foi muito difícil na sua adolescência e ela tomou alguns caminhos errados que a levaram ao vício por alguns anos – Luna respira fundo enquanto olha para os presentes e continua

- Ela e meu pai se apaixonaram depois de um tempo e embora fosse estritamente proibido este tipo de relacionamento, eles se casaram e algum tempo depois eu nasci. A minha mãe era uma esposa e uma mãe perfeita, ela sequer tomava bebidas alcoólicas, o que dirá qualquer tipo de droga. Mas quando eu tinha oito anos ela simplesmente desapareceu e eu nunca mais tive notícias dela.

- Então era por isso que você estava naquela rua ontem? – Draco diz sem pensar muito e se ruboriza ao ver todos os olhares voltados para ele

- Sim - ela diz – eu sempre que posso dou uma volta pelos lugares que meu pai disse que ela frequentava antes de se reabilitar. Eu sei que tem mais de quinze anos, mas sempre tive esperança de encontrar alguma coisa – ela baixa os olhos – até que vi a notícia dos corpos achados no jornal – seus olhos se enchem de lágrimas – não me pergunte como, mas eu tenho certeza que a minha mãe é um destes corpos.

- A senhorita foi à polícia na época? – Sirius questiona – quer dizer, a senhorita era uma criança, mas seu pai procurou a polícia?

- Ele foi – Luna diz com um suspiro resignado - mas eles só viram que ela havia sido uma viciada antes, os dez anos que ela passou sóbria não importaram e ninguém deu muita importância. Meu pai contratou detetives, colocou anúncios nos jornais, mas ninguém nunca deu nenhuma informação sobre o paradeiro dela.

- Entendo – Sirius diz – mas a senhorita precisa ter em mente que pode ser que não seja...

- Senhor Black – Luna o interrompe - eu sei que pode ser que a minha mãe não seja nenhum daqueles corpos e uma parte de mim torce para que não seja, mas isso foi a maior pista que já tivemos desde que ela desapareceu. Eu tenho fotos, descrição do que ela vestia, raios x da arcada dentária tudo o que os senhores precisarem, mas por favor eu e meu pai precisamos de um desfecho

- A senhorita disse que a sua mãe havia sido uma viciada, mas que não usava mais nada a muito tempo – quem fala agora é Gina – e pelo que eu entendi não havia nenhuma possibilidade de que ela tivesse tido uma recaída, é isso?

- Exatamente – Luna diz – eu era muito pequena, mas eu me lembro muito bem. A minha mãe nem bebia, eu teria notado se ela usasse alguma coisa – ela completa com convicção – criança sente essas coisas

- Então ela deixou totalmente a sua vida anterior ou ela ainda tinha algum contato com alguém daquela época? – Gina pergunta. Ela tem uma teoria meio louca e se a mãe desta moça for uma das ossadas encontradas, pode ser que tenha algum sentido

- Ela deixou – Luna diz, mas não parece muito convicta – quer dizer eu teria que conversar com meu pai pra ter certeza. Eu sei que ela não usava mais nada, mas eu conhecia a minha mãe, se ela encontrasse alguém da sua antiga vida, eu tenho certeza que ela faria qualquer coisa pra ajudar. Se por acaso ela for um dos corpos, eu posso falar com meu pai e perguntar sobre isso, mas eu não gostaria que ele soubesse por enquanto, eu acho que ele não suportaria mais um alarme falso.

- Nós vamos recolher material para um exame de DNA e entraremos em contato assim que o resultado sair – Sirius diz – eu sei que vai ser doloroso, mas caso o resultado seja positivo nós precisaremos conversar melhor com a senhorita e também com seu pai para tentar descobrir quem foi o responsável e fatalmente faremos perguntas desconfortáveis.

- Nós podemos lidar com isso – Luna diz – eu vou fazer de tudo pra ajudar – ela olha para Hermione e para Rony – muito obrigada, eu devo ir agora

- Se você esperar um minuto, eu te levo – Hermione diz, solidária

- Não, obrigada. A senhora já fez muito – Luna diz – eu prefiro andar um pouco pra esfriar a cabeça antes de voltar pra casa. Meu pai me conhece muito bem e ele vai desconfiar se eu chegar assim

A moça sai com seu mesmo ar aéreo, como se não tivesse acabado de contar uma parte tão íntima da sua vida para completos desconhecidos. Rony olha pra Hermione – desculpe não ter atendido, eu fui chamado com urgência e estava no trânsito

- Tudo bem – Hermione dá um suspiro – foi até melhor assim – ela olha para o marido – será que existe alguma possibilidade de um desses corpos ser da mãe dela?

- Não podemos descartar – Rony diz – pelo que a senhorita Lovegood falou, a mãe dela tem o perfil das vítimas identificadas – ele respira fundo – se for uma identificação positiva isso vai significar que o nosso cara está agindo a mais tempo do que imaginamos. Droga! Como ninguém percebeu?

- Ninguém percebeu muita coisa, Rony – é Gina quem diz – eu tenho certeza que todo mundo está fazendo essa mesma pergunta, mas não podemos fazer nada quanto a isso. O melhor que podemos fazer é garantir que ele não faça isso com a mãe de mais ninguém. Ou com a filha ou a irmã – ela suspira – estão nos chamando, você vem?

O ruivo assente com a cabeça e após se despedir da esposa com um beijo ele e a irmã saem para a sala de reuniões...

XXXXX

Local desconhecido

Ele olha para as manchetes de jornal. Não era isso que ele queria ao menos por enquanto, ele gostaria que o seu talento fosse reconhecido e não os seus fracassos e o que foi encontrado pra ele é apenas isso, seus fracassos

Mas isso não é de todo ruim. Ele sabe exatamente como essas coisas funcionam, os jornais agora irão ficar em cima da Scotland Yard e de tudo que acontecer de agora em diante, e ele sabe que os jornais são espertos, logo irão fazer a conexão entre os corpos encontrados e perceber que não são apenas assassinatos comuns. Não, comuns não é algo que pode ser usado para defini-los. Na verdade nem assassinatos são, pra ele são obras de arte e ele apenas apressou o destino certo daquelas mulheres e livrou o mundo do seus corpos imundos. Em breve o mundo irá reconhecer o bom serviço que ele está prestando...

XXXXX

Na Scotland Yard

Gina respira fundo ao final da reunião. O vazamento do cemitério clandestino para a imprensa sem dúvida vai colocar ainda mais pressão na sua equipe e isso não é bom, até porque eles não têm muita coisa pra trabalhar, não enquanto não descobrirem mais sobre as vítimas, tanto as que compõem o padrão do assassino quanto as do cemitério clandestino. Ela tem uma teoria que talvez ligue os dois acontecimentos, mas é preciso de mais pistas para saber se ela está certa

- Desculpe – ela diz ao ver que seu nome foi chamado por Sirius Black

- Eu perguntei se a senhorita consegue ver algo que ligue o nosso cemitério clandestino às mortes que estamos investigando – Sirius diz enquanto encara a ruiva e ela percebe que o olhar do detetive sênior dança entre ela e Harry

- Bem – Gina diz rezando para não ficar ruborizada – eu estava mesmo pensando sobre isso, se comprovarmos que estes corpos são todos femininos e se houver indícios de overdose, eu tenho a teoria que estes corpos são os testes que dissemos que ele estava fazendo e que alguns destes corpos podem ser as mulheres que temos como desaparecidas

- Isso significaria que ele está fazendo estes testes a mais tempo que pensávamos – Harry diz – algumas ossadas lá tinham claramente mais de quinze anos

- Foi o que a senhorita Lovegood falou – Tonk diz pensativa – que a sua mãe sumiu a mais de quinze anos. O que você acha, Malfoy?

O grupo se entreolha diante do silêncio e percebe que Draco Malfoy não está lá...

XXXXX

Quase ao mesmo tempo

Luna caminha pelas ruas, alheia aos olhares sem se preocupar com as lágrimas que descem livremente. Ela precisa se acalmar antes de ir pra casa, a moça sabe que seu pai deve estar lá e ele a conhece bem demais para saber que algo aconteceu, seu pai irá perceber assim que colocar os olhos nela

Pode ser que o mistério que permeia a sua vida por mais de quinze anos, dezoito pra ser mais exato seja resolvido, ou pelo menos parte dele. Luna sabe que se for comprovado que um dos corpos encontrados é o da sua amada mãe, ela não vai descansar enquanto não descobrir o que aconteceu com ela.

Seus olhos azuis e cabelos loiros, juntamente com seu semblante sonhador fazem com que às vezes as pessoas tenham uma ideia errada a seu respeito tomando-a como uma garota avoada e sem nada na cabeça. Mas eles não poderiam estar mais enganados, Luna é uma das mulheres mais determinadas que existe e a sua determinação se manifestou muito cedo, desde que ela teve a consciência de que a sua mãe nunca mais voltaria. Ela era pouco mais do que uma adolescente quando jurou a si mesma que faria tudo que estivesse a seu alcance para saber o que aconteceu com a mulher que lhe deu a vida

No entanto isso não ocupa seus pensamentos agora, o que Luna tem em mente neste momento é que ela está sendo seguida, ela para por um momento enquanto diz sem se virar – por acaso o senhor se esqueceu de perguntar alguma coisa? É necessário que eu retorne?

- Não, não é isso – Draco diz meio sem jeito, na verdade não há motivo algum pra que ele tenha ido atrás da jovem. Ele não tem a mínima ideia do porque ele fez isso. Foi um impulso e Draco Malfoy não é um sujeito impulsivo. Nunca – eu só queria dizer que eu sinto muito por sua mãe e ver se você estava bem – ele fica em silêncio por alguns segundos – a senhorita não devia andar sozinha por aquelas ruas, não é seguro.

- Agradeço a preocupação – Luna diz – eu posso dizer que raramente eu me aventuro sozinha – ela suspira – É que ontem foi um dia difícil pra mim, eu precisava fazer alguma coisa. Eu sempre vou ao centro de recuperação ajudar as meninas de lá, mas ontem... É complicado...

- Mesmo assim – Draco diz – eu sou policial e sou homem e mesmo assim nunca vou sozinho, segurança nunca é demais

- Compreendo – a loira diz encarando o agente – agradeço a preocupação e prometo tomar cuidado, senhor... O senhor ainda não me disse seu nome, mas acho que isso não importa, não é mesmo?

E dizendo isso a loira continua seu caminho sem ouvir Draco sussurrar:

- Meu nome é Malfoy...


NOTA DA AUTORA

Mais um capitulo pra vocês feito com amor e carinho por esta autora que não pede nada em troca a não ser algumas palavrinhas de incentivo. Espero que tenham gostado e muito obrigada a todo mundo que passa por aqui, especialmente a Allegra23 que me faz ter certeza que não estou escrevendo para as moscas.

Estou fazendo o que posso pra colocar um pouquinho de romance na trama sem deixar o mistério de lado, é a primeira vez que me aventuro pelo lado policial da coisa, então tenham paciência comigo e sempre que quiserem dar um toque, estou aberta para sugestões.

Bjs e até o próximo